| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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16.8.08
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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DOS AMERICANOS CONTRA OS AMERICANOS (5)
Durante a guerra civil, as instituições da democracia americana funcionaram nos dois lados. No Norte houve eleições, que Lincoln correu o risco de perder, e no Sul as instituições de governo central em Richmond e nos estados confederados funcionavam na base dos fundamentos constitucionais comuns. A separação dos poderes existia e o poder civil sobrepunha-se ao poder militar. Os militares do Norte respondiam perante Lincoln e o seu governo e os do Sul perante Jefferson Davis e o seu governo. Durante a guerra, a liberdade da imprensa manteve-se no essencial dos dois lados e artigos críticos da condução das operações militares e do comportamento dos políticos eram comuns. A abundante correspondência que os militares em campanha enviavam para as suas famílias, revela um clima de total liberdade de opinião, sem receio de criticar os seus superiores e de descrever as condições difíceis em que os soldados viviam. O teor dessa correspondência seria impossível por exemplo na I Guerra Mundial, em que as censuras militares cortariam certamente muito do que estes homens e mulheres (para além das enfermeiras, algumas mulheres vestidas de homem combateram na guerra) escreviam.A existência de um património legal e constitucional comum, muito mais forte do que por exemplo nas guerras civis do século XX (guerra civil mexicana, guerra civil espanhola, revolução russa, etc.), foi um factor na capacidade de ultrapassar as sequelas da guerra. (url) (url) (url) 1361 - A un Poeta Menor de 1899 Dejar un verso para la hora triste
que en el confin del día nos acecha, ligar tu nombre a su doliente fecha de oro y de vaga sombra. Eso quisiste. !Con qué pasión, al declinar el día, trabajarías el extraño verso que, hasta la dispersión del universo, la hora de extraño azul confirmaría! No sé si lo lograste ni siquiera, vago hermano mayor, si has existido, pero estoy solo y quiero que el olvido restituya a los días tu ligera sombra para este ya cansado alarde de unas palabras en que esté la tarde. (Jorge Luis Borges) (url) 15.8.08
(url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 15 de Agosto de 2008 No Público de hoje esta estranha frase muito pouco jornalística: Dos EUA, George W. Bush repetiu o mantra da necessidade de assegurar a integridade territorial da Geórgia. (sublinhados meus). "Mantra"? * No Diário de Notícias eu divirto-me todos os dias a ler a mais tendenciosa cobertura do PSD que existe na imprensa portuguesa (com excepção do Semanário, mas este não é verdadeiramente um jornal), uma espécie de boletim de amigos de Passos Coelho, disfarçado de jornalismo. Já não é de agora, já vem de há muito tempo e é tão evidente, tão clara, e, no fundo, tão inócua, que só pode ser lida com boa disposição. Só para o jornal é que a coisa é péssima, mas não tenho dúvidas que qualquer profissional com tarimba, e há muitos no Diário de Notícias, percebe à légua os "recados" sucessivos e o bias. (url) (url) 1360 - Passeio Alegre
Chegaram tarde à minha vida as palmeiras. Em Marraquexe vi uma que Ulisses teria comparado a Nausica, mas só no jardim do Passeio Alegre comecei a amá-las. São altas como os marinheiros de Homero. Diante do mar desafiam os ventos vindos do norte e do sul, do leste e do oeste, para as dobrar pela cintura. Invulneráveis — assim nuas. (Eugénio de Andrade) (url) 14.8.08
(url) COISAS DA SÁBADO: OS COMENTÁRIOS DA CERIMÓNIA ![]() Os comentadores da RTP2 da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos resolveram que a sua competência incluía fazer comentários políticos totalmente despropositados para a função a que foram chamados. Para além das considerações de café sobre a China, resolveram insultar Bush, uma actividade que lá por ser muito comum, nos deveria ser poupada quando não queremos mais do que ver os Jogos. Os comentários incluíam insultos pessoais ao Bush - atrasado mental que, entre outras coisas, se tinha dedicado a insultar os seus anfitriões acusando-os de violar os direitos humanos. Com Bush é preso por ter cão e é preso por não ter cão. O homem não se calou sobre os problemas de direitos humanos na China, como muitos micro-dirigentes europeus que estão sempre com a boca cheia de proclamações, mas chegados à China é só silêncios acomodados, logo leva tareia dos nossos comentadores da televisão pública. Mas, como por cá ninguém liga nenhuma ao fazer-se o que não se deve e a impunidade é total, lá continuaram os comentários. (url) Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver. (Fotografia pinhole de António Leal)
