ABRUPTO

18.10.08


PROGRAMAS DE NOVA IORQUE



No MOMA Van Gogh and the Colors of the Night.

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Real time.

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PROGRAMAS DE NOVA IORQUE



Avanço da mudança de cor das folhas.

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VÍRUS

O "som" de Obama.

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LATE NIGHT BLOGS


1417 - Night Movement—New York

In the night, when the sea-winds take the city in their arms,
And cool the loud streets that kept their dust noon and afternoon;
In the night, when the sea-birds call to the lights of the city,
The lights that cut on the skyline their name of a city;
In the night, when the trains and wagons start from a long way off
For the city where the people ask bread and want letters;
In the night the city lives too—the day is not all.
In the night there are dancers dancing and singers singing,
And the sailors and soldiers look for numbers on doors.
In the night the sea-winds take the city in their arms. 

(Carl Sandburg)

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17.10.08



Real time.

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COISAS DA SÁBADO: RETRATOS DE UM SONHO ORWELLIANO

A crença tecnocrática no gadget explica muita coisa, mas mostra ignorância sobre o modo como as tecnologias mudam as sociedades. Este anúncio da Portugal Telecom é um bom exemplo do pesadelo orwelliano que habita as mentes do nosso Primeiro-ministro e dos que com ele estão a conduzir esta operação. Veja-se aquela escola, aqueles meninos, aquele “mundo” que parece saído de um laboratório biológico de nível 5, em que se manipulam vírus perigosos, ou, pior, de uma prisão de alta segurança. Tudo branco, meninos e escola, só a cor azul, uma cor fria, do “Magalhães” se destaca. Vejam-se mais os materiais da escola da ficção cientifica: fórmica, vidro, aço, alumínio, plástico. Vejam-se aqueles meninos asseados e sem classe social, sem identidade, a que só falta colarem um número, um código-barra, meterem-lhes um chip como aos cães, aqueles meninos sem individualidade. Veja-se o mundo perfeito na sua ordem burocrática, tecnocrática e policial, os computadores no meio das mesas, nem mais à direita, nem mais à esquerda, todos com a tampa aberta no mesmo ângulo. O que é que estará naquele ecrã? Não deve ser nada de interessante visto que nem as crianças que não levantam o braço, olham para lá. E veja-se o que não está lá: o professor em primeiro lugar, que se encontra escondido no ponto de fuga da imagem, para onde aquelas crianças de casting na sua impecável limpeza e brancura nem sequer parecem olhar. Depois não há em cima de uma única mesa nem um papel, nem um lápis, nem um livro, há o “Magalhães”.

Espero bem que nunca haja uma escola do ensino básico assim. Este mundo asséptico é a completa negação do que deve ser o ensino básico, para crianças para quem a cor, a luz, o som, o movimento, são o elemento básico de uma vida que tem que entrar com elas dentro da escola. Neste mundo PT - Sócrates, o elemento essencial do sucesso pedagógico aparece como sendo o computador, quando é o professor, é a capacidade empática do professor a chave de tudo e é essa realidade, mais difícil de dominar e melhorar, que não se alimenta da crença na instantaneidade do saber pelo acesso aos gadgets.

Aquelas crianças têm que aprender a ler em livros e não no ecrã do computador, por razões que qualquer pessoa que saiba da matéria explicará: não se lê da mesma maneira nos dois sítios. Aquelas crianças têm que aprender a escrever com lápis e papel e não no ecrã do computador ou no SMS do telemóvel, por razões que qualquer pessoa que saiba da matéria explicará: não se escreve da mesma maneira nos dois sítios. Pode-se sempre dizer e bem que é em livros e também no ecrã, é em papel e é no processador de texto. Muito bem, só que a ordem porque aprendem e o modo como interligam as diferentes literacias não é irrelevante. Bem pelo contrário, a não ser que se queira fazer um atestado de óbito à leitura literária por exemplo, ou diminuir ainda mais do que já está a riqueza vocabular da língua, com a concomitante perda de capacidade de comunicação, que se queira eliminar a possibilidade de se saberem fazer contas sem máquinas, por aí adiante.

Aquela escola da PT – Sócrates do reclame é para robots, não é para humanos.

