| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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23.9.06
RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL Rodagem de um filme, ou novela, ou série, em Lisboa. (André Sá) Etiquetas: trabalho - retratos (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO Tenho seguido fascinado as diversas teorias (da conspiração e não só) relacionadas com o 11 de Setembro. Fizeram-me pensar nas frases que abrem um livro muito interesante (e difícil de obter): «A budget of paradoxes», de Augustus de Morgan (1806-1871). A tradução é minha.«Se tivesse diante de mim uma mosca e um elefante, jamais tendo observado outra entidade com qualquer dos dois tamanhos, e se a mosca se dedicasse a convencer-me que era de facto maior do que o elefante, eu talvez me visse numa posição difícil. A criatura aparentemente pequena poderia usar argumentos relativos ao efeito da distância bem como apelar a leis relativas à visão e à audição que eu, caso não fosse conhecedor desses assuntos, poderia ser incapaz de rejeitar. Mas se houvesse mil moscas, todas a zumbir, tanto quanto me podia aperceber, em torno do grande animal, se cada mosca afirmasse por conta própria ser maior que o quadrúpede, se todas avançassem argumentos distintos e frequentemente contraditórios e se cada uma desprezasse e se opusesse às razões das restantes - então poderia ficar descansado. Certamente diria: Minhas amiguinhas, a argumentação de cada uma de vós é destruída pelas das restantes.» Com efeito, o que é que se pode pensar do entusiasmo que cada nova explicação suscita, quando elas se contradizem entre si? Consideremos, por exemplo, a reacção de George W. Bush no próprio dia dos atentados. As pessoas que viram as imagens do presidente americano filmadas nesse dia numa escola (que se podem ver, por exemplo, no documentário Fahrenheit 9/11, de Michael Moore) manifestam-se geralmente impressionadas com a impressão que ele transmitiu nessa altura de ser uma pessoa totalmente ultrapassada pelos acontecimentos. Mas ao mesmo tempo é bastante popular a teoria de que os atentados foram perpetrados pelo próprio governo americano! Ou seja, o homem é simultaneamente o orquestrador do golpe e fica claramente sem saber o que fazer quando este ocorre! Outra contradição que me impressiona neste assunto consiste em constatar que muitas pessoas defendem que o governo americano negoceie com a Al-Qaeda e defendem ao mesmo tempo que foi esse mesmo governo que levou a cabo os atentados. Mas então, se a Al-Qaeda trabalha para o governo americano, o que é que pretendem? Que aquele governo negocieie consigo próprio? (José Carlos Santos) * Fico sempre espantado quando as pessoas tentam refutar com argumentos “sérios” propostas que são de mera ficção. Esta questão dos atentados de 11/9 faz-me lembrar a seriedade com que se argumentou contra o Código da Vinci. Como concluía o filme Wargames “a melhor maneira de ganhar certos jogos é não jogar” ou ainda parafraseando Marx (Groucho claro) “nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio”. (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 871 - .... an Old Man of the West There was an Old Man of the West, (Edward Lear)
* Bom dia! (url) 22.9.06
LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 22 de Setembro de 2006 Tolerância sem tolerância. * Guerra de civilizações: a estranheza do Dubai . (url) COISAS DA SÁBADO: VIDA DE ARISTÓTELES ![]() A biografia de um filósofo muito antigo é difícil de fazer, por célebre que seja como é o caso de Aristóteles. Não há assim tantos testemunhos fidedignos da sua biografia, que ela se possa descrever com correnteza, sem hiatos, sem dúvidas, muitas vezes sem se saber quase nada ou com testemunhos contraditórios. Era alto, ou baixo? Era corpulento ou magro? Gaguejava? Parece que sim. Dedicava-se ou não aos “prazeres lúbricos” com outros homens? Como é que escreveu a sua obra? O que é que efectivamente escreveu? O que é que sobrou do que escreveu? Como é que foi lido na época o que escreveu, etc., etc. A biografia de Aristóteles, de António Pedro Mesquita, recém publicada pelas Edições Sílabo, não é um livro para ser popular, mas é um livro para os homens que desejem ser cultos, comummente cultos. O que nela se aprende não é apenas sobre Aristóteles, mas também sobre a fábrica de uma biografia antiga, as fontes, os textos, os boatos, os fragmentos, as querelas de autoria e de identificação, as versões próximas ou longínquas ao original. Este aspecto, sem desmerecer a qualidade da própria biografia, ensina-nos muito sobre como se investiga a partir de uma realidade que os anos fragmentaram, dispersaram e corromperam, e isso diz-nos muito sobre o que o tempo e a história fazem a uma obra e à memória de um homem. Etiquetas: António Pedro Mesquita, Aristóteles (url) RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL
Trabalho no Porto: terminado o serviço de reanimação de um cidadão, por uma equipa do INEM, na noite passada. (Gil Coelho) (url) COMPROMISSOS ![]() Há casos em que a distinção entre “sociedade civil” e mundo político é perversa e enganadora. Um deles, evidente como um enorme reclame de néon, é o do Compromisso Portugal. A iniciativa é política até ao tutano, traduzindo a politização do nosso mundo de gestores (e em menor grau de empresários, menos representados na reunião), mas afirma parar à porta da política, quer-se dizer da política partidária, mecanismo pelo qual nas democracias se conseguem os votos para governar. O resultado é uma sensação de grande irrealidade. As propostas não são novas, mas isso seria apenas uma questão mediática que em nada invalidava a sua oportunidade. A questão é outra: é que, sabendo-se o que se deseja, nenhuma resposta é dada à questão de como realizá-lo, de como chegar lá. Que forças sociais podem ser mobilizadas, como se traduzem esses movimentos em votos, como se organizam e expressam politicamente para terem eficácia em democracia? Sim, porque em democracia o lobiismo de movimentos proto-políticos que não tem expressão partidária, nem vai às urnas, é apenas e só lobiismo. E o lobiismo, o mexer das influências, quando feito em público, sem sequência, nem consequência, fica mais fraco pela repetição. De cada vez que se repete a mesma coisa, sem acrescentar meios nem apontar instrumentos, a sensação de impotência cresce. Eu também penso que há excesso de hegemonização da vida política pelos partidos e que é bom que haja outros parceiros activos na vida pública. Mas, a não ser que se queira apenas ser lobiista (e é isso o que muitos destes gestores sabem fazer bem nos meandros do poder, logo convencem-se que isso pode ser transposto para os eleitores) seria melhor usar os recursos disponíveis para intervir na sociedade civil para formar opinião. Formar opinião: invistam em think tanks, em estudos sérios, em jornais e revistas, em conferências, em ensino de excelência não apenas para as empresas mas para a actividade cívica, apoiem iniciativas modelo que mostrem a eficácia das propostas, etc, etc. Apoiem os políticos e os partidos que melhor pensam poder expressar essas propostas. Às claras, para se saber. Sem receios. Ou então façam um partido político e concorram às eleições, uma solução que daria uma grande legitimidade ao movimento e acabaria com algumas ambiguidades sobre as naturais ambições de alguns dos seus proponentes. E acima de tudo dêem o exemplo, a melhor das propagandas. É um trabalho moroso e que só dá frutos a prazo, mas o único que pode ser eficaz. É que reunirem-se em fileiras cerradas, direitos e compostos, numa imagem sem qualquer modernidade e apelo, como qualquer especialista de marketing vos poderá dizer, com os jornais a divulgarem promessas com a mesma consistência das promessas eleitorais dos políticos, dá a pior das imagens e serve mal muitas das propostas com as quais concordo. Só que o mundo dos portugueses não tem a ordem asséptica das cadeiras do Beato e esse é que é o problema que o Compromisso Portugal não quer pensar, ou não sabe pensar, ou não pode pensar. * Escrevo-lhe a propósito da sua posta acerca do Compromisso Portugal. É inegável que a coisa tem defeitos e que as pessoas que o promovem e que nele participam possuem interesses económicos e políticos passíveis de serem afectados pelas propostas que fazem. Ou seja, há conflitos de interesses. Só que, conflitos de interesses temos todos na vida, e não me parece que isso seja motivo para não se opinar sobre determinado assunto. Julgo que as propostas do Compromisso Portugal devem ser discutidas pela proposta em si, e afastando-nos de quem as propõe, como em qualquer discussão de ideias que se quer civilizada. (url) O QUE É QUE NO DISCURSO DO PAPA INTERPELA O ISLÃO? Assistimos, hoje, à formação de um mecanismo de censura prévia que se acciona sempre que se falar, seja qual for o modo de se falar, do islão, de Maomé, do Alcorão. Agora foi o Papa, por ser o Papa e por ser o símbolo do mundo "dos cruzados". Nós estamos sempre a minimizar a dimensão religiosa do conflito, mas não somos correspondidos pelos muçulmanos fundamentalistas. Para eles, nós, mesmo que sejamos ateus, agnósticos, indiferentes, não praticantes, ou exactamente por isso, somos "cristãos" em guerra santa. Que melhor imagem para personificar os "cruzados" do