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(JPP)
FÚRIA, FÚRIA ÉPICA
Já não pode ser como as de Aquiles, mas é o que apetecia. Fúria é o sentimento que tenho com a EDP que, às primeiras chuvas, à primeira trovoada, me deu cabo a mim e a muita gente de um dia útil de trabalho, demorando seis horas e meia a corrigir uma avaria da electricidade, tão evidente, tão previsível, - "lá vai faltar a luz outra vez", dito e feito -, tão evitável... Num mundo ideal eu chegaria a um contador e carregaria num botão desligando a inútil EDP e ligando à útil ZDP, ou XDP, ou GDP, ou fosse lá o que fosse, se não houvesse este triste monopólio de mau serviço. Tivessem eles que pagar indemnizações, ou descontar na assinatura e já não demoravam seis horas e meia. E se virem o Abrupto calar-se outra vez, não é fúria, é falta de luz.
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Sugiro-lhe que aplaque os seus sentimentos porque:
1 - Qualquer que seja o comercializador que escolher ZDP, ou XDP, ou GDP, os fios serão sempre os da EDP Distribuição e esta é obrigada a tratar todos os clientes por igual. Por isso, quando houver interrupções de serviço, o grau de prejuízo incorrido é independente do comercializador.
2 - A EDP ainda não paga multas pela energia não fornecida mas já paga indemnizações pelos prejuízos causados: equipamento danificado, stocks perdidos, etc.. Se for esse o caso, contacte o balcão EDP da sua área. Se a responsabilidade for da REN - duvido que assim seja, dada a extensão da interrupção -, esta já paga multas pela energia não fornecida (e a EDP deverá passar a pagar nos próximos anos).
3 - Se quiser que haja outras empresas a estender fios, não encontrará muitos interessados. Fora dos grandes aglomerados populacionais, não há grande interesse económico em estender rede - pelo menos com a electricidade a estes preços.
4 - Se quiser ser verdadeiramente autónomo pode recorrer à produção descentralizada, em complemento ou em substituição dos fios. Sai-lhe mais caro, e também não é 100% garantido, mas se a usar em complemento com a rede, já tem boas garantias de qualidade de serviço. Claro que lhe pode acontecer ter energia em casa, e não a ter no concentrador da rede telefónica ou de cabo ou de telemóvel que é o seu cordão umbilical com o mundo :-)
5 - A maioria dos consumos já está liberalizada e não ouvimos esses clientes falar da melhoria da qualidade de serviço. Se se alegram é com alguma redução dos custos...
Por isso, a decisão economicamente eficiente é viver nas grandes cidades onde a densidade de consumos justifica maiores investimentos na rede. É o que fizeram a maior parte dos cidadãos. De passagem, desertificou-se o interior, mas a paisagem humana que observa e lamenta é o resultado agregado das inúmeras decisões racionais dos cidadãos individuais :-(
Para mais informações sobre a qualidade de serviço eléctrica, sugiro-lhe o texto do regulador, que talvez não conheça.
(João Gomes Mota)
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Respire fundo...
Nao se enfureça que isso faz-lhe mal, a paciencia e' uma virtude a cultivar. Para tal porque nao ler:
Slow Movement
Slow food
E quando faltar a luz pode sempre ficar-se pelo fiel papel:
In Praise of Slowness : How A Worldwide Movement Is Challenging the Cult of Speed
E sobretudo nao se esqueca... if it is not a brain surgery it is not an emergency.
(ver)
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Obrigado Verónica, muito devagar...