ABRUPTO

15.10.05


EARLY MORNING BLOGS 624

Huye sin percibirse, lento, el día

Arrepentimiento y lágrimas
debidas al engaño de la vida
Huye sin percibirse, lento, el día,
y la hora secreta y recatada
con silencio se acerca, y despreciada,
lleva tras sí la edad lozana mía.

La vida nueva, que en niñez ardía,
la juventud robusta y engañada,
en el postrer invierno sepultada,
yace entre negra sombra y nieve fría.

No sentí resbalar mudos los años;
hoy los lloro pasados, y los veo
riendo de mis lágrimas y daños.

Mi penitencia deba a mi deseo,
pues me deben la vida mis engaños,
y espero el mal que paso, y no le creo.

(Francisco de Quevedo)

*

Bom dia!

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INTENDÊNCIA

Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE O ENSINO DE INGLÊS.

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DIOGO VASCONCELOS - VOTO ELECTRÓNICO: UMA FORMA NATURAL DE VOTAR NUMA SOCIEDADE EM REDE



É fundamental perceber que não existe um modelo de Voto Electrónico, mas variadíssimos modelos, e na maioria dos posts que tenho visto aqui, misturam-se indiscriminadamente os aspectos negativos de todos eles, seja voto electrónico não presencial, seja voto electrónico presencial ou voto electrónico presencial em mobilidade. Este debate é fundamental e vou tentar dar o meu contributo.

O modelo que tem vindo a ser testado em Portugal, e o qual espero sinceramente que seja implementado, é o de Voto Electrónico presencial em mobilidade, que permitirá que os eleitores possam votam em qualquer assembleia ou posto de votação, sendo o seu voto contabilizado na freguesia onde reside. Uma ambição facilitada pois, em Outubro de 2004, iniciou-se a ligação em banda larga de todas as escolas do ensino básico e secundário, onde funcionam grande parte das assembleias eleitorais (estando ligadas já 60% das nove mil escolas).

Para a maioria dos Portugueses, a mobilidade, o digital, as redes de dados são realidades familiares, daquelas que fazem parte do quotidiano. São, podemos dizer, práticas naturais. Ora, a grande razão do sucesso desta penetração do Digital reside no valor acrescentado que traz à vida das pessoas, expresso numa imensa conveniência, de que ninguém quer prescindir. O cidadão moderno terá ganho novos hábitos de um certo "comodismo" e esta tendência atravessa múltiplas dimensões da sua vida individual e em sociedade.

Vale a pena reflectir sobre os actos eleitorais também a partir deste ângulo. Não fará sentido pôr sobre a mesa a hipótese de que o fenómeno da abstenção tenha, também, a ver com este tema da conveniência? No voto presencial com mobilidade, a sacralidade e solenidade do voto mantém-se, mas cada um escolhe a assembleia de voto onde é mais conveniente, naquele dia, o exercicio desse direito. Quantos milhares de eleitores estão recenseados longe da sua actual residência? Quantos desses eleitores se dão ao trabalho de ir votar, percorrendo dezenas ou centenas de kilometros?

As vantagens do Voto Electrónico presencial em mobilidade parecem-me obvias, uma vez que, sem abdicar da identificação do eleitor por uma mesa multipartidária, põe à disposição do cidadão 11.000 a 13.000 mesas, dependendo da eleição. Parece-me igualmente importante referir que este voto electrónico impede definitivamente a pequena fraude, à qual estranhamente não vi nenhuma referência, levando assim a crer na ingenuidade geral que pressupõe que o actual sistema é 100% seguro, quer na votação presencial nem na votação por correspondência (comunidades portuguesas). Aliás, impedir a fraude foi um dos motivos da plena adopção do Voto Electrónico num país de dimensões continentais como o Brasil

Quando à segurança deste modelo de voto, é importante esclarecer que as máquinas de votação estão desligadas durante todo o acto eleitoral, sendo apenas ligadas durante minutos para remeter os votos para uma central nacional de apuramento, diminuindo assim o risco de ataques ao sistema. Por outro lado, uma das novidades da experiência realizada nas últimas Legislativas foi precisamente a utilização de urnas com registo em papel, o qual serve como solução "redundante", para eventuais recontagens. Importa ainda salientar que o Voto Electrónico permite ainda a participação plena e autónoma dos cidadãos com necessidades especiais no processo eleitoral.

De facto, em 30 anos de Democracia, muitos são aqueles que ainda não têm acesso ao acto de votar, de exercer o seu "(...) poder político através do sufrágio universal, igual, directo, secreto (…) " (art. 10.º, nº 1 da Constituição), exercendo o seu direito de voto acompanhadas por outro eleitor. Ora, na experiência das Legislativas, nas freguesias em que foram usadas "urna falante", o eleitor pôde usar a audição para exercer o seu direito de voto. Para o efeito, precisou apenas de usar dois botões, que lhe permitiram percorrer o caminho até ao boletim, seleccionar e validar a sua opção. A informação foi fornecida ao eleitor através dos auscultadores, garantindo-lhe o exercício de voto de forma totalmente autónoma e secreta. Puderam, assim, votar, com total liberdade e autonomia, pessoas cegas ou com baixa visão. O grau de satisfação foi naturalmente elevado.

Quanto à segurança do software a utilizar, obviamente que este seria analisado pelas entidades competentes e pelos partidos, como aconteceu alias durante a experiência de voto electrónico em 2005, em que o código fonte da plataforma de votação foi entregue à Comissão Nacional de Protecção de Dados e verificado pelos técnicos da mesma. Existe um movimento um pouco por todo o mundo democrático para modernizar os processos eleitorais, seja por questões de segurança (Brasil, índia, Africa do Sul) ou por razões de aumento de conveniência do eleitor de forma a aumentar a participação (Espanha, França, Suiça, U.K, Estónia etc). E há cada vez mais conhecimento sobre o tema.

Portugal deve acompanhar este movimento, tanto mais que todos os estudos mostram a grande receptividade por parte de quem experimentou votar desta forma e num contexto não vinculativo - cerca de 19 mil portugueses nas duas experiências de voto presencial (Europeias e Legislativas) e 5 mil emigrantes na experiência de voto não presencial, por internet (Legislativas). Num e noutro caso, o grau de satisfação ultrapassou os 90% A questão é esta: porque é que não podemos votar em qualquer uma das mesas de voto? Porque é que a comunidade emigrante não vota connosco, no mesmo dia? Não há hoje obstáculos tecnológicos instransponíveis a estas evoluções. Haverá motivos de ordem mais séria para o fenómeno da abstenção, por certo. Mas, então, temos a obrigação de não acrescentar outra camada de problemas – a da inconveniência – numa altura em que existem bons meios para a obviar, no contexto duma sociedade em rede.

O Voto Electrónico não é um mero tema tecnológico, é sobretudo uma questão de (mais) Cidadania. Daí a realização de múltiplas experiências, presenciais e não presenciais, vinculativas e não vinculativas, em numerosos países democráticos. Daí a importância deste debate.

(Diogo Vasconcelos)

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14.10.05


LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÃO E OUTROS MEDIA 4



Vale a pena ler o texto de Gordon Brown, Global Europe: full-employment Europe.

*

Sobre o silêncio a propósito do terramoto paquistanês, esta mais que pertinente carta:

Eu sei que este fim-de-semana aconteceram eleições, que a selecção foi apurada e que isso interessa aos portugueses.

No entretanto houve um terramoto na Ásia. A estimativa aponta para 30 000 mortos.

Aconteceui um aluimento de terras na Guatemala que engoliu uma cidade inteira. 1400 mortos

O tratamento jornalístico em todos os media portugueses (jornais, rádio, televisão) foi pouco mais que insignificante.

Ao contrário a CNN, a SKYNEWS, a BBC enviaram repórteres e ocuparam larguíssimos tempos de antena noticiando a desgraça.

Será que em Portugal as desgraças só existem e têm relevância quando tocam aos ocidentais, leia-se Europa e Estados Unidos.

Será que as desgraças embora da mesma dimensão têm importância conforme o sítio onde ocorrem?

Comparemos com o amplo noticiário sobre o Katrina. Eu sei que New Orleans era um símbolo, sobretudo para os que gostam de jazz como eu (infelizmente já não vou poder ir “houver” jazz na “Big Easy” em Bourbon Street durante o Carnaval), mas afinal “só” morreram 900.

Será que o amplo noticiário sobre o tsunami aconteceu apenas porque havia muitos turistas ocidentais envolvidos?

Será que as vidas de indianos, paquistaneses, afegãos e guatemaltecos são dispensáveis ou pelo menos não têm o mesmo valor que as dos “ocidentais”?

Será que nos habituamos a que as tragédias causadas por fenómenos naturais só acontecem lá longe onde tudo nos passa ao lado?

Será que estamos a ficar insensíveis aquilo que se passa na casa dos vizinhos e porque não amigos?

(Fernando Frazão)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE O ENSINO DE INGLÊS


Tenho ouvido por aí que "antes de aprender inglês, devíamos aprender a falar bem português". É pena que se usem argumentos destes para atacar o Governo (há-os bem melhores). Sabe-se há muito que aprender línguas estrangeiras ajuda a aprender a língua materna e sabe-se também que quanto mais cedo as aprendermos, melhor (a parte do cérebro que aprende línguas de forma mais fácil "fecha" aos 13 anos, a idade em que se começa a aprendê-las em Portugal). Por isso, ensinar Inglês no 1.º Ciclo é boa ideia.

