ABRUPTO

30.1.07


JARDINS DE INVERNO

S. Miguel, Açores.

(Marco Ventura)

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JARDINS DE INVERNO

Pomar antigo de pereira rocha em leito de cheia.

(Nuno Matos Silva)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 30 de Janeiro de 2007


Acho obscena, assim mesmo: obscena, a utilização de crianças e adolescentes em programas como o Prós e Contras de ontem para falarem ou se manifestarem sobre o aborto. Tal me parece ser da mesma exacta natureza que o inquérito sobre os costumes sexuais dos pais, que tanta condenação suscitou e bem. Antigamente, no tempo em que os animais falavam, havia uma regra deontológica dos jornalistas que impedia entrevistas a menores sobre estes temas. Caducou?
NOTA: A Fátima Campos Ferreira informou-me que nenhum dos entrevistados tinha menos de 20 anos. Fica feita a correcção e apresentadas as desculpas devidas. Quanto à presença no programa de adolescentes, que se manifestaram como se de uma claque se tratasse, quer neste quer no anterior programa sobre o aborto, ela é incontroversa. Reitero no entanto, a referência a entrevistas a crianças e adolescentes sobre o aborto, em noticiários da RTP, como aquele em que se cobriu uma manifestação "pela vida". A questão deontológiva que pretendi levantar permanece váilida.
*

Um sinal de como as coisas estão para além da nossa enganadora vaidade futebolística: petição para manter o português na Universidade de Cambridge.
To: University of Cambridge
At present, papers on Portuguese Language, Linguistics, Literature, History and Culture of Portugal, Brazil and Portuguese-speaking Africa, covering periods from the 16th century to the present day are taught as a full Tripos language in the University of Cambridge. The Portuguese government grants 30 000 euros (about £ 20 000) to the University of Cambridge for their teaching of Portuguese, via the Instituto Camões which sponsors Portuguese language and their teaching worldwide.
Portuguese in Cambridge is a thriving and growing subject. It is vigorous in terms of research and publications and has been growing exponentially in student applications. Past postgraduates all now hold academic posts either in Russell Group universities or in major universities in the USA. Portuguese has been twice singled out for praise by University Reviews of the Faculty of Modern and Medieval Languages, and it is officially regarded by the Faculty and by the University as one of its success stories.
The Faculty of Modern and Medieval Languages has now endorsed the proposal to suspend Portuguese as a full Tripos language on financial grounds. This proposal was initiated not by the University but by the Department of Spanish and Portuguese, under no pressure and at no suggestion from either the University or the Faculty of Modern and Medieval Languages, and with total disagreement from the University Teaching Officer in Portuguese. If this proposal goes ahead, no student, whether undergraduate or postgraduate, will emerge from a degree in Cambridge with more than a reading knowledge of Portuguese. A postgraduate degree attempted by anyone with reading but no written or oral command of the language, would almost certainly be doomed to failure. This would also entirely discredit scholarship in that subject as well as the institution that purported to grant it.
If the University lacks the funding it has not been because of lack of payment by the Instituto Camões, and therefore it can be hardly understandable. This situation is a shame and it brings the University into disrepute. Portuguese is the fifth most spoken language in the world (about 232 000 000 native speakers), and a language of the European Union. It's the language of one of the world's largest and growing economy (Brazil). Portuguese as a language has an irrefutable role in World's History and Literature.
If you wish to object and express your views on the proposed closure of Portuguese at Cambridge, please sign this petition.

Sincerely,
The Undersigned
*
A petição para manter o ensino do português em Cambridge faz naturalmente sentido e assinei-a. Contudo, gostaria de fazer um par de comentários, espero que construtivos. Primeiro, talvez fosse útil apresentar simultaneamente o texto da petição em português, já que nem todas as pessoas interessadas em lê-la dominarão necessariamente o inglês e todas as assinaturas são importantes. Segundo, o texto diz que "o governo português disponibiliza 30.000 euros (cerca de 20.000 libras) à Universidade de Cambridge pelo seu ensino do português, por via do Instituto Camões" e, mais adiante, "Se a Universidade tem falta de fundos, ela não se deve a falta de pagamento por parte do Instituto Camões e, como tal, é dificilmente compreensível." Não será este raciocínio um pouco simplista, podendo mais tarde fornecer razão à Universidade de Cambridge para dar pouca importância à petição? Se as referidas 20.000 libras são uma contribuição anual do governo português (o texto não especifica), parece-me bem magra, não chegando sequer para cobrir o salário dum docente. E se esta é a única ou uma das principais fontes de financiamento do ensino do português na Universidade, então é afinal compreensível (o que não quer dizer louvável) que se considere a hipótese de lhe pôr fim... Julgo que a questão fulcral é a de como deve ser dividida a responsabilidade de financiamento do ensino da língua, entre uma Universidade estrangeira e o governo português. Assim, pergunto-me se a Universidade de Cambridge será o único destinatário óbvio duma petição como esta.

(Pedro Gomes)

*

Após ter recebido o tal email enviado pelo Sr. Pedro, decidi responder
detalhadamente acerca da sua questão. Recebendo agora este último email que transcrevi pensei que seria igualmente adequeado dar uma resposta mais
correcta e coerente sobre o que se está a passar com o curso de Português
em Cambridge. Respondendo à primeira pergunta, a sociedade lusófona de
cambridge decidiu expor esta petição como forma de divulgar mundialmente
através da rede o que se está a passar. Naturalmente, esta petição é
dirigida à Vice-Reitora e ao conselho da Universidade, pois são estas
pessoas que ultimamente, vão decidir o destino do curso de Português. Expor
o texto também na língua portuguesa seria apenas desperdício de tempo. Pelo volume de assinaturas já obtido, não vejo que o texto em Inglês seja um
problema. Mais que isso, demonstra que países pequenos como o nosso
conseguem ter um nível de ensino de línguas bastante positivo sem ter
universidades mega-financiadas como a de Cambridge. Relativamente ao
Instituto Camões, há que notificar que é das poucas instituições a
financiar um curso específico dentro da universidade e não um departamento.
Suficiente ou não, penso que seja, pois o Instituto não financia
exclusivamente a universidade de cambridge e tem investimentos em pelo
menos 5 insituições britânicas incluíndo Oxford, que curiosamente, tem um
departamento exclusivo de português e estudos lusófonos. Se adicionarmos os valores investidos noutros países lusófonos onde são enviados professores
de português, vemos que o montante investido largamente ultrapassa os 2
milhões de euros (estando a arredondar muito por baixo!). A questão
central, não é a do montante investido pelo Instituto nem é se o governo
investe bem ou mal na divulgação da língua portuguesa, visto que o
Português é falado em vários países e nenhum deles financia nenhum curso no estrangeiro segundo sei. Isto não tem rigorosamente nada a ver com o
governo português nem com Portugal. Fico bastante triste ao ler certos
comentários expostos na petição a culparem o governo português por isto
(qualidade que, infelizmente, é característica do nosso povo). Tirando o
óbvio do caminho, passarei a explicar o que se sucedeu concretamente com
esta situação. Há já vários anos que o curso de Português (chamado de
Tripos, que deriva de tripartido, portanto um ano tronco comum
português-espanhol, segundo de especialização, 3º residencia num país
nativo da língua a aprender, e 4º tese e estudos aprofundados da língua e
literatura) tem sido um patinho feio do departamento de espanhol e
português pois, com muito menos recursos, conseguiu atingir um elevado
número de alunos, excelente qualidade de pesquisa reconhecida pela RAE (a
instituição britânica que qualifica o nível de pesquisa) e os seus
pós-graduados, (doutorados e mestres) conseguiram postos em universidades de renome nos estado unidos e Reino Unido. Tal como diz a petição, já foi
distinguido como caso de sucesso. Ora bem, o director e sub-director do
departamento de espanhol e português, curiosamente ligados ao ensino de
espanhol, decidiram, por si próprios e sem a consulta prévia da University
Teaching Officer do curso de Português, "restruturar" o tripos português.
Restruturar, significa acabar com o estatuto de tripos (licenciatura) e
apenas leccionar uma cadeira no 2º ano do curso de espanhol que é uma
introdução básica ao português, equivalente ao nível que se ensina a
crianças de 7-8 anos em Portugal, cadeira essa que já existe e é leccionada
prefrencialmente a pessoas de outros cursos de línguas como opcional. Ora,
a decisão desta "restruturação" foi ditada por "motivos financeiros". Isto,
sem qualquer incitação por parte da faculdade de linguas ou da
universidade. A proposta foi aceite pela Faculdade porque partiu do próprio
director... Tudo isto sem: anunciar aos alunos que estava uma proposta na
mesa para a tal restruturação. Esta foi anunciada como "fait acompli"; nem
uma palavra ao instituto camões (portanto, queriam continuar a receber o
dinheirinho sem haver nada para financiar), sendo este informado
primeiramente, veja só, pelo jornal dos estudantes de cambridge o Varsity.
Ultimamente, tudo feito pela "porta do cavalo" sem respeitar maioria das
regras da universidade no que toca a término de licenciaturas. A esperança
do departamento de espanhol e português, era que, acabava-se com isto, é
português ninguém se interessa, faz-se pouco barulho e continua-se a
receber o dinheirinho para sustentar o espanhol. Óbviamente, especulo, mas
sem dúvida que, pelos procedimentos apresentados, foi este o raciocínio dos
professores de espanhol que lideram o departamento. Felizmente, há muitos
alunos de espanhol que estão a apoiar totalmente a luta contra o fecho de
português. Explanado mais ou menos o historial do que se passa, aqui vai em
grosso modo, o comunicado oficial da pro-vice-reitora para a educação: A
"restruturação" acontece para "salvar" o ensino de língua portuguesa na
universidade. O curso tem corrido com problemas de staff pois estes têm uma
sobrecarga horária que não é permitida pelo EXCESSO de alunos a tirar o
curso. Finalmente, as razões para fechar não são totalmente financeiras...
Bem, tire as conclusões que quiser, mas pelos vistos, o curso vai fechar
porque é popular demais! Para mim, faria mais sentido abrir um departamento
de português independente e financiá-lo correctamente com mais docentes do que acabar com o curso. Felizmente, o conselho para a educação da
Universidade constituído por 10 membros, ouviu os alunos, concordou e
classificou a proposta do departamento como "chocante" e sem fundamento. 9 dos 10 votaram para revisão da proposta, isto é, vai para trás para ser
reformulada e refeita, pois os argumentos apresentados não são minimamente
válidos para acabar com uma licenciatura (ora que grande surpresa...).

(Deve-se) tentar organizar o máximo número de personalidades para contactar a universidade e mostrar o desagrado. Isto é diplomaticamente grave e o
governo e partidos políticos só podem ajudar para que a proposta renovada
nunca seja aceite. Deixo desde já, a morada e contacto da Vice-Reitora da
Universidade de Cambridge:

Prof. Alison Richard,
Vice-Chancellor,
University of Cambridge,
The Old Schools,
Cambridge CB2 1TT
United Kingdom

Em anexo, ver

Statement issued by the Pro-Vice-Chancellor for Education
Professor Melveena McKendrick on 26th January 2007
,

See the Article in the Varsity


(André Almeida B.A. (cantab hons) Mphil Student Department of Biological
Anthropology, Leverhulme Centre for Human Evolutionary Studies, Fitzwilliam
Street Cambridge U.K.)

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JARDINS DE INVERNO

Pomar no Bombarral.

(Nuno Matos Silva)

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EARLY MORNING BLOGS

957 - Rêvé Pour l'hiver.

L'hiver, nous irons dans un petit wagon rose
Avec des coussins bleus.
Nous serons bien. Un nid de baisers fous repose
Dans chaque coin moelleux.

Tu fermeras l'oeil, pour ne point voir, par la glace,
Grimacer les ombres des soirs,
Ces monstruosités hargneuses, populace
De démons noirs et de loups noirs.

Puis tu te sentiras la joue égratignée…
Un petit baiser, comme une folle araignée,
Te courra par le cou...

Et tu me diras : "Cherche !", en inclinant la tête,
- Et nous prendrons du temps à trouver cette bête
- Qui voyage beaucoup...

En Wagon, le 7 octobre 70

(Arthur Rimbaud)

*

Bom dia!

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29.1.07


JARDINS DE INVERNO

Palácio de Cristal no Porto. Hoje.

(Gil Coelho)

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BLADE RUNNER NA CASA DE CAMILO

Há muitos anos que não ia à casa de Camilo em S. Miguel de Ceide e fiquei preso na memória de uma imagem da casa meio abandonada, sem mobiliário (o pouco que tinha sobrevivido ao incêndio, ou que tinha a fama de ter sobrevivido, porque havia a suspeita de que quase nada de original sobrava), a árvore, o fantasma do suicida, num dia apropriado de chuva e cinzento. Como as imagens da memória são poderosas pensava que ia encontrar tudo quase na mesma, lá bem no meio do Minho ruralíssimo e "camiliano"... Engano, claro.

http://www.brmovie.com/Images/Characters/Deckard/br_deckard_looking_for_pris.jpg Agora voltei lá para apresentar o habitual pas de deux "um livro-um filme" e só fiz escolhas bizarras, to say the least. Escolhi um livro de que não há edição decente em português (Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick) e um filme, Blade Runner de Ridley Scott, que não podia estar mais afastado do fantasma habitante da casa. Eu lia as frases da exposição que estava no anexo do Siza e só me saíam frades e fidalgos e viúvas e estudantes e malfeitores, enterrados nas quintas minhotas ou nos penhascos do Marão. Bem me esforcei para pensar um único momento da dúzia de romances de Camilo que li (sempre são duzentos e muitos títulos) que pudesse ter alguma coisa a ver com os andróides do filme, ou com máquinas. Nada. Só me vinha à memória o elevador do palacete do Jacinto, que também tinha vontade própria, mas lembrar o Eça na Casa de Camilo podia ser funesto.

Atravessando o largo em frente, numa noite glacial, com todas as estrelas no seu sítio, entre o granito da capela e o alinhamento das janelas do casarão antigo, lembrando o meu Deckard e a minha Pris, desisti de todo de juntar o que não podia ser junto. E lá comecei com a pergunta "o que é o homem?" que Dick disfarçou dentro do teste de se saber se também os andróides sonham com carneirinhos eléctricos. Sonham eles e sonhamos nós.

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APRENDER COM CAMILO CASTELO BRANCO:
"HÁ-DE CHORAR AINDA QUE LHE CUSTE"

"A todos os que lerem
É uma historia que faz arrepiar os cabelos.
Há aqui bacamartes e pistolas, lágrimas e sangue, gemidos e berros, anjos e demónios.
É um arsenal, uma sarrabulhada, e um dia de juízo! Isto sim que é romance!
Não é romance; é um soalheiro, mas trágico, mas horrível, soalheiro em que o sol esconde a cara,
(...)

Há aí almas de pedra, corações de zinco, olhos de vidro, peitos de asfalto?
Que venham para cá.
Aqui há cebola para todos os olhos;
Broca para todas as almas;
Cadinhos de fundição metalúrgica para todos os peitos.
Não se resiste a isto. Há-de chorar toda a gente, ou eu vou contar aos peixes, como o padre Vieira, este miserando conto.
(...)
Tenha paciência; há-de chorar ainda que lhe custe."

Camilo dirige-se assim aos seus leitores prevenindo-os que O Que Fazem Mulheres, um "romance filosófico", tinha "cebola para todos os olhos". Ou choravam, ou ele ia pregar aos peixes. Excelente leitura para estes tempos em que o pathos escorre das paredes, blogues e ecrãs (a mesma coisa aliás) e o mundo se torna pegajoso de tantos sentimentos à solta e tanto amor a pingar por todo o lado. Bem sei que é o "espectáculo", - Camilo também sabia, chamava-o "soalheiro" -, o pano de fundo da superficialidade moderna e dos Pequenos Homens (e Mulheres) de quem Nietzsche não gostava. O que se há-de fazer senão fortalecer "almas de pedra, corações de zinco, olhos de vidro, peitos de asfalto" e sorrir?

(E ler Camilo que tem vindo a ser publicado numa excelente edição da Caixotim, já com doze livros cá fora.)

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JARDINS DE INVERNO

Campos do Bombarral.

(Nuno Matos Silva)

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EARLY MORNING BLOGS

957 - After Prayers, Lie Cold

Arise my body, my small body, we have striven
Enough, and He is merciful; we are forgiven.
Arise small body, puppet-like and pale, and go,
White as the bed-clothes into bed, and cold as snow,
Undress with small, cold fingers and put out the light,
And be alone, hush'd mortal, in the sacred night,
-A meadow whipt flat with the rain, a cup
Emptied and clean, a garment washed and folded up,
Faded in colour, thinned almost to raggedness
By dirt and by the washing of that dirtiness.
Be not too quickly warm again. Lie cold; consent
To weariness' and pardon's watery element.
Drink up the bitter water, breathe the chilly death;
Soon enough comes the riot of our blood and breath.

(C. S. Lewis)

*

Bom dia!

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28.1.07


MARCAR OS LIVROS COM FRASES DE CAMILO



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COISAS DA SÁBADO: AS BANCADAS DA DERROTA

http://comunidades.net/noticias_imagens/assembleia_republica8.jpg

A turbulência vinda das bancadas parlamentares do PSD e do CDS contra as respectivas direcções partidárias só surpreende quem não conheça o modo como elas são constituídas e a mecânica que as rege. Habitualmente pacíficas e obedientes, as actuais bancadas da oposição parecem escapar à regra dessa placidez. Mas o mesmo que as faz sossegadas fá-las agora turbulentas. É a primeira lei da termodinâmica de uma bancada parlamentar: os deputados fazem tudo que é possível para assegurar que voltam a ser escolhidos pelos seus partidos para lugares elegíveis. É uma lei da conservação do lugar, que em períodos fartos implica estarem muito quietos para ficarem na fotografia (como no PS), noutros mexerem-se para ajudarem a correr qualquer direcção partidária que os possa afastar, o supremo poder de uma liderança partidária em tempos de vacas magras.

Para as bancadas do CDS/PP e do PSD é óbvio que a lei da conservação dos lugares passa por garantir que nem Ribeiro e Castro nem Marques Mendes estejam no seu cargo daqui a um ano e possam condicionar as escolhas dos deputados. Para isso tem que se mexer e muito e desde já. As bancadas parlamentares do PSD e do CDS/PP são bancadas da derrota: constituídas na sua maioria pelos deputados que foram escolhidos, com considerável sectarismo partidário, nas direcções de Paulo Portas e Santana Lopes, e que são um símbolo vivo do desastre eleitoral de 2005. Ambos sabiam que iam perder as eleições e que o seu poder dentro dos partidos poderia ser contestado, logo construíram bancadas de fiéis que lhes assegurassem um poder alternativo. É evidente essa situação no CDS/PP, e nas notícias de fontes anónimas da bancada parlamentar do PSD de que desejariam Santana Lopes como Presidente do Grupo Parlamentar. É tudo muito transparente e vai ser tudo muito mais turbulento. Estamos só nos preliminares e como é uma luta de matar ou morrer (pelo lugar) promete ser feia.

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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS


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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 28 de Janeiro de 2007



Mais absurdos: no sítio do Diário de Notícias (ou deveria dizer do Papagaio Amarelo?)
O Diário de Notícias, promove o seguinte "inquérito":

"Concorda com a pena de seis anos de prisão imposta ao pai adoptivo da criança de Torres Novas?"

Eu, simples cidadã que gosta de emitir sentenças, principalmente sendo absolutamente irresponsável pelo resultado,e ainda por cima num caso que "puxa ao sentimento", fiquei mesmo satisfeita. Vou votar, vou julgar.

Com uma declaração de voto que é também uma pergunta: concorda que jornais nacionais de créditos firmados provoquem deliberadamente equívocos, desinformem, se aproveitem da especial emotividade de factos que eles transformam em "notícia", para induzir os leitores na doce ilusão de que têm uma palavra a dizer num processo judicial cujos elementos desconhecem e para os quais não estão habilitados a decidir?

(RM)
*

Será que ninguém acha estranho, para não dizer ilegal, que se conheçam em detalhe "planos do ministério público", opiniões do PGR através de "fontes", deliberações do Tribunal Constitucional que é suposto ainda não terem sido tomadas, decisões futuras negociadas (como, com quem, com que base legal?) entre "agentes da justiça" e "especialistas", que permitirão esta ou aquela "solução", a propósito do chamado "caso Esmeralda", todas no sentido de "libertar" o "pai do coração" da prisão, e de entregar a criança à família "do coração"? É difícil encontrar melhor exemplo da degradação da lei, do direito, da justiça, ao sabor de uma "justiça mediática" feita pela vox populi, do que o que se pode ouvir em notícias como as que o Telejornal da RTP está a dar. Passou tudo na lei, no direito, nos tribunais a ser plástico, moldável, adaptável, desde que haja uma campanha de opinião e uma causa popular.

*

Os militantes, soldados de causas e de partidos, não compreendem que, independentemente do mérito das suas causas e do valor dos seus partidos, as suas prioridades não são as das pessoas comuns.

Todo o debate sobre o aborto está inquinado pelo que interessa aos militantes, pelos ganhos que os militantes querem levar para o exército de que são soldados no dia 12 de Fevereiro..

No concurso dos Grandes Portugueses são os militantes que votam em Salazar e Cunhal. Se ganhar um ou outro haverá brilho nos olhos em muitos locais de trabalho. "Ganhar" por interposta figura faz bem aos egos dos militantes.

Nos blogues há muitos militantes.

*
Concordo consigo que quem vota em Cunhal e em Salazar são os militantes. Mas não acha que o numero de votos de cada um (19 000 e 12000) é mais um prova que a militância está em baixa ?

(Eduardo Tomé)

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JARDINS DE INVERNO

Gerês.

(José Borges)

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JARDINS DE INVERNO

S. Miguel, Açores.

(Marco Ventura)

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RETRATOS DO TRABALHO EM MADRID, ESPANHA

Tatuagens, piercings, etc., etc. na Calle de la Montera.

(MJ)

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EARLY MORNING BLOGS

956 - Tombstones In The Starlight

I. The Minor Poet

His little trills and chirpings were his best.
No music like the nightingale’s was born
Within his throat; but he, too, laid his breast
Upon a thorn.

II. The Pretty Lady

She hated bleak and wintry things alone.
All that was warm and quick, she loved too well-
A light, a flame, a heart against her own;
It is forever bitter cold, in Hell.

III. The Very Rich Man

He’d have the best, and that was none too good;
No barrier could hold, before his terms.
He lies below, correct in cypress wood,
And entertains the most exclusive worms.

IV. The Fisherwoman

The man she had was kind and clean
And well enough for every day,
But, oh, dear friends, you should have seen
The one that got away!

V. The Crusader

Arrived in Heaven, when his sands were run,
He seized a quill, and sat him down to tell
The local press that something should be done
About that noisy nuisance, Gabriel.

Vl. The Actress

Her name, cut clear upon this marble cross,
Shines, as it shone when she was still on earth;
While tenderly the mild, agreeable moss
Obscures the figures of her date of birth.

(Dorothy Parker)

*

Bom dia!

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MIGRAÇÃO

O Abrupto está a migrar para o "novo" Blogger, ou seja em trabalhos de construção e manutenção..

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JARDINS DE INVERNO

Royal Botanic Gardens, Londres.

