ABRUPTO

9.10.07


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ÁTOMOS E BITS

de 9 de Outubro de 2007

Azáfama e emoção na estreia da nova RTP
Percebo agora o sentido da frase que escolheu para o seu blog: "M'espanto às vezes, outras m'avergonho". Preparam, certamente, os seus leitores para alguns dos seus escritos. Fiquei, de facto, espantado, com a sua resposta.

O senhor é um político, mas também historiador. E sou um leitor de vários dos seus trabalhos.
Sei que no seu blog faz política. Mas, onde está o rigor? A seriedade intelectual? Ou, contrariamente ao que vem afirmando, "em política, vale tudo"?

Pedi-lhe, simplesmente, que me respondesse a uma pergunta: "O que admitiu José Rodrigues dos Santos que tenha a ver com os últimos três anos? AFIRMA PEREIRA: " O que diz José Rodrigues dos Santos pode ter tido pretexto no que lhe aconteceu em 2004, mas, o modo como ele diz, só pode significar que considera que é pertinente para a actualidade." (sublinhado meu).

Eis aqui um caso de RIGOR ABSOLUTO.

O senhor consegue perceber pelo modo como diz, algo que lhe convem a si, mas que ele, efectivamente, nunca diz. Se leu declarações de José Rodrigues dos Santos ao DN, lá está: "Não ocupo nenhuma posição responsabilidade editorial, pelo que desconheço o comportamento da administração hoje em dia." Mais à frente: "Luís Marinho fala da sua experiência, eu falo sobre a minha."

Onde consegue o senhor ver aqui alusões ao presente? Claro que, como estas declarações já não lhe dão tanto jeito, acaba por afirmar que JRS "recuou". FANTÁSTICO.

Agora, sobre os seus "momentos-chávez".

Como se lembra, entre uma das centenas de vezes que atacou a Informação da RTP, desta vez em Agosto, falou de uma comparação que fez entre o Jornal da Tarde da RTP e o Primeiro Jornal da SIC, numa notícia envolvendo, como sempre, o Primeiro-Ministro.
O tema era o anúncio dac construção da barragem do Baixo Sabor.

Pivot da reportagem da SIC: " O concurso público para a construção da barragem do Baixo Sabor vai ser lançado na próxima semana, e a obra deverá começar no Verão de 2008.
O Primeiro-Ministro presidiu hoje à apresentação do projecto, que tinha mandado suspender há sete anos quando era ministro do Ambiente."
A reportagem tinha 1' 54, com uma declaração do PM (no palanque).

Pivot da reportagem da RTP: "O concurso para a construção da barragem do Sabor vai ser lançado na próxima semana. A obra , que arranca no início de 2008, será concluída no máximo de 5 anos.
O anúncio foi feito pelo Primeiro-Ministro, esta manhã, em Torre de Moncorvo".
A reportagem tinha um off de 50 segundos, seguido de uma declaração do PM (no palanque).

Na altura, o senhor afirmava: "Mostra como a RTP passa sempre o PM,em grande plano,sózinho, no palanque"... Mas onde quer que a RTP, como as outras televisões, filmem o PM, quando ele está, sózinho num palanque? Aliás, como o faz com outros protagonistas, quando falam, sózinhos, em palanques. Sugere, pora acaso, que contratemos figurantes para colocar atrás do PM, para ele não aparecer sózinho?

Quando leio as suas acusações, embora saiba que está a fazer política, e a utilizar a RTP como arma de arremesso, tento vislumbrar o historiador sério e rigoroso. Em vão.

(António Luís Marinho)
NOTA: A prática do Abrupto é dar a quem se sente visado um direito de resposta em termos que são mais favoráveis até do que os dos jornais. Muitas vezes nem sequer faço qualquer comentário, deixando ao leitor o julgamento final. No caso de Luís Marinho, que ocupa as funções de Director de Informação da RTP, assiste-lhe todo o direito a defender-se das acusações que tenho feito à informação da RTP e que são de sua responsabilidade, mesmo quando o faz com argumentos ad hominem e de uma forma desabrida. Por outro lado, Marinho sempre vem à discussão, coisa que as nossas “autoridades” evitam com todo o cuidado e isso é um mérito e exige uma resposta.

Quanto à substância do que diz, acrescento dois comentários, um sobre as afirmações de José Rodrigues dos Santos e outro sobre os “momentos – Chávez”.

Quanto à interpretação errada (e com dolo) que Marinho me acusa de ter das declarações de José Rodrigues dos Santos, pouco tenho a acrescentar ao que disse aqui. Aliás, Marinho nas citações que faz reforça a minha interpretação: José Rodrigues dos Santos está a falar da actual cadeia hierárquica da RTP e não de qualquer outra que estivesse em funções quando ele se afastou e tivesse sido substituída. É exactamente a mesma de 2004 que ainda está em funções, e a quem acusa de se prestar a “interferências ilegítimas (...) em matéria editorial” em 2004, mas de cuja denúncia ele próprio continua a pagar o preço (em 2007). Quando perguntado sobre se as coisas continuam na mesma, José Rodrigues dos Santos limita-se a dizer que como já não ocupa o cargo que tinha em 2004, não sabe : "Não ocupo nenhuma posição responsabilidade editorial, pelo que desconheço o comportamento da administração hoje em dia." (...) "Luís Marinho fala da sua experiência, eu falo sobre a minha." Mas não deixa de acrescentar de forma genérica (vale para 2004 e 2007) : “Na minha experiência, os governos contactam as administrações e depois estas passam, ou não, os recados."

Luís Marinho pode agarrar-se à sua interpretação, que eu fico na minha que me parece aliás mais rigorosa e sustentada, e a única que explica por que razão há tanto incómodo com essas declarações que poderiam inclusive suscitar um processo interno.

Quanto à segunda questão, a dos Momentos – Chávez, a fragilidade da resposta de Luís Marinho parece-me evidente. Arranjou um exemplo de Agosto, em que a SIC deu mais tempo que a RTP a uma intervenção do primeiro-ministro. Será que Marinho quer dizer que a SIC e a TVI fazem isso por regra? Fizeram-no ontem, anteontem, em Setembro, em Julho, em Junho? Claro que não fizeram. E, acima de tudo, por regra, fazem-no de outra maneira, com outro tratamento editorial menos favorável à transmissão acrítica da “mensagem”. Essa é que é a questão e não apenas o tempo (também é), - é o tratamento noticioso de sessões que são muitas vezes montagens de propaganda, sem qualquer conteúdo informativo e a que a RTP dá o melhor dos seus telejornais e muitos directos.

Pode Luís Marinho pedir à ERC que lhe faça o trabalho de comparar o tratamento qualitativo favorável / desfavorável do primeiro-ministro entre a RTP, SIC e TVI, que mesmo a ERC terá muita dificuldade em ignorar o óbvio. Quanto à pergunta falsamente irónica de Marinho sobre o palanque - “ sugere, por acaso, que contratemos figurantes para colocar atrás do PM, para ele não aparecer sozinho?” – ela responde-se por si: não é preciso, o Primeiro-ministro faz isso bem, encarrega-se de arranjar os figurantes e o casting, que a RTP depois arranja-lhe o público.

