ABRUPTO

5.4.08


EXTERIORES: CORES DO DIA DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Early morning. (Ochoa)

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COISAS DA SÁBADO:
POR FAVOR, CONTINUEM A HESITAR (MUITO) SOBRE O KOSOVO




No meio de uma política europeia que tem sido de seguidismo, Portugal como nação, representado pelo governo e pelo Presidente da República, tem tido o bom senso de não se precipitar para cobrir mais um acto errado da política americana e franco-alemã no Kosovo, o reconhecimento unilateral da independência.

Os puristas europeus do beneplácito da ONU para o Iraque aqui não se importam de criar um país ilegal segundo as normas do direito internacional. E, sem o reconhecimento das Nações Unidas, impossível sem o voto da Rússia, o Kosovo permanecerá o que é: um protectorado da União Europeia e dos EUA, da OTAN como dizem os sérvios com razão, que dependerá sempre do dinheiro externo. Mas, ou me engano muito, ou quererá rédeas longas para poder ter polícia kosovar, tribunais kosovares, serviços secretos kosovares, para que a sua elite política ex-guerrilheira se dedique a actividades para que os Balcãs são uma excelente placa giratória: crime organizado. Na verdade, nem era preciso ser independente, é o que já acontece hoje. Mas ajuda.

Se querem mexer unilateralmente com as fronteiras, que é o que estão a fazer, então têm muito que fazer no mundo. Não é nenhum tabu absoluto, pode até nalguns casos ser a solução, mas é uma coisa que exige a máxima prudência, que é o que não se está a ter. A verdade é que se dividiu a Etiópia, a Checoslováquia, a Jugoslávia e, antes disso, o Paquistão. Mas não se deixou dividir o Biafra, nem o Katanga, nem se deixa dividir a Moldova, nem a Geórgia, nem a Federação Russa no Cáucaso, nem a Espanha, nem o Iraque. O Iraque é um bom exemplo. Está formalmente dividido, está de facto dividido pelo menos na zona curda, que tem auto-governo, forças militares e polícia própria, leis e administração locais, bandeira, farda e hino. Exactamente como o Kosovo, mas não tem direito a ser independente, porque se o fosse, o Sul xiita ficaria uma extensão do Irão e o triângulo sunita uma variante do poder do Baas de Saddam sem Saddam.

Não pode o Curdistão iraquiano, mas pode o Kosovo porque políticas de limpeza étnica, que é o que a independência do Kosovo albanês significa, só podem ser feitas quando o “limpado” está fraco, como é o caso da Sérvia e tem a bandeirinha azul das estrelas por cima. Não podem ser feitas quando os vizinhos poderosos, ainda por cima aliados instáveis, como é a Turquia, podem entrar em guerra por causa disso.

Por isso, santa prudência ilumine os nossos governantes e que não seja apenas “pelos riscos que correm as nossas tropas”, que é razão para cuidados, mas não é para políticas de fundo. Que seja lembrando-nos do efeito desastroso que o reconhecimento unilateral alemão da Croácia, depois imposto à UE, teve no desencadear da guerra nos Balcãs, e no pensar os riscos que uma Espanha com um governo fraco, mais uma vez refém dos nacionalistas bascos e catalães, onde há política da bala e da bomba, nos faz passar.

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EARLY MORNING BLOGS


1268 - Góngora

Marte, la guerra. Febo, el sol. Neptuno,
el mar que ya no pueden ver mis ojos
porque lo borra el dios. Tales despojos
han desterrado a Dios, que es Tres y es Uno,
de mi despierto corazón. El hado
me impone esta curiosa idolatría.
Cercado estoy por la mitología.
Nada puedo. Virgilio me ha hechizado.
Virgilio y el latín. Hice que cada
estrofa fuera un arduo laberinto
de entretejidas voces, un recinto
vedado al vulgo, que es apenas, nada.
Veo en el tiempo que huye una saeta
rígida y un cristal en la corriente
y perlas en la lágrima doliente.
Tal es mi extraño oficio de poeta.
¿Qué me importan las befas o el renombre?
Troqué en oro el cabello, que está vivo.
¿Quién me dirá si en el secreto archivo
de Dios están las letras de mi nombre?

