| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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26.8.06
FONTES PARA A HISTÓRIA DO "MODELO SOCIAL EUROPEU" ![]() Werner Kahl, Viagens do Operário Alemão, Serviço Alemão de Informações , 1941
(url) BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS
![]() (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 850 - The House Was Quiet and the World Was Calm The house was quiet and the world was calm. The reader became the book; and summer night Was like the conscious being of the book. The house was quiet and the world was calm. The words were spoken as if there was no book, Except that the reader leaned above the page, Wanted to lean, wanted much most to be The scholar to whom the book is true, to whom The summer night is like a perfection of thought. The house was quiet because it had to be. The quiet was part of the meaning, part of the mind: The access of perfection to the page. And the world was calm. The truth in a calm world, In which there is no other meaning, itself Is calm, itself is summer and night, itself Is the reader leaning late and reading there. (Wallace Stevens) * Bom dia! (url) 25.8.06
COISAS DA SÁBADO 1- RESOLUÇÕES DA ONU DE PRIMEIRA E DE SEGUNDA Os mesmos que dizem que Israel perdeu a guerra, os mesmos aliás que mostravam uma admiração sacrossanta por aquilo a que chamavam “comunidade internacional” e pela ONU, falam pouco do conteúdo da Resolução 1701 que permitiu o cessar-fogo. Mas dizem à boca cheia que a Resolução não é para aplicar, ou é inaplicável a anteriori e opõem-se à sua implementação no seu ponto mais importante – o envio de uma força militar – negando frontalmente, no caso português, qualquer participação de militares nacionais na implementação dessa Resolução.Não há nada como ir ver o texto para perceber por que razão a Resolução incomoda tanto e também perceber as diferentes razões por que ela foi aceite pelos beligerantes. Tenho para mim que essas razões são evidentes: para Israel era fundamental a internacionalização do conflito envolvendo outros parceiros ocidentais que não os EUA na segurança da fronteira norte de Israel, colocando-os próximos daquilo que dói no vespeiro do Médio Oriente, ou seja próximos do Hezbollah, da Síria e do Irão a ver se percebem com quem Israel tem que lidar; para o Hezbollah evitava a invasão terrestre do Sul do Líbano, que essa sim poderia levar a uma forte derrocada do seu aparelho militar para o que os ataques aéreos não chegam. Depois, o resto se veria. Há uma má fé evidente nas razões da aceitação por parte de ambos os lados: Israel sabe que sem agir militarmente contra o Hezbollah este nunca aceitará ser desarmado, e coloca o problema nos amplos braços da França (e por interposta França na amável UE), e o Hezbollah quer ganhar tempo e sabe que só muito dificilmente a força internacional actuará contra ele, como já aconteceu no passado. 2 – NADA COMO IR LER O TEXTO O que é que diz o texto da Resolução (de origem americano-francesa registe-se)? Deixando de parte a retórica destinada a permitir que todos – neste caso todos é o governo do Líbano e Israel – salvem a face, a Resolução implica o cessar-fogo imediato e a retirada das forças israelitas do território libanês, entregando o controle pleno da fronteira sul ao exército libanês com a assistência das forças da UNIFILAo Hezbollah pede-se que cesse todos os “ataques” e a Israel que cesse “todas as operações militares ofensivas”, o que já é uma diferença em “diplomatês”, embora aqui essa língua não seja muito relevante. A seguir começa a delinear-se a “solução” da “comunidade internacional” que, se for avante, muda de facto a situação do Líbano: é suposto que o governo libanês assuma o controlo da sua fronteira, “exerça a soberania plena de modo a que não haja aí armas sem consentimento do Governo do Líbano”, o que já não acontece há muitos anos devido à ocupação de facto dessa fronteira pelo Hezbollah. Mais à frente repete-se o que já tinha sido decidido noutras resoluções da ONU nunca aplicadas: o “desarmamento de todos os grupos armados no Líbano (…) de modo a que não haja armas ou autoridade no Líbano que não sejam as do Estado Líbanês.” Mais ainda: não deve haver “forças estrangeiras no Líbano sem o consentimento do Governo libanês”, o que se aplica a Israel, mas também à Síria. Ao Governo libanês são assacadas várias responsabilidades, que se centram no impedimento de quaisquer actividades militares ou para-militares contra Israel: controle do fluxo de armas, treino militar de milícias, e vigilância nos postos de fronteira (com a Síria como é óbvio) para impedir a ajuda militar ao Hezbollah. A principal diferença substantiva entre esta Resolução e as anteriores - cuja não aplicação foi consentida pelos mesmos que agora se indignam com o conflito – é o reforço da UNIFIL para um máximo de 