(url) (url) O último líder nacional do PSD, Marques Mendes, que não era apoiado pelo dirigente do PSD Algarve, foi sujeito a uma humilhação em público na Festa do Pontal. Depois de lá estar, não havia volta a dar, foi só minimizar os estragos e fazer cara alegre, mas ninguém que se dê ao respeito pode alinhar com estas coisas. Da maneira que o PSD ainda está por dentro, feudalizado, com núcleos muito agressivos de militantes e estruturas que preferem mil vezes que Sócrates ganhe as eleições a que Manuela Ferreira Leite o possa fazer, porque pensam apenas no seu poder interno abalado pela vitória de Maio, há que compreender que há gente capaz de tudo. Como seja colocar Manuela Ferreira Leite a ouvir uma apologia exaltada do regionalismo algarvio, originando um incómodo que seria sempre o objecto das notícias, sem qualquer vantagem para o projecto nacional do PSD. Para além disso, o PSD para poder de novo ser ouvido pelo país tem que ir buscar outra imagem, outra “conversa” com ele, que não passa pelo tipo de comício regional em que se tornou o Pontal. Os militantes que lá vão merecem todo o respeito, mas se estiverem de boa fé, sabem muito bem que é de outras coisas que o PSD necessita para se tornar uma oposição credível. (url) (url) 13.8.08
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DOS AMERICANOS CONTRA OS AMERICANOS (4)
Uns e outros, "federais" e "confederais", encontraram-se frente a frente num conflito marcado pela sua extrema violência e letalidade, que ceifava todos os dias centenas e milhares de homens muitas vezes sem aparente ganho táctico ou estratégico de escaramuças e batalhas que deixavam mortos por todo o lado. A guerra apesar de ser "civil" envolveu no essencial apenas as forças armadas de cada um dos lados. Num ou noutro caso, os civis sofreram com os cercos e os bombardeamentos a cidades, mas a não ser que as suas casas ficassem no terreno da batalha, a guerra passava-lhes ao lado. Na batalha de Gettysburg há apenas uma vítima civil por uma bala perdida. Com excepção de alguns abusos, é uma guerra clássica entre exércitos e marinhas profissionais.A guerra começou com os exércitos a seguirem de um modo geral tácticas idênticas aos soldados de Napoleão. Os combates faziam-se entre corpos do exército que avançavam uns contra os outros com apoio de artilharia e cavalaria, disparando as suas armas e, nalguns casos, quando entravam em contacto, terminando em combate corpo a corpo. Estas tácticas eram já profundamente desadequadas da evolução ocorrida nas armas de fogo individuais e na artilharia, o que explica o elevado número de baixas. Em muitas batalhas da guerra grupos de milhares de homens avançavam uns contra os outros debaixo de nuvens de metralha, balas, explosões de artilharia. Milhares de mortos e feridos ficavam no terreno, enquanto os sobreviventes continuavam a avançar sem qualquer possibilidade de chegar aos seus objectivos. Na fase final da guerra começaram a aparecer trincheiras nas linhas de defesa, obrigando a impasses e paragens semelhantes aos da I Guerra Mundial. O poder dos novos explosivos, a diversidade e especialização da artilharia, a generalização de armas de repetição, fez a guerra civil americana ficar entre duas experiências bélicas que caracterizaram o príncipio e o fim do século XIX, de Napoleão à guerra de 1914-8. Em muitas outras áreas, a guerra civil mostrou também novos modos de combate em terra (incursões e guerrilhas) e no mar e nos rios, onde quer submarinos rudimentares, quer os primeiros couraçados anunciaram novas formas de combate naval. (Continua.) (url) (url) (url)
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DOS AMERICANOS CONTRA OS AMERICANOS (3)
