ABRUPTO

1.5.16


RISCOS PARA AS NOSSAS LIBERDADES



Três riscos corre hoje a nossa liberdade:
1.
Primeiro, o risco de perdermos o controlo democrático sobre o nosso país. O risco de que o nosso voto valha menos ou não valha nada. O risco de ter um parlamento que não pode cumprir a sua mais nobre função: decidir sobre o orçamento dos portugueses. O risco de termos também nós, como os colonos americanos no taxation without representation, e fizeram uma revolução por causa disso. O risco de sermos governados de fora, por instituições de dúbio carácter democrático, que decidem sobre matérias de governo, em função de interesses que não são os interesses nacionais, e cujos custos o povo português paga.

2.
Segundo, o risco de que o estado abuse dos seus poderes, como já o faz. Não só o estado tem hoje uma panóplia vastíssima de meios para nos controlar e vigiar, como os usa sem respeito pela autonomia, liberdade, identidade dos cidadãos.

Há uns anos discutimos muito que dados diversos deveria ou não juntar o Cartão do Cidadão, dados pessoais, de identificação, médicos, número de eleitor, etc.  Limitámos os dados que lá podemos colocar e temos uma entidade que fiscaliza a utilização dos nossos dados pessoais e que é suposto “protegê-los”. Muito bem.
Mas já olharam para as facturas que estão disponíveis no site das Finanças? Já olharam com olhos de ver, a vossa vida diária espelhada em cada acto em que se compra uma coisa, se almoçaram sós ou acompanhados, onde e que tipo de refeição, onde atravessamos um portal da auto-estrada, onde ficamos a dormir, que viagens fizemos?
Em nenhum sítio o estado foi mais longe no escrutínio da nossa vida pessoal do que no fisco. Com a agravante de que nenhuma relação com o estado é hoje mais desigual, onde o cidadão comum tenha os seus direitos tão diminuídos, onde objectivamente se abandonou o princípio do ónus da prova, ou seja, somos todos culpados à partida.

Em nome de quê? De que eficácia? Perguntem aos donos de offshores, aos que tem dinheiro para pagar o segredo e a fuga ao fisco, para esconder o seu património do fisco, se eles se incomodam com o fisco. Incomodar, incomodam, mas podem pagar para deixarem de ser incomodados. Já viram algum offshore de uma cabeleireira, de um feirante, de um mecânico de automóveis, de um pequeno empresário que tem um café ou um restaurante, aqueles sobre os quais o fisco actua exemplarmente como se fossem esses os seus inimigos principais?

É por isso que se hoje se existisse uma polícia como a PIDE não precisava de mais nada do que de aceder aos bancos de dados do fisco, do Multibanco, das câmaras de vigilância, do tráfego electrónico. Podia reconstituir a nossa vida usando o Google, o Facebook, o Twitter, o Instagram. Podia encontrar demasiadas coisas em linha, até porque uma geração de jovens está a ser mais educada pelas empresas de hardware e software de comunicações, do que pela escola ou pela família. Elas têm à sua disposição múltiplos meios para desenvolveram uma cultura de devassa da privacidade, pondo em causa séculos de luta pelo direito de cada um de ter um espaço íntimo e privado e uma educação do valor da privacidade.

3.
Terceiro, o risco de que a pobreza impeça o exercício das liberdades. A miséria, a pobreza, a precariedade, o desemprego, são maus companheiros da liberdade. A pobreza ou qualquer forma de privação do mínimo necessário para uma vida com dignidade é uma forma de dar aos poderosos o direito natural à liberdade e a dela privar aos mais fracos.
Sim, porque ser pobre é ser mais fraco. É ter menos educação e menos oportunidades de a usar, é ter empregos piores e salários piores, ou não ter nem uma coisa nem outra. É falar português pior, com menos capacidade expressiva, logo com menos domínio sobre as coisas. É ter uma experiência limitada e menos qualificações. É depender mais dos outros. É não ter outro caminho que não seja o de reproduzir nas novas gerações, nos filhos, o mesmo ciclo de pobreza e exclusão dos pais. E a exclusão reproduz-se mesmo que se tenha telemóvel e Facebook, porque o acesso ao mundo virtual e a devices tecnológicos não significa sair do círculo infernal da pobreza. É apenas “modernizá-lo”.
O agravamento na sociedade portuguesa da desigualdade social, do fosso entre pobres e ricos, é uma ameaça à liberdade 

4.

