ABRUPTO

13.8.08


NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A GUERRA DOS AMERICANOS CONTRA OS AMERICANOS (1)

David J. Eicher, The Longest Night. A Military History of the Civil War, Pimlico, 2002

Este livro foi o meu "companheiro" nos últimos dois meses, o tempo que, no meio de várias andanças, demorei a lê-lo. É um grande livro no duplo sentido de ser um excepcional estudo de história militar, como de ter quase mil páginas, lidas de uma ponta à outra na companhia de longas noites. Já o tinha "usado", agora li-o.

A guerra entre americanos da "União" e americanos da "Confederação" é tão fundamental para compreender os EUA como o seu momento fundador. Ela envolveu num conflito épico, homens excepcionais que pareciam dias antes serem comuns, e homens comuns que se comportaram como homens excepcionais, o que não é a mesma coisa. No início da década de sessenta do século XIX, os EUA ainda se estavam a "fazer", importantes partes de terra permaneciam ainda nas mãos dos nativos, o Oeste ainda era o "faroeste", o telégrafo e os caminhos de ferro ainda estavam no início do seu efeito "unificador", e o complexo grupo de gentes que emigrava para a América ainda tinha frescas as suas memórias alemãs, russas, francesas, irlandesas. Um soldado conta numa carta aos seus familiares como alguns oficiais generais discutiam entre si no meio da batalha em alemão, e houve mesmo momentos em que regimentos constituídos por emigrantes europeus para o Norte industrial não percebiam as ordens dadas em inglês, na confusão da batalha e das línguas. Nos comandos militares havia antigos oficiais prussianos e russos e muitos que na vida civil eram políticos, advogados, jornalistas, empresários, e que se tornaram notáveis e corajosos militares. Tanto de um lado como do outro.

(Continua)

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© José Pacheco Pereira
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