ABRUPTO

21.7.06


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: XANADU EM TITÃ

Screenshot from the 'Titan's Geological Goldmine - Radar movie'

In Xanadu did Kubla Khan
A stately pleasure-dome decree :
Where Alph, the sacred river, ran
Through caverns measureless to man
Down to a sunless sea.

Um filme com faces familiares.

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HOJE, CORES DE UM CERTO FIM DA TARDE


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INTENDÊNCIA

Em actualização os ESTUDOS SOBRE COMUNISMO .

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES. O PÃNICO DO DIA



Mote do dia na área do alarmismo pacóvio: “O Paracetamol destrói o fígado” (diversos jornais on-line, rádios e logo à noite, provavelmente, na RTP e SIC e de certeza na TVI.

Diz, por exemplo, o “Portugal Diário” que “O medicamento mais vendido sem receita médica provocou, nos últimos três anos, meia centena de reacções adversas em Portugal, segundo o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), e foi recentemente associado à destruição do fígado, mesmo quando tomado em doses recomendadas…Para o estudo foram utilizados 106 participantes, divididos por três grupos: dois tomaram diariamente quatro gramas de paracetamol ao longo de duas semanas, e o terceiro tomou apenas placebo…Entre quem tomou o «remédio falso» não houve problemas de fígado, mas cerca de 40 por cento dos restantes participantes revelaram indícios de danificação daquele órgão.

PRIMEIRO: 4 gramas de paracetamol são OITO "Ben-u-rons" por dia. Vezes duas semanas dá a módica quantia de 112 comprimidos. O facto de só haver "indícios" de lesão hepática (algo muito subjectivo de analisar em termos médicos, uma vez que existem muitas outras coisas, a começar pelo álcool e gorduras que o podem fazer) é antes de mais uma mostra da inocuidade do produto. Do mesmo modo, 50 reacções adversas em Portugal (que muitas vezes são uma simples urticária e nenhuma grave foi comunicada à classe médica) em 3 anos, sendo que em cada dia são prescritas embalagens na ordem dos milhares (fora as adquiridas sem receita), mostra que as probabilidades de haver problemas são bem menores que as de ser, por exemplo, atropelado por um jornalista.

SEGUNDO: nas recomendações de uso deste medicamento SEMPRE constaram avisos sobre os cuidados a ter em caso de toma prolongada ou em altas doses, sobretudo em relação ao fígado e rins. Não se percebe bem o porquê desta notícia ou "estudo" sobre uma coisa que não é novidade nenhuma, mas que pode ser alguma preparação para um novo produto a chegar ao mercado...

TERCEIRO: todos sabemos da papalvice e gosto pelo alarmismo de muito jornalista e da generalidade do público português. Fica então a sugestão: TODOS os medicamentos têm normas de utilização, taxas de efeitos secundários e contra-indicações, como poderá ser facilmente constatado, por exemplo, no Prontuário Terapêutico. Fazendo contas aos milhares de medicamentos comercializados, já viram o manancial de notícias assustadoras não devidamente aproveitadas? Vá lá senhores jornalistas: aproveitem a silly season, para lançarem uns belos pânicos. Já agora: se levarem os vossos filhos à consulta, cheios de febre, preferem que lhes dêem chazinhos?

Fernando Gomes da Costa (médico)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES; O EDUQUÊS EM AVALIAÇÃO



Muito se tem falado de processos de avaliação, centrada a discussão no teste de Física da primeira fase. Não posso deixar de verificar escandalizada o seguinte, que diz respeito à maioria dos testes do Secundário que pelos quais se tem avaliado os nossos alunos :

1- As questões são de tal maneira sui generis, enviesadas e distantes do programa e da realidade escolar (atenção, meus senhores, o país vai de Trás-os-Montes ao Algarve), que ter investido ou não em estudo não é relevante;

2- Numa reforma que pela primeira vez é testada, não foram enviadas provas- referência;

3-O exame de 11º de Biologia e Geologia, por exemplo, para além da formulação imprecisa de perguntas, tem aspectos absolutamente mirabolantes:
a) depois do investimento,por parte das escolas e colégios,em material de laboratório para pôr a funcionar os trabalhos laboratoriais, ao abrigo da penúltima reforma, os trabalhos laboratoriais foram "extintos"na última e actual reforma. E é precisamente o exame de Biologia e Geologia, 1ª fase, que pede ao aluno que invente uma experiência;
b)depois da invenção da experiência, propõe-se que crie um projecto de investigação (!). Isto é muito interessante como experiência para preencher 90 m de aula - será oportuno num exame? Fico a saber que a figura de "jovens investigadores" , utilizada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, se deve aplicar a jovens examinandos do Secundário.

4-Como Coordenadora Científica de um Centro de Investigação (e mãe de uma aluna sujeita a esta brincadeira de mau gosto), pergunto: andam a brincar com o contribuinte, com os nossos jovens ou aos investigadores?

5- Faço outra pergunta, do fundo da minha indignação cívica - a um professor que ouse "reter" um aluno são pedidos x formulários, relatórios, justificações - e a uma comissão de incompetentes, aquartelada no semi-anonimato do GAVE, que é responsável pela desestabilização e hecatombe de um país inteiro, pela motivação de jovens para irem estudar para fora destas fronteiras, ? que se faz? não há responsabilidades a pedir? bate-se palmas? de ciência pouco sabem e da realidade de aplicação e aplicabilidade dos programas ainda menos. Sinceramente, a Senhora Ministra pode estar cheia de boas intenções para impor regras ao sistema, mas a primeira regra é não se rodear de incompetentes ...e brincalhões.


(Maria do Céu Fialho, Prof. Caterática da Universidade de Coimbra e Coordenadora Científica de um Centro de Investigação sem alunos do Secundário nem membros do GAVE.)

*

Vi ontem no canal parlamento e em directo, a prestação da Ministra da Educação. Fiquei com a sensação que não é ela quem governa o seu ministério, devendo alguém trabalhar por ela. Como é que por detrás de tantas políticas educativas pode estar uma pessoa que não sabe falar, não compreende o teor das perguntas directas feitas pelos demais intervenientes, engasgando-se, ruborizando, como se fosse uma caloira? Porque é que não responsabiliza o GAVE? Porque é que não demite quem está à frente do referido Gabinete? Isto deixa-nos perceber claramente que existem motivos obscuros que “obrigaram” às conhecidas medidas políticas. Vários exames tinham erros, eram extensos, quem os realizou – os “experts” ao serviço da Ministra, deviam ser devidamente responsabilizados/demitidos.

Outra questão foi a declaração mentirosa da Ministra relativamente aos resultados do exame nacional de matemática do 9º ano. A dita afirmou que a óbvia melhoria dos resultados do exame a matemática neste ano, se devia à implementação das suas novas políticas. Eu vigiei esse exame, e tive a oportunidade de o ler: espantar-se-ia se lhe dissesse que qualquer pessoa com a antiga quarta classe, o saberia fazer tirando positiva. Pois é, até o fiz de cabeça. Algumas questões pareciam aqueles passatempos que compramos no quiosque para levarmos para férias. Aí está a política de rigor e exigência da Ministra – a mentira. E já falou que o próximo objectivo será a Língua Portuguesa – adivinhe como será o exame nacional do 9º ano no próximo ano: fazer uma cópia sobre o texto “O capuchinho vermelho”, dizer o presente do indicativo do verbo mentir, e escrever uma composição sobre as férias de Verão que hão-de vir… É uma vergonha.

(Sofia Silveira)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 21 de Julho de 2006


Staline, Chostakovitch e a arte de agradar e desprezar no fio da navalha ou do tiro na nuca no Guardian.

*

Grundsprache. Freud e o alemão em La République des Livres:
"Freud aurait-il pu découvrir l'inconscient dans une autre langue que l'allemand ? Voilà probablement l'une des questions les plus sensées que les professionnels de la profession aient posée à l'occasion du 150 ème anniversaire de la naissance de cher Sigmund."
*

Luís na Natureza do Mal: "A minha geração sofreu três gravíssimas contrariedades: primeiro aprendeu o mundo pelos compêndios do salazarismo. Depois pela vulgata marxista. A seguir veio o ruído insuportável do entertainment."

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RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



(...) uuma foto que tirei ontem, algures na cidade do Porto e que vá-se lá saber porquê me fez recordar os primeiros versos da tão conhecida e belíssima "TABACARIA", de Álvaro de Campos:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada


(Álvaro Mendonça)

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EARLY MORNING BLOGS
822 - Devemos perdonar a los ignorantes y resistir a los locos.

