ABRUPTO |
![]() semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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28.2.07
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18:38
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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MONTAIGNE E OS JORNAIS DO FUTURO ![]() (Rita Marquilhas) Feu mon pere, homme, pour n'estre aydé que de l'experience et du naturel, d'un jugement bien net, m'a dict autrefois qu'il avoit desiré mettre en train qu'il y eust és villes certain lieu designé, auquel ceux qui auroient besoin de quelque chose, se peussent rendre et faire enregistrer leur affaire à un officier estably pour cet effect, comme: Je cherche à vendre des perles, je cherche des perles à vendre. Tel veut compagnie pour aller à Paris; tel s'enquiert d'un serviteur de telle qualité; tel d'un maistre: tel demande un ouvrier; qui cecy, [Image 0094v Fonte: * Para mim Montaigne, (a avenida de seu nome em Paris é uma das minhas favoritas: hotel, teatro, bar e moda que mais pode pedir um homem!?) tanto pede umas páginas amarelas como pede um mercado onde se pode comprar e vender: uma bolsa de produtos e serviços - uma bolsa de produtos agricolas é algo que faz muita falta cá em Portugal! O que Montaigne não diz é como tal coisa deve ser feita, eu arrisco a dizer que ele se estava nas tintas para isso, mas calculo que ele também desejaria a melhor tecnologia disponivel. (url) ![]()
11:35
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Bokrea numa livraria Wettergrens, há uma hora. A fila para pagar era comprida, terei de lá voltar. (Madalena Ferreira Åhman) (url) ![]()
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SOFTWARE QUE SE PORTA MAL ![]() ![]() (url) ![]()
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EARLY MORNING BLOGS ![]() 978 - Air has no Residence, no Neighbor Air has no Residence, no Neighbor, No Ear, no Door, No Apprehension of Another Oh, Happy Air! Ethereal Guest at e’en an Outcast’s Pillow— Essential Host, in Life’s faint, wailing Inn, Later than Light thy Consciousness accost me Till it depart, persuading Mine— (Emily Dickinson) * Bom dia! (url) 26.2.07
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09:52
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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "BOKREA" ![]() Encontra-se de tudo: ficção e não-ficção, literatura infantil e juvenil, livros de bolso e “coffee table books”, enciclopédias, guias de viagem e mapas. A maior parte é, evidentemente, em sueco, mas há também bastantes livros em inglês (e em menor escala noutras línguas). Há edições especiais para os saldos de alguns autores mais antigos (obras que já estão no domínio público e não estão assim sujeitas a pagamento de direitos). O interesse costuma ser enorme. Com umas semanas de antecedência, as grandes livrarias publicam e distribuem catálogos dos livros que vão saldar, para que os leitores possam comparar os preços e fazer as suas listas. Os jornais e os blogues publicam críticas dos livros apresentados nos catálogos e sugerem as “boas compras”. Embora os saldos comecem “oficialmente” amanhã, muitas livrarias abrem as portas já esta noite, à meia-noite, aos bibliófilos mais entusiastas (ou mais noctívagos) que se vão acotovelar entre toneladas de "papéis pintados com tinta". Vou esperar pela relativa acalmia de quinta ou sexta-feira, e este ano vou levar um daqueles sacos de compras com rodas, porque já sei que vou acabar por comprar mais do que pensava... (Madalena Ferreira Åhman) (url) ![]()
09:43
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COISAS DA SÁBADO: LINHA DO TUA ![]() Mas, não tenhamos ilusões, a sua beleza selvagem só tem uma explicação, a de não ter havido até agora nenhum negócio rapace que tornasse o vale numa selva de empreendimentos e as cumedas em enxames de eólicas. É natural que este seja o desejo dos locais, que precisam de emprego, negócio, comércio e riqueza e que, como, uma vez, me disse um velho de um desses locais pristinos, “não percebo porque gosta disto, são só montes, estamos fartos de só ver montes, que interesse têm?”