ABRUPTO

29.7.06


RETRATOS DO TRABALHO

Os Retratos têm um programa simples: pessoas normais a trabalharem normalmente. É o lado da vida das pessoas que mais lhes determina o quotidiano, a que horas se levantam, os caminhos que levam, o tempo que têm ou não têm, o esforço de todos os dias, o modo como se relacionam socialmente, o dinheiro que têm. O trabalho raras vezes é fonte de felicidade, mas ter trabalho dá uma dignidade que faz muita diferença, em tempos de desemprego. O trabalho, salvo raríssimas excepções, é o resultado de uma maldição: o "suor do teu rosto" começou na expulsão do Paraíso e os nazis escreveram a mais cínica (porque infinitamente verdadeira no outro sentido que as coisas têm) frase sobre ele: "Arbeit macht Frei".

Muitos leitores do Abrupto têm olhado assim para o trabalho. Obrigado.


(url)


RETRATOS DO TRABALHO EM MATOSINHOS, PORTUGAL



À entrada da lota de Matosinhos. Esta manhã.

(Gil Coelho)

(url)


EARLY MORNING BLOGS
827 - Executive

I am a young executive. No cuffs than mine are cleaner;
I have a Slimline brief-case and I use the firm's Cortina.
In every roadside hostelry from here to Burgess Hill
The maîtres d'hôtel all know me well, and let me sign the bill.

You ask me what it is I do. Well, actually, you know,
I'm partly a liaison man, and partly P.R.O.
Essentially, I integrate the current export drive
And basically I'm viable from ten o'clock till five.

For vital off-the-record work - that's talking transport-wise -
I've a scarlet Aston-Martin - and does she go? She flies!
Pedestrians and dogs and cats, we mark them down for slaughter.
I also own a speedboat which has never touched the water.

She's built of fibre-glass, of course. I call her 'Mandy Jane'
After a bird I used to know - No soda, please, just plain -
And how did I acquire her? Well, to tell you about that
And to put you in the picture, I must wear my other hat.

I do some mild developing. The sort of place I need
Is a quiet country market town that's rather run to seed
A luncheon and a drink or two, a little savoir faire -
I fix the Planning Officer, the Town Clerk and the Mayor.

And if some Preservationist attempts to interfere
A 'dangerous structure' notice from the Borough Engineer
Will settle any buildings that are standing in our way -
The modern style, sir, with respect, has really come to stay.

(John Betjeman)

*

Bom dia!

(url)


CONTRIBUIÇÕES PARA AS MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS
(Última série)



Os eventos dos últimos dias que perturbaram a publicação do Abrupto impediram a finalização desta série. Aqui ficam as últimas sugestões antes da lista final.


Qualquer lista que pretenda elecar as vinte melhores obras de referência em Português, e que não inclua a Bíblia Sagrada, é manifestamente incompleta. Ainda por cima no ano em que se comemora o 325º. aniversário da primeira edição do Novo Testamento da tradução para a língua portuguesa, por João Ferreira de Almeida (1681).

A Bíblia não é só um livro de fé, é uma obra basilar da Cultura e da Literatura, que pertence ao património da humanidade.
Ignorá-lo, só por preconceito ou ignorância...

(Brissos Lino )

*

(...) algumas obras de referência:

a) No campo da poesia (além de alguns já referidos):

- As quatro séries das Líricas Portuguesas : Primeira (1944), organizada por José Régio, com autores nascidos desde o séc. XII até 1894; Segunda (1945), organizada por Cabral do Nascimento, com autores nascidos entre 1859 e 1908; Terceira (1958/1972/1983), organizada por Jorge de Sena, em dois volumes, com autores nascidos entre 1871 e 1929; Quarta (1969), organizada por António Ramos Rosa, com autores nascidos entre 1930 e 1941.

- Número especial da revista da editora Assírio & Alvim, "A Phala", intitulada "Um Século de Poesia" (1989 - ideia de Manuel Hermínio Monteiro), com textos de vários autores sobre a poesia portuguesa entre 1888 e 1988.

b) No campo da religião:

- História da Igreja em Portugal de Fortunato de Almeida (4 vo. - 1967-1971)

- História Religiosa de Portugal (3 vol. - 2000-2002) e Dicionário da História Religiosa de Portugal (4 vol. - 2000-2001), sob a direcção de Carlos Moreira Azevedo

c) No campo da história:

- A colecção de biografias que o Círculo de Leitores está a editar, de todos os Reis de Portugal

- Colecção de fotobiografias de todos os Presidentes até Jorge Sampaio, que o Museu da Presidência da República editou no último ano

(Rui Almeida)

*

Há o "livro das saudades da Terra" de Gaspar frutuoso. Obra fundamental (e monumental) sobre os Açores de Quinhentos.

Depois estou a lembrar-me sobre um livro sobre a arquitectura popular dos Açores (não tenho aqui a referência). Há aliás um conjunto de livros sobre a arquitectura vernácula de portugal tem tem bastante interesse.

(Gilberto Carreira)

*

Gostei da sua iniciativa sobre as melhores obras de referência em português.

Aqui vão as minhas sugestões (algo regionalistas é certo):

- Maria Natália Almeida d'Eça, Roteiro artesão português, Porto, Tipografia Inova, várias datas (1980s - 2000).

