| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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26.8.05
AR PURO
![]() Ivan Shishkin (url)
EARLY MORNING BLOGS 588
LÍMITES De estas calles que ahondan el poniente, una habrá (no sé cuál) que he recorrido ya por última vez, indiferente y sin adivinarlo, sometido a quien prefija omnipotentes normas y una secreta y rígida medida a las sombras, los sueños y las formas que destejen y tejen esta vida. Si para todo hay término y hay tasa y última vez y nunca más y olvido ¿Quién nos dirá de quién, en esta casa, sin saberlo, nos hemos despedido? Tras el cristal ya gris la noche cesa y del alto de libros que una trunca sombra dilata por la vaga mesa, alguno habrá que no leeremos nunca. Hay en el Sur más de un portón gastado con sus jarrones de mampostería y tunas, que a mi paso está vedado como si fuera una litografía. Para siempre cerraste alguna puerta y hay un espejo que te aguarda en vano; la encrucijada te parece abierta y la vigila, cuadrifonte, Jano. Hay, entre todas tus memorias, una que se ha perdido irreparablemente; no te verán bajar a aquella fuente ni el blanco sol ni la amarilla luna. No volverá tu voz a lo que el persa dijo en su lengua de aves y de rosas, cuando al ocaso, ante la luz dispersa, quieras decir inolvidables cosas. ¿Y el incesante Ródano y el lago, todo ese ayer sobre el cual hoy me inclino? Tan perdido estará como Cartago que con fuego y con sal borró el latino. Creo en el alba oír un atareado rumor de multitudes que se alejan; son los que me ha querido y olvidado; espacio, tiempo y Borges ya me dejan. (Jorge Luis Borges) * Bom dia! (url) 25.8.05
A PROPÓSITO ![]() Acaso se tem reparado na enorme dificuldade que as pessoas que são entrevistadas na rua pela televisão, seja sobre que matéria for, mostram em enunciar um fragmento de uma ideia, uma resposta com os verbos certos, com sentido, que tenha a ver com a pergunta? Não me refiro a ocasionais lapsos, ou ao mau português. Refiro-me a falar, dizer, explicar. E não são os velhos encurralados pelos fogos, mas os veraneantes num carro para o Algarve entrevistados numa portagem, umas senhoras nuns saldos, uns jovens num festival entre a música e a cerveja. (url) GRANDES CAPAS: A LOUCURA DA EUROPA
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APRENDENDO COM EUGÉNIO DE CASTRO
"Com duas ou três luminosas excepções, a Poesia portuguesa contemporânea assenta sobre algumas dezenas de coçados e esmaiados lugares-comuns. Tais são: olhos cor do céu, olhos comparados a estrelas, lábios de rosa, cabelos de ouro e de sol, crianças tímidas, tímidas gazelas, brancura de luar e de neve, mãos patrícias, dentes que são fios de pérolas, colos de alabastro e de cisne, pés chineses, rouxinóis medrosos, brisas esfolhando rosas, risos de cristal, cotovias soltando notas também de cristal, luas de marfim, luas de prata, searas ondulantes, melros farçolas assobiando, pombos arrulhadoras, andorinhas que vão para o exílio, madrigais dos ninhos, borboletas violando rosas, sebes orvalhados, árvores esqueléticas, etc.. No tocante a rimas, uma pobreza franciscana: lábios rimando sempre com sábios, pérolas com cérulas, sol com rouxinol, caminhos com ninhos, nuvens com Rubens (?),noite com açoite; um imperdoável abuso de rimas em ada, ado, oso, osa, ente, ante, ão, ar, etc.. No tocante a vocabulário, uma não menos franciscana pobreza: talvez dois terços das palavras que formam a língua portuguesa, jazem absconsos, desconhecidos, inertes, ao longo dos dicionários, como tarecos sem valor em lojas de arrumação. Tais os rails por onde segue, num monótono andamento de procissão, o comboio misto que leva os Poetas portugueses da actualidade à gare da POSTERIDADE," (Do prefácio a Oaristos, 1899) (url) OUVINDO MILES DAVIS
![]() (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UMA "PEQUENA" (R)EVOLUÇÃO ... A solução para o problema da limpeza das matas é simples. Basta uma "pequena" (r)evolução na mentalidade dos portugueses. A EDP possui, em Mortágua, uma central termoeléctrica de resíduos florestais. A descrição que se segue foi retirada do sítio da Ciência Viva: " A floresta foi e será sempre uma grande fonte de energia. Desde os primórdios da humanidade que é ela que fornece lenha para o Homem se aquecer e cozinhar os seus alimentos. Hoje em dia, esta energia que provêm das florestas, a biomassa, representa 15% da energia primária consumida no mundo inteiro. Em Portugal, existe apenas uma instalação de produção de electricidade utilizando como principal combustível a biomassa. Esta central é a Central Termoeléctrica de Mortágua, localizada na zona Centro do País, na margem direita da albufeira da Aguieira. Esta central utiliza os resíduos florestais, muito abundantes naquela zona, para produzir electricidade, criando assim, além da energia que nos é indispensável no nosso dia-a-dia, condições que permitam aos proprietários florestais sentirem-se motivados para manterem as matas e florestas limpas. Desta forma, a Central de Mortágua contribui para a diminuiçãou do número de incêndios e para o ordenamento florestal da zona Centro do País, que produz anualmente um valor estimado de perto de 500 mil toneladas de resíduos florestais (biomassa). A Central Termoeléctrica de Mortágua começou a operar em Agosto de 1999 e permite o escoamento de 100 000 toneladas ano resíduos florestais queimados numa caldeira de 33MWth. A Central tem uma potência instalada de 10MVA – 9MW e foi projectada para entregar à rede de distribuição de energia eléctrica cerca de 63GWh por Ano. " Ou seja: o aproveitamento da biomassa não só é desejável, como rentável. E se o era com o petróleo a 20 dólares o barril, obviamente