ABRUPTO

17.7.06


COISAS DA SÁBADO:

SOLIDÃO QUEM A TEM CHAMA-LHE SUA - UM LIVRO SOBRE AS PESSOAS SÓS

A obra de José Machado Pais tem sido, de há muitos anos a esta parte, do melhor que nos deu a sociologia em Portugal. Os seus estudos são pioneiros do conhecimento sociológico em Portugal nas áreas a que se dedica, combinando uma investigação empírica séria com uma sólida teoria, tudo vertido numa linguagem sem academismos e pretensões. E, o que ele estuda está no centro do nosso (des) conhecimento da realidade dos dias de hoje, do Portugal que existe mesmo fora dos livros, nas ruas, nos bairros degradados, nos gangs juvenis, na droga, nas discotecas.

O último livro intitulado Nos Rastos da Solidão é um estudo sobre o quotidiano na grande cidade onde quase todos vivemos e a sua produção de solidão, de pessoas sós que se sentem sós, e sobre as estratégias de combate e de esquecimento dessa solidão. Compreende um conjunto de ensaios sobre os sem-abrigo, o consumismo, a velhice, o "desencanto", os emigrantes de Leste, os "animais de companhia". Dois estudos mostram os pólos opostos da solidão urbana, opostos social, etária e intelectualmente, mas nem por isso menos diferentes na solidão: as tabernas e os chats. Este livro deveria ser de leitura obrigatória para todos os que querem saber as linhas menos visíveis que se cosem nos centros comerciais, à noite diante de um computador, nos ajuntamentos de madrugada dos trabalhadores ucranianos para as obras, nas velhas dos gatos que em cada rua antiga são os alvos da ira popular. Os gatos, os cães e os pombos sujam tudo, mas sujam bastante menos do que estas solidões. A ler absolutamente.


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© José Pacheco Pereira
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