*

Este seu post desloca em absoluto o objecto do anúncio. O objecto é os Megas, o sucesso da campanha seria aliás mais retumbante se o Magalhães fosse crismado Megalhões, o resto, meninos, mobiliário, etc., é cenário. É um cenário fraco? Sem dúvida, a penúria de adereços tira qualquer verosimilhança à cena. A direcção de figurantes é péssima? Claro, os miúdos parecem imitar os hindus do Encontros Imediatos do Spielberg quando lhes perguntaram donde veio a sequência pentatónica que entoavam.

Imagine amanhã. Amanhã certamente o anúncio estará melhor, e com redução de custos de produção: Para tal basta retirarem-lhes tão supérfluos figurantes.

(Mário J. Heleno)

*

Como o Dr. Pacheco Pereira certamente sabe, a sua frase 'Aquelas crianças têm que aprender a ler em livros e não no ecrã do computador' será dentro de alguns anos uma frase do género 'Musica só em vinil, quero lá saber de CDs'.. Existirá sempre lugar para o livro em papel, mas a grande aposta é para daqui a alguns anos (até ao final da próxima década) se reduzir largamente o consumo de papel no mundo... Concordo no entanto que o Magalhães não é o melhor exemplo para leitura de livros.. Aconselho-o a ler sobre o 'pai' do Magalhães: o projecto OLPC que esse sim permite a leitura em sitios solarengos, mas o futuro dos livros digitais para crianças passa por projectos como o 'tio' mais novo do Magalhães: o OLPC XO-2 (http://blogs.pcworld.com/staffblog/archives/006986.html). Note-se que o ecrã do XO-2 é tactil, pelo que as crianças podem 'rabiscar' completamente o seu livro (e o dos papás) sem causar danos irreparáveis.

Já este ano na feira de Frankfurt se começa a ver a maré a mudar, com a cada vez maior visibilidade da edição digital para livros. Espero que a Soporcel tenha planos para o médio-longo prazo, porque (finalmente) se começa a aproximar a morte do papel.

(João Ventura)

*

Eu colecciono alguma BD anglófona desde há vários anos. Entre os vários tipos de narrativa que aprecio, gosto daquelas que conseguem integrar um determinado contexto político de forma verosímil. Este tipo de história tem tido vários autores ao longo dos anos, sendo dois dos autores mais famosos Alan Moore (de "V for Vendetta", um dos tais pesadelos orwellianos que passou para filme há poucos anos) e Frank Miller, que tem usado o subtexto político para criar atmosferas opressivas credíveis.

Uma das coisas que tenho notado ao longo dos anos é como certas invenções dessas histórias, como os slogans e anúncios políticos, que foram criados e integrados como paródia dentro do enredo, "saltam" de repente cá para fora. Isto é, tenho vindo a aperceber-me que a realidade começou a contorcer-se em direcção à ficção. O anúncio "PT- Sócrates" seria adequado numa das ficções de Miller ou de Moore de há 20 anos atrás (por falar em Moore, se puder investigue "Watchmen" que é uma história meio distópica, com uma forte carga política, e que vai ser agora estreado em filme).

Gostei de ler a sua análise, mas não sei porquê, não consegui evitar um sorriso rasgado a olhar para o anúncio. Porque é como se fosse "mais real", porque está ali. Porque alguém o fez. Porque coisas como aquela são de facto possíveis...Mas nesta era parecem normais(!) Sim, é tão, tão, tão orwelliano que o mais espantoso é que, se não fosse o JPP a chamar a atenção para aquilo, teria passado despercebido. Normal.

Hoje falei disso ao almoço, sobre o Magalhães. Sobre essa invasão tecnológica em geral. O Magalhães é apenas o último degrau numa progressão que não vem apenas de Sócrates, mas detrás (se bem que o PM tem de facto impulsionado a subida com um entusiasmo inusitado). Mas já há muito tempo que se discutem as máquinas de calcular nas aulas e essas coisas. Especificamente sobre o Magalhães, a pergunta que eu queria fazer, e faço mesmo porque não sei a resposta, é: como e quando é que se vai medir o sucesso do Magalhães nas escolas? Isto é, existe um projecto? Existem critérios de sucesso? É que estamos de facto a colocar nas mãos de crianças da primária algo que pode modificar completamente o seu futuro. Por todas as razões que JPP apresenta no seu artigo. Então e se não funcionar? e se sairem iletrados? E se sairem hiperactivos e com défice de atenção? E se não conseguirem fazer aritmética básica? E se não conseguirem escrever? E se não conseguirem construir texto, resumindo-se a "pastear" artigos da Net para fazer um trabalho? Quem mede? Quem avalia? E como? Não é demasiado perigoso pormos toda uma geração em risco?