Tem vários volumes, nunca os consultei a todos, sobre a totalidade (?) das regiões do país.

- Pedro Branco (com colab. de Luís Vidigal), Notas para a história dos bonifrates, presépios, fantoches, robertos e marionetas em Portugal, Oeiras, Biblioteca Operária, 1983. [Colecção Cadernos da Biblioteca Operária Oeirense]

- Túlio Espanca (1913-1993), Évora, 2ª ed., Lisboa : Presença, 1996. [Colecção Cidades e vilas de Portugal]

- José Augusto Alegria (cónego), Arquivo das Músicas da Sé de Évora. Catálogo, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1973.


(Jorge Moleirinho)

(url)

28.7.06


COISAS DA SÁBADO

ISRAEL, A ESQUERDA E A DIREITA, AMERICANISMO, ANTI-AMERICANISMO

Já se escreveu que o anti-americanismo é o anti-semitismo dos nossos dias. É um anti-semitismo diferente, mas é muito parecido. Israel está a ser vítima dessa forma peculiar de anti-semitismo.

A história não ensina tanto como pensamos, mas dá-nos comparações úteis. O caso de Israel é muito interessante para a análise das evoluções políticas e ideológicas do século XX. Quando nasceu o estado de Israel, a ferro e fogo contra os ingleses e os partidários do Grande Mufti de Jerusalém, amigo dos nazis, a causa sionista era sentida como uma causa da esquerda. Foi a URSS uma grande impulsionadora das resoluções da ONU para a partilha da Palestina, e o primeiro estado a reconhecer Israel. Estava-se na altura em que o nosso Avante! clandestino saudava a luta de Israel contra as “monarquias feudais àrabes” que lhe faziam guerra e a saga socialista dos kibutz fazia parte do imaginário utópico de toda a esquerda e não só da comunista. Os socialistas e a sua Internacional deram grande apoio político ao jovem estado.

Ora, desde o primeiro minuto que a “causa” de Israel dependeu de ganhar as guerras aos países que o rodeavam e mesmo aos que estavam longe. Recordo-me de visitar a Argélia há uns anos e ter verificado com alguma surpresa que ainda havia um estado de guerra com Israel, muitos anos depois do último conflito militar que opôs o estado judeu a outros estados e não a grupos de guerrilha ou grupos terroristas.

Ora, nas suas guerras, sempre de natureza defensiva – não adianta explicar aos que estão de má fé que o carácter ofensivo de algumas operações militares nada tem a ver com o carácter defensivo do conflito - , o Israel de hoje não é distinto do do fim dos anos quarenta. No centro dessas guerras esteve sempre a pura sobrevivência do estado de Israel , quer de um lado quer do outro. A recusa da existência de Israel esteve sempre no centro das guerras árabes, agora cada vez mais muçulmanas, e só muito mais tarde é que a “questão palestiniana” surgiu.

A inflexão da esquerda contra Israel acompanhou a política soviética de Krutchev de apoio ao nacionalismo árabe, que levou a prazo a uma mudança de aliados na região. Apoiando Nasser, reagindo ao último estertor do colonialismo, o conflito do Suez, a URSS abriu caminho ao progressivo isolamento de Israel dos seus apoios na esquerda socialista e comunista. Nos anos sessenta, setenta, oitenta, até ao fim da própria URSS, esta tornou-se um dos principais apoios logísticos e políticos dos movimentos de guerrilha e terroristas palestinianos, ou pró-palestinianos, embora o seu controle nunca fosse total, devido ao emaranhado muito complexo das intrigas nacionais e de clãs que sempre atravessaram o Norte de Africa e o Médio oriente. Ter que lidar com a Líbia, a Síria, o Iraque, o Irão, a rede de terrorismo internacional que ia do Japão à Alemanha, era difícil, mas mesmo assim os soviéticos estiveram sempre presentes nesse mundo e sub-mundo.

Foram os americanos, nem sempre muito voluntaristas na região (como mostraram durante a guerra do Suez), que acabaram por se tornar os principais aliados de Israel. Para que isso acontecesse houve razões de guerra fria e pressões do importante lobi judaico na América, mas foi assim que se criou a realidade das alianças actuais. Logo, os israelitas acabam também por ser alvo, e nalguns casos mais do que isso, pretexto central, do anti-americanismo contemporâneo.

A paralisia europeia numa região do mundo que faz parte da sua esfera geopolítica vem desse anti-americanismo, em que a Europa, em grande parte por pressão de uma França pós-gaullista, se deixou enredar tornando-a irrelevante. Ver um estado que foi uma criação francesa como o Líbano hoje ser vassalo da Síria e assistir à completa impotência militar e política da França é apenas o sintoma maior da mesma impotência da União Europeia separada dos EUA.

Tudo isto é fora, à margem. Para Israel muito pouco mudou desde o dia 15 de Maio de 1948 em que imediatamente a seguir à formalização da independência pela ONU, os estados da Liga árabe declararam guerra a Israel que foi atacada pela Jordânia, o Líbano, o Egipto, o Iraque, e Arábia Saudita. O secretário geral da Liga árabe, Azzam Pasha, invocou a jihad e apelou a uma “guerra de extermínio”. Algumas coisas mudaram desde este dia e algumas para melhor, mas para Israel continua a ser uma questão de pura sobrevivência. É por ser assim que em Israel, nunca a esquerda e a direita se dividiram no essencial sobre a conduta de operações militares para defender o estado de Israel.


