| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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13.10.05
LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÃO E OUTROS MEDIA 3
![]() Vendo a Quadratura do Círculo... onde um dos participantes (Pacheco Pereira) afirmou que outro (Jorge Coelho) tinha pedido um "cartão vermelho" para a oposição nas recentes eleições autárquicas, e, tendo este último negado que alguma vez tivesse usado essa linguagem futebolista, uma leitora do Abrupto (Inês Chaves) enviou-me este fragmento da memória colectiva que nos persegue: "O coordenador autárquico do PS, Jorge Coelho, disse hoje que os portugueses devem "mostrar novo cartão amarelo" ao governo nas eleições autárquicas, cabendo ao PS criar condições para se constituir como alternativa sólida e credível". Isto foi dito antes das eleições, em Novembro de 2004, e não foi correctamente citado, mas é relevante quando se discute se há (ou deve haver) interpretação nacional dos resultados das autárquicas. Pelo menos no PS entende-se que sim. * A propósito da minha crítica ao facto de as estações televisivas não citarem informações (neste caso resultados de sondagens) dos outros canais (a que agora se chama redutoramente " concorrência"), Miguel Torres lembra que "a RTP em determinado momento da noite referiu, e mostrou previsões da TVI relativas a Santarém e Leiria, o que naquele momento serviu para renovar / refrescar o debate." * Já várias vezes elogiei a iniciativa do Clube dos Jornalistas na 2: , em que , pela primeira vez, jornalistas discutem o seu trabalho como matéria de debate público. Sei que é difícil e encontra muitas resistências de um grupo profissional que, como todos, vê no escrutínio público uma perda de poder e de autoridade corporativa. Mas ontem, se foi útil saber alguma coisa sobre os critérios editoriais da cobertura das autárquicas, a falta de contraditório prejudicou o programa principalmente na questão do tratamento dado pelas televisões aos casos de Felgueiras e Gondomar. * A ler o comentário de Luís Carmelo no Miniscente ao que aqui escrevi sobre a renitência dos jornalistas em aceitar a diversificação das fontes de informação, em particular, usando os blogues quando é nestes que está a informação relevante, como me parecia o caso da oposição interna no CDS. Foi só isto que pretendi dizer e não que os jornalistas se tornassem numa espécie de autores de blogues de outro tipo. No entanto, penso que mais cedo do que tarde, todo o jornalismo, - melhor, todo o debate público, - ganhará novas dimensões de interactividade e de texto-hipertexto, de uso crescente da memória colectiva, da dimensão criativa da escrita, de formas mais dinâmicas de utilização do som, vídeo e texto, e que este processo já em curso, mudará muito a forma da cidadania, que é o que me interessa. * A propósito do programa «Clube de Jornalistas» do Canal 2 e da influência das televisões «influenciarem o sentido dos votos», discordo totalmente de Ricardo Costa, pelo menos no que toca a Felgueiras.As televisões (essencialmente mas não unicamente) influenciaram decisivamente as eleições em Felgueiras. Um único exemplo (há muitos). Na noite do regresso de FF, estava já programado um debate na SIC-Notícias entre os candidatos de Felgueiras. Exactamente na hora do no início do debate, FF dá uma conferência de imprensa, onde «explica» os dezassete pontos do programa eleitoral dela, falando cerca de 15 minutos seguidos sobre a sua candidatura, enquanto os candidatos do PS e PSD aguardavam no estúdio para o qual tinham sido convidados que a senhora decidisse parar. Claro que não tiveram tempo para explicar o seu próprio programa, porque a jornalista «sugou» todos os assuntos com a questão jurídica, que apenas diz respeito a FF, não deixando espaço para os reais problemas desta população. (Sérgio Martins) (url)
© José Pacheco Pereira
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