Outros pontos para acrescentar:

os professores primários andam a ter que explicar aos pais que não, não é para levar o Magalhães para a escola. "O seu filho não sabe o que é uma letra, para que é que ele precisa do computador?"

E para mostrar algo que já está a acontecer: quando os estudantes do Superior começam a gravar as aulas em áudio e video via telemóvel, o que acontece ao conceito de "aula"? Quando os portáteis que deviam ser usados como auxílio ao exercício são usados para messenger e Net, o que acontece à aula? Quando tudo isto é complementado pelo regime de Bolonha que exige folha de presenças obrigatória - o que significa que o aluno passa duas horas a contar o tempo a passar porque tem de lá estar, mas não era preciso porque alguém grava a aula - o que acontece à "aula"?

Quando nós pensamos "as coisas estão a mudar" já vamos tarde; já mudaram. E nós não vimos.

(PL)

*

Sabe qual o primeiro pensamento que me ocorreu quando vi o dito anúncio? Que a criança em primeiro plano, com o braço erguido e a alegria estampada no rosto, está ansiosa por responder a uma pergunta (convenientemente posta por alguém que não se vê: até pode ser outro magalhães) a cuja resposta ela não chegou pelos seus próprios meios ou conhecimentos, mas que apareceu já pronta a consumir no ecrán do magalhães, que assim obvia a necessidade de pensamento e presta um serviço ao país, diminuindo as taxas de insucesso e aumentando a auto-estima da criança, que a partir de agora terá a garantia de que as suas respostas estarão sempre correctas. Talvez a criatividade do publicitário tenha deslizado demasiado em direcção à verdade...

Gostaria apenas de fazer também um comentário à resposta do seu leitor PL, especialmente ao último parágrafo: ele tem toda a razão quando afirma que a situação que descreve já é o estado das coisas. Mesmo no ensino superior (de cuja existência, para além do nome, já duvido) é impossível manter a disciplina: eu não posso, sob pena de ser repreendido, proibir o uso de telemóveis e portáteis (note que eu não quero utilizar a palavra "aula", porque acho que já não tem referente; desapareceu hà alguns anos); as folhas de presença referidas por PL são utilizadas para dois fins distintos: primeiro, a protecção dos docentes que assim podem, em caso de insucesso maciço (que é frequente, especialmente em disciplinas científicas que ainda não foram completamente dizimadas por Bolonha), podem alegar que os alunos não aparecem; segundo, em alguns sítios (alguns prestigiados), a mera presença (juntamente com uma vaga "participação", onde cabe tudo) assegura três ou quatro valores na nota final, e isto permite descarregar para aí uns 60%, cujas notas estão entre o sete e oito.

Quanto à gravação das aulas, também eu, e outros, já passámos por isso; alguns espíritos bem-intencionados podem pensar que é apenas a utilização dos meios técnológicos para posterior estudo mas, infelizmente, o fim é quase sempre maldoso.

Aliás, nas pessoas mais críticas que ainda ficam por este meio (cada vez menos, porque foi adoptada uma filosofia de gestão que prega o desconforto dos funcionários) cresce cada vez mais a convicção de que a profissão de professor está a ser extinta, e que não durará mais do uma ou duas gerações, se tanto (já não é raro, por exemplo, que os mais jovens nesta profissão nunca tenham lido um livro, literário ou técnico e que manifestem as mesmas dificuldades que os alunos).

(João Soares)

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Real Time.

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16.10.08


EARLY MORNING BLOGS


1416 - Evening: New York

Blue dust of evening over my city,
Over the ocean of roofs and the tall towers
Where the window-lights, myriads and myriads,
Bloom from the walls like climbing flowers.

(Sarah Teasdale)

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15.10.08


VER A NOITE



(ana)

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PROGRAMAS DE NOVA IORQUE


De hoje até Novembro, uma nova exposição de Richard Estes.

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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (76)



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Ex-libris, uma prática caída em desuso de marcação da posse dos livros. O último foi deliberadamente cortado, assinalando a venda ou a mudança de proprietário do livro.

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: OS HOMENS QUE PASSAVAM O INVERNO NA SUA QUINTA (3)

Primeira; segunda parte.