*

Ao ler o artigo de hoje fiquei com sérias dúvidas se existe uma correspondência entre estas duas fobias ideológicas. Parece-me que o antisemitismo é essencialmente racista e não diferencia judeus bons e judeus maus. Nesse sentido, o anti-sionismo tem sido confundido com o antisemitismo quando, creio eu, se trata da oposição ao regresso dos judeus da Diáspora à Terra Santa e/ou consequente refundação dum estado judaico.

O anti-americanismo é um fenómeno que está ligado à cultura, à política, à economia, etc e tal, dum país com uma influência mundial como jamais se viu. Mas não tem uma vertente racista.

A diferença pode ser secundária quando estas expressões estão completamente inquinadas por preconceitos odiosos e virulentos que nada têm a ver com a clareza dos conceitos e das posições políticas/ideológicas. Pessoalmente creio ser relevante a distinção entre uma ideologia racista e as outras.

Uma das situações (tragicamente) caricatas é assistir à evolução do discurso anti-sionista de expressão árabe para o antisemitismo clássico, profundamente ilustrado com estereótipos racistas vulgares da Europa anterior ao Nazismo e que este elevou à categoria de ideologia do próprio estado alemão, e às suas versões revisionistas.

Curiosamente, quando o tema são os Estados Unidos e/ou Israel, o discurso político da extrema-direita e de certa esquerda anti-americana é muito semelhante.

Possivelmente, também existem semelhanças entre certo discurso anti-árabe/islão por parte de tendências políticas pró-israelitas e o discurso da extrema-direita europeia quando aborda os temas da Imigração e do Islão na Europa.

Mundo confuso, né?

(Pedro Freire de Almeida)

(url)


PIRATARIAS 10

O problema não está resolvido como qualquer pessoa que cá viesse durante a noite tinha ocasião de ver, e o Blogger, apesar das sucessivas afirmações de que corrigiu a pirataria, também ainda não a resolveu. Agora diz-me que vai impedir qualquer nova nota no falso Abrupto e que "tomou posse desse blogue".

O meu dilema está entre não querer conceder aos energúmenos que estão a criar e a reavivar o falso Abrupto e o tempo que me fazem perder a mim e aos outros que gentilmente se têm dedicado a ajudar a acabar com este ataque.

(url)


EARLY MORNING BLOGS
826 - Before Sleep


The lateral vibrations caress me,
They leap and caress me,
They work pathetically in my favour,
They seek my financial good.

She of the spear stands present.
The gods of the underworld attend me, O Annubis,
These are they of thy company.
With a pathetic solicitude they attend me;
Undulant,
Their realm is the lateral courses.


Light!
I am up to follow thee, Pallas.
Up and out of their caresses.
You were gone up as a rocket,
Bending your passages from right to left and from left to right
In the flat projection of a spiral.
The gods of drugged sleep attend me,
Wishing me well;
I am up to follow thee, Pallas.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

(url)

27.7.06


PIRATARIAS 9



O Blogger comunicou-me (às 19.30) que conseguiu finalmente apagar o falso Abrupto. Espero para ver, dado que há dois dias me disse estar o problema resolvido e ele voltou de novo. Se alguém lá for parar pelo genuíno endereço, faça o favor de me comunicar.

Esta questão não está encerrada, porque de facto não está encerrada, mas podem ter a certeza que o que mais desejo é voltar ao business as usual aqui no Abrupto.

NOTA (às 23.30) - O problema continua exactamente na mesma. Obrigada a quem me alertou. A actualização desta nota deve apagà-lo, mas mostra que o Blogger não resolveu o assunto e continuam os ataques contra o Abrupto. Para quem acreditava na "história" de um inocente do outro lado, ele agora mudou de nome de Alex para Mike.

(url)


RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



Reparação dos telhados. Igreja de S.Francisco no Porto, há instantes.

(Gil Coelho)

(url)


QUE SEJA BEM CLARO



que acho que Rui Rio tem razão, no essencial, quanto às posições que toma em defesa das instituições e do poder democrático face à arrogância dos poderes fácticos e dos interesses não escrutinados que muitas vezes defendem. Rui Rio é uma enorme raridade na vida política portuguesa e o facto de a minha cidade o ter eleito só pode prestigiar o Porto. Mas exactamente por pensar assim e o ter defendido (na última Quadratura do Círculo) não quer dizer que não considere isto inadmíssivel numa página de uma autarquia.

(url)


PIRATARIAS 8



Para uma discussão (entre outras) da falha do Blogger que permite o ataque ao Abrupto veja-se aqui e aqui. O problema parece estar a ser controlado, mas ainda não está resolvido. Para não facilitar a vida ao autor do ataque e identificá-lo se possível, alguns elementos já existentes não podem nem devem ser divulgados. Mas há fantasmas e fantasmas de fantasmas em acção. Como é habitual neste mundo, nada do que parece é.

