| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
|
27.5.06
QUEM DESCEU PRIMEIRO AS ESCADAS, O QUE COMERAM AO PEQUENO ALMOÇO, O TORNOZELO QUE ESTÁ VERMELHO, “GOSTAVA DE VIR A PEGAR NELA [A TAÇA]”, “OS RAPAZES VÃO TER UM BOCADO DE PRESSÃO”, “ A ALEMANHA NATURALIZOU FANTASISTAS COMO O NANDO”, “ESTOU NUM GRANDE MOMENTO FÍSICO E PSICOLÓGICO”, “O DESEJO CRESCENTE QUE CADA VEZ MAIS ENVOLVE A NAÇÃO LUSA”, “FAZ FALTA QUARESMA PORQUE FOI MUITO CONSISTENTE”, AS BANCADAS DO LUSITANO ESTÃO SEM LICENÇA. “O DO MEIO TINHA COMO FUNÇÃO FINALIZAR OS CENTROS DA ESQUERDA E DA DIREITA”, MANICHE DEU O “TIRO MAIS SONORO AO POSTE”, OS JOGADORES “MANIFESTARAM SINTONIA”, A CONSTIPAÇÃO INIMIGA DA SELECÇÃO, “COMO TENHO MUITAS SAUDADES DA MINHA MULHER”, “TUDO O QUE FIZER MISTER SCOLARI, ESTÁ BEM”, ETC, ETC. ![]() Ah! minha bela Futebolândia! Segue o exemplo do Montenegro e torna-te independente. Leva a televisão, a rádio e os jornais... Já tens bandeira e hino e a UE dar-te-á seguramente guarida. Deixa o silêncio por cá. Vá, rápido! (Na Sábado.) (url)
EARLY MORNING BLOGS 783
Vida Choveu! E logo da terra humosa Irrompe o campo das liliáceas. Foi bem fecunda, a estação pluviosa! Que vigor no campo das liliáceas! Calquem. Recalquem, não o afogam. Deixem. Não calquem. Que tudo invadam. Não as extinguem. Porque as degradam? Para que as calcam? Não as afogam. Olhem o fogo que anda na serra. É a queimada... Que lumaréu! Podem calcá-lo, deitar-lhe terra, Que não apagam o lumaréu. Deixem! Não calquem! Deixem arder. Se aqui o pisam, rebenta além. - E se arde tudo? - Isso que tem? Deitam-lhe fogo, é para arder... (Camilo Pessanha) * Bom dia! (url) 26.5.06
RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL Padeiros Poucos, muito poucos, se lembram, que, quando comem um pedaço de pão ao pequeno almoço, ao almoço ou ao jantar, existe uma actividade muito especifica subjacente à produção de tal alimento. Uma actividade exercida de noite...das 00.00 ás 06.00/07.00, cujo resultado é depois distribuído pelos motoristas ás mercearias, restaurantes, cantinas fabris, escolas, etc...actividade oculta, exercida por homens que não têm mais do que a antiga 4º classe, muitos deles analfabetos, mas que produzem algo (enquanto os outros estão a dormir) que muitas pessoas não dispensa no seu dia a dia: O PÃO! (Fernando Machado) (url)
EARLY MORNING BLOGS 782
A Manhã fresca está, sereno o vento, O monte verde, o rio transparente, O bosque ameno; e o prado florescente Fragâncias exalando cento a cento. O Peixe, a Ave, o Bruto, o branco Armento, Tudo se alegra; e até sair a gente Dos rústicos casais se vê contente, E discorrer com vário movimento. Este cava, outro ceifa e aquele o gado Traz no campo a pastar de posto em posto; Outro pega na fouce, outro no arado. Tudo alegre se mostra: e só disposto Tem contra mim o indispensável fado, Que em nada encontre alívio, em nada gosto. (Abade de Jazente) * Bom dia! (url) 25.5.06
INTENDÊNCIA
Actualizado O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LEITURA, LEITURAS. Actualização em curso dos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO. (url) O QUE ESTAVA NA GAVETA Muitas vezes se perguntou, depois do 25 de Abril, sobre os romances e outros escritos literários que estariam na gaveta sem poderem ser publicados devido à Censura. Hoje sabemos que não havia nada de significativo na gaveta, o que não deixa de ser surpreendente dada a duração da ditadura e o facto de alguns escritores e intelectuais estarem exilados, fora dos constrangimentos policiais do regime, podendo ter escrito textos para além da censura. Se exceptuarmos meia dúzia de poesias, só os textos clandestinos de autores comunistas, os contos "vermelhos" de Soeiro Pereira Gomes e a obra ficcional de Cunhal escrita na cadeia, o Até Amanhã Camaradas e o Cinco Dias, Cinco Noites, foram escritos para além da Censura.Quer se queira quer não, a Censura exerceu o seu poder muito para além da sua realidade física, mostrando a sua enorme eficácia como