John Adams , o primeiro Vice-Presidente dos EUA e seu segundo Presidente, foi também o primeiro a sentir o síndroma da Vice-Presidência, o que significa que esse sentimento vem com a função. Enquanto Vice-Presidente, lugar ainda indefinido nas suas funções, como aliás todos os outros na jovem república, Adams sentia-se inútil, afastado do centro do poder político, ignorado nas decisões fundamentais, maltratado ao ponto de nem sequer o seu salário ter sido, durante algum tempo, definido. Não sabia como tratar Washington quando o recebia no Senado a que presidia, se por "Sua Majestade" se por "Sua Excelência" ou qualquer outra fórmula. A questão também não era irrelevante e havia quem chamasse a Washington "Sua Majestade", e, no conflito já latente entre "republicanos" e "federalistas", os poderes do Presidente e do seu executivo eram polémicos. Hamilton, o grande construtor da máquina do executivo, era atacado (entre outros por Jefferson) exactamente porque defendia a criação de fortes instituições de governo federal, um banco central por exemplo, que conheciam grande resistência dos estados. As sementes de um conflito de legitimidades que esteve na base da guerra civil americana começaram aqui, com muitos dos argumentos de Jefferson a serem retomados pelos Confederados.

Adams, que parece não marcar nada de glorioso como especialmente seu, no meio de tantos homens excepcionais, acaba por se verificar, à distância do tempo, ter sido fundamental na sua época. Grande diplomata, foi o homem chave na gestão do complicado  triângulo EUA - França - Inglaterra, que não era apenas uma questão de política externa, mas sim de política interna. Hamilton era tido como pró-inglês, Jefferson pró-francês, e com eles muitos dos seus apoiantes, num contexto de um país que iniciou a sua diplomacia com um tratado de defesa mútua com a França, ainda assinado com Luís XVI, e que acabou praticamente em guerra com Napoleão. Quanto aos ingleses, trataram sempre mal a colónia rebelde, atacando navios americanos e prendendo e executando  todos aqueles que consideravam desertores da sua marinha, estendendo o  bloqueio europeu a águas americanas. Quando os EUA se tornaram uma potência continental, com a compra da Luisiana (por Jefferson), e começaram a ter problemas com a Espanha, por via do México e de Cuba, a diplomacia, formada por Adams, ajudou o novo país a estabelecer-se nessa dimensão até ao momento em que a marinha americana começou a surgir do nada,e a tornar-se uma força cujo poder se estendeu até às costas do Norte de África, ainda na Presidência de Jefferson.

Adams escrevia à sua esposa Abigail, para cuja quinta de Quincy (então Braintree no Massachusetts) fugia sempre que podia.  As suas cartas são um relato fascinante de uma amizade intelectual e política, entre dois espíritos poderosos, incluindo a discussão do dia a dia, pessoas, boatos, etc. Abigail era uma conselheira muito respeitada por Adams. (Continua.)

*
Abigail, era de facto uma mulher intelectualmente fascinante, extremamente respeitada por Adams. Em 1776, ainda muito antes do surgimento dos movimentos feministas, numa dessas muitas cartas que os dois trocaram, Abigail, demonstrando uma enorme cumplicidade com Adams, escreve-lhe a pedir que este defenda as mulheres no Congresso:

In the new Code of Laws... I desire you remember the Ladies, and be more generous and favorable to them than your ancestors. Do not push such unlimited power into the hands of the Husbands. Remember all Men would be tyrants if they could. If particular care and attention is not paid to the Ladies we are determined to foment a rebellion, and will not ourselves bound by any laws in which we have no voice, or representation.

(MBC)

*

Os estudiosos da Revolução Americana publicaram um incontável número de livros sobre Thomas Jefferson, James Madison, Alexander Hamilton, Benjamin Franklin, e George Washington. Surpreendentemente, escreveram muito menos sobre John Adams. Este facto é ainda mais curioso, por Adams ter sido muitas vezes visto pelos seus pares, como o mais instruído e penetrante pensador da geração dos “founding fathers”. O seu papel central e determinante na Revolução Americana é amplamente reconhecido por todos eles. Benjamin Rush (outro dos signatários da Declaração de Independência), afirmou que existia entre a geração de 1776 um consenso generalizado de que John Adams possuía muito provavelmente mais conhecimentos, quer dos antigos, quer dos modernos, do que qualquer outro dos homens que subscreveram a Declaração de Independência. Outro seu contemporâneo, afirmou mesmo, que Adams era o homem a quem a o país mais devia pela independência. Esse mesmo contemporâneo referia-se a Adams como um atlas da independência americana.