Há um risco ainda maior do que qualquer destes: o de pensarmos que não podemos fazer nada face as estas ameaças à nossa liberdade e à nossa democracia. O risco de dizermos para nós próprios que haverá sempre pobres e ricos e que a pobreza é um inevitável efeito colateral de por a casa em ordem. Mas que ordem? O risco de pensarmos que não há nada a fazer com a Europa, que eles mandam e que nós temos que obedecer porque nos colocámos a jeito com a dívida. Sim, nós colocamos-nos a jeito, mas somos membros plenos da União, temos poderes próprios, e talvez não nos ficasse mal de vez em quando exercê-los. Para além disso não somos os únicos a pensar que a deriva europeia é perigosa para as democracias nacionais. E, surpresa, muitas das regras a que chamamos “europeias” não estão em nenhum tratado, são apenas maus costumes que se implantaram nos anos da crise.

(Da Sábado e uma adaptação da intervenção feita na sessão solene em Leiria organizada pela Câmara Municipal para comemorar o 25 de Abril.)

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NÃO, MEUS AMIGOS, O ABRUPTO NÃO ACABOU...



Tem apenas hibernado por pura falta de tempo. O tempo continua a faltar, mas vamos, pouco a pouco, acordando o urso.

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27.1.16


COMO É QUE CHEGAMOS AQUI?


Como é que, algures pelo caminho dos últimos anos, perdemos a independência?
Como é que permitimos, todos, povo e governantes, o que se está a passar?
E não me venham com a dívida. A dívida ajuda e muito, mas não é a questão central. A questão central é que ao abdicarmos de soberania, abdicamos também de democracia.
E estamos agora governados por uma burocracia anónima, sem legitimidade eleitoral, que responde aos seus donos e nós não somos donos de nada. Nem sequer de nós próprios. 

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16.12.15


MAIS UM AVISO (PORQUE AS COISAS ESTÃO COMO ESTÃO)


Nunca tive muita paciência para o mau trabalho jornalístico, ou jornalístico-opinativo, feito ou por incompetência ou por má fé. Repito: não mudei de posição sobre as presidenciais, e não apoio nenhuma candidato, o que não me impede de participar no debate eleitoral como entender e com a liberdade que entender. Já agora podem colocar na agenda uma sessão de debate sobre "cidadania" organizada pelo SNAP no Barreiro e e um debate sobre "Portugal justo" organizado pela candidatura de Marisa Matias. E haverá mais e de outros lados. 

Como se vê pelos relatos jornalísticos de quem esteve presente (no Público e no Expresso ) eu não apoiei a candidatura de Sampaio da Nóvoa na apresentação do livro biográfico de Fernando Madaíl,  atitude afirmada por mim e pelo próprio Sampaio da Nóvoa, pelo que é falso o que diz a RTP (que já retirou a notícia e bem), e Henrique Monteiro no Expresso.

Há muita gente a querer ajudar os pequenos inquisidores do PSD.

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13.12.15


AVISO A TEMPO POR CAUSA DO TEMPO (MAIS UM, MAS OS TEMPOS SÃO O QUE SÃO...)



Face ao convite que me foi feito para a Administração de Serralves, devo dizer que só aceitei por ser um lugar não remunerado e sem qualquer prebenda, condição que coloquei ao convidante. Faço parte igualmente de um Conselho de Patronos do Museu Vieira da Silva / Arpad Szenes, do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, e do Conselho-Geral da Universidade do Porto. Tudo sem qualquer remuneração. 

Espero que quando se der a notícia não se ignore este "aviso".

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5.12.15


AVISO A TEMPO POR CAUSA DO TEMPO.