. A verdade é que se for assim, nem o pouco que têm em potência vai sobrar em acto. Gastar-se-á em meia dúzia de anos. .Porque o nosso problema é que passamos sempre do oito para o oitenta, do nada miserável do atraso, para o novo riquismo da combinação construção-turismo barato subsidiado-obras públicas. E no meio do caminho da sua vida, como Dante à entrada do Inferno, lá continuará o vale do Tua, com a sua linha de “metro” que transporta meia dúzia de pessoas ao dia, de lado nenhum para lado nenhum, num sítio tão remoto e deserdado de tudo menos da beleza, que nem um responsável dos comboios achou necessário ir lá para honrar os seus mortos, os mortos da empresa que “gere”. Retirado o último morto das águas, o silêncio voltará, se calhar também já sem o “metro” de Mirandela. * O seu post s/ o Tua e o Douro fez-me lembrar a velha anedota s/ a diferença entre o inferno p/ turistas e o inferno p/ residentes. O campo, a montanha, os vales, etc. são muito bonitos p/ quem não tem que tirar deles o seu sustento e está farto da correria (para ganhar o pão) da cidade. Para quem lá vive todos os dias (“viver todos os dias cansa”), tem que de lá tirar o seu sustento (muitas vezes c/ trabalhos fisicamente duros e de resultados muito dependentes das condições climatéricas), tem muito pouco p/ ver ou fazer ao nível do lazer / cultura / consumo (onde estão cinemas, teatros, livrarias, cafés- concerto, etc, etc.? e até os centros comerciais? Não sei se ainda há mas nos idos de 80/90 havia excursões da província p/ visitar os grandes centros comerciais) e difícil acesso a alguns serviços básicos (saúde, educação, (url) ![]() (url) ![]()
09:19
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EARLY MORNING BLOGS ![]() 977 - Driving to Town Late to Mail a Letter It is a cold and snowy night. The main street is deserted. The only things moving are swirls of snow. As I lift the mailbox door, I feel its cold iron. There is a privacy I love in this snowy night. Driving around, I will waste more time. (Robert Bly) * Bom dia! (url) 25.2.07
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EARLY MORNING BLOGS
![]() 976 - L' Homme et la Mer Homme libre, toujours tu chériras la mer ! La mer est ton miroir, tu contemples ton âme Dans le déroulement infini de sa lame, Et ton esprit n'est pas un gouffre moins amer. Tu te plais à plonger au sein de ton image ; Tu l'embrasses des yeux et des bras, et ton coeur Se distrait quelquefois de sa propre rumeur, Au bruit de cette plainte indomptable et sauvage. Vous êtes tous les deux ténébreux et discrets : Homme, nul n'a sondé le fond de tes abîmes ; O mer, nul ne connaît tes richesses intimes, Tant vous êtes jaloux de garder vos secrets ! Et cependant voilà des siècles innombrables Que vous vous combattez sans pitié, ni remords, Tellement vous aimez le carnage et la mort, O lutteurs éternels, ô frères implacables ! (Charles Baudelaire) * Bom dia! (url) ![]()
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PENSAR OS JORNAIS - 2 (Devido à sua extensão o artigo não pode ser publicado integralmente no jornal. As partes em vermelho foram cortadas e são aqui repostas.)1. O exercício que se fará a seguir é o de pensar num jornal ideal a partir do que é um jornal de hoje e das possibilidades tecnológicas que o podem moldar num período de cerca de uma década. Esse jornal do próximo futuro será reconhecível como um jornal, da mesma maneira que a Gazeta de Lisboa pode ser reconhecida ainda nos dias de hoje como um jornal. Não estou a falar de qualquer coisa exótica, nem sequer revolucionária, mas de um jornal, mantendo o núcleo de identidade de um órgão diário (ou semanário) assente no acto de ler, pelo qual se obtém informações, notícias, análises, comentários, críticas sobre a realidade do mundo à nossa volta. Dentro desta definição, muita coisa pode mudar, a ênfase pode ser colocada no político, no cultural, no social, o texto pode ser factual ou de creative non-fiction, privilegiar histórias ou estórias, ter mais ou menos opinião, dirigir-se a públicos eruditos ou populares, ter causas ou não ter, etc., etc., mas todas estas modalidades cabem numa concepção comum de jornalismo. ![]() Uma experiência deste tipo, ainda muito rudimentar, é a do jornal de negócios belga De Tijd usando um leitor chamado iLiad, tecnologia da Philips. Sobre e-paper ver E-paper et encre électronique : les habitudes de