John Adams presenciou e participou activamente na Revolução Americana desde o princípio até ao fim. Como revolucionário ele será sempre recordado como um dos mais importantes líderes do movimento político radical em Boston e dos que primeiro clamou pela independência no “Continental Congress”. Ainda durante esse período, como intelectual, Adams escreveu alguns dos mais importantes e influentes ensaios, constituições e tratados do período revolucionário. É nesse período, mais concretamente em 1776, que Adams escreveu sobre o modelo constitucional, num ensaio intitulado “Thoughts on Government” que influenciou significativamente pelo menos quatro Estados na concepção da sua constituição e viria mais tarde a ser determinante na “arquitectura” da Constituição americana.

(MBC)

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VÍRUS

Uma recordação de Jorge Peixinho sobre como começou a nossa música: Léonin e Pérotin.

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OUVINDO

Rubinstein a tocar Chopin no ambiente único da Grande Sala do Conservatório de Moscovo.

Horowitz a tocar a Arabesque op. 18  de Schumann no Carnegie Hall, Nova Iorque.

Charles Trenet a cantar Que reste-t-il de nos amours?

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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (75) 

Este Almanach d'Illustrations Modernes é mais um exemplo da excepcional qualidade do trabalho de gravura que enchia os periódicos do século XIX. Estamos em pleno reino da gravura, numa época ainda de infância da fotografia, não só como "retrato" da actualidade mas também como sátira e caricatura. Nesta biblioteca familiar, um dos aspectos mais interessantes é a de ser um bom retrato daquilo que se podia encontrar numa biblioteca de leitor em pleno século XIX, quer as obras eruditas, as edições de luxo, mas também os autores da moda que hoje ninguém lê (muito de Dumas, George Onhet, Xavier de Montepin, Paul de Kock e tantos, tantos outros) , os best sellers que atingiam tiragens e número de edições inimagináveis por comparação com os dias de hoje. E, como funciona como uma cápsula do tempo, inclui jornais, revistas, folhetins, almanaques, vendidos em quiosques, nalguns casos contendo as verdadeiras primeiras edições de Balzac, Zola e muitos outros.


Depois os livros têm vida, a nossa. Este almanaque em que ninguém deve tocar há mais de 100 anos, está cheio, página a página, de folhas e flores secas, um clássico do interior dos livros. Teria sido lido ao ar livre num jardim qualquer? Teria servido de repositório de recordações de uma viagem, de um amor, de um encontro? Estaria nas mãos de uma rapariga, vivendo a condição do seu tempo e sonhando os sonhos do seu tempo? Não sei, sei apenas que dentre as magníficas gravuras, caem estas velhas folhas. Vou colocá-las de novo no seu sítio e guardar este antigo almanaque com ainda maior cuidado. É como se no livro viesse um fantasma amável de alguém já há muito morto e esquecido.


 
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Uma folha do calendário destes meses de Outono e Inverno e notícias da guerra civil americana, com os wide awake a fazer campanha pelo Honest Abe, Lincoln.


*
Os livros têm vida própria e os melhores deixam impressões profundas. Há um ano - a conselho seu, aqui - li «A Vida e o Destino». Este ano, por impulso, li «As Benevolentes». O problema imediato é que ficamos indisponíveis durante meses para muitas leituras menores embora bem interessantes. O efeito a longo prazo é a aprendizagem feita em obras duras, indigestas, superiormente inteligentes da condição humana em circunstâncias excepcionalmente graves. São livros de desassossego extremo esses em que se segue os pensamentos, as emoções e as decisões que levam a um passo numa carreira, um gesto de afirmação, uma determinação dos contornos de uma relação, uma sagacidade maldosa, uma bondade gratuita - sendo o cenário a política na forma última de guerra, e os figurantes a tragédia, as purgas, os combates, os extermínios e o futuro do Mundo, que, para nosso infortúnio no caso, temos a desdita de mais ou menos conhecer. A maneira como os dois autores nos convidam à inteligência enquanto profundamente nos embaraçam nunca terá prémio bastante.


(José Mendonça da Cruz)

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VER A NOITE


Na Madeira (Carlos Oliveira); em Amarante (Helder Barros); no Cais do Sodré (ana).

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EARLY MORNING BLOGS


1415 - Song


I'm going to New York!
(what a lark! what a song!)
where the tough Rocky's eaves
hit the sea. Where th'Acro-
polis is functional, the trains
that run and shout! the books
that have trousers and sleeves!