que também o é com o petróleo a 65 dólares por barril e mais será quando o petróleo atingir, brevemente, os 100 dólares o barril. Eu faço parte do vasto grupo de pequenos proprietários florestais que jamais irá limpar as suas propriedades, mesmo com leis sobre limpeza coerciva. Vivo a muitos quilómetros de distância de nem-sei-quantas pequenas propriedades que herdei. Possuo 1 não-sei-quantos-avos dessas propriedades das quais não retiro qualquer benefício económico. Se alguém quiser limpar, desbastar, ordenar e disso retirar algum benefício económico, por mim óptimo. A solução: deixarmos de idolatrar a propriedade privada como algo intocável, na qual ninguém tem o direito de entrar nem interferir. É uma questão de cidadania, de colocar o interesse público, comunitário, acima do interesse privado, beneficiando por consequência também o que é privado. Lembram-se do filme "Mentes brilhantes", sobre a obra e vida de John Nash, que ganhou o prémio Nobel da Economia? Ele acrescentou a uma teoria que já existia algo que os portugueses precisam de interiorizar: o interesse do grupo. À teoria que dizia "Numa organização, o benefício máximo é atingido quando todos os membros trabalham em prol dos seus objectivos particulares", John Nash acrescentou: " e dos do grupo". A solução: legislar no sentido de atribuir poder e responsabilidade (à EDP, às autarquias, a quem quiser) para limpar, desbastar, ordenar (no sentido de abrir caminhos e corta-fogos, não no sentido de cortar a direito e replantar) toda e qualquer propriedade florestal, privada ou do estado (exceptuando aquelas cujos proprietários declarassem que o fariam por sua conta). O aproveitamento da biomassa para produção de electricidade tornaria a actividade rentável e mais centrais como a de Mortágua poderiam ser construidas. Limpavam-se as matas e florestas, produzia-se emprego e riqueza, diminuia-se a importação de petróleo para a produção de electricidade. Haja coragem política. (Jorge Carvalho Silva) * Há alguns anos, mais precisamente, 2002, no âmbito de uma visita de estudo á referida central termoelectrica, a certo ponto, somos informados dos longos e frequentes tempos de paragem na producão de energia electrica. (Daniel Rodrigues) (url)
INTENDÊNCIA
Actualizadas as notas UMA MEDIDA COMPLETAMENTE IRREALISTA E INAPLICÁVEL e O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VISTO / NÃO VISTO NA TELEVISÃO. (url) (url) COMO PORTUGAL ERA
![]() Mário Vasconcelos e Sá, Geografia Primária, Porto, Livraria Chaddon, 1931 ![]() António Branco, Geografia, Porto Editora, s.d. (url) UMA MEDIDA COMPLETAMENTE IRREALISTA E INAPLICÁVEL ![]() A medida governamental sobre a limpeza coerciva das matas é neste momento uma típica manobra de desresponsabilização do estado, mostrando um governo que, não tendo coragem política nem vontade de fazer o que pode fazer, nos distrai prometendo o que não pode fazer. Só quem desconheça a realidade do nosso país é que pode acreditar que a limpeza coerciva da mata tem um átomo de realismo e não é puro engano, só eficaz para quem nunca saiu da cidade. A legislação portuguesa está cheia destas medidas feitas nos gabinetes de Lisboa, ou por engenharia utópica e perfeccionismo jurídico, ou, como é o caso, para dar uma falsa resposta desresponsabilizadora a um problema que entra pelos olhos dentro - em Portugal, não há capacidade, por múltiplas razões, umas estruturais outras conjunturais, para controlar incêndios no Verão. Entre essas razões muitas exigiriam a atenção e medidas do estado, certamente mais realistas e eficazes, mas estas não são tomadas porque afectam interesses instalados. Não me venham dizer que a limpeza coerciva das matas atinge qualquer “interesse”, ou que apenas se lhe resiste por uma visão da defesa da propriedade privada, naturalmente maléfica dada a natureza da dita “propriedade”. Não há nenhum “interesse” atingido na medida, porque pura e simplesmente ela é, insisto, completamente abstracta e irrealista e, como é obvio, não é aplicável, nem para aplicar. Como milhares de outras, como seja a legislação que obriga as Juntas de Freguesias a fazer um cadastro e a controlar a vacinação dos animais domésticos. Alguém imagina um Presidente da Junta a ter que andar atrás dos seus vizinhos para eles registarem os gatos e os cães, num meio rural, pequeno e denso de conflitos como são as aldeias? Alguém acredita que um estado, um governo, que assiste indiferente ao lançamento proibido de foguetes, com completa impunidade, uma actividade pela sua natureza impossível de esconder, em distritos com risco máximo de incêndios, e com quarenta graus de temperatura, pode obrigar alguém a uma actividade tão cara, - sim meus senhores, porque é cara, - como seja ter as matas limpas? Alguém acredita que um estado, um governo, que permite, de uma ponta à outra do país, a actividades ilegais na exploração de inertes, e que não fecha uma pedreira, pode obrigar á “limpeza coerciva”, sem ter uma polícia própria para os matos e brigadas de limpeza com mais gente do que todo o pessoal municipal hoje existente? Sem outra economia, sem outro ordenamento, sem outra política local? Só para se perceber porque razão é que o problema é em primeiro lugar de autoridade do estado, podemos ir aos exemplos do que podia ser feito e não se faz. Já algum director de um Parque Natural foi demitido porque o seu Parque não estava limpo? Não, por duas simples razões: uma, porque em muitos casos a sua nomeação é política e é intocável pelo partido que lá o colocou; noutra, porque ele dirá que não tem meios, nem dinheiro para o fazer e provavelmente está certo. Já alguma Comissão de festas foi responsabilizada pelo lançamento proibido