ABRUPTO

21.8.06


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: RANKINGS


Sou português e estudante de um MBA em Nova Iorque (mais concretamente na Columbia University). Do outro dia fui confrontado com mais uma boa ideia, bem ao estilo americano, que gostava de fazer passar para o nosso país. Não sei se é novidade para si mas aqui vai:

Nos EUA há rankings para todos os gostos. O ensino superior (tanto licenciaturas como mestrados) não é excepção. Aquando do processo de candidatura, o aluno tem acesso a indicadores importantes como a taxa de empregabilidade no final ou após 6 meses do curso, a remuneração média dos ex-alunos 1 ou 5 anos depois do curso, a classificação dos professores da universidade por uma “pool” de empresas e alunos, etc. Mas a coisa não fica por aqui. Também serve para fazer o “marketing fácil” das escolas, e rankings das melhores festas ou melhores “females” também surgem.


Resumindo, é a economia de mercado a funcionar. Não deve haver melhor forma de fazer marketing de angariação de estudantes do que provar que, em média, um ex-aluno da escola XPTO tem 95% de probabilidade de ter emprego 1 mês depois de acabar o curso, com uma remuneração média anual de 30,000 dollars.

Mas o meu ponto não está relacionado com marketing universitário. Como é do senso comum, não há mercados sem informação. O mercado do trabalho não é excepção. Não será injusto que um estudante português, aos 18 anos, indeciso entre ser advogado ou gestor, não tenha acesso ao impacto financeiro da sua decisão? Ou melhor ainda, não será injusto, que o mesmo aluno, indeciso entre duas escolas de gestão, não saiba (e é que não sabe mesmo!) qual a melhor escola, com melhores colocações profissionais? E então o aluno que depois de 4 anos investidos numa qualquer escola privada, dá por si com um canudo que conduz ao desemprego ou a um salário miserável? Será que isto está relacionado com o crescimento do desemprego entre recém-licenciados, num contexto de redução do desemprego global? A mim, parece-me que sim.

Os benefícios são evidentes: (1) promove-se um ajuste entre as profissões com mais procura na nossa economia e a oferta de recém licenciados e (2) promove uma saudável competição entre as faculdades pelos melhores alunos – que só pode conduzir a melhor ensino superior.

Os rankings que ouço falar em Portugal, para além de pouca divulgação, são de carácter meramente científico. São extremamente importantes, não duvido, mas tenho a certeza, e lembro-me bem, que no desespero dos 18 anos, saber que determinada escola publicou 1800 “papers” nos últimos 5 anos ou que 85% do corpo docente tem um doutoramento, está longe, muito longe, de ajudar à decisão.

(Luís Vicente)

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