Quiero volver a las comunes cosas:
el agua, el pan, un cántaro, unas rosas...

(Jorge Luís Borges)

*

Bom dia!

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4.4.08


EARLY MORNING BLOGS


1265 - Les arbres

Ô vous qui, dans la paix et la grâce fleuris,
Animez et les champs et vos forêts natales,
Enfants silencieux des races végétales,
Beaux arbres, de rosée et de soleil nourris,

La Volupté par qui toute race animée
Est conçue et se dresse à la clarté du jour,
La mère aux flancs divins de qui sortit l'Amour,
Exhale aussi sur vous son haleine embaumée.

Fils des fleurs, vous naissez comme nous du Désir,
Et le Désir, aux jours sacrés des fleurs écloses,
Sait rassembler votre âme éparse dans les choses,
Votre âme qui se cherche et ne se peut saisir.

Et, tout enveloppés dans la sourde matière
Au limon paternel retenus par les pieds,
Vers la vie aspirant, vous la multipliez,
Sans achever de naître en votre vie entière.

(Anatole France)

*

Bom dia!

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3.4.08


INTENDÊNCIA



Os Estudos sobre o Comunismo estão a ser actualizados.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES



Florestas e fogo. Vamos entrar na época de fogos. Já estou a ouvir a gritaria....os bombeiros, o combate aos fogos, a protecção civil, as "populações afectadas"...
Ora acontece que o 3º quadro comunitário de apoio fechou no fim de 2006. O actual quadro comunitário de apoio está parado desde então no que se refere a apoios financeiros para limpeza de matas. Está portanto atrasado cerca de 1 ano e 4 meses. E não há notícia de que esteja para entrar em execução. Será que estão à espera da campanha eleitoral para pôr este assunto em andamento?
Eu sou agricultora. Tenho uma mata para limpar. Vou acabar por limpá-la do meu bolso e sem apoio financeiro quando ele existe e está apenas a só à espera de ser desbloqueado, mas não é.

(Inês Amorim)

*

É com grande assombro que vejo o desenrolar dos acontecimentos do Carolina Michaelis. A rapariga do telemóvel e o rapaz das filmagens, assim como as suas famílias, estão a ser crucificados na praça pública por todo o tipo de gente. Por “jornalistas” e até por gente com estudos jurídicos.

Por mim, não tenho claro que a gravação do telemóvel sirva de prova em Tribunal, pois não foi obtida de modo regular. Se com outros arguidos de crimes verdadeiramente graves são respeitados até a exaustão os direitos essenciais da lei processual penal, por maioria de razão isto deverá fazer-se com menores de idade.

Mas estes menores arriscam-se a pagar muito caro o que fizeram, pois tiveram a infelicidade de aceder ao estatuto de “caso exemplar”. Mas, se já foram transferidos de modo fulminante, que mais se pretende fazer com eles? Se vemos que há crimes noutro tipo de áreas, como a desportiva, com autores muito maiores de idade, que tardam em ser, não já punidos, mas apenas julgados porque são inúmeras as questões processuais levantadas (como a validade da obtenção da prova, sem ir mais longe), será justa a punição automática destes menores? Será que eles não têm direito de gozar da mais ínfima dose de “in dúbio pro reo” de que outros arguidos maiores e responsáveis usufruem à larga?

É claro que se isto chega aos Tribunais, qualquer juiz concluirá pela irracionalidade desta trapalhada e mandará a sociedade descarregar as suas frustrações noutro lado.

