ABRUPTO

10.10.05


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
RESTOS DA NOITE DAS AUTÁRQUICAS




Estranho não ver ninguém comentar o uso da Câmara Municipal de Felgueiras para os festejos da candidata fujona. Parece-me ser uma estreia absoluta neste país.

(Nuno Salgado)

*

Está bem, as coisas correram mal ontem... Estando em Bruxelas, não conheço exactamente as causas do problema e é evidente que elas devem ser investigadas. Mas parece-me exagero fazer do STAPE o bode expiatório de todos os males nacionais quando a verdade é que, em todos os anteriores actos eleitorais, pelo menos aqueles de que me lembro, as coisas correram, pelo contrário, bastante bem. Dizer que erraram e saber porquê- muito bem! Mas não é necessário crucificá-los. E incomoda-me ouvir tanta gente a dizer, encolhendo os ombros «Mas este é o país que temos!» Não é; ou se é, não é por estas razões mas, tantas vezes, pelos comentários politicamente correctos e fastidiosamente previsíveis dos que criticam situações excepcionais e se esquecem de criticar outras em que a incompetência é, não a excepção, mas a regra geral quotidianamente aplicada!

(José Pedro Pessoa e Costa)

*

Pergunta-me o meu filho, na sua ingenuidade tecnológica, porque em Portugal não se vota electronicamente? Depois do que se passou hoje, não sei se lhe envio este e-mail, ou se lhe envio uma carta.

(AM)

*

(...) gostaria de ver discutido o critério que permitiu que na hierarquia dos temas a tratar durante a emissão de cobertura das eleições autárquicas todos os energúmenos, mesmo os concorrentes a câmaras com número de eleitores despiciendo, tenham surgido como “cabeças de cartaz”, o que levou, por exemplo, a que tenhamos tido notícias de Felgueiras antes das de Coimbra, Braga e muitas outras, quase todas !, capitais de distrito.

(Lúcia Maria)

*

Estão todos os jornalistas a perguntar o porquê dos “IND” obterem os resultados vitoriosos na noite de eleições.

É simples a resposta.. Só eles sabem a cobertura que lhes deram, o protagonismo, o tempo de antena, etc.., e não é de estranhar que dos quatro, apenas Ferreira Torres tenha perdido. Se tivessemos um contador para somar o tempo em que apareceram nos noticiários os quatro candidatos “IND” na campanha eleitoral, viamos que foi Ferreira Torres que teve menos tempo com câmaras apontadas.

Também é fácil perceber que os candidatos “IND” ganharam notoriedade ao longo dos anos através dos respectivos partidos. E em eleições autárquicas, é bom dizer que na verdade olhamos mais para o trabalho do Presidente(caso já lá esteja há algum tempo), do que para o partido que representa.

Mas aqui o caso era simples. Esses “IND” são arguidos em processos e a RTP, pelo menos essa, devia ter dado menos atenção a eles.

Pires de Lima há pouco na RTP teve muito bem ao dizer que Cascais não teve cobertura nenhuma, caso estranho visto ser o sexto Concelho do país. Ganhou o sensacionalismo contra o respeito pela informação aos eleitores.

(Bruno Marques Teixeira)

*

O país que se vê

Há semanas atrás, durante a época de incêndios que devastaram grande parte da flora e fauna nacional, foi detida pela polícia uma senhora dos seus setenta e tal anos entre uma das dezenas de pessoas acusadas de incendiárias. Sob a pergunta feita pelos jornalistas sobre o porquê de tal acção, a resposta foi tão simples como inesperada: “A minha aldeia nunca saiu na televisão e gostava de a ver”.

Dado o interesse dos meios de comunicação social no drama dos fogos e a forma dramática muitas vezes quase teatrais que os seus mediadores infundiam à frente das câmaras, o incessante percorrer terras e aldeias na procura de fogos que satisfizesse a morbilidade doentia dos telespectadores, foi o detonante de um novo drama com a única finalidade de “aparecer” na televisão.

Assim foi cumprido um objectivo. Queimo e apareço. Apareço eu e os meus vizinhos. Um vizinho forçando a cabeça atrás do locutor que relata a tragédia, com um telemóvel no ouvido e ligado a um familiar ou amigo que lhe diz que o vê perfeitamente ou que se chegue mais para o lado.

Este episódio passou-me como um déjà-vu nas últimas eleições autárquicas com alguns dos candidatos elegidos pelo povo e rejeitados pelos seus próprios partidos. Falo, sobre tudo, de Felgueiras. O tratamento dado pelos media a Felgueiras ultrapassa Concelhos e até Distritos com uma importância populacional muitíssimo maior. Posso dar como exemplo Braga ou Viana do Castelo por me serem mais próximos e sobre os quais quase nada ouvi, mas poderia falar de Coimbra, Faro ou todos os Distritos ou Concelhos do interior deste país.

E os votantes felgueirenses agradecem a visibilidade e agradecem, sobretudo, à sua responsável, o seu incêndio particular que movimenta as estações de rádio e televisão na sua vila, na sua aldeia. E ela aparece. Talvez se consiga vislumbrar a janela, a varanda, “meu Deus! até a porta lá de casa!”.

O propósito está conseguido. Todo o país conhece Felgueiras, Oeiras, Amarante e Gondomar. E o povo, o seu povo agradece a publicidade. Boa ou má, não interessa. Outros deram visibilidade à sua terra de uma forma ou outra (Campelo em Ponte de Lima por exemplo) e os seus eleitores agradeceram. E continuarão a agradecer. E os meios de comunicação continuarão a acompanhar os acontecimentos que talvez provoquem outros ou novos incêndios

(Fernando Igreja)

*

Hoje, enquanto esperava para votar em Rio Tinto, Gondomar, obvervei uma situação bizarra: o candidato Valentim Loureiro passeava-se olimpicamente pelas assembleias de voto inquirindo como estava a decorrer o acto eleitoral, a conversar com as meninas das sondagens da RTP, cumprimentando as velhinas que faziam fila, etc. Informei-me e, de facto, é legal alguém que seja reconhecido como lider partidário ou candidato visitar as assembleias de voto, mas eu pergunto: é legítimo? Não deveriam estas situações estarem acauteladas?

(Nuno)

*

Perplexidade.

Não compreendo a razão pela qual tenho de entregar o meu boletim de voto ao presidente da mesa não podendo eu introduzi-lo na urna. Será que só sou considerada

Para votar? Será que o presidente da mesa é considerado uma pessoa íntegra e eu não? Então para que querem o meu voto?

(Irene Correia)

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]