ABRUPTO

14.8.04


MAIS AR PURO


Fyodor Vasilev

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SILLY SEASON

"A notícia é espantosa. Cientistas russos afirmam que encontraram os destroços de uma nave espacial extra-terrestre que se despenhou em 1908 em Tunguska, na Sibéria, anunciou quarta-feira à noite a agência noticiosa Interfax. Infelizmente a notícia não diz que parte da nave é que encontraram. Terá sido o motor, as asas ou a cozinha? Mas ainda é mais espantoso que notícias destas apareçam hoje em dia na comunicação social e que passem no rodapé dos noticiários da TV, como se fosse algo credível. Será que se alguém dissesse que na Rússia encontraram o Gagarin vivo também iam passar a notícia? Ou que a estrela de Belém pousou mesmo na gruta do menino Jesus? Também passavam tão assombrosa descoberta?"

(José Matos)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: CRATERAS FEMININAS

"Como nomes, também podia dar:

- Guilhermina Suggia, que também poucos conhecem. Existe também uma confusão, não sei se já desfeita, com as lápides com o nome dos pais, ausência quase total de gravações dela acessíveis, etc. ( ver Blogger com o seu nome),

- Luísa Todi, cuja campa se situa algures numa cave dum prédio, se bem depreendi do que ouvi num programa da A2.
"

(Rui Laia)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: REVISTAS LIDAS NO CABELEIREIRO

"(...) vi a capa da revista VIP. Fiquei a saber que:

Marcelo Rebelo de Sousa já esconde mal as suas ambições. Desta vez, e a primeira, pois tanto quanto me apercebi, até agora só temos visto as partes do puzzle (são as revistas que eu vejo no cabeleireiro as poucas vezes que lá vou), apareceu com a famílias no seu completo em férias: namorada de há vinte anos (...), filha e genro, filho e nora. Tenho acompanhado com interesse o seu recente gosto contido programado e eficaz de aparecer nas revistas cor-de-rosa. Primeiro aparece ele e falar dele. Uns meses depois aparece ele e o neto, e já fala ou pouco da sua vida pessoal e da relação com os seus filhos. Depois aparece ele a falar da sua namorada de há vinte anos (...) e a explicar o quanto ela gosta da privacidade.
Depois aparece ele e o filho no mar de fato térmico no Inverno a dizer-nos do seu amor pelo mar partilhado com o filho. Depois, umas primeiras fotografias tímidas com a namorada de quem diz maravilhas. Depois também aparece na Quinta do Lago de férias com a filha no mar em que louva as qualidades da filha e fala da sua cumplicidade com ela. Agora finalmente vemos todas as peças do Puzzle e a família no seu completo.

Nada se deixa ao acaso nesta caminhada com objectivos bem definidos. Que faltará agora? Aguardo com paciência. As idas ao cabeleireiro darão os seus frutos! Ou me engano muito, ou vai lá chegar (e com o meu voto!)
. "

(JPC)

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EARLY MORNING BLOGS 282

There was an Old Man who supposed,
That the street door was partially closed;
But some very large rats,
Ate his coats and his hats,
While that futile old gentleman dozed.


(Edward Lear)

*

Bom dia!

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13.8.04



Isaak Levitan, Vento fresco no Volga, 1895

(Isto estava lá em baixo no limbo do blogue, rapidamente soterrado pelos eventos. Mas, penso que se há coisa que os eventos precisam é de ser varridos com ventos e seria injusto que esta lufada de ar fresco não fizesse mais parte do dia de hoje do Abrupto. E subiu cá para cima.)

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CORREIO

Algum correio, enviado entre o fim da manhã de hoje e as 15 horas, foi apagado por engano. Pedia aos que me escreveram, em particular sobre a questão do OBRIGADINHO, que repetissem o envio.

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OBRIGADINHA

Correio da Manhã – Posso escrever isto? Fonte do MP? Correcto?
Sara Pina – Pode o quê?
CM – Fonte do MP, soube o “Correio da Manhã”.
SP – Não pode pôr fonte nenhuma.
CM – Fonte próxima do processo e está a andar.
SP – Não pode.
CM – Fonte próxima do processo e…
SP – Não pode. Isso muito menos.
CM – Então, pronto, soube o “Correio da Manhã”, o “Correio da Manhã” apurou junto de qualquer coisa (…)
SP – Isso pode pôr.
CM – Tanto que, ao contrário de…
SP – Ponha assim, o “Correio da Manhã” apurou que é mais do que uma criança, pronto, mas não põe fonte nenhuma, nem judicial, nem do MP e muito menos fonte do processo, senão sou morta na segunda-feira.
CM – Tá bem, não morre nada.
SP – O “Correio da Manhã” apurou.
CM – O “Correio da Manhã” apurou que (…)
SP – Não ponha fonte nenhuma senão nunca mais lhe dou uma informação.
CM – Tá bem Sara, obrigadinha.