De los que se ríen y escarnecen de los que no deven, el sabio propuso tal fábula.

Algunos hombres son enojosos y burladores, y escarnecedores de otros, mas a sí mismos causan y fazen mal, assí como un asno que encontró con un león, y díxole burlándose d' él:

-¡Dios te salve, hermano!

Y rióse d' él. E león, indignándose de sus palabras, dixo entre sí:

-No quiera Dios que vana sangre ensuzie mis dientes, ca convernía dexarte injuriado o despedaçado.

Significa esta fábula que devemos perdonar a los ignorantes, mas devemos resistir y defendernos de los locos que quieren acometer a otros mejores de sí. Y que el loco fantástico no deve de reyrse de los hombres nobles y sabios y virtuosos, ni se ygualar con ellos.

Devemos perdonar a los ignorantes y resistir a los locos


(La vida y fábulas del Ysopo, Valencia, 1520.)

*

Bom dia!

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A SOLIDÃO DOS GUERREIROS

A gente é feita pelas nossas conversas. Conversas que nunca se esquecem, conversas que ficam e ficam e ficam, mudando, dizendo coisas diferentes em tempos diferentes. Mas ficam, lá atrás de qualquer coisa que somos. Recordo-me nestes dias de ferro e fogo no Médio Oriente de uma que tive com a mais improvável pessoa para lembrar neste contexto: Jonas Savimbi. Ou talvez não.

A Jamba, quartel operacional de Savimbi no Sul de Angola, quando se tornou na sua sala de visitas, caiu no mesmo logro de que era parte: o logro da propaganda para ocidentais desejosos de exotismo e de um pouco de aventura. Savimbi aprendera com os chineses, que por sua vez tinham aprendido com os soviéticos, a arte das aldeias Potemkine, a arte da "massagem do ego", a arte de iludir. Nas "excursões" à Jamba como lhe chamavam os seus detractores, tudo era cuidadosamente pensado para responder às ilusões, obtendo efeitos de propaganda, mas havia outra Jamba por detrás da que era mostrada e essa era bem menos amável e bem menos utópica. Numa viagem que lá fiz, pude ver e ser sujeito a todas estas artes da ilusão e da propaganda mas, sem querer gabar-me de qualquer omnisciência ou cinismo militante, nem por isso deixava de saber que havia muito cenário.

Mas havia uma coisa na Jamba de natureza diferente do seu "sinaleiro", das suas aulas de Latim, da sua fanfarra marcial, e essa coisa era Jonas Savimbi ele mesmo, personagem maior que a vida, maior que a morte, personagem da história, cruel, obsessivo, tenebroso, mas uma "carácter". Fiel aos mitos que alimentava, um dos quais era de que não dormia, encontrei-o uma vez às três da manhã. O local era uma cabana de madeira e colmo, com umas cadeiras de plástico e uma improvável cortina florida daquelas que se encontram nos quartos de banho suburbanos. Era mesmo uma cortina, triste e pobre, o improvável cenário dos homens que rodeavam Savimbi, todos hoje já fantasmas no Inferno.

Era uma noite de crise, havia combates em Mavinga, e Magnus Malan tinha feito declarações incómodas para Savimbi, pelo que as relações com os aliados sul-africanos não deviam estar pelo melhor dos mundos. A guerra corria-lhe bem, talvez fosse isso que levou os sul-africanos a reivindicar o seu papel, o que atrapalhava a propaganda da UNITA. Talvez por isso, a meio da conversa e sem qualquer necessidade, Savimbi começou um longo monólogo, meio interior, meio para eu ouvir, muito longe do que se podia esperar pela ocasião e pelo interlocutor português. Savimbi começou a falar da solidão na luta. Disse-me: "Agora tenho todos comigo, os sul-africanos, os americanos, mas sei que isso não pode durar." "Já vi todos os meus aliados deixarem-me sozinhos, já vi os americanos com a síndrome do pós-Vietname, a abandonar os seus amigos... Quando fiz a minha "Longa Marcha" , até comemos cascas de árvore e chegámos à Jamba meia dúzia de homens para começar tudo de novo." E insistia: "Agora tenho amigos, mas sei que posso ficar outra vez sozinho, só posso contar comigo e com os meus maninhos..." Havia um tom de tristeza e de resignação, pouco habitual em Savimbi, que não era dado a ter estados de alma.

The image “http://www.rhetorik.ch/Aktuell/trophy/savimbi.jpg” cannot be displayed, because it contains errors.Ele sentia-se ofendido pelos sul-africanos, este era o motivo próximo, e Savimbi era orgulhoso. Mas ele tinha uma premonição sobre o que se iria passar, muitos anos depois, a sua morte em combate, sozinho, abandonado, apenas com meia dúzia de fieis irredutíveis muitos dos quais morreram com ele. Ele era uma raridade para um líder africano, não tinha atracção pela vida faustosa no exílio dourado, não era corrupto, embora corrompesse, e toda a vida foi um general da frente de batalha, que liderava do chão perto dos seus homens. Era perigoso como poucos e sabia muito.

Recordo-me desta conversa nocturna, quando vejo mais uma vez o modo como os israelitas são deixados sozinhos para se defenderem, o que eles só podem fazer atacando (olhe-se para um mapa de Israel para se perceber), perante uma opinião pública e publicada que também ela, como os sul-africanos e americanos a Savimbi, os abandonou. Israel não é defensável em termos de um conflito clássico, e só com muito saber de experiência feita consegue conter em termos aceitáveis o terrorismo de que é vítima. À sua volta só tem inimigos, que não datam da "questão palestiniana" como muitos pensam, mas do dia seguinte à criação do Estado de Israel, quando este foi invadido por todos os exércitos dos países árabes. O mesmo cenário repetiu-se várias vezes, até que as ofensivas militares tradicionais, todas derrotadas, foram progressivamente substituídas por actos de terrorismo localizado, mas sistémico. Apesar de tudo, a situação de segurança de Israel melhorou, em grande parte porque a ocupação dos territórios da Cisjordânia e da Síria melhorou a sua capacidade de defesa, deu-lhe profundidade. A situação de Israel também melhorou, porque o "mundo árabe" se dividiu, alguns corajosos chefes de Estado no Egipto e na Jordânia aceitaram a realidade do seu Estado e o mesmo aconteceu com alguns palestinianos, a começar por dirigentes da OLP e da Fatah. Esse caminho foi positivo e é positivo.
http://ec.europa.eu/comm/external_relations/israel/images/acp_israel_w600.gif

Mas há uma realidade nova no Médio Oriente que pode inverter completamente a situação e fragilizar Israel e os seus amigos árabes, de novo: a combinação do fundamentalismo islâmico com a nuclearização do Irão. O Irão e a Síria são hoje a vanguarda de todos os que negam a pura existência de Israel, e o Hamas e o Hezbollah são os braços armados dessa nova realidade. Se somarmos a essa situação o caminho perigosíssimo do Irão, Israel tem hoje de novo um desequilíbrio que se está a construir à sua volta. O problema não são os palestinianos, é o choque de políticas nacionais de hegemonia regional, e a utilização da religião como arma de mobilização e radicalismo. Israel tem que conter o Irão, a Síria, o Hamas e o Hezbollah quanto antes, antes de terem armamento nuclear, antes de se armarem com as novas armas do terrorismo, incluindo uma capacidade maior de projecção de mísseis sobre o seu território sem profundidade. É uma realidade militar antes de ser política.

Os israelitas fazem certamente muitas asneiras, porque não são passivos mas pró-activos. Não assistem sentados à sua progressiva neutralização e destruição. Não podem deixar de o ser e é por isso que conservadores e trabalhistas, partidos religiosos e socialistas não diferem muito na legitimação da actuação militar. É mesmo uma questão de sobrevivência e a ideia de que se trata de "um conflito assimétrico" onde os "poderosos" esmagam os "fracos" é enganadora: há assimetrias de tamanho que são a favor dos aparentemente mais fracos.