(url)


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 27 de Julho de 2006


Vale a pena o artigo de Carlos Gaspar no Público (sem ligação) em defesa de uma intervenção militar da UE no Líbano:
"A União Europeia, desde a crise iraquiana e os referenda negativos do ano passado, entrou numa crise profunda: as divisões internas minaram a sua credibilidade, num momento crucial. A guerra do Líbano e a intervenção militar nesse conflito pode inverter o veredicto iraquiano, quer quanto à decomposição da comunidade transatlântica de defesa, quer quanto à comunidade europeia de defesa. Há três anos, a intervenção dos Estados Unidos no Iraque abriu uma dupla crise da unidade atlântica e da aliança europeia, que está longe de ter sido ultrapassada, sobretudo na opinião pública norte-americana. Hoje, porém, são os Estados Unidos que não querem intervir no Líbano, para não abrir uma segunda frente ou correr o risco de criar um "segundo Iraque", desta vez contra uma minoria xiita. A oportunidade da União Europeia é também uma forma de revelar a sua capacidade para ultrapassar as divisões internas e para resolver uma crise decisiva. Essa demonstração, com a intervenção militar da União Europeia na guerra do Líbano, podia ser o primeiro passo da política europeia de segurança e de defesa, a primeira demonstração de que existe uma vontade política e estratégica europeia para lá das fórmulas opacas e estéreis sobre as virtudes da potência normativa e os valores éticos da União Europeia."

(url)


EARLY MORNING BLOGS
825 - ...obra má de má argila...

E agora o mundo parece-me um imenso montão de ruínas onde a minha alma solitária, como um exilado que erra por entre colunas tombadas, geme, sem descontinuar...

As flores dos meus aposentos murcham e ninguém as renova: toda a luz me parece uma tocha: e quando as minhas amantes vêm, na brancura dos seus penteadores, encostar-se ao meu leito, eu choro - como se avistasse a legião amortalhada das minhas alegrias defuntas...

Sinto-me morrer. Tenho o meu testamento feito. Nele lego os meus milhões ao Demónio; pertencem-lhe; ele que os reclame e que os reparta...

E a vós, homens, lego-vos apenas, sem comentários, estas palavras: «Só sabe bem o pão que dia a dia ganham as nossas mãos: nunca mates o Mandarim!»

E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta ideia: que do norte ao sul e do oeste a leste, desde a Grande Muralha da Tartária até às ondas do mar Amarelo, em todo o vasto Império da China, nenhum mandarim ficaria vivo, se tu, tão facilmente como eu, o pudesses suprimir e herdar-lhe os milhões, ó leitor, criatura improvisada por Deus, obra má de má argila, meu semelhante e meu irmão!

(Eça de Queiroz, O Mandarim)

*

Bom dia!

(url)

26.7.06


PIRATARIAS 7



O problema subsiste com a aparição há cerca de meia-hora, após um dia de calma, do falso Abrupto. Este não tem nada escrito de novo, mas apresenta uma "identidade" americana, certamente para reforçar a "história" que alguns tomam à letra, de um inocente surpreendido com um hacker português, eu, que lhe assalta o blogue. E ele tão preso ao nome de "Abrupto" vá-se lá saber porquê, não quer mudar o endereço, nem percebe o que se passa. Para bot, como alguns "técnicos" diziam, é muito esperto.

A falha é do Blogger, isso já se sabe e o Blogger admite, mas a exploração da falha é feita contra o Abrupto e continua.

(url)


RETRATOS DO TRABALHO EM FEZ, MARROCOS



Tintureiros.

(Diogo Vasconcelos)

(url)


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 26 de Julho de 2006


José Rodrigues dos Santos no telejornal da RTP1 das 20 horas disse as primeiras coisas sensatas aí ditas há muito tempo. São sensatas, evidentes e conhecidas de há muito, mas parecem blasfémias ditas nos noticiários mais anti-americanos e israelitas da televisão portuguesa. Disse que muitos libaneses sentem que o seu país está a ser violado por sírios e iranianos para o usarem para uma guerra estrangeira ao Líbano. Disse que era preciso cuidado com a utilização do termo "civis" porque o Hezbollah era só constituído por civis e que usava casas civis de famílias civis para esconder o armamento. Não é novidade nenhuma e não precisava de ir ao Líbano para nos dizer isto, mas no meio da contínua manipulação das palavras que constitui o grosso das notícias sobre o conflito foi um oásis, mais para o lado do jornalismo do que do "jornalismo de causas".

Relativamente ao seu post comentando a desrição feita por José Rodrigues dos Santos no Telejornal, fiquei também surpreendido pois soava um pouco distante tom habitual dos noticiários nacionais. Aquela descrição, como disse, não trazia de facto nada de novo em termos noticiosos mas causou impacto por ser verdadeira e imparcial!

Outro aspecto que me tem chamado à atenção é a terminologia utilizada pelos jornalistas em relação às tropas Israelitas. Muitas vezes referem-se a elas como as "tropas Judaicas" como se o conflito fosse única e exclusivamente religioso. Parece-me ser terminologia usada de forma deliberada e intencional ou então não ser fruto de qualquer reflexão por parte de quem a utiliza. Esquecem-se, no entanto, de usar os termos "tropas do partido de Deus" quando se referem às tropas do Hezbollah.