Meu caro Luís Marinho, se isto tudo acontecesse numa televisão privada, eu podia não gostar, denunciar a manipulação e ficar por aqui. Mas a RTP é diferente, é paga com o dinheiro dos nossos impostos e é defendida com argumento ideológicos que implicam a superioridade e isenção do seu jornalismo, pelo que o seu escrutínio tem também natureza política. Não só, mas também. E nesse escrutínio não pode ser ignorado que a cadeia hierárquica da RTP sobe ao Ministro Santos Silva e termina no Primeiro-ministro Sócrates.

*
Se fala assim do "serviço" da RTP havia de ouvir um dia destes a RDP, nomeadamente a Antena 1, para ver como as notícias podem ser tratadas à la Chavez. E mais: quando alguém reclama - pelo site que é a única forma de falar com o provedor, ele não responde. Mas se não responde para que é que serve um provedor?

(Nuno Dias)

*

Foi com uma certa surpresa que vi o Eng. José Sócrates, Primeiro-Ministro, na inauguração da nova instalação da Pescanova, em Mira a discursar, tendo como pano de fundo a “marca” Pescanova. Fiquei surpreso e perplexo pois, por muito importante que seja qualquer investimento, o Primeiro-Ministro tem que ter um distanciamento sobre a promoção/publicidade do produto. Ao vê-lo falar, à frente do painel da Pescanova, lembrei-me do Capitão Iglo e, sinceramente, considero que o Capitão Iglo fica melhor no anúncio. Tem charme, mais alegria e mais bem disposto. De certeza que as crianças preferem o Capitão Iglo.

(António)

*

Esperemos agora com espectativa redobrada a atenção que a RTP vá dar aos “momentos-socrates” com manifs, após a visita policial para esclarecimentos de percurso. Tivesse outro qualquer primeiro-ministro dito o que o actual disse sobre a orquestração dos protestos, e vinha aí a imprensa com uma catelinária de bruááásss de exagero quanto ao sucedido ( se fosse o Santana então … vinha aí o fascismo).

Assim só uma foot note.

(António Carrilho)

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8.10.07


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ÁTOMOS E BITS

de 8 de Outubro de 2007


Agora que José Rodrigues dos Santos admitiu a razão daquilo que entra pelos olhos dentro de todos os que são telespectadores da RTP, mais um motivo para continuar a denunciar os Momentos-Chávez de José Sócrates, que se repetem dia após dia, com pretexto ou sem ele, agora cada vez mais solitários apenas com a RTP a dar prime time a todas as sessões de propaganda do governo.

*
Era o nosso primeiro-ministro que discursava, ostentando o ar de optimista que gosta de compor para quem o vê. Era ele, de facto. Mas, por momentos, pareceu-me alguém de uma equipa de futebol patrocinada pela Pescanova, falando na habitual conferência de imprensa depois de um qualquer jogo. Desde o púlpito de onde discursava até ao pano de fundo que o enquadrava, tudo era publicidade à Pescanova. Somos o Estado dos douradinhos.

(Paulo Duarte)
*

Já perdi a conta aos ataques que fez à informação da RTP, mas ainda não perdi a capacidade de distinguir seriedade de desonestidade intelectual.

Aqui vai um exemplo, mais um, da sua desonestidade intelectual:

AFIRMA PEREIRA: " Agora que José Rodrigues dos Santos admitiu a razão daquilo que entra pelos olhos dentro de todos os que são telespectadores da RTP, mais um motivo para continuar a denunciar os Momentos - Chávez..."

Pergunta: O que admitiu José Rodrigues dos Santos que tenha a ver com os últimos três anos?

Quer responder?

(António Luis Marinho)
NOTA: a resposta é muito simples: a administração e direcção editorial da RTP são exactamente as mesmas desde o governo Barroso - Santana Lopes até aos dias de hoje. O governo mudou, a administração não. Por isso, o que diz José Rodrigues dos Santos pode ter tido pretexto no que lhe aconteceu em 2004, mas o modo como ele o diz só pode significar que considera que é pertinente para a actualidade, até porque são as mesmas pessoas, a mesma cadeia do poder interno. Foi exactamente por isso que as suas palavras (em entrevista à Publica de 7 de Outubro) suscitaram o incómodo nessa mesma administração e na direcção editorial como se pode ver no Diário de Notícias de hoje, mesmo apesar do recuo do seu autor.

O que José Rodrigues dos Santos diz é que quando ele era director de informação acontecia isto:
"Uma coisa é a administração, que é nomeada pelo governo, tentar convencer-me a fazer algo na área editorial, mas a respeitar, mesmo com desagrado, a minha decisão de não me deixar convencer. Outra coisa é a administração tomar uma decisão na área editorial em substituição do director - na realidade, contra ele. Isso é interferência consumada." (...) "Falo na interferência da administração na área editorial. As minhas conversas com os governos, PS ou PSD, foram quase inexistentes. Na minha experiência, os governos contactam as administrações e depois estas passam, ou não, os recados."
E afirma:
"Julgo que foi crucial a defesa que fiz contra as interferências ilegítimas da actual administração em matéria editorial. Ainda pago um preço elevado por isso. (...) Sempre tive grande influência nos alinhamentos do Telejornal, mas hoje já não, e também por opção própria".(...) Ver o poder interferir despudoradamente na informação da forma como eu vi é algo que desmotiva. “ (sublinhados meus)
Isto é tudo tão claro que não percebo qual a dúvida. Acrescento apenas outra coisa que repetirei n vezes se necessário: o problema da dependência da RTP do poder político é estrutural e não conjuntural, não é deste ou daquele governo, é de todos. Mas seja como for, faço de novo o mesmo repto que já fiz a Luís Marinho: como é que se justificam em termos editoriais a sucessão quase diária de intervenções no palanque do Primeiro-ministro, com longos excertos sem novidade ou conteúdo informativo, sem tratamento editorial que mostre a reflexão do trabalho jornalístico sobre a propaganda que lhe é dada, únicos na sua "forma" no conjunto da televisão portuguesa?

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24.9.07


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ÁTOMOS E BITS

de 24 de Setembro de 2007


Passada a longa primeira parte do Prós e Contras, a que tem maior audiência, ainda estou à procura dos "Contras". Este é o típico programa de televisão cuja discussão "construtiva" é a ideal para qualquer governo. O que se passa é que o Plano Tecnológico não é uma "verdade revelada", ou uma "evidência incontestável", mas uma política, um conjunto de opções de investimento, um plano em detrimento de outros, uma série de escolhas. Envolve muitos interesses, muitos dos quais estão representados na sala, a começar pela galáxia PT. Muitas compras, muitas encomendas, muitos contratos. Ou seja, insisto, é uma política, não é uma coisa neutra. Uma política. Uma política. Uma política.

Ora, num debate democrático teria que haver "prós" e "contras" sobre essa política. Não há um professor, um político (como Zorrinho que o é também), um empresário, que seja crítico das opções que o governo está a fazer com o nome do Plano Tecnológico? Claro que há, mas não cabem nas escolhas deste programa. Assim não vale. Assim é propaganda. Pura, dura e eficaz.

*

Nada muda? Muda, muda. Já há alguns dias que tenho reparado que o escapismo futebolístico prima na RTP, seguida pela SIC, enquanto a TVI está a fazer aquilo que é normal num noticiário, dar notícias. Como hoje: Madaíl em directo na RTP e SIC por longos minutos do prime time do prime time, e na TVI notícias e notícias a sério.