de foguetes, apesar de isso ter acontecido por todo o lado nas festas deste Verão? Não, porque o lançamento de foguetes é popular, estamos em vésperas de autárquicas, e sem foguetes, dezenas de fabriquetas de pirotecnia entrariam na falência na nossa frágil economia. Fecha-se os olhos. Todos sabem, ninguém actua. Vamos ter mais legislação perfeita e inaplicável, para boa consciência dos governantes. Somos o país da legislação perfeita (já leram a legislação sobre pedreiras? É aplicada nalgum sítio? Onde está uma pedreira recuperada depois do fim do período de extracção? Onde o estado (e o governo) não faz o que já pode fazer, para nos enganar, promete o que não pode fazer. * Segundo o Presidente da República, deveria haver uma lei que obrigasse à limpeza coerciva das matas (a qual, segundo António Costa, até já existe...), à semelhança do que acontece com os prédios nos meios urbanos(?). Existe uma lei que obriga à realização de obras de conservação nos prédios urbanos, com um intervalo mínimo de dez anos. Desde logo, esta lei esbarra na dificuldade de se definir o que são obras de conservação. Basta pintar o prédio? Ou lavar a fachada? É obrigatório intervir no telhado? (Ricardo Prata) * Lê-se no EXPRESSO-online: «O Presidente da República, Jorge Sampaio, defendeu hoje (...) a possibilidade de tornar coerciva a limpeza das florestas» (C. Medina Ribeiro) * É a fuga em frente.Já se estava á espera desta imputação.É fácil, é indistinta, porque os proprietários são muitos, desorganizados,sem voz,são pessoas idosas abandonadas nas suas aldeias...uma imputação vergonhosa do PR e do Governo...mas já se estava á espera,aliás já se tinha antecipado em muitos blogs, ( ver Blasfémias ) o caldo de cultura de resresponsabilização, e a preparação para as perseguições fiscais, as inevitáveis penhoras e as expropriações de terrenos para outros usos que não os agricolas. * De acordo…as medidas apresentadas relativamente à limpeza coerciva das matas são irrealistas no contexto actual e ficarão encerradas no capitulo das boas intenções em que somos todos tão pródigos a produzir! (SMF) (url) EARLY MORNING BLOGS 587: "POR AQUELE CAMINHO CUJA IDEIA SE NÃO PODE ENCARAR DE FRENTE" Ah o crepúsculo, o cair da noite, o acender das luzes nas grandes cidades E a mão de mistério que abafa o bulício, E o cansaço de tudo em nós que nos corrompe Para uma sensação exacta e precisa e activa da Vida! Cada rua é um canal de uma Veneza de tédios E que misterioso o fundo unânime das ruas, Das ruas ao cair da noite, ó Cesário Verde, ó Mestre, Ó do "Sentimento de um Ocidental"! Que inquietação profunda, que desejo de outras cousas, Que nem são países, nem momentos, nem vidas, Que desejo talvez de outros modos de estados de alma Humedece interiormente o instante lento e longínquo! Um horror sonâmbulo entre luzes que se acendem, Um pavor terno e líquido, encostado às esquinas Como um mendigo de sensações impossíveis Que não sabe quem lhas possa dar... Quando eu morrer, Quando me for, ignobilmente, como toda a gente, Por aquele caminho cuja ideia se não pode encarar de frente, Por aquela porta a que, se pudéssemos assomar, não assomaríamos Para aquele porto que o capitão do Navio não conhece, Seja por esta hora condigna dos tédios que tive, Por esta hora mística e espiritual e antiquíssima, Por esta hora em que talvez, há muito mais tempo do que parece, Platão sonhando viu a ideia de Deus Esculpir corpo e existência nitidamente plausível Dentro do seu pensamento exteriorizado como um campo. Seja por esta hora que me leveis a enterrar, Por esta hora que eu não sei como viver, Em que não sei que sensações ter ou fingir que tenho, Por esta hora cuja misericórdia é torturada e excessiva, Cujas sombras vêm de qualquer outra cousa que não as cousas, Cuja passagem não roça vestes no chão da Vida Sensível Nem deixa perfume nos caminhos do Olhar. Cruza as mãos sobre o joelho, ó companheira que eu não tenho nem quero ter. Cruza as mãos sobre o joelho e olha-me em silêncio A esta hora em que eu não posso ver que tu me olhas, Olha-me em silêncio e em segredo e pergunta a ti própria — Tu que me conheces — quem eu sou... (Álvaro de Campos) * Bom dia! (url) 24.8.05
EARLY MORNING BLOGS 586
THE OCTOPUS Tell me, O Octopus, I begs Is those things arms, or is they legs? I marvel at thee, Octopus; If I were thou, I'd call me Us. (Ogden Nash) * Bom dia! (url) 23.8.05
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS:
PANDORA PASSA COM A SUA SINISTRA MAJESTADE ![]() por cima de um anel fino. (url) (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VISTO / NÃO VISTO NA TELEVISÃO ![]() O HOMEM DO PIANO Sinceramente, todos as noites vou fazendo zapping pelos telejornais e interrogo-me, todas as noites, se o problema é dos jornalistas, ou se é dos editores, ou dos directores de informação. Ou simplesmente duma sociedade completamente estupidificada. É verdadeiramente lamentável e ridícula a quantidade de disparates por minuto que se consegue dizer em horário nobre. Os incêndios não são caso único. Ainda ontem, a RTP 1 anunciava que o misterioso "homem do piano" encontrado numa praia do sul de Inglaterra era afinal de nacionalidade alemã, afinal vivia em França onde perdera o emprego, afinal não tinha sido vítima de naufrágio, afinal tinha as roupas molhadas porque tinha tentado o suicídio no mar, afinal tinha apanhado o TGV e afinal estaria no mínimo deprimido, no máximo talvez perturbado. Até aqui, a situação é sofrível. Pois, qual não é o meu espanto quando vejo na SIC que foi finalmente desvendado o mistério do mesmo misterioso "homem do piano". Pergunto-me se será o mesmo. Senão veja-se, segundo a SIC: o jovem homem de 20 anos (também