| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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15.10.08
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: OS HOMENS QUE PASSAVAM O INVERNO NA SUA QUINTA (3)
Primeira; segunda parte. ![]() John Adams , o primeiro Vice-Presidente dos EUA e seu segundo Presidente, foi também o primeiro a sentir o síndroma da Vice-Presidência, o que significa que esse sentimento vem com a função. Enquanto Vice-Presidente, lugar ainda indefinido nas suas funções, como aliás todos os outros na jovem república, Adams sentia-se inútil, afastado do centro do poder político, ignorado nas decisões fundamentais, maltratado ao ponto de nem sequer o seu salário ter sido, durante algum tempo, definido. Não sabia como tratar Washington quando o recebia no Senado a que presidia, se por "Sua Majestade" se por "Sua Excelência" ou qualquer outra fórmula. A questão também não era irrelevante e havia quem chamasse a Washington "Sua Majestade", e, no conflito já latente entre "republicanos" e "federalistas", os poderes do Presidente e do seu executivo eram polémicos. Hamilton, o grande construtor da máquina do executivo, era atacado (entre outros por Jefferson) exactamente porque defendia a criação de fortes instituições de governo federal, um banco central por exemplo, que conheciam grande resistência dos estados. As sementes de um conflito de legitimidades que esteve na base da guerra civil americana começaram aqui, com muitos dos argumentos de Jefferson a serem retomados pelos Confederados. Adams, que parece não marcar nada de glorioso como especialmente seu, no meio de tantos homens excepcionais, acaba por se verificar, à distância do tempo, ter sido fundamental na sua época. Grande diplomata, foi o homem chave na gestão do complicado triângulo EUA - França - Inglaterra, que não era apenas uma questão de política externa, mas sim de política interna. Hamilton era tido como pró-inglês, Jefferson pró-francês, e com eles muitos dos seus apoiantes, num contexto de um país que iniciou a sua diplomacia com um tratado de defesa mútua com a França, ainda assinado com Luís XVI, e que acabou praticamente em guerra com Napoleão. Quanto aos ingleses, trataram sempre mal a colónia rebelde, atacando navios americanos e prendendo e executando todos aqueles que consideravam desertores da sua marinha, estendendo o bloqueio europeu a águas americanas. Quando os EUA se tornaram uma potência continental, com a compra da Luisiana (por Jefferson), e começaram a ter problemas com a Espanha, por via do México e de Cuba, a diplomacia, formada por Adams, ajudou o novo país a estabelecer-se nessa dimensão até ao momento em que a marinha americana começou a surgir do nada,e a tornar-se uma força cujo poder se estendeu até às costas do Norte de África, ainda na Presidência de Jefferson. Adams escrevia à sua esposa Abigail, para cuja quinta de Quincy (então Braintree no Massachusetts) fugia sempre que podia. As suas cartas são um relato fascinante de uma amizade intelectual e política, entre dois espíritos poderosos, incluindo a discussão do dia a dia, pessoas, boatos, etc. Abigail era uma conselheira muito respeitada por Adams. (Continua.) * Abigail, era de facto uma mulher intelectualmente fascinante, extremamente respeitada por Adams. Em 1776, ainda muito antes do surgimento dos movimentos feministas, numa dessas muitas cartas que os dois trocaram, Abigail, demonstrando uma enorme cumplicidade com Adams, escreve-lhe a pedir que este defenda as mulheres no Congresso: (url)
© José Pacheco Pereira
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