que a do Papa, queimado em efígie numa capital árabe como se fosse um cavaleiro templário, com a cruz de Cristo das armaduras sobre as vestes brancas? Muita história, demasiada história.Na sua conferência académica de Ratisbona, o Papa sabia exactamente o que queria dizer, mas ninguém pode hoje saber como vai ser ouvido. O ruído é, pela sua natureza, impossível de prever, caótico, e nem um Papa tem a omnisciência dos caminhos do acaso. Só se ficar calado. Basta ler e perceber a integralidade do texto para ser claro que nada na sua substância faria prever que suscitaria as reacções que teve. A não ser que se aceite que a mera menção do nome de Maomé por um cristão seja uma blasfémia. Quando digo que o Papa sabia exactamente o que queria dizer é porque o texto da conferência de Ratisbona é preciso, analítico e intelectualmente rigoroso. Diz sem ambiguidades o que quer dizer. Oferece poucas dificuldades de interpretação, a não ser pela sua densidade e compreende-se que, por não ser nem uma prelecção com meia dúzia de anedotas e frases assassinas, nem um discurso feito por qualquer especialista de marketing ou de "comunicação política", possa oferecer dificuldades de leitura nas redacções, que, para o entender, salvo as devidas excepções, o reduziram a um soundbite. Toda a polémica gira à volta da frase de Manuel II Paleólogo, imperador de Bizâncio, que diz a um seu interlocutor muçulmano: "Mostra-me o que Maomé trouxe de novo e encontrarás coisas más e desumanas, como o direito de defender pela espada a fé que pregava." Esta é a frase que ficou como soundbite. Admitindo que tudo ficava por aqui, e poder-se-ia dizer que tal frase era redutora do islão e, acima de tudo, ocultava que também para os cristãos "o direito de defender pela espada a fé" foi durante muito tempo a prática habitual. O Papa estaria a pecar por omissão e duplicidade e por isso mereceria as críticas.Mesmo que fosse assim, o Papa não deixaria de estar a dizer uma verdade sobre o islão ou sectores muito importantes e populares do islão que o tornaram nos dias de hoje a principal religião da espada. E depois? Não é? Que organizações extremistas praticam hoje o terrorismo global em nome da religião a não ser grupos que se reivindicam do islão? Se quisermos comparar com o que acontece do outro lado do mundo, pouco mais temos que uns grupúsculos americanos que colocam bombas nas clínicas que fazem abortos em nome do "direito à vida". É verdade que muitos muçulmanos nada tem que ver com a Al-Qaeda ou com as proclamações incendiárias dos clérigos xiitas, mas é maior o seu isolamento e, de longe, mais débil a sua voz, quando conseguem com grande coragem efectivamente distanciar-se. Os terroristas da Al-Qaeda estão hoje mais perto da identidade muçulmana do que os grupos violentos antiabortistas estão da identidade cristã. Esta é a verdade que se esperava que os muçulmanos dissessem todos os dias ao mundo, para se poder afirmar que existem "moderados", classificação cheia de ambiguidades e mais condenatória da situação actual do islão do que qualquer outra. O islão deixou-se sitiar pelos seus extremistas, e tal pode não ser definitivo, pode ser uma perversão da religião, mas é bastante grave. Voltemos ao texto do Papa para além do soundbite. A conferência do Papa é um dos textos mais tolerantes que algum Papa fez até hoje, e talvez tenha sido por isso mesmo que foi atacada. Eu penso que há de facto razões para os fundamentalistas muçulmanos atacarem com violência o documento, exactamente pela sua substância e não pela citação fora do contexto. A frase que devia verdadeiramente irritar os fundamentalistas muçulmanos não é a que citaram, mas outra, do mesmo imperador: "Não agir segundo a razão, não agir segundo o logos, é contrário à vontade de Deus". Esta sim, pode ser entendida como um ataque ao islão de hoje, porque resulta expressamente do desenvolvimento do pensamento do Papa que com ela se identifica. ![]() Muito do que diz o Papa tem que ver com a percepção que tem Manuel II Paleológo de que a violência ao serviço da fé é "desrazoável" e "contrária à natureza de Deus". O próprio Papa diz que esta constatação é a "frase decisiva em toda a argumentação", e que o imperador, um erudito de cultura grega clássica, estava a enunciar um dado fundamental da tradição clássica grega, absolutamente idêntico ao que é a "fé em Deus fundada na Bíblia". Ora, aqui o Papa critica o islão, não por causa da violência da espada de Maomé, mas sim porque "na doutrina muçulmana Deus é absolutamente transcendente", ou seja, dito em breve e em grosso, não há verdadeira interacção entre Deus e os homens, não há necessidade da razão, a