lecture commencent à changer.3. Um jornal deste tipo não é apenas um ecrã portátil, mas uma folha de papel electrónico com a qual se poderá fazer o mesmo que se faz hoje com o papel, menos deitá-lo fora no fim, ou usá-lo para embrulhar peixe, porque fica caro. Há apenas uma razão, para além do custo actual, para o papel electrónico não ter ainda substituído o papel: ainda há limitações técnicas na sua funcionalidade para se adaptar em pleno ao principal factor limitador das tecnologias, o corpo humano e os seus hábitos. Há certas coisas que não fazemos, ou que não é confortável fazer com os ecrãs actuais de computador e, enquanto não existir papel electrónico capaz e barato, a mutação do papel para o ecrã plástico não se fará. Quando houver, a mutação será muito rápida e o papel de impressão ficará um nicho de mercado de luxo como os relógios analógicos. ![]() O seu grafismo mudará, a partir do modelo clássico do jornal, mas incorporará o grafismo dos sítios em rede, como aliás já acontece com o grafismo da rede a influenciar o grafismo dos livros, jornais e revistas e publicidade. Posso partir do princípio de que esse jornal terá o mesmo tamanho do Público e do Diário de Notícias, cujas qualidades ergonómicas permitem que se possa ler nos mesmos sítios onde hoje se lê um jornal, no carro, na cama, numa cadeira, num autocarro. E que se possa levar debaixo do braço ou numa pasta. 5. Até aqui, o papel electrónico foi mais papel de plástico do que electrónico, mas a verdadeira revolução dos jornais virá do electrónico, ou seja, do conteúdo em linha e do hipertexto. Começa logo no facto de todas as vantagens do ecrã e da ligação em linha estarem presentes, tornando o papel vivo: os que lêem mal podem alterar o tipo de letra, os cegos podem ouvir o jornal, e nesse jornal não se lerá apenas, pode-se ouvir sons e ver filmes, pode-se procurar palavras-chave, ler artigos para que remete uma bibliografia, seguir ligações em linha na rede. O hipertexto acelera a integração de todos os fluxos digitais, numa só estrutura de "leitura". O papel vivo pode ser lido por contacto na página, como no iPhone, ou nos ecrãs sensíveis e por isso, desde a simples função de folhear as páginas, até ao acesso aos arquivos, à sequência de notícias, a canais em directo de televisão, tudo se poderá fazer a partir de uma estrutura que será essencialmente voltada para informar, analisar, debater, como é suposto serem os jornais. Todos os actos simples que se fazem com um jornal, preencher as palavras cruzadas, responder a um anúncio, escrever uma carta à redacção, marcar um artigo e recortá-lo, deitar fora um suplemento que não se deseja, estão presentes. 6. Este jornal ideal acabará com a distinção entre o jornal em papel e o jornal em linha, mas essa mudança não se fará apenas pela hegemonia do jornal em linha, mas pela valorização de um contínuo que incorpora o mecanismo fundamental que os distingue: o hipertexto. O que está a gerar a crise do jornal de papel é a sua impossibilidade de incorporar hipertexto, ou seja, de comunicar com todos os outros fluxos de informação que um jornal em linha pode utilizar: som, vídeo, arquivo, leitura em volume típica do hipertexto propriamente dito, tempo real. Um exemplo: um artigo sobre a actual campanha do aborto nesse jornal do futuro conterá a notícia da novidade que foi a utilização utilização dos vídeos no YouTube e conterá os vídeos de Marcelo Rebelo de Sousa e do Gato Fedorento. O leitor poderá ler sobre eles e ter de imediato disponível toda a informação em que se baseia o jornalista. Quando, ao lado, estiver um artigo de crítica ou um comentário, quem o escreve terá que o fazer com muito mais rigor e precisão, com valor acrescentado, porque o leitor que o lê dispõe da mesma informação em bruto que tem o jornalista ou o crítico. No final, os textos, as análises, as fontes, os números, as opiniões, fornecem o tipo-ideal da informação: matéria prima noticiosa, mediação e opinião plural. Isto hoje só é possível num orgão de informação com o hipertexto. O próprio conceito clássico do artigo mudará com o hipertexto. Embora este "texto" de Lawrence Lessig não seja um artigo no sentido clássico do termo, funciona como se fosse um artigo de opinião: expõe uma posição usando mecanismos que