Percebe-se o que os israelitas querem com esta resposta violenta aos actos de guerra do Hezbollah e do Hamas: mostrar que a paz só é possível se não houver qualquer transigência com os grupos que são os braços armados de estratégias de aniquilação do Estado de Israel. E estes, e os Estados que os alimentam, só percebem uma única linguagem, a da força. Israel também de há muito sabe que só pode haver paz com quem a deseja e, do mesmo modo que o Irão lhe quis enviar uma mensagem, Israel responde em espécie. É duro, mas naquele canto do mundo não há muito terreno para amabilidades, e, infelizmente, muita gente sofre de passagem. A expressão "danos colaterais" é cruel na sua frieza, mas verdadeira.

É face a esta situação que a comunidade internacional não cumpriu as suas obrigações. Fechou os olhos à presença de milícias sírio-iranianas no Sul do Líbano, não se dispôs a fornecer reais garantias a Israel da sua segurança, para poder exigir o fim da ocupação dos territórios palestinianos com razoabilidade e sem risco para Israel. O último passo para a paz, a retirada unilateral da Faixa de Gaza, não foi acompanhada pelas devidas pressões sobre o Hamas para que mude de política face a Israel.

Bem pelo contrário, a União Europeia, cuja política no Médio Oriente é claramente anti-israelita e por isso inútil para mediar qualquer coisa, continua a financiar a Autoridade Palestiniana controlada pelo Hamas. Os americanos dão uma última garantia de segurança a Israel, mas essa só funciona num ambiente de Armagedão, e a Bíblia e os seus apocalipses não são os melhores conselheiros. Até lá, e esperamos, sem necessidade de chegar lá (um conflito nuclear), Israel está sozinho e só pode contar consigo mesmo. Eles sabem muito bem disso, como Savimbi sabia. Ele perdeu tudo, os israelitas fazem tudo para que o mesmo não lhes aconteça.

(No Público de 20/7/2006)

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20.7.06


COISAS SIMPLES: A NOITE



(I. Levitan)

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PIRATARIAS 3



A pirataria ainda não está resolvida, mas está a ser investigada. Uma informação preciosa seria a de saber que outros blogues em português, ou casos recentes fora de Portugal, conheceram o mesmo problema. Até agora nos blogues portugueses no Blogger apenas se conhece o caso do Abrupto, o que parece indicar deliberada intenção e não ataque ao acaso como alguns se apressam a concluir. Exemplos portugueses seriam importantes para ajudar a compreender a pirataria e o seu carácter.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 20 de Julho de 2006


Interessante e intrigante artigo de Ruben de Carvalho no Diário de Notícias:
"A acompanhar uma amável entrevista com Francisco Louçã, o Expresso da passada semana publicou o que pretende ser o até hoje mais completo estudo sobre a realidade orgânica do Bloco, clinicamente aliás intitulado Radiografia do Bloco de Esquerda. Com direito a um pormenorizado mapa de Portugal, especificando os números bloquistas por distrito e regiões autónomas, de militantes e de votos nas legislativas de 2005.

Os resultados são deveras interessantes. Segundo o semanário, o Bloco possui em Portalegre 61 militantes; em Viana do Castelo, Vila Real, Bragança, Guarda, Castelo Branco, Évora, Beja e Açores, em cada um, 122 militantes (o que, verifica-se, corresponde em todos exactamente ao dobro de Portalegre, 2x61); em Leiria serão 183 (ou seja, 3x61); em Aveiro, Santarém, Faro e Viseu atingem em cada os 244 (uns quadrangulares 4x61); em Braga, Coimbra e Madeira já sobem para uns distritais 305 (isto é, 5x61); em Setúbal o factor multiplicativo é de 12, a saber, 12x61=732. As maiores multiplicações do Bloco ocorrem no Porto e em Lisboa, no primeiro 13 Portalegres (793=13x61), atingindo na segunda 24 Portalegres (1464=24x61)."
*

O jornal Expresso publicou na sua última edição uma Radiografia do Bloco de Esquerda onde publicava uma pequena discrição sobre a implantação distrital do movimento, nomeadamente o seu número de militantes. No gráfico que acompanhava a notícia, podia ver-se que, em vários distritos, o Bloco parecia ter o mesmo número de filiados. Como é natural, essa informação poderá suscitar uma sensação de estranheza nos leitores, e por essa razão o Bloco entende prestar o seguinte esclarecimento.

A pedido do Expresso, o Bloco indicou o número total dos seus inscritos e a percentagem por distrito. Estes valores foram indicados por aproximação à unidade. Assim, para um distrito que tenha aproximadamente 1% dos aderentes do Bloco, o Expresso extrapolou que seriam 61 (1% de 6100) e assim sucessivamente. É isso que explica que o Expresso tenha publicado nesse gráfico o mesmo número de militantes do Bloco em vários distritos.

Nota ao jornal Expresso que o Bloco de Esquerda enviou para esse mesmo jornal na passada segunda-feira,

(Pedro Sales, Assessor de Imprensa do Bloco de Esquerda)

*

Ora aqui está um excelente exemplo do que acontece quando se sabe pouco de matemática. Quando digo pouco, digo pouco. Muito pouco mesmo. Matemática de 4ª classe (antiga, que pela nova é preciso o 9º ano)..

Quando se brincam com percentagens de números muito pequenos, e as percentagens são arredondadas à unidade (percentual), acontecem, inevitavelmente dessas coisas. Desagradáveis. Até parece que se trata de um preconceito contra as vírgulas.

Há quem diga que a esquerda detesta contas. Este exemplo não vai ao arrepio dessa afirmação.

Quantos mais disparates serão ditos ao abrigo da mesmo arredondamento?

(H. Martins)

*

A rábula dos «múltiplos-múltiplos de 61» (relativa aos militantes do BE) faz-me lembrar a anedota do Solnado:

- Meu general, vêm aí os índios!
- Quantos são eles?
- 1001, meu general!
- E como é que os contaste tão depressa?
- É que vem 1 à frente, e atrás são para aí uns 1000!

(C. Medina Ribeiro)

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RETRATOS DO TRABALHO EM NOVA DELI, ÍNDIA



Na Índia, há um mês - homem ganhando a vida a pesar pessoas, com balança portátil.

(Fernando Correia de Oliveira)

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MAIS CONTRIBUTOS PARA
AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS 1.0
(2ª série)




E é também no seguimento dos contributos para as vinte melhores obras de refererência em português que lhe escrevo.E mais um par delas:

_ ANSELMO, António Joaquim [1977], Bibliografia das obras impressas em Portugal no século XVI, Lisboa. B.N.

_ PEREIRA, Paulo (dir. de) [1995], História da Arte Portuguesa. Lisboa. Círculo de Leitores.

_CARVALHO, Joaquim de [1947, 1948, 1949], Estudos sobre a Cultura Portuguesa dos séculos XV e XVI.

_ Como complemento às Normas do Padre Avelino, servindo de treino paleográfico: COSTA, P. Avelino de Jesus [1997], Álbum de Paleografia e Diplomática portuguesas. Estampas. 6ª Edição. Coimbra. FLUC.

_BRANDÃO, Fr. Francisco. [1976], Monarquia Lusitana. Ed. facsimilada. Lisboa. INCM.

_ Não esquecer nunca:

SERRÃO, Joel e MARQUES, A.H. de Oliveira (dir. de), Nova História de Portugal. Ed. Presença.

_ CARDOSO, Pe. Jorge [1652], Agiologia Lusitana.

_ Como expressão paradigmática do movimento de Erudição em Portugal, a obra orientada por Alexandre Herculano: Portugaliae Monumenta Historica a saeculo octavo post Christum usque ad quintumdecimun, jussu Academiae Scientiarum Olisiponensis edita, nova série.

_ GODINHO, Vitorino Magalhães, Os Descobrimentos e a Economia Mundial. Ed. Presença.4 vols.

_ FIGUEIREDO, Cândido de [1996], Grande Dicionário da Língua Portuguesa. 25ª Ed., 2 vols.

_ De elevada utilidade, um guia fundamental de obras gerais, disciplinas documentais e outras disciplinas de incidência Histórica: REPERTÓRIO BIBLIOGRÁFICO DA HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA. [1974-1994], FLUC, Inst. Camões.

sandra costa


*

Noto que as obras de referência que têm entrado no Abrupto vão sempre para as mesmas áreas: filosofias, histórias, literaturas. Que tal meter um pouco de outra ciência nisso:
Desenho Técnico, de Luís Veiga da Cunha, FCG Introdução à Análise Matemática, de Campos Ferreira, FCG

(nuno de magalhães)

*

Três sugestões na área da ópera e do espectáculo:

MOREAU, Mário - Teatro de S. Carlos : dois séculos de história. Lisboa : Hugin, 1999. 2 vol. ISBN 972-8534-50-5

Está lá tudo. Todos os concertos, todas as récitas, todas as óperas, todos os bailados, todos os cantores, todos os maestros, todos os bailarinos, todos os actores, todos os encenadores, todos os cenógrafos, todos, todos, todos.