Os soldados eram mais diferentes do que os oficiais. Os soldados confederados eram na sua maioria rapazes das quintas e fazendas, habituados à vida do campo, caçadores, para quem uma espingarda e nalguns casos um cavalo, eram uma companhia habitual, tenazes e duros, capazes de grandes sacrifícios. Muitos deles combatiam descalços, porque as botas eram um bem precioso. Depois de alguns combates, que se seguiam a marchas forçadas por terrenos pedregosos, os feridos e os mortos do Sul espantavam os homens do Norte por terem os pés em sangue. Muitos oficiais espantavam-se com a tenacidade destes homens que marchavam nestas condições, com forte ânimo e determinação, marcado pelo célebre "grito dos Rebeldes" que as tropas do Norte nunca ouviam sem temor.Os soldados do Norte tinham uma composição social e étnica mais heterogénea. Havia também gente da fronteira, de estados que ficaram fiéis à União, mas muitos eram rapazes e homens vindos das cidades, mineiros, tipógrafos, operários, ferroviários, recém emigrantes vindos da Europa, menos acostumados à arregimentação e à vida militar. A dureza da guerra, para os soldados era enorme, dias e noites seguidas de marcha, muitas vezes debaixo de chuva, no meio de terrenos pantanosos, sem descanso, entrecortados por confrontos diurnos (por regra não se combatia de noite), quase sempre num estado de extremo cansaço, dormindo onde se parava, no chão, com pequena protecção e, no caso dos soldados do Sul, com enormes dificuldades de abastecimento e muita escassez de alimentos. (Continua.) (url)
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DOS AMERICANOS CONTRA OS AMERICANOS (2)
A maioria dos oficiais na guerra civil eram militares profissionais quer na "União", quer na "Confederação", tinham passado por West Point, onde aliás muitos dos que mais se notabilizaram na guerra tinham sido maus alunos nos seus cursos. Oficiais do Norte e do Sul eram muitas vezes parentes, amigos e companheiros de curso e os seus códigos de honra e formação militar idênticos. Durante toda a guerra realizaram-se trocas de oficiais prisioneiros, numa noção cavalheiresca do combate. Estas trocas de prisioneiros só foram postas em causa quando o Sul se negou a tratar os militares negros do Norte como fazia com os brancos. Como veremos em seguida, ser oficial não significava resguardo na batalha: muitos oficiais generais, mesmo ao mais alto nível, foram feridos e mortos em combate, conduzindo as operações na frente ou numa rectaguarda muito próxima. Mesmo os comandantes supremos, como Grant e Lee, estiveram em determinados momentos debaixo de fogo. As mesmas balas Minié, especialmente concebidas para matar, derrubaram muitos dos comandantes mais populares entre os seus homens e muitas vezes bastava uma bala, mesmo que em partes do corpo não consideradas vitais.Os soldados eram mais diferentes do que os oficiais. (Continua.) (url)
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DOS AMERICANOS CONTRA OS AMERICANOS (1)
David J. Eicher, The Longest Night. A Military History of the Civil War, Pimlico, 2002Este livro foi o meu "companheiro" nos últimos dois meses, o tempo que, no meio de várias andanças, demorei a lê-lo. É um grande livro no duplo sentido de ser um excepcional estudo de história militar, como de ter quase mil páginas, lidas de uma ponta à outra na companhia de longas noites. Já o tinha "usado", agora li-o. A guerra entre americanos da "União" e americanos da "Confederação" é tão fundamental para compreender os EUA como o seu momento fundador. Ela envolveu num conflito épico, homens excepcionais que pareciam dias antes serem comuns, e homens comuns que se comportaram como homens excepcionais, o que não é a mesma coisa. No início da década de sessenta do século XIX, os EUA ainda se estavam a "fazer", importantes partes de terra permaneciam ainda nas mãos dos nativos, o Oeste ainda era o "faroeste", o telégrafo e os caminhos de ferro ainda estavam no início do seu efeito "unificador", e o complexo grupo de gentes que emigrava para a América ainda tinha frescas as suas memórias alemãs, russas, francesas, irlandesas. Um soldado conta numa carta aos seus familiares como alguns oficiais generais discutiam entre si no meio da batalha em alemão, e houve mesmo momentos em que regimentos constituídos por emigrantes europeus para o Norte industrial não percebiam as ordens dadas em inglês, na confusão da batalha e das línguas. Nos comandos militares havia antigos oficiais prussianos e russos e muitos que na vida civil eram políticos, advogados, jornalistas, empresários, e que se tornaram notáveis e corajosos militares. Tanto de um lado como do outro. (Continua) (url)