15000 efectivos e aquilo que se considera um mandato mais musculado dessa força, ou seja é suposto que não se fique por ver e relatar o que se passa, mas que actue. Sobre esse mandato, cuja actuação deve ser coordenada com os governos do Líbano e Israel (com os dois, embora a força só esteja no Líbano) em vários aspectos, assenta na tomada “de todas as acções necessárias nas áreas onde estejam estacionadas as suas forças e em função das suas capacidades para assegurar que a sua área de operações não é utilizada para actividades hostis de qualquer tipo, resistindo a todas as tentativas para a impedir à força de não cumprir com os seus objectivos ao abrigo do mandato do Conselho de Segurança”. Lendo o texto percebe-se que ele é o resultado directo da guerra, mesmo que reitere muito do que já tinha sido “decidido” em anteriores resoluções da ONU, naquilo que é uma maior obrigação da “comunidade internacional” de acabar com a ocupação militar do Sul do Líbano pelas milícias do Hezbollah e de assegurar uma fronteira norte segura para Israel. Como Israel não tem reivindicações territoriais sobre o Líbano, tudo o que diga respeito ao desenho da fronteira é irrelevante para Israel desde que esta permaneça segura. 3 – TOMAR A SÉRIO O TEXTO DA RESOLUÇÃO MESMO QUE SE DUVIDE DA SUA APLICAÇÃO Conseguirá a ONU, sem os EUA presentes na força militar e contando com o suposto envolvimento das nações europeias (a atitude da França de um passo à frente e dois atrás não surpreende ninguém) ajudar a pacificar o Líbano, ou seja a retirar da política armada libanesa o Irão e a Síria? A julgar pelo passado, a resposta é não. É muito pouco provável que franceses, italianos, portugueses, espanhóis e outros andem aos tiros com o Hezbollah, para assegurar o efectivo controlo da fronteira, suprindo o ineficaz e hesitante controlo feito por um débil Governo libanês. E no entanto, tomar a resolução da ONU à letra, é um passo que se justifica, por maiores que sejam as reservas quanto à sua implementação. Há, insisto, vantagens de todo o tipo em dar esta última oportunidade à “comunidade internacional” na base de uma Resolução que consiste de facto numa vitória diplomática para Israel, como percebem muito bem os seus críticos. Israel que fez uma guerra pela metade, e as guerras pela metade normalmente perdem-se, jogou forte no envolvimento da “comunidade internacional” ou seja , na prática, no dos países da UE para os confrontar com as suas responsabilidades. O modo como eles vão responder – e há sinais contraditórios dessa resposta – vai definir mais eficazmente o significado político da “Europa” comunitária do que cem Constituições. Vamos ver.
(url) RETRATOS DO TRABALHO EM SANTO TIRSO, PORTUGAL
Limpando a escadaria do Tribunal de Santo Tirso. (Vítor Alexandre Leal) (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 25 de Agosto de 2006 Será que a SIC não compreende que os seus jornalistas não podem tomar o partido de uma das partes num conflito? Nos incidentes da Azinhaga dos Besouros, alguns moradores e uma organização ligada ao BE, "Solidariedade Imigrante", têm resistido às demolições sentando-se nos telhados. Por que razão a jornalista da SIC entrevista alguns moradores em cima do telhado, podendo certamente fazê-la no chão, visto que nada se estava a passar ? Qualquer manual deontológico sobre procedimentos televisivos em conflitos e manifestações é claro em afirmar que os jornalistas não devem tomar posição, o que, neste caso, significa falar de um determinado lugar - o lugar do protesto, o telhado. [Actualização: a RTP fez a entrevista do chão. Bem.] Sou jornalista /repórter de imagem na sic e acabo de ler no blog 'abrupto' (...) Escolhi fazer o "directo" do topo de uma das casas que estava prestes a ser demolida porque dali poderia dar, aos telespectadores, uma imagem abrangente do local, logo também da zona demolida até então. O facto dos trabalhos de demolição poderem recomeçar a qualquer momento e, repito, aquela casa estar na lista das construções a abater, ajudou-me a tomar a decisão. * Isto de ler os jornais e revistas em papel com dias de atraso dá uma perspectiva diferente sobre as notícias e opiniões. Mas também têm os seus inconvenientes, como seja não ter visto esta opinião de Caetano Veloso, transcrita da Visão da semana passada, de que também não encontrei qualquer eco nos blogues apesar de ele se referir à "blogosfera portuguesa" e não apenas ao Abrupto... ![]() Fica aqui reproduzido, seguindo os agradecimentos pessoais a Caetano Veloso por outra via. Parece que, sobre Israel, nem toda a gente segue o "pensamento único". Nem sobre o Abrupto também... * Por que é que os americanos são bons? Título da notícia da NASA e do Jet Propulsion Laboratory sobre a "despromoção" plutónica: Honey, I Shrunk the Solar System. * Com um dia de atraso. Pequenos pormenores em que só se repara lendo a