(Uso a transcrição do Barnabé)

Esta mulher já está na rua das suas funções ou não? O PGR sabia ou não que a sua porta-voz (a que transporta a voz) falava assim com um jornalista ou não? Porque se sabia, a porta é a mesma. E rápido.

*

"O grande problema que envolve o assunto em questão prende-se com a impossibilidade real e factual de se poder controlar e fiscalizar o segredo de justiça.
Que tipo de instrumentos é que podem evitar que alguém com conhecimento de um determinado processo judicial passe informação para o exterior? Muitas vezes, as leis no papel são bonitas, mas nada eficazes. A do segredo de justiça é uma delas...
Só quando uma dessas situações ilícitas for exemplarmente julgada é que o medo se poderá instalar nas mentes daqueles que com acesso a processos judiciais facilmente vendem informação aos jornalistas. Aí sim, pensarão duas vezes antes de violarem o segredo de justiça..."


(Pedro Peixoto)

*

"Neste país raramente alguém é posto porta fora. Sabe isso. Todos sabemos.
Raramente alguém é demitido. Outra coisa, sim, e bem mais agradável até em termos curriculares, é ser aceite o pedido de demissão. Em Portugal quem faz asneira em cargos de responsabilidade, principalmente asneira grosseira, por regra, apresenta a sua demissão, não tem de sofrer o vexame de ser demitido.
O trabalhador, na privada ou na função pública, esse sim, é despedido por base numa justa causa legalmente estabelecida. Agora os altos responsáveis não estão sujeitos a esse tipo de coisas. Seria um vexame. É assim há muito tempo e o caso de Adelino Salvado mostra que assim continuará. Os processos de branqueamento seguem-se logo após os escândalos. Assim ditam as nossas boas regras.
"

(Carlos Bote)

*

"Porque é que nesta transcrição do Barnabé está o Correio da Manhã e não o Octavio Lopes?... Aliás, no Barnabé está um subtítulo assim: "Conversa entre Sara Pinto, Porta-Voz do Procurador-Geral da República, Souto Moura, e um jornalista do "Correio da Manhã", publicada no "Independente". Todos têm nome menos o jornalista do Correio da Manhã?... Ora em "O Independente" não está um "jornalista do Correio da Manhã", está Octavio Lopes. Ele já está a perder o nome?... Está a desaparecer enquanto pessoa que fez as gravações?

(...) estou a manifestar uma enorme desconfiança quanto ao conteúdo muito selectivo de O Independente de hoje, e a tentar entender os meandros do mais absurdo proteccionismo corporativo que está a ser dado a Octavio Lopes."

(Henrique Jorge)

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TENDÊNCIAS

Numa fase ainda muito errática, é prematuro definir tendências. Há mais sobrevivências do que tendências. Mas há sinais interessantes, saibamos nós lê-los:

- já começou a preparação psicológica para a ultrapassagem do défice, feita, muitas vezes, como é da regra, com promessas de o manter.

Bibliografia: notícia do Independente sobre Bagão Félix e o défice.

- em áreas em que o Governo não têm grande margem de manobra, em que não há, a curto prazo, high stakes, ou em que os interesses do Governo e da oposição são os mesmos, as escolhas são típicas do “bloco central”. O “bloco central” é em Portugal a melhor garantia de governar sem se ser incomodado e já deu muitas provas da sua eficácia nos momentos difíceis, nos tribunais, nas polícias, nas empresas públicas, na empregabilidade dos gestores. Para os amadores da teoria das conspirações é também nestes sectores que os poderes discretos das várias maçonarias funcionam.

Bibliografia: saber de experiência feita com coisas vistas e conhecidas;

artigo de José António Barreiros no Diário de Notícias.

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NOMES

Naquela que deve ter sido uma das mais bizarras intervenções numa comissão política de um partido (o PSD, neste caso, ao tempo de Cavaco Silva), numa discussão qualquer que havia sobre a nossa “auto-estima”, ou sobre o satélite português, eu perguntei-me porque razão usávamos pouco a possibilidade de dar nomes portugueses a alguns dos acidentes da geografia dos planetas. A necessidade de nomenclatura crescia exponencialmente, à medida que se iam conhecendo melhor os planetas com as sondas dos anos 70 e 80.

Já havia pelo menos uma “Vasco da Gama” na Lua, mas era pouco. Acho que dei o exemplo de Vénus, cujas regras de nomenclatura conhecia. Eu sabia que não tínhamos nomes para as Fossae, que tinham que ser “deusas da guerra”, nem para as Chasmata, que tinham que ser “deusas da caça”, mas sempre se podia fazer alguma coisa para as Crateras, acima dos 20 km, que tinham nomes de mulheres famosas. Acho que o primeiro nome que me veio à cabeça foi o de Florbela Espanca. Ninguém sabe quem é, disse-me um outro participante na reunião. Também há uma cratera chamada "Suzanne Valadon", porque os franceses não deixam os seus créditos por mãos alheias, e pouca gente sabe quem é... Alguém, sensato, passou adiante.