*
Apesar da sua insistência na necessidade indispensável de elevar a qualidade do jornalismo em Portugal, a mediocridade (e a sua parente directa: a arrogância) parece estar definitivamente instalada. Por não ser referir habitualmente ao jornalismo radiofónico presumo que não seja um dilecto ouvinte de rádio, ou pelo menos da principal frequência da estação pública. É que se a RTP muito desilude, a sua associada Antena 1 chega a levar-nos ao desespero. São muitos os milhões de portugueses que ouvem rádio durante a maior parte do dia, em casa e nos seus empregos, pois este meio permite que se desempenhem as mais variadas tarefas enquanto é ouvido. O seu impacto só parece ser menor do que o da televisão devido ao facto de a escolha de "canais" ser muito superior. Todavia, a emissora governamental (dita estatal) tem obrigações superlativas e é sempre uma referência para o sector.

A propósito de futebol (vulgo "desporto") vs. notícias "a sério" gostaria de relevar o que se passa na rádio, nomeadamente na Antena 1, emissora pública e paga por todos nós duplamente (através dos impostos e da taxa anexa à conta da electricidade), mesmo pelos surdos e por quem não tem receptor de rádio. Nesta estação, a "informação desportiva" ocupa sozinha mais tempo de antena do que toda a restante informação (nacional, internacional, política, sociedade, regional, etc.). É uma verdadeira praga radiofónica que, paral além de estar presente nos noticiários de hora a hora, repete-se a muitas meias horas, com espaços alargados, e ao fim-de-semana se transforma numa obsessão a raiar o histerismo.

(Carlos)


Exemplo aleatório:
PROGRAMAçÃO DE HOJE


00:00 JORNAL DA MEIA NOITE

00:12 JORGE AFONSO
Histórias e Músicas
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(01:00/02:00)
02:12 MADRUGADA ANTENA 1 Com António Rolão e Gil Veloso
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(03:00 / 04:00 / 05:00/ 06:00/ 07:00)
02:20 JANELA INDISCRETA
02:40 DIAS DO AVESSO
02:55 BANDA SONORA
03:20 HISTÓRIA DEVIDA
03:30 50 ANOS DE CANÇÕES PORTUGUESAS
03:40 O AMOR É... (2ª a 6ª Feira)
03:55 CINCO MINUTOS DE JAZZ
04:40 A1 CIÊNCIA
04:20 À VOLTA DOS LIVROS
04:55 PRIMEIRA ESCOLHA

05:12 MANHÃ - ANTENA 1 (1ª Parte) Com Bruno Pereira
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(06:00-07:00)
05:20 DIRECTO AO CONSUMIDOR
05:30 1 MINUTO PELA TERRA
05:55 CANTOS DA CASA
06:20 JOGO DA LÍNGUA
06:55 ALMA LUSA

07:12 MANHÃ - ANTENA 1 (2ª Parte) Com António Macedo
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(08:00-09:00-10:00-11:00)
07:20 TÍTULOS DA IMPRENSA
INFORMAÇÃO DE DESPORTO
(07:30-08:30-09:30)
07:40 50 ANOS DE CANÇÕES PORTUGUESAS
07:50 PANO PARA MANGAS
07:55 PORTUGALEX
08:20 REVISTA DE IMPRENSA
Com João Paulo Guerra
08:40 CONSELHO SUPERIOR
08:52 ÍNDICE A1
08:55 CINE 1
Com Teresa Nicolau
08:58 1 MINUTO PELA TERRA
09:20 O AMOR É... (2ª a 6ª Feira)
09:40 EURO 27
09:55 OUTRAS HISTÓRIAS DA MÚSICA (ROCK/POP)
10:20 CASA DAS ARTES (ESPECTÁCULOS)
10:55 GRANDES MÚSICAS

11:03 ANTENA ABERTA com Eduarda Maio
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(12:00)
12:12 MANHÃ - ANTENA 1 (3ª Parte) Com Augusto Fernandes
12:20 ÍNDICE A1
12:25 PORTUGALEX
12:32 JORNAL DE DESPORTO
12:55 ALMA LUSA

13:00 SÍNTESE INFORMATIVA

13:07 PORTUGAL EM DIRECTO

14:00 NOTICIÁRIO - ANTENA 1

14:12 TARDE - ANTENA 1 Com Filomena Crespo
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(15:00 / 16:00)
14:20 DIRECTO AO CONSUMIDOR
14:30 1 MINUTO PELA TERRA
14:40 JOGO DA LÍNGUA
14:46 JORNAL DO PRÉMIO
Ed. Ana Daniela e Reinaldo Francisco
14:55 CANTOS DA CASA
15:22 CAUSAS PÚBLICAS
15:55 ALMA LUSA

16:12 TARDE - ANTENA 1 (2ª PARTE) Com Paulo Rocha
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(17:00 / 18:00 / 19:00/ 20:00)
ENTREVISTA ANTENA 1
Paula Rego
INFORMAÇÃO DE DESPORTO
16:35 / 17:32 / 18:32
16:40 DIAS DO AVESSO
16:47 À VOLTA DOS LIVROS
16:55 JÚLIO ISIDRO
17:17 ÍNDICE A1
17:20 HISTÓRIA DEVIDA
17:40 CASA DAS ARTES (ESPECTÁCULOS)
17:55 PRIMEIRA ESCOLHA
18:20 JANELA INDISCRETA
18:55 QUEM ÉS TU ZÉ TÓ ?
19:55 GRANDES MÚSICAS

20:12 NOITE - ANTENA1 Com Rui Santos
NOTICIÁRIO - ANTENA 1
(21:00 / 22:00 / 23:00)
20:20 DIAS DO AVESSO
20:50 CASA DAS ARTES (ESPECTÁCULOS)
20:55 JÚLIO ISIDRO
21:20 HISTÓRIA DEVIDA
21:40 A1 CIÊNCIA
21:45 À VOLTA DOS LIVROS
21:55 BANDA SONORA
22:20 O AMOR É... (2ª a 6ª Feira)
22:30 INFORMAÇÃO DE DESPORTO
22:55 CINCO MINUTOS DE JAZZ

23:12 ALMA NOSTRA
Com Carlos Magno e Carlos Amaral Dias

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20.9.07


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ÁTOMOS E BITS

de 20 de Setembro de 2007


Ouviram o Ministro das Finanças? Nenhuma boa notícia, sombras evidentes de um impasse significativo na economia portuguesa, fuga às perguntas incómodas (desemprego, aumento da despesa pública, etc.), um tom triste e sem esperança. Como tudo corre mal, a culpa é do estrangeiro, se corresse bem seria um grande mérito do Governo..

*

Com Mourinho e Scolari, as notícias foram para férias e, com elas, o Portugal real. Há uma semana que estamos em pleno escapismo futebolístico. Primeiro foram os jogos internacionais, agora são os Grandes Incidentes do Futebol. Se existisse "serviço público", como ele é propagandeado e legitimado pelos seus defensores, poderíamos sempre refugiar-nos na RTP. Puro engano, noticiário sobre noticiário, a RTP consegue bater as privadas no tempo que dedica ao futebol. Deste país televisivo, o Governo gosta e muito. E não há estatística da ERC que revele esta governamentalização pelo circo.