MOREAU, Mário - Cantores de ópera portugueses. Amadora : Bertrand, 1981. 3 vol.
Também estão todos, do Séc. 18 até 1981.

BASTOS, Sousa - Carteira do artista : apontamentos para a história do theatro portuguez e brazileiro acompanhados de noticias sobre os principaes artistas, escriptores dramaticos e compositores estrangeiros. Lisboa : Antiga Casa Bartrand - José Bastos, 1898

O autor era o marido da actriz Palmira Bastos. Um trabalho muito interessante que pretendeu ser exaustivo. Está organizado em jeito de efemérides e contém, no final, uma bibliografia e vários índices (actores portugueses e brasileiros, aderecistas, arquitectos e figurinistas, actores estrangeiros, beneméritos, cabeleireiros, cantores portugueses, companhias, contraregras, curiosidades, decretos, portarias, tratados e outros documentos, empregados diversos, dramas, comédias, tragédias, operas-cómicas, revistas e peças, empresários, ensaiadores, escritores e críticos, guarda-roupas, maquinistas, músicos, óperas e danças, pontos, cenógrafos, teatros e ainda um índice de gravuras). Uma preciosidade!

Maria Clara Assunção

*

Eu juntaria:

A Poesia dos Trovadores (Séculos XII-XV), selecção e prefácio de Vitorino Nemésio, edição do Instituto para a Alta Cultura, Lisboa, 1950.

(Torquato da Luz)

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Não sei se li todas as sugestões todas, mas pareceu-me que faltava esta: Portugaliae Monumenta Historica, fruto da enorme capacidade de trabalho e dedicação de Alexandre Herculano.

(Maria Pereira Stocker)

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EARLY MORNING BLOGS
821 - Vinte mil réis mensais são uma vergonha social!

- Então, realmente, aconselha-me que toque a campainha?

Ele ergueu um pouco o chapéu, descobrindo a fronte estreita, enfeitada de uma gaforinha crespa e negrejante como a do fabuloso Alcides, e respondeu, palavra a palavra: - Aqui está o seu caso, estimável Teodoro. Vinte mil réis mensais são uma vergonha social! Por outro lado, há sobre este globo coisas prodigiosas: há vinhos de Borgonha, como por exemplo o Romanée-Conti de 58 e o Chambertin, de 61, que custam, cada garrafa, de dez a onze mil réis; e quem bebe o primeiro cálice, não hesitará, para beber o segundo, em assassinar seu pai... Fabricam-se em Paris e em Londres carruagens de tão suaves molas, de tão mimosos estofos, que é preferível percorrer nelas o Campo Grande, a viajar, como os antigos deuses, pelos céus, sobre os fofos coxins das nuvens... Não farei à sua instrução a ofensa de o informar que se mobilam hoje casas, de um estilo e de um conforto, que são elas que realizam superiormente esse regalo fictício, chamado outrora a «bem-aventurança». Não lhe falarei, Teodoro, de outros gozos terrestres: como, por exemplo, o Teatro do Palais Royal, o baile Laborde, o Café Anglais... Só chamarei a sua atenção para este facto: existem seres que se chamam Mulheres - diferentes daqueles que conhece, e que se denominam Fêmeas. Estes seres, Teodoro, no meu tempo, a páginas 3 da Bíblia, apenas usavam exteriormente uma folha de vinha. Hoje, Teodoro, é toda uma sinfonia, todo um engenhoso e delicado poema de rendas, baptistes, cetins, flores, jóias, caxemiras, gazes e veludos... Compreende a satisfação inenarrável que haverá, para os cinco dedos de um cristão, em percorrer, palpar estas maravilhas macias; - mas também percebe que não é com o troco de uma placa honesta de cinco tostões que se pagam as contas destes querubins... Mas elas possuem melhor, Teodoro: são os cabelos cor do ouro ou cor da treva, tendo assim nas suas tranças a aparência emblemática das duas grandes tentações humanas - a fome do metal precioso e o conhecimento do absoluto transcendente. E ainda têm mais: são os braços cor de mármore, de uma frescura de lírio orvalhado; são os seios, sobre os quais o grande Praxíteles modelou a sua Taça, que é a linha mais pura e mais ideal da Antiguidade... Os seios, outrora (na ideia desse ingénuo Ancião que os formou, que fabricou o mundo, e de quem uma inimizade secular me veda de pronunciar o nome), eram destinados à nutrição augusta da humanidade; sossegue porém, Teodoro; hoje nenhuma mamã racional os expõe a essa função deterioradora e severa; servem só para resplandecer, aninhados em rendas, ao gás das soirées, - e para outros usos secretos. As conveniências impedem-me de prosseguir nesta exposição radiosa das belezas que constituem o fatal feminino... De resto as suas pupilas já rebrilham... Ora todas estas coisas, Teodoro, estão para além, infinitamente para além dos seus vinte mil réis por mês... Confesse, ao menos, que estas palavras têm o venerável selo da verdade!...

Eu murmurei, com as faces abrasadas:

- Têm.

(Eça de Queiroz, O Mandarim)

*

Bom dia!

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PIRATARIAS 2



Desde o momento em que a pirataria surgiu, ontem ao fim da tarde, não tive muito tempo para me dedicar ao assunto. Vou fazê-lo agora, começando por ler as mais de trezentas mensagens entretanto recebidas e que desde já agradeço. Desde o início da tarde que o Abrupto genuíno tem estado continuamente em linha, mas ,como não sei ainda o que realmente aconteceu, parto do príncipio de que o problema continua.

Amanhã tratarei do assunto em mais detalhe, mas podem ter a certeza de que aconteça o que acontecer o Abrupto continuará. Não será por esta via que acabam com ele.

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19.7.06


PIRATARIAS



O problema continua. Quando acrescento uma nota nova ou refresco uma antiga, o falso "abrupto" desaparece, regressando mais tarde. Não penso ser um problema de password, visto que a mudei mal surgiu a pirataria e a anterior só pode ter sido "roubada" electronicamente. O conteúdo no Blogger parece intacto. Muito obrigada a todos que estão a dar-me sugestões para resolver o problema e identificar a origem.

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18.7.06


INTERMITÊNCIAS



O Abrupto continua a ser substituído intermitentemente por outro abrupto pirata. Alguém sabe se o mesmo está a acontecer a outros blogues do Blogger?

*

Suponho que isso poderá acontecer, mas só parcialmente

Será o caso de pessoas que usem, como servidores de DNS, servidores nos quais seja possível configurar domínios de forma interactiva (directamente pelo browser, na qualidade de cliente).

Neste caso, configurando um domínio abrupto.blogspot.com, os utilizadores desse servidor de DNS serão direccionados para o domínio falso.

Claro que esse embuste só funcionará para os que usarem o servidor de DNS "armadilhado", mas se numa dada região ou país (Portugal é muito pequeno) alguém fizer isso a um servidor, por exemplo da Netcabo, a coisa resulta substancialmente bem.

Dando um exemplo. Imaginemos que eu me apresento a um Internet Service Provider (ISP) local, me inscrevo On Line, e configuro nele o domínio abrupto.blogspot.com. Muitos ISPs deixam que isso aconteça, por estranho que pareça, simplesmente porque não há forma de, On Line, se saber se o inscrito é o dono legítimo da coisa.. Todo o mundo continuará a aceder ao endereço legítimo, mas os utilizadores do ISP em causa são direccionados para o endereço falso.

No caso dos domínios .COM (o caso presente) os servidores de DNS, numa boa parte dos ISPs, seguem as "instruções" da Internic (a autoridade máxima dos .COM) desde que não haja uma configuração local que determine algo diverso (o caso do domínio falso). Caso haja um "caso diverso" ...

Mas há ISPs que só aceitam os dados recebidos via Internic.

Estamos no domínio da roleta russa.

Ainda ando às voltas com um caso em que um espertalhão configurou um domínio yahoo.com num servidor que tenho que usar (por razões irrelevantes neste caso). De cada vez que quero aceder à Yahoo (eu e muitos outros), vou parar a um monte de lixo. O espertalhão inscreveu-se como cliente, pagou, configurou um domínio yahoo.com e “inventou” um site Yahoo.