estão entre o texto, o filme, a conferência, a imagem como reforço da palavra, etc. O jornal do futuro terá artigos clássicos, e artigos deste tipo. ![]() 8. Há também algo que tem que mudar, mas também já se percebe de modo grosseiro como tal possa acontecer: o modelo económico dos jornais, quem paga os jornais e como, para estes sobreviverem como empresas que são. Deixo de lado o facto de a edição em papel ser por si só muito cara e para, uma outra ocasião, as mudanças na produção jornalística que a “vida” do papel electrónico trará a redacções e aos jornais como organização. A aparição de produtoras de textos, reportagens, análises, de material para os jornais, será uma consequência da desadaptação de redacções muito grandes, pouco flexíveis e muito caras ao modelo do jornal do futuro. Como já existe para o audiovisual, haverá um novo mercado de “textos” (e de imagens, vídeos, sons, etc.) dando uma outra dimensão ao jornalismo freelancer e será um caminho que pode mudar o tamanho gigantesco que atingiram as redacções, com os enormes custos associados. Um artigo do New York Times sobre o problema do "pay-per-view" a partir da situação do próprio jornal em que "the number of people who read the paper online now surpasses the number who buy the print edition." Esta mudança nos pagamentos, reflectir-se-á a prazo na publicidade e dependerá, como nas bancas, em última razão, das “vendas”, das “audiências” e dos públicos especializados. Na rede é possível fazer uma diferenciação de públicos muito mais certeira do que no jornal em papel e as formas de publicidade, que muito embrionariamente estão a surgir à volta do Google, mostram caminhos novos. 9. Será por aqui que os jornais irão e, se quiserem sobreviver, deverão pensar-se desde já no modelo do futuro mais próximo, para onde já estão, sem se aperceberem, a migrar. É por aqui que eu parto para analisar o presente, porque, utilizando-se este método de aproximação, verifica-se que muita coisa que se pode fazer desde já não está a ser feita. Ou seja, se eu tivesse de analisar como se devem mudar os jornais actuais, em particular os que pretendem manter o estatuto "de referência", eu pensava-os essencialmente a partir da pergunta: o que é que eu posso fazer desde já na combinação jornal de papel com versão em linha, para os fundir cada vez mais, aproveitando as vantagens de cada um dos meios e tentando minimizar as desvantagens que existem em cada um deles. Uma coisa eu não faria de certeza: era pensar os jornais em papel para "competir" com os meios electrónicos, jornais em linha, sítios e blogues, pela simples razão de que essa competição está perdida a prazo. Eles têm hipertexto, o papel não tem. Ponto final, por aí não há competição.(No artigo seguinte farei a aplicação deste modelo: como é que desde já os jornais em papel - em complemento com a versão em linha, que quase todos têm - podem evoluir para maximizar tudo o que os aproxima deste jornal do futuro. É muito mais do que se pensa, e mudará profundamente a organização, métodos de trabalho, preparação, o "tempo e o modo" dos jornalistas. Mas continuará a ser jornalismo.) (A partir da versão do Público de 24 de Fevereiro de 2007) * 1. Parece evidente que o futuro da imprensa escrita passará, inevitavelmente, pelas soluções electrónicas emergentes; Etiquetas: comunicação social, jornalismo (url) 24.2.07
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06:10
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EARLY MORNING BLOGS
![]() 975 - A Clear Midnight This is thy hour O Soul, thy free flight into the wordless, Away from books, away from art, the day erased, the lesson done, Thee fully forth emerging, silent, gazing, pondering the themes thou lovest best, Night, sleep, death and the stars. (Walt Whitman) * Bom dia! (url) 23.2.07
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10:12
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Angra do Heroísmo . Vista a partir do monumento da Memória. (R. Castro) Ponta de Sagres. (Carlos Cunha) Mount S. Odile (Heloísa P. Silva) Castelo e ruínas da vila intra-muros de Montemor-o-Novo.(A.C. Silva) (url) ![]()
09:50
(JPP)