imprensa em papel, que recebo dias depois de ter saído: - no Diário de Notícias de 24 de Agosto, numa notícia assinada por Helena Tecedeiro, uma legenda de uma fotografia de um guerrilheiro do Hezbollah – “Enquanto líder militar do Hezbollah, Mugniya terá sido responsável pela vitória do grupo sobre o exército israelita” (Sublinhados meus) - no Diário de Notícias de 24 de Agosto, uma notícia sobre os recentes confrontos em Timor-Leste (ocorridos a 23) que deveria suscitar as maiores perplexidades a quem esteja atento. Lá se diz que os confrontos entre “grupos de jovens” (sempre esta estranha classificação) ocorreram no bairro de Comoro. É esse bairro que é suposto estar sob jurisdição da GNR que aí assume as funções de polícia. Só que a notícia refere que foram polícias australianos e malaios que defrontaram os grupos e que, só no fim, foi chamada a GNR. Balanço dos feridos: sete australianos e um malaio. Verdadeiramente, o que é que a GNR está a fazer em Timor? A quem responde? Que cadeia hierárquica operacional existe? O que é que se passou com este incidente na sua área de intervenção? Mais uma série de questões que deviam estar a ser feitas a quem de direito, ou seja ao Governo. (url) (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 849- Elephants Are Different to Different People
![]() Wilson said, "What is its name? Is it from Asia or Africa? Who feeds it? Is it a he or a she? How old is it? Do they have twins? How much does it cost to feed? How much does it weigh? If it dies, how much will another one cost? If it dies, what will they use the bones, the fat, and the hide for? What use is it besides to look at?" Pilcer didn't have any questions; he was murmering to himself, "It's a house by itself, walls and windows, the ears came from tall cornfields, by God; the architect of those legs was a workman, by God; he stands like a bridge out across the deep water; the face is sad and the eyes are kind; I know elephants are good to babies." Snack looked up and down and at last said to himself, "He's a tough son-of-a-gun outside and I'll bet he's got a strong heart, I'll bet he's strong as a copper-riveted boiler inside." They didn't put up any arguments. They didn't throw anything in each other's faces. Three men saw the elephant three ways And let it go at that. They didn't spoil a sunny Sunday afternoon; "Sunday comes only once a week," they told each other. (Carl Sandburg) * Bom dia! (url) 24.8.06
RETRATOS DO TRABALHO NO FURADOURO - OVAR, PORTUGAL O pescador conserta as redes da pesca de Arrasto (Arte Xávega), mais concretamente o saco onde vem o peixe, a safra... (Fernando Manuel Oliveira Pinto) (url)
INTENDÊNCIA
Actualizada a nota LENDO / VENDO / OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 23 de Agosto de 2006. (url) BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS, GRANDES CHASSES
![]() (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 24 de Agosto de 2006 Leia mais, senhor Presidente, não é por falta de livros. O conselho é válido para todos, ou pensam que é só ele? Publicidade encontrada na cidade de Toronto, Canadá (enviada por Francisco Cunha) * BLOGOSFERA CONTRA PROMESSOSFERA: O BLOGUITICA continua a fazer a pergunta certa no tempo certo : "O Projecto MIT não está esquecido, pois não?" Se não fosse o infantilismo competitivo de muita imprensa escrita, que não quer parecer ir atrás dos blogues, já a mesma pergunta teria sido feita aos responsáveis pelas promessas governamentais numa vontade de esclarecer e informar que é suposto ser a essência do seu papel em democracia, venha a pergunta de onde vier. Se o BLOGUITICA deixasse de insistir durante dois ou três dias, e voltasse o rápido esquecimento em que vivemos, já os jornalistas se sentiriam à vontade para fazer a pergunta sem parecer "ir atrás" dos blogues. O mesmo se passou no caso da OTA, não fosse um órgão da imprensa digital sem preconceitos ter abordado Mário Lino com a pergunta que os jornais não queriam fazer. Depois foi o que se viu. A questão central aqui é que um esclarecimento sobre o que se passa com o Projecto MIT é mais que devido, até porque já passou o prazo para se saber alguma coisa. Está na altura de acabar com pruridos territoriais e perceber que hoje há, queira-se ou não, um contínuo comunicacional com os blogues e uma pergunta certa e justa na blogosfera é também uma pergunta certa e justa na atmosfera e não se pode passar ao lado. * Bem-vindo de férias ó Almocreve das Petas : "Depois de afagos de veraneio pendurámos a lembrança, em local decente. Nas muitas noites-ligados-a-dias sem novelas da paróquia, sem ambição de coisa alguma e em salutar "metafísica do ócio", a iluminação teria de ser total. E, na verdade, foi a nossa abastança virtuosa. A "estrita" observância a paixões deliciosas e sentimentos d'ócio peculiares, fez prolongar a visitação extraordinária, assim a