É pena, portanto, que o Governo desbarate a ideia, deixando que pessoas sem qualquer formação pedagógica (apenas com um certificado de fluência em inglês) ensinem a língua (só porque se pensa que é mais barato, provavelmente), quando há tantos professores de inglês desempregados e que fariam o trabalho com todo o gosto e pelo mesmo preço (muitos deles estão a fazê-lo, aliás). Além disso, ensinar Inglês sem que esse ensino seja considerado no 2.º Ciclo (onde se começa tudo de novo, para aborrecimento infinito dos alunos) é estragar a ideia. Como em tudo, um pouco de pés e cabeça era óptimo.

(Isto tudo para não falar da ideia peregrina do Presidente da República de invectivar contra a língua inglesa…).

(Marco Neves)

*

Falta na argumentação um dado importante. Uma lingua estrangeira só é aprendida eficazmente e sem prejuízo se a língua materna está já dominada, o que acontece normalmente a partir dos 10 anos. A sobreposição de um novo sistema linguístico a um sistema ainda não consolidado não favorece nem o primeiro e certamente não o segundo. Mesmo as pessoas que crescem num anbiente bilingue genuíno deste o seu nascimento afirmam que uma destas línguas é a verdadeira "língua mãe". Há a teoria que seja esta na qual a falante faz contas de cabeça.

(Monika Kietzmann)

*

No dia 09 de Setembro publiquei um post no «insustentável» , que penso ainda ter acuidade. A questão dos professores de inglês não é pacífica. Se todos gostaríamos que os nossos professores de inglês no desemprego pudessem ser aproveitados pela nova demanda originada pelo 1º ciclo, também sem dúvida nos agradaria que os resultados fossem bastante superiores aos que têm vindo a ser conseguidos desde há 30 anos, nos outros ciclos de ensino. Se perguntarmos a todos aqueles que hoje em idade adulta lêm e falam fluentemente a língua inglesa onde adquiriram tal capacidade (apesar de muitos terem 7 anos de ensino de inglês no ensino regular), compreender-se-à onde quero chegar.

(Rogério Paulo Matos)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE O VOTO ELECTRÓNICO (2ª série)



Na continuidade do texto de Diogo de Vasconcelos de 11/10/20005, publicado em O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DIOGO VASCONCELOS SOBRE O VOTO ELECTRÓNICO

Quando é que aprenderemos a definir prioridades?
O voto electrónico contribui para a competitividade do país?
Não seria preferível desviar o esforço do Estado para, antes disso, melhorar drasticamente o modo como a informática é utilizada nos meios judiciais? Isso sim, aumentaria de forma imediata a qualidade de vida em Portugal e a nossa capacidade de fazer frente à concorrência internacional.

(Tiago Fernandes)

*

" - Banca electrónica
- Portugal: entrega de IRS por via electrónica (alguém se queixa de erros??)
"

Mas, se existir algum erro, ele será facilmente descoberto e corrigivel (afinal, se eu fizer alguma operação bancária ou declaração de IRS e depois aparecerem valores diferentes descobre-se que aquilo não está a funcionar)

Em compensação, no voto electrónico, nem sequer há maneira de saber se o sistema funciona efectivamente bem.

(Miguel Madeira)

*

Edison e o voto electrónico

1 - Edison dizia que só perdia tempo com invenções que estavam antecipadamente vendidas. Aliás, parece que a única invenção que não conseguiu vender foi, precisamente, uma «máquina de contar votos»!

2 - Tanto quanto sei, o grande problema que houve nas eleições americanas não teve a ver com o software dos computadores (nem com eventual manipulação de resultados por essa via) mas sim com os boletins e respectiva leitura (papéis a perfurar - e coisas assim).

3 - No cerne disto tudo, estão, quanto a mim, o grande e ancestral «medo-do-novo» e o tão português «receio do saloio de ser enganado».

Conheci várias pessoas que faziam contas num computador e as verificavam com máquina de calcular, e ainda um caso fabuloso de um velho comerciante de aldeia a quem eu ofereci uma pequena máquina-de-calcular e que confirmava os resultados com papel e lápis.

4 - Quando, milhões de vezes por mês, os portugueses pagam os seus impostos ou fazem simples transferências bancárias (por home-banking, pelos CTT ou por MB), movimentando milhões de euros através de computadores (que, em geral, nem sequer sabem onde estão!), algum imagina, seriamente que o seu dinheiro possa ser desviado e vir parar à minha conta? Bem, e nestes casos há o papelinho, mas que o Voto Electrónico também pode oferecer.

5 - Contudo, no caso em questão, o escândalo maior é o silêncio sepulcral do nosso Tecnológico Governo.

6 - Conclusão: o assunto não é muito preocupante porque, mais cedo ou mais tarde, se vai resolver: quando TODOS os outros países do mundo estiverem a usar o Voto Electrónico, Portugal nomeará uma comissão para escolher um grupo de estudo para... (etc., até à náusea).

(C. Medina Ribeiro)

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ALGUMAS NOTAS PÓS-AUTÁRQUICAS

PSD

1. O PSD ganhou as eleições, de forma inequívoca. Ter tido este resultado, meses depois da derrota estrondosa de Fevereiro, tem significado nacional. Não há volta a dar a este facto.

2. Para a noite das eleições autárquicas estava prevista uma ofensiva contra Marques Mendes. Não era segredo para ninguém e tinha sido antecipada por Valentim, Isaltino, Menezes, Lopes e alguns outros que andam “por aí”. Apesar do PSD ter perdido em Oeiras e Gondomar, duas autarquias importantes, o apoio da opinião pública ao corte com esses autarcas, e o sucesso no resto do país, travou esses ímpetos. Com as presidenciais à vista não se vê que tão cedo haja condições para essa contestação activa.

3. Mas a liderança de Marques Mendes tem muitas fragilidades, umas próprias e outras que reflectem a situação calamitosa em que o partido se encontrava depois de Lopes. O que Marques Mendes conseguiu, deveu-se a um combate pela credibilidade que tem duas vertentes: a ruptura do partido com alguns casos flagrantes de má fama publica dos seus políticos, e a tentativa de um estilo diferente de oposição. É um bom princípio, mas é preciso ir muito mais longe, porque o PSD (como o PS) está muito corroído por dentro e seria um erro trágico pensar que já se fez o bastante. Se se quer mudar mesmo, tudo no partido precisa, em linguagem informática, de um upgrade.

4. Espanta-me que não se note, com o devido valor, que o PSD, tem tido um registo de oposição bem mais sério e responsável do que alguma vez teve no passado o PS e o próprio PSD. O estilo prepotente e clientelar do governo do PS traduz mais continuidade nos erros, do que o da oposição. É verdade que, num ou noutro caso, Marques Mendes tem hesitado e feito críticas demagógicas, mas elas são mais a excepção do que a regra.
Diferentemente da oposição feita pelo PS, a oposição do PSD não se colocou ao lado dos grevistas e manifestantes, apoiou o governo na sua posição face a militares e juízes, não fez demagogia com os incêndios, elogiou medidas na educação sem qualquer “mas”, e excluiu qualquer leitura nacional dos resultados autárquicos. Tudo exactamente o contrário do que fez o PS, basta ir aos relatos das sessões da Assembleia. Leitura nacional queria o PS fazer se elas tivessem corrido bem, como se viu pelas declarações de Jorge Coelho, e como o PS fez nas últimas europeias.
Isto é muito positivo, porque retira da lógica redutora situação / oposição a avaliação do governo, e dá mais força às críticas. Tem, no entanto, dois problemas: na nossa cultura política e comunicacional parece uma oposição “frouxa”, e é como o tango, precisa de dois protagonistas para poder ser dançado. Ora essa viragem, o PS e o governo não a deram, bem pelo contrário. Continuam com o estilo antigo.


PS

A nível nacional o PS perdeu bastante mais do que pensa. As medidas difíceis do PS, em particular aquelas que atingem interesses corporativos, são nacionalmente mais populares do que impopulares. A condenação da opinião pública em relação às greves sectoriais, seja dos professores, dos militares, dos polícias, dos juízes, dos funcionários públicos, tem sido generalizada. Não penso que são as medidas difíceis, que mais pesaram na avaliação negativa do governo que facilitaram estes resultados autárquicos. Bem pelo contrário, parece-me desculpatório do governo pensar assim.
Foram outras coisas que pesaram: a mentira sobre os impostos, o estilo prepotente e autista do Primeiro-ministro, as sucessivas nomeações partidárias tidas como incompetentes, o Verão de ausência quando o país ardia, a queda do Ministro das Finanças, as trapalhadas com a OTA e o TGV, a errática política económica. E também a escolha de Mário Soares como candidato presidencial, a sucessiva ocupação de todo o estado pelos socialistas, um sinal péssimo para os mecanismos de equilíbrio da democracia. Tudo junto se resume numa só coisa: dotados de condições excepcionais pelo voto dos portugueses, o PS revela-se incapaz de gerar confiança e credibilidade. Chega para perder eleições.

POPULISMOS

O populismo reinou nesta campanha, com duas excepções importantes, Lisboa e Porto, onde parece ainda haver uma massa crítica eleitoral que o trava nas suas manifestações mais extremas. Mas, mesmo assim, convém ser prudente, porque o populismo continua a ser o mecanismo mais fácil para fazer campanhas de sucesso garantido, pela simbiose entre o populismo moderno e os meios de comunicação de massas, em particular a televisão. Felgueiras, Valentim, a nível local, e Louçã a nível nacional, foram os políticos que fundaram a sua campanha quase que exclusivamente num apelo populista sem freios. A eles se deve somar Pinto da Costa, na conturbada campanha do Porto.