Alcabideque, concelho de Condeixa-a-Nova, Coimbra. (André Guerra) Dôme de Puy Sallié (3421m), Les Deux Alpes, França. (José Paulo Andrade) Cova do Vapor. (Carlos Monteiro) Penacova (perto de Coimbra), numa manhã invulgarmente límpida já que, por esta altura, em 95% dos dias, o nevoeiro do Mondego toma conta do vale e do morro da vila. (António Luís) (url) ![]()
09:43
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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VISTO DO LADO DE LÁ ![]() Escrever-lhe sobre o que penso... Não sei se concorda, mas é uma construção feita aqui do norte, por um professor, com um filho, com um empréstimo (um apenas) que gosta do que faz e que acredita que o que faz é realmente importante. Hoje discute-se qual o papel do estado nuns e outros jornais, por este ou aquele comentador. Está na moda pensar e repensar a função pública, a função do estado. São tempos de crise institucional. Ninguém sabe para que serve um estado, sobretudo quando serve mal. É geralmente aceite a ideia de que os serviços que o estado presta são maus e caros e portanto dispendiosos e ineficientes. As correntes mais em voga ditam um estado regulador e mínimo relegando para o sector privado todos os serviços que face a uma concorrência sempre à espreita se tornará eficiente e eficaz. São tempos em que o que é privado é tido como melhor que a coisa pública. Do estado diz-se que é pesado e torna-se por isso necessário agilizar, reduzir e emagrecer o "Monstro". Visto de fora Sócrates é um homem empenhado em reformar e tornar o país melhor preparado para o futuro. Para quem trabalha para o estado é um pesadelo, um mostrengo. É que os funcionários públicos além da má fama têm o pior dos patrões. É um patrão sem cara, irresponsável que ao longo dos anos foi tomando medidas que hoje dizem terem sido erradas mesmo absurdas. Hoje quem está a pagar as imbecilidades com que muitos dos pavões que migraram para terras mais temperadas é o funcionário público. Este patrão além de inconsequente faz as regras do jogo ao contrário dos outros. E Sócrates muda as regras do jogo a toda a hora e a meio do jogo. Altera cursos superiores retirando-lhes um estágio real e trocando-o por uma prática supervisionada sem quaisquer responsabilidades frustrando as expectativas de quem 4 anos antes se inscreveu no curso; altera regras da segurança social 5 anos depois (se não me engano) de ter afirmado que a reforma estava feita tornando as regras demasiados flexíveis e oferecendo um futuro incerto a quem dela dependerá; a carreira dos professores e funcionários públicos foram alteradas frustrando e violando o acordo estabelecido à data da entrada de cada funcionário para o estado; usa legislação aprovada pela direita e que chegou a criticar para agora deslocar e colocar no corredor dos despedimentos uns não sei quantos funcionários públicos; altera a lei das finanças locais a meio e bruscamente sem o respeito pelos compromissos assumidos pelos autarcas que foram eleitos numas condições e agora têm de governar noutras. O estado não se comporta como pessoa de bem, de palavra. Um governo assim "reformista" está a calcinar o estado tal como o conhecemos. E isto não foi objecto do programa eleitoral do PS. As reformas são demasiados profundas e o que o PS pensava do papel do estado antes das eleições era bem diferente do que hoje realiza sob uma capa de um pragmatismo reformista. Governar de forma déspota é fácil mas não gera confiança. A confiança é necessária para gerar mudança e semear o futuro. A única ilusão que Sócrates sabiamente vende é a de que está a trabalhar. Sócrates está enganado e posso afirma-lo com a mesma convicção com que Guterres disse adeus ao lamaçal e com a mesma obstinação com que Cavaco se deixou governar, no seu segundo mandato, pelo Monstro. Acredito que Sócrates pense que se livra do Monstro antes que ele lhe caia em cima. É isso que o leva a quebrar todos os vínculos que o estado assumiu perante os portugueses durante e ao longo de anos (na saúde, educação, justiça, segurança social, etc.). Mas está enganado, pois o estado somos todos nós, é o país que está a falhar com todos. As orientações espirituais vêm de Bruxelas e o governo trabalhador lá vai no bom caminho ainda à dias recebeu boa nota e mais umas orientações para os próximos tempos: a flexigurança. É um termo giro e ajuda ao marketing. Nós por cá sempre tivemos