(Miguel Castro)
*

No BLOGUITICA:
Peço desculpa, mas terão de me explicar como se eu fosse muito burro: a que propósito é que o líder do principal partido político da Oposição vem exigir esclarecimentos públicos sobre a reforma de Manuel Alegre? Trata-se de uma atitude populista que não o dignifica.
Inteiramente de acordo. Há águas turvas em que o peixe que vem à linha está sempre envenenado.

*










Todos os números são excelentes para os cientistas, mas nem todos para os amadores. Este é excelente para os curiosos: uma nota muito crítica sobre o PowerPoint, uma série de artigos que levantam a questão do "homem biónico", e um balanço do estado da geologia, "Geology: The start of the world as we know it" (sem ligação).

(url)



(url)


FIM DA PIRATARIA?

talvez sim, talvez não.

Vamos ver. O autor do falso Abrupto, que é uma pessoa e não um programa automatizado, passou o dia todo num pingue-pongue com o Abrupto e o Blogger. Ah! e sabe português...

Como estou em trânsito, os detalhes ficam para depois.

PS.[Actualizado] talvez ... ainda não.

Actualização 2 - Cuidado! Não enviar comentários quando o falso Abrupto aparece!

Actualização 3 - Obrigado às muitas pessoas, que nomearei depois, que estão a tentar solucionar o ataque contra o Abrupto. Sim, porque é disso que se trata, basta ver o teatro que está a fazer o pseudo-autor. mimando as queixas genuínas do verdadeiro Abrupto.

(url)

25.7.06


PIRATARIAS 6




Não sei se vão conseguir ver esta nota e durante quanto tempo. Os textos publicados hoje no falso Abrupto deixam poucas dúvidas quanto à intencionalidade do ataque.

(url)


CONTRIBUIÇÕES PARA AS MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS



Se continua o levantamento das obras de referência, há ainda duas que não devem ser esquecidas. São ambas do Pe. Francisco Leite de Faria:

- Estudos bibliográficos sobre Damião de Góis e a sua época (Lisboa, SEC, 1977) - uma obra-prima da bibliografia!

- As muitas edições da "Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto (Lisboa, Academia Portuguesa da História, 1992).

Não esquecer também dois catálogos monumentais, ambos de 1972 e relativos ao IV Centenário da publicação de Os Lusíadas:

- Catálogo da exposição bibliográfica, iconográfica e medalhística de Camões (da responsabilidade de J. V. de Pina Martins), Lisboa, BN, 1972.

- IV Centenário de Os Lusíadas de Camões (da responsabilidade do Dr. Coimbra Martins), Madrid, Biblioteca Nacional, 1972.

E, já que estamos em Camões, não esquecer ainda duas obras:

- A Colecção Camoniana, de José do Canto.

- o CDRom Camões and the first edition of the Lusiads, 1572,editado por Keneth David Jackson.

(Vasco Graça Moura)

*

Já agora

Religiões da Lusitânia, de Leite de Vasconcelos (ou Vasconcellos?) - não tenho comigo o livro

(José Pimentel Teixeira)

*

Portugaliae monumenta cartographica [ Material cartográfico / Armando Cortesão, Avelino Teixeira da Mota ; pref. J. Caeiro da Mota

Cartografia e cartógrafos portugueses dos séculos XV e XVI : (contribuição para um estudo completo) / Armando Cortesão

História da cartografia portuguesa / Armando Cortesão

(Isabel Goulão)


(url)


PIRATARIAS 5



Durante a noite o falso Abrupto voltou, de manhã esvaneceu-se. Faz-lhe mal o sol.

(url)


RETRATOS DO TRABALHO EM FEZ, MARROCOS



Curtidor de peles.

(Diogo Vasconcelos)

(url)


EARLY MORNING BLOGS
824 - De la graja y de los pavones.

monesta esta fábula que ninguno deve fazer grandes muestras de cosas agenas, mas que es mejor que de esso poco que tiene, se comporte y componga porque quando lo que no es suyo le fuere quitado no sea en vergüença.

La graja, llena de sobervia, tomando una vana osadía, presumió de se componer y vestir de las plumas de los pavones que halló. E assí mucho guarnecida, menospreciando a sus yguales, ella se entró en la compañía de los pavones, los quales, conociendo que era de su naturaleza, por fuerça le quitaron las plumas y le dieron picadas e la acocearon. E assí, escapando medio muerta e gravemente llagada, avía vergüença, como estava assí destroçada o despedaçada, a su propia generación, donde en el tiempo de su pompa, a muchos de los amigos injurió e menospreció. A la qual se dize que dixo una de su linaje:

-Si tú oviesses amado y estimado estas vestiduras que tu naturaleza te dio, assaz te ovieran abastado, como son d' ellas contentas otras tus semejantes. E assí no padescieras injuria, ni de nosotras fueras lançada y echada, y te fuera buena si bivieras contenta con lo que naturaleza te dava.

El que se ennoblece con lo ajeno, al tiempo que le es quitado queda afrentado


(La vida y fábulas del Ysopo, Valencia, 1520)

*

Bom dia!