alemão, por sinal) é afinal homossexual e foi expulso de casa pelos pais (!); afinal trabalhou com doentes mentais e devido a essa experiência conseguiu imitar na perfeição (!) certos sintomas de perturbações psicológicas e enganar os psiquiatras e psicólogos (!); estes últimos, afinal, estão muitos indignados por o jovem homem os ter enganado (!) e vão processá-lo (!) de forma a serem reembolsados (!) das despesas que tiveram com a enxurrada de exames que lhe tiveram de fazer (quando, pobre homem, era apenas um pianista perdido); o jovem afinal não sabe tocar piano - afinal tocou umas notas avulsas (!) que foram mal interpretadas (!) pelo pessoal do hospital que o acolheu (semanas depois de termos ouvido como ficaram extasiasados com uma longa peça executada magistralmente quando, pobre homem, era apenas um pianista perdido); por último, o jovem homem que afinal não toca piano, afinal desenhou um piano porque afinal quando lhe deram papel e lápis para a mão foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça (!). A peça dita "jornalística" acaba com um lacónico "finalmente, foi assim desvendado o mistério". É a última peça do alinhamento do Primeiro Jornal da SIC. Maria João Ruela despede-se e oferece-nos um sorriso rasgado, feliz mesmo, de dever cumprido. Eu olho para a minha irmã e estupefactas, exclamamos quase ao mesmo tempo: "O que é isto?". E não é só que Jornalismo é este, que Televisão é esta, que País é este (?). É mais: que mundo é este? Não aconselharia a prudência e a experiência a não dar o mistério por desvendado com tão estapafúrdias revelações? Não aconselharia uma atitude reflectida a não propagandear essas mesmas revelações estapafúrdias com tanto alarde e um incompreensível sentido de dever cumprido, com a alegria tão jovial de quem acaba um puzzle do Morillo? VITORINO NO PAÍS DAS MARAVILHAS Ontem à noite a RTP 1 abre o alinhamento do Telejornal, inevitavelmente, com o País a Arder. António Vitorino abre o seu espaço de comentário com: o Papa !!!! Deus me perdoe (se exixtir) e os católicos também. Senti-me tão indignada que mudei imeditamente de canal. Quando lá voltei para espreitar se a coisa desenvolvia para o País a Arder, acertei, mas foi sol de pouca dura. Vitorino disse umas patacuadas banais sobre eucaliptos e pinheiros, sobre a necessidade de as pessoas limparem as matas. A única coisa que me animou foi que, segundo este senhor, ainda não chegámos ao número desastroso de hectares ardidos em 2003. Em 2003, sim, é que foi. Pergunto-me como se terá sentido Alguém que perdeu a sua casa, os seus animais, ou até uma pessoa que amava, ao ouvir tal análise dos acontecimentos. Pergunto-me quem valerá a estes Alguéns? Deus? o Papa? DESILUSÕES Se aprendi alguma coisa com o que tenho lido no curso de ciências de comunicação foi que o esquema circular dos processos comunicacionais faz com que os valores de uma determinada sociedade sejam assimilados, de forma natural, pelos indivíduos que serão mais tarde produtores de informação. Para aí os voltarem a dessiminar. E perpetuar. Com pouca ou quase nenhuma resistência por parte de facções minoritárias, mais periféricas ou vanguardistas. Como a blogosfera. Porque não interessa ouvir essas facções. É melhor ignorá-las. Para todos os efeitos não existem. Porque a comunicação social não deixa nunca de ser um negócio. E para alimentar este negócio, é preciso conformidade, é preciso chegar ao maior número de pessoas possível. Não fazer muitas ondas. Para que o maior número de pessoas compre aquela pasta de dentes. Que não patrocina (por imposição legal) o telejornal, mas patrocina a novela que vem a seguir. Antes de pensar a sério nestes assuntos e de ler bastante sobre eles, imaginava eu, ingenuamente, que a comunicação social era o quarto poder e tinha o grande alcance de transformar mentalidades e fazer alguma diferença nas nossas sociedades. Mudei muito a maneira de ver a caixinha mágica. Mudei muito a maneira com que olho para uma profissão que sempre ambicionei desempenhar. Desiludi-me. Mas uma coisa posso afirmar: a nossa televisão diz muito sobre a sociedade que somos. (Claúdia Silva) * Ao ler o comentario achei que ja tinha lido aquilo nalgum lado. Aqui esta a noticia do Spiegel-online de 22.08.05. (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: QUANDO TUDO CONTINUA A ARDER ![]() Em visita recente a Espanha, numa incursão de pouco mais de 100 km, é evidente o contraste verificado no que respeita a incêndios florestais. No nosso país são por demais evidentes os sinais de fogo: mata ardida, floresta destruída, cheiro a queimado, horizonte enegrecido. A paisagem portuguesa revela na sua maior extensão montes despidos de vegetação, desordenamento na pouca florestação existente, matas compostas na sua maioria de pinhais, que cresceram à lei da natureza, sem corta-fogos, sujos de arbustos e vegetação rasteira e apresentando sinais de abandono e de desorganização. O primeiro sinal de diferença foi-me dado à saída de Portugal na fronteira de Quintanilha. Vestígios recentes de um incêndio que lavrou no local e devastou uma grande área. Este quadro constitui, logo à entrada, um cartão de visita pouco digno para quem nos visita. Nas dezenas de kms que percorri no país vizinho, em direcção a Zamora, a vegetação é constituída ainda por abundantes conjuntos de carvalhos, árvore autóctone, abrigo e sustento de variadas espécies cinegéticas, muito menos propícias à deflagração de fogos de Verão. Só a alguns kms das vias rodoviárias se podem ver, de quando em quando, e, preferencialmente nas encostas das colinas, matas de pinheiros, perfeitamente alinhados, todos do mesmo calibre, denotando uma clara organização e predisposição