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31.8.07


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ÁTOMOS E BITS

de 31 de Agosto de 2007

Dos 10 milhões de endereços de correio electrónico que o Governo anunciou há cerca de 15 meses, alguém sabe referir meia-dúzia deles, válidos?

(C. Medina Ribeiro)
*

Eu acho que a RTP sabe muito bem o que faz nos seus Momentos-Chávez com José Sócrates "estrelando". Todos os dias se percebe cada vez melhor o esquema, como hoje no noticiário das 13 horas que acabei de ver, a propósito do anúncio de uma nova barragem. O modelo é sempre o mesmo, e contrasta com o tratamento televisivo das outras estações (hoje vi o da SIC para comparação). Mostra como a RTP passa sempre o Primeiro-ministro em grande plano, sozinho no palanque, numa intervenção sempre mais longa na RTP do que nos outros noticiários, com os conteúdos da "mensagem", mesmo os puramente propagandísticos desprovidos de valor informativo, repetidos ad nauseam, (como a ideia de "os outros não fizeram, nós fazemos"), intactos na intervenção televisiva. Eles sabem o que fazem e sabem que nós sabemos o que eles fazem.

*
No seu ataque de hoje à Informação da RTP, fiquei com uma dúvida. Suponho que a hora da publicação do seu post é a de Lisboa. Se assim for, tenho que o felicitar pela rapidez da sua análise a peças jornalísticas da RTP. Conseguiu emitir o seu juízo mesmo no minuto em que peça acabou de ser emitida. Continuando a partir do princípio de que a hora de publicação do post (13:11) é a de Lisboa, gostaria que me esclarecesse como conseguiu compará-la com a peça da SIC, que foi emitida às 13:14.

Já não faço comentários às acusações que faz à informação da RTP, porque fazem parte da sua campanha contra o Serviço Público de Televisão. Tem todo o direito a fazê-la.

(António Luís Marinho)

NOTA: Se António Luis Marinho conhecesse o Blogger saberia que a hora indicada corresponde à abertura da nota que iniciei mal vi a notícia da RTP. O que tinha a dizer sobre a RTP poderia tê-lo dito mesmo sem comparação com outra estação, porque o tratamento que a RTP faz das sessões do Primeiro-ministro parece-me errada de per si. Entretanto apareceu a notícia da SIC que me permitiu a comparação que, como se sabe, se seguiu imediatamente à da RTP. A nota foi publicada por volta das 13:19, como pode ver, por exemplo, no Google Reader, depois de ambas as notícias terem sido emitidas.

É verdade que eu tenho "todo o direito" a ter a minha opinião sobre a RTP, mas o que gostava de ver é o Director de Informação da RTP a discutir a substância das críticas que faço Gostava de o ver a reagir a esta frase "a RTP passa sempre o Primeiro-ministro em grande plano, sozinho no palanque, numa intervenção sempre mais longa na RTP do que nos outros noticiários, com os conteúdos da "mensagem", mesmo os puramente propagandísticos desprovidos de valor informativo, repetidos ad nauseam, (como a ideia de "os outros não fizeram, nós fazemos"), intactos na intervenção televisiva", e não a tentar apanhar-me na esquina de um erro qualquer, ainda por cima com ignorância sobre o funcionamento do Blogger. Isso sim valia a pena.

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13.8.07


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ÁTOMOS E BITS

de 13 de Agosto de 2007


A RTP começou hoje (13 /08/2007) o Telejornal das 20 horas com uma reportagem alarmista sobre a queda dos mercados bolsistas. A queda tinha sido na sexta feira dia 10 de Agosto. (imagino que na sexta feira tenham sido apanhados desprevenidos e mantiveram-se no caso Maddie). Alguém decidiu então mandar fazer uma reportagem sobre o assunto. Veio a verificar-se que durante o dia 13, segunda feira, os mercados tiveram tendência a corrigir da queda bolsista de sexta feira mas, mesmo assim, abriram fogo com vocabulário incendiário sobre as “assustadoras” quedas bolsistas com descrições acerca do “pânico” dos investidores como se a reportagem tivesse actualidade. De seguida trucidaram o Banco Central Europeu (BCE) que, para resolver um problema de liquidez do sistema financeiro europeu, terá posto à disposição dos bancos mais de 40 mil milhões de euros. Na reportagem a RTP, de forma crítica, censurava o fornecimento de liquidez ao mercado que seria a responsável pelas previstas novas subidas de taxas de juro.

Parece que a reportagem, feita pelo amador de serviço, estaria pronta e na RTP não quiseram perder a oportunidade de mostrar que alguém tinha trabalhado no fim de semana. Mesmo que a realidade da correcção ocorrida nos mercados bolsistas no dia de hoje tivesse inutilizado o trabalho e que o BCE considere que os mercados estão normalizados com a ampla liquidez conferida ao mercado, o execrável serviço público não se comoveu.

(Miguel Rosa)

*

No texto de Miguel Rosa confundem-se opinião e factos. E os factos são: (comprovados no site da RTP)

1. No Telejornal da sexta-feira que refere (dia 10), o telejornal emitiu duas peças sobre o assunto;
2. O vocábulo "assustadoras" não consta em nenhuma peça do telejornal de dia 13;
3. Sobre a actualidade ("...como se a reportagem tivesse actualidade.") outros órgãos como a TSF deu a mesma notícia ao longo de toda a tarde do mesmo dia, e nos jornais de terça-feira foi assim: no DN na primeira página e destaque nas primeiras páginas. No público é o destaque na Economia, uma página inteira, no Diário Económico é manchete na primeira página, mais cinco lá dentro. No Jornal de Negócios é manchete, mais três páginas e um editorial;
4. "...terá posto à disposição dos bancos...", o BCE colocou, de facto, como vi/li/ouvi em todas as notiícias, apenas Miguel Rosa parece duvidar;
5. Sobre a desactualização das notícias: ("Mesmo que a realidade da correcção ocorrida nos mercados bolsistas no dia de hoje tivesse inutilizado o trabalho...") além de não ter "inutilizado" todas as notícias em toda a imprensa escrita no dia seguinte, na mesma peça da RTP é dito: ..." Num comunicado o presidente do BCE mostra-se convicto de que esta tranche chega para normalizar as operações da banca Europeia. E o recado parece ter surtido efeito. A face mais frágil da crise no sistema bancário são as bolsas. Depois das fortes quedas do final da semana passada voltaram agora às subidas ."

As opiniões são:
1. "reportagem alarmista";
2. "imagino que na sexta feira tenham sido apanhados desprevenidos e
mantiveram-se no caso Maddie", imaginou mal como se pode ver;
3. "Alguém decidiu então mandar fazer uma reportagem sobre o assunto."
Puramente especulativo;
4. "vocabulário incendiário";
5. "trucidaram o Banco Central Europeu" (?!);
6. "de forma crítica, censurava" (?!);
7. "feita pelo amador de serviço" não é necessário insultar para criticar;
8. "estaria pronta e na RTP não quiseram perder a oportunidade de mostrar que alguém tinha trabalhado no fim de semana." Puramente especulação;
9. "execrável serviço público".
Mais opinião que factos como se vê. Acho que se não queremos ver posta em causa a nossa credibilidade teremos de ser absolutamente rigorosos.