modos "como gatos espapaçados ao sol" [M. Bandeira]. As instruções, os preceitos e as exortações do vate Sócrates & sua imprensa amestrada, não nos importunaram. Fomos piedosamente poupados à erudição doméstica. E, claro está, podemos dizer, humildemente ... que "cumprimos"!" (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 848 -"Mezclarónse con los de Babylonia, y aprendieron sus costumbres" Diximos en el argumento que el lenguaje d'este psalmo es de tristeza, de los que sienten el mal de su captiverio; mas que no es de todos, sino solamente de aquellos que no se descuydaron de llevar consigo los instrumentos con que solían alabar al Señor. Porque es cierto que no todos los captivos israelitas sospiravan por Sión, porque los más mezclados entre los Babylónicos, se hizieron de sus costumbres y aprendieron sus maldades, haziéndose como naturales de la tierra donde no eran. Y estos no eran los que lloravan sobre las riberas de Babylonia, ni los que colgavan los instrumentos de música en los salzes de aquel río. Mas eran aquellos de quien dixo David: Commixti sunt inter gentes, & didiscerunt opera corui. "Mezclarónse con los de Babylonia, y aprendieron sus costumbres". Y son figura de la distinctión de los que pertenescen a Sión predestinados, y de los que son para Babylonia prescitos. Y de los dos amores, de quien dize Augustino ser tan estraños que el uno edifica la ciudad de Babylonia y el otro la ciudad de Hierusalem. Y finalmente, significa los que tiene el demonio tan ciegos que el captiverio tienen por libertad y sus males juzgan por bienes. A differencia de los otros, que siendo captivos no se olvidan del fin para que fueron criados. Los unos cantan, los otros lloran; los unos biven sin contradictión de su consciencia, sin hazer contraste a nada de todo aquello que la sensualidad les pide; los otros quando mayores occasiones de plazeres mundanos les offresce el mundo, entonces se congoxan más, y de tal manera que, a no socorrer Dios en aquella tristeza, sería a los perfectos gran género de martyrio querer Babylonia hazer reyr por fuerça y cantar llorando, que son cosas que no vienen bien. Esto sintió bien David quando dixo: Renuit consolari anima mea, memor fui Dei, & delectatus sum. "Mi ánima desechó tales contentos, que más tristeza me causavan, y no tuve otro remedio sino acordarme de Sión". Que no es menos que dezir: Memor fui Dei. "Y assí me alegraba con la tristeza de no contentarme en Babylonia", y esto quiere dezir: & delectatus sum.( Sermón donde se declara el Psalmo .136. que comiença: Super flumina Babylonis, con otro psalmo .72. y este postrero haze a la declaración del primero. Hecho y predicado por el muy Reverendo padre F. Pedro López de Cárdenas en Valencia, a instancia de una señora devota suya, 1562.) * Bom dia! (url) 23.8.06
RETRATOS DO TRABALHO NA COSTA DA CAPARICA, PORTUGAL
Vendedor de gelados, bolacha, pipocas e batatas fritas. (Jorge Alexandre) (url)
MORTE DE VASCO DE CARVALHO (1910-2006)
Recebi agora a notícia da morte de Vasco de Carvalho, um dos principais dirigentes do PCP nos anos trinta e a figura mais significativa da direcção afastada pela “reorganização” de 1940-1, no chamado processo do “grupelho provocatório”. Trabalhei extensivamente com Vasco de Carvalho na reconstituição desses eventos, dos mais obscuros da história do PCP. E quando digo “trabalhei” foi mesmo o que aconteceu porque Vasco de Carvalho não se limitou a confiar na memória que tinha dos eventos, mas fez ele próprio uma recolha por escrito de notas e apontamentos que possuía e comentou, linha a linha, as primeiras versões do meu texto (excerto de um longo manuscrito de comentários e precisões que fez sobre um esboço que lhe enviei sobre o “grupelho provocatório”). ![]() (Nota mais completa nos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.) (url) LENDOVENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 23 de Agosto de 2006 A crítica de Eduardo Cintra Torres no Público ao tratamento noticioso dos incêndios na RTP assenta em dois “factos” (1) ; - um, a existência de ordens, ou instruções oriundas do Gabinete do Primeiro Ministro à direcção editorial da RTP quanto ao tratamento dos fogos (« as informações de que disponho indicam que o gabinete do primeiro-ministro deu instruções directas à RTP para se fazer censura à cobertura dos incêndios: são ordens directas do gabinete de Sócrates».)