para a sua rentabilização, com largos corredores sem vegetação, de modo a haver limitações a possíveis incêndios. Afastados e protegidos da presença humana. Tudo denota uma organização e um planeamento que contrasta de forma gritante com o nosso caos. No regresso e a cerca de trinta km do nosso país, vislumbro uma coluna de fumo que indiciava um incêndio florestal. Tive uma leve esperança que seria no país vizinho. Acelerei um pouco mais, na ânsia de saber a sua exacta localização. Pouco depois saíram-me frustradas as expectativas. O fogo era novamente em Portugal. Tinha tudo voltado à normalidade! (José Alegre Mesquita, Carrazeda de Ansiães) * Há efectivamente um aproveitamento feito pelos meios de comunicação social (sobretudo da televisão - onde o sentimento tem mais peso do que a razão e a explicação) dos sentimentos da população afectada pelos incêndios (desespero, raiva, angústia, dor...). Porém, a selecção dos sentimentos tem sido feita de forma bastante interessante. Na noite de ontem estive (porque moro em Coimbra) também a ajudar pessoas amigas que procuravam travar o avanço das chamas. Uma multidão subia e descia a rua, corria com baldes, pedia mangueiras, e ajuda, gritava, chorava... E criticava o governo e a actuação das entidades públicas responsáveis. Várias vezes o faziam. Não queriam com isto tirar as culpas que muitos proprietários têm por não cuidarem das suas terras, mantendo-as limpas, ou que recusam a ajuda de funcionários de limpeza das juntas de freguesia que para isso se disponibilizam (porque também disso se falou, já que estava presente um elemento da junta de freguesia em questão). Mas não esqueciam as responsabilidades que entidades estatais têm. Assim sendo, não percebo por que motivo nunca se ouve na televisão, no meio de tantos desabafos da população, críticas ao governo. Só porque são desabafos sem fundamento? Porque são injustos? Porque são apenas isso, desabafos? Mas o Primeiro Ministro também teve um desabafo quando se sentiu prejudicado pelas críticas que sofreu por não ter interrompido as suas férias. E esse desabafo (esse sim, sem fundamento) passou na televisão. Nota positiva para a TSF, que às 4h da manhã dava notícias actualizadas sobre a situação dos fogos em Coimbra (entre outras regiões), e para o Presidente da Câmara, Carlos Encarnação, que falou a essa hora em directo e mostrou um interesse pela situação que o Primeiro Ministro tardou em mostrar. (Paulo Agostinho) (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: FALTA DE RESPEITO PELO TRABALHO DOS OUTROS Vivo em Coimbra. Numa cidade engolida em fumo e cinza, há, para a maior parte das pessoas, assuntos justamente mais prementes que aquele que hoje aqui me traz. Contudo não consigo deixar de pensar que é importante discutir-se uma questão que surgiu recentemente e que não me parece estar a ter o desenvolvimento que merece. Uma companhia de teatro, "Fatias de Cá" terá feito uma utilização abusiva ou pouco acautelada, do texto de Miguel Sousa Tavares. A ser verdade, não me surpreende pois houve uma ocasião em que uma outra companhia de teatro pretendia encenar "Constantim, guardador de vacas e de sonhos" e no lugar do autor aparecia não o nome de Alves Redol, mas da pessoa responsável pela adaptação... a qual não acolheu a minha crítica, quando confrontado com ela! Esta falta de respeito pelo trabalho dos outros - e na blogoesfera não faltam reparos ao modo como, por exemplo, a imprensa escrita omite as fontes, nomeadamente blogs, onde encontra a informação ou sugestão dos temas que depois desenvolve e publica - não será o outro lado daqueles que só falam, só escrevem, só se exprimem a coberto do anonimato? Dito de outro modo, quando tanta gente não se respeita o suficiente para ter a dignidade de dar a cara por aquilo que pensa, como esperar que possa respeitar o que pertence aos outros? O que faz a Sociedade Portuguesa de Autores? e a Comissão dos Direitos de Autor? (Ana Pires) * Foi tal o entusiasmo com que li o livro "Equador", que, logo aquando da sua publicação, senti um irreprimível impulso a divulgá-lo, recomendando-o a todos como uma obra imperdível. Miguel Sousa Tavares tem todos os motivos para sentir orgulho do seu trabalho e pretender preservá-lo. (url) COISAS SIMPLES / COMPLICADAS
![]() Georgia O'Keeffe, Abstraction (url)
EARLY MORNING BLOGS 585
Un lever de soleil L'Orient jaillit comme un fleuve, La lumière coule à long flot, La terre lui sourit et le ciel s'en abreuve Et de ces cieux vieillis, l'aube sort aussi neuve Que l'aurore du jour, qui sortit du Très Haut. Et des pleurs de la nuit, le sillon boit la pluie, Et les lèvres de fleurs distillent leur encens, Et d'un sein plus léger l'homme aspire à la vie Quand un esprit divin vient englober ses sens. Notre terre éblouie du rayon qui la dore, Nage plus mollement dans l'élastique éther, Comme un léger nuage enlevé par l'aurore Plane avec majesté sur les vagues de l'air. Les pointes des forêts que les brises agitent, Bercent l'ombre et la fraîcheur pour le choeur des oiseaux ; Et le souffle léger des ondes pures qui palpitent Parfume en s'exhalant le lit voilé des eaux. Celui qui sait d'où vient l'aurore qui se lève, Ouvre ses yeux noyés d'allégresse et d'amour, Il reprend son fardeau que la vertu soulève S'élance, et dit " Marchons à la clarté du jour ! " (Alphonse Lamartine) * Bom dia! (url) 22.8.05
AINDA BEM! - A TIRINHA QUE PASSA EM BAIXO