Samuel Freire

*

Acabei de rever o Telejornal de dia 13/8 no serviço de TV online da RTP (via internet) e aqui dou a mão à palmatória: neste aspecto é um excelente serviço público de que até hoje desconhecia a existência.

Respondendo a Samuel Freire (que presumo seja o autor da reportagem que critiquei), passo a reproduzir alguns "factos" e opiniões.

1 - Quando utilizo a expressão "assustador", não estou tão afastado da versão da reportagem. Na verdade, num dia que terminou com todas as bolsas a recuperarem (umas mais, outras menos) das quedas do dia útil anterior, a reportagem fala em "pânico" dos investidores, "colapso" do sistema e "explosão" das taxas de juro. Com algumas cautelas, admito. Mas o que fica nos ouvidos do telespectador (como muito bem sabem na RTP) são as palavras fortes: pânico, colapso, explosão. Esta última é particularmente incendiária, não ?

2 - No que se refere "a trucidar o Banco Central Europeu" diz a reportagem, taxativamente: ".....As intervenções do Banco Central estão a criar um clima de incerteza em relação às taxas de juros. Há quem defenda que as injecções de capital do Banco Central inviabilizam a necessidade do aumento das taxas de juro já em Setembro. ....". Com esta frase, a mim pareceu-me que se responsabilizava o Banco Central pelos acontecimentos.( afinal não pelo aumento das taxas de juro como referi inicialmente mas porque a sua actuação impedia esse aumento).

3 - Continuo a considerar que na sexta feira foram apanhados desprevenidos no Telejornal porque, nesse dia, as fortes quedas das bolsas é que mereciam destaque e foi com a infeliz da Maddie que começaram o noticiário. Na segunda feira a crise parecia ter amenizado e, embora a notícia merecesse honras de abertura, creio que o tom de alarme chegou atrasado. E, por outro lado, não creio que a evolução dos acontecimentos de terça e quarta feiras, que lhes veio a dar alguma razão, possa servir de desculpa, tal como, se dentro de uma semana tudo estiver normalizado, eu não passarei a ter mais razão. No fundo o quero dizer é que os noticiários devem reflectir as notícias do dia.

4 - Finalmente peço desculpa pelos excessos de adjectivação, como nas expressões utilizadas: "feita pelo amador de serviço", "execrável serviço público" . Tanto mais que ouvida a notícia uma segunda vez se percebe alguma cautela no conteúdo, mantendo porém a adjectivação incendiária que é o que fica nos ouvidos do telespectador que não tenha acesso à repetição. E continuo a crer que é essa a intenção das televisões, coisa que não posso deixar de continuar a criticar.

(Miguel Rosa)
*

O Eugénio de Andrade quando alguém lhe falava do Torga dizia com imenso desdém, "ah! esse poeta parolo..."

*
Essa citação do Eugénio de Andrade sobre o Torga, faz pensar na habitual dureza (um eufemismo!) de uns autores para os outros. Independentemente de achar ou não que seja esse o caso aqui, é incrível ver como os escritores são por vezes tão escandalosa e surpreendentemente "injustos" para com os "colegas". Há disparates esplêndidos (sem ironia) na história da literatura. Lembremo-nos dos juízos de Tolstoy sobre Baudelaire ou de Brecht sobre Thomas Mann, de Nabokov sobre Balzac e Mann outra vez, Wittgenstein sobre Shakespeare... Ou, à nossa dimensão, das opiniões que Camilo confessava sobre Eça, do olhar deste sobre Camilo e do "ódio" de Fialho de Almeida pelo autor d'Os Maias. São cegueiras talvez inevitáveis. A época, a Escola. Ainda assim. Por vezes, um pobre crítico literário (uma espécie de eunuco estético - imagem de Steiner) consegue ver "melhor". Os grandes escritores são também grandes leitores e no entanto... Também na Filosofia acontece: não se fica banzado com a maneira desdenhosa com que Kant despacha Berkeley? Ou a visão que parece ter de Leibniz? E os ataques selvagens de Schopenhauer a Hegel e Fichte?

Torga poeta parolo: acho que se percebe o que Andrade quer dizer. E, enfim, num país pequeno, pobre e provinciano... Mas já não será de modo nenhum parolo o Torga dos Contos da Montanha (os Novos e os outros), de alguns Bichos e, descobri há pouco, algumas páginas do Portugal.

(Carlos David Botelho)

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12.3.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 12 de Março de 2007



O nosso vulcão, nacionalizado, português, patriótico. Aqui. Faltam 198 dias, 04 horas, 53 minutos, 14 segundos para os cinquenta anos.

*

A RTP podia ter alguma vergonha na governamentalização, mas prefere a eficácia à vergonha. Para os que querem sempre mais provas, comparem-se os noticiários da RTP e da SIC das 20 horas de hoje, o momento noticioso mais importante do dia. Veja-se como ambas as televisões trataram o aniversário do governo e o Momento-Chávez do dia, as promessas sobre a qualificação dos trabalhadores (anunciadas pela primeira vez há um ano, anunciadas de novo agora com a indicação de que desta vez é que vai ser por causa dos fundos comunitários, o que significa que ainda vamos ter novo anúncio) escolhidas pelo governo para "comemorar". A RTP tem um texto a roçar o gongórico sobre a matéria e fazendo eco das palavras do Primeiro-Ministro. A sequência é perfeita - jornalista- Primeiro-Ministro - jornalista como se fosse um único interlocutor a falar.

Os noticiários, aliás, revelam bem o seu carácter quando a RTP, o "serviço público", abre com a "bebé roubada agora recuperada", como primeira notícia de relevo e a SIC com o número de admissões que o governo fez, citando o Diário de Notícias, uma informação incómoda para o governo (que penso, porque me podia ter escapado no zapping, que a RTP nem referiu). É para isto, para esta escala de relevância, que serve a televisão pública.

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11.3.07


RTP. CINQUENTA ANOS DE SERVIÇO A REGIMES E GOVERNOS

Azáfama e emoção na estreia da nova RTP
Nas comemorações do cinquentenário da RTP foi patente que, mais que tudo, a televisão pública é um espelho eficaz de regimes e de governos. Foi a porta-voz de pelo menos três regimes: o de Salazar e Caetano, o do PREC comunista e o da democracia pós-1975.