OUVINDO
Lou Reed pelos Velvet Underground. "Un' aura Amorosa" de Mozart por Pavarotti. Katyna Ranieri canta Dolce Vita. (url) (url) A LER PARA COMPREENDER OS TEMPOS DE HOJE ![]() ![]() ![]() O Tolstoi de Repin e um livro que tenho muito gosto em ajudar a promover, uma obra prima pouco conhecida (cá) sobre tudo o que é importante: a guerra, a morte, a dignidade individual, a honra, a coragem, o carácter trágico do destino, a história. (url) (url) MEMÓRIA Foto tirada no Caramulo, num antigo sanatório que hoje alberga doentes que sofrem de esquizofrenia. O senhor retratado, dono de uma elegância e brandura raramente vistas, cruzava-se comigo quase diariamente. Anda com um livro e um caderno debaixo do braço. Quando lhe disse que ia fotografá-lo, recebeu-me dizendo: “menina, ainda não tenho os versos prontos”. (Sandra Bernardo)
(url) Em sequência da série anterior. MOBY DICK = MOBY PILA Tal como o leitor mc também nasci na década de 70 e ainda tive a sorte de ver legendagem de alguma qualidade. Lembro-me particularmente de uma coisa muito comum que era a existência de consultores para determinados programas como algumas séries de ficção que abordavam temas mais específicos. Se a memória não me atraiçoa, a série "Ventos de Guerra" com o grande Robert Mitchum., tinha um consultor militar que assim facilitava a existência de maior rigor na tradução e legendagem. Lembro-me de ver o mesmo naquelas séries da BBC sobre a guerra fria que me punham a cabeça em água com aqueles argumentos muito intrincados, onde era comum haver consultores históricos ou militares. Hoje em dia já nada disso se verifica. (João Paulo Brito) * Viver melhor com a leviandade e o atrevimento Ofereceram-me um livro intitulado 'Viver melhor com a quimioterapia' ('Casa das Letras', Cruz Quebrada), traduzido do original francês 'Mieux vivre une chimiotarapie', de uma tal Astrid Le Mintier. Menciona-se que os tradutores são fulano e beltrano, que a revisão foi feita por sicrana e que houve a intervenção de uma 'técnica', uma enfermeira de nome português. No final da pág. 93 (até aí ainda resisti, mas logo coloquei a 'obra' de lado...) leio que as náuseas e os vómitos fazem parte dos efeitos secundários da quimioterapia, blá-blá, consequência dos medicamentos, (...) o estômago e os intestinos, 'bem como a moela e os elementos figurados do sangue'. E eu a pensar que não tinha moela -- ou que 'moeule épinière' (presumo, não vi o original...) se traduz em português por qualquer coisa diferente de 'moela'... Apetece pedir-lhes que vão chamar 'galinha' à avozinha... (J H Coimbra) * No ano passado, eu e uns amigos, preocupados com a crescente epidemia de erros ortográficos e traduções malfeitas em meios de comunicação, decidimos inaugurar um blogue que registava as situações que íamos apanhando. Falta-lhe actualização, mas alguns artigos dão conta de situações como as que foram relatadas pelos leitores do Abrupto: No nosso caso é meramente um incómodo, já que pertencemos a uma geração, nascida ainda nos anos 70, que teve uma formação de base mais exigente, logo a partir da escola primária. Mas assusta-nos o facto de sabermos que há pessoas, ainda em processo de alfabetização, que apreendem os erros ortográficos como norma e que nem sequer dão por eles. Sobretudo nas gerações surgidas durante os anos 80 em diante. Conheço mesmo uma pessoa, licenciada, que sempre deu erros ortográficos medonhos e é hoje professora de português no ensino secundário. Foi admitida no sistema de ensino. Completou um licenciatura de línguas sem dominar a língua portuguesa e hoje ensina-a aos portugueses nascidos há menos de 20 anos. É incrível, mas é verdade. Como é que isto acontece? A tradução para português de conteúdos estrangeiros nos meios de comunicação de massas não é uma questão menor: tem um impacto profundo num país com níveis galopantes de iliteracia e fraca formação cívica, que tem a televisão como único veículo de alfabetização. Gostaria de me juntar ao grupo de pessoas que se preocupa com estas coisas e fazer um apelo - alguém tem de fazer alguma coisa; fiscalizar, multar, legislar, enfim, fazer com que estas coisas não passem impunes. As empresas que fazem legendagem contratam trabalhadores a prazo sem qualificações, a recibos verdes, ou através de agências