Em Marte, onde se podem dar nomes de cidades a pequenas crateras, há uma Lisboa, identificada como um “porto português”, misturada com Viana (Brasil), Platte no Dakota do Sul, Porvoo (Finlândia), etc., etc. Mas não há sequer a minha terra, o Porto (o que é que tu esperas, Rui?...).

*

"(...) pelo menos o nome do seu rio "Durius" foi atribuído a um vale marciano. O meu rio "Munda" tambem, tal como o "Tagus". Lisboa, Aveiro e Funchal são os nomes de cidades portuguesas atribuídos a crateras marcianas."

(Rui Curado Silva da Klepsydra)

*

"Nomes portugueses na Lua listados, junto com as coordenadas:

Acosta 5.6S 60.1E 13.0 EU PG 080B4 LTO 5 1976
0 AA Cristobal; Portuguese doctor, natural historian (1515-1580).

[Camoens] 0.8N 84.9E 33.0 EU PG 063C3 LTO 6 0
0 AA Luis de; Portuguese author (1524-1530).

Magelhaens 11.9S 44.1E 40.0 EU PG 79 LAC 5 1935
66 AA Fernao De (Ferdinand Magellan); Portuguese explorer (1480-1521).

Nonius 34.8S 3.8E 69.0 EU PG 112 LAC 5 1935
66 AA Nunez, Pedro; Portuguese mathematician (1492(?)-1578).

Vasco da Gama 13.6N 83.9W 83.0 EU PG 1 LOC 5 1935
66 AA Portuguese navigator, explorer (1469-1524).

Num dia como hoje, é reconfortante lembrar grandes portugueses."


(S)

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EARLY MORNING BLOG 281

Poderoso caballero es don Dinero.


Madre, yo al oro me humillo;
él es mi amante y mi amado,
pues, de puro enamorado,
de contino anda amarillo:
que, pues, doblón o sencillo,
hace todo cuanto quiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Nace en las Indias honrado,
donde el mundo le acompaña;
viene a morir en España
y es en Génova enterrado.
Y pues quien le trae al lado
es hermoso, aunque sea fiero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Es galán y es como un oro,
tiene quebrado el color,
persona de gran valor,
tan cristiano como moro;
pues que da y quita el decoro
y quebranta cualquier fuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Son sus padres principales
y es de noble descendiente,
porque en la venas de Oriente
todas las sangres son reales;
y pues es quien hace iguales
al duque y al ganadero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Mas, ¿a quién no maravilla
ver su gloria sin tasa
que es lo menos de su casa
doña Blanca de Castilla?
Pero pues da al baxo silla
y al cobarde hace guerrero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Sus escudos de armas nobles
son siempre tan principales,
que sin sus escudos reales
no hay escudos de armas dobles;
y pues a los mismo robles
da codicia su minero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Por importar en los tratos
y dar tan buenos consejos,
en las casas de los viejos
gatos le guardan de gatos.
Y pues él rompe recatos
y ablanda al juez más severo,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Y es tanta su majestad
(aunque son sus duelos hartos),
que con haberle hecho cuartos
no pierde su autoridad:
pero pues da calidad
al noble y al pordiosero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Nunca vi damas ingratas
a su gusto y afición,
que a las caras de un doblón
hacen sus caras baratas.
Y pues las hace bravatas
desde una bolsa de cuero,
Poderoso caballero
es don Dinero.

Más valen en cualquier tierra,
(mirad si es harto sagaz),
sus escudos en la paz,
que rodelas en la guerra.
Y pues al pobre lo entierra
y hace propio al forastero,
Poderoso caballero
es don Dinero.


(Francisco de Quevedo)

*

Bom dia!

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12.8.04


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES; ELOGIO DO VERDE TINTO

"Mas nada está perdido: a pequena caneca de barro branca com riscas azuis tem sido a minha principal cúmplice. Nela está o verde tinto que só aqui tem a particularidade de fazer milagres. Sabe-me fresca e divinamente e encerra em si o mistério da “pertença”. A toalha de papel fica suja e de um roxo quase negro das pingas que escorrem da imperfeição do bico da caneca - são sempre muito estreitos. Os copos ficam maravilhosos com aquele vermelho espesso que só o verde tinto nos sabe dar, e os nossos cantos dos lábios? Aqui não saberia beber outra coisa. Regresso a casa “slightly dizzy” do exercício do meu pequeno prazer privado que nem o Homem Aranha nem a Britney Spears chamuscam."