"Como seja usar-se a tirinha em baixo, [nos noticiários] (...) para informar sobre os incêndios (...) pelo menos com a identificação do concelho e das freguesias, para ser útil às pessoas que lá vivem. Porque , convém lembrar, os incêndios são mais do que notícia, para quem vive perto deles, ao lado deles." escreveu-se aqui. A RTP está a fazê-lo no seu noticiário das 20 horas. Ainda bem! Mérito da RTP. (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O FOGO QUE ARDE SEM SE VER / O FOGO QUE ARDE PARA SE VER ![]() É de estranhar, ou talvez não. Onde estou a ter uma noção mais real dos incêndios que assolam Portugal, é nos meios de comunicação internacionais - El Pais, CNN, BBC, O Estado de São Paulo. Por cá, uma notícia ou outra, sempre tarde, sempre depois dos jornais online estrangeiros. Faço um esforço enorme para tentar não comparar este caso com um que se passou há bem pouco tempo: o do Prestige, em Espanha. Tudo o que se sabia, sabia-se primeiro "lá fora". Porquê? (Rodrigo Reis) * Li o seu post, compreendo a indignação mas estou em paz em relação ao fenómeno que descreve pelo simples facto de que não é suposto haver notícias nos orgãos de informação, em especial nos notíciários da televisão, apenas espectáculo. Infelizmente nem como espectáculo é bom. A metodologia é sempre a mesma. Está tudo a arder numa povoação da qual nunca ninguém ouviu falar, e logo o jornalista repete à exaustão o nome da povoação por si descoberta (aquele lugar literalmente apareceu no mapa com a chegada do jornalista, supõe-se). Depois há que filmar muita chama. O que ardeu, onde ardeu, quando ardeu, porque ardeu interessa apenas como fundo sonoro às chamas, e na medida em que possa ser expresso sobre a forma de lamentos pela riqueza ardida, dos trabalhos de vidas perdidos num segundo, das casas cercadas de chamas. Meter a câmara dentro do fogo ou debaixo dos baldes dos helicópteros. Isso é o mais importante. Os jornalistas de serviço aos incêndios repetem-se. A sua voz cansa mais que as imagens do incêndio. Fazem-me lembrar o Rufino a discursar no Teatro da Trindade, em Os Maias. Tudo muito palavroso, arte nenhuma. Assim os incêndios têm sempre origem criminosa (o jornalista consegue sempre encontrar alguém disposto a afirmá-lo), os meios nunca chegam (pois se está tudo a arder!), perdeu-se sempre imensa riqueza, (a mata estava ao abandono, por limpar, prevenção não se fez, planos de emparcelamento nunca houve, mas foi o trabalho de uma vida que desapareceu, assim se trata a riqueza em Portugal). Análise crítica da situação, do âmbiente, das causas, zero. As emoções de quem chora a perda do que era seu são exploradas até ao tutano. Velhinhos a chorar, homens feitos de voz embargada, mulheres estéricas, o povo a correr de um lado para o outro, alguém que não perdeu nada e só viu arder a pedir a pena de morte para os incendiários! É impressão minha ou existe preconceito social nas representações mediáticas destes pobres rurais? Que tenhamos de viver com o infotainment, deverá ser uma daquelas fatalidades geradas pela sociedade em que vivemos. Mas será que as televisões consideram o seu público tão formatado, tão igualizado, tão despersonalizado, a ponto de, em plena época de marketing directo, em que as fábricas de automóveis não produzem dois carros iguais seguidos, os noticiários sejam todos ... modelo T. (Mário Almeida) * Se calhar era uma boa altura para através dos blogs se referenciarem os fogos e sua gravidade. Desde ontem que através da rádio ouço falar em um grande incêndio em Viana do Castelo, na mata junto ao monte de Santa Luzia (correm as festas da Agonia…) pela Renascença sei que já foi evacuado um hotel e foi mesma considerada a hipótese de evacuar o Hospital de Viana (a acontecer creio ser caso raro no nosso país). Vivo em Braga, da minha janela, há mais de 24 horas que ao longe tenho um fogo imenso entre os concelhos de Braga e Barcelos… ninguém dá conta nas notícias. Quanto a ministros… um que disse que não se passearia junto ao fogo para aparecer na TV (deve haver um registo disso numa qualquer acta da Assembleia da República), aparece agora, qual emplastro, no ombro de um primeiro ministro que pelo segundo dia está na região centro… Creio que muitas leituras políticas se poderiam fazer destes actos… (Emanuel Ferreira) (url) (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O KURSK DE JOSÉ SÓCRATES ![]() RECENTEMENTE, quando um pequeno submarino russo esteve em dificuldades, foi feito um apelo à ajuda internacional e, mesmo em cima da hora, a tripulação foi salva. Quando o drama se iniciou, todos se recordaram do desastre do Kursk, cujos marinheiros, muito possívelmente, foram vítimas da arrogância do Poder. Lembro-me bem de, nessa altura, ter estranhado que Putin, de férias nas praias do Mar Negro, não as tenha interrompido. Claro que ele não era mergulhador (como Sócrates não é bombeiro) mas, dada a sua posição, talvez tivesse podido tomar algumas iniciativas que salvassem as vidas daqueles homens. De qualquer forma, a sua atitude de continuar as férias como se não fosse nada, foi um «sinal» de frieza e de insensibilidade que caiu mal. Ora, é nessa «gestão dos sinais» que os políticos, rodeados de assessores e yes-men que os isolam do mundo-real, são muitas vezes extremamente desastrados. Eles não conseguem, pura e simplesmente, aperceber-se de como são vistos pelos outros. No nosso caso, só assim se compreende a displicência com que, ultimamente, o governo de Sócrates e ele em pessoa têm dado sucessivos tiros-nos-pés como se fosse a coisa mais natural deste mundo. A expressão brasileira «eles não se enxergam» tem outro significado, eu sei. Mas às vezes apetece usá-la, aqui e agora... (C. Medina Ribeiro) (url) OUVINDO BOB DYLAN
![]() (url) COISAS SIMPLES
![]() Alfred Stieglitz, Lake George, Grasses, New York (url)
EARLY MORNING BLOGS 584