de trabalho temporário, porque lhes sai mais barato. A produção inocente de erros é inevitável em pessoas com pouca formação e experiência, sobretudo quando o trabalho é feito a troco de salários ridículos e sem fiscalização visível. Pois bem, se calhar há que garantir que isso sai caro às empresas que assim procedem. (mc) * Sinceramente, a questão da tradução acaba por não ser exactamente um problema, mas um sintoma. Talvez me esteja a tornar muito cínico, mas a verdade é que hoje em dia não consigo olhar para um telejornal sem me soar a falso, como se eles já não se importassem com o facto de tudo aquilo parecer feito "em cima do joelho". Parecem-me aquelas palestras ou comunicações a que por vezes se assiste, e em que temos consciência de que a platéia não percebe nada do que o orador está a dizer, ele próprio não percebe nada do que está a dizer, mas ninguém tem a coragem de lhe perguntar: "não percebi nada, importa-se de explicar melhor?" O elemento do contexto desapareceu quase completamente de todas as notícias; note-se que raramente vemos mapas nos telejornais de hoje, notícias internacionais aparecem sem a preocupação de explicar melhor exactamente de que zona estamos a falar. Hoje é a Geórgia e a Ossétia, dois países que não são exactamente Espanha e França em termos de geografia, provavelmente admitir que não se sabe a sua localização não é exactamente uma vergonha em Portugal, mas até agora não vi um único mapa nem ninguém a explicar onde estão as tropas russas. Aqui há umas semanas foi o "terramoto na China" o que é uma expressão ridícula considerando a dimensão do país. Ainda por cima, há de facto hoje oportunidades muito boas para optimizar os vários meios. Mas na verdade, parece que as televisões ainda acham que a Net é "uma chatice", algo que se tem de fazer só para dizer que se fez. Enquanto que há jornais que criam "dossiers" na Net, parece-me que a televisão tenta apenas imitar os jornais, fazer uma versão escrita daquilo que dizem. Seria possível, creio eu, encontrar uma melhor dinâmica, inserindo parte do contexto das notícias no site, e procurando activamente dirigir para lá os espectadores. É verdade que, tradicionalmente, a televisão é "soft" e os jornais são informação mais completa, mais dura. Mas essa tradição parece tornar-se uma desculpa para se desistir de fazer algo mais do que seja apenas editar e traduzir imagens "pre-packaged" que já vêm de fora. Há uma desresponsabilização dos operadores, e se sou obrigado a aceitá-la nos privados, posso dizer que fico desiludido por ver que para o canal de "serviço público" há mais serviço nas coisas "grandes" - como seja o futebol - do que nas pequenas, como estas de que falo aqui. Dizer "temos as melhores traduções" não dá mais espectadores à RTP, mas são as pequenas coisas consistentes que podem dar valor e criar uma diferença. Talvez um dia; até lá, ninguém tem a coragem de gritar "o Rei vai nú!". (Paulo L) (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: COMENTÁRIOS SOBRE A SAGA DOS SERVIÇOS PÚBLICOS E OS ANÚNCIOS DO GOVERNO Em sequência da série anterior. BOLSA DE EMPREGO PÚBLICO Quanto aos serviços que não funcionam, tenho outro caso que não tem sido muito falado. Trata-se do site da Bolsa de Emprego Público (BEP). Há uma particularidade interessante (só para não dizer estúpida) que é o facto de se ter de renovar a nossa inscrição de 3 em 3 meses. Ora, em qualquer site de uma empresa de recursos humanos, renovamos os nossos dados quando quisermos. Mas no caso da BEP, se não formos lá renovar a nossa inscrição no prazo que eles querem, aquilo bloqueia-nos o acesso. E o resultado é que temos de fazer tudo de novo, ou seja preencher dados pessoais e fazer o CV todo outra vez e agora com uma nova inscrição.Digamos que é um site "porreiro, pá!". (João Paulo Brito) CTT Tive um professor no IST que costumava dizer que os portugueses são muito bons a inventar coisas mas péssimos a mantê-las operacionais. Aqui fica mais uma prova de que ele tinha razão: Quando um utente dos CTT se dirige a esta máquina para comprar um selo correspondente à tarifa de livro, clica em Português > Correio Normal Nacional > Livro. Em seguida, a máquina pede-lhe que coloque o envelope na balança e, uma vez feito isso, responde: «O seu pedido não pode ser satisfeito. A correspondência ultrapassa o peso limite 0g». Ora, como