Por fim, também não percebo como é que a RTP ainda não foi, ela sim, processada (em várias sedes, e até pela ERC) por ter mostrado a cena do Youtube sem se dar ao trabalho de tapar as caras dos intervenientes, pois assim é que passou pela primeira vez. Há aqui matéria para alguém lhe pedir indemnizações…

(Carmen Formigo)

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SÓ PARA SABERMOS DO QUE FALAMOS QUANDO FALAMOS DO IRAQUE

Clicando nos gráficos pode ver-se o detalhe.





Os numeros actualizados são daqui Measuring Stability and Security in Iraq. March 2008. Report to Congress In accordance with the Department of Defense Appropriations Act 2008 (Section 9010, Public Law 109-289). Eu sei que haverá sempre quem diga que os números são americanos e há um qualquer relatório de uma qualquer ONG que tem outros, mas são os que a imprensa internacional usa e a de cá ignora. O relatório tem até números mais favoráveis nalguns aspectos, mas como são mais subjectivos (por exemplo a pergunta aos iraquianos sobre se concordam ou não com a frase "o meu bairro está calmo", e que mostra a enorme disparidade regional na percepção da violência), não os cito.

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NOTÍCIAS DA FÁBRICA



Estou a acabar um pequeno livro, mais semana, menos semana, que é um subproduto dos meus trabalhos mais extensos sobre a história da extrema-esquerda em Portugal da década de 60 a 1974. Fará parte de uma série com o título provisório de Estudos sobre a Extrema-Esquerda e compreenderá mais um (sobre a imprensa clandestina e do exílio) ou dois até ao fim do ano. Ainda não sei onde será editado, mas isso não é problema.

O que está a acabar é um estudo sobre a génese dos grupos pró-chineses e albaneses no mundo ocidental, que eu saiba, pela bibliografia académica internacional existente, o primeiro a ser feito no seu conjunto para estes anos 1960-5, beneficiando de novos testemunhos e arquivos, como o albanês. Ou seja, mesmo para o momento muito inicial da coisa, antes de haver "maoísmo" e Revolução Cultural. Incluo depois com mais detalhe a parte portuguesa, ou seja, o modo como o conflito-sino-soviético se passa no interior do PCP e a criação da Frente de Acção Popular - Comité Marxista-Leninista Português, mas apenas tratada no seu contexto internacional, ou seja nas relações com a China e a Albânia e os outros grupos marxistas-leninistas da época. O título provisório será A FAP / CMLP no Contexto Internacional dos Primeiros Grupos Marxistas-Leninistas (1960-1965).

(Ao lado, uma edição clandestina do A Propósito da Prática de Mao Zedong feita pelo PCP antes da ruptura das relações com o PC da China na sequência do conflito sino-soviético.)


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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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EARLY MORNING BLOGS


1264 - Al adquirir una enciclopedia

Aquí la vasta enciclopedia de Brockhaus
aquí los muchos y cargados volúmenes y el volumen del atlas,
aquí la devoción de Alemania,
aquí los neoplatónicos y los agnósticos,
aquí el primer Adán y Adán de Bremen,
aquí el tigre y el tártaro,
aquí la escrupulosa tipografía y el azul de los mares,
aquí la memoria del tiempo y los laberintos del tiempo,
aquí el error y la verdad,
aquí la dilatada miscelánea que sabe más que cualquier hombre,
aquí la suma de la larga vigilia.
Aquí también los ojos que no sirven, las manos que no aciertan las ilegibles páginas,
la dudosa penumbra de la ceguera, los muros que se alejan.
Pero también aquí una costumbre nueva,
de esta costumbre vieja, la casa,
una gravitación y una presencia,
el misterioso amor de las cosas
que nos ignoran y se ignoran.

(Jorge Luis Borges)

*

Bom dia!