Une lice étant sur son terme, Et ne sachant où mettre un fardeau si pressant, Fait si bien qu'à la fin sa compagne consent De lui prêter sa hutte, où la lice s'enferme. Au bout de quelque temps sa compagne revient. La lice lui demande encore une quinzaine ; Ses petits ne marchaient, disait-elle, qu'à peine. Pour faire court, elle l'obtient. Ce second terme échu, l'autre lui redemande Sa maison, sa chambre, son lit. La lice cette fois montre les dents, et dit : « Je suis prête à sortir avec toute ma bande, Si vous pouvez nous mettre hors. » Ses enfants étaient déjà forts. Ce qu'on donne aux méchants, toujours on le regrette. Pour tirer d'eux ce qu'on leur prête, Il faut que l'on en vienne aux coups ; Il faut plaider, il faut combattre. Laissez-leur prendre un pied chez vous, Ils en auront bientôt pris quatre. (La Fontaine) * Bom dia! (url) 21.8.05
O PRIMEIRO-MINISTRO E OS FOGOS ![]() Quem disse que ele não fazia diferença, não tem reparado nos detalhes: pela primeira vez, o pedido à UE de meios suplementares; o uso mais intensivo de militares. Mas as “férias” vão sempre inquinar esta questão, porque o PM está inibido de alguma vez admitir a gravidade dos incêndios sem se pôr em causa. Vai tentar remediar, mas é tarde. O governo vai sempre minimizar os fogos e a falta de meios, para se justificar. (url) AR PURO
Karl Pierre Daubigny (url)
(NOT SO) EARLY MORNING BLOGS 583
She sat at the window watching the evening invade the avenue. Her head was leaned against the window curtains, and in her nostrils was the odour of dusty cretonne. She was tired. Few people passed. The man out of the last house passed on his way home; she heard his footsteps clacking along the concrete pavement and afterwards crunching on the cinder path before the new red houses. One time there used to be a field there in which they used to play every evening with other people's children. Then a man from Belfast bought the field and built houses in it - not like their little brown houses, but bright brick houses with shining roofs. The children of the avenue used to play together in that field - the Devines, the Waters, the Dunns, little Keogh the cripple, she and her brothers and sisters. Ernest, however, never played: he was too grown up. Her father used often to hunt them in out of the field with his blackthorn stick; but usually little Keogh used to keep nix and call out when he saw her father coming. Still they seemed to have been rather happy then. Her father was not so bad then; and besides, her mother was alive. That was a long time ago; she and her brothers and sisters were all grown up; her mother was dead. Tizzie Dunn was dead, too, and the Waters had gone back to England. Everything changes. Now she was going to go away like the others, to leave her home. (James Joyce, "Eveline", Dubliners) * Bom dia! (url) A LER / VER ![]() Na Bomba Inteligente a utilização pioneira em blogues portugueses do som e imagem. Só que talvez fosse bom dar-nos a opção de ver e ouvir, porque abre-se um blogue e, de repente, o computador está a cantar ou a falar e a gente só a querer ler... No Bloguitica AGENDA-SETTING e WATCHDOGS, UMA VEZ MAIS..., SOBRE O ANONIMATO NA BLOGOSFERA, AINDA OS WATCHDOGS/WATCH BLOGUES, etc. ![]() Acrescento o meu inteiro acordo com tudo o que ali vem escrito, e duas pequenas observações (se tiver tempo voltarei a estes assuntos com mais extensão, em particular à questão do anonimato): uma, é que, como era previsível, a ocultação deliberada do movimento dos blogues a favor da divulgação dos estudos da OTA - e quase nenhum jornal noticiou a sua existência a não ser a posteriori, quase duas semanas depois, e não foi porque não soubessem ou porque não era notícia - não resultou; a outra, é que se o autor do Bloguitica (e por extensão o leitor habitual de blogues) dá por ela de casos como o do estudo de Marvão Pereira, no Abrupto abundam múltiplos exemplos, muito para além das vezes que é citado. Já para não falar de quase plágios e utilização abusiva do trabalho alheio, sem citação. Passemos adiante. O problema é que até agora isto escapava ao conhecimento público, e hoje é mais difícil fazê-lo pela calada, daí a irritação e a tentativa de minimização dos blogues, evidente no caso OTA e noutros casos. O papel da citação nos blogues também permite perceber o erro fundamental de análises como a que Querido faz no Expresso e que mais do que uma verdadeira análise é uma opinião pessoal (ou um desejo) para a qual se procuram frágeis dados de suporte. Aliás nem sequer é nova a opinião, já foi repetida várias vezes no passado como uma espécie de wishful thinking. Será repetida tantas vezes quantas for preciso até, um dia, se verificar. Talvez. É que qualquer análise dos blogues, principalmente dos que escrevem sobre política, que não são necessariamente blogues políticos, não pode deixar de ter em conta outro elemento fundamental para além das “audiências”, o sistema de referências cruzadas de citação. É aí que se pode medir melhor a influência e não é por acaso que a Technorati o usa para fazer as suas listas. É por isso que o Bloguitica, o Causa Nossa, o Blasfémias, ou o Blogue de esquerda, do mesmo modo que os blogues de Mexia e Francisco José Viegas que tem (tinham, terão) também conteúdo político, podem (podiam) ter menos leitores do que o Barnabé, mas são (e foram) mais influentes do que este. Essa influência é tanto mais importante quanto ultrapassa os grupos de afinidade, as coteries de elogio mútuo, que abundam na blogosfera. A dependência estrita da agenda comunicacional, que normalmente traduz a intencionalidade política, não é nos blogues uma boa maneira de ter influência, porque não é aqui competitiva nem com a opinião escrita na comunicação social, nem com o jornalismo. Os autores de blogues deste tipo,que