(Sara Bárrios)

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27.1.07


COISAS DA SÁBADO: O CERCO AOS PRÓ-AMERICANOS

Em Portugal, um número pequeno de jornalistas, comentadores e analistas apoiou a invasão americana do Iraque com diferentes argumentos e posições e razões. Eu fui um deles, como se sabe. Não era, nem nunca foi um grupo homogéneo, havendo diferentes maneiras de defrontar o problema do terrorismo, que estava subjacente em todo o desenvolvimento da política externa americana. Foi sempre uma minoria, muito minoria, e praticamente em nenhum momento teve qualquer espécie de hegemonia, quer no sistema comunicacional, quer na opinião pública. A maioria da opinião pública era-lhe desde sempre hostil e essa hostilidade foi-se agravando quer por erros próprios (a afirmação da existência das armas iraquianas de destruição massiva foi talvez o mais gravoso), quer pelo modo como os eventos da guerra se desenvolveram.

Mas não é tanto sobre as suas razões que escrevo, mas sobre o modo como tem sido atacados como se existisse para a questão iraquiana um delito de opinião que justificasse vários e sucessivos pedidos de silenciamento, contrição, auto-crítica, de pura e simples censura. Um dos alvos desse ataque censório tem sido o director do Público e, através dele, o próprio jornal. Quando a distância do tempo permitir ver estas coisas sem a dose maciça de má fé em que esse ataque assenta (uma das mais nefastas aquisições do debate sobre o Iraque que impregna tudo e foi analisada de forma certeira no livro de Fernando Gil / Paulo Tunhas), perceber-se-á como os argumentos com que, em artigos na imprensa e nalguns blogues José Manuel Fernandes é criticado, são ataques às suas opiniões como sendo impróprias de um director e de um jornal como o Público. Os ataques são políticos e censórios, uma etapa no cerco às opiniões que escapam ao unanimismo actual, a dele e a dos outros.

Um dos “argumentos“ mais absurdos é que a crise que o Público conhece (grave, mas menos grave do que a que conhece o Diário de Notícias, mesmo depois de uma profunda renovação) se deverá ao “conteúdo” pró-americano do jornal (que nem uma redacção e uma maioria de comentadores muito significativa contra a política americana no Iraque conseguiriam atenuar) e que só o “afastamento” do director (e por arrastamento dos que partilham da sua opinião) poderia evitar essa crise. Isto é um típico exemplo dessa mesma má fé, visto que as razões que explicam a crise do Público são comuns à imprensa escrita em geral e só por completa ignorância dessas razões é que se pode pensar que os artigos e os editoriais de opinião tem algum peso nessa crise. Aliás se fosse assim, o Le Monde Diplomatique seria o jornal mais lido em Portugal e o Diário de Notícias estaria a crescer exponencialmente com os leitores de “esquerda” que fogem do Público. Estas “análises” seriam disparates completos se não tivessem o seu claro intuito censório. Há quem não suporte um grão de diferença de opinião, fora do impante unanimismo dos nossos dias.

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26.1.07


JARDINS DE INVERNO

Avenida Brasil, Porto. Ontem.

(Gil Coelho)

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O DEBATE DO REFERENDO DO ABORTO



Havendo referendo, ou seja, uma escolha com significado político, é natural que haja debate público, que haja um contraditório a favor do convencimento das decisões e do voto. No entanto, nunca como agora eu desejaria que este referendo fosse silencioso, que este debate fosse quase inaudível, que ele pudesse ser feito quase por telepatia, por gestos subtis, sem voz, nem escrita, nem imagem. Tomem isto como uma metáfora, ou seja, não à letra, mas serve para dizer outra coisa que me parece mais importante.

Esta absurda cacofonia em que partidários do "sim" e do "não" esgrimem argumentos, opiniões, acusações, cada vez num tom mais alto, mais agressivo, mais descuidado, mais displicente, mais para se ouvirem do que para serem ouvidos, parte do princípio de que o essencial neste referendo é convencer. Duvido que alguém se convença nesta matéria, a não ser por rejeição - votava duma maneira mas ficou tão indignado(a) com uma frase ou uma atitude que passou a votar doutra. Talvez todos estes excessos possam servir marginalmente para mobilizar para o voto, embora duvide muito da sua eficácia, penso até que favorece mais a abstenção do que a mobilização. Posso estar enganado, são só impressões, não servem para nada.

Fique já bem claro que eu gosto do som e da fúria da política. Não tenho nenhuma das manias elegantes e preciosas de quem pensa que a política é só cumprimentos amáveis e frases subtis. Não sou dessa escola, nem me apanham na defesa de salamaleques de salão ou na condenação de compromissos e dedicações de quem está activamente nesta campanha. Não me esqueço nunca de uma tarde na Assembleia da República em que, depois de eu e mais dois ou três deputados termos passado uma hora de quezília parlamentar até conseguirmos que um respeitado deputado do CDS pudesse falar numa matéria que desejava e para a qual a maioria do PS fazia obstrução, a primeira coisa que o respeitado parlamentar disse no tempo que lhe tínhamos arrancado a ferros depois de uma cena pouco edificante de requerimentos, interpelações e outras guerrilhas parlamentares, foi manifestar o seu desgosto e enfado com a discussão a que tinha acabado de assistir. Fiquei, digamos, para o furioso, com a afronta de quem nos fez meter a mão na massa, para depois aparecer com luvas brancas acima do vulgo. Não é isso que pretendo dizer, se é que me faço entender. É o tom. E aqui o tom é quase tudo.

O que me desagrada nesta campanha - feita mais para os homens do que para as mulheres - é que ela passa ao lado, mais do que isso, desrespeita, ignora, menospreza, o carácter essencialmente existencial, vivido, do problema do aborto. É por isso que o aborto é mais uma questão das mulheres, como é a maternidade, e não é totalmente extensível e compreensível aos homens. Este é um dos casos que esquecemos muitas vezes, quando achamos que a igualdade é algo de adquirido sob todos os aspectos, e que tem a ver apenas com a sociedade, a economia, a cultura e o direito. Não, pelo contrário, há desigualdades, "diferenças" no dizer politicamente correcto, estruturais entre os seres humanos, uma das mais fundamentais é a que a maternidade introduz entre homens e mulheres. E para as mulheres, que, quase todas, ou abortaram ou pensaram alguma vez em abortar, ou usam métodos conceptivos que à luz estrita do fundamentalismo são abortivos, o aborto de que estamos a falar neste referendo não é uma questão de opinião, argumento, razão, política, dogmática, mesmo fé e religião. Também é, mas não só. É uma questão de si mesmas consigo mesmas, íntima, própria, muitas vezes dolorosa e nalguns casos dramática. Não é matéria sobre que falem, se gabem, argumentem ou esgrimam como glória ou mesmo como testemunho. Não é delas que vem esta estridência, nem é por elas que vêm os absurdos do telemóvel, do pinto, do ovo, do Saddam Hussein, do coraçãozinho. É mais provável que sintam tudo isso mais como insultos do que como argumentos que lhes suscitem a atenção. No seu silêncio votarão ou abster-se-ão, mas é por elas, por si, pelo seu corpo, pelos seus filhos, pelo seu destino, pela sua vergonha, pela sua dor, pela sua miséria, pelas suas dificuldades económicas, pela sua vida, pelos seus erros, pelas suas virtudes.

É verdade que, como em todas coisas, há irresponsabilidades, há mulheres irresponsáveis nos abortos que fazem, como nos filhos que fazem, mas duvido muito que sejam a regra. A regra é que aborto é sofrimento, físico e psicológico, e é sobre esse sofrimento que vamos votar. Eu vou votar sim, mas admito que, exactamente com a mesma consciência do mesmo problema, haverá quem vote não. Mas os moderados, estranha palavra rara no meio desta estridência, não podem deixar de recusar este folclore que infelizmente nalguns casos torna príncipes da Igreja iguaizinhos ao Bloco de Esquerda e vice-versa. Se percebêssemos esse silêncio interior da maternidade, mesmo quando dilacerada pelo aborto, seríamos menos arrogantes, menos estridentes, menos obscenos nas campanhas.

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25.1.07


JARDINS DE INVERNO

Jardim em Nijmegen, Holanda.

(José Pedro Rua)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 25 de Janeiro de 2007


Nos detalhes habita normalmente o Diabo. Mas nestes detalhes habita certamente Deus.

*

Em Paris, no Panteão, a homenagem aos "justos" franceses (raros, raríssimos) que ajudaram a salvar judeus durante a guerra (fotos de José Manuel Fernandes)


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RETRATOS DO TRABALHO EM S. JOÃO DO MONTE - TONDELA, PORTUGAL

Na aldeia de Dornas, freguesia de S. João do Monte, concelho de Tondela, lavam-se as tripas do porco no ribeiro, morto nessa manhã, para fazer os enchidos.
Sábado passado, dia 20 de Janeiro.

(Miguel Torres)

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MAIS UMA VEZ


Um cidadão prepara-se para começar o seu trabalho, early morning. Ele prepara-se, mas a EDP não está preparada. Não há luz, mais uma vez. Uma hora depois a energia volta. O habitual, como em Tumbuctu.

*
Também eu tenho problemas deste tipo com a EDP. Falhas extemporâneas e por vezes muito curtas que afectam aqueles que não vivem nas grandes cidades. Tenho optado por reclamar por escrito, fornecendo informação sobre a hora do corte e a duração do mesmo. Invariavelmente recebo uma resposta (muito tempo depois) em que sou confrontado com a inevitabilidade das condições atmosféricas (se chove é porque chove, se não chove é porque não chove!) e com a certeza que a EDP presta um serviço dentro dos parâmetros de qualidade contratados e definidos pelo regulador.

A questão é que o ónus da prova fica com o cliente - ainda bem que as UPS dos computadores registam as horas das falhas - mas a EDP nunca devolve dinheiro aos clientes por incumprimento de contrato. Falta de concorrência, é o que é!

(António Ribeiro)

*

Em Setembro passado, em Lagos, eu e mais dois familiares ficámos bloqueados num elevador, entre dois andares, devido a uma falta de energia eléctrica que durou cerca de uma hora e meia.

Com a ajuda de alguns vizinhos, acabámos por ser retirados de lá com bastante dificuldade e não pouca ginástica, e ficámos a saber que, no mês anterior, cenas dessas haviam sucedido quase todos os dias - um problema agravado pelo facto de o piquete da EDP ter de vir de Portimão, a uma vintena de quilómetros dali!

Acresce que, como muito bem sabe quem já passou por isso, essa intervenção é precedida por um frutuoso diálogo com o funcionário de serviço que, do outro lado da linha, pretende saber alguns dados que vêm nas facturas - uma pretensão que pode ter lógica, mas que tem de ser satisfeita à luz das velas quando a falha de energia se dá de noite.

Enfim... não sei o que pensarão os responsáveis (autárquicos e da EDP) acerca dessa curiosa mais-valia para o turismo algarvio, mas o mais certo é que não pensem rigorosamente nada - pelo menos, "à luz" dos factos...

(C. Medina Ribeiro)

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JARDINS DE INVERNO

Jardim Gulbenkian.

(Luisa Alpalhão)

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24.1.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 24 de Janeiro de 2007


Debate parlamentar: Sócrates é um exemplo do estilo de debate parlamentar que se tornou dominante nos últimos anos. Nesse estilo de debate é bom, faz bem a parada e a resposta, é ágil, agressivo no incidental, não tem pejo nenhum em usar expressões como "somos os primeiros na Europa a...", ataca sempre que pode o PSD (ele que é um pragmático sabe que o PSD é a alternativa e, mesmo minimizando a oposição, ataca-a frase sim, frase sim) mesmo em questões de Estado que implicariam distância da polémica inter-partidária. No seu conjunto, não tem grande vocabulário nem referências fora da política mais imediata, é eficaz para uma televisão complacente, repete o mesmo quantas vezes for preciso, para não dispersar o que quer dizer e condicionar a citação, é muito próximo do estilo jornalístico de tratar as questões, não tem dúvidas, nem hesitações. É monocórdico, proclama muito e ouve pouco. Tem umas noções de marketing e de comunicação, para além do treino que lhe dá a política profissional. Depois, Sócrates traz da sua formação académica de engenheiro, um know-how técnico e uma mentalidade tecnocrática. Hoje, ao falar de energia e de ambiente, de vez em quando lá aparecia o jargão, por exemplo quando falou de um "mix" de fontes de energia, pequenas palavras denunciadoras de um estilo de leitura de relatórios e de apresentações de PowerPoint.

É um estilo de intervenção parlamentar que ele partilha com a sua geração de políticos, com carreiras mais ou menos profissionalizadas nos partidos desde as juventudes. Vivendo num meio em que quase só se fala de política, só se lêem jornais, só se vê noticiários, adquire-se uma memória orientada para a narrativa política estereotipada, um traquejo no incidente e contra-incidente, na lembrança insidiosa ("tu acusas-me de fazer isto, mas tu também já fizeste aquilo"...), no responder ao lado, em habilidades múltiplas. Tudo isto ele faz bem, insisto, melhor do que os outros oficiais e os muitos aprendizes da mesma escola, que enchem o Parlamento.

Como hoje este tipo de discurso é hegemónico, é o “normal”, as pessoas já não conhecem alternativas, e tomam-no por único e bastante. Os outros estilos parlamentares quase desapareceram do hemiciclo, desde o velho estilo da retórica republicana (como era o de Fernando Amaral), ao estilo jurídico coimbrão, pesado e solene (Marques Mendes ainda mantém traços desse estilo que era o de Barbosa de Melo, por exemplo) ou a um estilo mais denso e "humanista" nas referências como era o de Jaime Gama nos discursos de fundo. Este é o cânone actual do “politiquês” parlamentar.

*
Assisti em directo ao discurso do estado da União do Pres. Bush.

Li o respectivo texto disponibilizado na net.

É surpreendente - para mim, pelo menos - o grau de cortesia e afabilidade como decorreu esse acto público no Congersso dos E.U.A.

Desde o caloroso cumprimento - que me pareceu sincero e genuíno - dirigido à speaker Nancy Pelosi, até às frequentes ovações - de republicanos e democratas, note-se - com que foram brindadas muitas das afirmações e propostas do Presidente.

Que contraste com o nosso Parlamento !

(Paulo Silva)

*

Concordo com o que o leitor Paulo Silva diz acerca das diferenças entre o discurso de Bush , do estado da Nação e a atitude de Sócrates perante o Parlamento.

São os chamados " rituais de poder ". Aquelas pequenas tradições ( muitas vezes regras não escritas ...) que ajudam a cimentar as democracias , a aproximar os cidadãos e os políticos , a tornar a democracia mais perfeita , para lá das leis e da estrutura formal das instituições .

Nos EUA, são vários esses " rituais de poder. Recentemente, aquando da remodelação de Donald Rumsfeld por Robert Gates , Rumsfeld esteve presente na conferência de imprensa em que Bush anunciou essa decisão . Em Portugal, quem não se lembra de Manuela Arcanjo a defender um Orçamento Rectificativo no Parlamento, quando toda a gente sabia ( menos ela...), que ela já estava de saída ?

Outro exemplo é o facto de por regra antigos Presidentes dos EUA não criticarem o Presidente em funções . Quantos vezes Mário Soares não criticou antigos Primeiros - Ministros ( cargo equivalente , na medida em que é aquele que tem o poder executivo..) , fragilizando aqueles?

Poderia elencar mais "rituais de poder". Mas não vale a pena. Chega para demonstrar que Portugal ainda é uma democracia imatura e que os políticos Portugueses são imaturos.

A começar por José Sócrates , com uma atitude no Parlamento a roçar a má -educação. O dedo em riste , as caretas , as ironias venenosas e infantis, mandar calar deputados , são actos lamentáveis e que só envergonham o Pais. Afinal , José Sócrates é um representante de Portugal.

(João Melo)

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23.1.07


JARDINS DE INVERNO

Amanhecer no Porto, hoje.

(Gil Coelho)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 23 de Janeiro de 2007


Boas notícias:
Os editores do Jornalismo e Comunicação estão, como poderão ter reparado, impedidos de publicar ou alterar qualquer post desde o dia 27 de Dezembro de 2006 (nem mesmo nos foi possível deixar um aviso na caixa de comentários do último texto).Apesar dos inúmeros contactos já tentados com a equipa de gestão da Blogger não nos foi possível resolver o problema.Depois de alguma hesitação / ponderação (e depois de termos guardado os arquivos de quase 5 anos num espaço seguro) mudamos o blog para o Wordpress. O endereço - http://www.mediascopio.wordpress.com - está até mais próximo de reflectir a realidade presente do grupo.

(Luís Santos)

*

O Projecto Gutenberg, a mais antiga biblioteca electrónica do Mundo, já está disponível em Português, na Internet. Os milhares de livros-e disponibilizados gratuitamente no PG são produzidos por voluntários de todo o Globo, sozinhos ou no sítio de revisão colectiva Distributed Proofreaders. A nova versão pretende aumentar as taxas de literacia e a produção de livros electrónicos gratuitos no Mundo de Expressão Portuguesa. Espera-se, dentro de uma década, ocupar a terceira posição no número de obras em línguas europeias. Um objectivo ousado, que depende da capacidade de mobilização de toda a Comunidade Lusófona.

Qualquer pessoa pode ser um voluntário. Apenas precisa de um livro velho. E de amor pelas Letras em Língua Portuguesa. Mais pormenores nesta página.

(Ricardo F. Diogo)


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MISSÃO 8

(Fotografias inéditas da missão dos paraquedistas portugueses no Afeganistão)


O castelo de Herat no decurso de uma missão de reconhecimento à região.


Pára-quedistas homenageiam no quartel de Camp Warehouse (em Cabul) o 1º Sargento Comando Romão Pereira, no 1º aniversário da sua morte.

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INTENDÊNCIA

Em actualização a lista de biografias de 2006 dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO .

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JARDINS DE INVERNO

S. Miguel, Açores.

(Marco Ventura)

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EARLY MORNING BLOGS

955 - ...la alma es un principio o fuersa inrequieta con que se mueve la cosa.


TALES milesio dize: la alma es un principio o fuersa inrequieta con que se mueve la cosa. Ansí que aquello con que el animal se mueve lhama alma y todo aquello que se mueve tiene para sí ser animado y ansí la piedra calamita. Este varón fue uno de los siete sabios de Grecia, antes de los philósofos y siente que la alma es forma sustancial de las cosas y parece ser el primero entre los sabios, fabló en que la alma por su antigüedad. (Arato) Arato, astrólogo y philósopho, siguió esta opinión, al qual imitó (Virgílio) Virgílio, diziendo, todas las cosas son Dios y tanbién (Lucano) Lucano, hablando en persona de Catón. Iúpiter es todo lo que ves y todo aquello con que eres movido. (Apuleio) Apuleio tanbién sigue esto y parece esta opinión emanar de (Orfeo) Orfeo y moestra el que la tiene no saber nada de la alma, pues no hazen deferencia de lo animado a lo no animado.

(Daniel Arón Afia, Opiniones sacados de los más auténticos y antigos philósophos que sobre el alma escrivieron )


*

Bom dia!

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VER A MANHÃ

Agora.

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22.1.07


BIBLIOFILIA: ENTRADAS

http://www.press.uchicago.edu/Images/Chicago/0226518892.jpeg http://yalepress.yale.edu/YupBooks/images/full/0300109733.jpg


Heinrich Carl Meier, Schmitt and Leo Strauss: The Hidden Dialogue

Pierre Boncenne, Pour Jean-François Revel : Un esprit libre

Anne Norton, Leo Strauss and the Politics of American Empire

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JARDINS DE INVERNO

S. Miguel, Açores.

(Marco Ventura)

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JARDINS DE INVERNO


Na Second Life.

(José Manuel Figueiredo)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: OS TÍTULOS CRIATIVOS

O Expresso deste fim de semana contém uma entrevista a João Cravinho.
Título da entrevista: «É incontroverso» que há `rabos de palha´ no PS

Quem for ler a entrevista poderá constatar que a passagem relevante é esta:

P: O PS tem `rabos de palha´ em matéria de corrupção?

R: Em muitos sectores da opinião pública, com ou sem razão, existe essa percepção. É um facto absolutamente incontroverso.

E este é um jornal de referência!

(José Carlos Santos)

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COISAS DA SÁBADO: JORNALISMO POLÍTICO E ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS


Como não há fome que não dê fartura, após longos anos de silêncio, temos hoje uma edição de estudos sobre a comunicação social activa e de qualidade, muita da qual é oriunda de jornalistas que enveredaram por um trabalho académico. O livro de Estrela Serrano, Jornalismo Político em Portugal. A Cobertura de Eleições Presidenciais na Imprensa e na Televisão (1976-2001), editado pela Colibri em colaboração com o Instituto Politécnico de Lisboa, é um excelente exemplo. Estrela Serrano conhece a realidade dos três lados, como jornalista, como assessora de imprensa do Presidente Mário Soares, e como investigadora académica. Ela conhece a “fábrica”, sabe como as coisas se fazem e como as diferentes peças da mecânica comunicacional funcionam. Este conhecimento nem sempre é uma vantagem, pode até ser um inconveniente pela tentação de cobrir com uma legitimação distanciada as práticas de manipulação comunicacional.

Não é o caso deste livro muito crítico do trabalho jornalístico, e que termina com uma análise devastadora do “campo jornalístico” dominado por aquilo que os anglo-saxónicos chamam de “pack journalism”, ou seja, não há alternativas, é quase tudo o mesmo e o mesmo é mau. O livro tem um interesse suplementar para um público interessado mas não académico: a sucessão de exemplos, em particular as transcrições das vozes dos jornalistas da televisão, que revelam o simplismo brutal, a osmose consciente e inconsciente do discurso político na voz do locutor, a repetição até à náusea de fórmulas e clichés.

O capítulo sobre a “análise qualitativa da cobertura televisiva” revela como a combinação imagem e voz e toda a coreografia da emissão “fala” para além de qualquer análise quantitativa ao modo dos tempos de antena. É um bom livro para ser lido alto na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

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COISAS DA SÁBADO: NADA

At a Loss for Words

Esta caricatura publicada num blogue (Blaugh! e reproduzida no Contra Factos & Argumentos ) retrata uma das tendências dos dias de hoje: escrever sobre “nada”. Sejamos justos, não foram os blogues que começaram a escrever sobre “nada”, os blogues apenas reflectem o mundo comunicacional que os antecedeu e dentro do qual se geraram: o mesmo que deu êxito ao Seinfeld, “a show about nothing”. Na verdade, não adianta estar com nostalgias do tempo em que se considerava que os meios que até então eram “nobres” só serviam para coisas “nobres”: grandes tragédias, mitos sanguinários, questões de vida e de morte, amores devastadores, grandes pensamentos, dignas resoluções, ou seja, “tudo”. “Tudo” muito denso de sentido, “tudo” muito sério. Agora nem os meios são “nobres”, estão ao alcance de quase todos, baratos e passíveis de ser usados por um analfabeto funcional, nem quem lá vai tem muito que dizer. Quando se vive sobre nada, de que é que se espera que se fale? Sobre nada, claro.

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FACES DE UMA "MANIF"



Lá como cá (no Le Monde): "Entre 25 000 et 30 000 enseignants selon les organisateurs - soit plus qu'attendu -, 13 500 selon la police, ont défilé samedi 20 janvier à Paris pour dénoncer "la politique de régression du gouvernement" en matière d'Education et les suppressions de postes prévues à la rentrée. Le cortège a quitté la place Denfert-Rochereau vers 14 h 30, emmené par un âne visant à manifester leur ras-le-bol de la politique de "la carotte et du bâton" menée, selon eux, par leur ministre de tutelle, Gilles de Robien."


O carro de som com um conjunto. O animador canta as palavras de ordem. Não diz, nem grita, canta. A música é alegre, o tom da manif é alegre.


Faces, corpos da manif.

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Barretes frígios.

Mulheres de vermelho.