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2.4.08


EARLY MORNING BLOGS


1263 - Journey Into The Interior

In the long journey out of the self,
There are many detours, washed-out interrupted raw places
Where the shale slides dangerously
And the back wheels hang almost over the edge
At the sudden veering, the moment of turning.
Better to hug close, wary of rubble and falling stones.
The arroyo cracking the road, the wind-bitten buttes, the canyons,
Creeks swollen in midsummer from the flash-flood roaring into the narrow valley.
Reeds beaten flat by wind and rain,
Grey from the long winter, burnt at the base in late summer.
-- Or the path narrowing,
Winding upward toward the stream with its sharp stones,
The upland of alder and birchtrees,
Through the swamp alive with quicksand,
The way blocked at last by a fallen fir-tree,
The thickets darkening,
The ravines ugly.

(Theodore Roethke)

*

Bom dia!

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1.4.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 1 de Abril de 2008 (2)

Depois de ver na RTP várias vezes e hoje no Público, este Dean Radin, investigador no Institute of Noetic Sciences da Califórnia, a "explicar" de ciência certa (e na RTP entre notícias científicas e médicas, sem distinção) aquilo que ele chama "premonição colectiva do 11 de Setembro", ou seja, adivinhação, eu de facto tenho pena que o Código da Publicidade tenha sido revogado neste artigo 22º-B por uma recomendação muito mais asséptica:
Produtos e serviços milagrosos 1 – É proibida, sem prejuízo do disposto em legislação especial, a publicidade a bens ou serviços milagrosos.

2 – Considera-se publicidade a bens ou serviços milagrosos, para efeitos do presente diploma, a publicidade que, explorando a ignorância, o medo, a crença, ou a superstição dos destinatários, apresente quaisquer bens, produtos, objectos, aparelhos, materiais, substâncias, métodos ou serviços como tendo efeitos específicos automáticos ou garantidos na saúde, bem-estar, sorte ou felicidade dos consumidores ou de terceiros, nomeadamente por permitirem prevenir, diagnosticar, curar ou tratar doenças ou dores, proporcionar vantagens de ordem profissional, económica ou social, bem como alterar as características físicas ou a aparência das pessoas, sem uma objectiva comprovação científica das propriedades, características ou efeitos propagandeados ou sugeridos.

3 – O ónus da comprovação científica a que se refere o número anterior recai sobre o anunciante.

4 – As entidades competentes para a instrução dos processos de contra-ordenação e para a aplicação das medidas cautelares e das coimas previstas no presente diploma podem exigir que o anunciante apresente provas da comprovação científica a que se refere o nº 2, bem como da exactidão material dos dados de facto e de todos os benefícios propagandeados ou sugeridos na publicidade.

5 – A comprovação científica a que se refere o nº 2 bem como os dados de facto e os benefícios a que se refere o número anterior presumem-se inexistentes ou inexactos se as provas exigidas não forem imediatamente apresentadas ou forem insuficientes.
Não é que eu ache que vai com códigos, mas sempre ajudam a entender o que está em causa. É que entre Dean Radin e o Professor Bambo não há assim tanta diferença.

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: SAUDAÇÃO AO VIRGLE, O PLANO B


aqui.

Neste blogue vai-se ser membro, pioneiro, entusiasta, propagandista do Virgle.

Não é de agora que me interessa o Plano B. Escrevi sobre ele várias vezes desde os anos oitenta e no Abrupto está cá desde Novembro de 2003 (embora com as imagens perdidas...). Cito-me: "resolver o dilema malthusiano entre o crescimento da população e os recursos. Resolver este dilema sob as suas formas clássicas e modernas implica várias coisas difíceis: mudar o nosso modelo predatório de crescimento industrial , controlar as pressões sobre a ecologia geradas pelo acesso das multidões do terceiro mundo a consumos de massa, descobrir novos processos agrícola, encontrar na conquista espacial um novo “espaço vital” para a humanidade ."
E se for uma mentira do 1º de Abril vou lá torcer o pescoço ao e ao . Isto depois da bomba, claro. E, já agora, nestas não me importo de cair.