fé é essencialmente aceitação e obediência. O Papa refere, "para ser honesto", que na tradição teológica cristã surgiram tendências do mesmo tipo, mas condena-as na mesma crítica que faz ao islão. Porque é que o Papa diz isto tudo? Está lá no texto em todas as entrelinhas e nalgumas linhas: ao valorizar a fusão plena da tradição grega do logos com o cristianismo, o Papa está a enunciar a tradição cultural da Europa, da história tumultuosa do seu pensamento e dos fundamentos da sua identidade. Está a falar de religião e de política, de cultura e de pensamento, da União Europeia e da Turquia, do cristianismo e do islão. Isto sim é que devia ser discutido, isto é o que o Papa esperava que fosse discutido. E isto é que interpela o islão, se ele se deixar interpelar. (No Público de 21 de Setembro) (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 870 - Ce qui est ferme, est par le temps détruit ![]() Nouveau venu, qui cherches Rome en Rome Et rien de Rome en Rome n'aperçois, Ces vieux palais, ces vieux arcs que tu vois, Et ces vieux murs, c'est ce que Rome on nomme. Vois quel orgueil, quelle ruine : et comme Celle qui mit le monde sous ses lois, Pour dompter tout, se dompta quelquefois, Et devint proie au temps, qui tout consomme. Rome de Rome est le seul monument, Et Rome Rome a vaincu seulement. Le Tibre seul, qui vers la mer s'enfuit, Reste de Rome. Ô mondaine inconstance ! Ce qui est ferme, est par le temps détruit, Et ce qui fuit, au temps fait résistance. (Joachim Du Bellay, Les Antiquités de Rome ) * Bom dia! (url) 21.9.06
BIBLIOFILIA: LIVROS SOBRE LIVROS SOBRE LIVROS
![]() (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 21 de Setembro de 2006 É tudo tão evidente - a maioria, a maioria esmagadora das pessoas que na imprensa comenta o discurso do Papa, nunca o leu. Conhecem quando muito a meia dúzia de transcrições a pender para o sensacional que a imprensa divulgou. Para quem leu o texto é tão evidente, tão evidente... Pura negligência, é como servir comida estragada. Nós estamos muito preocupados com a "segurança alimentar" e bem pouco com a "comida para o cérebro". A diferença num comentário de quem leu: "Il faut une bonne dose de sottise, de perversité – ou des deux –, pour trouver dans cette leçon magistrale une offense quelconque à l'égard de quiconque." Assim mesmo: sottise e perversité. E mais uma coisa que os europeus estão rapidamente a esquecer - o que é uma universidade, mesmo com o Papa lá dentro. * Aqui está uma boa ideia que fazia melhor pelo Parlamento que todas as reformas apressadas do estatuto dos deputados e do regime de faltas: "O procurador-geral da República é a pessoa que tem procuração, incumbência e mandato para representar perante a justiça os interesses da comunidade dos cidadãos e do Estado. É um dos pilares da justiça e o seu desempenho pode influenciar fortemente a saúde do Estado de direito. Daí não ser obviamente indiferente o conhecimento ou desconhecimento geral do perfil e das ideias do procurador-geral da República. Não é uma questão de confiança ou desconfiança na dupla escolha da responsabilidade do Governo e do Presidente da República. É uma questão de clareza e respeito pelos cidadãos-eleitores.Insisto: "um conhecimento pormenorizado de um homem a quem são atribuídos amplos poderes." (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 869 - Je suis l'Empire à la fin de la décadence... Je suis l'Empire à la fin de la décadence, Qui regarde passer les grands Barbares blancs En composant des acrostiches indolents D'un style d'or où la langueur du soleil danse. L'ame seulette a mal au coeur d'un ennui dense, Là-bas on dit qu'il est de longs combats sanglants. O n'y pouvoir, étant si faible aux voeux si lents, O n'y vouloir fleurir un peu cette existence! O n'y vouloir, ô n'y pouvoir mourir un peu! Ah! tout est bu! Bathylle, as-tu fini de rire? Ah! tout est bu, tout est mangé! Plus rien à dire! Seul un poème un peu niais qu'on jette au feu, Seul un esclave un peu coureur qui vous néglige, Seul un ennui d'on ne sait quoi qui vous afflige! (Paul Verlaine) * Bom dia! (url) 20.9.06