(url)

24.7.06


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DEZOITO QUILOS DE CREME



Segundo o PortugalDiário de ontem, e em relação a um dos grandes pânicos regularmente cultivados nesta época estival – o cancro da pele e o hábito obviamente suicidário que as sociedades (ocidentais, claro) têm em se expor ao sol – o presidente da Associação Portuguesa do Cancro Cutâneo terá afirmado, sobre a necessidade de protecção solar, que a quantidade ideal de creme a aplicar é, nada mais, nada menos, do que um grama por centímetro quadrado. «É essa a quantidade recomendada», sublinha o dermatologista
Só um pequeno comentário, na sequência de um hábito, também saudável, que é o de fazer contas aos números que com tanto gosto como displicência os senhores jornalistas gostam de nos alarmar:
A superfície média do corpo humano anda por volta dos 1,80 metros quadrados (1,81 para uma pessoa de 70 quilos e 1,70 metros). São portanto 18.000 (DEZOITO MIL) centímetros quadrados. A um grama cada, são DEZOITO QUILOS DE CREME (a aplicar de duas em duas horas se também seguirmos as regras)!

Mesmo descontando as partes não expostas (poucas, como sabemos), convenhamos que é uma bela besuntadela e um excelente negócio para as farmácias e fabricantes. Pode mesmo criar novos postos de trabalho para "carregadores balneários", uma vez que uma família de 4 indivíduos precisará de transportar, para cada duas horas de praia, qualquer coisa como 60 a 80 quilos de cremes. Não imagino com que aspecto ficará uma pessoa depois de aplicar o creme recomendado, mas calculo que não lhe ficaria mal colocar por cima meia dúzia de azeitonas e um raminho de salsa.

Fernando Gomes da Costa (médico)

... E SELECÇÃO NATURAL...


Foi notícia em quase todos os órgãos de informação nacionais que, no passado fim-de-semana, na praia do Magoito, uma pedra de 40 kg caiu, esmagando a perna de um senhor que estava no sítio errado na hora errada.

O caso não seria mais do que um lamentável acidente (não totalmente inesperado para quem, como eu, conhece o sítio), se não se desse o caso de, pouco depois dessa ocorrência, uma equipa de reportagem de TV ter ido ao mesmo local, onde entrevistou pessoas que, segundo declararam com o ar mais natural do mundo, sabiam perfeitamente o perigo que corriam (pois a zona perigosa estava bem assinalada) mas não tencionavam sair dali.

A minha primeira reacção resumiu-se a lamentar a possibilidade de, através dos meus impostos, ter de vir a pagar o transporte e o tratamento de pessoas que agem assim. No entanto, se analisar o assunto em termos de longo prazo, a conclusão já poderá ser optimista:

Sucede que a chamada «selecção natural» (como Darwin tão bem explicou) funciona sempre no sentido da «melhoria das espécies»: as mais fracas (de corpo ou de mente) acabam, a longo prazo, por desaparecer - ou porque são comidas por predadores, ou porque são vítimas de desastres aos quais a sua diminuta inteligência não permite que se furtem.

(C. Medina Ribeiro)

(url)


NOTA SOBRE AS MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS



Ainda há um grupo de contribuições a acrescentar às que já foram publicadas. Em função dos contributos recebidos vou fazer uma pequena alteração na proposta inicial - farei uma lista com cinquenta obras de referência, para cobrir as várias áreas de forma equilibrada, por ordem alfabética, e uma lista mais curta de dez, para as obras-primas da erudição nacional, em função do seu carácter exaustivo, qualidade da investigação e utilidade actual. São bem-vindas todas as sugestões, mas a responsabilidade da lista final será minha.

(url)


COISAS DA SÁBADO: A GULBENKIAN

A Gulbenkian é das poucas presenças do Médio Oriente na nossa vida nacional, embora poucos a vejam assim. Gulbenkian era arménio, ou seja um homem de nenhures – pátria errada, religião errada, lado do mundo errado, péssima geografia, boa história, a combinação para o desastre. A Arménia era cristã em terras do Islão, e olhando-se à volta nos anos do fim do império otomano só se encontra esta geografia errada: gregos ortodoxos há centenas de anos vivendo em comunidades sob a égide do Sultão e depois do “Pai dos Turcos”, curdos entre várias possessões e o martelo de Ataturk, iraquianos sunitas e chiitas, a irem parar aos despojos ingleses do império, enquanto relutantemente sírios e libaneses ficavam franceses pelo mais absurdo argumento histórico: tinham sido “franceses” os “reinos” das Cruzadas. E depois o fogo zoarastriano eterno que escorria da terra, entre lamas e betumes, e de que Gulbenkian tirava os seu proverbiais cinco por cento, e nós o verdadeiro Ministério da Cultura que nunca tivemos.

É por tudo isto que a melhor comemoração do aniversário é a exposição sobre a “arte do livro do Oriente para o Ocidente”, que através dos livros da colecção Gulbenkian nos lembra essa origem e essa história entre dois mundos que se conhecem pouco.

NOTA: Livro veneziano do século XVI, com capa ao estilo oriental.

(url)


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 24 de Julho de 2006



Se vem no Cebolinha, o mundo está perdido de todo. E vem, pela voz do Bloguinho que fala internetês. :)!