*

Enganado! Burro! Optimista ! Era mesmo para os "fools" de Abril, e eu, inocente e ingénuo, eu não reparo nas datas. Bom aqui está e se pensam que eu vou acreditar no "yet" desenganem-se:

Sorry, but the page you're looking for doesn't actually exist. Why? Well, because...we didn't have time to build it. Because we didn't think that particular page was all that important. Because this is just an early version of the Virgle site and lots more pages will be coming down the pike as the project --

-- oh, all right. Fine. April Fool's. Ha, ha, ha. It isn't real. There. Are you happy? Does it please you to drag us out of our lovely little fantasy world, to crush all our hopes and dreams? Is that really what you need to hear? Fine, you've heard it. Virgle isn't real.

Yet.


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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 1 de Abril de 2008


Interessantes conclusões do Relatório do Provedor do Telespectador da RTP (2007) - a admissão de que a RTP África não é um verdadeiro órgão de comunicação social, que responda apenas por critérios jornalísticos, feita nesta frase: "os conteúdos da RTP África não podem, em momento algum, comprometer politicamente as razões que justificam Portugal ter um canal direccionado para a lusofonia." (Sublinhados meus.)

*

Outra conclusão evidente, mas que vale a pena reconhecer e que tem muito a ver com a governamentalização: "os eventos desportivos continuam a ter um destaque desmesurado. O futebol é continuamente privilegiado em relação aos outros desportos, com incidência especial na actividade dos três clubes Porto, Benfica, Sporting."

*

E uma muito interessante conclusão sobre o "serviço público":
Não obstante toda a actuação que tenho desempenhado tendo presente os compromissos da RTP ser definida como detentora do «estatuto de serviço público» e das exigências que tal estatuto comporta, não deixo de ficar perplexo na sua execução prática quando me deparo com a realidade de que o programa de maior e mais constante audiência é o «PREÇO CERTO». E essa perplexidade e luta interior no próprio exercício da função e missão de Provedor não se simplifica quando me lembro das palavras que, um certo dia, o anterior Presidente do Conselho de Administração da RTP, S.A., o Dr. Almerindo Marques me dizia: «Não se esqueça que temos um compromisso: fazer televisão adequada à população que temos».

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EXTERIORES: CORES DO DIA DE HOJE

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Early morning. Primeiro raio de Sol na chaminé. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS


1262 - Editor Whedon

To be able to see every side of every question;
To be on every side, to be everything, to be nothing long;
To pervert truth, to ride it for a purpose,
To use great feelings and passions of the human family
For base designs, for cunning ends,
To wear a mask like the Greek actors--
Your eight-page paper-- behind which you huddle,
Bawling through the megaphone of big type:
"This is I, the giant."
Thereby also living the life of a sneak-thief,
Poisoned with the anonymous words
Of your clandestine soul.
To scratch dirt over scandal for money,
And exhume it to the winds for revenge,
Or to sell papers,
Crushing reputations, or bodies, if need be,
To win at any cost, save your own life.
To glory in demoniac power, ditching civilization,
As a paranoiac boy puts a log on the track
And derails the express train.
To be an editor, as I was.
Then to lie here close by the river over the place
Where the sewage flows from the village,
And the empty cans and garbage are dumped,
And abortions are hidden.

(Edgar Lee Master, Spoon River Anthology )

*

Bom dia!

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31.3.08


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 31 de Março de 2008


Ou é incompetência, ou é pior, é vontade de omitir o nome de um órgão de informação, não se sabe bem por que razão absurda de competição. É que os textos sobre o PSD que publiquei no Abrupto debaixo do título "Coisas da Sábado" e que estão a dar origem a uma pequena tempestade local, a partir de uma notícia da Lusa das 17 horas de hoje, foram publicados na revista Sábado, dia 27 da semana passada. Incompetência porque se os textos justificavam notícia não se percebe tão tardia nota. Omissão deliberada do nome da Sábado, porque quem consulta o Abrupto, como os jornalistas da Lusa, não pode ignorar que os textos descritos como "quatro textos publicados entre sexta-feira e domingo no seu blogue" tiveram origem na revista.