POPULISMO REGIONALISTA

“Quem manda em Gondomar são os gondomarenses”, “Felgueiras para os felgueirenses”, foram uma de muitas formas deste populismo. “Para além do Marão mandam os que lá estão”, dizem os transmontanos. Só que o Marão é uma montanha e como todos sabem, não é verdade o que diz a frase. Jardim, que diz o mesmo da Madeira, também ilude os que o ouvem.
Tudo isto é errado, como é óbvio, em democracia. Em Gondomar e Felgueiras quem mandam são os portugueses, as leis portuguesas, o governo português, o parlamento português, os tribunais portugueses, e, no âmbito das suas competências, os autarcas eleitos.

ISOLAMENTO, REGRESSÃO

É o que podem esperar terras como Gondomar e Felgueiras. Os seus resultados eleitorais podem traduzir uma reacção bairrista, mas, nas suas livres opções eleitorais, os seus munícipes fizeram mal às terras: condenaram-nas a uma marginalização, a que cada passo das relações entre o poder local e nacional seja escrutinado sem complacência. Se os processos judiciais transformarem inocências (actuais) em culpas, Felgueiras e Gondomar conhecerão crises políticas e serão vistas como locais de má fama. Os eleitores são, no acto de votar, tão politicamente responsáveis como aqueles que elegem.

COMUNICAÇÃO SOCIAL I

Não gostava de Rio, nem de Carrilho e fez a vida negra aos dois. São casos em que uma antipatia corporativa, tornada colectiva pelo “pack journalism” que temos, se manifestou dando o carácter de “causa” à cobertura comunicacional.
Há diferenças nos dois casos. Ainda Rio não tinha começado a sua presidência já era sujeito a uma campanha de ataque vinda dos jornalistas do Porto, que nunca esmoreceu um segundo até à sua reeleição. O “sistema”, para usar uma expressão futebolística, criado pelo PS de Fernando Gomes no Porto, englobava todos os agentes comunicacionais, jornalistas, “artistas”, meios da cultura subsidiada, intelectuais, instituições. Quem hoje vê a imagem de Gomes, esquece-se até que ponto ele foi intocável enquanto presidente da Câmara do Porto, de braço dado com todas as “forças vivas” da cidade, do futebol à animação cultural. Todas essas pessoas deserdadas fizeram uma guerra sem tréguas a Rio e, fosse este mais pusilânime, bem o podiam ter corrido do lugar. Em consequência, Rio era tratado de forma mais equilibrada nos jornais lisboetas, na proporção directa do afastamento destes dos lobis portuenses.
Carrilho, por seu lado, nunca percebeu que se quer ter mãos livres para criticar a comunicação social não se pode pretender nuns dias fazer uma campanha eleitoral à americana, com esposa célebre e filho, noutras como Lang modernaço, árbitro do gosto pós-moderno, superior ao vulgo ignaro que vê, mais do que lê, a Caras. Não cola, não colou. A comunicação social tomou-o de ponta nem sempre por boas razões, mas não foi por criticar a comunicação social que Carrilho perdeu (Rio fê-lo e ganhou). Foi porque ninguém sentia a menor vontade de lhe acudir e todos de lhe bater.

COMUNICAÇÃO SOCIAL II

Já escrevi isto a propósito de outras campanhas do passado, porque não é uma pecha recente, mas tem que ser repetido: a comunicação social descreveu esta campanha como um nojo, uma abjecção contínua, uma luta mesquinha e sem grandeza. Se formos a ver, já há muito tempo que descreve assim todas as campanhas eleitorais, sejam elas quais forem. Abriu uma excepção: elogiou Maria José Nogueira Pinto, mas fê-lo de forma utilitária para servir de contraste para atacar Carmona e Carrilho,
Esquece-se de uma coisa básica: que diferença fez em relação a candidatos que se esforçavam para ser diferentes e que, por não serem um “nojo”, não interessavam nem ao menino Jesus? Ignorou-os e ajudou a que eles perdessem. Quantas pessoas, quantos candidatos, em muitos sítios se esforçaram por fazer diferente? Nem um? Duvido, isto não é Sodoma e Gomorra. Quanta gente séria e esforçada foi pura e simplesmente ignorada para se correr atrás do lixo, que tanto critica para, no fundo, o promover às luzes da ribalta. É que, meus caros amigos, a ecologia de visibilidade da campanha, só tem uns mediadores em democracia, os meios de comunicação social. E esses, de há muito, escolhem mostrarem apenas o que vende e o que lhes convém para moralizar os costumes. Como se dizia da Internet: mete-se lixo, sai lixo.
Já é assim há muito tempo, fazem o mal e a caramunha.

(Do Público)

*

Comentando o último artigo de J. Pacheco Pereira no PÚBLICO, sem dúvida que estou de acordo quando à ideia geral de o PSD estar a ter «um registo de oposição bem mais sério e responsável do que alguma vez teve no passado o PS». Simplesmente um apoio ingénuo do PSD na área da educação «sem qualquer ‘mas’» é um «remake» do que conduziu o ensino ao estado desastroso a que chegou, ou seja, ontem como hoje o PSD não conseguiu e não consegue definir uma política autónoma sobre o ensino/educação. Se não existem visões pluralistas para o sector com peso efectivo no espaço público, dando voz a diferentes segmentos de opinião como devem fazer as democracias, é porque os partidos não têm feito por isso. São, nessas matérias, «marias-vão-com-as-outras». Aí o PSD tem graves responsabilidades.

Poderei estar de acordo com algumas medidas do actual governo (pelo menos com regresso às escolas de muitos professores ou com as aulas de substituição), mesmo se feitas na base de um populismo inconsequente. Mas a verdade é que as questões estruturais continuam na mesma: gestão das escolas, indisciplina, número de alunos por turma (continuamos na casa aberrante dos 28), sistema de avaliação (onde se tem de discutir de modo consequente a questão dos exames nacionais em final de ciclo e repensar a escala de avaliação de 1 a 5), questões curriculares (disciplinas como «Área de Projecto», «Formação Cívica» e «Estudo Acompanhado» reproduzem uma perspectiva revolucionária de criar o «homem novo» através de um «novo aluno», precisamente à custa da desvalorização dos saberes científicos e estruturados e atentam contra a própria dignidade exigível a um espaço simbólico como a sala de aula, sendo que elas têm outros efeitos gravemente perniciosos que me dispenso de enumerar e foram introduzidas por visionários sem qualquer debate público minimamente sério) e, é claro, a ideologia chamada «ciências da educação». Esses e outros assuntos deveriam ser tratados em conjunto e as reformas apresentadas como um projecto sólido.

Reformar a conta-gotas e mexer no que é secundário só revela que não se sabe ao certo o que se quer (porque não se conhece o terreno e nisso governantes e sindicalistas são irmãos gémeos) e fazê-lo desse modo leva a que os agentes no terreno não entendam para onde se quer caminhar. Assim, medidas positivas, sendo pontuais, são rapidamente anuladas por tudo o que de negativo anda à sua volta, até pela forma sobranceira com que se tratam os profissionais, mesmo aqueles que, eventualmente, poderiam estar disponíveis para a mudança. Assim o que se consegue é que quem está dentro do sistema e é decisivo para as reformas tende a estar contra e os que apoiam estão fora e só com o tempo entenderão (se é que chegarão a isso) como as resistências silenciosas são, de todas, as mais perniciosas e nefastas. Se partidos como o PSD não acordarem para democratizar as ideologias e políticas de ensino, daqui a uma década provavelmente cá estarei para confirmar que tudo estará quase na mesma, como venho escrevendo desde 1998. Portanto, o Dr. Marques Mendes e o PSD deverão apoiar o que acham que devem apoiar, mas isso é quase nada. Mais importar é explicar as razões dessas tomadas de posição num contexto de um projecto estruturado que tenham para o sector. Aliás, por muita razão que este ou futuros governos tenham no que fazem, vivemos numa democracia que não vive de cheques em branco.

É preciso que os partidos cheguem às eleições com programas estruturados para a educação para, depois, não perderem a legitimidade aquando da sua aplicação. Veja-se a nulidade que eram os programas eleitorais de todos os partidos para a educação. Simplesmente lamentáveis. Irá o PSD repetir isso no final desta legislatura?

(Gabriel Mithá Ribeiro)

*

Essa dicotomia entre comunicação social do Porto (má) e comunicação social de Lisboa (boa) parece no mínimo enviesada. Poderíamos fazer outras dicotomias sobre a comunicação social mais fáceis de compreender: Informada sobre a cidade (Porto) vs desinformada sobre a cidade (Lisboa); "Supportive" da cidade (Porto) vs "Desconfiada" da cidade - para não dizer "opponent" - (Lisboa) ou ainda, porque ninguém deixa de ter os seus interesses: beneficiária dos "lobbies" da cidade (Porto) vs beneficiária dos "lobbies" de fora da cidade (Lisboa) (sejam eles económicos, políticos, futebolísticos ou outros)

- A comunicação social do Porto, tal como eu eleitor, não apoiava Rui Rio porque não via qualquer dinâmica de desenvolvimento e afirmação da cidade e não aceita como é que o Presidente da Câmara do Porto não quer ter um papel (que politicamente não existe) de liderança para além da CMP, tendo uma visão reducionista do seu cargo. Por outro lado, a comunicação de Lisboa apoiava Rui Rio porque via nele um contraponto a alguém que é por eles detestado (Pinto da Costa) e alguém com um perfil não reivindicativo de uma maior distribuição de fundos públicos ou de capital político (tão necessário em casos como a Petrocer, a venda da Portucel à Sonae a construção da OTA, entre outros casos). Tanto uns interesses como outros são legítimos só que uns beneficiam a cidade e os seus cidadãos e outros não.