*
Msg d Z e M :)

(url)


RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA, PORTUGAL



Obras em curso no Laboratório Chimico da Universidade de Lisboa. O edifício é, agora, parte do Museu de Ciência da mesma Universidade. Está em curso a recuperação e musealização do único laboratório químico do século XIX ainda existente em Portugal e na Europa Ocidental. Na realidade, os grandes laboratórios químicos universitários da Europa foram sendo sucessivamente remodelados e modernizados enquanto o "nosso" parou, a dado momento, no tempo. O atraso científico do País e a falta de investimento torno-o, agora, um espaço único.

(Vasco Teixeira, Museu de Ciência (MCUL))

(url)


EARLY MORNING BLOGS
823 - «Quem muito viu...»

Quem muito viu, sofreu, passou trabalhos,
mágoas, humilhações, tristes surpresas;
e foi traído, e foi roubado, e foi
privado em extremo da justiça justa;

e andou terras e gentes, conheceu
os mundos e submundos; e viveu
dentro de si o amor de ter criado;
quem tudo leu e amou, quem tudo foi -

não sabe nada, nem triunfar lhe cabe
em sorte como a todos os que vivem.
Apenas não viver lhe dava tudo.

Inquieto e franco, altivo e carinhoso,
será sempre sem pátria. E a própria morte,
quando o buscar, há-de encontrá-lo morto.

(Jorge de Sena)

*

Bom dia!

(url)

23.7.06


COISAS DA SÁBADO:
70º ANIVERSÁRIO DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA : DILEMAS

http://www.donquijote.org/culture/spain/history/images/spanish_civil_war_photo.jpg

Uma nova historiografia revisionista entende arrombar portas de há muito abertas, insistindo em que na guerra civil espanhola não havia lado “bom”. O motivo é evidentemente político: ao se igualizar os “lados” e ao se retirar qualquer conotação moral às escolhas dramáticas da época, ajuda-se a igualizar ambos os beligerantes e a justificar quase sempre, o que ganha. Quem precisava desesperadamente desta revisão da história eram os franquistas, não os republicanos, o que também mostra a dificuldade de iludir dilemas que só nos parecem neutros porque já estamos distantes dos eventos.

Há nesta história revisionista um pequeno problema; é que se os dois lados eram maus, não era possível na época deixar de escolher um. Quem, dos muito poucos que achavam na altura que os dois lados eram maus, não o fazia explicitamente, acabava sempre por servir o mais forte que estava geograficamente do seu lado. Unamuno percebeu-o muito bem.

É que a história não dilui a moralidade, nem o dilema das escolhas feitas sob o fio da navalha, mas torna algumas coisas impossíveis a um momento dado. Há coisas que pura e simplesmente não se podem fazer em determinados momentos, sem não as fazendo, escolhermos. Os maniqueísmos não são desejáveis, mas nem sempre são evitáveis. Para alguns homens, provavelmente dos melhores, isso é de uma enorme violência, que nalguns conduziu ao suicídio, físico ou ético, e a muitos a remorsos e culpas que arrastam toda a vida. Mas a verdadeira tragédia da história é que há momentos em que não nos deixa escolhas. É mesmo assim.

*
A propósito da guerra civil de Espanha, já por vezes meditei no que faria eu se lá tivesse estado, sabendo daquela guerra o que sabemos hoje. E não partilho a sua opinião de que há momentos em que não temos escolha entre dois lados maus.
Naquele caso, por exemplo, como em outros semelhantes, há uma escolha de princípio sempre de tentar: sair de lá, se possível antes da guerra começar, o que requer uma grande capacidade de previsão. Era, em grande medida, o que faziam os jovens portugueses que emigravam para escapar à guerra colonial.

A não ser possível essa recusa da escolha, há pelo menos outra possível: a da recusa interior de identificação com a parte em que se for obrigado a estar, e a procura de uma participação reduzida ao máximo ao estrito humanitarismo. Era também, em grande medida, a atitude da maioria dos nossos jovens que iam à guerra colonial, razão importante da falta de empenho do nosso exército naquela guerra.

E, na II Guerra Mundial – aliás como na própria guerra civil espanhola, nas batalhas a norte de Madrid – os italianos do exército regular de Mussolini, nada convictos do ideário de Mussolini, rendiam-se em massa. A História viria a dá-los como cobardes, mas eu fui ensinado a considerá-los muito mais inteligentes que os disciplinados alemães de Hitler, que sempre me foram caracterizados como sendo dos que se atiravam a um poço quando o chefe tal lhes ordenava...

(Pinto de Sá)

*

No seu texto "70º ANIVERSÁRIO DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA : DILEMAS", toca o risco de revisões à posteriori da História, serem transpostas para a época dos acontecimentos.

Hoje em dia sabemos que na Guerra Civil de Espanha não havia o "lado bom". Entendendo o lado bom, como o lado da Democracia e da Liberdade. Franco, tal como a grande maioria dos ditadores de direita, nunca se escondeu debaixo de uma pele de cordeiro. O lado "Republicano" era na realidade um "lobo" tão perigoso quanto o lobo nacionalista, mas usou sempre uma pele de cordeiro. Nem os anarquistas do POUM, nem os comunistas do PCE lutavam para uma sociedade democrática. Apenas lutavam para impor a sua "ditadura", ditadura onde não havia lugar para qualquer outra facção.