instituição, provavelmente, e cada vez me inclino mais para essa avaliação, como a mais poderosa e eficaz instituição da ditadura. O caso português ganha em ser comparado com outros casos de literatura "clandestina", como a produzida pela Resistência francesa, ou pela "dissidência" soviética, onde toda uma tradição literária, poética, ficcional e ensaística, foi mantida sem interrupção, mesmo nos anos mais duros das grandes purgas estalinistas. Nas cozinhas e nas salas dos pequenos apartamentos urbanos, onde poucos cabiam sem se acotovelar, nas dachas periféricas, manuscritos, tiragens frágeis ou apenas a força da memorização mantinham uma vida literária de resistência que nunca o comunismo conseguiu destruir. Não estando romances, nem novelas, nas gavetas dos nossos escritores da oposição, o que agora se verifica é que estavam cartas. A correspondência torna-se assim a revelação em grande parte por fazer sobre a vida portuguesa subterrânea, que só tenuemente chegava aos jornais e revistas, e que fluía com maior liberdade nas cartas do que nos textos para publicar, embora essa liberdade fosse também vigiada pela PIDE. A correspondência era controlada, as cartas desviadas nos CTT e interceptadas, de forma dirigida ou ao acaso. Várias prisões foram feitas a partir de cartas interceptadas e nas buscas policiais a correspondência era especialmente procurada. Mas havia correspondência e o pouco que já se conhece mostra a sua importância como fonte ímpar para o conhecimento da época e também, nalguns casos, pelo seu valor literário e ensaístico. A publicação de vários grupos de correspondência, incluindo a de Luiz Pacheco com alguns dos seus companheiros, a excepcional série de cartas entre Óscar Lopes e António José Saraiva é agora acrescentada pela correspondência entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena, cobrindo os anos de 1959-1978, editada pela Guerra e Paz. O livro é obrigatório por todas as razões, por Sena, por Sophia e pelo Portugal cultural e político desses anos tristes e convulsos. Personalidades muito diferentes, Sophia, prudente, calma e contida, e Sena agitado, infeliz e zangado com o mundo, trocam cartas numa época em que as cartas eram ainda importantes e não eram substituídas pelo telefone, cujo uso era escasso, porque caro, para longas distâncias e muito menos pelo inexistente e-mail. Escrever-se era primeiro que tudo um exercício de amizade e é essa a plataforma em que Sena e Sophia se "falam", escrevendo cartas. De que falam? Do seu mundo, tão diferente em muitos aspectos do actual, a não ser nos comportamentos, e esse mundo é dominado pela literatura, pela política, pela vida pessoal de cada um, em particular quando emanava dos dois temas anteriores. É uma correspondência reservada, pouco íntima, mas que se solta na avaliação de sentimentos, de sentimentos vindos de fora, como as impressões de Sophia sobre o impacto que teve a sua viagem à Grécia. Falam mais de política do que hoje é habitual, porque a política integrava-se na sua relação cívica e intelectual com o mundo. Nos anos da ditadura, sendo ambos oposicionistas moderados, ou seja não comunistas, a obrigação da política tinha um aspecto de exigência ética que é difícil de compreender nos nossos dias. Nas suas cartas aparece o dilema dos poucos intelectuais portugueses que estavam entalados entre a recusa da ditadura e a desconfiança activa com a hegemonia dos comunistas na cultura da oposição. Quer Sena, quer Sophia relatam vários casos de manipulação dos escritores portugueses pela rede nacional e internacional de apoios, prémios e promoção que favorecia o cânone neo-realista e a fidelidade ideológica em detrimento da qualidade literária. Sena chega a dizer de forma premonitória: "Agora estão os Cidades e os Pimpões contra mim, tempo virá em que os Saraivas se oporão a que eu tenha alguma cátedra" (carta de 1964). Este isolamento político acentuava as quezílias nos meios literários e, na correspondência, essa eterna característica portuguesa (e não só) é bem retratada, em particular por Sena, que sofria de um enorme ressentimento por não ver o seu valor reconhecido como entendia dever ser. Sena era uma personagem muito mais controversa do que Sophia e as suas atribulações de exílio ainda acentuavam mais a sua permanente zanga com tudo o que era português, melhor, portuguezinho. O peso do exílio é uma constante nas cartas de Sena, que afirmava não "fazer profissão de exilado político inassimilável" e que dizia "comportar-se como brasileiro em tudo", acrescentando depois, com amargura, "sem abdicar em nada de ser o português que ninguém é mais do que eu" (Carta de 1962). Falando na sua qualidade de poetas, de poeta a poeta, Sophia descreve a impressão que teve na sua viagem à Grécia em 1964: "foi ali a minha total felicidade", "encontrei na Grécia a minha própria poesia (...) encontrei um mundo em que já não ousava acreditar". Na correspondência de Sophia, estas são as páginas mais intensas, e dão, mais tarde, origem a uma discussão entre ambos sobre a tradução, que se percebe ter a ver com "ler" a Grécia. Sophia quer conhecê-la em traduções o mais próximas possível ao original e Sena, então a publicar a sua antologia de traduções, defende a recriação do texto. As traduções tinham um papel no trabalho de ambos porque eram uma das poucas formas de ganhar dinheiro com uma actividade intelectual e criativa, e o dinheiro faltava, em particular, a Sena. Muito mais se podia escrever sobre esta correspondência, mas basta começar a ler qualquer carta para se perceber a sua importância para conhecer Sena e Sophia, mais o primeiro do que a segunda, e para se perceber o Portugal do século XX, claustrofóbico, pequeno e provinciano. Como Sena escreve, com dureza: "Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece. Nós todos é que precisamos que nos salvem dele." (No Público de hoje.) * NOTA: Fernando Venâncio chama a atenção para que havia mais coisas na gaveta. (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UM LIVRO PARA ENTENDER OS BALCÃS
Há livros que, de repente, lançam uma grande luz sobre questões que se nos afiguravam difíceis de entender, obscuras ou irracionais. Acabei agora de reler, pela enésima vez, um livrinho do Brigadeiro Fitzroy McLean, (autor, também do “Eastern approaches”) e falecido há alguns anos na sua bela propriedade na Escócia. O livro, o primeiro que ele escreveu com conhecimento directo de causa (McLean foi o primeiro oficial superior da Inteligência Militar britânica a ser lançado nas montanhas da antiga Jugoslávia, para ser o contacto e o agente de ligação entre os “Partisan” de Tito e o próprio Winston Churchill - que desconfiava, já na altura, dos “Cètniks” de Mihailovic) chama-se “A batalha do Neretva” e os seus primeiros capítulos são, num brilhante resumo, o mais esclarecedor e lúcido documento sobre o que aconteceu na Jugoslávia pós-Tito e em toda a c complicação e sangueira balcânica dos nossos dias. (Luiz Rodrigues) (url) BIBLIOFILIA / FILATELIA: OBJECTOS EM RISCO DE EXTINÇÃO? E COISAS DA SÁBADO sobre os POBRES SELOS Que já lhes basta não terem função nos dias de hoje que um computador, uma tira de papel com cola, um carimbo vermelho não substitua e ainda por cima verem-se envolvidos numa possível fraude financeira em que servem de pretexto. Como filatelista amador, os selos são para mim um mundo de prazer e afeição e a Afinsa um bom fornecedor de material filatélico. Registe-se que o que lá compro, trago para casa, e nunca “investi” em selos pelo que não faço parte dos milhares em fila que acreditam em “esquemas” que dão juros imaginários. Não sei se a Afinsa cometia ilegalidades, mas se a firma desaparecer acabam os serviços que quase só ela fornecia: catálogos de qualidade, assinaturas de novidades, folhas de álbuns. Pobres selos, pobres filatelistas que não acreditam em investimentos milagreiros, mas apenas na compulsiva paixão de encher os vazios dos álbuns com história condensada. Sim, porque os selos, principalmente os clássicos, são história condensada. (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: BIBLIOTECAS E ESTÁDIOS