- dois, a minimização dos incêndios nos telejornais, em particular num dia em que graves incêndios ocorriam a Norte “E o Telejornal (RTP)? Não fez nenhum directo. Remeteu os incêndios para a 18ª notícia de 28, já depois do desporto. As três únicas notícias sobre incêndios activos foram tão breves que totalizaram menos tempo (1m50) do que a convalescença de Fidel Castro (2m16) ou a vitória dum João Cabreira na etapa do dia da Volta (2m18). As outras três notícias relacionadas com fogos eram todas positivas: um inventor dum autotanque; uma visita de bombeiros alemães a Vila Real; a entrega de 16 jipes pelo Instituto de Conservação da Natureza aos parques naturais (mas antes, sobre o incêndio no Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Telejornal falou duas vezes em Arcos de Valdevez e só no meio da notícia referiu uma vez o Parque)”. Quanto ao primeiro, Eduardo Cintra Torres terá certamente que ir mais longe no seu esclarecimento, visto que parte de uma situação ambígua entre ser jornalista e dever preservar as suas fontes e emitir um comentário crítico que em principio não é uma notícia. Se tal “facto” (as instruções do Gabinete) foi resultado de uma actividade jornalística normal ele deveria ter sido pela sua relevância incluído no noticiário político do Público e só depois, ou em simultâneo, comentado na coluna de crítica. O estatuto de colunas de crítica como a que mantém no Público é ambíguo, como aliás acontece com muito do que hoje se escreve nos jornais em peças assinadas que misturam factos com opinião. Por se tratar de uma coluna identificada como tal, isso protege a opinião, mas “desprotege” os factos lá referidos em primeira mão. Isso explica o processo da RTP, que Cintra Torres certamente ponderou, como consequência possível do conteúdo da coluna. Duas observações de passagem, mas relevantes para o “caso”. Uma é que Eduardo Cintra Torres produz uma das raras colunas de comentário sobre a televisão (na realidade é mais do que isso é crítica dos media, o que explica alguns furores) que pode ser chamada de “crítica”. A outra é que nas reacções de alguns jornalistas ao “caso” é claro que não perdoam a Cintra Torres ter colocado em causa não o Governo de Sócrates, mas a muito mais delicada questão das relações dos governos socialistas com a comunicação social. Quando os governos são do PSD e do CDS, as relações com a comunicação social são cuidadosamente escrutinadas e denunciadas, quando os governos são do PS a matéria torna-se sempre explosiva e a exigência de prova, mesmo em textos analíticos, vem sempre à cabeça. Um caso menor pode servir de comparação: a relativa complacência com que o livro de Manuel Maria Carrilho foi recebido, com acusações insubstanciadas muito mais graves do que as que fez Cintra Torres (caso fiquem elas também por provar, o que seria grave). Sobra o segundo “facto” que aparentemente ninguém quer discutir, remete para uma análise da informação da RTP, repito aqui o que escrevi antes do artigo de Cintra Torres: O governo tem beneficiado de uma cobertura jornalística que tem minimizado a importância dos incêndios este ano, e consequentemente, não confronta a realidade com o que foi prometido e anunciado. Parte desta situação vem dos compromissos que a comunicação social, em particular as televisões, assumiram quanto à cobertura dos fogos, corrigindo os excessos do ano passado. Mas, como quase sempre acontece, a correcção do excesso foi desequilibrada e neste ano, a não ser os atingidos pelos incêndios, não há percepção pública da gravidade do que se está a passar. Isso ajuda à desresponsabilização do governo e impede o debate sobre a eficácia das suas medidas e sobre o modo como está a reagir à situação, assumindo uma atitude de de muito mau agoiro para o futuro. (no Abrupto) A governamentalização da informação da RTP (com este e com todos os governos) tem uma raiz de fundo impossível de corrigir sem a sua privatização: o seu carácter de estação “pública” torna-a dependente de orientações governamentais quanto à sua cadeia hierárquica de poder interno e financiamento . Como muitas vezes tenho dito, o mais importante é escolher as pessoas certas para o lugar certo, não dar “instruções “ pelo telefone. E depois há o dinheiro que vem do bolso dos contribuintes e cujas “orientações” de despesa (por exemplo na compra do circo do futebol) têm relevância política. Acresce depois que a mais ambígua das coisas é aquilo a que se chama "serviço público", nunca claramente definido. Tanto serve para fazer a cobertura menos incómoda para o governo dos incêndios, como de muitas outras matérias, como para produzir simultaneamente alinhamentos no telejornal completamente tablóides (2) (com o argumento que uma televisão que ninguém vê não cumpre com o "serviço público"), como para tratar a agenda governamental com uma deferência particular dando a ministros, secretários de estado, inaugurações e anúncios de obras um lugar privilegiado nos telejonais (3). Etc., etc. (2) Exemplos de ontem: o telejornal das 13 horas abre com uma longa peça sobre a queda de um ultraleve em Cascais, em contraste com o conteúdo noticioso das notícias da SIC (não vi a TVI). (3) Um exemplo positivo de como um jornalista deve tratar uma inauguração e um anúncio governamental foi a de um jornalista da SIC que apertou Correia de Campos com perguntas sobre