O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES; O EDUQUÊS EM AVALIAÇÃO
Muito se tem falado de processos de avaliação, centrada a discussão no teste de Física da primeira fase. Não posso deixar de verificar escandalizada o seguinte, que diz respeito à maioria dos testes do Secundário que pelos quais se tem avaliado os nossos alunos :
1- As questões são de tal maneira sui generis, enviesadas e distantes do programa e da realidade escolar (atenção, meus senhores, o país vai de Trás-os-Montes ao Algarve), que ter investido ou não em estudo não é relevante;
2- Numa reforma que pela primeira vez é testada, não foram enviadas provas- referência;
3-O exame de 11º de Biologia e Geologia, por exemplo, para além da formulação imprecisa de perguntas, tem aspectos absolutamente mirabolantes: a) depois do investimento,por parte das escolas e colégios,em material de laboratório para pôr a funcionar os trabalhos laboratoriais, ao abrigo da penúltima reforma, os trabalhos laboratoriais foram "extintos"na última e actual reforma. E é precisamente o exame de Biologia e Geologia, 1ª fase, que pede ao aluno que invente uma experiência; b)depois da invenção da experiência, propõe-se que crie um projecto de investigação (!). Isto é muito interessante como experiência para preencher 90 m de aula - será oportuno num exame? Fico a saber que a figura de "jovens investigadores" , utilizada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, se deve aplicar a jovens examinandos do Secundário.
4-Como Coordenadora Científica de um Centro de Investigação (e mãe de uma aluna sujeita a esta brincadeira de mau gosto), pergunto: andam a brincar com o contribuinte, com os nossos jovens ou aos investigadores?
5- Faço outra pergunta, do fundo da minha indignação cívica - a um professor que ouse "reter" um aluno são pedidos x formulários, relatórios, justificações - e a uma comissão de incompetentes, aquartelada no semi-anonimato do GAVE, que é responsável pela desestabilização e hecatombe de um país inteiro, pela motivação de jovens para irem estudar para fora destas fronteiras, ? que se faz? não há responsabilidades a pedir? bate-se palmas? de ciência pouco sabem e da realidade de aplicação e aplicabilidade dos programas ainda menos. Sinceramente, a Senhora Ministra pode estar cheia de boas intenções para impor regras ao sistema, mas a primeira regra é não se rodear de incompetentes ...e brincalhões.
(Maria do Céu Fialho, Prof. Caterática da Universidade de Coimbra e Coordenadora Científica de um Centro de Investigação sem alunos do Secundário nem membros do GAVE.)
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Vi ontem no canal parlamento e em directo, a prestação da Ministra da Educação. Fiquei com a sensação que não é ela quem governa o seu ministério, devendo alguém trabalhar por ela. Como é que por detrás de tantas políticas educativas pode estar uma pessoa que não sabe falar, não compreende o teor das perguntas directas feitas pelos demais intervenientes, engasgando-se, ruborizando, como se fosse uma caloira? Porque é que não responsabiliza o GAVE? Porque é que não demite quem está à frente do referido Gabinete? Isto deixa-nos perceber claramente que existem motivos obscuros que “obrigaram” às conhecidas medidas políticas. Vários exames tinham erros, eram extensos, quem os realizou – os “experts” ao serviço da Ministra, deviam ser devidamente responsabilizados/demitidos.
Outra questão foi a declaração mentirosa da Ministra relativamente aos resultados do exame nacional de matemática do 9º ano. A dita afirmou que a óbvia melhoria dos resultados do exame a matemática neste ano, se devia à implementação das suas novas políticas. Eu vigiei esse exame, e tive a oportunidade de o ler: espantar-se-ia se lhe dissesse que qualquer pessoa com a antiga quarta classe, o saberia fazer tirando positiva. Pois é, até o fiz de cabeça. Algumas questões pareciam aqueles passatempos que compramos no quiosque para levarmos para férias. Aí está a política de rigor e exigência da Ministra – a mentira. E já falou que o próximo objectivo será a Língua Portuguesa – adivinhe como será o exame nacional do 9º ano no próximo ano: fazer uma cópia sobre o texto “O capuchinho vermelho”, dizer o presente do indicativo do verbo mentir, e escrever uma composição sobre as férias de Verão que hão-de vir… É uma vergonha.