I'm going to New York!
(quel voyage! jamais plus!)
far from Ypsilanti and Flint!
where Goodman rules the Empire
and the sunlight's eschato-
logy upon the wizard's bridges
and the galleries of print!


I'm going to New York!
(to my friends! mes semblables!)
I suppose I'll walk back West.
But for now I'm gone forever!
the city's hung with flashlights!
the Ferry's unbuttoning its vest!

(Frank O'Hara)

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14.10.08



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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (74)


Imagens da mulher em capas de livros e revistas.

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: OS HOMENS QUE PASSAVAM O INVERNO NA SUA QUINTA (2)

Primeira parte.

O livro de Gore Vidal é um ensaio entre a história e a literatura,  nem um ensaio histórico, nem um texto de ficção nem, no limite, de "creative nonfiction".  Percebe-se bem porquê: Vidal está fascinado pelas suas personagens históricas, aqui como noutros livros que escreveu, e o material que elas oferecem é tão bom que não precisa sequer de criar personagens ficcionais. Gente como Hamilton, Adams, Burr, Jefferson, Washington, Franklin, são melhores personagens do que as da ficção. Em que país e em que tempo seria normal, tanto quanto estas coisas são normais, que um Vice-Presidente dos EUA em funções (Aaron Burr, era Presidente Jefferson) matasse num duelo o antigo Secretário das Finanças, e na prática o verdadeiro governante na presidência de Washington (Vidal chama-lhe o "premier") Alexander Hamilton. Mais ainda se percebe o fascínio de Vidal (e nosso por sua via) quando, anos depois, Burr comentava assim o seu duelo mortal:
"Had I read Sterne more and Voltaire less, I should have known the world was wide enough for Hamilton and me."
No jogo destes tempos e destes homens, todos eles verdadeiros "fundadores", em todos os sentidos, na pena, na acção política, na governação, na revolução e na guerra, Vidal centra-se em Washington e Adams, as personagens que se percebe menos lhe interessam intelectualmente, pouco fala de Jefferson. É  a sombra de Hamilton, o único dos fundadores que não chegou à presidência, o verdadeiro background do livro.

Washington aparece como um mau militar mas um excelente administrador, um homem de modesta inteligência e considerável menos "mundo" que os seus companheiros, pouco interessado em livros. As más línguas diziam que, como era o mais alto e  imponente em qualquer reunião, acabava sempre por ser escolhido para as chefias militares. Mesmo assim, como os generais ingleses eram  muito incompetentes, acabaram derrotados. Os ingleses queixavam-se de que os lavradores americanos e os caçadores habituados ao mato, os predecessores de David Crockett, "não lutavam" fair, ou sejam usavam técnicas de guerrilha e, como diz Vidal, não achavam especialmente bem vestirem-se de vermelho para servirem de alvos à distância.

Washington também personificava as virtudes republicanas, idealizadas em Cincinato (que deu nome a uma cidade americana por força das leituras de Catão destes homens), que tendo todos os poderes na mão, tendo ganho a guerra, não quis proclamar-se rei e regressou às suas propriedades. Washington, sendo sempre descrito num tom menor, acaba por ser uma personagem maior, mesmo contra Vidal. O mesmo se passa com Adams.

(Continua.)

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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (73)

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(Susana)

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EARLY MORNING BLOGS


1414 - Acceptance

When the spent sun throws up its rays on cloud
And goes down burning into the gulf below,
No voice in nature is heard to cry aloud
At what has happened. Birds, at least must know
It is the change to darkness in the sky.
Murmuring something quiet in her breast,
One bird begins to close a faded eye;
Or overtaken too far from his nest,
Hurrying low above the grove, some waif
Swoops just in time to his remembered tree.
At most he thinks or twitters softly, 'Safe!
Now let the night be dark for all of me.
Let the night bee too dark for me to see
Into the future. Let what will be, be.'

(Robert Lee Frost)

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13.10.08


VER A NOITE


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NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE





NESTES DIAS, COISAS RARAS E VARIADAS

Mais notas sobre qual foi o primeiro computador português.


NUNCA É TARDE PARA APRENDER: OS HOMENS QUE PASSAVAM O INVERNO NA SUA QUINTA + comentários.



LENDO VENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 12 de Outubro de 2008 - mais sobre o mau jornalismo nos noticiários das 13 horas da RTP.

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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (72)

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NOVOS DESCOBRIMENTOS: MAU TEMPO



no Polo Sul de Saturno.

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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (71) / GRANDES CAPAS



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© José Pacheco Pereira
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