medidas que anunciavam uma cobertura da população por médicos de família. Acabou-se por saber que afinal essa cobertura era de um terço dos abrangidos e desse terço apenas um terço iria ser coberto até ao fim do ano, se tudo corresse bem. Passou-se de um anúncio genérico, para um terço de um terço. Mérito do jornalista que não tem o estilo dos telejornais da RTP. * A pretexto da «polémica» levantada pelo artigo de opinião de Eduardo Cintra Torres (ECT), gostaria de referir um pequeno pormenor, que não é de somenos importância. A análise que ECT aos noticiários da RTP, em contraste com as privadas, foi do dia 12 de Agosto (sábado). Por sinal, também detectei em 6 de Agosto (domingo), uma situação similar, que aliás me fez escrever um post no meu blog Estrago da Nação (www.estragodanacao.blogspot.com) intitulado «O frete televisivo», com o seguinte teor: (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 847 - ...no hay para qué perdonar a ninguno, porque todos han sido los dañadores ... El cual aún todavía dormía. Pidió las llaves a la sobrina del aposento donde estaban los libros autores del daño, y ella se las dió de muy buena gana. Entraron dentro todos, y el ama con ellos, y hallaron más de cien cuerpos de libros grandes muy bien encuadernados, y otros pequeños; y así como el ama los vió, volvióse a salir del aposento con gran priesa, y tornó luego con una escudilla de agua bendita y un hisopo, y dijo: tome vuestra merced, señor licenciado; rocíe este aposento, no esté aquí algún encantador de los muchos que tienen estos libros, y nos encanten en pena de la que les queremos dar echándolos del mundo. Causó risa al licenciado la simplicidad del ama, y mandó al barbero que le fuese dando de aquellos libros uno a uno, para ver de qué trataban, pues podía ser hallar algunos que no mereciesen castigo de fuego. No, dijo la sobrina, no hay para qué perdonar a ninguno, porque todos han sido los dañadores, mejor será arrojarlos por las ventanas al patio, y hacer un rimero de ellos, y pegarles fuego, y si no, llevarlos al corral, y allí se hará la hoguera, y no ofenderá el humo. (Miguel Cervantes, Don Quijote de la Mancha) * Bom dia! (url) 22.8.06
RETRATOS DO TRABALHO NA TORREIRA - MURTOSA, PORTUGAL Dois fogueteiros a lançarem foguetes de cana, um tradição que está em vias de desaparecer. No entanto, e embora seja uma tradição de que não gosto, tem a sua lógica, pois era o método de, há bastantes anos atrás, uma povoação avisar as povoações próximas que ia decorrer algum tipo de festejo. (José Carlos Santos) (url) QUANDO O MUNDO ERA SIMPLES: "O INTERESSE É TEU"
![]() ![]() ![]() (Padre Augusto Durão Alves, Rapariga Moderna, Lisboa, 1943) (url) RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL Cortando a relva no novo Estádio da Luz, já em fase de conclusão dos trabalhos, meados de Fevereiro de 2004.
(Manuel Rodrigues) (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 846 - Unsaid So much of what we live goes on inside– The diaries of grief, the tongue-tied aches Of unacknowledged love are no less real For having passed unsaid. What we conceal Is always more than what we dare confide. Think of the letters that we write our dead. (Dana Gioia) * Bom dia! (url) 21.8.06
INTENDÊNCIA
Actualizados os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO. Actualizadas as notas LENDO / VENDO / OUVINDO de 17 (2ª série) e 19 de Agosto de 2006 e COISAS DA SÁBADO: QUEM “GANHOU” A GUERRA ENTRE ISRAEL E O HEZBOLLAH?. (url) RETRATOS DO TRABALHO EM SANTA CRUZ - TORRES VEDRAS, PORTUGAL
Uma vendedora de fruta no mercado de Santa Cruz, concelho de Torres Vedras. (Nuno Umbelino) (url) RETRATOS DO TRABALHO NA NAZARÉ, PORTUGAL Tatuador na Nazaré. Numa garagem esconsa com chão de terra batida, entre as lojas que vendem aventais “Recordação da Nazaré” e peixe a secar ao sol e sob o olhar de uma anciã que parece ser a única “coisa” que está no sítio certo. (A tatuagem é temporária. O resto, não.) (RM) (url) RETRATOS DO TRABALHO EM BARCELONA, ESPANHA Um artesão brasileiro fazendo e vendendo peças de arame na praca Gali-Salvador Dali, em frente ao teatro museu Salvador Dali, em Figueras, perto de Barcelona. Chamava a atenção dos turistas, em bicha de mais de uma hora para comprar a entrada no teatro museu, imitando o miar de um gato aflito. As crianças aproximavam-se procurando o gato assustado. (Luís Aguiar-Conraria) (url) RETRATOS DO TRABALHO EM TORRE DE MONCORVO, PORTUGAL Nesta época do ano recolhem-se as batatas que cresceram nas hortas que envolvem as aldeias. Esta cintura de verdura e frescura serviu para manter a um incêndio, que entretanto lavrou, a uma distância segura das habitações. Mas cada vez mais se verifica o abandono deste trabalho executado pela família e pelos amigos em regime de torna-geira. (António Manuel Martins Teixeira, Felgar - Torre de Moncorvo) (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: TESTEMUNHOS DOS INCÊNDIOS ![]() Esta descrição de Pacheco Pereira (no Abrupto, princípio de Agosto 2005) traz-me à memória os incêndios que nos dois anos anteriores (2003 e 2004) devastaram as serras da zona de Monchique, no Algarve, assim como outras zonas próximas. Lembro-me de uma noite de 2004, aquela em que deflagrou o segundo grande incêndio desse ano, depois de cerca de metade da zona ter sido reduzida a cinzas pelo primeiro. Atravessei boa parte do Alentejo pela auto-estrada, sem encontrar muito trânsito. Era já bem de noite e a partir de certa altura (ao aproximar-me de Ourique) distingui um clarão vermelho ao longe, em frente. Era o fogo, a mais de cinquenta quilómetros de distância. Saí da auto-estrada em Ourique e meti-me pela estrada nacional, até desviar em São Marcos para a nova estrada que corta os primeiros montes até ao Alferce, uma das três freguesias do concelho de Monchique. A partir de metade do percurso por essa nova estrada (que no total tem cerca de quinze quilómetros), comecei a ver uma linha contínua de fogo. Ia progredindo lentamente, com cerca de meio metro de altura. Se saísse do carro e começasse a apagá-la com ramos de eucalipto, em meia-hora talvez conseguisse limpar cerca de cem metros, mas a linha de fogo tinha alguns quilómetros. E eu não via ninguém por ali. O silêncio que conheço das noites naquela zona era então quebrado apenas pelos sons do mato a arder, que aumentavam de cada vez que as chamas trepavam a uma das árvores. Decidi que não podia parar, que tinha de chegar mais adiante, à antiga casa da minha avó, numa aldeia agora desabitada. Era aí que eu passava a temporada das férias grandes, em criança. O mundo tão grande desses tempos parecia-me agora bem mais pequeno. Não se via nas redondezas nenhuma luz artificial, nem ao longo da estrada, que apesar de ser toda moderna não tem postes de iluminação. Luz, apenas a da linha de fogo. Distingui a aldeia no fundo do vale, junto a um ribeiro, iluminada pelo clarão. Parei o carro perto da saída para a estrada de terra que dá acesso ao vale, tentando que não ficasse em cima dos matos. Desci pela estrada de terra, sempre com o mesmo silêncio interrompido apenas pelos estalidos que saíam da linha de fogo. Andei cerca de um quilómetro, atravessei a ponte sobre o ribeiro e entrei na aldeia. Pouco passava da uma da manhã. A linha de fogo estava cinquenta metros acima e podia entrar na aldeia, embora esta estivesse limpa de mato. Ali, junto com a antiga casa da minha avó, a minha família possui mais algumas casas menores, uma azenha e um terreno. Eu sabia que o meu irmão estava por perto, mais adiante, por isso continuei. Cerca de um quilómetro depois, cheguei a uma zona de montado da minha família. Sempre com a linha de fogo a acompanhar-me. Foi então que me deparei com uma espécie de monstro a encandear-me, um monstro com os máximos ligados a ocupar toda a largura da estrada de terra. Eu tinha um carro de bombeiros na frente, com dois ou três bombeiros inquietos por estarem com uma viatura naquela estrada estreita, rodeada de árvores e com o fogo numa linha contínua, paralela à estrada, embora do outro lado do ribeiro. O meu irmão desceu da parte de trás do camião e despediu-se. Os bombeiros foram-se embora, parecendo aliviados. Disse-me depois o meu irmão que na vila tinha conseguido convencê-los a acompanharem-no até ali, com o argumento de que mais adiante o fogo não se limitava àquela linha contínua de meio metro de altura, estava bem maior, e com um carro de bombeiros seria possível contê-lo. Mas eles foram sempre insistindo que não podiam fazer nada, e acabaram por ir-se embora depois de eu chegar. Ficámos os dois, eu e o meu irmão, com uma carrinha, dois machados, dois baldes e duas enxadas. As enxadas para atirar terra para as chamas, os machados para cortar ramos com os quais poderíamos bater nas chamas, os baldes porque tínhamos o ribeiro de onde tirar água. Ficámos toda a noite naquilo, como muitos populares noutras zonas da serra. Não havia nada parecido com o que viu Pacheco Pereira, o autor do «Abrupto», na auto-estrada para o Norte, mas de manhã, quando fomos para casa, deparámos nas estradas de alcatrão à volta da vila de Monchique com um movimento intenso, e pela vila a coisa ainda era pior. Carros, camiões, carrinhas de último modelo da direcção-regional já nem me lembro de quê... Bombeiros, polícia, GNR, tropa e, sobretudo, uma categoria um pouco difícil de caracterizar, os chamados responsáveis (dos quais se destacava um, por de vez em quando ter um copo de whisky na mão). Todos num corrupio. E as chamas também num corrupio. Como que por ironia do destino, o fogo foi dado como extinto ao fim de alguns dias, exactamente no mesmo local onde tinha começado. Deu voltas e mais voltas e regressou às origens, talvez por não ter mais nada para queimar. (António Manuel Venda) (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: SEM LIVROS NOS AVIÕES
