| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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18.9.06
A ULTRA-EUROPA
Bruxelas - dia sem carros. A festa do políticamente correcto. Pancada no Papa em tudo quanto é media. O filme do Al Gore como Verdade Revelada. Na Waterstones uma nova secção: "bushisms", no humor. Está sol. Na cidade, milhares de pessoas na rua, o que não é mau.Mas não estão todas na rua nos mesmos sítios. Bruxelas é hoje uma grande metrópole étnica. Zairenses nas sombras do Congo belga, por detrás da Porte Namur. Gregos, espanhóis e portugueses nas ruas de Saint-Gilles. Árabes do Magrebe por todo o lado, menos um. Menos um. O único sítio em Bruxelas em que não se via um árabe, um véu, uma djellaba, era na feira ecologista perto do metro de Louise. Aí, entre os pavilhões da "economia positiva", a apologia dos alimentos biológicos, a palha e os cavalos a cheirar às remotas quintas do passado que já ninguém conhece, só se viam mães e pais de crianças louras, milhares de filhos e filhas da burocracia europeia, entre mochilas e carrinhos de bebé de luxo e vestuário correcto na sua nonchalance, capacetes de bicicleta de ligas de carbono, bicicletas armadilhadas de gadgets. Boa consciência correcta, culpa face ao resto do mundo. Culpa até às entranhas. Mas ali não estão os Outros. Será que ninguém se pergunta porquê, tão grande era o contraste da humana geografia? (url)
© José Pacheco Pereira
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