Os professores de educação física faziam uma manifestação dentro da outra. Paravam, deixavam distância. Depois colocavam-se em posição de partida e corriam.


A chuva. A indesejada.

O fim. Chega a brigada da limpeza.

A classe operária limpa o lixo.

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INTENDÊNCIA

Em actualização a nota LENDO / VENDO / OUVINDO / ÁTOMOS E BITS de 16 de Janeiro de 2007.

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JARDINS DE INVERNO

Nova Zelândia.

(Alcides Strecht Monteiro)

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O ESTADO DA OPOSIÇÃO



A oposição está a meio do seu "mandato", entrando na recta final antes das próximas eleições legislativas. O "mandato" da "oposição" é sempre mais curto do que o do governo, dado que quem está à sua frente tem que se medir no seu poder interno pela decisão que mais importa aos aparelhos dos partidos - a escolha dos deputados, cujas movimentações começam sempre um ano antes das eleições. Haja ou não haja congressos, um ano antes é quando as direcções da "oposição" irão saber se se vão apresentar a eleições ou não. Por tudo isto, a meio do mandato, a vida turbulenta dos partidos de oposição ainda se vai tornar mais turbulenta, como se vê no CDS/PP e no PSD.

Que seja este o tempo e o modo da oposição, depende essencialmente de factores internos, e é já de si sinal da sua fraqueza, estrutural e conjuntural, para a qual se conjuga um número significativo de factores. O primeiro desses factores é o "estado do Governo", que por razões que têm a ver com tudo - dependência excessiva do Estado, fragilidade da opinião pública, inexistência de espaço "civil", debilidade institucional da oposição, costumes e mentalidades, etc., etc. - torna em Portugal verdadeira a frase "não são as oposições que ganham, mas os governos que perdem". Ora há que admitir que nos dias de hoje, mesmo tendo em conta os números enganadores das sondagens - que só são fiáveis para contar votos quando a situação eleitoral é real e não virtual -, o "estado do Governo" é bastante razoável, mesmo bom. Por várias razões de mérito do Governo, demérito das oposições, conjuntura e a "sorte" que beneficia os "audazes", o Governo socialista está em bom estado.

Claro que uma das lições que os homens políticos pagam mais caro é a do "ruído" do mundo, a surpresa de eventos inesperados ou imprevistos que podem mudar tudo de um dia para o outro. Temos vários exemplos alheios (as declarações do primeiro-ministro húngaro, as bombas da Al-Qaeda em Espanha, etc.) e nacionais (o conflito da Ponte 25 de Abril, a queda da ponte de Castelo de Paiva, o convite a Durão Barroso, o processo Casa Pia) de como o ambiente político pode mudar de um segundo para o outro, com grande surpresa dos visados. Um escândalo, um acidente, uma frase inconsiderada, uma imagem televisiva à falsa fé numa sociedade impregnada de "visibilidade", podem mudar radicalmente o "estado do Governo". Mas, como a futurologia e a adivinhação não são o meu forte, apenas digo que pode acontecer que o curso normal dos acontecimentos se torne anormal. Mas o curso normal dos dias de hoje é bom para o Governo socialista do eng. Sócrates.
(Um subproduto desta situação é o modo como ela "organiza" a oposição à oposição: se houver boas perspectivas de vitória eleitoral, o tipo de pessoas que concorrem à liderança tende a vir de "cima" do aparelho partidário - quadros empresariais, personalidades ligadas à alta advocacia, gente "influente", mas que pouco se envolve na vida quotidiana partidária a não ser em vésperas de eleições; se a perspectiva for de uma derrota, mobiliza-se a oposição à oposição por "baixo", de dentro do aparelho partidário, gente com carreira partidária, autarcas, militantes que só têm vida dentro do aparelho partidário e pequena influência e prestígio social. No segundo caso, é a constituição do grupo parlamentar, a manutenção ou a substituição dos deputados, um cargo muito desejado dentro dos partidos, que conta, não a governação. No PSD, verifica-se já claramente o segundo tipo de movimentação e no CDS/PP a crise quase terminal do partido também aí se joga.)
Em segundo lugar, há as condições estruturais objectivas em que vive a oposição em Portugal faça ela bem ou mal. Isto inclui um clima de um modo geral desfavorável a valorizar a crítica, tendendo a acentuar a consensualidade, particularmente vivo nas "forças vivas" que dependem em alto grau de decisões estatais da governação e por isso avessas a "fazer ondas". O mundo dos negócios sempre se deu bem com o poder em Portugal e com os socialistas ainda mais. Num momento em que o discurso político é dominado pelo "economês", esta situação tende a tornar as críticas e as alternativas quase diabólicas. Pouca gente tem consciência, por exemplo, dos obstáculos que as empresas, bancos, grupos económicos, colocam à participação política dos seus quadros na acção dos partidos da oposição, enquanto incentivam discretamente a sua participação nos meandros do governo. Qualquer líder da oposição já ouviu muitas negativas de pessoas prestigiadas (ou jovens quadros) na área sensível da economia, que são pressionadas a manter-se à margem da política mais conflitual como é naturalmente a de um partido da oposição.

Depois há todo um conjunto de debilidades institucionais no estatuto da oposição, em particular na Assembleia da República. PSD e PS fizeram uma Assembleia inócua para controlar a governação, logo condenaram-se a si próprios à irrelevância quando estão na oposição. Nenhum dos partidos tem credibilidade, nem força, nem vontade para mudar a situação, e são por isso responsáveis por um dos cancros mais virulentos do actual sistema político português: a falta de qualquer vigilância institucional da governação. Este cancro é muito mais grave quando o governo tem maioria absoluta e muito tempo à frente.

Por último, há o próprio estado dos partidos da oposição (e em bom rigor do PS, não fosse esse estado ser escondido pelas vestes do poder), fragilizados, sem quadros, nem recursos humanos, presos a um aparelho envelhecido, agarrado como uma lapa à meia dúzia de pequenos poderes e empregos que ainda controla, sem real influência na sociedade, minados pela corrupção e descredibilizados. Precisavam de uma grande volta, mas não são capazes de gerar as forças para essa volta, mesmo quando os seus dirigentes têm consciência do seu estado devastado. Esta é que é a principal responsabilidade da oposição na sua própria crise.

O CDS/PP está praticamente num estado terminal, com dois partidos dentro de si, um no Grupo Parlamentar outro na direcção do partido, atacando-se um ao outro. Face à revolta afrontosa do primeiro, ainda estou para perceber por que razão é que Ribeiro e Castro não retirou a confiança política aos deputados que confrontam o Congresso que lhe deu maioria, mesmo que isso significasse ficar reduzido no Parlamento apenas a um fio de voz. Se tomasse uma atitude de autoridade, podia provocar o confronto a curto prazo, podia inclusive perdê-lo, mas teria curto prazo. Assim nem curto, nem médio e muito menos longo. Acabará com o que ainda sobrevive do CDS, dando origem a um outro partido que usou o seu corpo para crescer, comendo-o.

Em bom rigor, o CDS já nem sequer cabe nestas considerações, porque já não é um partido. Mas o PSD cabe, porque, por mal que esteja, tem dimensão crítica para sobreviver para além dos seus problemas. Resta saber se sobreviverá muitos anos como partido menor ou maior do sistema político português.

Voltaremos ao PSD.

(No Público de 18 de Janeiro de 2007)

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JARDINS DE INVERNO

Serra de S. Macário.

(Ricardo Prata)

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EARLY MORNING BLOGS

954 - Qu'ai-je encore à craindre d'eux puisque tout est fait?

Qu'ai-je encore à craindre d'eux puisque tout est fait? Ne pouvant plus empirer mon état ils ne sauraient plus m'inspirer d'alarmes. L'inquiétude et l'effroi sont des maux dont ils m'ont pour jamais délivré: c'est toujours un soulagement. Les maux réels ont sur moi peu de prise; je prends aisément mon parti sur ceux que j'éprouve, mais non pas sur ceux que je crains. Mon imagination effarouchée les combine, les retourne, les étend et les augmente. Leur attente me tourmente cent fois plus que leur présence, et la menace m'est plus terrible que le coup. Sitôt qu'ils arrivent, l'événement leur ôtant tout ce qu'ils avaient d'imaginaire les réduit à leur juste valeur. Je les trouve alors beaucoup moindres que je ne me les étais figurés, et même au milieu de ma souffrance je ne laisse pas de me sentir soulagé. Dans cet état, affranchi de toute nouvelle crainte et délivré de l'inquiétude de l'espérance, la seule habitude suffira pour me rendre de jour en jour plus supportable une situation que rien ne peut empirer, et à mesure que le sentiment s'en émousse par la durée ils n'ont plus de moyens pour le ranimer. Voilà le bien que m'ont fait mes persécuteurs en épuisant sans mesure tous les traits de leur animosité. Ils se sont ôté sur moi tout empire, et je puis désormais me moquer d'eux.

(Jean-Jacques Rousseau)

*

Bom dia!

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18.1.07


JUDEU ERRANTE



Mais uma corrida, mais uma viagem.
Sem acentos.

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17.1.07


JARDINS DE INVERNO

Pateira de Fermentelos. Hoje.

(Gil Coelho)

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16.1.07


IMAGENS POLITICAMENTE INCORRECTAS 11


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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 16 de Janeiro de 2007


A peça de abertura do Telejornal da RTP das 13 horas (que acabei agora de ouvir), sobre a aplicação dos fundos comunitários, não tem um grama de jornalismo. Podia ser um prospecto de apresentação feito pelo governo dos fundos, e é um bom exemplo da governamentalização da RTP. Querem exemplos? Aqui está mais um.

ADENDA: O carácter governamentalizado da peça da RTP ainda se torna mais evidente quando se vê a mesma notícia na SIC: na RTP, as palavras pomposas do locutor abrem o noticiário, sobre imagens de grandes obras públicas preparando as declarações do Primeiro-Ministro para logo à noite; na SIC, a notícia (que no fundo é um anúncio de intenções) aparece no meio do noticiário, com um comentário crítico sobre a utilização anterior dos fundos comunitários e com referência à posição da oposição. O tom é sóbrio em vez de grandiloquente, uma diferença abissal no tom, nas imagens, no texto.

*
Li a observação do leitor Eduardo Saraiva. Diz textualmente: "Será necessário deslocar tanto dirigente, da administração central, dos serviços de Lisboa e descentralizados pelo País, para assistir à comunicação?
Quais os custos com as deslocações e ajudas de custo de tanto dirigente da administração pública?".

Estará ele a referir-se, justa mas tardiamente, à celebre reunião promovida pelo Governo de Durão Barroso nas instalações da FIL (Parque das Nações) no verão de 2004 sobre a não menos célebre Reforma da Administração Pública?

(Fernando Barros)

*

Ha’ em Portugal um pouco a ideia que o jornalismo deve ser sempre de investigacao, da procura incessante de algo podre, de algo desonesto, de dizer mal, de criticar por criticar, quase como um folhetim do PCP ou do BE.Isso na minha opiniao nao e’ jornalismo. O governo tem todo o direito de fazer passar a sua mensagem, quando entende e como bem entende, e cabe aos media passar essa mensagem. Quer se goste quer nao (eu nao gosto), o PS e’ governo e vai continuar a ser. E’ preciso que todos os portugueses se unam em redor deste governo e lhe deem a devida oportunidade para explicar e para implementar o seu programa. Muitas coisas merecem perguntas dificeis? Entao que se facam essas perguntas, obtenham-se as respostas e os portugueses que decidam se gostam ou nao. A oposicao que tenha a oportunidade de mostrar o seu ponto de vista, e quando houver eleicoes, entao cabe-nos a nos por este governo na rua ou nao.
O que nos temos em Portugal e’ um tom acusatorio, de um bando de jornalistas “chicos-espertos” que tem sempre a ultima palavra, e nao se coibem de atacar por vezes de forma baixa e desinformada. Veja-se o exemplo de Joao Jardim, aqui esta’ um homem que trouxe um enorme progresso economico para a Madeira, mas os tais chico-espertos iluminados nunca param de o atacar, de descontextualizar as suas afirmacoes e de lancar lama sobre toda a sua accao politica. Jardim e’ apenas um exemplo, existem muitos outros.

O tom da RTP de hoje com este governo nao e’ diferente do tom dos tempos de Cavaco Silva. Todos nos sabemos que estas tentativas de controlar a RTP ja’ vem de muito longe. A unica solucao e’ a privatizacao da mesma, que ja’ deveria ter acontecido ‘a muito tempo atras. Prejuizos atras de prejuizos, a serem pagos pelos impostos de todos nos e’ uma vergonha nacional. O modelo que funciona e’ o de uma televisao publica sem anuncios, com um orcamento reduzido, dedicada apenas a informacao e programas culturais de preferencia portugueses.

(Carlos Carvalho)

*

Acabo de ver, na SIC Notícias, a apresentação, pelo Sr. Primeiro-ministro, do QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) para o período 2007 – 2013, com o valor de 21,5 mil milhões de Euros dos fundos da EU. Se acrescentarmos o valor nacional, estaremos a falar de perto de 45 mil milhões de Euros. Não vou analisar as 10 prioridades aprovadas em Conselho de Ministros para o QREN pois considero que é fácil encontrar consenso para estas ou outras prioridades (estou feliz com a opção dos apoios para o interior). O que me espanta é, uma vez mais, a cerimónia para a apresentação do QREN. Uma coisa é a comunicação com ou aos portugueses, outra é a jornada de propaganda que já é habitual neste Governo.

Indagamos:

Será necessário deslocar tanto dirigente, da administração central, dos serviços de Lisboa e descentralizados pelo País, para assistir à comunicação?

Quais os custos com as deslocações e ajudas de custo de tanto dirigente da administração pública?

Não haverá outros meios, mais eficazes e menos oneroso, que possibilitem uma boa operacionalidade com as informações inerentes ao QREN?

Não quero falar, ou lembrar, a quebra de ritmo e de trabalho e o adiamento de decisões dos diversos processos que se encontram nos Ministérios, nas Direcções Gerais e nas CCR, perante a “necessidade/obrigatoriedade” de estar presente na sessão de propaganda governamental, mas em pleno séc. XXI, considero que estamos na altura de alterar certos comportamentos governamentais.

(Eduardo Saraiva)

*

Ontem no jornal da 2:, sobre a notícia da morte do ciclista colhido por um carro em Odemira e que demorou 7 horas para ser atendido em Lisboa, só focaram os distritos de Évora e Portalegre e sempre numa perspectiva das viaturas de emergência médica que irão adquirir e de formação ao pessoal a ser realizada, ou seja, só medidas a ser tomadas. Entrevistados? Ninguém directamente responsável pelo ocorrido; só alguém do INEM de Évora. O distrito de Beja (só possui uma viatura de emergência médica) praticamente não foi referido.


(Rui Oliveira)

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RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL

(Mário Alpalhão)

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INTENDÊNCIA

Actualização dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO .

Em actualização BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006 VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR (beta).

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RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL

Desmontagem da árvore de Natal.

(Ana Ferreira)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
TONTICES DO ESTADO DISCIPLINADOR


Segundo a Portaria n.o 868/2006 de 29 de Agosto...

Artigo 7.o

Deveres dos praticantes de pesca lúdica
1—...
2—Os praticantes de pesca lúdica, quando operem a partir de terra, devem guardar entre si ou em relação a pescadores profissionais, salvo acordo em contrário, a distância mínima de 10 m.
3—...

De acordo com a realidade de domingo passado, 14 de Janeiro de 2007, num troço do nosso litoral:

Dois pescadores a menos de dez metros um do outro...



Record: cinco pescadores, mas só uma cana à vista.


Pergunta: e quantos peixes pode pescar a gaivota?



Prémio: irá o helicóptero de armada que não chegou a tempo de salvar mais vidas na Nazaré chegar a tempo de multar?

(José Manuel Fernandes)

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JARDINS DE INVERNO

Ria Formosa.

(Adelino Afonso)

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EARLY MORNING BLOGS

953 - Les Projets

Il se disait, en se promenant dans un grand parc solitaire: "Comme elle serait belle dans un costume de cour, compliqué et fastueux, descendant, à travers l'atmosphère d'un beau soir, les degrés de marbre d'un palais, en face des grandes pelouses et des bassins! Car elle a naturellement l'air d'une princesse."

En passant plus tard dans une rue, il s'arrêta devant une boutique de gravures, et, trouvant dans un carton une estampe représentant un paysage tropical, il se dit: "Non! ce n'est pas dans un palais que je voudrais posséder sa chère vie. Nous n'y serions pas chez nous . D'ailleurs ces murs criblés d'or ne laisseraient pas une place pour accrocher son image; dans ces solennelles galeries, il n'y a pas un coin pour l'intimité. Décidément, c'est là qu'il faudrait demeurer pour cultiver le rêve de ma vie."

Et, tout en analysant des yeux les détails de la gravure, il continuait mentalement: "Au bord de la mer, une belle case en bois, enveloppée de tous ces arbres bizarres et luisants dont j'ai oublié les noms..., dans l'atmosphère, une odeur enivrante, indéfinissable..., dans la case un puissant parfum de rose et de musc..., plus loin, derrière notre petit domaine, des bouts de mâts balancés par la houle..., autour de nous, au-delà de la chambre éclairée d'une lumière rose tamisée par les stores, décorée de nattes fraîches et de fleurs capiteuses, avec de rares sièges d'un rococo portugais, d'un bois lourd et ténébreux (où elle reposerait si calme, si bien éventée, fumant le tabac légèrement opiacé!), au-delà de la varangue, le tapage des oiseaux ivres de lumière, et le jacassement des petites négresses..., et, la nuit, pour servir d'accompagnement à mes songes, le chant plaintif des arbres à musique, des mélancoliques filaos! Oui, en vérité, c'est bien là le décor que je cherchais. Qu'ai-je à faire de palais?"

Et plus loin, comme il suivait une grande avenue, il aperçut une auberge proprette, où d'une fenêtre égayée par des rideaux d'indienne bariolée se penchaient deux têtes rieuses. Et tout de suite: "Il faut, - se dit-il, - que ma pensée soit une grande vagabonde pour aller chercher si loin ce qui est si près de moi. Le plaisir et le bonheur sont dans la première auberge venue, dans l'auberge du hasard, si féconde en voluptés. Un grand feu, des faïences voyantes, un souper passable, un vin rude, et un lit très large avec des draps un peu âpres, mais frais; quoi de mieux?"

Et en rentrant seul chez lui, à cette heure où les conseils de la Sagesse ne sont plus étouffés par les bourdonnements de la vie extérieure, il se dit: "J'ai eu aujourd'hui, en rêve, trois domiciles où j'ai trouvé un égal plaisir. Pourquoi contraindre mon corps à changer de place, puisque mon âme voyage si lestement? Et à quoi bon exécuter des projets, puisque le projet est en lui-même une jouissance suffisante?"

(Baudelaire)

*

Bom dia!

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15.1.07


JARDINS DE INVERNO

Parque da cidade de Denver, Colorado, EUA.

(Manuela Mage)

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JARDINS DE INVERNO

Quinta de Santa Clara, Lisboa

(bvbasto)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 15 de Janeiro de 2007

Chamo-lhes a atencao para este interessante artigo da Newsweek. Fala sobre a explosao economica no Iraque, apontando diversos numeros e estatisticas como prova. Fala tambem sobre o facto de que os iraquianos estao extremamente optimistas em relacao ao seu futuro, apesar de toda a violencia que abala o seu pais. O que e’ curioso e’ que este tipo de noticias nao aparecem nos noticiarios nem nos jornais de qualquer outro pais. Porque sera’? O sentimento anti-Americano e’ de tal forma elevado que ja’ se “escolhem” as noticias que “vale a pena” o vulgar cidadao saber. (sem acentos)

(Carlos Carvalho)

*

Faz amanhã o que podes fazer hoje. Os mistérios da "procrastination".

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JARDINS DE INVERNO





Hoje, em Sul, São Pedro do Sul (José Manuel de Figueiredo)

Quinta do Lago (Adelino Afonso)

Azinheira (Quercus ilex rotundifolia) - Alcaria – Mira de Aire - Janeiro 14, 2007 (Telmo Martins)

Serralves (José Carlos Santos)

(Se clicar sobre as fotos pode vê-las no tamanho original.)

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MISSÃO 7

(Fotografias inéditas da missão dos paraquedistas portugueses no Afeganistão)


Helicóptero “Super Puma”, armado, espanhol parte de Kandahar para mais um reconhecimento com páras portugueses a bordo.

C-130 italiano e viatura Hummer dos páras portugueses na pista de Kandahar. Mais um aerotransporte para nova área de operações.

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BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006
VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR (beta)


NOTAS DE ABERTURA

Escrevo no Público e na Sábado e participo num programa da SICN. Se esses são conflitos de interesse, aqui ficam registados. Este balanço depende muito do que li, ouvi e vi directamente, logo pode ser desigual e injusto com muito de bom ou mau na comunicação social. Por exemplo, ouvi muito pouca rádio este ano, vejo poucas vezes a TVI com excepção dos noticiários, mas leio quase toda a imprensa. Esta primeira versão do texto é ainda uma aproximação. Algumas entradas ainda não estão desenvolvidas. Como sempre, espero dos leitores do Abrupto opiniões, sugestões, correcções e debate, antes de fazer um texto definitivo.

BOAS COISAS


Novos jornais: Levanta-se o Sol e melhora o Expresso. O Expresso melhorou muito signicativamente com o seu novo formato e com algumas mudanças na arrumação interior. O Sol quer ser tudo e mais alguma coisa e isso tem um preço: quando têm notícias elas tendem a ser desvalorizadas


O papel crescente das novas tecnologias na comunicação social portuguesa: os podcasts na rádio, o sector multimédia da RTP/RDP e o Sapo XL ( mais ligado à SIC ) com um canal na internet.


O Provedor do Público mostra que começa a existir, pela primeira vez na história recente da comunicação social portuguesa, um ambiente favorável à verificação da qualidade do trabalho jornalístico. Esse controlo deve vir dos pares e dos leitores, do debate público e do trabalho científico e não de qualquer regulação imposta pelo Estado. É o debate público a solução. Felizmente os tempos mudaram e hoje começam, ainda que de modo ténue, a ver-se os resultados e acima de tudo as vantagens. No caso português dois factores foram fundamentais: o trabalho de alguns Provedores dos Leitores e os blogues. O Provedor dos Leitores do Público não caiu nem na complacência corporativa nem no receio de ser mal visto pelos jornalistas da casa.

Melhorias gráficas nos jornais (Diário de Notícias, por exemplo) e excelentes ilustradores e cartonistas num número significativo de jornais (Expresso, Diário de Notícias, Público, etc.), uma massa crítica com uma qualidade ímpar tendo em conta a pequenez do nosso meio comunicacional.


O Correio da Manhã é um bom jornal. É o que pretende ser e acaba por ser mais alguma coisa do que aquilo que pretende ser.


A imprensa de distribuição gratuita está boa, e é cada vez mais e mais diversificada.



A Sábado é o órgão de comunicação social portuguesa mais subestimado, vítima das “sinergias” que lhe faltam: não tem quem puxe pelas suas notícias nos outros órgãos de comunicação social. Mas que tem notícias, isso tem, por detrás daquelas capas sensacionalistas. Repito ipsis verbis o que disse o ano passado acrescentando que o sucesso da Sábado face à Visão levou-a a ultrapassá-la nas vendas em banca, o que é um feito. A Visão precisa mesmo de levar uma volta.


Alguns dos programas do Prós e Contras foram os melhores (nalguns casos os únicos) debates sobre matérias de interesse público.