um fraquinho por estrangeirismos e nunca tivemos nem um pingo de vergonha, nem um horizonte que o diga Gil Vicente e Eça. Isto tudo para dizer que o principal papel do estado, para mim, é a capacidade de gerar confiança, segurança e estabilidade. Com Sócrates apenas vislumbro o último, o mais perigoso. (Carlos Brás) * Sabe-se que o nosso Estado-Providência é incipiente de algum modo porque nasceu já no fim dos "trinta gloriosos" quando se dá uma inversão das condições que levam a questionar a sua própria viabilidade nos moldes em que tinha sido pensado no pós-guerra. Reconheço a diversidade de qualidade e empenhamento dos "funcionários públicos" que, por isso, devem ter uma avaliação externa. Mas há outra coisa: a defesa incondicional dos "direitos adquiridos do funcionário público" reproduz uma sociedade pervertida em que é a própria administração pública que "faz as vezes" do "Estado-Providência". Para além de perverso, isto é profundamente injusto para aqueles que, por opção ou por falta dela, não são funcionários públicos. É que não ser funcionário público, por estranho que pareça, pode ser uma opção deliberada das pessoas que ambicionam construir de forma mais autónoma o seu próprio percurso profissional. (url) ![]()
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EARLY MORNING BLOGS ![]() 974 - Sonnet from a letter to Bernard Barton Who first invented work, and bound the free
And holyday-rejoicing spirit down To the ever-haunting importunity Of business in the green fields, and the town-- To plough, loom, anvil, spade--and oh! most sad To that dry drudgery at the desk's dead wood? Who but the Being unblest, alien from good, Sabbathless Satan! he who his unglad Task ever plies 'mid rotatory burnings, That round and round incalculably reel-- For wrath divine hath made him like a wheel-- In that red realm from which are no returnings: Where toiling, and turmoiling, ever and aye He, and his thoughts, keep pensive working-day. (Charles Lamb) * Bom dia! (url) 22.2.07
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15:20
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![]() VENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 22 de Fevereiro de 2007 ![]() (url) ![]()
08:49
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EARLY MORNING BLOGS ![]() 973 - Non es mentitus hominibus, sed Deo ![]() O que disse foi: Non es mentitus hominibus, sed Deo:« sabe, Ananias, que no que encobriste não mentiste aos homens, senão a Deus.» Vede se se tratava como Deus quem assim falava.. O que fez foi ainda mais divino, mais admirável: e de maior terror. «Ouvindo aquelas palavras, caiu morto Ananias aos pés de Pedro»: Audiens autem hæc Ananias, expiravit. Descrevendo Isaías a justiça de Cristo, diz que só com o espírito de sua boca matará o impio: Et spiritu labiorum suorum interficiet impium. E nisto mostrou o Profeta que o mesmo que havia de ser o Redentor, era o Deus que tinha sido o Criador. O modo com que Deus, quando criou o primeiro homem, lhe deu vida, foi inspirar-lhe no rosto com o espírito de sua boca: Inspiravit in faciem ejus spiraculum vitæ , et factus est homo in animam viventem. Pois assim como só com o espírito de sua boca deu a primeira vida, assim com o mesmo espírito, sem outro instrumento, diz Isaías que Cristo dará a morte ao ímpio. Isto é, nem mais nem menos, o que fez S. Pedro. Nem mandou matar a Ananias, nem lhe disse que morresse, e só com lhe tocar nos ouvidos o espírito de sua boca, caiu morto. (Padre António Vieira) * Bom dia! (url) 21.2.07
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19:34
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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: UMA ESPÉCIE DE FIM ![]() David Nicolle, Acre 1291: Bloody Sunset of the Crusader States, Oxford, Osprey, 2005 Cento e cinquenta anos antes, parece um déja vu ao contrário: a queda de Acre, parece a queda de Bizâncio. O mesmo isolamento no meio de terras hostis, a mesma progressiva incapacidade de perceber o que estava a acontecer, seguida de um desesperado apelo aos outros cristãos, recebido com indiferença, protelamentos e intrigas de corte e poder, a mesma resistência final desesperada e solitária. E, depois do desastre, o mesmo choque na Europa cristã pelo que aconteceu, no caso de Acre, o verdadeiro toque de finados da aventura cristã das cruzadas e dos reinos latinos no Levante. (url) 20.2.07
