ABRUPTO

16.1.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 16 de Janeiro de 2007


A peça de abertura do Telejornal da RTP das 13 horas (que acabei agora de ouvir), sobre a aplicação dos fundos comunitários, não tem um grama de jornalismo. Podia ser um prospecto de apresentação feito pelo governo dos fundos, e é um bom exemplo da governamentalização da RTP. Querem exemplos? Aqui está mais um.

ADENDA: O carácter governamentalizado da peça da RTP ainda se torna mais evidente quando se vê a mesma notícia na SIC: na RTP, as palavras pomposas do locutor abrem o noticiário, sobre imagens de grandes obras públicas preparando as declarações do Primeiro-Ministro para logo à noite; na SIC, a notícia (que no fundo é um anúncio de intenções) aparece no meio do noticiário, com um comentário crítico sobre a utilização anterior dos fundos comunitários e com referência à posição da oposição. O tom é sóbrio em vez de grandiloquente, uma diferença abissal no tom, nas imagens, no texto.

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Li a observação do leitor Eduardo Saraiva. Diz textualmente: "Será necessário deslocar tanto dirigente, da administração central, dos serviços de Lisboa e descentralizados pelo País, para assistir à comunicação?
Quais os custos com as deslocações e ajudas de custo de tanto dirigente da administração pública?".

Estará ele a referir-se, justa mas tardiamente, à celebre reunião promovida pelo Governo de Durão Barroso nas instalações da FIL (Parque das Nações) no verão de 2004 sobre a não menos célebre Reforma da Administração Pública?

(Fernando Barros)

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Ha’ em Portugal um pouco a ideia que o jornalismo deve ser sempre de investigacao, da procura incessante de algo podre, de algo desonesto, de dizer mal, de criticar por criticar, quase como um folhetim do PCP ou do BE.Isso na minha opiniao nao e’ jornalismo. O governo tem todo o direito de fazer passar a sua mensagem, quando entende e como bem entende, e cabe aos media passar essa mensagem. Quer se goste quer nao (eu nao gosto), o PS e’ governo e vai continuar a ser. E’ preciso que todos os portugueses se unam em redor deste governo e lhe deem a devida oportunidade para explicar e para implementar o seu programa. Muitas coisas merecem perguntas dificeis? Entao que se facam essas perguntas, obtenham-se as respostas e os portugueses que decidam se gostam ou nao. A oposicao que tenha a oportunidade de mostrar o seu ponto de vista, e quando houver eleicoes, entao cabe-nos a nos por este governo na rua ou nao.
O que nos temos em Portugal e’ um tom acusatorio, de um bando de jornalistas “chicos-espertos” que tem sempre a ultima palavra, e nao se coibem de atacar por vezes de forma baixa e desinformada. Veja-se o exemplo de Joao Jardim, aqui esta’ um homem que trouxe um enorme progresso economico para a Madeira, mas os tais chico-espertos iluminados nunca param de o atacar, de descontextualizar as suas afirmacoes e de lancar lama sobre toda a sua accao politica. Jardim e’ apenas um exemplo, existem muitos outros.

O tom da RTP de hoje com este governo nao e’ diferente do tom dos tempos de Cavaco Silva. Todos nos sabemos que estas tentativas de controlar a RTP ja’ vem de muito longe. A unica solucao e’ a privatizacao da mesma, que ja’ deveria ter acontecido ‘a muito tempo atras. Prejuizos atras de prejuizos, a serem pagos pelos impostos de todos nos e’ uma vergonha nacional. O modelo que funciona e’ o de uma televisao publica sem anuncios, com um orcamento reduzido, dedicada apenas a informacao e programas culturais de preferencia portugueses.

(Carlos Carvalho)

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Acabo de ver, na SIC Notícias, a apresentação, pelo Sr. Primeiro-ministro, do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para o período 2007 – 2013, com o valor de 21,5 mil milhões de Euros dos fundos da EU. Se acrescentarmos o valor nacional, estaremos a falar de perto de 45 mil milhões de Euros. Não vou analisar as 10 prioridades aprovadas em Conselho de Ministros para o QREN pois considero que é fácil encontrar consenso para estas ou outras prioridades (estou feliz com a opção dos apoios para o interior). O que me espanta é, uma vez mais, a cerimónia para a apresentação do QREN. Uma coisa é a comunicação com ou aos portugueses, outra é a jornada de propaganda que já é habitual neste Governo.

Indagamos:

Será necessário deslocar tanto dirigente, da administração central, dos serviços de Lisboa e descentralizados pelo País, para assistir à comunicação?

Quais os custos com as deslocações e ajudas de custo de tanto dirigente da administração pública?

Não haverá outros meios, mais eficazes e menos oneroso, que possibilitem uma boa operacionalidade com as informações inerentes ao QREN?

Não quero falar, ou lembrar, a quebra de ritmo e de trabalho e o adiamento de decisões dos diversos processos que se encontram nos Ministérios, nas Direcções Gerais e nas CCR, perante a “necessidade/obrigatoriedade” de estar presente na sessão de propaganda governamental, mas em pleno séc. XXI, considero que estamos na altura de alterar certos comportamentos governamentais.

(Eduardo Saraiva)

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Ontem no jornal da 2:, sobre a notícia da morte do ciclista colhido por um carro em Odemira e que demorou 7 horas para ser atendido em Lisboa, só focaram os distritos de Évora e Portalegre e sempre numa perspectiva das viaturas de emergência médica que irão adquirir e de formação ao pessoal a ser realizada, ou seja, só medidas a ser tomadas. Entrevistados? Ninguém directamente responsável pelo ocorrido; só alguém do INEM de Évora. O distrito de Beja (só possui uma viatura de emergência médica) praticamente não foi referido.


(Rui Oliveira)

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