Na nossa "era dos engraçadinhos" o humor tornou-se prato forte das televisões. Há de tudo, bom e mau. O Gato Fedorento é o melhor de longe, mas está a seguir o ciclo perigoso de Herman José: o sucesso começa a ter o preço do desgaste que resulta de muitos programas, muitas horas, muita publicidade e não há graça que sustente tanto "humor". Herman José na sua queda, não deixando de ser o génio do humor que sempre foi (e estou certo que voltará), deve olhar para trás e reconhecer nos Gatos o mesmo caminho que ele trilhou assombrado pelas mesmas tentações.


As séries da Fox no cabo, e nas séries, as da HBO. Muito dividido entre os Sopranos e Deadwood, inclino-me para considerar Deadwood a melhor série televisiva que jamais vi, depois da Twilight Zone original.


Na SIC Notícias: Mário Crespo. Crespo tem um estilo de entrevista informado, estudioso, empático, que resulta muito bem no espaço temporal de que dispõe. A saída de João Adelino Faria é uma perda importante para a SICN.


Na blogosfera: o debate político. Os blogues políticos de todas as cores continuam a ser a parte mais dinâmica da blogosfera, contra todas as cíclicas previsões em contrário. O debate pode ter todos os defeitos da "atmosfera", mas tem também qualidades que só há na blogosfera. Repito ipsis verbis o que disse o ano passado.

Pelo contrário, o papel da blogosfera nas micro-causas esbateu-se, em parte pela banalização do termo e da função, noutra parte, porque a imprensa em papel pega rapidamente nos temas da blogosfera e apaga a assinatura original. Os blogues de jornalismo também perderam alguma acuidade e foram menos activos e menos críticos.


Livros e revistas sobre jornalismo.


COISAS MÁS / PÉSSIMAS


A política comunicacional governativa. O objectivo de todos os governos face à comunicação social é sempre o mesmo: controlá-la, quando não se consegue controlá-la, moldá-la, quando não se consegue moldá-la, neutralizá-la, quando não se consegue neutralizá-la, penalizá-la. O actual governo do PS beneficia das velhas vantagens que os socialistas sempre tiveram na comunicação social, um número significativo de jornalistas está melhor com o PS (a "esquerda") no governo do que com o PSD ou o CDS (a "direita"). Isto é verdade para jornalistas da "esquerda", mas também para muitos da "direita" (veja-se a imprensa de "negócios"). Mas, a esta velha realidade, o actual governo soma outras: tem maioria absoluta e fraca oposição, tem muito tempo à sua frente para governar. Isso permite-lhe nomear as pessoas-chave para os lugares-chave, o principal mecanismo de controlo da informação nos dias de hoje, num número significativo de cargos dado o peso da nossa comunicação social estatal. Através de decisões "económicas" ou de regulação, pode usar a cenoura e o pau para os grupos privados, beneficiando também da enorme dependência que em Portugal existe do Estado e do governo em múltiplas decisões que deveriam estar fora do Estado e da política e não estão. Por fim, unindo muito significativamente num mesmo ministro uma função puramente política (os "assuntos parlamentares") com a comunicação social, usa o governo para legislar por forma a manter um controlo rígido sobre o sector.


Entidade Reguladora para a Comunicação Social. A ideia da sua existência já é má, a sua actuação tem sido péssima. Recebida com alguma expectativa, a que não era alheia uma certa benevolência depois do descalabro da Alta Autoridade, a ERCS auto-imolou-se na forma como tratou da questão da crítica do Público à governamentalização da RTP.

A ausência de programas de informação nas televisões generalistas.



Na RTP: a cobertura dos assuntos da UE.




A imprensa generalista cai. Agravou-se a crise e a solução não está em mais do mesmo (não há solução evolutiva, evolucionista), mas em pensar de forma radical, a nova economia global da comunicação. Em papel, na rádio, nos ecrãs (televisão e computador) e na Rede .


A Antena 2 é demasiado loquaz . Não mudou.




Truques na blogosfera portuguesa para incrementar visitas e ligações artificialmente. À medida que a blogosfera se torna mais relevante quer no plano político, quer no plano dos negócios, a tentação de usar mil e um pequenos truques - criação de falsos blogues, criação de redes de blogues densamente ligados por referências mútuas para subir no rankings, colocação estratégica de contadores, truques de indexação para aparecer no Google, número elevado de auto-ligações, etc., etc. - tem vindo a crescer.


Na 2: Clube dos Jornalistas, perdeu qualidade e relevância. Começou a ter “causas” e a querer ouvir dos seus convidados a justificação dessas “causas”. Perdeu interesse e tornou-se mais conformista com o velho jornalismo do que o que já era.

Os blogues dos jornais em geral. Há excepções, mas a regra é má. O Público é a excepção e tem a melhor série de blogues, com Ponto Media, o excelente Arte Photographica, e o Timor . Foi pena ter perdido o Da Rússia de José Milhazes. Os blogues do Expresso são a regra. No seu conjunto, esses blogues não são vistos como tais pelos seus pares como se verifica pela quase ausência de citação. É como se não existissem.


A versão em linha do Diário de Notícias que tem um sítio mal feito, mal desenhado, desleixado e mal mantido. Já me aconteceu várias vezes encontrar entrevistas em que o entrevistado nunca chega a ser identificado em linha, pelo que não se sabe de quem são as declarações. O Público alargou as matérias acessíveis sem assinatura, o que é uma evolução positiva, e tem o melhor sítio na Rede.


O excesso de futebol em todas as televisões, mas com mais gravidade na RTP que por ser "serviço público" devia escapar às pressões das audiências. O futebol invadiu o horário nobre, o burguês e o plebeu. Invadiu os telejornais, os programas de informação, numa dose que duvido sequer existir nas televisões sul-americanas.


A tendência crescente para a violação da intimidade e da privacidade em toda a imprensa, de referência e "cor de rosa". O Expresso e o Sol deram exemplos negativos e o que se passa nas revistas "cor de rosa", do jet set, do "coração" e quejandos, já ronda o mais miserável voyeurismo.


A política de gestão de canais da TVCabo.



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Não concordo com a opinião expressa sobre as entrevistas de Mário Crespo na SIC Notícias.
É um facto que nessas entrvistas se reconhece um trabalho prévio de estudo dos assuntos em debate, o que não é muito comum no jornalismo da televisão.
Mas Crespo revela-se um jornalista de tal foma radical que, muitas vezes, deixa-se enredar em pesquisas enviesadas que o levam a insistir, perante os seus entrevistados, na defesa de teses completamente absurdas.
Por exemplo: quando se trata de terrorismo e de terroristas, Mário Crespo faz as suas entrevistas partindo do pressuposto que o único problema a resolver neste capítulo chama-se Estados Unidos da América.

(Francisco Oliveira Baptista)

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Desagradou-me o texto da sua leitora Margarida Oliveira relativo a Marcelo Rebelo de Sousa. Não que esteja em desacordo com tudo o que ela escreve; por exemplo, também não gosto da maneira como ele trata as entrevistadoras. Mas não percebo porque é que recupera a tese do «contraditório». Porque é que havia de o ter? Quando ouço ou leio um analista político não estou à espero da existência de um contraditório, nem percebo porque é que deveria existir. E porquê só dizer isto de Marcelo Rebelo de Sousa? Porque não de Paulo Portas ou de Miguel Sousa Tavares? Quanto a ter uma «agenda», sim, é claro que a tem. E depois?
Mais uma vez, também é esse o caso de Paulo Portas. Já reparou como as pesoas têm tendência para só se aperceberem de que um político tem uma agenda quando não simpatizam com ele? Finalmente, quanto ao facto de as «entrevistadoras» (estou de acordo com as aspas) serem sempre mulheres, o que é que tem de especial? No tempo da TVI eram quase sempre homens.
Desde que passou para a RTP, só teve dois interlocutores que, sim, são mulheres. Mas não é verdade que quase todas as entrevistas feitas pela RTP são feitas por mulheres? Porque é que havia de ser diferente no caso de Marcelo Rebelo e Sousa?

(José Carlos Santos)

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Julgo que o aparecimento do Sol levou o Expresso a piorar e a melhorar ao mesmo tempo. Melhorou nos editoriais, na informação e na opinião, mas piorou no lado voyeur, no sarcasmo fácil de algumas colunas tendo como pior exemplo a coluna Gente (anónima), muitas vezes insultuosa. Julgo por isso que haveria ainda espaço (intelectual pelo menos) para um terceiro semanário que elevasse o nível e pudesse talvez elevar os outros dois.

A Sábado, talvez seja subestimada mas terá então muita culpa devido às capas que escolhe. Vergonhosas algumas, a de Pinto da Costa e Carlina Salgado por exemplo é de muito mau gosto.

Os três diários ditos desportivos mas que são na realidade futebolísticos (as outras modalidades raramente têm o destaque que merecem, e mesmo o futebol é mal retratado, desde a relação entre os “grandes”, onde uns “grandes” são maiores que outros, e a dos “pequenos” onde uns são menos “pequenos” que outros) devem entrar nas coisas péssimas. Primeiro por apresentarem-se como desportivos (o que não são de facto), segundo por se apresentarem como imparciais, basta pegar nas capas e vê-se bem que não o são (o exemplo do jornal O Jogo que tendo duas capas diferentes, uma para o Norte outra para o Sul, demonstra cobardia jornalística), 90% dos dias o destaque principal das capa não corresponde a uma notícia que mereça tal coisa.

O horário pós-laboral e nobre da TVI dominado por novelas de paupérrima qualidade. A exibição quase diária da série Doctor House é algo positivo embora demasiado tarde, para não falar da confusão que foi a mudança da segunda série para a terceira série sem explicação nem sequência lógica.

A revista Blitz cuja mudança de formato (de jornal para revista) parece ter sido positiva, sobretudo a nível das fotografias, exemplo disso mesmo foi o número que saíu sobre os Xutos e Pontapés.

Filipe Pinto da Silva (Bruxelas)

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No sua resenha do melhor/pior da comunicação social, parece-me injusta:


1. (no Bom) a exclusão do programa da Dois, "Por outro lado", da jornalista Ana Sousa Dias. Para além de uma escolha de entrevistados nem sempre muito "mediáticos", que nos permite conhecer pessoas com valor e que passam ao lado da maioria da informação usual, agrada-me o tom intimista da conversa e efectivamente a tentativa conseguida de obtermos o tal "outro lado" do entrevistado.

2. (no mau) a exclusão do tempo de antena dado a Marcelo Rebelo de Sousa (MRS). Mesmo reconhecendo as qualidades do Professor, nunca consigo ver o programa sem perder a ideia de que MRS tem a sua própria "agenda". Continua a não haver contraditório sendo a entrevistadora muitas vezes interrompida abruptamente por MRS. Aliás, considero a figura da jornalista neste programa do mais ingrato que há porque MRS está (mal) habituado ao que fazia na TVI (sem dúvida muito pior). Não fazem sentido as "encíclicas" dominicais de MRS.
Escaparam-me à altura as razões pelas quais Ana Sousa Dias abandonou o programa de MRS e também acho curiosa a coincidência (será?) de as "entrevistadoras" serem sempre mulheres.

(Margarida Oliveira)

*

Concordo com tudo o que tem dito sobre a situação do provedor do Público, nomeadamente no caso presente do plágio que, na minha opinião, nem resulta do fascínio pela ideia alheia, mas apenas num facilitismo em que lhe parece que "pr'o que é, bacalhau basta". Fez tudo em cima do joelho achando que ninguém daria por nada.

Acontece que continua a falar do assunto como uma arrogância daquelas que me habituou a pensar "esta atitude apoia-se em quê?". Nos meus tempos de juventude perguntava sem rodeios que é que dorme com quem nesse filme, mas hoje não sei como é que estas coisas funcionam. O que sei é que, em face de algo tão grave como isto, ela continua a falr como se nada tivesse feito e a transpor as culpas para o provedor, com alguma anuência do Conselho de Redacção.

Vamos a ver se o seu entusiasmo perante um "jornal diferente" não vai acabar num lastimoso "pobre país a nosso", como já lhe aconteceu noutras alturas.

(Henrique Jorge)

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Eu sou um aficionado de desporto. Mas raramente compro jornais desportivos em Portugal .Os três jornais desportivos que existem em Portugal - A Bola http://www.abola.pt/ , O Record http://www.record.pt/ e O Jogo http://www.ojogo.pt/22-325/index.htm - são jornais em que não me revejo .

Desde logo , deviam ser apelidados de Jornais Futebolísticos , em vez de Jornais Desportivos , porque o peso do Futebol é tremendo , remetendo as restantes modalidades para o marasmo .

Alem de que é um jornalismo acrítico , repetitivo , com uma grande dependência das fontes e que se limita a servir de eco para os dirigentes mandarem os seus recados . Muitas vezes as peças assinadas nos 3 jornais referidos roçam o ridículo , como por exemplo quando se descreve as "peladinhas dos treinos " , ou as ementas dos almoços dos jogadores antes de qualquer Benfica - Sporting ou Porto - Benfica .

Nota positiva no jornalismo desportivo , a revista “ Record 10 “ , que é distribuída com a edição de Sábado do Record . Grande destaque para as “ Outras Modalidades “ , com reportagem e entrevistas com os principais atletas a nível nacional e internacional , um bom grafismo e colunistas corajosos e independentes .

(João Melo)

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JARDINS DE INVERNO

Serra das Meadas, com Lamego ao fundo.

(Gil Regueiro)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "TEORIAS DO LAZER"



Neste domingo, depois de um passeio que se prolongou da Serra da Lousã ao Bigorne, em Castro D'Aire, percebi que o aquecimento global não só está a favorecer a actividade das aranhas como também desenvolve as antenas de outros insectos.

Nada tenho contra as energias limpas, pelo contrário, mas sou peremptoriamente contra a falta de planeamento paisagístico e de produtos turísticos culturais que derivem de estudos aprofundados. Coisa a que assistimos diariamente.

Relativamente à zona da Lousã, Góis e outros concelhos do Pinhal Interior Norte (de onde anexo duas fotos), há um "grande" plano de desenvolvimento turístico que tem consistido na dotação de alguns dinheiros para a gestão urbanística (i.e., da forma como se aplica o cimento) das aldeias de xisto do Pinhal Interior Norte e Sul.

Pelo que sei, é um plano digno de António Ferro: a idea é chamar turistas para comer castanha, chanfana e ver enxadas. Agora, também, os Aerogeradores, nos baldios que deixou Salazar. Nada mais acontece.

No fundo um turismo muito pobre, sem criatividade, sem nada de novo. Um turismo de comes-e-bebes. Um passeio de domingo, igual ao das queijadas de Sintra (sem os palácios) e igual ao circuito do vinho, do chouriço e do leitão da Bairrada (sem as chatices na N1).

Aparentemente, é isto que somos. E é assim que uns quantos doutores que assinam o corpo técnico de revistas da especialidade veêm a Teoria do Lazer.

As Fotos

Na foto 1:

O Pico da Ortiga (c. de 900 mts) na Serra da Lousã. Ao fundo a noroeste, sobre a névoa, a Serra do Buçaco (c. 600 mts.)

Na foto 2:

À esquerda a vertente sul da Serra da Estrela sem neve e totalmente queimada no verão de 2004 (a Torre no alto e a zona de Loriga e Unhais, que desce para a zona do rio Alva, fora da foto). Ao centro, o pico de S. Jorge na Serra do Açor (c. 1350 mts); numa das vertentes esconde-se a aldeia do Piódão e a lindíssima pousada do INATEL. À direita, a zona de confluência entre Góis e Pampilhosa da Serra (os aerogeradores estão na zona do Cadafaz, em Góis)

(Vasco Godinho)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
21 QUESTÕES SOBRE O AEROPORTO DA OTA




1 - Porque é que o estudo elaborado pela ANA em 1994 (que identifica a Base Aérea do Montijo como a melhor localização para o novo aeroporto e que classifica a Ota como a pior e mais cara opção) não se encontra disponível no site da NAER?

2 - Porque é que o estudo elaborado pela Aeroports de Paris em 1999 (que recomenda a localização do NAL no Rio Frio e que classifica a Ota como pior opção) não justifica o facto de não ter sido sequer considerada a opção recomendada no estudo anterior?

3 - Porque é que todos os estudos e documentos disponibilizados, elaborados entre 1999 e 2005, incluindo o “Plano Director de Desenvolvimento do Aeroporto”, tiveram como premissa a localização na Ota, considerada nessa altura como a pior e mais cara opção?

4 - Porque é que o documento apresentado como suporte da decisão de localização na Ota é apenas um “Estudo Preliminar de Impacto Ambiental”, no qual questões determinantes para a localização de um aeroporto (operações aéreas, acessibilidades, impacto na economia) foram tratadas de um modo superficial, ou não foram sequer afloradas?

5 - Porque é que na ficha técnica do atrás referido “Estudo Preliminar de Impacto Ambiental” não constam especialistas na áreas da aeronáutica e dos transportes?

6 - Porque é que o “Estudo Preliminar de Impacto Ambiental” para o aeroporto na Ota usou os dados dos Censos de 1991 para calcular o impacto do ruído das aeronaves sobre a população, quando existiam dados de 2001 e uma das freguesias mais afectadas (Carregado) mais do que duplicou a sua população desde 1991?

7 - Em que documento é que são comparados objectivamente (com outras hipóteses de localização) os impactos económicos e ambientais associados à opção da Ota (desafectação de 517 hectares de Reserva Ecológica Nacional; abate de cerca de 5000 sobreiros; movimentação de 50 milhões de m3 de terra; “encanamento” de uma bacia de 1000 hectares a montante do aeroporto; impermeabilização de uma enorme zona húmida; necessidade de expropriar 1270 hectares)?

8 - Em que documento é que se encontra identificada a coincidência do enfiamento de uma das pistas da Ota com o parque de Aveiras da Companhia Logística de Combustíveis (a apenas 8 Km) e avaliadas as consequência de um possível desastre económico e ecológico decorrentes de desastre com uma aeronave?

9 - Em que documento é que se encontra a avaliação do impacto da deslocalização do aeroporto no turismo e na economia da cidade e da Área Metropolitana de Lisboa?

10 - Em que documento é que se encontra a avaliação do impacto urbanístico decorrente da deslocalização do aeroporto para um local a 45 km do centro da capital?

11 - Em que documento é que se encontra a avaliação do impacto da deslocalização dos empregos e serviços decorrente da mudança do aeroporto para a Ota?

12 - Em que documento é que se encontra equacionado o cenário da necessidade de construir um outro aeroporto daqui a 40 anos, quando o Aeroporto da Ota se encontra saturado?

13 - Que medidas estão previstas para existir uma tributação especial das enormes mais-valias que terão os proprietários dos terrenos envolventes à zona do aeroporto (e não afectados pelas expropriações) que até ao momento estão classificados como Reserva Ecológica Nacional ou Reserva Agrícola Nacional e passarão a ser terrenos urbanizáveis?

14 - Em que documento se encontra a explicação para ter sido considerada preferível uma localização para o novo aeroporto que “roubará” mercado ao Aeroporto Sá Carneiro em detrimento de captar o mercado de Extremadura espanhola?

15 - Porque é que a localização na Base Aérea do Montijo não foi sequer considerada, quando apresenta inúmeras vantagens (14 Km ao centro da cidade, posição central na Área Metropolitana, facilmente articulável com o TGV, possibilidade de ligações fluviais, urbanisticamente controlável)?

16 - Qual é a explicação para que a articulação entre as duas infra-estruturas construídas de raiz (Aeroporto da Ota e Linha de Alta Velocidade Lisboa-Porto) obrigue a um transbordo de passageiros numa estação a 2 Km da aerogare?

17 - Porque é que se optou por uma localização para o aeroporto que implicará um traçado da Rede de Alta Velocidade com duas entradas distintas em Lisboa, cada uma delas avaliada num valor da ordem de mil milhões de euros (percurso Lisboa/Carregado e Terceira Travessia do Tejo), quando um aeroporto localizado na margem Sul funcionaria perfeitamente só com a nova ponte?

18 - Qual é o valor do sobre-custo do traçado da Linha de Alta Velocidade Lisboa-Porto na margem direita do Tejo, por oposição ao traçado pela margem esquerda, fazendo a travessia na zona de Santarém?

19 - Porque é que a ligação ao Porto de Sines será construída em bitola ibérica, quando bastava que o traçado da linha Lisboa-Madrid passasse a Sul da Serra de Monfurado (um aumento de apenas 8 Km) para que fosse viável a construção de um ramal de AV para Sines (e posteriormente para o Algarve) a partir de um nó a localizar em Santa Susana (concelho de Alcácer do Sal)?

20 - Na análise custo-benefício do investimento da Linha de Alta Velocidade Lisboa-Porto foi considerada a concorrência do Alfa Pendular (na actual Linha do Norte), o facto de o traçado não permitir o transporte de mercadorias e a necessidade de mudança de transporte para percorrer a distância das estações intermédias aos centro das respectivas cidades (Leiria, Coimbra, Aveiro)?

21 - Por último, em que relatório se encontra a recomendação da Ota como melhor localização para o novo aeroporto por comparação com as outras alternativas possíveis (Rio Frio, Base Aérea do Montijo, Campo de Tiro de Alcochete, Poceirão)?

(Luís Maria Gonçalves)

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JARDINS DE INVERNO

Praia da Quinta do Lago.

Adelino Afonso (Loulé)

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RETRATOS DO TRABALHO EM VALE DA MUA, MAÇÃO, PORTUGAL

Lagar em Vale da Mua, concelho de Mação.

(...) as oliveiras ardidas há três anos já rebentaram e estão a dar mais azeitona que nunca. Este é também um retrato de um Portugal em vias de extinção, que alguns teimam em não deixar morrer. Já agora, o lagar pertence a uma coopertativa, a OLIMUA, e este ano não precisou de ligar os motores diesel - trabalhou sempre a água.

(Carlos Pinto)

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EARLY MORNING BLOGS

952 - The Nineteenth Century And After

Though the great song return no more
There's keen delight in what we have:
The rattle of pebbles on the shore
Under the receding wave.

(William Butler Yeats)

*

Bom dia!

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14.1.07


MISSÃO 6

(Fotografias inéditas da missão dos paraquedistas portugueses no Afeganistão)

Distância obrigatória para as viaturas civis que sigam atrás de um veículo militar.


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MISSÃO 5

(Fotografias inéditas da missão dos paraquedistas portugueses no Afeganistão)

Em Kandahar no regresso de uma patrulha.

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ARACNOFILIA





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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 14 de Janeiro de 2007


Hoje, deve ser impressão minha, as aranhas estão mais activas.

*

Hoje, era suposto ir procurar junto do Sol o cometa McNaught (aqui visto pelo SOHO do espaço e da Alemanha, na Terra) mas este miserável nevoeiro não me deixa ver nada.



*

Coisas sobre as quais eu não sabia rigorosamente nada, nem sequer que existiam: as "betelnut girls" em Taiwan, e o comportamento de uma espuma auxética (acho que se diz assim em português).

*

Suspeito que entre aranhas e cometas, o dia das surpresas está longe de terminar. Nos intervalos leio A Origem das Espécies. Não está mal.

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JARDINS DE INVERNO

Praia da Quinta do Lago.

Adelino Afonso (Loulé)

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EARLY MORNING BLOGS

951 - A ventura é traidora

Tembra a que unha inmensa dicha
neste mundo te sorprenda;
grorias, aquí, sobrehumanas,
tran desventuras supremas.
Nin maxines que pasan os dores
como pasan os gustos na terra;
¡hai infernos na memoria,
cando n'os hai na concencia!