(J.)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:A GIRAFA

"A propósito do poema Le Chameau et les Bâtons flottants (EARLY MORNING BLOGS 278):

Dizem que quando o Luis XIV (ou XV?) viu uma girafa, pela primeira vez, assestou a luneta e disse: «Este animal, provavelmente, NÃO existe!».

A girafa, com o seu pescoço de dois metros e o seu olhar penetrante, tem um horizonte mais amplo que todos os outros animais terrestres; deve ser, por isso, um animal sábio: já sabe que no mar flutuam troncos desgarrados, enquanto o comum da parentela de quatro ou duas patas, ainda treme pela aproximação da Armada de Filpe II."


(Luis Manuel Rodrigues)


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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAU JORNALISMO

"Mais um exemplo de mau jornalismo...

Ontem vi escrito em vários lados que "JPP era a favor da publicação do conteúdo das cassetes". Como as notícias se baseavam no Abrupto e eu não tinha percebido nada disso quando li os seus textos, vim cá hoje novamente verificar. Pois é: divulgar os nomes não é o mesmo que divulgar o conteúdo. Não sei o que pensa sobre o assunto, mas de facto o que consta do Abrupto é diferente daquilo que foi divulgado por quem aparentemente não sabe ler.
"

(Tiago Azevedo Fernandes)

Toda a razão, toda a razão. E ainda há as notícias, e os comentários, feitos a partir do Abrupto, sem o citar. Costumes.

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MAY I GOVERN MY PASSION WITH AN ABSOLUTE SWAY


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EARLY MORNING BLOG 280

The Old Man's Wish


If I live to be old, for I find I go down,
Let this be my fate: In a country town
May I have a warm house, with a stone at the gate,
And a cleanly young girl to rub my bald pate.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

Near a shady grove, and a murmuring brook,
With the ocean at distance, whereupon I may look,
With a spacious plain without hedge or stile,
And an easy pad-nag to ride out a mile.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

With Horace and Petrarch, and two or three more
Of the best wits that reign'd in the ages before,
With roast mutton, rather than ven'son or veal,
And clean though coarse linen at every meal.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

With a pudding on Sundays, with stout humming liquor,
And remnants of Latin to welcome the vicar,
With Monte-Fiascone or Burgundy wine,
To drink the King's health as oft as I dine.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.

With a courage undaunted may I face my last day,
And when I am dead may the better sort say,
In the morning when sober, in the evening when mellow,
He's gone, and left not behind him his fellow.
May I govern my passion with an absolute sway,
And grow wiser and better as my strength wears away,
Without gout or stone, by a gentle decay.


(Anónimo)

*

Bom dia!

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11.8.04


SOBRE "PODER CORPORATIVO E RESPONSABILIDADE"

"Partilho das suas preocupações sobre a gravidade deste episódio da cassette (?) roubada, mas pretendo chamar a sua atenção para algumas incorrecções nos seus textos sobre a matéria: de facto, a lei (Código Penal) proibe a gravação de conversas sem o consentimento do outro interlocutor ou ilegalmente gravadas. Apenas em situações limite se pode excluir a ilicitude dessas gravações, nomeadamente em casos de legítima defesa. E não são os jornalistas que deliberam sobre o chamado "interesse público" dessa actuação.
Por outro lado, existem limites ao direito ao sigilo profissional, que não é já um direito absoluto como fora consagrado na Lei de Imprensa de 1975. O tribunal imediatamente superior àquele onde esteja a decorrer um julgamento, cujo magistrado entenda dever limitar esse direito, poderá decidir da quebra do sigilo com a consequente prestação do depoimento, se entender existir um interesse preponderante (CPP, art. 135.º). É verdade que o Código deontológico do Jornalista lhe impõe manter o sigilo profissional, mas a lei em vigor limita esse direito.
Estou de resto absolutamente convicto de que um juiz imporia a quebra do sigilo se isso possibilitasse o público conhecimento do(s) autor(es) de uma violação tão grosseira do segredo de justiça como as que temos presenciado.
Finalmente, permito-me recordar que em Julho do ano passado, o Expresso do nosso arq. Saraiva publicou um chamado "Código de Conduta do Expresso", onde, aí sim, se admitia que os jornalistas do semanário poderiam "recorrer a aparelhos de escuta ou à intercepção de conversas telefónicas privadas" caso existisse "interesse público", então definido como "evitar um crime ou um delito grave, proteger a segurança ou a saúde públicas" etc.
Na altura, perante o silêncio geral, como julgo que os jornalistas nunca deveriam praticar este tipo de actos ou serem interpretes únicos do conceito de interesse público, sobretudo quando muitas vezes apenas depois de praticado o acto criminoso se pode averiguar se esse interesse tinha ou não existido, fiz uma queixa à Alta Autoridade para a Comunicação Social, que viria a criticar o jornal, recomendando a modificação do dito código. Até hoje...
"

(Alberto Arons de Carvalho)

*

"Talvez Robert Herrick (1591-1674) tenha razão:

THINGS MORTAL STILL MUTABLE

Things are uncertain; and the more we get,
The more on icy pavements we are set"


(João Costa)

*

"As considerações - aliás, desprimorosas - feitas no escrito POBRE PAÍS 1 - O PODER CORPORATIVO E A IRRESPONSABILIDADE referem genericamente os jornalistas e os magistrados. Como magistrado judicial no activo, um de entre milhares que exercem as suas funções com honestidade, e avesso à exposição mediática, entristece-me a facilidade com que toma o todo pela parte. Creio mesmo que serão muito poucos os magistrados judiciais que se enquadram no modelo que o seu escrito pretende transmitir.
As nomeações políticas de magistrados judiciais para cargos de subordinação hierárquica, como por exemplo, a Polícia de Segurança Pública, Direcções-Gerais, Serviços de Informações e outros (com regresso posterior à magistratura), além de degradantes para a Justiça, contribuem muito mais para a promiscuidade de interesses que o Sr. critica, e bem, no seu escrito.
"

(A. Costa)

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LOGO À NOITE



Ó incréus, olhai para cima, para ver chover luz, se estas nuvens não nos traírem o olhar e nos derem chuva de água em vez de fogo. São as Perseidas e estão aqui (cortesia da NASA).



*

"É impressionante a quantidade de asneiras que ouvimos na rádio e na TV sobre as perseidas. Numa rádio local logo pela manhã, uma jornalista insistia em dizer que o planeta Tutle tinha passado pelo espaço e deixado um rasto de poeiras. Confundir um planeta com um cometa será normal? Não é uma coisa que se aprende na escola? Não devia um jornalista saber distinguir um planeta de um cometa para perceber o absurdo da afirmação? À noite na TVI, a pivot do Jornal da Noite falava no "meteorito das perseidas" que vai passar pela Terra e na peça logo a seguir, o jornalista dizia que Marte estava em aproximação à Terra e que isso ia afectar as observações. Ora isto é daquelas coisas completamente inventadas. Onde é que o jornalista foi desenterrar uma história destas? Tudo isto mostra a falta de atenção e cuidado com que é elaborado um texto para um teleponto ou para uma reportagem. Ainda por cima, saiu hoje no Público um artigo sobre o fenómeno correcto em todos os aspectos. Bastava ler o Público ou ir à net para se fazer um bom texto. Por isso, não percebo como pode haver confusões deste tipo?"

(José Matos)

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BIBLIOFILIA A DOIS

Hoje, no Diário de Notícias, o Vasco Graça Moura escreve sobre as nossas deambulações bibliófilas por Bruxelas e Estrasburgo. Também eu tenho saudades, mas, como fiel Eckermann, tenho cá em casa guardada uma mão cheia dos poemas repentinos de Estrasburgo (mais de Estrasburgo do que de Bruxelas), que o Vasco fazia em português e francês, com aquele domínio da palavra que ele tem como quem respira.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: COSTUMES

"E porque não citar Séneca ( filosofo latino do século I ) em relação à actual crise da nossa justiça :

" O mal não tem remédio quando os vícios se transformaram em costumes".


(António Monteiro Pais)

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EARLY MORNING BLOGS 279

Alguns provérbios e "cantares" de Antonio Machado:

El ojo que ves no es
ojo porque tú lo veas;
es ojo porque te ve

*

Para dialogar
preguntad primero
después...escuchad

*

Hoy es siempre todavía.

*

Busca a tu complementario
que se marcha siempre contigo
y suele ser tu contrario

*

Si vino la primavera
volad a las flores
no chupeís cera

*

En mi soledad
he visto cosas muy claras
que no son verdad

*

Pero yo he visto beber
hasta en los charcos del suelo
Caprichos tienen la sed

*

Despacito y buena letra:
el hacer las cosas bien
importa más que el hacerlas

*

Enseña Cristo: a tu prójimo
amarás como a ti mismo
más nunca olvides que es otro


(Antonio Machado)

*

Bom dia!


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10.8.04


POBRE PAÍS - 3 - INTERESSE PÚBLICO

O “interesse público” tem as costas maiores que eu conheço. Tem a vantagem de não ter ninguém que o defina, logo servir para tudo.

Só que agora, eu sei bem o que é que era de interesse público: a divulgação dos nomes dos magistrados que desonram a sua função falando sob processos em que estão envolvidos, dos polícias que desonram a sua profissão revelando segredos profissionais, dos advogados que pisam a deontologia para promoverem os seus clientes. Sim. Esses é que era do interesse público sabermos quem são.

Só que a sacrossanta protecção das “fontes” o impede, apesar de ser difícil de comprovar que o anonimato que é protegido tenha alguma coisa a ver com qualquer “interesse público”. Estas pessoas não falaram aos jornalistas por amor da verdade ou para impedir um mal maior. Falaram porque são irresponsáveis e têm todos uma pequena agenda a promover.