RETRATOS DO TRABALHO NO FUNCHAL, PORTUGAL Eis um sítio original para trabalhar com o portátil: A cobertura de uma casa antiga, defrutando de uma soberba vista sobre a baía do Funchal. As novas tecnologias permitem este pequeno luxo, incluindo o acesso à rede "wi-fi" (gratuita) que a Governo da RAM disponibiliza em alguns "spots" da Região, como é o caso. Foto capatada há 10 minutos. (Tiago Botelho, Economista) (url) COISAS DA SÁBADO: O QUE SE PASSA EM TIMOR? A rádio e a televisão públicas tem correspondentes em Timor pagos pelo dinheiro dos contribuintes, nós. Onde estão? Não há notícias sobre Timor que se percebam? Que se percebam, insisto. * Informe-se aqui. Desde dia 16 de Maio que relatamos diariamente o que se passa em Timor-Leste, com opiniões e notícias que traduzimos para português, visto que na nossa língua são cada vez menos. (url) COISAS DA SÁBADO: PACTOS E PODER POLÍTICO (DO PRESIDENTE) ![]() Independentemente da questão sobre o papel dos “consensos” na política democrática, suas vantagens e ambiguidades, o chamado pacto sobre a justiça parece ser o único possível e provável nos tempos mais próximos. O pacto fez-se na justiça porque nessa área o PR tem aquilo que os anglo-saxónicos chamam leverage ou seja vantagem posicional, com o Primeiro-Ministro enquanto não for escolhido o Procurador-Geral da República. O Primeiro-Ministro sabe que sem o acordo do Presidente nenhum nome passa e este usou bem esta circunstância para obrigar o Governo a entender-se com o PSD e a engolir os “nãos” que foi dizendo pelo caminho. Os benefícios são mútuos, embora só a prazo se perceba quem vai beneficiar mais, não tanto do que foi acordado mas do facto de haver um acordo político público. Apenas convém registar que o Presidente mostrou que sempre que tem um poder o usa de forma extensiva. Mostrou que pode executar o seu programa mesmo naquilo que advém da “persuasão” musculada. Obviamente, qualquer referência ao nome do próximo Procurador não foi nunca referida a pretexto do “pacto”. (a 14 de Setembro...) (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 868 - Old Man of the Hague There was an Old Man of the Hague, (Edward Lear)
* Bom dia! (url) 19.9.06
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: AS CINCO NAÇÕES CIVILIZADAS
Eu não sei se acontece assim com toda a gente, mas uma das minhas alegrias, sim alegrias, (pensando bem: que estranha palavra...) é, de repente, sem ser resultado de uma procura deliberada, conhecer, ficar a conhecer pela primeira vez, conhecimento novo, absoluto, total, alguma coisa de que não sabia nada, nada de nada. Quando muito, uma difusa e vaguíssima ideia, mais errada do que certa nos seus muito vagos contornos. Alegria, pois, quando menos se espera. Comprei este livro de uma popular colecção de Militaria, mais por curiosidade do que por dedicação. Mas, lá no meio, estava uma pequena história de que não sabia nada, a das Cinco Nações Civilizadas, independentes dos EUA e, numa grande medida, independentes mesmo de facto: as cinco "nações" Cherokee, Chickasaw, Choctaw, Creek e Seminole, reconhecidas por tratados internacionais. Nelas viviam índios que se organizavam como os seus vizinhos brancos, na maior parte convertidos ao cristianismo e com instituições que incluíam o primeiro sistema de educação público na América. Tinham jornais e edição de livros, a Bíblia em particular, nas línguas nativas em transcrição fonética. O seu destino foi quebrado com o facto de, na sua maioria, terem aderido aos Confederados, tendo inclusive declarado guerra formalmente aos estados da União, numa altura em que estas coisas como as declarações de guerra ainda existiam e tinham um papel. Daqui resultaram consequências, como o facto de o estatuto dos prisioneiros de guerra das Nações Civilizadas ser distinto do dos sulistas, que eram entendidos como "rebeldes" enquanto que aqueles eram soldados regulares de uma potência estrangeira. A outra consequência foi o fim das Nações Civilizadas. Como militares, eram considerados bons guerreiros e maus soldados. Bons atiradores, bons para patrulhas de reconhecimento, maus para sentinelas ou manobras defensivas. Nas primeiras batalhas muitos usaram pinturas de guerra, mas depois consideravam-nas antiquadas e caíram em desuso. Ocasionalmente cortavam o seu escalpe. Estavam a meio de tudo, ficaram a meio de nada.(Na foto o índio Cherokee General Stand Watie, que escrevia no Cherokee Phoenix, tinha escravos, foi o americano nativo com mais graduação no exército confederado e o último a render-se.) (url) A caminho da cratera Victoria, a cratera Beagle. * Como o sei, tal como eu, um seguidor atento e apaixonado destes Novos Descobrimentos, destes Novos Mundos que ao Mundo se revelam, gostaria de o informar de que, após sugestão deste seu compatriota que lhe escreve, a equipa que dirige a missão dos rovers Spirit e Opportunity decidiu baptizar os locais a visitar na cratera Victoria, o único navio que concluiu a 1ª viagem de circumnavegação, com nomes de lugares onde este tenha feito escala. É assim, com inevitável orgulho que lhe adianto que, além de um Cabo Frio, já podemos vislumbrar Cabo Verde em Meridiani e, adiante, se tudo correr como o desejado, lá teremos Timor na paisagem marciana.Deixo-lhe a última actualização da parte do director de missão. E uma passagem do e-mail por mim recebido: "Also, when you read the update, you'll see that we have adopted your suggestion of naming prominent features along the rim after places visited by the Victoria during the first circumnavigation of the Earth. That was a very nice idea, and it suited the situation perfectly. I really appreciate the suggestion. Cheers, SS" 484 anos depois Magalhães regressa ao mar. (Rui Borges) (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 867 -An Old Person of Cromer There was an Old Person of Cromer, (Edward Lear)