Antes que a comunicação social me torne "propriedade" de qualquer candidatura presidencial, informo que tenho já prevista a participação em debates e colóquios organizados pelas candidaturas de Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias e tenho falado pessoalmente sobre a questão presidencial com outros candidatos. Como são conversas privadas ficam privadas. Faço-o com inteiro à vontade, visto que não me furto a discutir Portugal e os portugueses, na medida das minhas capacidades, e considero que estas eleições têm vários candidatos que as dignificam. Não é por ecletismo, a que sou avesso, nem por querer pairar acima das opções políticas concretas. Se entender vir tomar posição pública, toma-la-ei, até lá interessa-me mais a discussão e o debate público que terei o gosto de fazer, para já "ao lado" das candidaturas que me honraram com esse convite.

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23.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (23)

Que condições de "uma solução governativa estável, duradoura e credível" foram exigidas a Passos Coelho antes de ser indigitado? 

Olhem bem para as condições colocadas pelo Presidente ao PS e vejam bem quais o governo Passos Coelho podia mesmo garantir, tanto mais que algumas nem com maioria absoluta garantiu:

a) aprovação de moções de confiança; [um governo minoritário não o podia garantir] 
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016[um governo minoritário não o podia garantir] 
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária; [o último défice foi de 7%, e o memorando só foi "cumprido" pela complacência política da troika que o aceitou rever] 
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva; [este foi o governo que vendeu sectores estratégicos de Portugal a fundos estatais chineses, no caso da REN obrigando a adiar a publicação da respectiva lei]
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País; [ver nota anterior]
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.[deve querer significar continuar a apoiar a banca com dinheiro dos contribuintes]

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (22)

Ah! a falta de memória! Este amor pela "concertação social" é mais uma das revisões do passado que se faz nestes dias. Depois de quatro anos de decidir quase tudo o que era relevante antes da concertação social e apresentá-lo como facto consumado, ou de usar na propaganda a concertação social quando lhe convinha, e de atacar muitos dos seus documentos e posições, assim como o seu Presidente Silva Peneda, agora são os seus maiores defensores, como se vê no documento presidencial.


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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (21)

Pouca gente prejudica mais nos dias de hoje o PS, e por arrastamento a esquerda, do que José Sócrates. O tipo de sessões públicas que tem patrocinado, com a cumplicidade de muita gente do PS, serve apenas para dar má fama ao partido que delas não se demarca. Sócrates está acusado de graves crimes, e só se saberá em tribunal se está inocente ou culpado dos crimes de que é acusado. Porém, conhecem-se suficientes pormenores do seu comportamento cívico, que nem ele, nem os seus advogados contestam, apenas "interpretam", que o torna exactamente aquele tipo de pessoas de que os partidos se deveriam afastar a milhas. Disse sempre isto em relação a pessoas do meu partido que lhe deram e dão má fama por razões que podem não ser crimes mas que são eticamente inaceitáveis na vida pública, para o poder dizer à vontade, e com todo o à vontade, de José Sócrates. E não é só de agora.  


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16.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (20)

Uma das maiores manipulações da opinião pública que se fazem hoje em Portugal é o modo como são comentados os movimentos da bolsa e dos juros. Hoje, os juros portugueses desceram contrariando outros países europeus em que subiram (a Alemanha p.e.). Comentário nos órgãos de comunicação social: desceram porque a agência canadiana não baixou o rating da dívida a Portugal. Têm mesmo a certeza disso, dado que a decisão da agência foi já há dias e os mercados costumam responder em tempo real? Por que é que entretanto subiram e depois desceram? 

Uma coisa eu sei - até agora as previsões de cataclismos que a nossa direita tem feito (e que notoriamente deseja) não se tem verificado, para incómodo de muita gente. Até agora.

Por favor, não nos enganem tão grosseiramente ou então concluam que os "mercados" são indiferentes à queda do governo Passos-Portas. Até agora.


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14.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (19)

Muito me estranha, ou talvez não, que não tenha havido um jornalista que tivesse feito a pergunta "quem paga'" a nenhum membro da coligação, nem quando da cornucópia da abundância que correu no ano eleitoral, nem quando o PSD-CDS aceitaram todas aquelas medidas do PS no documento "facilitador", nem no programa de governo chumbado na Assembleia. A pergunta é só feita a um lado, o que é já beneficiar o outro.


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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (18)

No "risco", como para aí se diz, de "reversão" das medidas do governo da troika, há uma que é a mais importante do que todas as outras. Não pensem que a direita está muito preocupada com o défice ou a dívida, apesar da gritaria dúplice (umas vezes está-se a dar tudo e vem aí um novo resgate, outras vezes, veja-se Portas, não se está a dar o que eles dariam). A preocupação verdadeira é com a legislação laboral e o que lhe é anexo. 