*

Toda a gente na comunicação social sabe que não deve entrevistar uma criança que foi vítima de um pedófilo (como o de Loures), mas entrevista; toda a gente sabe que não deve repetir à exaustão as imagens do vídeo do telemóvel, mas repete; toda a gente sabe que não deve ir para as portas do Carolina Michaelis entrevistar alunos menores sobre o que se passou, mas vai; toda a gente sabe tudo, mas faz de conta que não sabe.

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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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EARLY MORNING BLOGS


1261 - Poem Written At Morning

A sunny day's complete Poussiniana
Divide it from itself. It is this or that
And it is not.
By metaphor you paint
A thing. Thus, the pineapple was a leather fruit,
A fruit for pewter, thorned and palmed and blue,
To be served by men of ice.
The senses paint
By metaphor. The juice was fragranter
Than wettest cinnamon. It was cribled pears
Dripping a morning sap.
The truth must be
That you do not see, you experience, you feel,
That the buxom eye brings merely its element
To the total thing, a shapeless giant forced
Upward.
Green were the curls upon that head.

(Wallace Stevens)

*

Bom dia!

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30.3.08


INTENDÊNCIA



Os Estudos sobre o Comunismo estão a ser actualizados.

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EXTERIORES: CORES DO DIA DE HOJE

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Hoje, os lados do Chiado: manifestação contra a ocupação do Iraque e o Padre Seabra à saída da missa. (RM)

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COISAS DA SÁBADO: O DESTINO MARCA A HORA NO PSD (4)

O DESTINO MARCA A HORA NO PSD (1)
O DESTINO MARCA A HORA NO PSD (2)
O DESTINO MARCA A HORA NO PSD (3)

O futuro do PSD não se joga em 2009 mas em 2008. Os patriotas “laranjinhas” (e mesmo alguns “azulinhos”), os da “camisola”, coloquem a mão na consciência e perguntem a si próprios se acreditam que o PSD vai lá como está. Perguntem a si mesmos com verdade, sem ambiguidades, se o partido de que fazem parte está a cumprir o contrato cívico e político não escrito que tem com os portugueses, que tantas vezes lhes deram a sua confiança? Penso que todos sabem a resposta.

Há quem pense que “se deve dar uma oportunidade ao líder” de ir a eleições. Em condições normais, talvez sim, se não tivesse há muito deixado de haver condições normais. Recordem-se de Sá Carneiro e do que ele dizia sobre a subordinação do partido ao país, e perguntem-se se, mais importante do que dar “uma oportunidade ao líder”, não é dar uma oportunidade ao PSD, dar uma oportunidade a uma alternância que mais que nunca se exige face a um governo socialista? Não tenho dúvidas sobre a resposta.

E por último: e se se abrir essa oportunidade última, será que aparece a gente séria e capaz que ainda existe no PSD, para se mobilizar num programa e num governo alternativo ao PS de Sócrates? Aí, aí tem mesmo que aparecer, sob pena de até eu ir votar em Menezes, metaforicamente falando claro está.

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EXTERIORES: CORES DO DIA DE HOJE

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Esta tarde. (Ochoa)



Esta tarde na freguesia de são Marinho no Funchal. Grupo que faz a visita pascal em quase todas as casa da freguesia. (João Botelho)

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O DELITO DE OPINIÃO: AS "MENTIRAS"


Na sequência de
O DELITO DE OPINIÃO.

Os governos mentem. Nem sequer vale a pena acrescentar a frase "todos mentem", que agora o Dr. House popularizou ao lembrar aos seus assistentes de que é boa prática presumir esse facto para o diagnóstico médico. Nem acrescentar que a vida social se alicerça na mentira "social" e que sem ela não poderíamos viver sem ser num sistema totalitário, em total transparência face ao Big Brother. A única verdade que merece o V grande é a do Divino, mas essa não cuida das matérias terrenas que Deus deixou a César. É cinismo? Não, não é, são os facts of life.