* Bom dia! (url) 18.9.06
BIBLIOFILIA: UMA MONTRA DE ALFARRABISTA COM A MENINA DOS CINCO OLHOS Na abertura do novo ano escolar, uma viagem a capas de que muitos ainda se lembram, e às famosas palmatórias. Mais uma grande montra do Chaminé da Mota (No Porto, rua das Flores). (Gil Coelho) (url)
BIBLIOFILIA: MUITOS E BONS LIVROS COMPRADOS
mas de todos, o que mais curiosidade para já me suscitou, foi o de John Sutherland, How To Read A Novel, acabado de sair. As críticas que tinha lido não lhe eram muito favoráveis, mas os ingleses são muito duros com o que se escreve, e podem ter razão. Veja-se o que escrevia D. J. Taylor no Independent, verdade seja sobre um mundo tão distante de nós como Marte:"One reviewer observed of Sutherland's last book, an authorised life of Stephen Spender, that the proceedings were dominated by a soft yet insistent noise: the sound of Lady Spender breathing down the author's neck. If How to Read a Novel has a spiritual soundtrack, it is the sound of popping Chardonnay corks as, all over the country, the gangs of reading group members for whom this will make such an excellent Christmas present get down to business." Seja como for, começo. O livro arranca com um capítulo sobre o modo como se lê ficção, antes e agora, com tempo ou sem ele, com barulho ou sem ele e, em bom rigor, com criados ou sem eles. Abre com a descrição de Anna Karenina a ler de noite, no comboio, com a neve a bater na janela. Depois há um diálogo do Pulp Fiction. Bom, já me apanhou, o maldito livro. Agora, é continuar a ler. (url) (url) PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
"Ponham lá aí um cartaz a dizer que eu sou muito estúpido", é o que os que levam a sério o Loose Change, a começar pelos programadores da RTP que entraram agora num nível provocatório, estão a dizer. Quem acredita que um filme que afirma que nas Torres Gémeas houve uma explosão controlada e não se dá ao trabalho de explicar como é que foram colocados os milhares de cargas explosivas necessárias para o fazer sem ninguém dar por isso (dezenas de homens invisíveis, milhares de locais armadilhados, pelos vistos também invisíveis, centenas de horas de trabalho necessárias), e que nega que dois aviões foram “caídos” sem se dar ao trabalho de explicar onde estão os passageiros que desapareceram sem deixar rastro (estão presos em Guantanamo? Foram levados para uma base secreta e fuzilados? Estão na estação espacial?) e outras mil e uma falsificações rudimentares, devia usar um badge a dizer que é estúpido. Podia até fazer-se uma versão politicamente correcta: “eu ainda sou mais estúpido do que o Presidente Bush”. Ah! Claro que é também possível que os nefandos americanos tenham descoberto o segredo da invisibilidade, uns ecrãs de hipnose colectiva e máquinas para "beam me up" e então está tudo explicado. E depois deram tudo isto ao Bin Laden. O que se passa com o Loose Change mostra como o fanatismo político anti-americano leva à deterioração do pensamento. E é contagioso, tanto para as mentes simples como para as sofisticadas. (url) A ULTRA-EUROPA: ELEIÇÕES (2)
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A ULTRA-EUROPA
Bruxelas - dia sem carros. A festa do políticamente correcto. Pancada no Papa em tudo quanto é media. O filme do Al Gore como Verdade Revelada. Na Waterstones uma nova secção: "bushisms", no humor. Está sol. Na cidade, milhares de pessoas na rua, o que não é mau.Mas não estão todas na rua nos mesmos sítios. Bruxelas é hoje uma grande metrópole étnica. Zairenses nas sombras do Congo belga, por detrás da Porte Namur. Gregos, espanhóis e portugueses nas ruas de Saint-Gilles. Árabes do Magrebe por todo o lado, menos um. Menos um. O único sítio em Bruxelas em que não se via um árabe, um véu, uma djellaba, era na feira ecologista perto do metro de Louise. Aí, entre os pavilhões da "economia positiva", a apologia dos alimentos biológicos, a palha e os cavalos a cheirar às remotas quintas do passado que já ninguém conhece, só se viam mães e pais de crianças louras, milhares de filhos e filhas da burocracia europeia, entre mochilas e carrinhos de bebé de luxo e vestuário correcto na sua nonchalance, capacetes de bicicleta de ligas de carbono, bicicletas armadilhadas de gadgets. Boa consciência correcta, culpa face ao resto do mundo. Culpa até às entranhas. Mas ali não estão os Outros. Será que ninguém se pergunta porquê, tão grande era o contraste da humana geografia? (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 866 - An Old Man of Vesuvius There was an Old Man of Vesuvius, (Edward Lear)