![]() Sem livros nos aviões. (url) O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: RANKINGS Sou português e estudante de um MBA em Nova Iorque (mais concretamente na Columbia University). Do outro dia fui confrontado com mais uma boa ideia, bem ao estilo americano, que gostava de fazer passar para o nosso país. Não sei se é novidade para si mas aqui vai:![]() Nos EUA há rankings para todos os gostos. O ensino superior (tanto licenciaturas como mestrados) não é excepção. Aquando do processo de candidatura, o aluno tem acesso a indicadores importantes como a taxa de empregabilidade no final ou após 6 meses do curso, a remuneração média dos ex-alunos 1 ou 5 anos depois do curso, a classificação dos professores da universidade por uma “pool” de empresas e alunos, etc. Mas a coisa não fica por aqui. Também serve para fazer o “marketing fácil” das escolas, e rankings das melhores festas ou melhores “females” também surgem. Resumindo, é a economia de mercado a funcionar. Não deve haver melhor forma de fazer marketing de angariação de estudantes do que provar que, em média, um ex-aluno da escola XPTO tem 95% de probabilidade de ter emprego 1 mês depois de acabar o curso, com uma remuneração média anual de 30,000 dollars. Mas o meu ponto não está relacionado com marketing universitário. Como é do senso comum, não há mercados sem informação. O mercado do trabalho não é excepção. Não será injusto que um estudante português, aos 18 anos, indeciso entre ser advogado ou gestor, não tenha acesso ao impacto financeiro da sua decisão? Ou melhor ainda, não será injusto, que o mesmo aluno, indeciso entre duas escolas de gestão, não saiba (e é que não sabe mesmo!) qual a melhor escola, com melhores colocações profissionais? E então o aluno que depois de 4 anos investidos numa qualquer escola privada, dá por si com um canudo que conduz ao desemprego ou a um salário miserável? Será que isto está relacionado com o crescimento do desemprego entre recém-licenciados, num contexto de redução do desemprego global? A mim, parece-me que sim. Os benefícios são evidentes: (1) promove-se um ajuste entre as profissões com mais procura na nossa economia e a oferta de recém licenciados e (2) promove uma saudável competição entre as faculdades pelos melhores alunos – que só pode conduzir a melhor ensino superior. Os rankings que ouço falar em Portugal, para além de pouca divulgação, são de carácter meramente científico. São extremamente importantes, não duvido, mas tenho a certeza, e lembro-me bem, que no desespero dos 18 anos, saber que determinada escola publicou 1800 “papers” nos últimos 5 anos ou que 85% do corpo docente tem um doutoramento, está longe, muito longe, de ajudar à decisão. (Luís Vicente) (url) COISAS DA SÁBADO: AS FÉRIAS ![]() As férias, tais como as conhecemos, são um fenómeno muito recente. As férias para as massas, digamos assim, datam das primeiras semanas de lazer pago da Frente Popular francesa, nos idos anos trinta, em consonância aliás com as diferentes versões da “alegria no trabalho” de raiz fascista e nacional-socialista. Tornaram-se desde então num “direito adquirido”, mais de alguns do que de todos, mas mesmo assim com dimensão e tempo suficiente para moldar o quotidiano em particular dos países europeus. Mas as férias são um interessante revelador sobre a irracionalidade das sociedades do “modelo social”, tanto mais evidente quanto esse modelo está em crise. O aparente “fecho” de todas as actividades gera a ideia que elas estiveram efectivamente fechadas e que “reabrem”. Em política, o Verão é excelente para actuar sem escrutínio. Depois, como as férias são cada vez mais cansativas, o regresso a casa aumenta a irritação. O país de onde se saiu para a transumância estival é o mesmo no outono, mas parece sempre muito pior. Não há esperança de, mês após mês, escapar dos horários, das filas de trânsito, dos maus transportes, das cidades inviáveis, dos trabalhos para pôr os meninos na escola, e, por último, mas não o menos importante, o dinheiro encolheu muito. O que foi empréstimo feliz para ir para férias, torna-se agora dívida para pagar. As férias do “modelo social” tornaram-se demasiado pesadas, vem-se delas muito zangado com o mundo, a começar pelo governo. Em política, o Outono é péssimo. (url) RETRATOS DO TRABALHO EM LOULÉ, PORTUGAL
Trabalhos de recuperação do Mercado de Loulé. (Lilian Moura) (url) EARLY MORNING BLOGS ![]() 845 - The battle / They must lose Enter, breath; Breath, slip out; Blood, be channeled, And wind about. O, blessed breath and blood which strive To keep this body of mine alive! O gallant breath and blood Which choose To wage the battle They must lose. (Ogden Nash) * Bom dia! (url)
© José Pacheco Pereira
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