Os ISPs deviam somente disponibilizar aos clientes servidores que estivessem só dependentes da Internic, mas, por nabice ou outra razão, frequentemente não o fazem.

Como se sai daqui? Com muita arrelia, sem garantias.

Em primeiro lugar é preciso descobrir qual é o servidor de DNS "armadilhado". Para se saber é preciso saber que servidor usa o queixoso (quem reposta a anomalia). O problema +é que, habitualmente, para quem cai no embuste esta conversa é chinês.

Se se conseguir descobrir o servidor de DNS, há que chatear o dono dele, explicando a coisa. Se o dono estiver para se ralar, pode até resolver a coisa, mas duvido que dure muito. Como disse, se o servidor de DNS for usado por quem quer que seja como "o servidor que vai ajudar o computador - de cada um - a encontrar os sites" (a missão habitual dos servidores de DNS cujos endereços são adquiridos pelos nossos computadores no momento que que se ligam à Internet - DHCP) e esse servidor de DNS for, em simultâneo, o servidor de DNS dos clientes que podem configurar domínios, só não há um conflito de interesses se não se apresentarem "voluntários".

Esta casualidade (só os que usam o servidor armadilhado) pode explicar os casos mais ou manos esporádicos. Há quem se queixe, mas a maioria acede sem problemas. Se, por exemplo, o servidor “ajeitado” for do grupo PT, é provável que a maioria dos visitantes vão parar ao site errado. E o grupo PT é muito mais nabo do que parece.

Tenho muita pena, mas ... o mundo é muito grande e está cheio de espertalhões e de nabos.

(Henique Martins)

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TENTATIVAS DE DEITAR ABAIXO O ABRUPTO

tem sido muitas e repetidas desde o início. Hoje durante algum tempo um outro Abrupto aparecia no mesmo endereço. Obrigado a quem me alertou. Vou ver se percebo o que aconteceu mas é certamente um caso de pirataria.

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RETRATOS DO TRABALHO NO BOMBARRAL, PORTUGAL



Bombarral, Festival do Vinho, Julho, 2006

(Mário Rui Araújo)

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MAIS CONTRIBUTOS PARA
AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS 1.0




Colóquio dos simples e drogas e cousas medicinais da índia, de Garcia da Orta, Goa, 1563. Está disponível numa edição de 1963 da Academia das Ciências de lisboa. Na Europa da altura, e durante muito tempo, foi considerado O livro", a referência sobre a psicogeografia das drogas. Em certo sentido, é absolutamente actual ( veja-se o capítulo sobre o anfião, ou seja, o ópio).

(Filipe Nunes Vicente)

*

Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e L. F. Lindley Cintra

Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro/Porto 2001-Assírio & Alvim

Dicionário Latino-Português, Francisco Torrinha

Dicionário Português-Latim, Francisco Torrinha

Teoria da Literatura, Vítor Manuel de Aguiar e Silva, Almedina

Gramática Simbólica do Português, Óscar Lopes, Fundação Calouste Gulbenkian

Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado

Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado

Dicionário da Lìngua Portuguesa, Porto Editora

Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa, Magnus Bergstrom e Neves Reis

Dicionário de Literatura, direcção de Jacinto do Prado Coelho, Figueirinhas

Biblos - Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa

Novo Aurélio Século XXI: o Dicionário da Língua Portuguesa, 3.ª Edição

História Crítica da Literatura Portuguesa, direcção de Carlos Reis, Verbo

História da Língua Portuguesa, Paul Teyssier

O Ritmo na Poesia de António Nobre, Luís Filipe Lindley Cintra, IN-CM

História de Portugal, dir. de José Mattoso

História Concisa de Portugal, José Hermano Saraiva

Ditos Portugueses Dignos de Memória, José Hermano Saraiva

Ao Contrário de Penélope, Jacinto do Prado Coelho

Tratado de Versificação Portuguesa, Amorim de Carvalho

Edoi Lelia Doura: antologia das vozes comunicantes da poesia moderna portuguesa, organização de Herberto Helder

Dicionário Bibliográfico Português, Inocêncio Francisco da Silva

Dicionário da Língua Portuguesa, António de Morais Silva (Dicionário de Morais)

Retórica e Teorização Literária em Portugal: do Humanismo ao Neoclassicismo, Aníbal Pinto de Castro

A Oratória Barroca de Vieira, Margarida Vieira Mendes

Hélade: Antologia da Cultura Grega, Maria Helena da Rocha Pereira

Romana: Antologia da Cultura Latina, Maria Helena da Rocha Pereira

História da Literatura Portuguesa, António José Saraiva e Óscar Lopes

Gramática da Língua Portuguesa, Maria Helena Mira Mateus et al., Caminho

Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira da Cultura - Edição Século XXI, dir. de João Bigotte Chorão

Lello Universal - Dicionário Enciclopédico em 2 Volumes

Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa, org. e coord. de Giulia Lanciani e Giuseppe Tavani

(Nelson B.)

*

Casanova - O Direito nas Revistas Portuguesas. Pesquisáveis por autor, por título, por assunto, por revista, por ramo do direito, estão lá todos, absolutamente todos, os artigos jurídicos publicados em revistas portuguesas (e não só revistas jurídicas), desde os finais do séc. XIX, até 1990. A obra não se vendeu e a Almedina desinteressou-se da sua actualização ou da sua conversão para uma base de dados on-line.
Se fosse futebol...

(Antónoio Cardoso da Conceição)

*

Duas sugestões na área da Filosofia:

Logos. Enciclopédia Luso-Brasileira de Filosofia (Verbo)

História do pensamento filosófico português , dir. Pedro Calafate (Caminho ou Círculo de Leitores)

(Pedro Valadares)

*

A sua leitora Isabel G recomendou-lhe a História da Igreja em Portugal, de Fortunato de Almeida, como obra de referência. Quer-me parecer que, dentro daquela área, serão talvez preferíveis a História Religiosa de Portugal e o Dicionário de História Religiosa de Portugal, ambos escritos sob a direcção de Carlos Moreira Azevedo.

(José Carlos Santos)

*

Dicionário de autores de literaturas africanas de língua portuguesa / Aldónio Gomes, Fernanda Cavacas (Ed Caminho)

Dicionário de pseudónimos e iniciais de escritores portugueses / Adriano da Guerra Andrade (ed. Biblioteca Nacional)

Jornais e revistas portugueses do séc. XIX / Biblioteca Nacional

Marquês de Pombal : catálogo bibliográfico e iconográfico / Comissão Organizadora das Comemorações do Bicentenário da Morte do Marquês de Pombal (ed. Biblioteca Nacional)

A inquisição em Portugal (1536-1821) : catálogo da exposição organizada por ocasião do 1o Congresso Luso-Brasileiro sobre Inquisição / Biblioteca Nacional. (Ed. Biblioteca Nacional)

(Isabel G)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 18 de Julho de 2006


No Público de hoje, sem ligação, Vital Moreira escreve um artigo exemplar da "má fé" de que falavam Fernando Gil e Paulo Tunhas em Impasses:

Quando um Estado, para responder a uma acção bélica inimiga, resolve atacar alvos civis, matar gente inocente a esmo, destruir estradas e pontes, portos e aeroportos, centrais eléctricas e bairros urbanos, isso tem um nome feio: terrorismo. No caso, terrorismo de Estado. Na vertigem da violência que é o interminável conflito israelo-palestiniano, Israel adopta decididamente a mesma lógica fatal de que acusa os seus inimigos, ou seja, transformar os civis em carne para canhão.

(Sublinhados meus.)

É difícil fazer melhor (pior).
*

No Correio da Manhã, Ferreira Fernandes pergunta: George W. Bush merece sanção?


*

Dava um Prémio Nobel da Paz imediato, excepcional, automático a quem inventasse um mecanismo eficaz para "farejar" explosivos a uma certa distância. Não resolvia os imensos problemas do Iraque, mas ajudava muito. E seria uma homenagem irónica ao inventor dos explosivos modernos, o senhor Alfred Nobel.

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RETRATOS DO TRABALHO NO BOMBARRAL, PORTUGAL



Bombarral, Festival do Vinho, Julho, 2006.

(Mário Rui Araújo)

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EARLY MORNING BLOGS
820 - As felicidades haviam de vir...