A vitória de Rui Rio deve-se principalmente ao castigo nacional dado ao PS, à influência da comunicação social de Lisboa ("nacional"), que é incomparavelmente mais forte de que a meia dúzia de jornalistas do Porto, e à incapacidade de, no tempo de duração da campanha, sobressair um candidato alternativo. A vitória, não se deve a qualquer convicção da cidade que Rui Rio é o Presidente que vai ter um papel na melhoria das suas condições de vida (sejam elas económicas, afectivas ou de bem-estar). Aliás, comparando a dimensão da vitória de Rio (presidente re-eleito) com Carmona, fica clara a desconfiança que continua a existir relativamente a Rui Rio

Se fosse o Dr. Rui Rio Presidente da Câmara há 15 anos, não haveria Metro, Serralves, Casa da Música ou Rivoli e não haverá (tal como hoje, diga-se) o dinamismo económico necessário ao desenvolvimento da cidade. Este é o meu grande temor: que a sua vitória não se traduza em nada de positivo para a cidade.

(Hugo Enes)

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EARLY MORNING BLOGS 623

Sonnet


Moi, je vis la vie à côté,
Pleurant alors que c'est la fête.
Les gens disent : « Comme il est bête ! »
En somme, je suis mal coté.

J'allume du feu dans l'été,
Dans l'usine je suis poète ;
Pour les pitres je fais la quête.
Qu'importe ! J'aime la beauté.

Beauté des pays et des femmes,
Beauté des vers, beauté des flammes,
Beauté du bien, beauté du mal.

J'ai trop étudié les choses ;
Le temps marche d'un pas normal ;
Des roses, des roses, des roses !


(Charles Cros )

*

Bom dia!

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13.10.05


INTENDÊNCIA

Actualizada a nota LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÃO E OUTROS MEDIA 3

Actualizado o EARLY MORNING BLOGS 622 com uma tradução.

Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE AS NOTAS TRANSMONTANAS - "AÍ AINDA REFUNSFEGAS?!"

Actualizada a nota FÚRIA, FÚRIA ÉPICA.

Actualizada a nota O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DIOGO VASCONCELOS SOBRE O VOTO ELECTRÓNICO, onde há uma animada discussão sobre o voto electrónico.

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: "IT TAKES TWO TO TANGO"



Grande NASA que sendo séria, está demasiado contente com o que vê, para se tomar a sério! Há um gosto, um entusiasmo, que é contagiante. Veja-se como é sisudo o sítio da European Space Agency (ESA). Depois não se queixem dos americanos.

Ah!, as duas luas do tango são Dione e Rhea, dançando diante de Saturno.

*

NASA public outreach has often been compared favourably to ESA, who project a very staid image.

Unlike NASA, who run space programs, ESA merely provide infrastructure, i.e. the launcher and tracking of the spacecraft. The data belongs to the PIs whose instruments ride in space. The criticism that ESA does poor outreach has been made often, and occasionally is has been proposed to make mandatory a decent outreach program for experimenters, unfortunately it hasn't been implemented

(Thomas)

*

Ao ler as suas palavras sobre o tango da Nasa pensei para comigo, que coincidência, há poucos dias pensei exactamente o mesmo ao ler o último advisor do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos sobre o "nosso" Vince.

AS THE SHORT HAPPY LIFE OF VINCE IS NOW OVER...THIS WILL BE THE LAST ADVISORY.

(A.Ferreira)

*

Na realidade, o link da ESA equivalente ao que deu da NASA é o seguinte.
Mas creio ser verdade que como em muitas coisas do outro lado do Atlântico, a NASA tem uma postura mais 'comercial' (em parte porque sem apoio, os $$ não vêm) enquanto que a ESA é 'governamental' na postura. O estranho é que no caso dos satélites Galileo se passe o cenário inverso.

(João Ventura)

*

As diferenças entre a forma de funcionamento da NASA e da Agencia Espacial Europeia e da forma come se apresentam aos seus públicos devem ser procuradas muito mais fundo. Na forma como o funcionamento e financiamento de ambas é assegurado. Sendo um verdadeir glutão de dinheiro público, em alguns casos com retorno duvidoso, a NASA tem que "passar" o seu orçamento em Washington a cada ciclo que passa. Ora quem conhece a realidade politica Americana sabe a influência que as comunidades locais têm nesse processo através dos seus representantes em Washington. Fica, portanto explicada a necessidade permanente de uma presença forte e que gera simpatia e aprovação no grande público que a NASA assegura atrvés de um outreach poderosíssimo.

Claro que há também o facto de o sub-consciente americano continuar a soonhar com muitas coisas para além do horizonte e fazer por isso, o que nós não fazemos há 500 anos.

(Arnaldo J Costeira, Houston, Texas)


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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SOBRE AS NOTAS TRANSMONTANAS - "AÍ AINDA REFUNSFEGAS?!"

Da terra do calipso, soube desta:

Em certo povo de origem judia perto de Argozelo, houvera um crente que fez promessa ao seu Santo.

Passados tempos o Santo não lhe correspondeu ao pedido. O crente, furioso, dirigiu-se à capela por forma a ajustar contas com o dito, pelo que agarrou nele, feito de pau carunchoso, e atirou-o à ribeira praguejando...

Quando nisto o Santo se começa a afundar, borbulhando... Atónito, exclama o homem: "Ai ainda refunsfegas ?!?!?!"...

(Luis Vaz de Carvalho)

*

Correndo o risco de a memória me atraicoar, descontando os óbvios erros gramaticais no Mirandês, e fazendo jûs à tradicão oral do grande Planalto para lá do Sabor, acrescento a informacão seguinte sobre esta história (um livro do Secundário que de repente me vêm á memória diria que esta é uma "estória").

Conto-a como a ouvi, sendo que as distorcões devem ser aceites como parte da riqueza cultural destas terras. Ou melhor, queria apenas acrescentar um dado da história que me contaram:

O homem terá dito (e na minha história, era uma santa, e não um santo), "Ainda refunsfegas, caramonica mil ojos?"

"Caramonica mil ojos", explicava a minha tia, significava "Santa de Pau Carunchoso". E o "refunsfegas" significaria "respirar".

Ya dixe!

(Daniel Filipe Rocha da Cunha Rodrigues)

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LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÃO E OUTROS MEDIA 3



Vendo a Quadratura do Círculo... onde um dos participantes (Pacheco Pereira) afirmou que outro (Jorge Coelho) tinha pedido um "cartão vermelho" para a oposição nas recentes eleições autárquicas, e, tendo este último negado que alguma vez tivesse usado essa linguagem futebolista, uma leitora do Abrupto (Inês Chaves) enviou-me este fragmento da memória colectiva que nos persegue:

"O coordenador autárquico do PS, Jorge Coelho, disse hoje que os portugueses devem "mostrar novo cartão amarelo" ao governo nas eleições autárquicas, cabendo ao PS criar condições para se constituir como alternativa sólida e credível".

Isto foi dito antes das eleições, em Novembro de 2004, e não foi correctamente citado, mas é relevante quando se discute se há (ou deve haver) interpretação nacional dos resultados das autárquicas. Pelo menos no PS entende-se que sim.

*

A propósito da minha crítica ao facto de as estações televisivas não citarem informações (neste caso resultados de sondagens) dos outros canais (a que agora se chama redutoramente " concorrência"), Miguel Torres lembra que "a RTP em determinado momento da noite referiu, e mostrou previsões da TVI relativas a Santarém e Leiria, o que naquele momento serviu para renovar / refrescar o debate."

*

Já várias vezes elogiei a iniciativa do Clube dos Jornalistas na 2: , em que , pela primeira vez, jornalistas discutem o seu trabalho como matéria de debate público. Sei que é difícil e encontra muitas resistências de um grupo profissional que, como todos, vê no escrutínio público uma perda de poder e de autoridade corporativa. Mas ontem, se foi útil saber alguma coisa sobre os critérios editoriais da cobertura das autárquicas, a falta de contraditório prejudicou o programa principalmente na questão do tratamento dado pelas televisões aos casos de Felgueiras e Gondomar.

*

A ler o comentário de Luís Carmelo no Miniscente ao que aqui escrevi sobre a renitência dos jornalistas em aceitar a diversificação das fontes de informação, em particular, usando os blogues quando é nestes que está a informação relevante, como me parecia o caso da oposição interna no CDS. Foi só isto que pretendi dizer e não que os jornalistas se tornassem numa espécie de autores de blogues de outro tipo. No entanto, penso que mais cedo do que tarde, todo o jornalismo, - melhor, todo o debate público, - ganhará novas dimensões de interactividade e de texto-hipertexto, de uso crescente da memória colectiva, da dimensão criativa da escrita, de formas mais dinâmicas de utilização do som, vídeo e texto, e que este processo já em curso, mudará muito a forma da cidadania, que é o que me interessa.

*

A propósito do programa «Clube de Jornalistas» do Canal 2 e da influência das televisões «influenciarem o sentido dos votos», discordo totalmente de Ricardo Costa, pelo menos no que toca a Felgueiras.

As televisões (essencialmente mas não unicamente) influenciaram decisivamente as eleições em Felgueiras. Um único exemplo (há muitos). Na noite do regresso de FF, estava já programado um debate na SIC-Notícias entre os candidatos de Felgueiras. Exactamente na hora do no início do debate, FF dá uma conferência de imprensa, onde «explica» os dezassete pontos do programa eleitoral dela, falando cerca de 15 minutos seguidos sobre a sua candidatura, enquanto os candidatos do PS e PSD aguardavam no estúdio para o qual tinham sido convidados que a senhora decidisse parar. Claro que não tiveram tempo para explicar o seu próprio programa, porque a jornalista «sugou» todos os assuntos com a questão jurídica, que apenas diz respeito a FF, não deixando espaço para os reais problemas desta população.