* Bom dia! (url) RETRATOS DO TRABALHO NO GERÊS, PORTUGAL Trabalho de equipas de reportagem de duas estações de televisão, no Parque Nacional da Peneda-Gerês. no dia 13 de Agosto. (Carla Carvalho) (url) RETRATOS DO TRABALHO EM XANGAI, CHINA Na semana passada, em Shanghai (ultrapassou em 2005 os 20 milhões de habitantes), cenas de trabalho na Nanjing Lu (Rua de Nanjing), talvez o maior centro comercial do mundo, com mais de 600 estabelecimentos de luxo (quase todos estrangeiros) espalhados por 6 quilómetros, grande parte deles reservada a peões. Pode ter, num só dia, a visita de um milhão de consumidores. Num dos grandes armazéns da zona, a dar a provar e a vender chá a estrangeiros. (Fernando Correia de Oliveira) (url) CICLOS E MITOS (2) ![]() O mini-debate sobre a "refundação da direita", que se esboçou há cerca de um mês, parece ter-se esvanecido como as rosas de Malherbe. É natural que assim seja, porque era já uma réplica de uma réplica de um pequeno tremor cujo epicentro data da fundação do PP. O tema carece de novidade, não no sentido jornalístico, o que seria menos importante, mas sim pela impossibilidade de algo de novo caber no invólucro da palavra, fora de alguns rearranjos, confinados à área política do CDS/PP, entre o bloqueamento desse partido até ao destino do infatigável PND, envolvendo personagens que ficaram desirmanadas com a queda do governo Santana Lopes, e alguns projectos mediáticos político-culturais nessa "movida". Para além do Manifesto do dr. Monteiro e a sua interessante mistura de personagens à procura de um autor, sobra a coincidência com o fim do Independente, que revelou a construção mitológica de uma estória destinada a legitimar uma história ideológica bem diferente da que efectivamente aconteceu. O fim do Independente foi "lido" a partir das imagens e projectos dos dias de hoje e não do papel que realmente teve, construindo-se assim uma nostalgia não do objecto perdido no passado, mas do objecto desejado para o presente. Até por isto, por este papel mítico e onírico, a experiência do Independente foi importante na nossa história social, cultural e política. Em que é que O Independente foi diferente? Que frutos deu o jornal? O que é que mudou? A voz do desejo diz, olhando para o presente, que "fundou a direita moderna", livre nos costumes e sem preconceitos ideológicos. A frase tem todas as ambiguidades, mas pode-se aceitar em parte, numa pequena parte. Não vale a pena concentrar o debate de forma estéril negando a pequena parte em que O Independente também deu esse fruto, mesmo aceitando com largueza de espírito que essa "direita" é aquilo que acha que é. Vamos ao outro lado, ao fruto bem mais pesado e importante que nasceu do ventre do Independente, o reforço, a "modernização" se se quiser, do populismo usando novas formas mediáticas e instrumentos mais poderosos no plano social e cultural. Esse populismo realizou todas as amálgamas de todos os populismos, quer à "direita", quer à "esquerda", exprimindo um sentimento contra os "políticos", antiparlamentar e anti-sistémico, explorando a desconfiança face aos poderosos, descrevendo-os como corruptos, arranjistas, motivados apenas pelo interesse próprio, despejando sobre eles editoriais inflamados de agressividade moral e denunciando os "escândalos" uns atrás dos outros. Muita coisa que hoje faz o 24 Horas, com mais fundamento jornalístico mas menos legitimação "cultural", poderia ser colocada no Independente com os mesmos títulos e destaques, com o mesmo efeito político e a vantagem da novidade. Este populismo anti-sistémico agradava a uma faixa muito vasta, que ia desde os saudosistas do salazarismo, para quem a política era a "porca da política", até aos reformados que jogavam dominó numa sede qualquer do PCP na Margem Sul e passavam o tempo a barafustar contra os poderosos e a escrever cartas para o Correio da Manhã. Agradava também, e muito, a uma pequena burguesia urbana que começava a fazer com o "cavaquismo" um upgrade das suas expectativas para padrões europeus e que nas repartições e escritórios se sentia mais solta