Não posso negar, porém, que nesse tempo eu era ambicioso - como o reconheciam sagazmente a Madame Marques e o lépido Couceiro. Não que me revolvesse o peito o apetite heróico de dirigir, do alto de um trono, vastos rebanhos humanos; não que a minha louca alma jamais aspirasse a rodar pela Baixa em trem da Companhia, seguida de um correio choutando; - mas pungia-me o desejo de poder jantar no Hotel Central com champanhe, apertar a mão mimosa de viscondessas, e, pelo menos duas vezes por semana, adormecer, num êxtase mudo, sobre o seio fresco de Vénus. Oh! moços que vos dirigíeis vivamente a S. Carlos, atabafados em paletós caros onde alvejava a gravata de soirée! Oh! tipóias, apinhadas de andaluzas, batendo galhardamente para os touros - quantas vezes me fizestes suspirar! Porque a certeza de que os meus vinte mil réis por mês e o meu jeito encolhido de enguiço, me excluíam para sempre dessas alegrias sociais, vinha-me então ferir o peito - como uma frecha que se crava num tronco, e fica muito tempo vibrando!

Ainda assim, eu não me considerava sombriamente um «pária». A vida humilde tem doçuras: é grato, numa manhã de sol alegre, com o guardanapo ao pescoço, diante do bife de grelha, desdobrar o «Diário de Notícias»; pelas tardes de Verão, nos bancos gratuitos do Passeio, gozam-se suavidades de idílio; é saboroso à noite no Martinho, sorvendo aos goles um café, ouvir os verbosos injuriar a pátria... Depois, nunca fui excessivamente infeliz - porque não tenho imaginação: não me consumia, rondando e almejando em torno de paraísos fictícios, nascidos da minha própria alma desejosa como nuvens da evaporação de um lago; não suspirava, olhando as lúcidas estrelas, por um amor à Romeu ou por uma glória social à Camors. Sou um positivo. Só aspirava ao racional, ao tangível, ao que já fora alcançado por outros no meu bairro, ao que é acessível ao bacharel. E ia-me resignando, como quem a uma table d'hôte mastiga a bucha de pão seco à espera que lhe chegue o prato rico da charlotte russe. As felicidades haviam de vir: e para as apressar eu fazia tudo o que devia como português e como constitucional: - pedia-as todas as noites a Nossa Senhora das Dores, e comprava décimos da lotaria.

(Eça de Queiroz)

*

Bom dia!

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17.7.06


COISAS DA SÁBADO:

SOLIDÃO QUEM A TEM CHAMA-LHE SUA - UM LIVRO SOBRE AS PESSOAS SÓS

A obra de José Machado Pais tem sido, de há muitos anos a esta parte, do melhor que nos deu a sociologia em Portugal. Os seus estudos são pioneiros do conhecimento sociológico em Portugal nas áreas a que se dedica, combinando uma investigação empírica séria com uma sólida teoria, tudo vertido numa linguagem sem academismos e pretensões. E, o que ele estuda está no centro do nosso (des) conhecimento da realidade dos dias de hoje, do Portugal que existe mesmo fora dos livros, nas ruas, nos bairros degradados, nos gangs juvenis, na droga, nas discotecas.

O último livro intitulado Nos Rastos da Solidão é um estudo sobre o quotidiano na grande cidade onde quase todos vivemos e a sua produção de solidão, de pessoas sós que se sentem sós, e sobre as estratégias de combate e de esquecimento dessa solidão. Compreende um conjunto de ensaios sobre os sem-abrigo, o consumismo, a velhice, o "desencanto", os emigrantes de Leste, os "animais de companhia". Dois estudos mostram os pólos opostos da solidão urbana, opostos social, etária e intelectualmente, mas nem por isso menos diferentes na solidão: as tabernas e os chats. Este livro deveria ser de leitura obrigatória para todos os que querem saber as linhas menos visíveis que se cosem nos centros comerciais, à noite diante de um computador, nos ajuntamentos de madrugada dos trabalhadores ucranianos para as obras, nas velhas dos gatos que em cada rua antiga são os alvos da ira popular. Os gatos, os cães e os pombos sujam tudo, mas sujam bastante menos do que estas solidões. A ler absolutamente.


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RETRATOS DO TRABALHO NO TIBETE



Pastora.

(José Manuel Fernandes)

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CONTRIBUTOS PARA
AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS 1.0




O Dicionário de pintores e escultores portugueses ou que trabalharam em Portugal / Fernando de Pamplona ; pref. Ricardo do Espírito Santo Silva

Diccionário histórico e documental dos architectos, engenheiros e constructores portuguezes ou a serviço de Portugal / coordenado por Sousa Viterbo

Inventário artístico ilustrado de Portugal / José Correia de Azevedo

Inventário artístico de Portugal / [ed.] Academia Nacional de Belas Artes

História da igreja em Portugal / Fortunato de Almeida

Nobiliário de famílias de Portugal / Manuel José da Costa Felgueiras Gayo

História genealógica da casa real portuguesa / D. António Caetano de Sousa

Portugal antigo e moderno : diccionário geográphico, estatístico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguesias de Portugal e grande número de aldeias / Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho Leal

Dicionário de expressões populares portuguesas / Guilherme Augusto Simöes

Dicionário do cinema português 1962-1988 / Jorge Leitão Ramos

Dicionário do teatro português / dir. de Luís Francisco Rebello

Diccionario do Theatro portuguez / Sousa Bastos

Dicionário de história da Igreja em Portugal / dir. de António Alberto Banha de Andrade

Lello Universal : dicionário enciclopédico luso-brasileiro / José Lello e Edgar Lello

Descripção geral e histórica das moedas cunhadas em nome dos reis, regentes e governadores de Portugal / A. C. Teixeira de Aragão

(Isabel G)

*


Lombadas da Europa Portuguesa do Manuel de Faria e Sousa

(
fotos de Ana Gaiaz)

*

Uma sugestão para as "AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS 1.0" (só vinte serão suficientes?):

Avelino de Jesus da Costa, Normas gerais de transcrição e publicação de documentos medievais e modernos, 3ª ed., Coimbra, 1993
Trata-se de um companheiro essencial para os Historiadores que queiram fazer um boa transcrição e edição de manuscritos medievais e modernos. E bem precisamos que essas transcrições e edições se façam, para acordarmos a nossa memória, adormecida no pó dos arquivos.

(Paulo Agostinho)

*

Parecem-me certeiras as suas escolhas (desconhecendo, embora, duas ou três referências). Uma delas, porém, cuja selecção subscrevo inteiramente, apesar de conter inevitáveis erros e algumas omissões, a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, é comentada como sendo “(…) o título singular mais útil para qualquer investigação sobre o período anterior aos anos cinquenta do século XIX”. Eu tenho a “Portuguesa e Brasileira” e penso que apenas por equívoco baliza a sua utilidade até ao período que refere. Na verdade parece-me mais correcto afirmar “anterior aos anos cinquenta do século XX”.
[NOTA JPP: foi uma gralha que já está corrigida, é mesmo século XX.] Seja como for, é curioso reparar como muitas figuras do nosso burgo, quando entrevistadas em casa, fazem questão de se colocar para a fotografia, frente à estante onde a “Grande Enciclopédia” repousa. Já a vi no “lar” de muita gente “notável”. Esta recorrência comprova um mérito adicional da obra. Se há “lombadas” que dão caução cultural à nossa gente pública são estas, intermináveis e sólidas, imensas na latitude da estante, imponentes no seu vermelho e negro avivado a ouro. É como se se pudesse pensar: “Ah, este tem, este deve saber muito!”.

Uma curiosidade complementar, a propósito das omissões: eu moro na Rua Damasceno Monteiro e, pesquisando na Net e noutras fontes, não descobri em lugar nenhum quem foi o senhor. Até que me lembrei da “Grande Enciclopédia”. “Estou safo”, pensei. Enganei-me. Foi o primeiro grande desapontamento que a minha “luso-tropical” (nome carinhoso com que é tratada lá em casa) me deu. Até hoje não sei quem foi o cidadão homenageado com o seu nome nesta extensa rua de Lisboa.

(Manuel Margarido)
Para o seu leitor Manuel Margarido, milagres do Google.