Todos os governos mentem por duas razões distintas, uma má e condenável e outra necessária e conforme o sentido de Estado, a segurança e o bem-estar dos cidadãos, logo, boa. Estive para escrever boa entre aspas, para fazer vénia ao significado moral da palavra, mas de facto não tem muito sentido fazê-lo. É boa mesmo porque é boa, porque se vive na terra e não no Paraíso utópico. A parte condenável da mentira do Estado, dos governos, dos políticos, é a que significa ocultar dados que não se quer que se saibam porque prejudicam a imagem governamental ou dos políticos, para encobrir ilegalidades, enganos, falcatruas diversas, inaceitáveis sob qualquer ponto de vista. Essa parte da mentira é a que exige escrutínio e denúncia pública, a que justifica os direitos da comunicação social num país livre para denunciar os abusos do poder, a que o Parlamento deve ter condições para inquirir e denunciar, é simples de definir e tratar.

Já é mais complicada a mentira necessária que todos os governos democráticos praticam. Como por exemplo, a que leva um ministro das Finanças a negar uma desvalorização da moeda sem ambiguidades, duas horas antes de a anunciar. Ou a que leva qualquer primeiro-ministro português a responder com um enfático "não" se lhes fosse perguntado: conduz o Estado português operações de espionagem nos nossos muito amigos países africanos de expressão portuguesa? Claro que não, nunca, jamais em tempo algum.

Os críticos da intervenção americana do Iraque que andam desde o primeiro dia a bradar "mentirosos" para Bush, Blair, Aznar e Barroso devem estar a pensar, chegados aqui no artigo, que eu vou defender a necessidade da mentira de Estado "boa", para o que se passou com as armas de destruição maciça. Enganam-se porque no essencial, e é aqui o essencial que conta, não houve mentiras nem do primeiro grau, nem do segundo, nem do terceiro. Nem mentira para ocultar uma verdade que se conhecia e se queria esconder, nem mentira com dolo "necessário" para servir um bem maior, legitimar uma invasão que se pensava ser estrategicamente vital para a segurança nacional.

Não houve mentiras porque Bush e Blair estavam convencidos de que armas de destruição maciça existiam no Iraque, como também o estavam Chirac, Putin e o Estado-Maior iraquiano. Os interrogatórios feitos aos responsáveis militares iraquianos mostram que também eles estavam convencidos da existência destas armas e ficaram surpreendidos quando Saddam lhes disse no princípio da guerra que não existiam. Muitos, aliás, continuaram convencidos de que as armas existiam em unidades muito especiais sob o controlo dos filhos de Saddam, Uday e Quday, e que Saddam os estava a enganar.

Havia pouca gente com dúvidas, mas também sem certezas. Havia na CIA, nas Nações Unidas, gente com dúvidas sobre se as "provas" que os americanos apresentaram eram mesmo provas a sério, mas eram mais dúvidas sobre as "provas" do que sobre o facto de Saddam poder ter armas de destruição maciça. Até porque havia o preocupante facto, que hoje não convém lembrar, de que ele não só as tivera como as usara contra os curdos e iranianos. Havia dúvidas muito mais sérias sobre a justeza do política americana de invadir o Iraque, muito mais assertivas, muito mais fundamentadas, mas não era por causa das armas.