Este absurdo panegírico é o texto que no sítio da RTP abre a história dos seus cinquenta anos:

O Renascimento foi há 50 anos. 5 décadas de um futuro que se oferece, como o presente... que é eterno. Para sempre a memória. De um país tornado mundo no olhar que se fez novo, no saber que foi notícia, no mostrar que abriu as portas ao Portugal que somos. Fomos a gente que somos nos idos de 56. Construímos, edificámos, testámos. Fomos ouvidos, escutados, olhados e admirados. A gente que somos foi ver-nos. Encontrámos o espanto, reencaminhámos o sonho. Surpreendemos. Demos rosto às vozes que passeavam no éter. Fomos à rádio, ao teatro, aos espectáculos., às artes. Formámos e incorporámos entretenimento e notícia.
Fomos bailarinos, cantores, jornalistas e locutores. Abraçámos coreógrafos, dramaturgos, m
úsicos e compositores. Fomos clássicos e inovadores, honrámos heranças da portugalidade que somos. Juntámos famílias, cruzámos olhares que encheram de orgulho as montras da grande montra do mundo. Fomos rectângulo de vidro espelhado nas formas da realidade. Tornámo-nos companhia. Aguardados pelo inesperado, motivados pelo desejo de mostrar; um país e um mundo feitos à escala de todos e de cada um.
Comunicámos. Gente de um palco com lugar próprio no mais vasto dos anfiteatros. Assim revelámos o Portugal desconhecido, o mundo cada vez mais próximo. Os primeiros anos da RTP foram verdes... e vermelhos, nas cores de um país a preto e branco, ainda e sempre matizado pela diversidade de um renovado universo que não desvia o olhar do que é nosso. Ficção, humor, teatro, folhetins, desporto, variedades. O universo onírico do Portugal redescoberto absorve atento, surpreso e deliciado a nova ementa que renova o soneto de um país que parecia irremediavelmente condenado aos versos do imobilismo."
(Sublinhados meus)
Os actos comemorativos juntaram "forças vivas", dignitários e "altas autoridades" numa mescla que curiosamente poderia mudar em cada um dos regimes na sua composição, mas não mudaria, nem em conteúdo nem em simbologia. Presidentes, chefes de governo, cardeais, sindicatos, chefes de partido, dignitários do Estado, estiveram sempre nas comemorações, década a década, unidos pela mesma pompa e circunstância de se verem no espelho mais eficaz do seu poder, a televisão do Estado. Os que não estariam, nem aos dez anos (1967), nem aos vinte (1977), nem aos cinquenta (2007), seriam os accionistas, os espectadores, os contribuintes, os que a televisão pública deixa de fora. Os accionistas, que não existem, porque os governos têm medo que a "lógica liberal" na informação possa prejudicar a propaganda; os consumidores, porque podiam ter a exigência de perguntar onde é que está o "serviço público" no Preço Certo; e os contribuintes que poderiam querer contas sobre a razoabilidade das vultuosas quantias que a RTP engole todos os anos, para lhes dar quase o mesmo que as privadas.

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Existirem órgãos de comunicação social do Estado há muito tempo que deveria ser considerado um arcaísmo ou um sinal de autoritarismo de um Estado que abusivamente mantém funções de controlo da opinião pública na área mais sensível à liberdade e (ou) à falta dela: a informação. Porque, dito em termos brutos e simples na sua verdade, não existe isso que eufemisticamente se chama "comunicação social pública", mas apenas aquilo que, quando tínhamos uma noção mais saudável e "transparente" das coisas, chamávamos propaganda.

Se olharmos o "serviço público" da RTP, é-nos imediatamente evidente que muito do que lá é feito é do domínio estrito da política externa: a RTP África é um canal da nossa política externa para os PALOP, na qual as conveniências de silêncio sobre as ditaduras africanas que deixámos depois da colonização permitem apenas o que é "aceitável" para os interesses em causa. O caso de Angola é paradigmático: qualquer critério jornalístico implicava que na RTP África os angolanos encontrassem as histórias de corrupção da elite dirigente do MPLA, mas, se alguma vez elas fossem contadas, a RTP seria expulsa imediatamente e o Estado português sujeito às represálias dos seus hipersensíveis dirigentes. O mesmo se poderia dizer da Guiné e em menor grau de Moçambique.

A cobertura regional dos Açores e da Madeira, como a RTP Internacional, podem, como tudo, ser contratadas com entidades privadas, por valores muito inferiores ao que custa manter as delegações locais e sem os problemas, que aí são exponenciados, de controlo político regional das emissões nas ilhas e da Secretaria de Estado para as Comunidades das emissões para os emigrantes. O mesmo se pode dizer dos "tempos de antena" para a representação das minorias, os programas que em horários mortos e numa óptica quase de jardim zoológico, a RTP oferece. O modo como a RTP concebe o "serviço público" nesses tempos a que está obrigada por lei é bem evidente na forma como pretende antecipar os "tempos de antena" das entidades com direito de acesso, para horários secundários, com audiências mínimas. O "serviço público" é na verdade pouco mais do que uma justificação para a existência da televisão pública e dos seus canais, em que ninguém o toma a sério como "serviço" de valor acrescentado.
Objectivos "politicamente correctos" do canal 2:, o único que tem uma "missão":

"O 2º Canal de serviço público constitui-se como um serviço alternativo aberto à sociedade civil que possa reforçar, pela diferença, os princípios de universalidade, coesão e proximidade do Serviço Público de Televisão. (...) O Canal tem como vocação primordial promover a integração do indivíduo na sociedade e no mundo, combatendo a exclusão social e facilitando o acesso da população em geral ao conhecimento nas suas diversas vertentes: humana, social, artística, cultural, intelectual, profissional, académica e científica.” (Sublinhados meus).
Mas todo este resíduo de "serviço público" já de há muito teria encontrado outras vias para ser garantido, se não fosse o interesse crucial que todos os governos e todos os partidos têm na televisão como mecanismo de poder. Olhando para a emissão dos dois canais, entende-se muito bem para que serve o "serviço público": para manter um canal pseudo-elitista, aliviando o primeiro canal de toda uma tralha que a legitimação "cultural" da RTP necessita e um primeiro canal que é, como é óbvio, a razão de tudo. É no primeiro canal que a governamentalização é iniludível.
http://luminescencias.blogspot.com/RTP1-2004-05-26_21-40-45h%201.jpgPraça da Alegria

A concepção de fundo é clara e atravessou governos do PS e do PSD: entretenimento competitivo com as privadas, futebol, concursos e telenovelas, para manter as audiências para o que verdadeiramente interessa - a manutenção de uma informação (nos telejornais e nos programas de debate) controlada nos seus efeitos perturbadores. Quanto ao entretenimento, em particular as doses maciças de futebol, o seu papel circense é conhecido como forma de distracção cívica, ocultando a percepção pública dos problemas e minimizando, na economia do tempo televisivo, a informação e o debate, o que é sempre favorável aos governos.

http://www.miudossegurosna.net/imagens/logo-telejornal.jpgGoverno apresenta 333 medidas contra burocraciaDe há muito que o que é importante na governamentalização da informação se encontra mais no estilo e na contenção de prejuízos e menos na propaganda directa. Mesmo assim, com o actual Governo socialista voltou a propaganda directa em todo o seu esplendor com a simbiose acrítica das sessões montadas pelo Governo para o primeiro-ministro a falar de palco, com luzes, fundo, cenário feito para a televisão e a RTP a transmiti-las sem qualquer edição, nem mediação, nos telejornais. São os "momentos Chávez", que revelam, por comparação com os outros noticiários da SIC e da TVI, uma diferença de tratamento, passando intactas todas as "mensagens" que os técnicos de propaganda governamental desejam.

É no controlo dos efeitos negativos das notícias que se percebe melhor a governamentalização. Não é censurando as notícias, mas dando-as "compostas", numa ordem secundária, sem imagens perturbadoras, sem "escândalo", mesmo quando o haja, "equilibradas" com outras notícias, e, muito importante, com atribuição do pódio do comentário às pessoas certas, críticos mas não muito muito, salomónicos, moderados, inócuos. Tudo isto se faz sem qualquer conspiração, ou telefonema directo, ou instrução ou ordem, mas em primeiro lugar pela escolha para os lugares-chaves de pessoas confiáveis, simpatizantes do governo, ou pelo menos, de gente incapaz de ser activamente crítica e muito menos hostil. Escolhidas as pessoas, está quase todo o caminho feito. Convém lembrar que na RTP as cadeias hierárquicas de comando, escolhidas de cima para baixo, vão ter a um ministro, um ministro político por excelência como é o dos Assuntos Parlamentares, e por ele ao governo e ao primeiro-ministro.