Cal arraigan as hedras nos muros,
nalgúns peitos arraigan as penas,
e unhas van minando a vida
cal minan outras as pedras.
Si; tembra, cando no mundo
sintas unha dicha imensa;
val máis que a túa vida corra
cal corre a iaugua serena.

(Rosalia de Castro)

*

Bom dia!

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13.1.07


MISSÃO 4


No decurso de um helitransporte.

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MISSÃO 3


As viaturas são portuguesas e o heli espanhol procede ao reabastecimento, algures, para a missão poder continuar sem regressar ao quartel. (Se clicar sobre as fotos pode vê-las no tamanho original.)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 13 de Janeiro de 2007


A acrescentar às boas coisas da comunicação social: começa a existir, pela primeira vez na história recente da comunicação social portuguesa, um ambiente favorável à verificação da qualidade do trabalho jornalístico. Durante anos a fio, sem grandes resultados, insisti na ideia de que não tinha sentido existir um controlo rigoroso de qualidade para os iogurtes e as salsichas e nenhum controlo da qualidade de jornais, rádios e televisões. Durante os mesmo anos fui também claro na ideia de que esse controlo deveria vir dos pares e dos leitores, do debate público e do trabalho científico e não de qualquer regulação imposta pelo Estado. Combati Leis de Imprensa, Altas Autoridades e Entidades Reguladoras, confiante de que uma combinação da lei geral com o debate público, é que eram a solução. Felizmente os tempos mudaram e hoje começam, ainda que de modo ténue, a ver-se os resultados e acima de tudo as vantagens.

No caso português dois factores foram fundamentais: o trabalho de alguns Provedores dos Leitores e os blogues. O Provedor dos Leitores do Público não caiu nem na complacência corporativa nem no receio de ser mal visto pelos jornalistas da casa. A Direcção do Público, como se vê no recente e exemplar caso de plágio (ver a documentação publicada), não deixou também morrer o assunto, mostrando como o jornal não é apenas de "referência" por se auto-nomear como tal.

Por seu lado, os blogues mudaram tudo e tornaram o escrutínio da comunicação social em tempo quase real um ponto sem retorno. Blogues como o Bloguitica fazem muita gente subir pelas paredes da sua redacção acima, exactamente porque o estilo seco e objectivo do seu autor não deixa muita margem para esconder os erros e as manipulações evidentes. Outros blogues, em muitas áreas tem trazido o mesmo tipo de análise, comentário, debate aos produtos da comunicação social. Claro que há exageros e, às vezes, injustiças, mas há hoje na blogosfera a "coluna" que nunca nenhum jornal quis ter: havia crítica de televisão, não havia crítica de jornais. Agora há.

Alguns jornalistas reagem com uma imensa irritação ao verem o seu trabalho escrutinado. Não adianta, os tempos já mudaram mesmo e não voltam atrás.

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JARDINS DE INVERNO





Em Paderne, Algarve (José Farinha); nas Termas de São Pedro do Sul (José Manuel de Figueiredo); junto dos moinhos de Kinderdijk, perto de Roterdão, (Diogo Cavaco); no Burggarten, Vienna (José Paulo Andrade).

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COISAS DA SÁBADO: UM OLHO CEGO E OUTRO QUE VÊ

0013A Quercus protestou contra a instalação de uma unidade de aquacultura da Pescanova numa zona protegida pela rede Natura, chamando a atenção para que o mesmo projecto tinha sido impedido em Espanha. Provavelmente tem razão, e é bom que a Quercus ou qualquer outro grupo ambientalista mantenha um olho aberto face à destruição acelerada do nosso ambiente. Só que uma passagem pelo sítio da Quercus na Rede e uma leitura do seu balanço do melhor e do pior de 2006 mostra como há um outro olho firmemente fechado, quando não cego de todo: aquele que não vê a rápida desaparição da nossa paisagem natural com a colocação de aerogeradores, as “ventoinhas” por tudo quanto é monte e linha de horizonte ainda bravio.

Percebe-se infelizmente porquê: trata-se de um grande negócio, um dos grandes negócios dos dias de hoje, fortemente subsidiado, movendo interesses cada vez mais alargados – empresas multinacionais, autarquias, grupos empresariais, e … ecologistas – e que alastra com a mesma velocidade rapace de outros que o precederam. A velocidade das eólicas é semelhante na sua imposição de situações”económicas” de facto à construção civil, ao urbanismo selvagem, às suiniculturas no tempo em que davam dinheiro fácil. Existem, como é óbvio, recomendações europeias, muito tímidas aliás, sobre os efeitos de degradação do ambiente, poluição sonora, destruição da linha da paisagem, etc, mas nem essas débeis resoluções recebem qualquer atenção dos nossos ecologistas que vendo tudo em todo o lado, sapos e cogumelos, isótopos e transgénicos, não vêm o caos que está a ser a colocação de aerogeradores em tudo quanto é cumeada livre e com vento.

Não se trata de ser contra a energia eólica – sou completamente a favor – mas de prevenir para que a vontade de dinheiro rápido e fácil não exerça o mesmo efeito de degradação de bens nacionais, acrescentando mais uma camada ao caos paisagístico português.

*

Tomada de posição da Quercus há 3 anos:

O adequado aproveitamento das energias renováveis, a par de uma melhoria substancial da eficiência energética, é fundamental para garantir um desenvolvimento mais sustentável no nosso país. A energia eólica, que possui em Portugal um grande potencial de crescimento, será motivo de um enorme investimento nos próximos tempos que deverá fazer aumentar muito a sua capacidade de produção eléctrica (dos actuais 300 megawatts de potência instalada para 3750 previstos até 2010). Este rápido crescimento dos aproveitamentos eólicos, promovido pela necessidade de Portugal produzir 39% da sua energia eléctrica a partir de fontes renováveis de energia até ao ano de 2010 e reduzir os níveis de emissão de gases com efeito de estufa, significará uma pressão cada vez maior sobre as Áreas Protegidas.

Considerando que as Áreas Protegidas e os Sítios da Rede Natura 2000 são espaços fundamentais para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade em Portugal e tendo em conta que o Governo, através de um despacho recentemente publicado, demonstrou claramente pretender facilitar a instalação de parques eólicos nestes importantes espaços do território português, a Quercus considera oportuno tecer algumas considerações sobre o assunto:

1 - O desenvolvimento das energias renováveis e a melhoria da eficiência energética devem ser fortemente incentivados por forma a diminuir o recurso aos combustíveis fósseis que têm vindo a agravar a poluição atmosférica e as alterações climáticas.

2 - A energia eólica tem um papel fundamental na conquista de um desenvolvimento sustentável para Portugal, pelo que deverá ser alvo de um maior aproveitamento ao longo do território nacional.

3 - Todas as formas de produção de energia eléctrica, incluindo as energias renováveis, podem ter efeitos negativos sobre o Ambiente pelo que devem ser sempre objecto de avaliações adequadas, antes, durante e depois da implantação, por forma a evitar ao máximo os seus efeitos indesejáveis.

4 - A instalação de parques eólicos em Áreas Protegidas, particularmente nas zonas mais sensíveis, pode ter implicações negativas relevantes sobre a preservação dos habitats, das espécies e da paisagem, nomeadamente devido à abertura de novos acessos e à colisão de aves e morcegos com as hélices.

5 - A instalação de parques eólicos deve ser feita preferencialmente fora das Áreas Protegidas, pelo que será importante ter em conta a distribuição das potencialidades eólicas ao longo de todo o território nacional por forma a projectar os aproveitamentos evitando as zonas naturais mais vulneráveis.

6 - A Avaliação de Impacte Ambiental para a instalação de aproveitamentos eólicos em zonas dedicadas à Conservação da Natureza deve ter em conta os efeitos cumulativos com outros já existentes ou previstos e incluir os adequados estudos de localização alternativa.

7 - Devem ser identificadas zonas chave para a conservação da diversidade biológica (particularmente da avifauna) e das paisagens naturais ao longo de todo o território nacional, nas quais deverá estar excluída a hipótese de instalação de parques eólicos.

8 - O aumento da produção de energia eléctrica através de recursos renováveis não atingirá os objectivos pretendidos caso não sejam implementadas medidas urgentes para diminuir a procura de energia, a qual tem vindo a aumentar em cerca de 5% ao longo dos últimos anos.

Lisboa, 9 de Fevereiro de 2004

A Direcção Nacional da Quercus- Associação Nacional de Conservação da Natureza

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JARDINS DE INVERNO

Os "Jardins de Verão" (Letniy Sad) de S.Petersburgo, no Inverno.

(João Santos)

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EARLY MORNING BLOGS

950 - Sentimento del tempo

E per la luce giusta,
Cadendo solo un'ombra viola
Sopra il giogo meno alto,
La lontananza aperta alla misura,
Ogni mio palpito, come usa il cuore,
Ma ora l'ascolto,
T'affretta, tempo, a pormi sulle labbra
Le tue labbra ultime.

(Giuseppe Ungaretti)

*

Bom dia!

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JARDINS DE INVERNO

Big Bear Moutain, Sul da Califórnia (EUA)

(Luis Reino)

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VER A NOITE

Voltou o brilho ao céu de inverno. O frio ajuda muito. Verifico que tudo está a funcionar na máquina celestial. Orion, presente, reinando. As Ursas atrás, em sequência regular. A matéria negra continua negra. Há ordem nos céus, proclama o astrónomo chinês.

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12.1.07


COISAS DA SÁBADO: VIAGENS COM OU SEM MEMÓRIA

As armadas de 1503: Afonso de Albuquerque, Francisco de Albuquerque e António Saldanha.

Entre os elogios que ouvi à viagem que o Presidente da República vai fazer à India conta-se o de que esta vez não haverá o lastro do Vasco da Gama a pesar na agilidade negocial. É conforme com os tempos do esquecimento, este elogio, mas duvido que seja coisa para elogiar. Bem sei que os nossos tecnocráticos governantes, como Sócrates, podem ir a França em pleno aniversário das batalhas da I Guerra em que morreram portugueses e não visitar, ou fazer qualquer coisa que lembrasse, os portugueses que lá estão sepultados. Nem ingleses, nem americanos, nem canadianos, nem franceses, nem belgas, nem alemães, lhes passaria sequer pela cabeça pôr os pés num país onde estão os seus mortos em combate sem os lembrarem.

Pode-se ir à Índia sem Vasco da Gama? Talvez possa, mas para um português, não se deve. Não digo tanto “sem Vasco da Gama”, mas “sem Goa”, sem a memória da nossa identidade que lá ficou um pouco enterrada e está a cair aos bocados. Mas mesmo que já estivesse toda no chão, enterrada por desprezos diversos, o lugar está lá, as almas estão lá num canto qualquer a assombrar-nos. A história é assim: não se pode ir à Índia com inocência absoluta, nem aliás os indianos nos responderão com inocência. A história pesa.

Não é saudosismo, é respeito por nós próprios que fomos feitos por aqueles homens que por lá andaram à espadeirada, à pimenta, na pirataria, brutos, cruéis, gananciosos, vaidosos, crentes, santos, líricos, o que se queira, mas nossos. Vem nos Lusíadas, que tanto patriota cá da casa gosta de bater no peito, para esquecer quando vê um call center deslocalizado.

Prejudica os negócios? Duvido. Atrapalha, talvez, mas não tanto como se pensa, saiba a gente tratar com o mesmo respeito que exige para nós, o outro lado. Ou seja saber alguma coisa sobre a milenária civilização hindu que combatemos, e sobre o país que nacionalistas indianos educados em Inglaterra fizeram entre lealdades contraditórias. E a verdade é que se a Índia só existe para nós desde que faz software, serviços baratos e indústria espacial, e exporta matemáticos para o Plano Tecnológico, não sabemos verdadeiramente nada.

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MISSÃO 2


Tropas portuguesas em missão no Afeganistão.

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MISSÃO 1


O Abrupto vai publicar uma série de fotografias originais que documentam a missão dos paraquedistas portugueses no Afeganistão (Portuguese Quick Reaction Force das Forças Nacionais Destacadas, International Security Assistance Force) numa zona de operações particularmente perigosa (enviadas por Miguel Silva Machado). A sua publicação é uma forma de homenagear os nossos homens e mulheres que estão em missões militares fora de Portugal e que merecem que não os esqueçamos. Se clicar sobre as fotos pode vê-las no tamanho original.

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JOSEPH RATZINGER, A IGREJA E O MUNDO

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Os textos de Joseph Ratzinger escritos como teólogo e homem da Igreja antes da sua escolha para Papa, deixando de parte os mais técnicos, centram-se em meia dúzia de temas recorrentes bastante virados para a relação da Igreja com o "mundo", com a história, com os sistemas de valores circulantes, a interpretação das características da sociedade moderna, e as relações entre a fé, a ciência, a arte e a ética, a guerra e a paz, o legado da antiguidade clássica e o papel da Igreja na construção europeia. Ratzinger é autor de um número significativo de livros, artigos, conferências, intervenções, entrevistas, quer no mundo académico, quer em grandes órgãos de comunicação social, a que não falta um ânimo de polémica, uma vontade de discutir pouco comum na discrição habitual dos círculos mais elevados da Igreja.
Ratzinger está há muito tempo presente na edição portuguesa, embora as suas obras fossem pouco conhecidas fora dos círculos ligados à Igreja e à teologia, em contraste com a presença muito activa na comunicação social centro-europeia e americana. Antes da sua escolha como Papa, estavam publicados desde os anos oitenta vários dos seus textos como Diálogos sobre a fé, A Igreja e a nova Europa, Introdução ao espírito da Liturgia, João Paulo II: vinte e dois anos na história com Fátima presente, Questões sobre a Igreja, O sal da terra: o cristianismo e a Igreja Católica no limiar do terceiro milénio, etc. Depois de ser Bento XVI assistiu-se à saída de muitos outros textos e à reedição de alguns. A Introdução ao Cristianismo é o mais interessante dos textos recentemente publicados.

Existe igualmente em Português uma espécie de guia turístico sobre a Baviera de Ratzinger, que mostra os locais desse catolicismo bávaro muito especial, um dos poucos focos de resistência (ténue, mas real) ao domínio absoluto do nazismo e que ajuda a perceber o Papa no seu contexto alemão.

Na Biblioteca Nacional há um número surpreendente de obras teológicas de Ratzinger em alemão e noutras línguas europeias, o que, tendo-se em conta as dificuldades de aquisição de livro estrangeiros pela Biblioteca, revela que alguém teve um interesse especial pelas obras do então padre e depois cardeal alemão.
Ele próprio reconhece que não é tarefa fácil para "quem tenta anunciar a fé no meio de pessoas envolvidas na vida e no pensamento hodiernos pode sentir-se (...) como alguém que se levantou de um sarcófago antigo e se apresenta ao mundo de hoje com os trajes e pensamento de antigamente, sendo incapaz de compreender este mundo e de ser compreendido por ele", retratando-se a si próprio como o palhaço de Kierkegaard, que corre a avisar a aldeia que o fogo que começou no circo a vai atingir, e em quem ninguém acredita pelas suas roupas ridículas.




A história de Kierkegaard está no seu livro
Enten-Eller (que conheço traduzido em inglês como Either/Or). Aqueles a quem o palhaço queria avisar aplaudiam-no pensando que era mais um número de circo. O texto de Kierkegaard era ainda mais sombrio na sua conclusão (cito da versão inglesa):

It happened that a fire broke out backstage in a theater. The clown came out to inform the public. They thought it was just a jest and applauded. He repeated his warning, they shouted even louder. So I think the world will come to an end amid general applause from all the wits, who believe that it is a joke.


Ratzinger expressa esse sentimento da dificuldade, quase inutilidade, do seu discurso. Há momentos em que se percebe um certo cansaço, suportando um outro "cansaço da Igreja" que ele próprio diagnosticou. Mas a sua escolha como Papa mostra que o tempo em que resistiu a contraciclo ao "catolicismo progressista", à "teologia da libertação" e a um conjunto de propostas teológicas, eclesiais e litúrgicas de "abertura" da Igreja ao mundo que, no seu entender, a descaracterizavam, o tornou menos "como alguém que se levantou de um sarcófago antigo", mas sim como alguém que merece ser escutado, até porque nos anuncia o risco de um incêndio. Foi o que lhe aconteceu no discurso de Ratisbona, presumo até que com alguma surpresa própria.

É aqui que a obra intelectual de Ratzinger é interessante porque, sendo ele conservador, é essa espécie especial de conservador que, tendo sido "progressista", mudou por um movimento da reflexão e experiência individual que acompanhou a história recente da Igreja, depois do Concílio Vaticano II. Por isso é conservador, sem ser reaccionário, e, sem aceitar nem se submeter ao ruído do "mundo", não se volta contra ele negando-o. Como teólogo, combateu sempre a dissolução da identidade cristã e católica no "século", esforçando-se por o compreender, sem aceitar o seu império, e sem "secularizar" a Igreja. Ratzinger demarca-se da Igreja reaccionária do século XIX e grande parte do século XX que combateu a ciência, defendeu a monarquia absoluta, que combateu a industrialização, a democracia, o liberalismo, político e económico, como fizeram muitos papas nos últimos 200 anos.
Ratzinger valoriza o facto de o Concílio Vaticano II "ter coragem de falar não apenas na Igreja santa, mas também da Igreja pecadora" e lembrou que "os séculos da história da Igreja estão tão cheios de todos o tipo de falhas humanas que até podemos compreender a visão horrenda de Dante que viu sentada no carro da Igreja a meretriz de Babilónia"...
Não é esse combate de reacção e negação que o conservador Ratzinger continua, mas sim o de um outro tipo de resistência ao relativismo cómodo, à perda de identidade e de valores sociais, à perda da história e da memória civilizacional, usando a linguagem da filosofia, da história e da cultura contemporâneas.

Ao envolver a Igreja nesse debate em termos que podemos considerar, para além da fé, como fazendo parte da nossa linguagem civilizacional comum, Ratzinger dá uma contribuição intelectual, mesmo quando a faz como um testemunho de fé. E é exactamente porque é entendida como um testemunho da fé - alguns dos seus mais interessantes textos são análises do Credo - que nos comunicam alguma coisa, porque se fundam na convicção da Igreja como uma construção divina. Ao ajudar a dar solidez à "pedra" de Pedro, Ratzinger reforça também um dos nossos alicerces civilizacionais, porque essa "pedra" não sustenta apenas o Vaticano, nem a Cúria, nem a Igreja, mas também o nosso mundo.

Por tudo isto não nos são indiferentes as suas posições e polémicas sobre o papel da Igreja, porque também delas depende o modo como o corpo da Igreja, do Papa aos fiéis, entende a instituição de que faz parte e o corpo de "saberes" que transporta. Se colocarmos em confronto dois teólogos católicos de relevo no século XX, Ratzinger e Hans Kung, verificamos como as respostas que dão ao posicionamento da Igreja têm efeitos no "mundo" muito distintos.

http://www.schwartzbooks.com/mas_assets/full/98/0802826598.jpgAs propostas de Kung encontram-se resumidas nas conclusões do seu livro sobre a Igreja católica, significativamente intituladas "que Igreja terá futuro?" Kung, um padre católico e um dos mais importantes teólogos do século XX, tem um percurso paralelo ao de Ratzinger sem ter no entanto ascendido na hierarquia. Desde a fase final do Concílio Vaticano II, que considera ter sido traído no seu impulso de "reforma", que entrou em conflito com a ortodoxia vaticana e viu a sua missio canonica, que lhe permitia ensinar na cátedra de Tubingem como "teólogo católico", ser retirada em 1979. Nas suas memórias, relata com humor, a sua chamada ao Santo Ofício e o encontro com o grande inquisidor, o cardeal Ottaviani, assim como as suas relações com Paulo VI. O Papa pediu-lhe um "sinal" e Kung não o deu. De forma sibilina, nas memórias, anota que foi isso que o distinguiu de Ratzinger.
Se a Igreja Católica, em nome de um reforço do seu sucesso temporal se tornasse numa instituição multicultural e "inter-religiosa", com fronteiras indefinidas, como aconteceria se as propostas de Hans Kung e de outros teólogos "liberais" e anti-Papado fossem para a frente, rapidamente se dissolveria no "mundo" como mais uma entidade religiosa, sem centro e direcção e certamente sem magisterium reconhecido. Um dos aspectos que mais fragilizam o islão e mais o impedem de se modernizar é a ausência de vozes interpretativas autorizadas. Num certo sentido, e com excepção do xiismo, no islão não há nem Igreja, nem magisterium, e isso contribui para fixar uma interpretação literal do Alcorão, e das suas componentes jurídicas e societais, como a sharia, nos tempos medievais. A Igreja Católica foi capaz de manter um equilíbrio entre o que considera "revelação" e o "mundo" que lhe permitiu sobreviver como instituição global num mundo fortemente laicizado, porque tinha uma autoridade central que interpretava e uma hierarquia que levava a autoridade dessa interpretação aos fiéis.

Como laico, eu valorizo o magisterium da Igreja, mesmo quando dele discordo na sociedade e na política. Prefiro uma Igreja institucional e conservadora a mais um "movimento" com fronteiras indefinidas, mesmo que fundado numa fé genuína dos seus crentes. Penso que sem magisterium a Igreja verdadeiramente nunca seria capaz de mudar e que é pelo magisterium que muda. Um retorno à Igreja comunitária primitiva, a negação do papel do Papa e uma recusa da Igreja hierarquizada trariam ainda mais confusão e um maior deslaçamento da sociedade. A oposição de Ratzinger a estas teses e a Igreja que agora como Papa tem autoridade para ajudar a construir pode não chegar para evitar o velho fantasma que nos ronda as casas, o da "decadência do Ocidente", mas ajuda a esconjurá-lo.

Compreendo que dentro da Igreja, muita da resistência ao "século" pareça empobrecedora para os católicos - por exemplo, a recusa da ordenação das mulheres, ou as posições da Humanae Vitae sobre a contracepção - mas, para "fora", uma Igreja que mude só com solidez e prudência, que afirme um sistema de valores que comunica com outros valores sociais e os reforça é fundamental. Nos dias de hoje, os aspectos mais socialmente negativos das posições da Igreja (sobre moral sexual, por exemplo) parecem-me de todo circunstanciais e, a prazo, acabarão por mudar, mas é essencial que essa mudança se faça sem pôr em causa a autoridade da Igreja enquanto presença moral e espiritual. Pode parecer contraditório desejar ao mesmo tempo mudanças e prudência, mas não é.

Sem a Igreja cristã, seja a "apostólica romana", sejam as igrejas ortodoxas, luteranas, protestantes e a anglicana, o teor do debate "moral" na nossa sociedade seria certamente muito menor. Como tudo puxa para que ele seja pouco e tenda ainda a ser mais escasso, precisamos dessa face da nossa identidade, mesmo que para muitos essa seja uma identidade nostálgica e perdida. Perdida ou actual, ela está lá.
O caso do aborto é típico. Ao resistir à introdução de legislação que permite a interrupção voluntária da gravidez em nome de uma cultura da “vida” face à “morte”, a Igreja não muda a minha opinião (o meu “sim”) mas obriga-me pela sua resistência e pelos seus argumentos, com relevo para os que traduzem posições éticas, a discutir a “vida” e aquilo que se tem nomeado como a “cultura da morte”, o que eu posso – e devo – fazer num contexto laico. E posso e devo fazê-lo, porque há valores envolvidos na decisão de abortar que transcendem os argumentos correntes a favor do "sim" e levantam dilemas morais genuínos . Do mesmo modo se espera que os defensores do "não" considerem existir outro tipo de dilemas morais tão genuínos como os suscitados pela questão da "vida". Uma gravidez não desejada, - e pode ser não desejada por inúmeros motivos - , é também profundamente perturbadora (pode também "matar" em vida) e suscita questões morais que não são menores do que aquelas que se levantam à volta da "vida". Reconhecer uma idêntica valoração moral quer aos motivos da decisão do "sim" quer do "não", é o único ponto de partida para um debate sério e não relativista.
Para o "mundo", faz mais falta uma Igreja sólida, lenta e prudente, ou seja conservadora, do que uma Igreja "progressista". Para "progressismo" e "politicamente correcto", já temos que chegue. Para além disso, marxistas e "progressistas" fazem muito melhor "progressismo" do que faz a Igreja. Este é também o sentido da obra teórica de Ratzinger.