(Sérgio Martins)

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COISAS SIMPLES


Berenice Abbott

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EARLY MORNING BLOGS 622

Hôtels

La chambre est veuve
Chacun pour soi
Présence neuve
On paye au mois

Le patron doute
Payera-t-on
Je tourne en route
Comme un toton

Le bruit des fiacres
Mon voisin laid
Qui fume un âcre
Tabac anglais

Ô La Vallière
Qui boite et rit
De mes prières
Table de nuit

Et tous ensemble
Dans cet hôtel
Savons la langue
Comme à Babel

Fermons nos Portes
À double tour
Chacun apporte
Son seul amour

(Guillaume Apollinaire)

*

Bom dia!


*

Lendo seu 'post' das 9:38 de hoje, ensaiei esta tradução amadora, espécie de sudoku literário, digamos.

(José Manuel)

Hotéis

(Guillaume Apollinaire, 'Alcools')

O quarto enviuva
Solitário de freguês
Presença nova
Paga-se ao mês

O dono duvida
Será que pagarão
Vou à minha vida
Feito um pião

O rodar do fiacre
Meu vizinho maltês
Fumando um acre
Tabaco inglês

Oh a Vallière
Que tropeça faceira
De minhas orações
Mesa de cabeceira

E juntos estamos
Aqui neste hotel
A língua saibamos
Como em Babel

Fechemos nossa porta
À chave com fervor
Cada um aporta
Seu único amor

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11.10.05


SOBRE NÓS

Nos tempos idos de seiscentos, Tomé Pinheiro da Veiga, entrando em Portugal, escreveu num tom que um visitante que entrasse em certos dias na blogosfera reconheceria:

"Em descobrindo o Portugalete, se nos mostrou com uma cara de vilãozinho, encarquilhada, muito trefo, tudo penedos escabrosos e montes, sem nenhuma lhaneza, muita silveira e a terra partida aos palmos com suas paredinhas, como quem diz: isto é meu, não é teu, não me furtes as minhas uvas."

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
DIOGO VASCONCELOS SOBRE O VOTO ELECTRÓNICO




O Voto Electrónico é hoje uma temática incontornável na maioria das Democracias, enquanto forma de aumentar a participação dos eleitores e tornar mais rápido e eficaz o processo eleitoral. Para além dos benefícios tradicionalmente associados, como a possibilidade de votar em mobilidade a partir de qualquer assembleia de voto , a redução drástica da utilização de recursos naturais como o papel, a maior facilidade, fiabilidade e rapidez do processo de votação, o Voto Electrónico permite ainda a participação plena e autónoma dos cidadãos com necessidades especiais no processo eleitoral.

O Voto Electrónico é, assim, fundamental para combater abstenção e para facilitar a universalidade do voto.

Em 2004 e 2005, foi feito pela UMIC um trabalho sistemático , de desenvolvimento e teste de diferentes soluções de Voto Electrónico, uma das iniciativas enunciadas no Plano de Acção para a Sociedade da Informação. Nas Eleições Europeias de 2004 é introduzido o tema, feita a parceria com o STAPE, e o projecto é apresentado e aprovado pela Comissão Nacional de Eleições e pela Comissão Nacional de Protecção de Dados, as quais acompanharam de perto a sua execução. Envolveram-se ainda as universidades em auditorias de segurança e os presidentes de juntas de freguesia (de meios urbanos e rurais), na formação dos agentes eleitorais.

Nas Eleições Legislativas fomos mais longe, na sequência das recomendações dos auditores: os líderes partidários puderam, eles próprios, testar urnas electrónicas, testou-se pela primeira vez uma solução de identificação central dos eleitores, plataforma fundamental para possibilitar o voto em mobilidade, concebeu-se de início uma plataforma de voto não presencial para os emigrantes, usaram-se, pela primeira vez, urnas com "paper trail" e urnas falantes para deficientes, etc). Em ambos os casos, houve uma preocupação de motivar, sensibilizar e envolver a população, cuja receptividade foi, aliás, extraordinária. Estas experiências foram indispensáveis para introduzir o tema na agenda, gerar conhecimento nas instituições e serviços públicos envolvidos e criar confiança na população - elementos indispensáveis para se passar para a fase vinculativa.

Numa lógica de "accountability", a UMIC lançou em 2004 o portal Voto Electrónico que dá acesso detalhado ao trabalho desenvolvido neste dominio, aos relatorios das auditorias de segurança feitas pelas universidades (as quais foram tidas em conta para a experiência das últimas eleições legislativas) , aos estudos de opinião sobre as experiências-piloto nas Europeias 2004 e nas Legislativas 2005, bem como a descrição exaustiva das experiências internacionais. Contém ainda um repositório de estudos e documentos de referência sobre o tema.

*

A implementação de sistemas de voto electronico como se vai vendo, não passa de uma forma de deslumbramento,e de criação de unidades de estudo sem grande eficácia.Pretende-se o que ? Levar as pessoas a votar em casa ? Colocar umas urnas electrônicas nas secções de voto ?.O exercicio de votar é um direito de cidadania, não é pedir pizzas por e-mail.A relativização da vida em sociedade, enclausuradas que vão estando as pessoas com web, e-mail,chat`s é manifestamente incivilizicional.E isto não é ludismo.Continuamos a ver o exercicio do voto ... em todo o lado...como um acto da democracia e do espaço publico, e não uma maçada a que há que dar toda as oportunidades para tornar corriqueira e trivial.

(Antonio Carrilho)

*

O voto electrónico é só o mais aldrabável dos votos. Não há sistema de segurança que lhe valha, muito menos em termos de grandes números. Só num futuro relativamente bem distante me parece que possa ser minimamente seguro.

(Nuno Magalhães)

*

O meu amigo Diogo Vasconcelos tem defendido a adopção de soluções de voto electrónico. Compreendendo embora as boas razões que o movem, entendo que é um projecto que merece a mais viva oposição. Três razões:

- No actual sistema de voto presencial em papel, qualquer cidadão com habilitações básicas é capaz de comprovar a integridade dos procedimentos utilizados; embora trabalhosos, todos os procedimentos envolvidos no processo eleitoral actual são simples e de fácil verificação; num sistema de voto electrónico, só um grupo muito reduzido de especialistas com acesso a meios sofisticados podem comprovar essa integridade; para mim, esta é razão suficiente para rejeitar a mudança;

- Por mais auditorias de especialistas à segurança do sistema que se façam, num sistema de voto electrónico não há qualquer forma de o votante comum ter a certeza que o que “entra na urna” electrónica corresponde aquilo em que desejou votar; pelo contrário, no sistema actual, desde que o presidente da mesa não seja o Luís de Matos, eu sei que o boletim que preenchi é o que entra na urna e os observadores do processo eleitoral, mesmo que semi-analfabetos, podem verificar que o que de lá sai é o que lá estava dentro;

- Todos os sistemas falham: o space shuttle explode, os computadores da Microsoft são atacados e, pois, os computadores do STAPE cansam-se; Um sistema de voto em papel, como o actual, não é invulnerável a falhas, bem pelo contrário; mas, sendo um sistema descentralizado, um problema local dificilmente tem consequências globais significativas; uma fraude numa mesa de voto em particular (ou em dez ou em 20) dificilmente tem um impacto relevante nos resultados globais da eleição (uma vez que em Portugal a regra não é winner-takes-all, o hipotético exemplo em contrário da Florida não é relevante); pelo contrário, num sistema centralizado, como tenderia a ser um sistema de voto electrónico, qualquer pequeno bug, acidental ou deliberado, no software que controla o processo pode desvirtuar o resultado da eleição.

Mesmo que estas não fossem razões suficientes, resta-me uma última, talvez mais importante: para a maioria dos portugueses, a deslocação à mesa de voto é provavelmente a única experiência relevante de participação cívica que lhes resta; é verdade que dá trabalho e que isso aumenta a abstenção; mas não tenho a certeza que substituí-la por um acesso ao computador no intervalo da telenovela seja prestar grande serviço ao país.

(Vasco Rodrigues)

*

Note-se que a versão portuguesa do v.e. (entretanto deixada cair pelos nossos sábios) não ia tão longe: o voto era electrónico, sim, mas numa Assembleia de Voto "normal". A Estónia vai fazê-lo pela Internet:

l'Estonie est le premier pays à pratiquer le vote électronique par Internet à une échelle nationale", affirme Ivar Tallo, chef de l'académie du e-gouvernement, un groupe de recherche estonien sur l'administration électronique.

En effet, l'Estonie, souvent à la pointe en Europe en matière des technologies de l'information, a innové cette semaine en lançant le vote par Internet pour tous, à l'occasion des élections municipales. De lundi à mercredi, les électeurs ont la possibilité de voter dans tout le pays avec leur ordinateur, de chez eux ou bien de leur bureau. Ceux qui préfèrent déposer un bulletin papier dans l'urne se déplaceront dimanche 16 octobre. (...)

(C. Medina Ribeiro)

*

Quero esclarecer que sou "informático" de formação, antes de tecer os seguintes comentários.

O voto electrónico em local específico (onde seja obrigatório os eleitores deslocarem-se) é de louvar. Mas o voto electrónico não-presencial (voto pela Internet, por exemplo) é perigosíssimo, absolutamente de evitar.

Quanto ao primeiro, atente-se no exemplo brasileiro, onde a urna electrónica produz um documento em papel, que é conferido pelo votante e, após confirmação do votante, é então depositado em urna. Além de haver um resultado electrónico imediato, pode-se sempre recorrer aos boletins em papel para conferir a validade de um resultado. Ou, para garantir que mesmo o cidadão mais simples possa confiar no sistema, basta que o resultado OFICIAL seja o da contagem dos votos em papel, servido o apuramento electrónico apenas para produzir um resultado OFICIOSO, imediato.