(Tiago Azevedo Fernandes)
*


O Dicionário de História dos Descobrimentos Portugueses (dir. Luís de Albuquerque)
o Índice Analítico do vocabulário de Os Lusíadas (dir. A. Geraldo da Cunha)
o Dicionário de Camilo Castelo Branco (Caminho)
o Dicionário de personagens da novela camiliana (Caminho)
o Elucidário de Fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo
os "dicionários" e repertórios de Sousa Viterbo (p. ex., Trabalhos náuticos dos Portugueses, ou o diconário dos artistas...)
o Vocabulário ortográfico da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves (conquanto de 1940, é insuperável)
o Tratado das alcunhas alentejanas, de Francisco Martins Ramos e Carlos Alberto da Silva
a Bibliografia Geral Portuguesa
a "Tradução em Portugal", de Gonçalves Rodrigues
o Dicionário Etimológico de J. Pedro Machado
Nova gramática do Português contemporâneo, de Lindley Cintra e Celso Cunha
a Biblos, Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa
o Dicionário de Literatura Portuguesa de A. Manuel Machado
a Monarchia Lusitana de D. António Caetano de Sousa
a Enciclopédia Verbo (nova edição)
a Biblioteca Lusitana, de Barbosa Machado

... sem esquecer a Micrologia Camoniana, de João Franco Barreto, os Índices dos livros proíbidos em Portugal no século XVI (ed. Moreira de Sá) e a Bibliografia das obras impressas em Portugal no séc. XVI de António Joaquim Anselmo...
E há mais.

(Vasco Graça Moura)

*

Uma sugestão: dentro das obras de referência, uma há da minha área profissional que julgo que não só em Portugal, como também no estrangeiro, é reconhecida como obra marcante e invlugar, que é a recolha feita por grupos de arquitectos nos anos 50 sobre a Arquitectura Popular Portuguesa, então da Associação de Arquitectos e agora Ordem dos Arquitectos. É uma obra fundamental, nos seus textos, desenhos e fotografias porque feita num momento anterior ao inicio da urbanização desenfreada de Portugal com o advento da entrada do dinheiro dos portugueses da diáspora iniciada nos anos 60 e onde podemos assim conhecer coisas que mais do que da "arquitectura" são da "cultura" e "tradições" portuguesas.

(Nuno Silva Leal)

*


A propósito desta sua lista e dada a proposta do seu leitor Luís Manuel Rodrigues, lembrando o esquecido Cantu, permito-me enviar uma fotografia das lombadas da obra (tirada para um post que nunca cheguei a realizar).

(José Pimentel Teixeira)

*

E claro. Como me fui esquecer disto?

Dicionário de literatura : literatura portuguesa, literatura brasileira, literatura galega, estilística, literária / dir. Jacinto do Prado Coelho

(Isabel G.)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: ENTRE ALVAREZ E O FISCO



Estava eu já mergulhado na mais profunda alienação daquilo que se passou na semana passada (não sei porquê mas são coisas que me acontecem) e absolutamente rejuvenescido para os temas da actualidade desta semana (preocupa-me seriamente a crise do Médio Oriente), quando ao ler o seguinte excerto do seu texto sobre a exposição do pintor Domingos Alvarez na Gulbenkian se fez luz: «(...) foi Kafka que primeiro nos mostrou que os homens do século XX iriam ser assim, andando como John Cleese com passos de "silly walk", no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder». Assim, ainda a propósito das listas negras do Fisco, e depois de ter conversado sobre isto com uma amiga minha que é advogada, não deixei de me espantar quando ela me disse que em muitos casos de violação dos direitos dos cidadãos, o único factor de individualidade é o económico. Quer isto dizer que, apesar de em teoria os direitos existirem para todos, uma verdadeira informação e esclarecimento do cidadão e o acesso ao direito no sentido próprio e pleno da expressão, realmente quase só se verificam quando há dinheiro. Ou seja, se o contribuinte não tem recursos, não vai procurar ajuda para se informar e ser acompanhado... e as Finanças não vão esclarecê-lo de forma alguma porque quanto menos esclarecido estiver o contribuinte, mais fácil é para as Finanças fazer as coisas como lhe convém. Palavras dela. Por isso, parece-me bem real essa imagem dos homens, agora do século XXI, no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder. A quem não tem dinheiro. Pois. Porque quem tem vai ser sempre tratado pelo nome próprio. E assim caminhamos desgraçadamente, com os tais passos de "silly walk", num meio que cospe no prato que come. O episódio das listas negras do Fisco é demasiado simbólico. E acaba por estar em perfeita sintonia com o princípio orientador do nosso Governo que tudo o que decide nos apresenta como o único e inevitável caminho. É o que acontece quando nos deixamos levar pelas más companhias. Mais estúpidas do que ladras, na definição de Cipolla.

(Ricardo S. Reis dos Santos)

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16.7.06


RETRATOS DO TRABALHO EM JODHPUR, ÍNDIA



Mulher varrendo a rua em Jodhpur, no Rajastão.

(Fernando Correia de Oliveira)

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INTENDÊNCIA

Actualizada a nota PARA QUE FIQUE REGISTADO.

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DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E NÃO UMA SÓ

PEDRO ARROJA - NEM UMA , NEM DUAS, ZERO



Sobre o tema "Duas listas negras para o fisco, e não uma só", eu gostaria de dar a minha contribuição (...)

Um princípio - qualquer princípio -, é bom, não porque permita resolver todos os problemas associados à situação a que se aplica, mas porque permite resolver a maior parte deles e, sobretudo, porque permite evitar males que seriam ainda maiores.

Neste sentido, o princípio do sigilo fiscal é, inegavelmente, um bom princípio. Basta pensar no que seria a vida em sociedade - se é que a vida em sociedade seria possível de todo - sem ele. O princípio do sigilo fiscal não foi concebido como instrumento para proteger contribuintes faltosos, por isso, a sua revogação não será nunca um instrumento eficaz para os penalizar.

Pelo contrário, a revogação deste princípio, conduz ao processo que você próprio desencadeou: o Estado propõe-se divulgar a lista dos contribuintes faltosos (primeira violação) e você propõe também que se divulgue a lista dos serviços do Estado que estão em falta para com os cidadão (segunda violação); vem depois um leitor seu pedir que se divulgue a lista das dívidas do Estado para com os advogados que prestam apoio judiciário (terceira violação). Quando este processo estiver terminado, existirão argumentos, todos eles perfeitamente racionais, para que se divulgue a lista dos cidadãos que devem aos Bancos, aos supermercados, aos senhorios e aos padeiros, dos pais que devem aos filhos e dos maridos que devem às mulheres. Pergunto-lhe se acha possível viver numa sociedade assim.

Na minha opinião, o número óptimo de listas negras não é uma nem, muito menos, duas. É zero.

(Pedro Arroja)

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MAIS SOBRE DOMINGUEZ ALVAREZ:
UM QUADRO DE UMA COLECÇÃO PRIVADA RARAMENTE VISTO



Por gentileza de C. Medina Ribeiro, esta "Rua de Sto. Ildefonso", óleo sobre tela, sem data, 18x22 [cm], pertencente a uma colecção privada, que só esteve exposto uma única vez.

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AS VINTE MELHORES OBRAS DE REFERÊNCIA EM PORTUGUÊS 1.0



[NOTA: lista inicial, ainda incompleta, por ordem alfabética, esperando sugestões e debate. Irei colocando versões posteriores e, por fim, uma lista definitiva que revisitarei ano a ano.]


* H. de Mendonça e Cunha, Regras do Cerimonial Português

* Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

["O" dicionário de português.]
* Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira
[Do alto dos seus mais de quarenta volumes, continua a ser o título singular mais útil para qualquer investigação sobre o período anterior aos anos cinquenta do século XX e uma massa gigantesca de informação, muita desactualizada no plano científico. mas mesmo assim indispensável.]
* Instituto Português do Livro e da Leitura, Dicionário Cronológico de Autores Portugueses
[Impossível de encontrar, com volumes esgotados há muito, elaborado com um critério de entradas cronológico que torna difícil a consulta, os seus defeitos não bastam para sobrepor-se à qualidade de ser a melhor colecção de biografias literárias - e quase toda a gente escreveu alguma coisa que justifique a entrada - existente.]
* A. Campos e Matos, Dicionário de Citações de Eça de Queiroz

* A. H. de Oliveira Marques / João José Alves Dias, Atlas Histórico de Portugal e do Ultramar Português

* Carlos Alberto Medeiros (Direcção), Geografia de Portugal

* Maria de Lourdes Modesto, Cozinha Tradicional Portuguesa

[A Biblía da culinária, resultado de muito estudo e muita prática, com uma notável recolha de receitas populares.]