E não é, também não se enganem, com medo da CGTP. É com medo de que se modere o desequilíbrio social ocorrido nestes últimos anos da troika entre trabalhadores e patronato. A legislação laboral destina-se exactamente a criar factores de equilíbrio entre duas partes com um poder muito desigual. A alteração da legislação laboral nestes últimos anos, - e esta foi a grande traição da UGT e do silêncio do PS segurista, - acentuou esse desequilibro e abriu a porta ao desemprego, ao abaixamento acentuado de salários, logo ao aumento da pobreza mesmo de quem tem emprego, e à precariedade. 

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13.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (17)


Pedro Ferraz da Costa foi dizer ao Presidente, com imenso enfado, que vinha aí uma "perspectiva negra", a da "política estafada do consumo interno". É que, ainda por cima, os que consomem não são as pessoas certas, que sabem comprar nas lojas gourmet, frequentar os sítios selectos, vestir com as marcas devidas, sem ostentação, mas sóbrios como um lorde inglês. É de facto um aborrecimento ver feios, porcos e maus a terem mais uns euros para consumir... 



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12.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (16)

Se a TAP está a dias de não ter gasolina para os aviões e dinheiro para pagar salários, o que não acredito porque já vi usar muitas vezes por este governo argumentos ad terrorem deste tipo para justificar fazer as enormidades que quer, só pode ser por duas razões: ou foi pessimamente gerida nos últimos meses com o beneplácito governamental, ou foi deliberadamente deixada cair no caos para justificar a estranha pressa governamental para a privatizar.

Não é nada de novo, - foi o que foi feito com os Estaleiros de Viana, para logo a seguir surgirem miraculosas encomendas de navios do próprio estado agora feitas aos privados. 

Ainda há muita gente do centro-esquerda e da esquerda que não percebeu com quem se está a meter.




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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (15)

Para quem tinha dúvidas sobre a fusão profunda entre os interesses económicos com o governo PSD-CDS, ocorrida nestes últimos anos, muito para além das coreografias e cortejos atrás de Sócrates, veja-se o comportamento político das confederações patronais sem ambiguidades, sem hesitações, sem consideração pela democracia, mostrando-nos o seu enorme amor pelo governo Passos-Portas, e dizendo-nos que só eles podem governar e só a eles é permitido governar. O processo de radicalização à direita passa por aqui.

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (14)

Sobre os números catastrofistas que a comunicação social repete sobre o impacto das medidas dos acordos PS-PCP-BE, não seria bom saber qual a credibilidade de quem está a injectar estes números ou o seu interesse próprio nessas contas, ou seja, não seria exigido que nos dessem as fontes? É que alguns são tão evidentemente martelados que não é desculpável que se publiquem sem se saber como se chegou lá e quem fez essas contas. 

Hoje esses números estão no centro do confronto político, não seria de ter toda a prudência?

(Um exemplo: acabei de ouvir uma descrição do cataclismo financeiro para o estado se a privatização da TAP for travada, mesmo na hipótese de não haver assinatura final, que, ou vem dos putativos compradores ou do anterior governo, ambos interessados nessa visão das coisas. Repito: não seria de verificar a veracidade contratual desses prejuízos, antes de funcionar como porta-voz de uma das partes? É que, pelos vistos,  do modo como as coisas estão, deixou de se verificar nada nos órgãos de comunicação social.)


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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (13)

Será que aqueles que preferem estragar ainda mais Portugal, entregando-o, meses e meses, a um governo de gestão que não pode governar nada, apenas por raiva de poder haver outro, percebem a dimensão do conflito institucional que vão criar? É que se esquecem deste pequeno problema que é o facto do Parlamento não estar em gestão e poder, com certos limites, "governar"? E que a seguir vão ter que pedir ao Presidente para exercer uma espécie de veto contínuo a tudo que venha da Assembleia? 