Quanto ao voto não presencial, electrónico ou não, é facilmente aldrabável. Hoje em dia, dadas as restrições que existem a respeito dele, a aldrabice compensa pouco, porque demora muito tempo e grandes meios logísticos (além de chamar atenção e causar suspeição, para ser feita em grande número).

Mas imagine-se um bairro dominado por uma associação criminosa: facilmente esta poderia impor aos residentes a obrigação do voto "secreto" à distância, de preferência na presença de um membro da quadrilha ou, para simplificar a logística, na sede da mesma quadrilha... Ai de quem ousasse ir votar a outro local ou realmente em privado. Se isto é difícil de conceber ao nível do estado, é muito mais simples de imaginar - e de impor - a nível local. Basta ver como em tantos concelhos e freguesias do país as eleições de decidem por punhados de votos para constatar como este perigo seria verdadeiramente real. Nem era preciso estar-se a lidar com criminosos: basta recordar que nos pequenos concelhos as câmaras municais são os principais empregadores, e quando não são basta juntar mais duas, três empresas ou associações misericordiosas para reunir mais de metade dos empregos disponíveis... Se o "voto à distância" for feito na presença de quem nos emprega, ou aos nossos filhos, sobrinhos, netos... É fácil imaginar o ambiente de falta de isenção que se pode gerar: imagine-se, por exemplo, que o dirigente de uma "Santa Casa da Misericórdia de X", instala um computador em todos os lares de 3ª idade do concelhos, por ele administrados, para que os idosos, "coitadinhos", não tenham de se dirigir às assembleias de voto...

(Leonel Morgado)

*

Em resposta à minha afirmação «Note-se que a versão portuguesa do v.e. (...) não ia tão longe: o voto era electrónico, sim, mas numa Assembleia de Voto "normal"», que o ABRUPTO transcreveu, Diogo Vasconcelos escreveu-me a esclarecer que a UMIC também estudou e propôs o chamado «Voto não presencial», pela Internet.

Enquanto os paladinos do Choque-Tecnológico não falam de um nem do outro, o meu filho lá fez 2 vezes 320 km para votar...

(C. Medina Ribeiro)

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1 - O voto electrónico pode fazer sentido, mas desde que deixe um "rasto" em papel que possa ser usado para conferencia: i.e., o sistema em que o eleitor clica no botão do partido A, o computador imprime um boletim com o voto no partido A, e o eleitor põe esse voto na urna (que fica guardada e só se abre se alguém duvidar dos resultados do voto electrónico). Claro que isso anula a tal poupança em papel...

2 - Quanto ao voto em casa é perigosissímo, já que abre caminho ao fim do voto secreto. Para nós pode parecer que estou a levantar fantasmas, mas lembremo-nos dos imigrantes de países muçulmanos (poucos em Portugal, é certo), em que muitos pais/maridos poderiam querer votar pelas filhas/mulheres. Ou da Sicilia, aonde há uns anos foi necessário mudar a lei eleitoral para a Mafia não controlar os votos.

(Miguel Madeira)

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Quanto ao debate sobre o voto electrónico posiciono-me no “não tanto ao mar nem tanto é terra”. Genericamente votar é simples e nem demora muito tempo.
Concordo que em tal acto de cidadania não são os minutos gastos na deslocação à mesa de voto real que fazem aumentar a abstenção. E concordo com todos os riscos apontados por diversas pessoas no Abrupto. No entanto defendo a sua aplicação limitada a situações especiais, como será o caso das pessoas que por motivos de saúde não podem de todo deslocar-se a uma mesa de voto real ou essa deslocação seja demasiado penosa ou custosa (necessidade de viatura especial, risco para saúde por sair de ambiente protegido, etc.).
Penso que uma aplicação real do voto virtual a estes casos seria um bom teste ao sistema e promoveria a redução da abstenção daqueles que querem mesmo votar, mas a sua situação física limita o exercício desse direito. Além disso os impactos dos eventuais erros ou fraudes do voto virtual seriam limitados, dado que o peso de tal população no resultado da maioria das eleições seria reduzido, o que em nada reduz ou limita que façamos tudo para proporcionar a essa população a possibilidade de exercer esse direito cívico.

(Miguel Sebastião)

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Sou um adepto quase incondicional das novas tecnologias e da sua aplicação nos mais variados campos. Contudo sou contra o voto electrónico pela seguinte razão: a desmaterialização do voto facilita obviamente a possibilidade de fraude em larga escala. Eu sei que cada vez mais se caminha para a desmaterialização de muitos elementos importantes do nosso quotidiano mas normalmente diferem do voto numa questão essencial: apesar de desmaterializados, existe sempre alguém, normalmente com interesse directo na questão, que tem a possibilidade de detectar a existência de um erro ou fraude. Por exemplo, o registo dos bens, nomeadamente financeiros (conta bancária, acções, etc.), pode estar desmaterializado mas, se alguém os alterar indevidamente, o lesado tem a possibilidade de detectar essa alteração. No caso do voto não existe qualquer possibilidade de verificar à posteriori se ele está devidamente registado dado o carácter secreto do mesmo. E, assim sendo, não existe forma de o controlar, razão pela qual considero que o método de recolha deve manter-se o mais artesanal possível.

(Alexandre Feio)

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No voto electrónico, por se tratar de informática, e de seres humanos a conceber tal sistema, nem tudo são virtudes conforme faz parecer o texto, de Diogo Vasconcelos, que hoje publica no seu blogue. A este propósito, leia-se o que diz um dos mais reputados especialistas em segurança informática da actualidade, Bruce Schneier (www.schneier.com), no artigo: "The Problem with Electronic Voting Machines" (November 10, 2004)

"In the aftermath of the U.S.’s 2004 election, electronic voting machines are again in the news. Computerized machines lost votes, subtracted votes instead of adding them, and doubled votes. Because many of these machines have no paper audit trails, a large number of votes will never be counted."

A começar por algum lado, talvez fosse mais interessante começar por alterar o sistema eleitoral, de Plural para algo matematicamente mais verossímil, como, por exemplo, o sistema Por Aprovação ou, porque não, uma Contagem de Borda. A respeito dos sistemas eleitorais, veja-se o seguinte artigo de introdução ao assunto do Prof. Jorge Buesscu: "Viva o Festival da Canção", de Jorge Buescu (Revista Ingenium, Outubro/1999)

(e ainda aqui.)

(Ricardo Carvalho)

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Creio que o problema que Ricardo Carvalho aponta para o "voto plural" só é seriamente relevante para eleiçoes maioritárias a 1 volta. Para eleições proporcionais (ou mesmo maioritárias a 2 voltas) tais casos serão mais curiosidades matemáticas do que outra coisa.

Se pegarmos no exemplo de Jorge Buescu, com um sistema a 2 voltas, não há paradoxo nenhum - com os 3 candidatos, B ganha por 58% na segunda volta. Se B não se candidata, ganha C (logo à primeira).

[Isto já é um bocado marginal ao tema da discussão, mas enfim...]

(Miguel Madeira)

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Em relação ao voto presencial/não presencial seja ele electrónico ou não, a maioria das posições que aqui leio e ouço no dia-a-dia são por demais demonstrativas do nosso atraso enquanto povo. Vejamos alguns exemplos:
- Alemanha: voto por correio para cidadãos residentes no País ou estrageiro (não consta que haja fraudes)
- Banca electrónica
- Portugal: entrega de IRS por via electrónica (alguém se queixa de erros??)
E poderia citar muitos outros!!! Do ponto de vista tecnológico, se bem que haja necessidade de algumas melhorias e verificações de segurança, não haverá grandes inconvenientes. Do ponto de vista de mentalidades é que a coisa é mais difícil... cada português aprende(u) a ver os outros como aldrabões da pior espécie e que apenas vivem com o intuito de nos aldrabar. Não há País que resista a este tipo de "cidadania"!!!

A introdução do voto electrónico e não presencial, de forma progressiva, só traria benefícios - quem preferisse votar em papel poderia fazê-lo...

Para quê um cartão de eleitor??? Nunca percebi que um sistema como o do nosso Bilhete de Identidade não sirva para nada!!! É com base na informação que nele consta que o Cartão de Eleitor é emitido... nada é confirmado. O MJustiça e MAI não têm os ficheiros organizados por Freguesias de residência??? Então por que não utilizar o BI como documento único?? Não é preciso reinventar a roda (por exemplo: o número de Segurança Social e de Contribuinte poderia ser o número do Bilhete de Identidade que seria o mesmo da Cédula pessoal... não é invenção nem ficção científica, para tal veja-se o que sucede no UK e na Noruega...)

O Nosso atraso mede-se por este dificultar de mudança e reinvenção da roda...

(Pedro V Baptista)

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LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÃO E OUTROS MEDIA 2


Estas dificuldades em actuarem em rede e interactivamente dos media clássicos, são muito visíveis, por exemplo, na noite eleitoral quando uma estação televisiva não cita as sondagens realizadas pelas outras estações como notícias que são e devem ser dadas e permanece presa no “seu” produto. Há que perceber que cada sondagem se esgota no momento em que é dada, e só tornaria a ser notícia por más razões, se falhasse. Esta "prisão" no "seu" produto, explica-se pela competição pelas audiências, mas acaba por ser contraproducente para essas mesmas audiências. Numa noite que vive do contínuo da informação, a riqueza plural dessa informação é o grande elemento de escolha de quem acompanha a emissão. Tive essa percepção na SIC e já não é de agora, e penso que isso prejudica a cobertura da estação, que perde flexibilidade e interesse, nem dando as informações que deve, nem permitindo uma discussão menos previsível.