* Maria Filomena Mónica (Coordenação), Dicionário Biográfico Parlamentar

* Cristóvão Alão de Morais, Pedatura Lusitana

[ Uma das "mães de todas as genealogias".]
* António Nóvoa (Org.), Dicionário de Educadores Portugueses

* João Figueiredo Pereira / José Ferreira Vicente, O Valor do Livro Antigo em Portugal
[Embora seja um livro destinado ao mercado livreiro alfarrabista a qualidade da sua execução e massa de informação recolhida tornam-o indispensável para o estudo do livro em Portugal.]
* Daniel Pires
, Dicionário da Imprensa Períodica Literária Portuguesa do Século XX


* Raul Proença e outros, Guia de Portugal
[O velho guia da Gulbenkian continua a ser uma obra ímpar, cada vez mais para sabermos como Portugal foi. A qualidade de muitos dos seus textos ainda acentua mais esse aspecto de retrato do passado, talvez a última vez que o Portugal rural e interior foi descrito ao pormenor antes de desaparecer.]

* Público, Livro de Estilo

* (Joel Serrão e na actualização António Barreto /Filomena Mónica), Dicionário de História de Portugal

* Inocêncio F. da Silva, Dicionário Bibliográfico Português

[Uma obra monumental, de uma vida inteira, ordenada por critérios antiquados e caóticos, de muito difícil consulta, mas mesmo assim sem par para produção bibliográfica até ao século XIX. ]


*
Estas são as minhas sugestões:

Diccionario da chorographia de Portugal contendo a indicação de todas as cidades, villas e freguezias... / coord. por J. Leite de Vasconcellos. - Porto : Livraria Portuense de Clavel, 1884. - [8], 191 p. a 2 colns ; 21 cm


Armorial lusitano: Genealogia e Heráldica / dir. e coord. Afonso Eduardo Martins Zúquete, colabr. António Machado de Faria, des. João Carlos, J.
Ricardo da Silva. - 4". ed. - Lisboa : Zairol, 2000. - 733 p. : il. ; 25 cm.
- Ed. orig. por Editorial Enciclopédia. - ISBN 972-9362-24-6

(Isabel G.)

*

Apenas uma achega,no campo da Culinária, de um apreciador dessa "arte", como consumidor e executante.

Tenho o excelente "Pantagruel", do tempo do casamento dos meus Pais(tenho 50 anos) e tenho também o(na minha opinião) fabuloso Tratado Completo de Cozinha e de Copa , de Carlos Bento da Maia, que foi da minha Avó Paterna, Maria Inês Trindade Antolin, uma das mais completas cozinheiras que na sua residência, na Ribeira de Santarém, durante anos "oficiou", conforme ainda hoje há quem possa testemunhar.

(Fernando Antolin)

*

Uma sugestão: Instrumentos Musicais Populares Portugueses, obra justamente ainda hoje referida como "a bíblia" dos instrumentos musicais populares portugueses, da autoria de um etnólogo com um trabalho de campo extraordinário que escreveu diversas monografias sobre variados temas, desde A Arquitectura Tradicional Português, Espigueiros Portugueses, o fascinante Construções Primitivas em Portugal, Sistemas primitivos de moagem em Portugal, Moinhos de vento Açores e Porto Santo, Manjares cerimoniais do Entrudo em Portugal, O linho: tecnologia tradicional portuguesa, Actividades agro-marítimas em Portugal , Alfaia agrícola portuguesa, Algumas notas sobre pisões portugueses , Festividades cíclicas em Portugal , etc., etc., etc. Ou seja, um autor sem par, cuja obra é absolutamente essencial para entender o Portugal tradicional, que estará de certo entre os vinte mais importantes do século XX português, mesmo que não concorde em colocar, entre as primeiras vinte, nenhuma das suas obras.

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, 1910-1990
Instrumentos musicais populares portugueses / Ernesto Veiga de Oliveira. - Lisboa : Fund. Calouste Gulbenkian, 1966. - 239, [76], XXII p. : il. ; 31 cm

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, 1910-1990
Instrumentos musicais populares portugueses / Ernesto Veiga de Oliveira, análises e transcrições musicais de Domingos Morais... [et al.]. - 2" ed. - Lisboa :
Gulbenkian, 1982. - 526 p. : il. ; 24 cm

OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, 1910-1990
Instrumentos musicais populares portugueses / Ernesto Veiga de Oliveira, coord. Fundação Calouste Gulbenkian, Museu Nacional de Etnologia, dir. Benjamim Pereira. - 3ª ed. - Lisboa : F.C.G. : M.N.E., 2000. -
496 p. : il., not. mus. ; 26 cm. - Bibliografia, p.
480-490. - ISBN 972-666-075-0

Esta terceira edição inclui uma obra previamente publicada à parte intitulada Instrumentos Musicais Populares dos Açores.

(Hnerique Oliveira)

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Permita-me discordar da sua opinião sobre o livro de gastronomia mais importante em língua Portuguesa.

Sem dúvida que o trabalho de Maria de Lurdes Modesto sobre a cozinha tradicional Portuguesa é o mais importante que alguma vez foi feito, mas não é uma "Biblia da culinária". É apenas a Biblia da Cozinha tradicional de Portugal, importante sobretudo se atendermos ao trabalho de investigação necessário à sua elaboração.

Existe apenas uma Biblia da culinária escrita em Português, Estou-me a referir ao Livro de Pantagruel de Bertha Rosa-Limpo. Fundamental para quem quiser dominar os "tachos".

(Luís Bonifácio)

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Posso sugerir mais duas obras de referência? Aqui vão:

Rafael Bluteau, Vocabulario Portuguez e Latino (4 vols), Coimbra 1712-1728 Sebastiao Rodolfo Dalgado, Glossario Luso-Asiatico, 2 vols, Coimbra,
1919-1921. Acho estes imprescendiveis por quem estuda a história portuguesa pré-moderna.

(Liam M. Brockey, Assistant Professor of History, Princeton University)

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Sugestão: História da Literatura Portuguesa, de Óscar Lopes e António José Saraiva.


(José Carlos Santos)

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Uma sugestão: História Universal, de César Cantu., em 20 cols. Em cada volume, um capítulo dedicado a Portugal, da responsabilidade, salvo erro, de Ayres de Ornelas.
Excelente, cronologicamente e pela relação entre o que se passava em Portugal e no resto do Mundo – embora essa seja tarefa do leitor, facilitada apenas por estar contida no mesmo volume.

(Luís Manuel Rodrigues)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 16 de Julho de 2006


No número de Julho da The image “http://www.mdt.co.uk/PUBLIC/IMAGES/CM/Awards_Gram.gif” cannot be displayed, because it contains errors.dois artigos que valem a pena. Um, "Why are we obsessed with Shostakovich?"; o outro sobre o concerto da Boston Symphony Orchestra, em 18 de Janeiro de 1973, em que foi tocada a peça Four Organs de Steve Reich, a que só faltou pancadaria na sala.

Um dia será interessante estudar por que razão os melómanos são tão dados ao tumulto. Lenine parece que disse que quando tinha que tomar decisões difíceis não queria ouvir música que o punha "mole". Outros são wagnerianos e sonham com a cavalaria alada para dizerem "I love the smell of napalm in the morning." Não sei em que ficamos.

*
Em 1913, em Viena, num concerto com a Kammersymphonie No. 1 de Schönberg, não faltou pancadaria na sala! Reacções apaixonadas... Um caso, num certo sentido inverso, é o de Freud, que parece que, quando uma banda tocava num dos coretos de Viena, imediatamente se afastava furibundo: dizia ele que detestava emocionar-se sem perceber porquê...

(Carlos David Botelho)

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RETRATOS DO TRABALHO EM ISRAEL



Agricultores.

(José Manuel Fernandes)

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EARLY MORNING BLOGS

819 - Vento sulla mezzaluna

.......................................Edimburgo

Il grande ponte non portava a te.
T’avrei raggiunta anche navigando
nelle chiaviche, a un tuo comando. Ma
già le forze, col sole sui cristalli
delle verande, andavano stremandosi.

L’uomo che predicava sul Crescente
mi chiese «Sai dov’è Dio?». Lo sapevo
e glielo dissi. Scosse il capo. Sparve
nel turbine che prese uomini e case
e li sollevò in alto, sulla pece.

(Eugenio Montale)

*

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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