Claro que o problema vem de cima, vem da cabeça, a tal que começa a apodrecer no peixe, gangrenando o corpo. Quando os principais responsáveis governamentais e da oposição, a maioria esmagadora dos grupos parlamentares e por aí adiante promovem a sua carreira com inconfidências e intrigas, é difícil esperar que actuem neste processo a não ser para se proteger a prazo, como “fontes”.

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POBRE PAÍS - 2- TRANSPARÊNCIAS

Eu não quero que instituições como a justiça, procuradores, juízes, polícias sejam “transparentes”. Quero que eles respondam por aquilo que façam de errado. Quero accountability, não escrutínio em tempo real para vender “comunicação”, com a inevitável consequência que, quando é assim, são os poderosos que escapam, e os pobres que são punidos. A justiça e o trabalho das polícias é, deve ser, pela sua própria natureza, discreto e secreto, ou então não é. Se não o é, a injustiça cresce, na exacta medida dos títulos retumbantes de jornais e televisões.

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POBRE PAÍS 1 - O PODER CORPORATIVO E A IRRESPONSABILIDADE

Toda esta trapalhada grave, muito grave, das cassetes roubadas, revela uma questão estrutural mais de fundo: nos últimos vinte anos, o poder de algumas corporações ultrapassou o do estado. Dois casos são hoje absolutamente pertinentes: o dos jornalistas e dos magistrados. À sua volta outros poderes cresceram, mais clássicos, o do dinheiro em particular, mas, no cômputo geral, o poder dos poderosos aumentou.

O crescimento do poder dos jornalistas e magistrados fez-se durante os mesmos anos e pelas mesmas razões: a pressão populista das oposições e a cedência cobarde de governos, para a constituição de contra-poderes que fizessem, fora do sistema político, aquilo que deveria ser feito por uma Assembleia forte e um sistema judicial equilibrado e eficaz. Como ninguém quis fortalecer a democracia onde ela devia ser fortalecida, criou-se um monstro que, a prazo, devora quem o gerou e degrada a vida pública.

O poder destas corporações levou-as ao local ideal: o da irresponsabilidade que gera a impunidade. Magistrados e jornalistas não podem ser chamados a qualquer responsabilidade, porque conquistaram uma absoluta irresponsabilidade. Nenhuma lei se lhes aplica efectivamente e só existem excepções nuns desgraçados apanhados a nível local e regional, sem a protecção dos maiores. Mas, na capital, nos grandes órgãos de comunicação, no limite, não há responsabilidade. Sempre que há uma crise, alguns jornalistas juram a pés juntos que certas coisas nunca mais irão acontecer… até à próxima crise em que elas acontecem de novo. Hoje estão-se a tornar tão habituais que estão a criar novos standards de comportamento. Já ninguém sabe como era, já só se sabe como é.

Não é legal gravar alguém sem o seu consentimento. Mas um jornalista pode fazê-lo. Não é legal divulgar conversas gravadas ilegalmente, mas um jornalista pode fazê-lo. Não é legal roubar e vender a um receptador (ou vários) o produto de um roubo, mas um jornalista pode ser receptador de um objecto roubado. Nada é legal, mas há sempre uma excepção para os jornalistas. Os jornalistas podem fazer o que um polícia ou um serviço de informações não pode. Os jornalistas podem fazer praticamente tudo, que não são responsáveis por nada. Basta invocar o “interesse público” que eles próprios definem. Depois quando se espera justiça, quem a devia garantir diz logo à cabeça que ela é impossível.

É verdade que tudo isto acontece pela miserável prática, que quase toda a gente acha normal, de fazer confidências como “fonte” dos jornais e televisões. Esta prática gera cumplicidades, e impedimentos que depois introduzem mais silêncios e incomodidades no completo esclarecimento dos casos. Acaba por haver culpados de um lado e de outro e, no momento decisivo, eles calam-se para não se comprometerem e se protegerem. Como na corrupção.

Se é verdade que desde o director da PJ, a agentes, magistrados envolvidos nos processos, advogados de defesa, políticos, seja lá quem for que entende defender a sua causa, os seus interesses, ou valorizar-se junto de jornalistas, ou pura e simplesmente mostrar-se loquaz e incontinente sobre segredos que lhe dão a guardar, eu só acredito num estado e num governo que os ponha na rua no dia seguinte. Por justíssima causa.

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PROBLEMAS QUE NÃO SÃO NOVOS: ESTAREMOS ERRADOS?

Em Outubro de 1953, o jornal Ler, criação de Francisco Lyon de Castro e obra de Fernando Piteira Santos, publicou este texto sem indicação de autor. O autor é certamente Piteira Santos, que sabia que aquele era o último número do jornal, proibido pela Censura e atacado com a maior das hostilidades pelo PCP, que lhe chamava o “jornal do SNI”.