As opções pelos locais onde foram feitas sondagens, onde há correspondentes da estação preparados para entrar no ar, são opções editoriais, mas não podem fixar rigidamente um canal televisivo numa realidade noticiosa que muda rapidamente no seu interesse durante a noite. As opções editoriais foram feitas antes, a realidade do que acontece é de agora e não de antes. O que estava a acontecer em Santarém, Faro, Aveiro, Barreiro, ou o que esteve para acontecer em Braga, Leiria, Guarda, devia ter tido um acompanhamento mais dinâmico. Declarações politicamente significativas de actores menores da noite eleitoral, como Menezes, que tinha ambições de se recolocar nessa noite na competição pela liderança do PSD, foram ignoradas. Que eu saiba ninguém procurou falar com Santana Lopes, Pinto da Costa, o candidato ganhador do PS em Amarante, Mário Soares, Alegre, o candidato perdedor do PS em Felgueiras, etc., etc, numa panóplia mais larga da informação eleitoral. O CDS foi ignorado, o PCP quase. O BE benignamente esquecido.

As rádios mostraram-se muito mais flexíveis, com os seus meios simples e económicos, do que as televisões, dando informações muito mais cedo e incorporando-as na discussão. O encravamento do STAPE foi um factor, mas bastava telefonar para os amigos residentes nos locais, para saber com segurança o que estava a acontecer em muitas capitais de distrito e sair do domínio claustrofóbico da sondagem. Não há imagens? É verdade, mas nem sempre a informação precisa de imagens, pode usar grafismos, sobrepor a voz dos telefonemas, correr tão rápido como as notícias.

*
Não gostei das televisões na noite das eleições, para além de que nós, espectadores, vivemos em esquizofrenia em que deixamos uma frase de alguém a meio para ir para uma sede, ou um discurso a meio para ir para declarações, e em que mudamos de um canal para o outro cada vez que dá algo “chato”. Este formato, para mim, está esgotado. Muita histeria e pouco sumo. Acho que as televisões deveriam pensar noutro formato mais tranquilo de ver resultados e ouvir comentários sem tanto stress. A SIC, e a RTP com os seus canais de notícias poderiam fazer uma alternativa tranquila em que a informação fosse coada antes de nos ser dada “em bruto”. Eu não estou propriamente interessada em ver o Carmona aos beijos e abraços (5 segundos bastam) e em seguir os passos de Teixeira Lopes para fazer declarações (30 segundos das suas declarações bastam).

(J.)

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LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÃO E OUTROS MEDIA


Nas INDÚSTRIAS CULTURAIS uma análise das primeiras páginas dos jornais pós-autárquicas: AS CAPAS DE JORNAIS DE HOJE. Também me pareceu bizarra, para não dizer outra coisa, a capa do Público, do "Rosa Choque".

Os blogues, fonte de notícias. É pelos blogues (no Acidental, por exemplo) que se segue melhor a oposição do sector "portista" à liderança do CDS e à candidatura de Cavaco Silva. Já não é de agora, é praticamente desde o dia em que Ribeiro e Castro ganhou no Congresso. Este é um caso em que , por não querer citar blogues, a comunicação social tradicional não dá a informação que deve e é relevante. Certos sectores políticos ou por marginalidade, ou porque os seus activistas privilegiam uma outra ecologia comunicacional, como os blogues ou a rede, são aí mais interessantes do que fora, no mundo dos átomos. Não percebo por que razão os media tradicionais não usam essas fontes sem preconceitos, tanto mais que estão assinadas e identificadas.

Um exemplo disso é a notícia do Público de hoje intitulada "Críticos de Ribeiro e Castro no CDS-PP defendem apoio a Cavaco Silva sob condições" que usa só contactos do próprio jornal e não enquadra a informação obtida com posições muito mais explícitas e compreensivas disponíveis na rede e que , neste caso, ainda não passaram para os media clássicos.

*

Vale a pena toda a excelente discussão das sondagens no Margens de Erro.

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AR PURO

Arkhip Kuinji, Depois da Chuva

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EARLY MORNING BLOGS 621

King and no King



„Would it were anything but merely voice!“
The No King cried who after that was King,
Because he had not heard of anything
That balanced with a word is more than noise;
Yet Old Romance being kind, let him prevail
Somewhere or somehow that I have forgot,
Though he'd but cannon - Whereas we that had thought
To have lit upon as clean and sweet a tale
Have been defeated by that pledge you gave
In momentary anger long ago;
And I that have not your faith, how shall I know
That in the blinding light beyond the grave
We'll find so good a thing as that we have lost?
The hourly kindness, the day's common speech,
The habitual content of each with each
When neither soul nor body has been crossed.


(Yeats)

*

Bom dia!

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10.10.05


INTENDÊNCIA

Actualizada a nota BIBLIOFILIA: ANTIPASTI.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
RESTOS DA NOITE DAS AUTÁRQUICAS




Estranho não ver ninguém comentar o uso da Câmara Municipal de Felgueiras para os festejos da candidata fujona. Parece-me ser uma estreia absoluta neste país.

(Nuno Salgado)

*

Está bem, as coisas correram mal ontem... Estando em Bruxelas, não conheço exactamente as causas do problema e é evidente que elas devem ser investigadas. Mas parece-me exagero fazer do STAPE o bode expiatório de todos os males nacionais quando a verdade é que, em todos os anteriores actos eleitorais, pelo menos aqueles de que me lembro, as coisas correram, pelo contrário, bastante bem. Dizer que erraram e saber porquê- muito bem! Mas não é necessário crucificá-los. E incomoda-me ouvir tanta gente a dizer, encolhendo os ombros «Mas este é o país que temos!» Não é; ou se é, não é por estas razões mas, tantas vezes, pelos comentários politicamente correctos e fastidiosamente previsíveis dos que criticam situações excepcionais e se esquecem de criticar outras em que a incompetência é, não a excepção, mas a regra geral quotidianamente aplicada!

(José Pedro Pessoa e Costa)

*

Pergunta-me o meu filho, na sua ingenuidade tecnológica, porque em Portugal não se vota electronicamente? Depois do que se passou hoje, não sei se lhe envio este e-mail, ou se lhe envio uma carta.

(AM)

*

(...) gostaria de ver discutido o critério que permitiu que na hierarquia dos temas a tratar durante a emissão de cobertura das eleições autárquicas todos os energúmenos, mesmo os concorrentes a câmaras com número de eleitores despiciendo, tenham surgido como “cabeças de cartaz”, o que levou, por exemplo, a que tenhamos tido notícias de Felgueiras antes das de Coimbra, Braga e muitas outras, quase todas !, capitais de distrito.

(Lúcia Maria)

*

Estão todos os jornalistas a perguntar o porquê dos “IND” obterem os resultados vitoriosos na noite de eleições.

É simples a resposta.. Só eles sabem a cobertura que lhes deram, o protagonismo, o tempo de antena, etc.., e não é de estranhar que dos quatro, apenas Ferreira Torres tenha perdido. Se tivessemos um contador para somar o tempo em que apareceram nos noticiários os quatro candidatos “IND” na campanha eleitoral, viamos que foi Ferreira Torres que teve menos tempo com câmaras apontadas.

Também é fácil perceber que os candidatos “IND” ganharam notoriedade ao longo dos anos através dos respectivos partidos. E em eleições autárquicas, é bom dizer que na verdade olhamos mais para o trabalho do Presidente(caso já lá esteja há algum tempo), do que para o partido que representa.

Mas aqui o caso era simples. Esses “IND” são arguidos em processos e a RTP, pelo menos essa, devia ter dado menos atenção a eles.

Pires de Lima há pouco na RTP teve muito bem ao dizer que Cascais não teve cobertura nenhuma, caso estranho visto ser o sexto Concelho do país. Ganhou o sensacionalismo contra o respeito pela informação aos eleitores.

(Bruno Marques Teixeira)

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O país que se vê

Há semanas atrás, durante a época de incêndios que devastaram grande parte da flora e fauna nacional, foi detida pela polícia uma senhora dos seus setenta e tal anos entre uma das dezenas de pessoas acusadas de incendiárias. Sob a pergunta feita pelos jornalistas sobre o porquê de tal acção, a resposta foi tão simples como inesperada: “A minha aldeia nunca saiu na televisão e gostava de a ver”.

Dado o interesse dos meios de comunicação social no drama dos fogos e a forma dramática muitas vezes quase teatrais que os seus mediadores infundiam à frente das câmaras, o incessante percorrer terras e aldeias na procura de fogos que satisfizesse a morbilidade doentia dos telespectadores, foi o detonante de um novo drama com a única finalidade de “aparecer” na televisão.

Assim foi cumprido um objectivo. Queimo e apareço. Apareço eu e os meus vizinhos. Um vizinho forçando a cabeça atrás do locutor que relata a tragédia, com um telemóvel no ouvido e ligado a um familiar ou amigo que lhe diz que o vê perfeitamente ou que se chegue mais para o lado.

Este episódio passou-me como um déjà-vu nas últimas eleições autárquicas com alguns dos candidatos elegidos pelo povo e rejeitados pelos seus próprios partidos. Falo, sobre tudo, de Felgueiras. O tratamento dado pelos media a Felgueiras ultrapassa Concelhos e até Distritos com uma importância populacional muitíssimo maior. Posso dar como exemplo Braga ou Viana do Castelo por me serem mais próximos e sobre os quais quase nada ouvi, mas poderia falar de Coimbra, Faro ou todos os Distritos ou Concelhos do interior deste país.