(No Público de 11 de Janeiro, aqui anotado.)

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EARLY MORNING BLOGS

949 - ordinary wind is winding(cold face blush

ordinary wind is winding(cold face blush
wind is winding here there tomorrow)(
graceful dove wind
theatrical scar wind
thunderclapclapclap(clapclapstrike)
struckwinding wind

(e. e. cummings)

*

Bom dia!

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11.1.07


JARDINS DE INVERNO

Belém, Lisboa.

(António Ferreira de Sousa)

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JARDINS DE INVERNO

Porto, Parque da Cidade, esta tarde.

(Gil Coelho)

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JARDINS DE INVERNO

Na Noruega.

(Ana Fernandes)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 11 de Janeiro de 2007


Dia das leituras bizarras:



*

"Jornalismo de causas", ou seja, política em vez de jornalismo. Um exemplo do Público de ontem sobre a ratificação da convenção da UNESCO na Assembleia da República, onde não há "notícia" mas apenas opinião do jornalista disfarçada de notícia. Numa notícia, seria suposto haver aspas, no título e no lançamento do texto, em particular, nas palavras que são valorativas porque resultam de uma determinada interpretação, mesmo que seja a dos defensores da convenção da UNESCO. A legenda da fotografia, idem. Um jornalista (José J. Mateus neste caso) não pode escrever que "sem esse documento, a cultura nacional estaria em perigo", ou, pior ainda, começar o seu texto com a seguinte frase: "O documento que hoje à tarde vai ser debatido na Assembleia da República é , usando o futebol, o contra-ataque da Cultura [com C grande] à ameaça que vem da Organização Mundial do Comércio." Todo o resto da "notícia" é assim, um artigo de opinião disfarçado. Péssimo jornalismo.

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RETRATOS DO TRABALHO EM GOA, ÍNDIA

Reparador ambulante de baldes de plástico.

(Carlos Ferreira)

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JARDINS DE INVERNO

Parc Josaphat - Bruxelas.

(Mário Coimbra)

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EARLY MORNING BLOGS

948 - There is another sky

There is another sky,
Ever serene and fair,
And there is another sunshine,
Though it be darkness there;
Never mind faded forests, Austin,
Never mind silent fields -
Here is a little forest,
Whose leaf is ever green;
Here is a brighter garden,
Where not a frost has been;
In its unfading flowers
I hear the bright bee hum:
Prithee, my brother,
Into my garden come!

(Emily Dickinson)

*

Bom dia!

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10.1.07


COISAS SIMPLES

(John Frederick Peto)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 10 de Janeiro de 2007


Para o debate sobre a Wikipedia (neste caso a versão francesa), no Republique des Livres:
C’est le principe de Wikipédia qui demeure toujours aussi discutable, cette idée bien dans l’air du temps que, au fond, tout le monde est encyclopédiste puisque tout le monde est déjà journaliste, cinéaste, critique d’art, critique littéraire, critique de cinéma, critique gastronomique, photographe etc. Voudrait-on nous faire croire que Wikipédia est à l’Universalis ou la Britannica ce que la démocratie d’opinion est à la démocratie représentative que l’on ne s’y prendrait pas autrement. On ne nous a pas encore fait le coup de “l’encyclopédie citoyenne” mais, au train où va la démagogie qui sous-tend cet état d’esprit, ça ne devrait pas tarder.
Depois apontam-se vários erros da Wikipedia, mesmo em artigos fundamentais como o artigo sobre Dreyfus e a sua utilização para autopromoção de determinados autores. A ler também os comentários, tão habituais quanto previsíveis.

*
Remeto-o para este artigo em que o seu fundador, Jimmy Wales, afirma:

"(students) shouldn’t use it for class projects or serious research. (...) It’s good enough knowledge, depending on what your purpose is."

Pela sua natureza, a Wikipédia presta-se a matérias de cultura popular, e como esboço inicial em outras áreas. Se pretender saber mais sobre, por exemplo, The colbert report, ou sobre o Homer Simpson, em nenhuma outra fonte (enciclopédica) encontro mais informação sobre estes assuntos. Claro que deve ser sempre "tomada com uma pedra de sal". Ninguém deve aceitar como dogma o que lá surge. Mas o mesmo se aplica a todas as outras enciclopédias, seja qual for o assunto. Se há algum mérito neste debate, é o de expôr as fragilidades de fontes tradicionais (e mais reputadas). E, consequentemente, o de nos recordar da necessidade de manter espírito crítico sobre o que vemos, lemos e ouvimos, venha de onde vier.

(Hugo Carreira)

*

Se os comentários são previsíveis pergunto-lhe se não acha que as criticas ao projecto Wikipedia também o são?

Por falar na Wikipedia parece que a vai ter de aturar pelo menos por mais um ano porque a campanha de angariação de fundos já vai em $940.000.

(Daniel Nunes)

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JARDINS DE INVERNO

Jardins do castelo Nijo, no inverno, Quioto, Japão.

(João Amaral)

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EARLY MORNING BLOGS

947 - DE LAS CIRCUNSTANCIAS.

Hase también de tener en cuenta en [e]sta consideración y memoria para tener arrepentimiento y hazer deuida confessión, no solo con la substancia destos peccados desnudamente sino también con las circunstancias que los han acompañado, especialmente, con las que agrauan de manera que mudan la especie y naturaleza del peccado o la alteran notablemente, assí como cometer el hombre algo contra sus padres o prelados o peccar en lugar sagrado.

Las circunstancias communes son siete:

1. Quién.

2. Quál.

3. Quánto.

4. Porqué.

5. En qué lugar.

6. En qué tiempo.

7. Quántas vezes, pocas más o menos.

Quién, es a saber, qué perdona, qué officio tiene y en qué vocación está puesto el penitente sino fuere notorio el confessor.

Quál, es a saber, la persona con quien o contra quien se pecca. (...)

Quánto, es a saber, la quantidad del peccado o del daño o del menosprecio que enel peccado se haze y del detenimiento en él.

Porqué, el fin o intención con que se pecca.

En qué lugar, es a saber, si es público o secreto, profano o sagrado o lugar de oración.

En qué tiempo, si es día de fiesta o de ayuno o de pública oración.

Quántas vezes, circunstancia es que está de sí clara.

Y no piense el christiano que esta meditación de su vida se ha de hazer ansí seca y fríamente sino con recogida y atenta consideración de sus peccados y arrepentimiento efficaz y verdadero dellos con esperança y fiuzia de su misericordia, estribada en la sangre y mérito de Iesú Christo, nuestro señor, y con verdadero propósito de la enmienda porque poco aprouecharía hauerse traýdo a la memoria su mala vida passada sino procurasse, con el ayuda de Dios, arrepentirse y tener contrición verdadera de sus peccados.

(Martín de Ayala, Compendio para bien examinar la consciencia en el juizio de la confessión, 1567)

*

Bom dia!

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9.1.07


DEZ NATUREZAS MORTAS NA FOTOGRAFIA 3

(Abelardo Morell)

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RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL


(Alexandre Almeida)

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JARDINS DE INVERNO

Central Park, NY, EUA.

(Pedro Lima Torres)

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INTENDÊNCIA

Em actualização as bibliografias dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

Actualizadas as notas BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006 e PARA A HISTÓRIA DA SUBSIDIODEPENDÊNCIA DAS ARTES E DAS LETRAS: A "POLÍTICA DO ESPÍRITO" DE ANTÓNIO FERRO / SALAZAR.

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EARLY MORNING BLOGS

946 - Exemples

Quelque différence qu'il y ait entre les bons et les mauvais exemples, on trouvera que les uns et les autres ont presque également produit de méchants effets. Je ne sais même si les crimes de Tibère et de Néron ne nous éloignent pas plus du vice que les exemples estimables des plus grands hommes ne nous approchent de la vertu. Combien la valeur d'Alexandre a-t-elle fait de fanfarons! Combien la gloire de César a-t-elle autorisé d'entreprises contre la patrie! Combien Rome et Sparte ont-elles loué de vertus farouches! Combien Diogène a-t-il fait de philosophes importuns, Cicéron de babillards, Pomponius Atticus de gens neutres et paresseux, Marius et Sylla de vindicatifs, Lucullus de voluptueux, Alcibiade et Antoine de débauchés, Capon d'opiniâtres! Tous ces grands originaux ont produit un nombre infini de mauvaises copies. Le vertus sont frontières des vices; les exemples sont des guides qui nous égarent souvent, et nous sommes si remplis de fausseté que nous ne nous en servons pas moins pour nous éloigner du chemin de la vertu que pour le suivre.

(La Rochefoucauld)

*

Bom dia!

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8.1.07


GRANDES CAPAS



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BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006

VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR 3

NOVAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS

Apesar do comentário de João Melo, há, na minha opinião, um programa e um nome que se destacam na grelha de programação da TSF: Pessoal e Transmissível de Carlos Vaz Marques. As entrevistas são bem preparadas e é frequente os entrevistados serem pessoas que acrescentam ideias. Para além disso há a busca da intimidade, sem contudo o programa se tornar cor-de-rosa.

(Jorge Silva)

*

Nomeadamente na RTP:

• Existe um espólio de grande qualidade na RTP, pelo menos no que toca a programas de humor (é a área onde tenho mais interesse, mas acredito que a situação seja semelhante noutras), que continua por ser editado em DVD, tal como merecia. Penso por exemplo em quase tudo o que Herman José fez na RTP (com especial destaque para Herman Enciclopédia) ou na série Paraíso Filmes, com José Pedro Gomes e António Feio.

• Os horários em que muitas séries estreiam não são os mesmos em que vêm a acabar, sendo este regra geral mais tardio. Aconteceu, por exemplo, com a série Jack & Bobby e com “O Portugal de…”.

(Frederico Silva)

*

O Modelo da TSF , na altura inovador , parece -me esgotado. 3 Blocos noticiosos numa hora , com muita publicidade e musica de pouca qualidade ( saída directamente das Play -Lists ..) é massacrante para os ouvintes .

O que mais me cansa na TSF é a falta de proximidade. Não sei o nome de nenhum dos locutores ( que raramente falam ) e dos jornalistas , idem . Na rádio, que é o orgão de Comunicação Social mais intimista, isso é um erro .

Erro ainda mais porque me parece que é feito para minorar o erro , para não dar lugar ao improviso , em que não se gosta de arriscar e em que o trapezista só actua com rede.

A TSF tornou - se uma rádio cinzenta e sem chama.

(João Melo)

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JARDINS DE INVERNO

A Terra Grande na Tapada da Ajuda em Lisboa.

(Luís Reino)

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INTENDÊNCIA

Em actualização as bibliografias dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

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JARDINS DE INVERNO

Hyde Park, Londres.

(Alexandre Almeida)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: BOA PERGUNTA

A RTP anunciou com pompa e circunstância a nova "série" (Código Sintra) baseada no romance "O Mistério da-Estrada de Sintra", de Eça de Queiroz".
Uma vez que o livro é também da autoria de Ramalho Ortigão, pergunto-me se isto é ignorância, ou "apenas" o assassínio de um escritor que não é suficientemente comercial?

(Vieira Pinto)

*
Se for assassínio de um escritor que não é suficientemente comercial, não o é mais do que as edições portuguesas d'As Minas de Salomão, onde o nome de Eça de Queirós tem tanto ou mais destaque do que o do autor, H.
Rider Haggard. Quem visse a capa da edição das Publicações Europa-América pensaria que o livro foi escrito por ambos. Pior ainda, na edição dos Livros do Brasil, o nome do autor nem sequer surge na capa!

(José Carlos Santos)

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RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL

Trabalho em manhã de Inverno. Foz do Douro.

(Gil Coelho)

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PARA A HISTÓRIA DA SUBSIDIODEPENDÊNCIA DAS ARTES E DAS LETRAS:
A "POLÍTICA DO ESPÍRITO" DE ANTÓNIO FERRO / SALAZAR


É só traduzir para o "politiquês" dos nossos dias, duas frases entre muitas:

a "atmosfera em que lhes seja fácil criar"

e o "simples e necessário estímulo às realizações materiais da arte", para se perceber como os argumentos para uma política estatal de subsídios data (como muitas outras partes do chamado "modelo social europeu"), dos totalitarismos dos anos trinta.

Ferro era claro em apontar dois objectivos para a "Política de Espírito": corresponder à "aspiração definida, legítima, dos intelectuais portugueses" (em serem "apoiados" pelo Estado) e corresponder a uma vontade das "classes humildes, incultas, que sofrem a nostalgia da beleza sem lhe conhecer as formas", ou seja, a "democratização do acesso à cultura" e a "criação de públicos", como se diz hoje. Está lá tudo, nesta conferência de 1935, a propóstio dos prémios do Secretariado de Propaganda Nacional, mesmo o ataque à "arte degenerada", ou seja a que não servia a "propaganda" e por isso não tinha subsídios nem prémios.

*
Há um outro lado, o reverso da medalha sempre presente. Conheci bem o António Quadros, filho do Ferro. Um dia contou-me uma história invulgar. Perguntou-me: sabe você porque é que o Manuel Cargaleiro e o Ruben A. Leitão tiveram que saír de Portugal? Houve um concurso para a decoração da fachada da Faculdade de Letras. Os projectos foram apresentados em envelope fechado, identificados através de um pseudónimo. O projecto vencedor foi o do jovem Manuel Cargaleiro, documentado com fotografias do Ruben A que tinha uma paixão por fotografia. O Mestre Almada não terá gostado nada da escolha do vencedor. Terá armado grande "reboliço" no SNI pelo facto do seu projecto não ter sido escolhido. E as pressões foram tantas que o júri deu o dito por não dito, atribuíndo a execução da obra ao Almada e compensando os jovens vencedores com bolsas de estudo para Paris e Londres. A conversa terá sido de tal forma que ambos acharam por bem aceitar.
Conheci bem o Ruben Leitão mas nunca esta conversa veio à baila. Há muitos anos atrás o Manuel Cargaleiro confirmou-me esta história mas sem lhe dar grande importancia. Fica aqui esta curiosidade.

(Paiva Raposo)

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JARDINS DE INVERNO

Central Park, NY, EUA.

(Pedro Lima Torres)

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JARDINS DE INVERNO

À volta do Mosteiro de Pitões das Júnias.

(Nuno Mendes)

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EARLY MORNING BLOGS

945 - La casa

L'uomo solo ascolta la voce calma
con lo sguardo socchiuso, quasi un respiro
gli alitasse sul volto, un respiro amico
che risale, incredibile, dal tempo andato.

L'uomo solo ascolta la voce antica
che i suoi padri, nei tempi, hanno udito, chiara
e raccolta, una voce che come il verde
degli stagni e dei colli incupisce a sera.

L'uomo solo conosce una voce d'ombra,
carezzante, che sgorga nei toni calmi
di una polla segreta: la beve intento,
occhi chiusi, e non pare che l'abbia accanto.

E' la voce che un giorno ha fermato il padre
di suo padre, e ciascuno del sangue morto.
Una voce di donna che suona segreta
sulla soglia di casa, al cadere del buio.

(Cesare Pavese)

*

Bom dia!

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7.1.07


RETRATOS DO TRABALHO EM DAR ES SALAAM, TANZÂNIA

(João Monge)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 7 de Janeiro de 2007


Um caso típico de esquecimento mediático por esgotamento: a gripe das aves. E no entanto, o virus continua o seu caminho...

*

[newblogcrop.png]

Esta imagem vale por mil palavras e exige mil palavras. Este retrato da blogosfera americana revela não só a complexidade deste novo media, como também ligações e densidades que nem sempre são evidentes à análise mais superficial. Por exemplo, o grupo mais denso de ligações em baixo é aquilo que podemos chamar a "blogosfera política". Está na altura de aceitar que, pelo menos numa fase inicial da blogosfera ( e isto aplica-se à portuguesa), os blogues políticos criaram uma sub-comunidade densa muito particular e que isso tem a ver com um fenómeno de subrepresentação de muitas "falas" políticas na atmosfera. Outra das características desta "blogosfera política" é não ter um centro evidente, contrastando por exemplo com os outros núcleos como o da blogosfera "técnica", aqui à volta do Boing Boing, o ponto luminoso em cima. Embora seja verdade que a maioria dos blogues não é "político", a granulação da imagem da blogosfera torna-os mais um fundo do que uma forma. No universo-blogosfera, a força da gravidade encontra-se na política e na sociedade, mas a matéria negra são os "diários" pessoais. Pensando bem, não era óbvio que fosse assim. (Dados no Data Mining: Text Mining, Visualization and Social Media.)

*

O Portugal dos Pequeninos sobre Gaspar Simões: Gaspar Simões é mais um daqueles casos do nosso nacional desprezo pelo trabalho árduo de décadas, pela dedicação incómoda a uma tarefa ingrata na pequeníssima república das nossas letras, cheia de lutas territoriais por um espaço exíguo, e dos efeitos mediáticos do "passar de moda".

*

Mais uma das razões da escolha do Provedor dos Leitores do Público para as Boas Coisas da Comunicação Social do ano passado: a severa crítica de "formas de plágio" pelos jornalistas que hoje o jornal publica.

*

Uma novidade presidencial a saudar: na página da Presidência da República um lugar sobre a viagem indiana de Cavaco Silva, com muita informação em tempo real. Vantagens de ter na Presidência Diogo Vasconcelos, o homem que o governo saneou da UMIC (Unidade de Missão, Inovação e Conhecimento), que ele fez do nada com grande mérito e isenção para ser afastado por puro sectarismo político.

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JARDINS DE INVERNO

Praça Gonçalves Zarco, Porto.

(Gil Coelho)

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EARLY MORNING BLOGS

944 - Le Port

Un port est un séjour charmant pour une âme fatiguée des luttes de la vie. L'ampleur du ciel, l'architecture mobile des nuages, les colorations changeantes de la mer, le scintillement des phares, sont un prisme merveilleusement propre à amuser les yeux sans jamais les lasser. Les formes élancées des navires, au gréement compliqué, auxquels la houle imprime des oscillations harmonieuses, servent à entretenir dans l'âme le goût du rythme et de la beauté. Et puis, surtout, il y a une sorte de plaisir mystérieux et aristocratique pour celui qui n'a plus ni curiosité ni ambition, à contempler, couché dans le belvédère ou accoudé sur le môle, tous ces mouvements de ceux qui partent et de ceux qui reviennent, de ceux qui ont encore la force de vouloir, le désir de voyager ou de s'enrichir.

(Baudelaire)

*

Bom dia!

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6.1.07


COISAS SIMPLES

(Frederick Judd Waugh)

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INTENDÊNCIA

Actualizada a nota COISAS DA SÁBADO: A ETA E ZAPATERO.

Em actualização as bibliografias dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

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EARLY MORNING BLOGS

943 - Des esprits forts

Les esprits forts savent-ils qu'on les appelle ainsi par ironie? Quelle plus grande faiblesse que d'être incertains quel est le principe de son être, de sa vie, de ses sens, de ses connaissances, et quelle en doit être la fin? Quel découragement plus grand que de douter si son âme n'est point matière comme la pierre et le reptile, et si elle n'est point corruptible comme ces viles créatures? N'y a-t-il pas plus de force et de grandeur à recevoir dans notre esprit l'idée d'un être supérieur à tous les êtres, qui les a tous faits, et à qui tous se doivent rapporter; d'un être souverainement parfait, qui est pur, qui n'a point commencé et qui ne peut finir, dont notre âme est l'image, et si j'ose dire, une portion, comme esprit et comme immortelle?

(Jean de La Bruyère)

*

Bom dia!

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JARDINS DE INVERNO

Serralves

(Álvaro Mendonça)

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5.1.07


INTENDÊNCIA

Em actualização as bibliografias dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

Actualizadas as notas BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006, O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: PERPLEXIDADES e COISAS DA SÁBADO: A ETA E ZAPATERO.

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JARDINS DE INVERNO

Jardins do Campus da University of Southampton (Inglaterra).

(Luís Reino)

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JARDINS DE INVERNO

Mosteiro de Tibães, Braga.

(Rui Oliveira)

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RETRATOS DO TRABALHO EM DUBLIN, IRLANDA

Trabalhadores reparando uma das paredes do famoso bar de Dublin “Temple Bar Dublin”.

(Tiago Oliveira)

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JARDINS DE INVERNO



(José Rui Fernandes)

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BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006

VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR 2

[Nota: algumas sugestões de leitores já foram incorporadas nas escolhas.]

NOVAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS


Os blogues dos jornais em geral. Há excepções, mas a regra é má (a desenvolver). Na verdade, esses blogues não são vistos como tais pelos seus pares como se verifica pela quase ausência de citação. É como se não existissem.


Os jornais disponíveis em linha têm muitas vezes versões más. O caso mais flagrante nos diários é o do Diário de Notícias que tem um sítio mal feito, mal desenhado e mal mantido. Já me aconteceu várias vezes encontrar entrevistas em que o entrevistado nunca chega a ser identificado em linha, pelo que não se sabe de quem são as declarações. O Público alargou as matérias acessíveis sem assinatura, o que é uma evolução positiva, e tem o melhor sítio na Rede.


O excesso de futebol em todas as televisões, mas com mais gravidade na RTP.






A tendência crescente para a violação da intimidade e da privacidade em toda a imprensa, de referência e "cor de rosa". O Expresso e o Sol deram exemplos negativos e o que se passa nas revistas "cor de rosa", do jet set, do "coração" e quejandos, já ronda o mais miserável voyeurismo.

(Continua)

*
Penso que a "coisa" pior da comunicação social nacional em 2006 foi, sem sombra de dúvida, a sua falta de originalidade e identidade. Baptista-Bastos (pela primeira vez, concordámos) chamou a atenção para isto no Jornal de Negócios há uns meses atrás e foi, desde que me lembro, o primeiro a fazê-lo.

A imprensa nacional carece assustadoramente de jornalismo activo, de repórteres que observem a realidade in loco e a transformem em notícia. As notícias nos jornais portugueses não só são semelhantes entre si como, para cúmulo, iguais às dos principais jornais mundiais. A razão é que todos os jornais portugueses vão beber à mesma fonte: as agências de notícias.

Isto transforma a nossa imprensa numa indústria transformadora e recicladora, incapaz de se diferenciar entre si e face ao resto do Mundo. Esta conduta dos media portugueses, para além de condenar a sua própria existência (quem é que vai comprar um jornal, se pode ir logo ao site da France Press?), ridiculariza o próprio leitor/espectador, que dá por si, por vezes, a ler artigos que em nada condizem com a informação a prestar por um órgão de comunicação nacional, como por exemplo a polémica entre Donald Trump e a Miss USA ou a morte de um caçador de crocodilos famoso no Mundo anglófono mas praticamente anónimo em Portugal.

Esta dependência das agências não só condena os media portugueses à agenda de outros países - ridículo - como leva ao cúmulo de se focar em certos temas, sem dar atenção a outros. Questiono, por exemplo, porque é que nunca lemos nada sobre as milícias na Colômbia ou a ditadura na Birmânia. Porquê sempre os mesmos temas, Índia, China, Irão, Iraque e Angola? Porque não mais independência?