O país ficava muito melhor sem televisão pública, o que inevitavelmente irá acontecer a prazo, com o também inevitável atraso com que fazemos estas coisas, e depois de muitos milhões de euros de dinheiro gastos em vão. Vale sempre a pena repetir que não há nada que a RTP hoje faça, mesmo como instrumento da política externa, que se não possa contratualizar com as privadas, com muito menos custo e muito mais controlo, até porque, tratando-se de concursos públicos, será sempre possível mudar. Pode-se garantir "serviço público" sem televisão pública, sem televisão do Estado e dos governos. Só não se pode garantir a propaganda.

(No Público de 10 de Março de 2007)

*

Nós temos uma televisão má que, tirando aqui ou ali uma ou outra série de ficção, não faz programas de jeito. Isto porque somos um país pobre que tem de entreter um povo inculto e ao mesmo tempo governar-se com o pouco dinheiro que tem em regime de concorrência entre estações. As consequências são bem conhecidas, veja por exemplo aqui. O desaparecimento de uma televisão estatal só viria piorar este estado de coisas. Só investindo bastante dinheiro fora da guerra de audiências poderíamos ter uma televisão melhor, que fizesse programas como os que compra às melhores estações americanas e inglesas, mostrando a cultura, a ciência e a arte nacional, mas também a internacional, sem o problema de falta de telespectadores que com o tempo viriam. Infelizmente a ‘realidade a curto prazo’ com que sistematicamente este país se governa,e a falta de parceria com estações de outros países, sempre relevou para a má qualidade. Isso e a falta de dinheiro. Se houvesse um canal estatal com bastante dinheiro e com critério de qualidade e exigência no entretenimento na formação e na informação e com pouca audiência de pouco serviria para a manipulação política, no entanto prestaria um serviço público a um conjunto cada vez mais alargado de portugueses. Não vejo por isso que uma boa ideia desejar o fim de uma televisão estatal, só o é na medida em que tiver audiências muito elevadas.

(António Fonseca)

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10.3.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 10 de Março de 2007


Noticiários das oito, os mais importantes das televisões.

Na SIC, uma reportagem sobre a visita de Cavaco Silva ao Luxemburgo sob o tema da insatisfação dos emigrantes com o pouco tempo que o Presidente lá esteve. Fontes que justificam o título e a frase sempre a passar por baixo: três entrevistas num café numa localidade que o Presidente não visitou. Chegou para esses três homens, aliás bem pouco assertivos nas suas queixas, passarem a ser "os emigrantes do Luxemburgo". Mau jornalismo quanto baste.

Na RTP, pior. A correspondente em Madrid a propósito da grande manifestação contra o governo Zapatero por causa da medida de clemência tomada com um etarra autor de assassinatos, repete ispsis verbis, os argumentos do governo e do PSOE contra os protestos, atacando o PP espanhol. Política disfarçada de jornalismo.

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A melhor parte dessa reportagem foi quando um dos Portugueses do Luxemburgo disse que " o Presidente devia passar por todas as villages do Luxumburgo". Sem comentários

(João Melo)

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16.1.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 16 de Janeiro de 2007


A peça de abertura do Telejornal da RTP das 13 horas (que acabei agora de ouvir), sobre a aplicação dos fundos comunitários, não tem um grama de jornalismo. Podia ser um prospecto de apresentação feito pelo governo dos fundos, e é um bom exemplo da governamentalização da RTP. Querem exemplos? Aqui está mais um.

ADENDA: O carácter governamentalizado da peça da RTP ainda se torna mais evidente quando se vê a mesma notícia na SIC: na RTP, as palavras pomposas do locutor abrem o noticiário, sobre imagens de grandes obras públicas preparando as declarações do Primeiro-Ministro para logo à noite; na SIC, a notícia (que no fundo é um anúncio de intenções) aparece no meio do noticiário, com um comentário crítico sobre a utilização anterior dos fundos comunitários e com referência à posição da oposição. O tom é sóbrio em vez de grandiloquente, uma diferença abissal no tom, nas imagens, no texto.

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Li a observação do leitor Eduardo Saraiva. Diz textualmente: "Será necessário deslocar tanto dirigente, da administração central, dos serviços de Lisboa e descentralizados pelo País, para assistir à comunicação?
Quais os custos com as deslocações e ajudas de custo de tanto dirigente da administração pública?".

Estará ele a referir-se, justa mas tardiamente, à celebre reunião promovida pelo Governo de Durão Barroso nas instalações da FIL (Parque das Nações) no verão de 2004 sobre a não menos célebre Reforma da Administração Pública?

(Fernando Barros)

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Ha’ em Portugal um pouco a ideia que o jornalismo deve ser sempre de investigacao, da procura incessante de algo podre, de algo desonesto, de dizer mal, de criticar por criticar, quase como um folhetim do PCP ou do BE.Isso na minha opiniao nao e’ jornalismo. O governo tem todo o direito de fazer passar a sua mensagem, quando entende e como bem entende, e cabe aos media passar essa mensagem. Quer se goste quer nao (eu nao gosto), o PS e’ governo e vai continuar a ser. E’ preciso que todos os portugueses se unam em redor deste governo e lhe deem a devida oportunidade para explicar e para implementar o seu programa. Muitas coisas merecem perguntas dificeis? Entao que se facam essas perguntas, obtenham-se as respostas e os portugueses que decidam se gostam ou nao. A oposicao que tenha a oportunidade de mostrar o seu ponto de vista, e quando houver eleicoes, entao cabe-nos a nos por este governo na rua ou nao.
O que nos temos em Portugal e’ um tom acusatorio, de um bando de jornalistas “chicos-espertos” que tem sempre a ultima palavra, e nao se coibem de atacar por vezes de forma baixa e desinformada. Veja-se o exemplo de Joao Jardim, aqui esta’ um homem que trouxe um enorme progresso economico para a Madeira, mas os tais chico-espertos iluminados nunca param de o atacar, de descontextualizar as suas afirmacoes e de lancar lama sobre toda a sua accao politica. Jardim e’ apenas um exemplo, existem muitos outros.

O tom da RTP de hoje com este governo nao e’ diferente do tom dos tempos de Cavaco Silva. Todos nos sabemos que estas tentativas de controlar a RTP ja’ vem de muito longe. A unica solucao e’ a privatizacao da mesma, que ja’ deveria ter acontecido ‘a muito tempo atras. Prejuizos atras de prejuizos, a serem pagos pelos impostos de todos nos e’ uma vergonha nacional. O modelo que funciona e’ o de uma televisao publica sem anuncios, com um orcamento reduzido, dedicada apenas a informacao e programas culturais de preferencia portugueses.