emigraram para a comunicação social tradicional, fazem o caminho normal e é natural que se desinteressem dos blogues. Há excepções como é da regra. É tão evidente que este é um elemento crucial na análise de qualquer influência na blogosfera que parece absurdo pretender que blogues que nunca aparecem citados na blogosfera possam ser recordistas de audiência. Não há na blogosfera blogues secretos, onde toda a gente vai e ninguém fala, (nem mesmo os eróticos e pornográficos), e muito menos o seriam blogues como Poemas de Amor e Dor , – alguém já lá foi para ver que é? Vale a pena para se ver o absurdo das conclusões do Expresso - ou o GatasQB , que não é um verdadeiro blogue (como o Belle de Jour é) , mas uma colecção de fotos de mulheres, que tanto podia ser uma página pessoal ou um site, e usar estes "dados" para argumentar qualquer tese. Já para não falar do Hollywood, que tem (até ontem) uma média de visitas de 258 (46º no Blogómetro), e possa ser apresentado como “o blogue mais lido do espaço português”. O trabalho de Querido não tem por isso qualquer valor como análise. * Acabo de ler (...) uma referência ao blog Bomba-Inteligente, atribuindo-lhe a "utilização pioneira em blogues portugueses do som e imagem". Porque tal não corresponde à verdade, gostaria de deixar aqui o meu reparo. Não se trata duma questão importante, porque de facto não o é, mas porque sei que é dado aos rigores próprios da ciência histórica e porque a autora do Bomba inteligente também não se deu à maçada de desfazer essa imprecisão, eis a razão deste meu mail. (url) LER OS JORNAIS / VER A TELEVISÃO E NÃO ENCONTRAR AS NOTÍCIAS ![]() 1. Experimentem procurar nos órgãos de informação uma notícia. Uma notícia necessária, útil, para quem está rodeado pelo fumo e lhe cai cinza em cima. Onde é que há incêndios, qual a sua gravidade? Bem podem procurar que não encontram. Experimentem procurar na televisão, nos noticiários, que não encontram. Nos noticiários a informação depende das imagens e as imagens são quase sempre obtidas sobre os fogos como estavam, quando foram recolhidas as imagens e não como estão. Como estão, depende da presença de jornalistas nos locais para haver directos. Ora os jornalistas quase sempre vão (foram) para os fogos mais antigos, e não para os mais recentes. Por isso, várias horas depois de se ver um grande fogo na serra ao lado, ele, quando muito, está no noticiário do dia seguinte, a não ser que haja mortos e feridos. 2. Com as tecnologias modernas de informação ao dispor de uma redacção e mesmo com meios humanos mais escassos devido às férias, isto é um mau trabalho, um trabalho feito de rotinas que não se adaptam a informar, a informar a tempo, para que as notícias sirvam as pessoas. Os jornais também não são muito úteis, mesmo os que têm actualizações em linha, porque as notícias da Lusa são demasiado genéricas. PARA O FUTEBOL TODOS OS MEIOS, PARA OS INCÊNDIOS O QUE SOBRA 3. Isto é mau trabalho, porque se aos incêndios fossem aplicadas as tecnologias e a vontade, esta é que é a questão, a vontade, que se dedica ao futebol, onde o mínimo sobressalto de um jogador ou treinador, é extensivamente coberto em tempo quase real, já para não falar dos golos, talvez houvesse melhor informação sobre uma matéria de mais relevante interesse público. A TIRINHA QUE PASSA EM BAIXO 4. Como seja usar-se a tirinha em baixo, que agora serve para manter a boa consciência editorial de que sempre se dão as notícias importantes, pelo menos na tirinha, para informar sobre os incêndios, perdão, as “ignições”, que não estão “circunscritas”. Pelo menos com a identificação do concelho e das freguesias, para ser útil às pessoas que lá vivem. Porque , convém lembrar, os incêndios são mais do que notícia, para quem vive perto deles, ao lado deles. O USO ESCASSO E RUDIMENTAR DE MAPAS 5. Ou rever de vez o uso arqueológico dos mapas nos noticiários, um bom exemplo do desleixo das redacções na utilização de tecnologias mais que disponíveis. Os mapas que aparecem nas notícias para além de muito escassos, - mapear informação sobre incêndios é um upgrade importante no conteúdo informativo – são rudimentares, e imprecisos. Acaso a sobreposição sobre esses mapas de figurinhas com chamas por cima das capitais de distrito é informação? As redacções lisboetas acham que os lisboetas sabem onde é a Pampilhosa da Serra? Ou Valongo? Ou os portuenses sabem onde é Ourém? NO PÚBLICO NADA ACONTECEU ONTEM 6. Não sei se isso se deve a faltas de texto na edição digital ( a única que consultei), ou a uma sua arrumação inesperada, mas não encontro no Público de hoje qualquer notícia relevante sobre o que aconteceu ontem, quando o país teve uma das séries mais graves de incêndios. No “Nacional”, nada; na “Sociedade” (o Público noticia habitualmente os incêndios na “sociedade”, deve ser uma metáfora), nada. Alguma coisa apenas nos suplementos locais, mas sem actualização. * Para ter notícias em tempo real sobre os incêndios, o melhor meio é ainda a rádio. Tenho ouvido a Antena 1 nos últimos tempos, e costumam referir os locais dos incêndios. Há depois as fotografias de satélite do dia anterior (nem sempre encontro a fotografia da Península Ibérica, pelo que deduzo que a cobertura não é completa). A fotografia de ontem mostra um impressionante "enxame" de incêndios, especialmente no norte de Portugal. (A.) * À falta de informação mais precisa e consistente na comunicação social sobre a grave situação que actualmente devasta o país, julgo que os dois links que abaixo transcrevo poderão deixar uma imagem clara da tragédia que actualmente nos atinge, aqui e aqui. (url)
© José Pacheco Pereira
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