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![]() VENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 20 de Fevereiro de 2007 ![]() * ![]() Resulta tanto mais quanto acaba por ser revelador: as palavras (tags) que definem Sócrates acabam por mostrar o mecanismo de construção da personagem feita a partir dos depoimentos citados no artigo, Encaixa tudo demasiado bem, só destoa o "dissimulado". Para não ser tudo muito hagiográfico, seria interessante saber, no plano da política, o que é que "dissimula" o "dissimulado". (url) ![]() (url) ![]()
10:02
(JPP)
EARLY MORNING BLOGS ![]() 972 - The Tale of Two Bad Mice ![]() It belonged to two Dolls called Lucinda and Jane; at least it belonged to Lucinda, but she never ordered meals. Jane was the Cook; but she never did any cooking, because the dinner had been bought ready-made, in a box full of shavings. There were two red lobsters and a ham, a fish, a pudding, and some pears and oranges. They would not come off the plates, but they were extremely beautiful. One morning Lucinda and Jane had gone out for a drive in the doll's perambulator. There was no one in the nursery, and it was very quiet. Presently there was a little scuffling, scratching noise in a corner near the fireplace, where there was a hole under the skirting-board. Tom Thumb put out his head for a moment, and then popped it in again. Tom Thumb was a mouse. A minute afterwards, Hunca Munca, his wife, put her head out, too; and when she saw that there was no one in the nursery, she ventured out on the oilcloth under the coal-box. The doll's-house stood at the other side of the fire-place. Tom Thumb and Hunca Munca went cautiously across the hearthrug. They pushed the front door--it was not fast. Tom Thumb and Hunca Munca went upstairs and peeped into the dining-room. Then they squeaked with joy! Such a lovely dinner was laid out upon the table! There were tin spoons, and lead knives and forks, and two dolly-chairs--all SO convenient! (Beatrix Potter) * Bom dia! (url) 19.2.07
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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A MEMÓRIA DE BIN LADEN ![]() Oxford, Osprey, 2006 Os comunicados da Al Qaida utilizam correntemente a expressão "os cruzados" para designar os europeus e os americanos. Como nós já esquecemos a nossa história, eles lembram-nos à bomba. Sim, de facto, na origem da Europa. tal como a conhecemos, também estão as cruzadas, mostrando a antiquíssima relação que temos com essa parte do mundo a que chamávamos o Levante. É uma relação que continua, porque, a uma certa luz, o estado de Israel, produto do sionismo, uma ideia europeia, não deixa de ter uma continuidade com séculos de conflito em que o judaismo e o cristianismo defrontam o Islão. Verdade seja que não é só um conflito religioso, é também um conflito geopolítico, porque o Levante é a primeira linha de qualquer projecção do poder europeu. E não é um conflito entre "nós" e "eles", porque desde as próprias cruzadas que as potências europeias também ali se digladiam entre si, nalguns casos com estranhas alianças que incluiam muçulmanos contra muçulmanos. A terceira cruzada foi um exemplo típico, de um xadrez complexo que envolvia desde os bizantinos, aos reis e nobres do Sacro Império, aos Angevinos (os Plantagenetas ingleses), aos francos, aos monarcas dos reinos criados pelas cruzadas, e aos cavaleiros das ordens religiosas. A capa deste pequeno livro da série das "campanhas" da colecção de história militar da Osprey retrata aliás o momento em que partidários do Ricardo Coeur de Lion derrubam a bandeira do Duque Leopoldo da Aústria que achavam não ter o direito de ser hasteada em Acre. E depois há Saladino, o herói do Islão, que era de ascendência curda e que tinha tal fama que Dante o colocou no Limbo, entre os grandes homens não cristãos, e que domina não só a resistência às cruzadas como a ofensiva que alterará de forma decisiva a relação de forças e acabará, a prazo, com a presença europeia no Levante até à queda do império otomano. (url)
© José Pacheco Pereira
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