e lúdica para achar graça a gozar com quem lhes dava o pão. Era uma forma pouco subtil de irem à mão dos chefes e de encontrar no jornal o espelho da inveja socializada que era, e é, o cerne da sua relação com a sociedade. Por último, O Independente era também atractivo para os pequenos e médio intelectuais cínicos, então quase todos à esquerda, que estavam desiludidos da eficácia dos pilares jornalísticos do velho regime, O Jornal e o Expresso, que não tinham sido capazes de travar a maioria absoluta de Cavaco e queriam vingar-se da humilhação que era serem governados pelos "pessedês", essa gente provinciana e inculta que não lia jornais e parecia não precisar deles. Entre estes intelectuais, estavam muitos jornalistas, um grupo crucial na vida política dos dias de hoje, que passaram a admirar O Independente, em particular se nele não trabalhavam. Diante dos seus olhos cínicos passou invisível o projecto político de Paulo Portas, sem nunca o terem visto, o que mostra como o cinismo dos intelectuais é bem fácil de enganar. Como é que O Independente conseguiu ser a expressão de todos estes sentimentos? Combinando dois factores, um, em grande parte de responsabilidade de Miguel Esteves Cardoso, que é do domínio do literário e do lúdico; outro, de Paulo Portas e tem a ver com o "programa social" inscrito no Independente. Quanto ao primeiro, ele é reconhecido e incontestado, quanto ao segundo, nele está a chave da eficácia política do Independente e da natureza do populismo que ele gerou. Em tudo isto é bem menos importante a distinção esquerda/direita do que se pensa e esta estava pouco presente nos tempos genéticos do jornal. Politicamente, à data da génese do jornal, se se quiserem usar as designações clássicas, Miguel Esteves Cardoso tinha apoiado o PPM de Ribeiro Telles, um grupo que rompera pela esquerda com os monárquicos tradicionalistas, e Portas, após passar pela JSD, a ala esquerda do PSD cujo jornal se chamava Pelo Socialismo, era um jovem lobo cínico e mordaz, com tiradas inflamadas ridicularizando o poder e os políticos, Portugal e os portugueses, cujas intervenções em vários debates televisivos circulam hoje pela Internet, com afirmações taxativas e irrefutáveis sobre como nunca seria político, nunca estaria no poder e muito menos se imaginaria... ministro do Mar. Hoje, vendo esses vídeos, Portas pareceria um típico intelectual do Bloco de Esquerda, bem longe do "Paulinho das feiras" em que se veio a tornar. Junto com eles, muitos que deram ao Independente o seu prestígio cultural, como é o caso de Vasco Pulido Valente, tinham escrito preto no branco que se havia lados, o deles era a esquerda, o lado dos meninos dos Esteiros de Soeiro Pereira Gomes. O programa não-escrito do Independente era social, antes de ser político, agia na política pela crítica social e podia definir-se assim (repetindo o que há muitos anos já escrevi): O Independente atacava os "novos ricos", os políticos que vinham de baixo, os parvenus da democracia e poupava sempre os políticos poderosos que entendia caberem na categoria de serem do "velho dinheiro", das "velhas famílias", das "dinastias", como agora se diz dos toureiros. Atacava os deputados da província do PSD, os que não eram advogados lisboetas importantes, nem homens de negócios ilustres, nem socialites reconhecidos, usando todas as suas armas, a começar pela ridicularização social. O objectivo era torná-los o retrato da política portuguesa com os seus vícios, as suas pequenas corrupções reais ou imaginadas com a casinha, com a terrinha, com o carrinho, com as suas famílias rurais desajeitadas, mas acima de tudo com o "mau gosto" do seu trem provinciano de vida, os deputados da "meia branca" deslumbrados pelo Rosa e Teixeira. Vivendo obcecado pela admiração pelo upstairs, O Independente varria os downstairs, numa atitude que um marxista ou Balzac, para o caso tanto faz, reconheceriam como típica da pequena burguesia urbana, a meio caminho das escadas e que pretende exorcizar a sua origem social renegando-a e fazendo-se passar por aquilo que não é. Por várias razões, que para a semana analisaremos, esta forma de irrequietude social é poderosa para olear o populismo em política... do downstairs. (No Público de 14 de Setembro de 2006) (url) 17.9.06
MAIS UMA CORRIDA. MAIS UMA VIAGEM
![]() a terminar. (escrito numa "boulangerie islamique", com Internet, com cabinas telefonicas - sem acentos - um cartaz que diz: "Ces numeros sont chers. 078/xxxxxx ..." e onde se ampliam e encaixilham fotografias de casamento, tudo em meia duzia de metros quadrados.) (url)
© José Pacheco Pereira
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