"Porque se quis apenas ser um ‘jornal de Letras, Artes e Ciências’ – e só isso – procurou-se, com a objectividade de que os homens que vivem de pés fincados na terra são capazes, servir a cultura. Não se ignorava que as culturas se dividem e se opõem, mas cuidou-se, consciente e sinceramente, que, antes, antes de opção, o problema primacial e urgente era o de opor a noção de cultura e todos os valores culturais autênticos à deplorável subversão de valores, ao triunfo da ignorância, das capelinhas do elogio mútuo, dos grupos de escaladores da glória e à lepra de uma mistificação que grande parte da imprensa poderosa auxilia e que conduz, inevitavelmente, ao delírio do futebol, ao ópio do fado e a essas tristes exibições de mau gosto, incultura e boçalidade que são os programas radiopublicitários."

“Nós temos a ingenuidade de considerar que o depoimento do escritor Joaquim Paço d’Arcos sobre Holywood ou as lições do matemático Hugo Baptista Ribeiro na Universidade de Berkeley, na Califórnia, êxitos da fadista Amália Rodrigues nas boites de Nova Iorque; nós temos a ingenuidade de supor que o escritor Ferreira de Castro leva o nome de Portugal mais longe e mais alto do que o ‘matador’ Manuel do Santos; nós temos a ingenuidade de nos sentir mais diminuídos do concerto das nações pela percentagem de analfabetismo do que com o pesado score de uma derrota na Áustria. Estamos errados? Estaremos, realmente, a errar?"

“Mas comparem-se o 6300 exemplares da tiragem de Ler – número que os entendidos não consideravam provável e possível e número que nenhum jornal do género em Portugal atingiu – com o volume das tiragens dos jornais desportivos e ter-se-á uma imagem clara e significativa da situação que explica que no calor de uma campanha eleitoral o discurso do Prof. João Cid dos Santos ou a palestra do Eng. Cunha Leal assumam menor vulto nas discussões políticas do que os sucessos e os insucessos do Sporting, do Benfica ou Futebol Clube do Porto."

“E atente-se igualmente em que nos mesmo dias em que se explica a chamada ‘crise do livro’ por razões económicas, pelas dificuldades da classe média, pelo baixo nível dos trabalhadores, não há crise para a frequência aos espectáculos de futebol; e não se esqueça que o ritmo de venda dos romances de Aquilino Ribeiro, de Alves Redol ou de Francisco Costa é de longe excedido pelo ritmo de venda dos romances policiais traduzidos directamente do americano ou grosseiramente decalcados das edições brasileiras."


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James Ensor

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EARLY MORNING BLOGS 278

Le Chameau et les Bâtons flottants


Le premier qui vit un Chameau
S'enfuit à cet objet nouveau ;
Le second approcha ; le troisième osa faire
Un licou pour le Dromadaire.
L'accoutumance ainsi nous rend tout familier.
Ce qui nous paraissait terrible et singulier
S'apprivoise avec notre vue,
Quand ce vient à la continue.
Et puisque nous voici tombés sur ce sujet,
On avait mis des gens au guet,
Qui voyant sur les eaux de loin certain objet,
Ne purent s'empêcher de dire
Que c'était un puissant navire.
Quelques moments après, l'objet devient brûlot,
Et puis nacelle, et puis ballot,
Enfin bâtons flottants sur l'onde.
J'en sais beaucoup de par le monde
A qui ceci conviendrait bien :
De loin c'est quelque chose, et de près ce n'est rien.


(La Fontaine)

*

Bom dia!

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9.8.04


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O MAR

" (...) a propósito do poema de hoje no ABRUPTO: não sei que idade teria eu, mas tinha a suficiente para me lembrar da primeira vez que o meu avô paterno viu o mar. Lembro-me de que todos nós ficámos excitados com a ideia e olhávamos para ele com um ar emocionado. E ele, pasmado, limitou-se a dizer com uma voz sumida: “então é isto ...” e depois ficou para lá calado a olhar até o arrastarmos de volta para casa.

Eu achei que era um Grande Momento e por isso me lembro bem dele.

E lembrei-me, por associação de ideias, de que a minha Avó achava que tudo o que passava na televisão era mentira. E dava graças a Deus por isso senão “ já viste se esta gente toda morresse mesmo...”. E eu optei por concordar e ficar ali, serenamente, a ver mentiras com ela. É certo que tudo isto se passou já no século passado e eu, afinal, sou velha como o tempo. E o meu avô morreu há mais de vinte anos, com a primeira vez que viu o mar."