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11.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (12)

Quando é que os jornalistas, que seguem quase unanimemente a linha do "quem paga" como único critério para avaliar o mérito de qualquer medida e repetem à saciedade a mesma pergunta, se interrogam  sobre se essa pergunta deve ser a primeira a ser feita, e se deve ser feita do modo que é feita, e se não há toda uma carga ideológica (e uma série de simplismos mais que rudimentares) nessa maneira de colocar a questão? 

A resposta é sempre, nós os contribuintes. Portanto, alguém há-de pagar. Mas será que a pergunta nos diz alguma coisa sobre quem são os contribuintes que deviam pagar mais e não pagam, os que fogem aos impostos perante a complacência do estado, ou os que tem isenções fiscais que podem ser cortadas, ou as despesas que são feitas e não deviam ser feitas, ou sobre se há justiça distributiva em quem paga, ou até, se se justifica que se pague mais. Não, não nos diz nada. 

É que se for assim, a pergunta "quem paga" quer dizer "isso não se deve fazer", não se devem aumentar salários, pensões, reformas, etc. E como a pergunta não é feita noutras circunstâncias, é uma pergunta profundamente viciada pela miserável ideologia que circula nos nossos dias e que muita gente interiorizou   sem pensar no que está a dizer, ou porque é hostil a que se "pague" a alguns e nunca faz a pergunta a outros. 

Ora eu conheço mil e um exemplos em que a pergunta "quem paga" tem todo o sentido de se fazer e ninguém a faz. 

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (11)

Um dos aspectos da radicalização à direita é o facto de muita gente preferir um governo de gestão que sabe ser muito prejudicial ao país, à existência de um governo de centro-esquerda como é o do PS. 

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10.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (10)

Então os juros estão a baixar e a Bolsa a subir? Se eu fizer a mesmo tipo de "análises" que Passos e Portas fizeram e o formigueiro dos seus ecos "sociais" reproduzem, devo concluir que os "mercados" estão contentes com a queda do governo?

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (9)

Portas diz que mudou a posição face à Europa em 1998. É falso. Concorri contra ele nas eleições ao Parlamento Europeu em 1999 e sei muito bem quais eram as posições do candidato da palmeta e da pêra-rocha. Será preciso republicar a propaganda do CDS-PP para lhe lembrar o que ele dizia do escudo, da "venda" de Portugal pelo PSD e pelo PS, e o ataque a Mário Soares, também candidato? 

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (8)

Portas fala dos "estados de alma" do PCP. Alguém lhe explica que o PCP é o único partido daquela sala que não tem estados de alma.

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (7)

O discurso de Portas é o melhor exemplo do radicalismo que justifica classificar a coligação como de direita. É um discurso de vingança. Está bem e é conforme aos seus costumes.  

Geringonça, bebedeira, ressaca...

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (6)

1917, Palácio de Inverno... Se quiserem dou-lhes um curso sobre a Revolução Russa para perceberem a enormidade das asneiras que dizem. 
Quando se ouve isto fica-se totalmente arrogante. Faz bem à saúde perante as insanidades que se ouvem.


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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (5)

Até Mário Centeno dá uma dura lição ao PAF. Sem ambiguidades. Tivesse o PS assumido um décimo desta linguagem clara sobre as falsidades do governo PSD-CDS e teria outros resultados eleitorais. Só agora perceberam.

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (4)

Por que é que, pelo menos os Verdes não batem palmas ao discurso do solitário deputado do PAN que disse muita coisa com que eles concordam?

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (3)

"Quando Catarina chegar ao aeroporto num avião da Aeroflot..." 
Mas que indigência política da intervenção do PSD!

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DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (2)
 


O estúpido sectarismo à esquerda faz com que na Assembleia os grupos parlamentares do PS, BE e PCP não batam palmas às intervenções uns dos outros. Será que ainda não perceberam que estão metidos num caminho comum?

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9.11.15


DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE (1)

Qual foi o percursor deste acordo? O encontro da Aula Magna. 

O "espírito" do encontro, patrocinado por Mário Soares, foi o único nestes últimos quatro anos que teve a presença do PS, do BE e do PCP. Foi o encontro do "contra", o mesmo "contra" que empurrou todos os partidos da esquerda a entenderem-se.