A Administração Bush actuou como deve actuar um governo responsável que acha que está em guerra - pela Lei de Murphy, se uma coisa pode correr mal, mais vale prepararmo-nos para que corra mal. Onde errou foi em deixar centrar a sua argumentação nas armas, o que resultou das pressões de Colin Powell e do Departamento de Estado para obter uma resolução das Nações Unidas, e que levou à apresentação de "provas" que vieram a revelar-se inconsistentes ou falsas. A Administração Bush fê-lo porque não tinha nada de melhor a apresentar, não porque não estivesse convencida de que as armas não existissem. As provas materiais que possuíam eram débeis, equívocas e nalguns casos falsas, embora saber quem as "plantou" nos serviços de informação seja toda uma outra história. Sim, algumas "provas" eram "mentira", mas a convicção de que havia armas de destruição maciça não era mentira.

Claro que no estilo moralmente excitado com que se discute o Iraque, pouca atenção se dá aos factos e tudo se move por "impressões" e por duas ou três frases desirmanadas usadas como prova, como é o caso do que disse o inspector Scott Ritter, ou citações de Hans Blix, que só se tornaram tão unívocas depois de não se encontrarem as armas depois da invasão. No caso de Scott Ritter o testemunho foi sempre prejudicado na sua credibilidade pelas suas relações com o governo iraquiano. Blix, por seu lado, no artigo muito crítico que escreveu no Guardian sobre os cinco anos de guerra, admitiu que era "compreensível" que Bush e Blair acreditassem na existência das armas no Outono de 2002, perguntando-se ele próprio, sem saber responder, "porque é que os iraquianos tinham impedido os inspectores das Nações Unidas durante os anos 90 quando não tinham nada que esconder".

É verdade que Blix responsabiliza Bush e Blair pelo que "sabiam em Março de 2003", referindo-se ao trabalho da equipa de inspectores a que presidia e que ocorreu entre as duas datas. A questão só pode ser colocada assim a posteriori, porque o que sabiam "em Março de 2003" é que os inspectores não tinham encontrado as armas e o próprio relatório que Blix apresentou ao Conselho de Segurança em Fevereiro de 2003 não é tão seguro como Blix agora pretende que foi. Entre outras coisas, apresentava reservas sobre o que tinha acontecido a armamento citado em documentos iraquianos e que o governo de Saddam dizia ter destruído sem apresentar provas. De qualquer modo, qualquer observador que leia com isenção a documentação existente na época só pode chegar à conclusão de que a convicção da existência de armas de destruição maciça era legítima, mas tinha uma dose excessiva de voluntarismo. Esse voluntarismo pagou-se caro porque a utilização da existência das armas de destruição maciça como argumento central de legitimação da invasão revelou-se o principal factor de desautorização de uma guerra que muitos não viam em 2003 com as cores negras com que a vêem hoje. A sua importância na descredibilização da operação foi enorme nas democracias ocidentais e tornou-se incontornável.

Quanto à "mentira" é que não vale a pena discutir racionalmente e com apoio dos factos indesmentíveis, de muitos estudos e análises feitos por especialistas e historiadores que não têm a mínima simpatia pela guerra iraquiana nem pela política de Bush, porque já ninguém ouve com o ruído propagandístico. Veja-se, por exemplo, aquela que é considerada a melhor história militar da invasão, Cobra II, de autoria de Michael Gordon e do general Bernard Trainor e que mostra como todos os planos militares americanos foram feitos tendo em conta a existência e possibilidade de um ataque químico ou biológico, com consideráveis custos numa estratégia que fazia da rapidez a sua pedra de toque, que mostra como unidades especiais andaram à procura das armas por todo o lado e a perplexidade com que foi recebida a informação de que estas não eram encontradas. Se de facto tivesse havido a "mentira" deliberada que é assacada a americanos e ingleses, então não seria difícil, pelo mesmo princípio de dolo, encontrar qualquer coisa, uns bidões num armazém, umas ampolas biológicas nalgum sítio. Houve aliás quem sugerisse que os americanos iam fazer isso e, para "mentiroso" antes, "mentiroso" depois, deveria ser a regra. Seria aliás quase impossível de verificar se era verdade ou não.

Só que os factos são outros.

(No Público de 29 de Março de 2008.)

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© José Pacheco Pereira
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