ABRUPTO

11.10.05


LENDO / VENDO BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÃO E OUTROS MEDIA 2


Estas dificuldades em actuarem em rede e interactivamente dos media clássicos, são muito visíveis, por exemplo, na noite eleitoral quando uma estação televisiva não cita as sondagens realizadas pelas outras estações como notícias que são e devem ser dadas e permanece presa no “seu” produto. Há que perceber que cada sondagem se esgota no momento em que é dada, e só tornaria a ser notícia por más razões, se falhasse. Esta "prisão" no "seu" produto, explica-se pela competição pelas audiências, mas acaba por ser contraproducente para essas mesmas audiências. Numa noite que vive do contínuo da informação, a riqueza plural dessa informação é o grande elemento de escolha de quem acompanha a emissão. Tive essa percepção na SIC e já não é de agora, e penso que isso prejudica a cobertura da estação, que perde flexibilidade e interesse, nem dando as informações que deve, nem permitindo uma discussão menos previsível.

As opções pelos locais onde foram feitas sondagens, onde há correspondentes da estação preparados para entrar no ar, são opções editoriais, mas não podem fixar rigidamente um canal televisivo numa realidade noticiosa que muda rapidamente no seu interesse durante a noite. As opções editoriais foram feitas antes, a realidade do que acontece é de agora e não de antes. O que estava a acontecer em Santarém, Faro, Aveiro, Barreiro, ou o que esteve para acontecer em Braga, Leiria, Guarda, devia ter tido um acompanhamento mais dinâmico. Declarações politicamente significativas de actores menores da noite eleitoral, como Menezes, que tinha ambições de se recolocar nessa noite na competição pela liderança do PSD, foram ignoradas. Que eu saiba ninguém procurou falar com Santana Lopes, Pinto da Costa, o candidato ganhador do PS em Amarante, Mário Soares, Alegre, o candidato perdedor do PS em Felgueiras, etc., etc, numa panóplia mais larga da informação eleitoral. O CDS foi ignorado, o PCP quase. O BE benignamente esquecido.

As rádios mostraram-se muito mais flexíveis, com os seus meios simples e económicos, do que as televisões, dando informações muito mais cedo e incorporando-as na discussão. O encravamento do STAPE foi um factor, mas bastava telefonar para os amigos residentes nos locais, para saber com segurança o que estava a acontecer em muitas capitais de distrito e sair do domínio claustrofóbico da sondagem. Não há imagens? É verdade, mas nem sempre a informação precisa de imagens, pode usar grafismos, sobrepor a voz dos telefonemas, correr tão rápido como as notícias.

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Não gostei das televisões na noite das eleições, para além de que nós, espectadores, vivemos em esquizofrenia em que deixamos uma frase de alguém a meio para ir para uma sede, ou um discurso a meio para ir para declarações, e em que mudamos de um canal para o outro cada vez que dá algo “chato”. Este formato, para mim, está esgotado. Muita histeria e pouco sumo. Acho que as televisões deveriam pensar noutro formato mais tranquilo de ver resultados e ouvir comentários sem tanto stress. A SIC, e a RTP com os seus canais de notícias poderiam fazer uma alternativa tranquila em que a informação fosse coada antes de nos ser dada “em bruto”. Eu não estou propriamente interessada em ver o Carmona aos beijos e abraços (5 segundos bastam) e em seguir os passos de Teixeira Lopes para fazer declarações (30 segundos das suas declarações bastam).

(J.)

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© José Pacheco Pereira
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