Porque é que eu, Luís Guimarães, tenho de ler a mesma capa que o Luigi Guimarani em Roma ou ou Louis Guimaraes em Washington?

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RETRATOS DO TRABALHO NA TORRE, SERRA DA ESTRELA, PORTUGAL

O vento teimava em ser gélido e o nevoeiro a tapar o horizonte serrano, mesmo assim o comércio na Torre continuava para além do frio e das quedas dos consumidores no gelo do primeiro dia do ano.

(Luís Miguel Pinto, Valencia de Alcántara - Espanha)

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A EXECUÇÃO DE SADDAM HUSSEIN

http://images.theglobeandmail.com/archives/RTGAM/images/20061230/whussein-execution1230/Hussein_Execution230.jpgAntes de se falar da morte de Saddam, o que "fala" nas imagens que vimos na televisão é a morte. No nosso mundo liofilizado europeu, a Ceifeira vê-se pouco. É escondida nos hospitais, disfarçada em quartos obscuros, cuidadosamente retirada da nossa vista. Ali, numa qualquer instalação policial ou militar, com o ar frio do cimento nu, às horas perigosas da madrugada, um homem como nós defronta tudo. Como nós. Ali, naquele momento, não há qualquer distinção. É ele e somos nós. O morto que ainda está vivo, anda, fala. Dead man walking, como se diz nos corredores da morte texanos.

Não há diálogo com a Ceifeira, não há palavras que possam ser ditas. Saddam portou-se com dignidade, embora eu não saiba bem o que significa esta frase, ou sequer se tem algum sentido dizê-la. Tivesse ele chorado, implorado, ou exibido um medo evidente e haveria alguma diferença? Havia para nós, o medo dele seria ainda mais o nosso. Assim como foi, alimenta a nossa vaidade, de que possamos também defrontar assim a Ceifeira e por isso ter essa "dignidade", forma última da nossa humanidade, prometeica a seu modo arrogante, diante do executor humano e divino.

Os brutos e os cruéis também podem ser dignos face à morte, isto, para quem saiba alguma coisa de história, não é novidade nenhuma. Aquele homem ali no cadafalso não era um homem comum, nem a morte lhe era alheia. Bem pelo contrário, Saddam matou, mesmo com as suas mãos, e deixou atrás de si um rastro de assassinatos, crimes e violências que o colocam entre os grandes criminosos políticos do século XX, numa indiferença brutal. Naquela sala, ele estava no seu ambiente, ele melhor que ninguém percebia todos os papéis, dos carrascos, da vingança tribal e religiosa, da pura habituação à morte violenta, o convívio próximo de muitos iraquianos com a Ceifeira, mais que próximo, íntimo. Se alguma coisa o podia surpreender, era até a relativo carácter asséptico daquela execução, tão encenada, limpa, sossegada. As coisas depois perderam um bocado o pé, com os insultos e os gritos, mas tenho a certeza que foi incomensuravelmente mais pacífica do que os hábitos da casa.

http://www.centipedia.com/images/en/c/c9/Nicolae_ceasescu_dead.PNGNão foi o espectáculo que foi brutal, foi a morte, como é sempre, aqui com a agravante de ter sido decidida por homens e não pelo fluir do destino. Se há adquirido civilizacional numa parte do "Ocidente", é que os nossos governantes máximos, políticos, juízes, polícias, perderam o direito de decidir sobre a vida e a morte dos que os afrontam, quer a eles, quer à sociedade. O fim da pena de morte é um adquirido crucial, frágil como todos, mas para já garantido em grande parte da Europa, embora mais recentemente do que se pensa. Mesmo assim, o assassinato político que acompanhou a nossa história, e que ainda há poucos anos matou Ceausescu e a mulher (esqueceram-se dos Ceausescu os jornalistas que repetiam na sua ignorância que no século XX "nenhum" ditador conheceu o destino de Saddam, pensando certamente que foi esta a "justiça" que faltou a Pinochet, que muitos que choram por Saddam desejavam ver morto), parece uma excepção, não o sendo. Que o digam os presidentes tchetchenos.

Mas uma coisa é ser radicalmente contra a pena de morte, como sou, outra é usar, com a "má fé" que Fernando Gil tão bem retratou, essa condenação como mais um argumento contra a invasão americana do Iraque. A discussão da invasão americana e dos sucessos que se lhe seguiram é hoje tão dominada pela irracionalidade e pelo "pensamento único" que nos impede pura e simplesmente de pensar. Aliás, nunca encontrei melhor exemplo do que possa ser o "pensamento único" do que a completa unanimidade agressiva sobre os eventos do Iraque. Bastava sequer ouvir a cena macabra dos últimos momentos de Saddam, para perceber como para os iraquianos presentes, entre os quais o próprio Saddam, o que está em jogo está muito para além do binómio ocupação-resistência e já lá estava muito antes da invasão.

Se se quer discutir a sério o papel político da execução de Saddam, então é preciso em primeiro lugar libertarmo-nos de usar a condenação da pena de morte como argumento, porque ele é em si muito irrelevante no Iraque, nem muda nada que não estivesse já mudado e infelizmente para pior. A execução de Saddam foi mais um episódio de uma guerra civil larvar que atravessa o Iraque, e é como tal interpretada pelos iraquianos, que a festejaram do lado xiita e que a condenaram do lado sunita, apenas e só nesse contexto. E é por ter sido mais um episódio da guerra civil que a desaparição física do ditador em nada contribui para a acalmia do país, e muito menos para a democracia. Mostra também como os americanos, em particular, perderam o controlo do processo e têm um dilema crescente: ao passarem o poder para os iraquianos, tem que aceitar uma política interna cada vez mais dominada pelo conflito civil entre xiitas e sunitas, com os curdos a desejarem estar noutro mapa, de preferência com o petróleo a que acham ter direito.

Se não se está de "má fé", então tem que se discutir as alternativas para a coligação após a invasão. Os EUA e os seus aliados sabiam que iam defrontar no Iraque o problema de capturar vivos os principais dirigentes do regime baasista. Não era nada que não tivesse vários precedentes recentes, como o da Alemanha e Japão no fim da II Guerra, ou dos dirigentes sérvios na guerra jugoslava. Arthur Seyss-Inquart after hangingO precedente alemão e japonês foi resolvido com tribunais como o de Nuremberga, que acabaram na condenação à morte de muitos altos dignitários nazis, ao exemplo do que aconteceu em muitos outros países da Europa, onde uma vaga de julgamentos ou de decisões extrajudiciais levaram à execução, muitas vezes sumária, de milhares de colaboradores dos alemães. Se no Iraque fosse seguido o mesmo exemplo, seriam americanos e os outros membros da coligação a julgar Saddam não se sabendo com que base jurídica. Se fosse com base na legislação nacional iraquiana, ou na base da legislação de Nuremberga, Saddam seria quase de certeza condenado também à morte.

Havia a alternativa de o julgar num tribunal como o de Haia, para onde foi enviado Milosevic. Mas o consenso que havia para a Jugoslávia não existia para o Iraque e um tribunal com um apoio internacional dúbio seria sempre visto como um tribunal americano disfarçado. Era provável que neste caso, se o julgamento fosse na Europa, Saddam escapasse com vida, mas http://www.latinamericanstudies.org/panama/noriega-mugshot.jpgficaria preso até ao fim dos seus dias. Não custa imaginar o clamor que, quer a solução tipo Nuremberga, quer a de um tribunal internacional levantariam, para além de poder reforçar a ideia de uma ocupação estrangeira permanente do Iraque.Havia uma outra solução, a de levar Saddam para os EUA, como aconteceu com Noriega, mas também aí não seria difícil imaginar o clamor internacional e o impasse jurídico a que se chegaria, pois também na lei americana os crimes de Saddam implicavam a pena de morte.

Apesar de tudo, visto pelo princípio dos "prognósticos só no final do jogo", qualquer destas soluções seria melhor, agora que sabemos o que aconteceu. Mas é preciso entender que os motivos dos americanos, como acontece com algumas das maiores asneiras cometidas no Iraque, resultam de uma mistura de boa vontade ingénua e negligência na análise cuidada dos riscos. Ninguém que quer a democracia pode deixar de admirar a enorme ingenuidade americana, que é o melhor da América, e nalguns caos, o pior. Vistas as coisas hoje percebem-se as intenções dos EUA: usar o julgamento de Saddam como uma catarse nacional para o Iraque, permitir um módico de justiça (e por muitas críticas que se possam fazer ao julgamento, ele esteve a milhas do que é habitual na região) e oferecer aos iraquianos um ponto zero de partida para a sua democracia. Só os americanos podiam alguma vez pensar nisto a sério, mas não há razão para duvidar das suas intenções, de que, bem sei, está o inferno cheio.

Havia, aliás, uma maneira não americana, nem ingénua de pensar esta questão. Estaline era especialista nessa maneira, que certamente seria muito mais realista e eficaz: a de que "acabando-se com o homem, acabava-se com o problema", mas não me parece que seja esta a alternativa em que alguns críticos do que se passou estejam a pensar.

(Para a semana, continuarei o artigo sobre Ratzinger intelectual)

(No Público de 4 de Janeiro de 2007)

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EARLY MORNING BLOGS

942 - So might I, standing on this pleasant lea, / Have glimpses ...

The world is too much with us; late and soon,
Getting and spending, we lay waste our powers:
Little we see in nature that is ours;
We have given our hearts away, a sordid boon!
This Sea that bares her bosom to the moon;
The Winds that will be howling at all hours
And are up-gathered now like sleeping flowers;
For this, for every thing, we are out of tune;
It moves us not—Great God! I'd rather be
A Pagan suckled in a creed outworn;
So might I, standing on this pleasant lea,
Have glimpses that would make me less forlorn
Have sight of Proteus coming from the sea,
Or hear old Triton blow his wreathed horn.

(William Wordsworth)

*

Bom dia!

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COISAS DA SÁBADO: A ETA E ZAPATERO

http://external.cache.el-mundo.net/elmundo/imagenes/2006/03/25/1143280123_1.jpgZapatero andou a brincar com o fogo espanhol mais intenso e antigo: a unidade do Estado. É uma velha história espanhola, mais ligada às raízes do conflito civil, e do conflito civil máximo que foi a guerra de 1936-9, do que parece, submergido que foi numa memória construída apenas na antinomia, fascismo-comunismo, ou em outras variantes do mesmo. Basta conhecermos na sua integridade o celebre episódio da Universidade de Salamanca entre Unamuno e Millan Astray para perceber como a “questão nacional” é vital na compreensão da Espanha. Zapatero, louvado por cegueira pelos nossos socialistas lusos, tem tentado activamente destruir duas políticas de Aznar que serviam Espanha: uma, a afirmação da Espanha na cena internacional e europeia, que correspondia ao vigor e pujança da economia e da sociedade espanholas; outra, uma política de intransigência com o terrorismo basco.

Saliente-se que em muitos aspectos estas políticas de Aznar eram sucedâneos de políticas de González. As políticas de Aznar continham riscos e foi aos erros assentes num desses riscos que ele ficou a dever a sua abrupta queda e o afastamento muito significativo do PP da opinião pública e do poder. Mas Zapatero fez e está a fazer pior: está a abalar a unidade do Estado espanhol caminhando para um ponto sem retorno a toda a velocidade. E esse ponto sem retorno será em Espanha não um momento pacífico, mas sim o soltar de todos os demónios. De novo.

O atentado da ETA só o podia surpreender a ele, e mostrou a enorme irresponsabilidade do caminho negocial que iniciou com o terrorismo, não a partir de uma posição de força, mas sim de fraqueza. Agora, a meio do caminho, o governo perdeu toda a legitimidade para tratar da questão basca, e o terrorismo da ETA, sendo o que foi sempre, mostrou as garras que nunca perdeu.

*
Em primeiro lugar gostava de pedir desculpas pelo meu português. Não concordo com o ponto de vista sobre Zapatero no assunto da ETA. A questão é muito complexa para um post de um blog, mas gostava de salientar algumas coisas:

- O problema dos nacionalismos na Península Ibérica é muito antigo e é um problema que ainda não ficou perfeitamente resolvido. Não sei se sabe que o hino de Catalunha faz referência a factos acontecidos em 1640 (Não é um ano especial para Portugal?) O dia Nacional de Catalunha faz referência a factos acontecidos em 1714. EM Aragão ainda fazemos homenagem ao chamado Justiça de Aragão, assassinado por Filipe I (II em Castela) no século XVI. Em resumo: As tensões territoriais é um problema que passa de geração em geração e que sofre momentos de imenso centralismo acompanhados de autonomismo. A única parte da Espanha da que falava o Conde de Barcelos na Crónica Geral e que conseguiu independência chama-se Portugal. Foi por essa independência que hoje existe uma cultura portuguesa e uma língua portuguesa forte no mundo. ( Não sei se sabe que os professores do franquismo batiam nas crianças que falavam na aula na língua das mães galegas, bascas ou catalãs)

O Aznar do período 2000-2004 foi realmente o activador de muitos dos problemas que hoje temos em Espanha. Ele quis falar sem complexos de uma Espanha que muitos pensávamos esquecida, a Espanha UNA de Franco que lamentavelmente só existe e existiu por meio da força.

ETA é uma organização que pretende por meio de violência terrorista a Independência do País Basco. São mais de 40 anos de actividade e é imensa a dor causada. Existe uma possibilidade de conseguir uma saída pacífica do conflito e é isso o que Zapatero estava a tentar, da mesma maneira que Aznar tentou nos anos 98-99. A direita espanhola não permitiu, por motivos eleitoralistas, que Zapatero pudesse atingir qualquer sucesso. Deixou o governo sem possibilidade de ter espaço para negociar o fim de ETA não permitiu que foram feitas concessões como as que Aznar fez naqueles anos. O resultado é que o sector mais intransigente da ETA ficou com o poder da organização dado que as negociações não conseguiam nem aquilo que já quase foi conseguido no ano 99.

E o problema agora é que dois cidadãos de Equador morreram e que o PP está hoje mais contento do que há duas semanas. Esse é o maior problema que temos e não a suposta debilidade de Zapatero, que não é um político perfeito mas infinitamente mais digno do que estes dirigentes da extrema direita do PP espanhol

Javier Figueiredo (Badajoz)

*

Certamente já conhecerá, mas em complemento às observações sobre Zapatero, convem talvez recordar este passo célebre da História de Espanha. A leitura deste texto arrancou de um simpatizante franquista português (com muita idade) a exclamação "Estes espanhois quando são bons, são bons, venham lá de onde vierem!"

História de Espanha (3) - Don Miguel de Unamuno (1864-1936)

Entre as tragédias da Guerra Civil de Espanha encontramos inúmeros testemunhos de cobardia e de coragem. Vejamos este conhecido episódio protagonizado por D Miguel de Unamuno na sessão solene do dia da Hispanidade de 1936 na Universidade de Salamanca, de que era então reitor. Passo a citar Antony Beevor em La Guerra Civil Española:

“Mientras tanto, de los altavoces en las calles surgían las notas del himno de la Legión El novio de la muerte y en las emisoras de radio cada tarde sonaba un cornetín para anunciar el “parte” desde el cuartel del Generalísimo. En este ambiente cuartelero iba a tener lugar un notable acto de coraje moral, un incidente jaleado por el énfasis que se dio en él al valor puramente físico de la guerra. El 12 de octubre, aniversario del descubrimiento de América, “Día de la Raza”, tuvo lugar un acto ceremonial en el Paraninfo de la Universidad de Salamanca. La audiencia estaba integrada por notables del Movimiento, incluido un fuerte contingente de la Falange local. En el estrado tomaron asiento Carmen Polo, esposa de Franco, Pla y Deniel, obispo de Salamanca, el general Millán Astray, fundador del Tercio de Extranjeros (que llegó acompañado de sus legionarios), y Miguel de Unamuno, rector de la Universidad. Unamuno, irritado contra los gobernantes de la República, había apoyado al principio el “alzamiento” que debía “salvar la civilización occidental, la civilización cristiana que se ve amenazada”, pero no podía pasar por alto la matanza que se había llevado a cabo en la ciudad bajo las órdenes del comandante Doval, (…) ni los asesinatos de sus amigos Castro Prieto, alcalde de Salamanca, Salvador Vila, catedrático de árabe y hebreo de la Universidad de Granada, o García Lorca.
Los discursos iniciales corrieron a cargo de Vicente Beltrán de Heredia y de José María Pemán. Acto seguido el profesor Francisco Maldonado lanzó una tremenda diatriba contra los nacionalismos catalán y vasco, “cánceres de la nación” que había de curar el implacable bisturí del fascismo. Al fondo de la sala alguien lanzó el grito legionario “¡Viva la muerte!” y el general Millán Astray, que parecia el auténtico espectro de la guerra, manco, tuerto y cubierto de cicatrices, dio los “¡Vivas!” de rigor, mientras los falangistas saludaban a la romana hacia el retrato de Franco, que colgaba sobre el sitial de su esposa. El alboroto se desvaneció cuando Unamuno tomó la palabra:

Estáis esperando mis palabras. Me conocéis bien y sabéis que soy incapaz de permanecer en silencio. A veces, quedarse callado equivale a mentir. Porque el silencio puede ser interpretado como aquiescencia. Quiero hacer algunos comentarios al discurso, por llamarlo de algún modo, del profesor Maldonado. Dejaré de lado la ofensa personal que supone su repentina explosión contra vascos y catalanes. Yo mismo, como sabéis, nací en Bilbao. El obispo, lo quiera o no lo quiera, es catalán nacido en Barcelona.

Pla y Deniel se removió a disgusto por la alusión de Unamuno a su lugar de origen, que era casi en si mismo una implicación de deslealtad a la cruzada nacional.
Entre el silencio, Unamuno prosiguió:

Pero ahora acabo de oír el necrófilo e insensato grito: “¡Viva la muerte!”. Y yo, que he pasado mi vida componiendo paradojas que excitaban la ira de algunos que no las comprendían, he de deciros, como experto en la materia, que esta ridícula paradoja me parece repelente. El general Millán Astral es un inválido. No es preciso que digamos esto con un tono más bajo. Es un inválido de guerra. También lo fue Cervantes. Pero, desgraciadamente, en España hay actualmente demasiados mutilados. Y, si Dios no nos ayuda, pronto habrá muchísimos más. Me atormenta pensar que el general Millán Astral pudiera dictar las normas de la psicología de la masa. Un mutilado que carezca de la grandeza espiritual de Cervantes, es de esperar que encuentre un terrible alivio viendo cómo se multiplican los mutilados a su alrededor.

Llegado Unamuno a este punto, Millán Astray ya no pudo contener su ira por más tiempo. “¡Muera la inteligência! ¡Viva la muerte!” gritó a pleno pulmón. Falangistas y militares echaron mano a sus pistolas y hasta el escolta del general apuntó su subfusil a la cabeza de Unamuno, lo que no impidió que éste terminara su intervención en tono desafiante:

Este es el templo de la inteligencia. Y yo soy su sumo sacerdote. Estáis profanando su sagrado recinto. Venceréis, porque tenéis sobrada fuerza bruta. Pero no convenceréis. Para convencer hay que persuadir. Y para persuadir necesitaríais algo que os falta: razón y derecho en la lucha. Me parece inútil el pediros que penséis en España.

Hizo una pausa y dejando caer, sin fuerza, los brazos, concluyó en tono resignado:

He dicho”.

Se dice que la presencia de Carmen Polo le libró de ser asesinado allí mismo y que cuando Franco se enteró de lo que había ocurrido lamentó que no hubiese sido así. Seguramente los nacionales no asesinaron a Unamuno por la fama internacional del filósofo y por la reacción que había causado ya en el exterior el asesinato de García Lorca. Pero Unamuno, destituido como rector y confinado en su domicilio, murió el día de fin de año consternado y tachado de “rojo” y traidor – aunque su funeral fuera manipulado por los falangistas – por aquellos a quienes él había creído amigos.

(Pág 149 – 152)

(Miguel G. Cardoso)

*

Concordo com muito do que diz, mas permita-me divergir um pouco. Parece-me que o ponto em que os nacionalismos espanhóis foram picados não foi com Zapatero no poder, mas antes quando, na segunda maioria de Aznar (a primeira absoluta), o Governo do PP, de repente livre da necessidade de negociar com os moderados bascos e catalães, começou uma política de confronto minucioso com os nacionalismos espanhóis não castelhanos (em pequenas coisas como as matrículas, por exemplo). Aí, ao tentar reafirmar o centralismo espanhol após anos de cada vez maior autonomia, Aznar acordou os tais demónios. Seja como for, tenho para mim que esses "demónios" nunca estiveram realmente adormecidos e que a solução para Espanha não passa por mais centralismo. Aliás, na libertação das energias autonomistas parece-me estar, em parte, a explicação do sucesso de Espanha (e incluo nessa libertação as tensões imensas entre regiões, que resultam num país muito mais complexo e dinâmico). Nada disto impede que a condução do "processo de paz" tenha sido um desastre. As minhas palavras referem-se mais, aliás, à Catalunha, e não tanto ao País Basco (são dois problemas muito distintos).

(Marco Neves )

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4.1.07


JARDINS DE INVERNO

Jardim do Marquês de Pombal, Porto, 3 de Janeiro de 2007

(Álvaro Mendonça)

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PERGUNTAS ENTRE O ESPAÇO E O CIBERESPAÇO 8

Texto em movimento, V. 1

8 - [Mediações]

(Não arranjei patrono para esta pergunta, mas deve haver. Uma hipótese: por que é que quem fica no meio é atropelado? A expressão mais correcta é "ensanduichado", mas é demasiado plebeia para meu gosto e não me parece bem colocar o Conde de Sandwich junto com Kafka e Nietzsche. Fica para já assim: "mediações" - as que o ciberespaço está a ajudar a desaparecer.)

As mediações estão em crise: na democracia (parlamento, representação), no saber (peer review), na comunicação social (edição), na escola (a própria escola enquanto factor de socialização), na vida, enfim. Se todo o tempo é "real" não há mediações entre o ser e o agir, não há espaço para pensar, não há lugar para o pensar. O pensar é sempre uma distância, uma lentidão do tempo. As instituições do "meio": partidos, sindicatos, parlamentos, associações, escolas, famílias, igrejas, academias, perdem aceleradamente poder.
(Nesta sala a instituição do "meio" é a mesa e o moderador do debate e não parecem estar lá muito bem. Eu também não estou lá muito bem, porque precisava de mais tempo e não tenho. Nenhum de nós tem mão no tempo.)
The image “http://msit.gsu.edu/socialstudies/constitution/images/turn.gif” cannot be displayed, because it contains errors.Se deixou de haver distância, a não ser a que vai do meu braço a uma tecla ou um botão, e o mundo é uma "aldeia global", por que razão eu preciso de delegar o meu poder a quem me represente? Nada é distante, tudo é próximo, à distância de um clique, de um botão, de uma palavra digitalmente reconhecida. O resultado são as utopias da "democracia directa" na Rede, que regressam em força. Estão por todo o lado na Rede, dos artigos académicos, aos comentários mais simples, no sentido bíblico de "simples". A razão do seu retorno, eterno retorno aliás porque a pulsão para a igualdade é sempre muito grande nas sociedades de massas, é óbvia: existem hoje as tecnologias para resolver o dilema da dimensão, que preocupava os Constituintes americanos que, antes da Rede, ajudaram a construir um país em Rede.
It is natural to a republic to have only a small territory, otherwise it cannot long subsist. In a large republic there are men of large fortunes, and consequently of less moderation; there are trusts too great to be placed in any single subject; he has interest of his own; he soon begins to think that he may be happy, great and glorious, by oppressing his fellow citizens; and that he may raise himself to grandeur on the ruins of his country. In a large republic, the public good is sacrificed to a thousand views; it is subordinate to exceptions, and depends on accidents. In a small one, the interest of the public is easier perceived, better understood, and more within the reach of every citizen; abuses are of less extent, and of course are less protected. (Montesquieu citado por "Brutus", Robert Yates contra o estado federal.)