os livros que pretendo enviar pesam sempre mais do que "zero gramas", a solução é ir para a fila - o que tenho de fazer várias vezes por semana. Já reclamei inúmeras vezes, por boca e por escrito. A resposta, na versão oral, é que «A máquina não está configurada»; na versão escrita, é: «(...) Pelo incómodo causado, que muito lamentamos, apresentamos o nosso pedido de desculpas, aguardando que nos volte a comunicar qualquer ocorrência futura que possa ser motivo de insatisfação». E mais não dizem - nem é preciso... (C. Medina Ribeiro) ÁGUAS DO PORTO Não sei se tem espaço para esta saga lá no Abrupto mas, de cada vez que vejo os comentários sobre os CTT (que subscrevo) lembro-me da minha saga, ainda em curso, com as Águas do Porto, que tentarei resumir. 1. Precisando de refazer a ligação de um contador de água de uma garagem do meu condomínio que estava desligado há anos, da primeira vez que ligo para as Águas do Porto, explicam-me que as informações que pretendo só prestadas entre as 9 e as 16h. 2. Lá arranjo um dia para estar ao telefone em casa essa hora (porque é sempre um telefonema demorado, com minutos imprevisíveis em fila de espera, sempre a pagar o que contra-indica chamadas a partir de telemóvel). Desta feita atende-me um sr que me dá notícias fantásticas: posso tratar de tudo por e-mail. 3. Mal podendo acreditar, envio toda a documentação necessária para o e-mail indicado no dia 0. 4. No dia 8, ainda sem ter notícias, resolvo telefonar a saber do meu pedido. Sou então informada de que os pedidos feitos por e-mail demoram mais de 1 mês, enquanto que os feitos ao balcão do Gabinete do Munícipe são tratados na hora. 5. No dia 10 vou ao gabinete do Munícipe, onde as Águas do Porto são o balco com maior demora, e após 2 horas de espera pedem-me uma cópia do e-mail enviado, que os documentos não valia a pena, e que aguardasse um contacto para se marcar a ligação. 6. No dia 19, ainda sem notícias, volto a ligar e sou informada de que me deveriam ter feito a marcação quando me desloquei ao balcão e que a chamada seria encaminhada para o “expediente” para resolução do assunto. Passo boa parte da manhã e da tarde ao telefone, enquanto espero passam as 16 horas pelo que, sem esperança, desligo. 7. No dia 22, volto ao Gabinete do Munícipe. Confirmam que sim, que o contrato deveria ter sido feito na anterior deslocação, ainda indagam quem me atendeu porque não o fez sendo a resposta “foi naquele dia que estava muita gente”. Saio com um contrato assinado e uma marcação de ligação para 48 horas depois. 8. Como a marcação não pode ser feita pelos serviços a uma hora exacta, mas sim “entre as 9 e as 13h”, alerto 2x vezes a funcionária que me atendeu para o facto de não estar ninguém na garagem e de ser necessário tocar no meu andar, 10 metros ao lado mas noutro número de outra rua. Garante-me com um sorriso de aplacar impaciências que isso está devidamente assinalado. 9. No dia 24, durante a manhã, recebo um telefonema de um electricista que por acaso foi à garagem avisando que me procuravam por lá. Era o funcionário das Águas do Porto e que não, que não tinha indicação para tocar em nenhum andar. Mas que, de qualquer modo, não seria possível fazer nada, disse, estendendo-me uma fotocópia de uma pré-instalação que um picheleiro que eu chamaria teria de realizar primeiro. Que ligasse para os serviços quando tivesse aquilo pronto para então, sim, se fazer a ligação. Perguntei o que havia de errado com a garagem, se até já tinha tido água. Que não havia nada, eram as coisas que mudavam. 10. Como ainda não arranjei um picheleiro, a saga está suspensa. Acrescento só que tentei reclamar no portal das Águas do Porto, mas, na página própria, as reclamações têm de se resumir a 250 caracteres. São espertos, eles sabem que é praticamente impossível contar estas histórias em tão poucos caracteres. (Mónica Granja) (url) 1358 - Now Close the Windows Now close the windows and hush all the fields:
If the trees must, let them silently toss; No bird is singing now, and if there is, Be it my loss. It will be long ere the marshes resume, I will be long ere the earliest bird: So close the windows and not hear the wind, But see all wind-stirred. (Robert Frost) (url) 12.8.08
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© José Pacheco Pereira
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