ABRUPTO

21.8.06


COISAS DA SÁBADO: AS FÉRIAS

Camp de la Paix, Foyer du campeur http://www.oprimeirodejaneiro.pt/up/artigos-bin_imagem_1_jpg_0000843001153087516-527.jpg

As férias, tais como as conhecemos, são um fenómeno muito recente. As férias para as massas, digamos assim, datam das primeiras semanas de lazer pago da Frente Popular francesa, nos idos anos trinta, em consonância aliás com as diferentes versões da “alegria no trabalho” de raiz fascista e nacional-socialista. Tornaram-se desde então num “direito adquirido”, mais de alguns do que de todos, mas mesmo assim com dimensão e tempo suficiente para moldar o quotidiano em particular dos países europeus.

Mas as férias são um interessante revelador sobre a irracionalidade das sociedades do “modelo social”, tanto mais evidente quanto esse modelo está em crise. O aparente “fecho” de todas as actividades gera a ideia que elas estiveram efectivamente fechadas e que “reabrem”. Em política, o Verão é excelente para actuar sem escrutínio.

Depois, como as férias são cada vez mais cansativas, o regresso a casa aumenta a irritação. O país de onde se saiu para a transumância estival é o mesmo no outono, mas parece sempre muito pior. Não há esperança de, mês após mês, escapar dos horários, das filas de trânsito, dos maus transportes, das cidades inviáveis, dos trabalhos para pôr os meninos na escola, e, por último, mas não o menos importante, o dinheiro encolheu muito. O que foi empréstimo feliz para ir para férias, torna-se agora dívida para pagar. As férias do “modelo social” tornaram-se demasiado pesadas, vem-se delas muito zangado com o mundo, a começar pelo governo. Em política, o Outono é péssimo.

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]