Os federalistas respondiam também falando do "espaço", do "tamanho". Sim, uma democracia não podia ser "grande", mas uma República podia, desde que baseada no príncípio da representação.

As the natural limit of a democracy is that distance from the central point which will just permit the most remote citizens to assemble as often as their public functions demand, and will include no greater number than can join in those functions; so the natural limit of a republic is that distance from the centre which will barely allow the representatives to meet as often as may be necessary for the administration of public affairs. Can it be said that the limits of the United States exceed this distance?

Perguntava Madison ("Publius") e respondia que sim, medindo fisicamente o território da União.

Size matters... até agora. O "tamanho" era um óbice, complicava tudo, diferenciava, hierarquizava, tornava uns poderosos e outros fracos. Na distância perdia poder o que estava mais longe, ganhava o que estava mais perto. Tinha-se perdido a unidade ateniense, o "interesse público" mais "facilmente percebido", tinha que se delegar, representar, para manter a democracia num espaço grande. Agora deixou de ser preciso. A "aldeia global" encolhe tudo, ou não fosse uma aldeia. Problemas velhos, dizem os utopistas da Rede, que voltam ao pseudo-ideal do agora grego presente no "electronic town hall" ou nas propostas de televoto.
Veja-se por exemplo Scott London, "Teledemocracy vs. Deliberative Democracy: A Comparative Look at Two Models of Public Talk." Journal of Interpersonal Computing and Technology, Vol 3, No 2, Abril 1995.

Há boas razões para os populistas, os demagogos e os comunistas gostarem destas propostas. Comecemos por Ross Perot.

(Continua)

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: LAGOS, LAGOS E MAIS LAGOS

Radar imaging data of large bodies of liquid on Titan

em Titã, lua de Saturno, sistema solar.

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JARDINS DE INVERNO

Jardim do Passeio Alegre no Porto. Hoje.

(Gil Coelho)

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BOAS / MÁS / PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006

VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR


NOTAS DE ABERTURA

Escrevo no Público e na Sábado e participo num programa da SICN. Se esses são conflitos de interesse, aqui ficam registados. Este balanço depende muito do que li, ouvi e vi directamente, logo pode ser desigual e injusto com muito de bom ou mau na comunicação social. Por exemplo, ouvi muito pouca rádio este ano, vejo poucas vezes a TVI com excepção dos noticiários, mas leio quase toda a imprensa.

Esta primeira versão do texto é ainda uma aproximação. Como sempre, espero dos leitores do Abrupto opiniões, sugestões, correcções e debate, antes de fazer um texto definitivo.

BALANÇO DE ALGUMAS BOAS COISAS QUE VINHAM DO ANO PASSADO E DE COMO MUDARAM PARA MÁS OU CONTINUARAM NA MESMA


Na SIC Notícias: Mário Crespo e o par João Adelino Faria / Ana Lourenço nos noticiários. Crespo e João Adelino Faria têm um estilo de entrevista informado, estudioso, empático, que resulta muito bem no espaço temporal de que dispõem. A saída de João Adelino Faria é uma perda importante para a SICN.

Continua nas BOAS COISAS.


Na 2: Clube dos Jornalistas, perdeu qualidade e relevância. Começou a ter “causas” e a querer ouvir dos seus convidados a justificação dessas “causas”. Perdeu interesse e tornou-se mais conformista com o velho jornalismo do que o que já era.

Sai das BOAS COISAS.


A Sábado é o órgão de comunicação social portuguesa mais subestimado, vítima das “sinergias” que lhe faltam: não tem quem puxe pelas suas notícias nos outros órgãos de comunicação social. Mas que tem notícias, isso tem, por detrás daquelas capas sensacionalistas. Repito ipsis verbis o que disse o ano passado acrescentando que o sucesso da Sábado face à Visão levou-a a ultrapassá-la nas vendas em banca, o que é um feito. A Visão precisa mesmo de levar uma volta.

Continua nas BOAS COISAS.


A imprensa de distribuição gratuita está boa e recomenda-se.


Continua nas BOAS COISAS.

Na blogosfera: o debate político. Os blogues políticos de todas as cores continuam a ser a parte mais dinâmica da blogosfera, contra todas as cíclicas previsões em contrário. O debate pode ter todos os defeitos da "atmosfera", mas tem também qualidades que só há na blogosfera. Ipsis verbis.

Continua nas BOAS COISAS.

Pelo contrário, o papel da blogosfera nas micro-causas esbateu-se, em parte pela banalização do termo e da função, noutra parte, porque a imprensa em papel pega rapidamente nos temas da blogosfera e apaga a assinatura original. Os blogues de jornalismo também perderam alguma acuidade e foram menos activos e menos críticos.


Livros e revistas sobre jornalismo.



Continua nas BOAS COISAS.

NOVAS COISAS BOAS

Novos jornais: levanta-se o Sol e melhora o Expresso.


Os podcasts na rádio.


Alguns dos programas do Prós e Contras foram os melhores (nalguns casos os únicos) debates sobre matérias de interesse público.


Na nossa "era dos engraçadinhos" o humor tornou-se prato forte das televisões. Há de tudo, bom e mau. Detalhes a seguir.


As séries da Fox no cabo, e nas séries, as da HBO. Muito dividido entre os Sopranos e Deadwood, inclino-me para considerar Deadwood a melhor série televisiva que jamais vi, depois da Twilight Zone original.


O Provedor do Público.



Melhorias gráficas nos jornais (Diário de Notícias por exemplo) e excelentes ilustradores e cartonistas.


VELHAS COISAS MÁS QUE CONTINUAM MÁS


A política comunicacional governativa. Passou para as PÉSSIMAS COISAS.





A ausência de programas de informação nas televisões generalistas. Continua nas MÁS COISAS.


Na RTP: a cobertura dos assuntos da UE. Continua nas MÁS COISAS.



Na RTP: os comentários de António Vitorino. Continua nas MÁS COISAS.




A imprensa generalista cai. Agravou-se a situação . Passou para as PÉSSIMAS COISAS.




O jornalismo económico continua a depender de uma visão mais do “económico” do que do “jornalístico”. Melhorou substancialmente. Sairá das MÁS COISAS e irá para o limbo.


A Antena 2 é demasiado loquaz. Continua nas MÁS COISAS.




NOVAS / PÉSSIMAS MÁS COISAS



Entidade Reguladora para a Comunicação Social.






Truques na blogosfera portuguesa para incrementar visitas e ligações artificialmente.





(Continua)

*
No balanço das coisas boas e das coisas más que nos ficaram do ano que terminou, gostaria de referir duas ou três coisas em relação à comunicação social/televisão/imprensa escrita.

Concordo plenamente com as análises que faz da Sábado e do Diário de Notícias.

Notei que o Público perdeu qualidade. E ou eu me engano muito ou também perdeu audiência. É óbvio que continua a ser um bom jornal, mas está a tornar-se demasiado maçudo. Alguns articulistas mudaram. Talvez pelo seu próprio estilo as crónicas tornaram-se menos interessantes. Há dias em que o jornal tem papel a mais e notícias a menos. Hoje é um deles. Também é certo que traz a revista "Dia D" e os suplementos "Mil Folhas" e "Y", só que estes dirigem-se a nichos de mercado. O jornal precisava de ser renovado, está com artigos demasiados extensos, repetitivos e pouco interessantes.

Continuou a degradação da informação televisiva. E os concursos e novelas a horas nobres da programação tornaram-se uma aberração consolidada. A ignorância de alguns dos apresentadores dos concursos concorre com a ignorância dos concorrentes. Se quanto a estes ela ainda é desculpável, já a daqueles não é. Comentários brejeiros, nalguns casos ordinários, tornaram-se um must. Humor sem humor com programas de piadas e anedotas em que o mau gosto impera e em que tipos boçais contam piadas de caserna com uma bolinha vermelha no canto superior direito do ecrã durante horas infindas. E isto para já não falar em programas como aquele que a TVI passa em que maridos e mulheres enganadas se enxovalham reciprocamente perante um apresentador e uma plateia de idiotas. Pobres dos que não podem usufruir dos prazeres do satélite ou do cabo.

Também foi muito mau o aumento de voyeurismo de alguma imprensa com o consequente aparecimento de novos títulos. A entrevista à artista despeitada, o mexerico, a intrigalhada, a baixeza, a proposta inconfessável via anúncio de jornal, anúncio televisivo ou notícia de revista do coração, tornaram-se moda. Péssima foi a praga da generalização dos toques de telemóveis e das imagens indecentes, via sms, ou a publicidade encapotada a pessoas e negócios em espaços de informação televisiva.

Inqualificável foi o tempo concedido ao futebol pela generalidade dos canais. E não falo do Mundial de Futebol que só corre de 4 em 4 anos. Horas e horas de programação imbecil, jogos sem qualquer interesse e sem público todos os dias da semana, debates desinteressantes, com gente que não tem nada a ensinar ou transmitir, incapaz de articular uma frase ou expressar uma ideia, discutindo o fora-de-jogo, o insulto ao árbitro ou as entrevistas do Mourinho. Ainda por cima com a presença de políticos, caso do Fernando Seara, que transmitem a ideia, creio que errada, que não fazem mais nada senão ir à bola, escrever n' "A Bola" e discutir a bola. Programas como a "Liga dos Últimos" na RTPN, com os comentários de um tal "Prof. Bitaites", deviam ser pura e simplesmente banidos, já que constituem um verdadeiro atentado à inteligência dos telespectadores, só servindo para gozar com quem não percebe que está ser gozado. O Pinto da Costa, o Vieira, a família Loureiro, o Veiga, o Scolari, o Hermínio Loureiro, o Madaíl, o Jorge Coroado, a corrupção, a fraude, a moscambilha, o insulto gratuito, tudo misturado e ao mesmo tempo e com toda a gente a toda a hora a debitar banalidades e barbaridades, a abrir telejornais, a fazer-nos detestar um espectáculo belíssimo como é o futebol.

Enfim, no meio de tanta coisa sempre há alguma que se aproveita, como alguns programas educativos visando temas do mar e da natureza, em especial na RTP2, e alguns debates como os promovidos pela Fátima Campos Ferreira. Noto, no entanto, que ultimamente os convidados são sempre os mesmos e há um excesso de atenção na discussão de temas económicos. É pena que assim seja, posto que isso começa a tornar o programa menos interessante, monótono e cansativo.

Boa foi também a introdução de pequenos programas tendentes à melhoria do falar e do escrever da nossa língua, alertando os telespectadores para a necessidade de correcção de alguns erros frequentes de dicção e de escrita.

(Sérgio de Almeida Correia)

*

Uma adenda para as suas coisas péssimas na imprensa portuguesa: a abundância de erros de ortografia que já ninguém se preocupa em emendar. Proponho-lhe um exercício: leia de lápis na mão, na mesma semana, a Sábado, a Visão e a Focus. Vai ver que não diferem neste aspecto. Tempos houve em que a Focus era péssima, a Sábado sofrível e a Visão de confiança. Agora estão empatadas.

(M. João Afonso)

*

Para não falar da Sic Comédia que trazia diariamente "Allô Allô", Seinfeld, Leno, O'Brien, entre outros. O melhor da comédia de qualidade foi-se porque "não houve acordo...", o que quer que isto queira dizer...

(Jorge Gomes )

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Numa das "Novas Coisas Boas " , seria mais abrangente. Assim, alem dos Podcasts das Rádios , englobava o sector multimédia da RTP/RDP ( muito completo e bem ordenado ) - - e o Sapo XL ( mais ligado à SIC ) , também um canal na internet com uma larga panóplia de funcionalidades e conteúdos -

Ainda na Internet e virando a agulha para os jornais ; Com excepção do Público , os sites dos principais jornais Portugueses ( desportivos , generalistas e económicos ) são de uma pobreza franciscana tanto a nível de conteúdos , como a nível de Design. Claramente uma desorientação estratégica dos principais grupos de Media , que não sabem como lidar com a Internet. Claramente nas " Coisas Más".

(João Melo)

Na minha opinião, uma péssima coisa foi o facto de a própria comunicação social, em 2006, se ter tornado, por definição, numa má coisa. Não pela força das circunstâncias mas por uma clara opção comercial com base num direito, num conceito, numa propriedade e num ideal, todos eles definidos em função das circunstâncias. Na prática, o que acontece, como aconteceu, são fenómenos falaciosos ou paradoxais como por exemplo o caso de um director de um jornal, neste caso o 24 horas, dizer que nunca compraria o jornal que "fabrica" por o considerar demasiado foleiro! Uma nota final somente para dizer que as televisões, sobretudo a SIC e a TVI se tornaram no paradigma das más coisas.

(Ricardo S. Reis dos Santos)

*

Sobre o balanço que faz da comunicação social em 2006, gostaria de acrescentar nas "velhas coisas más que continuam más" a crise no mercado da publicidade que se manteve este ano, regredindo para valores de 1999. Nunca é demais lembrar que é a publicidade que dá vida e dinamismo aos media. Nos últimos tempos, e como consequência directa da crise, os grupos só têm conseguido ganhar dinheiro à custa de redução de custos - com honrosas excepções - sendo visíveis as quebras na qualidade dos "conteúdos" veiculados. Acredito que, infelizmente, ainda só estamos no princípio (temo o pior por exemplo com a reestruturação do Público).

(Francisco A. van Zeller)

*

(...) duas coisas péssimas na comunicação social portuguesa em 2006, ou, se se quiser, uma coisa bipartida:

A TvCabo substituiu o canal GNT pelo canal de uma seita evangélica qualquer (foi em 2006, não foi?);
A TvCabo substituiu um outro canal (salvo erro o “Viva” ou “Viver”) pelo canal “Infinito – abra sua mente”, com uma programação inqualificável sobre ocultismo, espiritismo, bruxaria, astrologia e temas afins.
Quer dizer, a TVCabo substituiu dois canais sofríveis por outros dois sem qualificação possível, tal o nível de degradação da qualidade que conseguem atingir. Não ouviu os espectadores. Não lhes baixou o preço da assinatura.

(António Cardoso da Conceição)

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HOJE

começa a série

BOAS /

e

PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2006, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR.

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EARLY MORNING BLOGS

941 - Epitaph on a Tyrant

Perfection, of a kind, was what he was after,
And the poetry he invented was easy to understand;
He knew human folly like the back of his hand,
And was greatly interested in armies and fleets;
When he laughed, respectable senators burst with laughter,
And when he cried the little children died in the streets.

(W. H. Auden)

*

Bom dia!

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3.1.07


GRANDES CAPAS

(Enviada por José Carlos Santos)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: PERPLEXIDADES




Apenas duas linhas para exprimir a minha, justificada ou não, perplexidade em relação ao episódio dos tripulantes da manifestação em Vila do Conde.


Do lado dos homens do mar argumenta-se que é inaceitável não ter havido socorro porque os pescadores morreram praticamente na praia, ou seja a poucos metros de terra firme. E de facto, apesar de ser leigo na matéria, chocou-me a história daqueles homens morrendo agarrados a um pequeno barco encalhado na areia da praia. Ou seja, parece-me que os trabalhadores do mar têm razão.
Contudo não há ninguém a dizer, com uma infinitésima parte da veemência dos pescadores, da culpa dos pescadores. É que segundo relatos, passados nos noticiários, de várias pessoas que praticam pesca à linha naquela praia, as traineiras em geral, e aquela em concreto, costumam pescar demasiado perto da costa, não respeitando a distância regulamentar à praia. Isto parece ser generalizado em vários pontos da costa , pois estou ciente desse tipo de actuação há muitos anos por frequentar uma praia onde ainda se pratica a arte de Xávega, naqueles barcos artesanais em meia lua, praia essa na qual os pescadores locais se queixam das traineiras lhe roubarem o peixe. Outra questão importante, é que, segundo informações também transmitidas nos noticiários, os tripulantes da traineira não usavam os regulamentares coletes de salvação, que possivelmente os teriam salvo.
Ou seja, bastaria os tripulantes da traineira terem cumprido estas duas regras para esta tragédia não ter acontecido. Regras essas que eram do seu conhecimento e que optaram deliberadamente por não cumprir.
Contudo, a afirmação clara destes factos, a atribuição de uma quota-parte da responsabilidade aos falecidos, ainda não reparei que tenha sido feita. Dirão, desculpando-se, que estamos num momento de luto, as famílias estão pesarosas, o momento não é para isso. O problema é que nunca vai haver um momento para isso, porque entretanto o tempo passa e a história cai no esquecimento. E fazê-lo agora, e numa altura de luto e pesar, serviria para contundentemente dar ênfase à responsabilização individual, neste caso dos pescadores, mas que deveria existir noutros sectores da sociedade.
Não aproveitando a ocasião para consciencializar os pescadores e a sociedade, os coletes continuarão guardados e o limite mínimo de distância à costa continuará a ser quebrado, impunemente até ao dia em que hão-de dizer que houve um “azar”.

(Henrique Oliveira)

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Pegando ainda no comentário perplexo de Henrique Oliveira, tenho a dizer que vem de encontro a muito do que pensei neste caso nos últimos dias. Lembram-se de uma campanha que dizia qualquer coisa como "descalçar as botas de água à entrada das barras dos portos não é cobardia é sensatez/precaução?" (já não me lembro bem...) Já nem vou discutir o conceito de "macho viril" que está subjacente à forma como a frase foi concebida! Mas parece-me estar perante uma situação que tem ecos vários do que esteve por trás daquela frase: os cuidados não se têm e depois a culpa é dos outros. Não nego que duas horas para aparecer um helicóptero naquela situação me parece excessivo. Mas não sei a história toda: porque é que o helicóptero demorou esse tempo? Outra pergunta: o que é que o pescador que se salvou fez de diferente dos outros para se salvar? Mais outra: os pescadores que morreram sabiam nadar? Se estavam assim tão perto, não poderiam ter tentado chegar à costa, apesar da rebentação? Ou continuam a achar que não se deve saber nadar porque isso desafia o destino?
E claro, estou de acordo com o leitor Francisco Figueiredo: nós somos os primeiros responsáveis pela nossa própria segurança. Comportamentos imprudentes, não. E a fiscalização deve ser actuante, como medida de prevenção que é também... Lamento, tenho muita pena dos que morreram, das famílias que os perderam, de uma comunidade que ficou mais pobre. Mas não tenho a pena toda...

(M. João Afonso)

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Hesitei em comentar algo sobre o acidente do barco de pesca ao largo 'da Nazaré': morreram homens, há famílias de luto...
Mas a 'perplexidade' do seu leitor Henrique Oliveira decidiu-me!
Em primeiro lugar, e por uma questão de precisão, o naufrágio não aconteceu 'na Nazaré' mas numa praia do Concelho de Alcobaça (por isso é que foram chamados os bombeiros de Pataias, e não os da Nazaré).

Em segundo lugar, sou testemunha dos abusos sistemáticos daquele tipo de barcos de pesca nas águas do litoral do Distrito de Leiria (onde resido e que conheço razoavelmente); provavelmente os pescadores só evitam aproximar-se da costa na zona de São Pedro de Moel e da Nazaré, devido à existência de rochas; o resto é de areias, logo convidativa... Esta forma de actuação contraria as regras e, claro, prejudica os resistentes da arte xávega, como também observou Henrique Oliveira.

Em terceiro lugar, ficou claro que os tripulantes do barco não usavam os coletes de salvação.
Por isso, parece-me deslocada e naturalmente exagerada a responsabilização das 'autoridades' neste caso.

Por muito que custe, não aconteceu nada de substancialmente diferente de um acidente de automóvel: o barco 'despistou-se' e os tripulantes não usavam 'cinto de segurança' (como muito bem foi observado por um especialista de que não fixei o nome, creio que na SIC). Ora, se no caso dos acidentes de automóvel geralmente não se responsabiliza o tempo de chegada dos meios de socorro (pelo contrário, a culpa é sempre do 'excesso de velocidade'), por que razão no caso deste barco terá que ser diferente?

O que choca (mas não é de agora...) é a completa ausência de fiscalização da actividade da pesca. Armadores e pescadores fazem o que querem, quando querem, onde querem na mais completa impunidade: se não há dinheiro para barcos, ao menos a Polícia Marítima podia usar binóculos...

(Francisco Figueiredo)

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Escrevo-lhe mais ou menos como resposta à entrada no blog do que Henrique Oliveira escreveu.

Porventura, numa questão meramente académica e de limite, se os pescadores tivessem decidido cometer suicídio colectivo e as autoridades para essa situação de perigo fossem alertadas, é da sua resposabilidade intervir o mais rapidamente possível de forma a evitar que algo de mal aconteça!

O que verdadeiramente se discute neste caso é a prontidão da resposta que foi dada às vítimas, na minha opinião, desastrosa, tendo os ocupantes da embarcação, ao longo do tempo que estiveram à espera de auxílio, falecido.

(Hugo Filipe)

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A propósito do caso trágico da Nazaré , é de estranhar ( ou dai talvez não .. ) o silêncio dos membros do Governo.

Um caso que tal como em Entre-os-Rios, revela a fragilidade do aparelho de Estado , por não ter capacidade de planeamento e antecipação em algo aparentemente simples e pouco complexo.

Este governo , perante boas noticias ( ou assim tornadas boas noticias pela máquina de propaganda..) , como sejam investimentos( ou muitas vezes intenções de investimentos..) , é rápido a espalha-las pelos jornalistas .

Numa altura como esta que se pretende de paz e amor, perante uma noticia difícil e adversa, os Ministros com a tutela não deram a cara.

A sua presença junto da família dos pescadores desaparecidos neste momento teria feito muito mais pela credibilidade do governo que qualquer sessão de Power -Point no Centro Cultural de Belém

(João Melo)

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JARDINS DE INVERNO

Arca de Água no dia 1 de Janeiro de 2007.

(José Paulo Andrade)

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JARDINS DE INVERNO

Casa Tchaikovsky - Rússia

(Ana Paula Lemos)

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JARDINS DE INVERNO

Paúl de Boquilobo

(António Ferreira de Sousa)

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2.1.07


JARDINS DE INVERNO

Rio Jugueiros, perto de Felgueiras.

(Vítor Ribeiro)

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JARDINS DE INVERNO

No rio Côa, debaixo de água.
(A um clique sobre a foto, todo o esplendor.)

(Manuel Sampaio)

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EARLY MORNING BLOGS

940 - Hannibal

Was there even a cause too lost,
Ever a cause that was lost too long,
Or that showed with the lapse of time to vain
For the generous tears of youth and song?

(Robert Lee Frost)

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Bom dia!

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1.1.07


JARDINS DE INVERNO




(António Pedro)

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EARLY MORNING BLOGS

939 - The Passing of the Year

My pipe is out, my glass is dry;
My fire is almost ashes too;
But once again, before you go,
And I prepare to meet the New:
Old Year! a parting word that's true,
For we've been comrades, you and I --
I thank God for each day of you;
There! bless you now! Old Year, good-bye!


(Robert Service)

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Bom dia e bom ano, outra vez!
E tantas quantas forem precisas para agradecer missivas, festas, Boas Festas, presentes e ausentes, flores, livros, coisas que por cá chegaram, porque "we've been comrades, you and I". Continuamos este ano.

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© José Pacheco Pereira
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