E os votantes felgueirenses agradecem a visibilidade e agradecem, sobretudo, à sua responsável, o seu incêndio particular que movimenta as estações de rádio e televisão na sua vila, na sua aldeia. E ela aparece. Talvez se consiga vislumbrar a janela, a varanda, “meu Deus! até a porta lá de casa!”.

O propósito está conseguido. Todo o país conhece Felgueiras, Oeiras, Amarante e Gondomar. E o povo, o seu povo agradece a publicidade. Boa ou má, não interessa. Outros deram visibilidade à sua terra de uma forma ou outra (Campelo em Ponte de Lima por exemplo) e os seus eleitores agradeceram. E continuarão a agradecer. E os meios de comunicação continuarão a acompanhar os acontecimentos que talvez provoquem outros ou novos incêndios

(Fernando Igreja)

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Hoje, enquanto esperava para votar em Rio Tinto, Gondomar, obvervei uma situação bizarra: o candidato Valentim Loureiro passeava-se olimpicamente pelas assembleias de voto inquirindo como estava a decorrer o acto eleitoral, a conversar com as meninas das sondagens da RTP, cumprimentando as velhinas que faziam fila, etc. Informei-me e, de facto, é legal alguém que seja reconhecido como lider partidário ou candidato visitar as assembleias de voto, mas eu pergunto: é legítimo? Não deveriam estas situações estarem acauteladas?

(Nuno)

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Perplexidade.

Não compreendo a razão pela qual tenho de entregar o meu boletim de voto ao presidente da mesa não podendo eu introduzi-lo na urna. Será que só sou considerada

Para votar? Será que o presidente da mesa é considerado uma pessoa íntegra e eu não? Então para que querem o meu voto?

(Irene Correia)

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BIBLIOFILIA: ANTIPASTI (3ª série)


Já conhecia quase todos os textos do livro do Vasco Graça Moura, Lusitana Praia. Ensaios e Anotações, mas prendi-me em dois, que nunca lera, sobre Aquilino Ribeiro. Li-os e a seguir uma série de artigos de jornal de José Cardoso Pires, também sobre Aquilino, coligidos em Dispersos 1. Literatura da Dom Quixote. Um efeito de Aquilino é visível nos dois autores: os seus textos, mesmo ensaísticos, assumem um registo vocabular … aquiliniano, como se fosse impossível escrever sobre o Mestre (*) sem ficar impregnado pela sua escrita.

Os dois textos do Vasco são mais interessantes do que os de Cardoso Pires, que se repete no efémero dos artigos de jornal, embora algumas observações autobiográficas de Pires retratem muito bem o "tempo" da sua leitura de Aquilino. Ambos se perguntam sobre o dilema de uma obra reconhecida por todos, mas pouco estudada e aparentemente só comunicando com literatura regionalista menor. Vasco analisa bem o “mundo” social que Aquilino conhecia, onde se movia como ninguém e como é cada vez menos legível nos nossos dias o “festival da língua portuguesa” que é A Casa Grande de Romarigães.

Eu, que sou amador de citações, registo uma de Aquilino, apropriada para os tempos de hoje, onde, em vez de Minho, se pode colocar o nome da Divisão Maior onde vivemos:

"A gente desta Casa, até a altura em que chegaram os do meu sangue, tem as virtudes e os defeitos em inho, honradinho, bonzinho, marotinho, ladrãozinho. É um côvado especial para esta província, cujo nome precisamente parece mesmo o eco de tais dimensões."


* Cardoso Pires explica porque razão nunca usava este título quando se dirigia a Aquilino:

"Por pudor, nunca a tratei em vida por Mestre. Era um lugar-comum dos cavalheiros das letras cumprimentarem-no dessa maneira e eu não queria, nem quero, misturar-me com esses perus. Ele, que tinha sete sentidos e mais um, também não alinhava no mote e lá tinha as suas razões.

Mestre. Poucos, raríssimos escritores foram tão enaltecidos como Aquilino pelo lado fácil da leitura ou pelo oportunismo insidioso. Salazar, que era de letras canónicas e carnívoras, louvou-o (não sei se se lembram) pelas seduções clássicas e rurais e passou palavra a alguns ministros que logo disseram que sim: no fundo, tratava-se dum republicano beirão e de boa sintaxe, julgavam eles, nada a temer: imprimatur e siga a barco. Quanta a velhada conservadora, Aquilino era o Arcanjo Negro que traçava a pena de ouro o Portugal desmantelado pela miséria dos talassas e pelas oratórias parlamentares: tratava-o como um São Malhadinhas de pôr na estante ao lado do seu Anatole e lia-o em caricatura de caçador da Serra da Nave, arma à bandoleira e lábia grosso, sá instinto. Da malta nova nem vale a pena falar, pegava-lhe, se lhe pegava, a correr e com preconceito: Aquilino era prosa telúrica e serrana. Um matagal."

(Apoiando a tese do Vasco, sobre a nossa rápida diminuição do património das palavras, o corrector ortográfico fica mais que perplexo com o vocabulário dos três: Aquilino, Cardoso Pires e Vasco Graça Moura.)

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BIBLIOFILIA: ANTIPASTI (2ª série)

António Ferro, autor de blogues.

Em 1921, fazia um excelente blogue erótico-umbiguista chamado Leviana. Aqui vão (não tem ligação) algumas notas, a que se chamam posts.


Que te importa que eu olhe para eles com os olhos, se eu olho para ti com a boca?..

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Porque me decoto assim? Para te poupar trabalho...

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Sabes? Quando descalço as meias, parece-me que dispo a pele, que fico em carne viva...

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Não gosto que me beijes tanto. Fico toda picada...

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Quando me visto para sair tenho a impressão de que me dispo para me meter na cama...

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Os sinais do meu corpo são como os sinais dos livros: servem para marcar a leitura.

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Tenho a cabeça leve? Porque a seguras nesse caso, com as duas mãos?

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Se os teus dedos fossem lápis, tinha o peito, a estas horas, garatujado de obscenidades - como uma parede de rua suja...


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Gosto de olhar para todos, e que todos me vejam... Os meus sorrisos são prospectos que distribuo...


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Estás então desejoso de dar o laço? Olha... Ata-me aí a fita do sapato...

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FÚRIA, FÚRIA ÉPICA



Já não pode ser como as de Aquiles, mas é o que apetecia. Fúria é o sentimento que tenho com a EDP que, às primeiras chuvas, à primeira trovoada, me deu cabo a mim e a muita gente de um dia útil de trabalho, demorando seis horas e meia a corrigir uma avaria da electricidade, tão evidente, tão previsível, - "lá vai faltar a luz outra vez", dito e feito -, tão evitável... Num mundo ideal eu chegaria a um contador e carregaria num botão desligando a inútil EDP e ligando à útil ZDP, ou XDP, ou GDP, ou fosse lá o que fosse, se não houvesse este triste monopólio de mau serviço. Tivessem eles que pagar indemnizações, ou descontar na assinatura e já não demoravam seis horas e meia. E se virem o Abrupto calar-se outra vez, não é fúria, é falta de luz.

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Sugiro-lhe que aplaque os seus sentimentos porque:

1 - Qualquer que seja o comercializador que escolher ZDP, ou XDP, ou GDP, os fios serão sempre os da EDP Distribuição e esta é obrigada a tratar todos os clientes por igual. Por isso, quando houver interrupções de serviço, o grau de prejuízo incorrido é independente do comercializador.

2 - A EDP ainda não paga multas pela energia não fornecida mas já paga indemnizações pelos prejuízos causados: equipamento danificado, stocks perdidos, etc.. Se for esse o caso, contacte o balcão EDP da sua área. Se a responsabilidade for da REN - duvido que assim seja, dada a extensão da interrupção -, esta já paga multas pela energia não fornecida (e a EDP deverá passar a pagar nos próximos anos).

3 - Se quiser que haja outras empresas a estender fios, não encontrará muitos interessados. Fora dos grandes aglomerados populacionais, não há grande interesse económico em estender rede - pelo menos com a electricidade a estes preços.

4 - Se quiser ser verdadeiramente autónomo pode recorrer à produção descentralizada, em complemento ou em substituição dos fios. Sai-lhe mais caro, e também não é 100% garantido, mas se a usar em complemento com a rede, já tem boas garantias de qualidade de serviço. Claro que lhe pode acontecer ter energia em casa, e não a ter no concentrador da rede telefónica ou de cabo ou de telemóvel que é o seu cordão umbilical com o mundo :-)

5 - A maioria dos consumos já está liberalizada e não ouvimos esses clientes falar da melhoria da qualidade de serviço. Se se alegram é com alguma redução dos custos...

Por isso, a decisão economicamente eficiente é viver nas grandes cidades onde a densidade de consumos justifica maiores investimentos na rede. É o que fizeram a maior parte dos cidadãos. De passagem, desertificou-se o interior, mas a paisagem humana que observa e lamenta é o resultado agregado das inúmeras decisões racionais dos cidadãos individuais :-(

Para mais informações sobre a qualidade de serviço eléctrica, sugiro-lhe o texto do regulador, que talvez não conheça.

(João Gomes Mota)

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Respire fundo...

Nao se enfureça que isso faz-lhe mal, a paciencia e' uma virtude a cultivar. Para tal porque nao ler:

Slow Movement

Slow food

E quando faltar a luz pode sempre ficar-se pelo fiel papel:

In Praise of Slowness : How A Worldwide Movement Is Challenging the Cult of Speed

E sobretudo nao se esqueca... if it is not a brain surgery it is not an emergency.

(ver)
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Obrigado Verónica, muito devagar...

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© José Pacheco Pereira
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