Mas há 70 anos atrás, o comunismo e o anarquismo ainda eram umas doutrinas românticas, ainda se acreditava que efectivamente trariam algo de novo. por isso não podemos julgar à luz do conhecimento actual as decisões que foram tomadas há 70 anos atrás. Os estrangeiros que serviram nas brigadas internacionais (sobretudo os de origem ocidental) julgaram sempre estar a lutar no lado "democrático" e de liberdade, por isso não podemos julgar a sua decisão à luz do conhecimento actual.

(Luís Bonifácio)

*

Aos exemplos nacionais que referi acima, de sensata recusa em fazer escolhas
impossíveis, faltou-me acrescentar a rendição de Vassalo e Silva na Índia,
atitude similar à dos italianos que eu referira e que creio merecer o apoio
geral dos portugueses. E, se me permite, gostaria de acrescentar especificamente quanto à Guerra Civil de Espanha:

A definição do lado bom era na altura fácil, com o que (não) se sabia da
História e em pleno apogeu das grandes ilusões ideológicas totalitárias do
século XX.Para uns, era evidente que a desordem popular punha em perigo mortal valores sagrados: a unidade nacional com toda a sua mitologia histórica, a religião
católica (basta ir a Sevilha na Páscoa para perceber o que isso significa em
Espanha), a ordem e a paz sociais.

Para os outros, o golpe militar justificava o fim da conciliação com a apenas
tolerada democracia e o início da revolução, a um tempo genuinamente popular
na violência com que se matavam clérigos, patrões e administradores, e para
outros a oportunidade de estender a revolução russa a um segundo país. Não nos
esqueçamos que a maioria dos combatentes das Brigadas Internacionais não eram
democratas românticos como hemingway, mas sim comunistas organizados pelo
Komintern que em muitos casos estavam fugidos de ditaduras fascistas nos seus
próprios países.

A lutar pela democracia houve muitos poucos, e os que houve, como Azanha,
foram rapidamente marginalizados pelos outros. Em tal cenário, a escolha era fácil, à luz da época, mas quase de certeza
errada. Qualquer que fosse.

Ah, para o leitor Bonifácio: a principal organização anarquista era a FAI e
não o POUM. O POUM era trotskista, e um dos episódios mais vergonhosos da
República foi a liquidação do POUM pelo PCE, em ferozes combates de rua numa
Barcelona com os "nacionales" à porta, e a execução dos dirigentes do POUM á
boa maneira estalinista (levados a maio da noite para nenhures).

(Pinto de Sá)

(url)


PIRATARIAS 4



A pirataria (como é que eu chamo a alguém apropriar-se do trabalho de outrem?) continua. Entre ontem e hoje o falso Abrupto esteve em linha em vez do verdadeiro. A investigação do que se passa continua e já tem alguns frutos.

Como muitas vezes acontece na mesquinhez colectiva, as vítimas são os culpados. Pelos vistos nada aconteceu, nada acontece e se acontece é o acaso a funcionar,. Entre dois mil ou três mil blogues portugueses foi o Abrupto a vítima, certamente porque tem uma culpabilidade "objectiva". Em vez de palavras de preocupação (pode vir a suceder a outros...) e condenação com o que acontece, é o Abrupto que criticam. Por existir, presumo. Eu devia ter-me calado caladinho.

Pouca sorte, meus amigos, enquanto não me explicarem a razão porque foi comigo e que se saiba, não há um surto de ataques do mesmo tipo um pouco por todo o lado (a maioria dos exemplos que me são dados, aliás escassíssimos, ou nada tem a ver com o que se passou, ou foram há muito tempo, ou ocorreram em circunstâncias – roubos de password, ou apagamentos de blogues reclamados por outrém, por exemplo – que não se aplicam ao Abrupto), eu não posso dexar de pensar que o Abrupto foi o alvo deliberado. Devo dizer aliás que há mais racionalidade em pensar assim do que em imaginar que me calhou o azar entre quarenta e cinco milhões de blogues. Muitos dos falsos exemplos que me são dados são aliás um exercício de má fé pura, apenas para enganar quem não vai ler as explicações sobre o que aconteceu. Este afã de dizer que o que aconteceu ao Abrupto é normal, legitima o autor da pirataria, porque alguém a fez, não é verdade? Um qualquer hacker da Tailândia que encontrou uma falha no Blogger e escolheu ao acaso um blogue português, não é do que me querem convencer?

Devo ignorar que numa certa lama da blogosfera, se houvesse um botão miraculoso como a campainha do Mandarim que matasse o chinês na China, já havia há muito uma sinfonia de toques e empurrões para chegar ao botão. Aliás a campainha não parava, tantos eram os candidatos a quererem "matar" o Abrupto. Basta ler alguns blogues, entre a pura má fé, até ao enorme contentamento e festejos pela "morte" anunciada. Não terão muita sorte, mas é uma atitude reveladora do incómodo que a mera existência de um blogue como o Abrupto traz à mediocridade invejosa. O mundo para eles seria muito mais aceitável se tudo fosse medíocre, igual na lama. Compreendo bem, mas sigo a regra de George Bernard Shaw: "Never wrestle with a pig. You get dirty and besides the pig likes it".

(url)

© José Pacheco Pereira
Site Meter [Powered by Blogger]