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11.10.15


AMANHÃ: DE ONDE VEM TANTO MAL? 
AS FONTES DA INTOLERÂNCIA E A APRENDIZAGEM DA TOLERÂNCIA

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Uma jornada de que sou comissário.

Na Fundação Calouste Gulbenkian dia 12 de Outubro 2015 às 9:30 

Na Gulbenkian – Auditório 2 – dia 12 de Outubro às 9:30
De onde vem tanto mal?
As fontes da intolerância e a aprendizagem da tolerância
PROGRAMA 9h30 – Sessão de Abertura | Artur Santos Silva 9h45 – Ensinar a tolerânciaJoan Rivitz
10h15 – A Intolerância nas escolas portuguesas | David Justino
10h45 – Intervalo

11h00 SONS E FILMES SOBRE A INTOLERÂNCIA PARA APRENDER A TOLERÂNCIA – (Sessões paralelas para professores – Aud. 2 e Sala 1)
Vendo a intolerância no cinema Intolerância de D. W.  Griffith (episódio do Massacre de S. Bartolomeu) | João Lopes
Ouvindo as músicas de guerra – Deutschland Über Alles e os hinos nacionais | Rui Vieira Nery

13h00 – Almoço

15H00 – 17H30 – DE ONDE VEM A NOSSA INTOLERÂNCIA?

Da Dhimmitude (Oriental) à Tolerância (Ocidental) | Marc Nichanian
DO QUOTIDIANO – Nasce-se intolerante? O que é que nos faz intolerantes? | Diogo Pires Aurélio
DA RELIGIÃO – Fontes de intolerância na tradição judaico-cristã | Anselmo Borges
18H00 – Conferência – A Europa e as suas fronteiras – a actual crise dos refugiados e a identidade da Europa | José Pacheco Pereira

*
A intolerância está um pouco por todo o lado. Pensamos que, mesmo nas nossas sociedades racionais, ordenadas, iluministas, estamos acima destes excessos. Não estamos. A intolerância é uma constante social e a luta pela tolerância é permanente.
Parte dessa intolerância vem da história e da sua interpretação política, nacional ou étnica. Vem do desporto e da política, dos clubes e partidos entendidos como tribos. Vem da violência inscrita na desigualdade das economias. Vem de culturas que se baseiam em identidades agressivas que excluem os outros. Vem das religiões e dos seus conflitos de fronteira. Vem das pessoas e do seu modo de olhar os outros como sendo alheios e hostis. Vem da ignorância e de ideias grosseiras, mas muitas vezes fáceis e sedutoras. Vem da solidão e do medo.
Dois aspetos nos interessam: de onde vêm a intolerância e como se pode, nas escolas, e nas sociedades, fortalecer a tolerância. A escola e a sociedade não podem aceitar a intolerância com passividade. Uma cultura democrática é também uma cultura tolerante, mas a tolerância não é um bem adquirido e seguro. Tem que ser construída no dia-a-dia.
O nosso objectivo é discutir a tolerância falando da intolerância. Vamos fazê-lo num duplo momento: na perspectiva de como nas escolas e no ensino se pode ensinar e aprender a ser tolerante, conhecendo melhor a devastação humana e social que tem feito a intolerância; e numa melhor compreensão daquilo que nos faz, individual ou colectivamente, ser intolerantes. Compreender as raízes da intolerância na história, na sociedade, na economia, na política é um passo para reforçar esse respeito mútuo que incorpora a diferença e a compreensão.
Não é fácil, mas é possível.
José Pacheco Pereira

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9.10.15


SEMPER FI

Quem pensa que desanimo, esmoreço, modero, suspendo aquilo que tenho dito e vou continuar a dizer, está bem enganado. Pode-se estar sozinho, mas ter a maioria – que não têm – não significa ter razão, que não têm de todo. Tenho para mim o motto dos marines americanos, semper fidelis, fiel aos portugueses que precisam de uma melhor política e de uma melhor representação em democracia, porque são mais pobres ou estão a empobrecer, podem menos ou porque são excluídos, ou mais velhos ou desempregados, aos portugueses que querem andar para a frente e não querem um País a andar para trás, e aqueles que gostam do seu País e não aceitam vê-lo cada dia mais desprovido de poder e dignidade. Semper fi.

O resto está na Sábado.

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© José Pacheco Pereira
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