ABRUPTO

19.9.06


NUNCA É TARDE PARA APRENDER: AS CINCO NAÇÕES CIVILIZADAS

Mark Lardas / Jonathan Smith, Native American Mounted Rifleman 1861–65, Osprey, 2006

Eu não sei se acontece assim com toda a gente, mas uma das minhas alegrias, sim alegrias, (pensando bem: que estranha palavra...) é, de repente, sem ser resultado de uma procura deliberada, conhecer, ficar a conhecer pela primeira vez, conhecimento novo, absoluto, total, alguma coisa de que não sabia nada, nada de nada. Quando muito, uma difusa e vaguíssima ideia, mais errada do que certa nos seus muito vagos contornos. Alegria, pois, quando menos se espera.

Comprei este livro de uma popular colecção de Militaria, mais por curiosidade do que por dedicação. Mas, lá no meio, estava uma pequena história de que não sabia nada, a das Cinco Nações Civilizadas, independentes dos EUA e, numa grande medida, independentes mesmo de facto: as cinco "nações" Cherokee, Chickasaw, Choctaw, Creek e Seminole, reconhecidas por tratados internacionais. Nelas viviam índios que se organizavam como os seus vizinhos brancos, na maior parte convertidos ao cristianismo e com instituições que incluíam o primeiro sistema de educação público na América. Tinham jornais e edição de livros, a Bíblia em particular, nas línguas nativas em transcrição fonética. O seu destino foi quebrado com o facto de, na sua maioria, terem aderido aos Confederados, tendo inclusive declarado guerra formalmente aos estados da União, numa altura em que estas coisas como as declarações de guerra ainda existiam e tinham um papel. Daqui resultaram consequências, como o facto de o estatuto dos prisioneiros de guerra das Nações Civilizadas ser distinto do dos sulistas, que eram entendidos como "rebeldes" enquanto que aqueles eram soldados regulares de uma potência estrangeira. A outra consequência foi o fim das Nações Civilizadas.

http://cherokeehistory.com/standw~1.jpgComo militares, eram considerados bons guerreiros e maus soldados. Bons atiradores, bons para patrulhas de reconhecimento, maus para sentinelas ou manobras defensivas. Nas primeiras batalhas muitos usaram pinturas de guerra, mas depois consideravam-nas antiquadas e caíram em desuso. Ocasionalmente cortavam o seu escalpe. Estavam a meio de tudo, ficaram a meio de nada.

(Na foto o índio Cherokee General Stand Watie, que escrevia no Cherokee Phoenix, tinha escravos, foi o americano nativo com mais graduação no exército confederado e o último a render-se.)

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© José Pacheco Pereira
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