(RM)

*

"Não sei o que pareço ao mundo; aos meus próprios olhos sou apenas um rapaz que brinca na praia e se diverte, que de vez em quando encontra um seixo mais liso ou uma concha mais bonita do que o costume, enquanto que o grande oceano da verdade permanece por descobrir diante de mim." - Newton (enviado por S,)

*



"Esta fotografia, tirada na mais movimentada das duas praias que frequento no Verão (a sério!). Fica num dos poucos locais da costa ocidental portuguesa a Norte do estuário do Sado junto ao qual não passa qualquer estrada."

(José Carlos Santos)

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MAU SINAL

Na economia daquilo que o Primeiro-Ministro considera necessário chamar à sua coordenação directa, não se incluíram os fogos, mas o “caso” (muito mal contado) das cassetes “roubadas” sobre o processo Casa Pia. A escolha é muito interessante, porque o Primeiro-ministro revela a sua peculiar sensibilidade a questões que envolvam “fontes”, boatos, inconfidências, polícias, magistrados e jornalistas. Mau sinal. Nada justifica que o Primeiro-Ministro se envolva directamente nesta questão. A matéria é quando muito para o Ministro da Justiça, embora, em bom rigor, deveria ser apenas com a justiça (houve um roubo ou não houve?) e não com o Governo. Envolver o Governo, a começar por cima, no processo Casa Pia, que é onde tudo vai acabar por desaguar, é um erro que Durão Barroso não cometeria.
Mau sinal.

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A LER

Rui Tavares, "O que se passa com "artificial"?" no Barnabé.

Para a discussão, alguns exemplos de coisas absolutamente artificiais: a democracia, a cultura, a liberdade, o mercado, a “mão invisível”, as aspas, o socialismo, o tecnécio, a anestesia, Deus, o soneto, etc. (o etc. também é artificial).

Naturais? Talvez a segunda lei da termodinâmica, mas nem disso estou muito certo.

*

"Os sonhos são naturais ou artificiais?!!!"

(I.)

*

"Esta pergunta é natural ou artificial?"

(S.)

*

"Os meus exemplos favoritos de coisas absolutamente artificiais: as vacinas e os métodos anti-conceptivos. "

(José Carlos Santos)

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Henri Roland de la Porte

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EARLY MORNING BLOGS 277

La primera vez que vio la mar


¡Válate Dios, el charco, el que provocas
con verte a helar el alma de las venas,
Adán de tirubones y ballenas,
almejas viles y estupendas focas!
Cerúleo sorbedor por tantas bocas
de más naves que vio tu centro arenas;
teatro en quien oyó trágicas scenas,
sentada la Fortuna entre estas rocas.

Tú, que enseñaste al Draque, a Magallanes
lo más estrecho de tu campo oblico,
a pesar de sirenas y caimanes,

en España nací con solo el pico,
cansado estoy de trajinar desvanes,
dime, ¿por dónde van a Puerto Rico?


(Lope de Vega)

*

Bom dia!

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8.8.04


COISAS VISTAS NO ESPELHO DO MUNDO

Parabéns à SIC (penso não me enganar e ter sido a SIC) por aquela visita guiada comparativa aos locais em Santarém e Golegã, feita pelos autarcas no papel de cicerones da televisão: “aqui fica o gabinete do senhor secretário de Estado”, “aqui ficam os assessores”, “aqui está a escadaria monumental que permite um acesso directo ao senhor secretário de Estado”. É espantoso como os autarcas se prestam a estas cenas ridículas, principalmente o autarca de Santarém, preterido na escolha, trazido de umas merecidas férias douradas para a turbulência de explicar porque é que lhe tiraram o brinquedo das casinhas do Governo da sua terra.

Há um aspecto de serviço público informativo na reportagem: ver como as autarquias gastam dinheiro em obras inúteis, e subaproveitadas. Os dois autarcas disseram-nos, na ponta dos seus dedos indicadores, que têm imensos espaços vazios que, pelos vistos, foram construídos ou reconstruídos sem objectivo definido, porque senão estavam cheios. Caso contrário, não nos explicaram o que é que vai sair dos espaços para entrar ocasionalmente, muito ocasionalmente, o “senhor Secretario de Estado”. (Suspeito que, na Golegã, a julgar pelo que se via numa sala, irá sair o arquivo histórico e um fundo antigo de biblioteca…Para onde irá?). E vimos aquelas gigantescas instalações do CNEMA (Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas) em Santarém, quase todo o ano vazias, e onde já várias vezes fui e sempre vi menos de 10% do espaço a funcionar, com excepção da Feira da Agricultura, o pó acumulando-se no resto (não vale a pena dizerem-me porque eu sei que as obras são do período cavaquista). Talvez, uma vez por ano, aquele anfiteatro magnífico, encha a metade, numa capital de distrito que não tem uma verdadeira livraria, apesar de ter universidade…

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EARLY MORNING BLOGS 276

First Fig


MY CANDLE burns at both ends;
It will not last the night;
But ah, my foes, and oh, my friends--
It gives a lovely light!


(Edna St.Vincent Millay)

*

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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