(Carlos Carvalho)

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Acabo de ver, na SIC Notícias, a apresentação, pelo Sr. Primeiro-ministro, do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para o período 2007 – 2013, com o valor de 21,5 mil milhões de Euros dos fundos da EU. Se acrescentarmos o valor nacional, estaremos a falar de perto de 45 mil milhões de Euros. Não vou analisar as 10 prioridades aprovadas em Conselho de Ministros para o QREN pois considero que é fácil encontrar consenso para estas ou outras prioridades (estou feliz com a opção dos apoios para o interior). O que me espanta é, uma vez mais, a cerimónia para a apresentação do QREN. Uma coisa é a comunicação com ou aos portugueses, outra é a jornada de propaganda que já é habitual neste Governo.

Indagamos:

Será necessário deslocar tanto dirigente, da administração central, dos serviços de Lisboa e descentralizados pelo País, para assistir à comunicação?

Quais os custos com as deslocações e ajudas de custo de tanto dirigente da administração pública?

Não haverá outros meios, mais eficazes e menos oneroso, que possibilitem uma boa operacionalidade com as informações inerentes ao QREN?

Não quero falar, ou lembrar, a quebra de ritmo e de trabalho e o adiamento de decisões dos diversos processos que se encontram nos Ministérios, nas Direcções Gerais e nas CCR, perante a “necessidade/obrigatoriedade” de estar presente na sessão de propaganda governamental, mas em pleno séc. XXI, considero que estamos na altura de alterar certos comportamentos governamentais.

(Eduardo Saraiva)

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Ontem no jornal da 2:, sobre a notícia da morte do ciclista colhido por um carro em Odemira e que demorou 7 horas para ser atendido em Lisboa, só focaram os distritos de Évora e Portalegre e sempre numa perspectiva das viaturas de emergência médica que irão adquirir e de formação ao pessoal a ser realizada, ou seja, só medidas a ser tomadas. Entrevistados? Ninguém directamente responsável pelo ocorrido; só alguém do INEM de Évora. O distrito de Beja (só possui uma viatura de emergência médica) praticamente não foi referido.


(Rui Oliveira)

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13.2.04


500 HORAS AO SERVIÇO DO FUTEBOL PAGAS COM DINHEIROS PÚBLICOS


A RTP anunciou hoje que prevê transmitir entre 400 a 500 horas sobre o Euro 2004. Espantoso! Se uma pessoa se sentasse, no início do Euro 2004, numa cadeira podia estar vinte dias consecutivos, sem dormir um minuto a ver futebol. Isto num evento que dura mês e meio. E sem contar com a parte dos noticiários com futebol e o mais que se verá…
Espantosa noção de serviço público que transforma tudo o que acontece em Portugal e o mundo nuns breves momentos envergonhados, e obviamente perdidos, desse grande desígnio nacional que é o futebol. Podiam mudar o nome do país para Futebolândia e vender bilhetes à entrada.

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11.6.03


TELEVISÃO PÚBLICA

Por que razão é que todos pensam ser natural que se transmitam as declarações de Fátima Felgueiras em directo ? Por que razão a RTP gasta dinheiro para fazer - como está anunciado - uma transmissão directa do Brasil do que a autarca em fuga irá dizer ? Se pararmos para pensar , chegaremos facilmente à conclusão que uma coisa é a operação mediática de interesse próprio de uma fugitiva à justiça e outra são as notícias que possam ser produzidas nessa conferência .

Por que razão é que não se grava o que ela diz , se retira a auto-propaganda que , neste caso , é também legitimação ou de um crime ou de uma fuga à justiça , e só se passa o que tem verdadeiro relevo noticioso ? Isto na hipótese de Fátima Felgueiras dizer algo de novo e relevante , o que , retirada a propaganda e a auto-defesa , será pouco . É isso que é o editing normal , preservar o conteúdo noticioso , caso exista , o que não é certo , da utilização dos media para actividades que tem uma componente criminosa .

Mas não : a feira mediática , cansada da pedofilia e do Dr. Portas , lá irá de roldão à vassalagem brasileira , espevitada pelo estilo de dirigente futebolístico de Fátima Felgueiras e dar-lhe o horário nobre , permitindo que diga o que quer sem contradita . E depois , no dia seguinte , é capaz de nos vir mais uma vez dar uma lição de moral , do género dos comentários que Manuela Moura Guedes costuma fazer para mostrar que a sua opinião é mais importante do que a informação que leu , quando lê uma informação e não uma intriga .

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14.5.03


Notas europeias

1) Ainda não há Constituição europeia , ainda não há o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros europeus , mas já há um candidato Oskar Fischer , o actual MNE da Alemanha . Isto dá para ver como todas estas coisas apontam para políticas de facto consumado .

2) Demissão de Clare Short do Governo inglês . A esquerda trabalhista , a loonie left mais loonie que há , está bem representada no Labour e apadrinha as mais absurdas das causas . Clare Short já devia ter saído , ou ter sido demitida do governo mais cedo . Mas , independentemente disso , é um espectáculo de democracia no melhor sentido ver a política inglesa a funcionar . Ver a ex-ministra , como já fizera Robin Cook , vir ao Parlamento dizer com clareza porque saiu , tudo num ambiente confrontacional , mas de grande liberdade interior sem os rodriguinhos que tão caracterizam a nossa vida política , feita de salamaleques no exterior e facadas anónimas nos jornais .

3) Qualquer breve comparação entre os noticiários da RTP e os de outras televisões europeias , mesmo "públicas" , revela o peso excessivo , quase obsessivo , que tem o futebol nos orgãos de comunicação social em Portugal . Meia dúzia de notícias dadas à pressa , "casos humanos" (doenças e desgraças) , para logo vir um extenso noticiário futebolístico , haja jogos ou não haja . Até parece que tudo é feito à pressa para se ir ao que interessa , caiam bombas , suba o desemprego , haja crise ou tempestade . Quando faço zapping passam-se notícias na BBC , na TV5 , na TVE , e já há dezenas de minutos que a RTP só dá futebol.



Notas do Brasil de Porto Alegre

1) Fátima Felgueiras transformada em resistente anti-salazarista , exilada no Brasil na esteira do General Humberto Delgado

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6.5.03


Porque razão tem os contribuintes e os ouvintes que ser sistemáticamente martelados com frases ideológicas sobre o "serviço público" na RTP nos reclames sobre a emissão ?
Porque razão tenho que aceitar que um canal de televisão pago pelo OE me diga que o futebol que passa na televisão é "futebol de serviço público" , uma bem bizarra categoria ? A ideologia tem os seus locais , os seus sujeitos e as suas normas de circulação numa democracia . A ideologia , traduzida em opções políticas , naturalmente divide . Porque razão os responsáveis pela RTP (em ultima instância o governo ) entendem que o estado português deve impor ou permitir que se imponha um conceito de "serviço publico" , completamente imerso em ideologia , a todos os portugueses que ligam para a RTP .
Já de há muito que esses reclames da "televisão de serviço público" deveriam ter acabado .

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RTP2

5 de Maio de 2003 - Noticiário das 22 horas - apresentação de um livro de poemas contra a guerra no Iraque . Música e imagens de fundo propagandísticas de responsabilidade dos autores do noticiário . Soldados americanos , bombas , sofrimento nos hospitais . Será que os nossos jornalistas não percebem que inserir estas peças num noticiário é pura propaganda e nada tem a ver com jornalismo ?

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