A propósito da "futebolândia" que tanto expôe e critica nos seus escritos remeto-lhe o link de um interessante Blog que contém um trabalho estatístico curioso. Compara-se a média mensal de assistência dos estádios dos dois maiores clubes de Lisboa com o número de visitantes da rede de bibliotecas da capital. Talvez nem tudo esteja perdido...... (Jorge Lopes) (url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: LEITURA, LEITURAS
No domingo 21 de Maio a crónica de Vasco Pulido Valente no Público refere-se a um convite que lhe terá sido enviado por três ministros para pertencer à Comissão do Honra do Plano Nacional de Leitura. Afirma ter resolvido responder em público. Mas afinal limita-se a usar o convite como pretexto para um arrazoado de ataques incongruentes e despropositados. Acusa os ministros de lançarem “uma fantasia”, sem se dar ao trabalho de esclarecer o leitor qual é afinal o conteúdo do dito Plano. Acusa o Dr. Graça Moura, de fazer propaganda ao governo (!) Acusa a televisão, o computador e o telemóvel de impedirem as “criancinhas” de lerem, para afirmar na frase seguinte que afinal nunca se leu tanto em Portugal. Acusa o Miguel Sousa Tavares, a Margarida Rebelo Pinto e o Saramago porque “vendem”livros. Acusa os best-sellers e seus leitores de existirem. Afirma que os hipermercados promovem mais a leitura do que as escolas e as bibliotecas, enfim, não vale a pena continuar a reproduzir o chorrilho de asneiras. É óbvio que o autor da crónica ignora, (ou quer ignorar?) quais são os resultados dos portugueses nos estudos internacionais de literacia. Bastava-lhe ter lido os jornais na altura da publicação do relatório do PISA 2003, ou consultar a net., para se informar. Se o tivesse feito, poderia verificar que a competência de leitura de 48% dos jovens de 15 anos é mínima. Apenas lhes permite localizar uma informação num texto ou identificar o tema principal do que leram. Um tão baixo nível de domínio da leitura no final do ensino básico exige que se tomem medidas, pois deixa irremediavelmente comprometido o sucesso académico e profissional das novas gerações e impossibilita o desenvolvimento do país. Face a este panorama, considero absolutamente extraordinário, que se possa considerar “inimaginável” a intervenção do Estado, usando como argumento que se deve deixar agir o mercado, ou mais precisamente o “hipermercado”. Saberá o autor que praticamente todos os países europeus, mesmo os que apresentam resultados bastante favoráveis, lançaram ou estão a preparar medidas de âmbito nacional para desenvolver a literacia? Que países com tradições de intervenção minimalista do Estado nas áreas da Educação e da Cultura (por exemplo o Reino Unido) lançaram planos nacionais e têm apresentado resultados muito positivos? Não leu, não sabe e provavelmente não lhe interessa saber. (...) A mim, como professora, interessa e muito e espero que o governo neste plano siga o bom exemplo inglês que pode ser visto aqui. (Olívia Cardoso) * Ao contrário da minha Colega Olívia Cardoso, fui dos que reagi no PÚBLICO favoravelmente ao texto de Vasco Pulido Valente. Independentemente das especificidades do Plano Nacional de Leitura e do tom veemente do autor, o problema é que esse tipo de planos, certamente “causas nobres” (para usar a expressão de VPV), têm sistematicamente desviado a acção governativa das medidas de fundo que teimosamente continuam a ser adiadas no ensino. Não é “à volta do ensino” que se resolve o problema da literacia, mas dentro do próprio ensino, sem me é permitida a imagem. Para usar uma expressão do Primeiro-Ministro, «Não há volta a dar». Os mesmos governantes que desvalorizam o papel de saberes estruturais para a identidade civilizacional a que pertencemos (a nível literário, científico ou, numa palavra, humanista), através da imposição ou tolerância face a currículos e programas que muitas vezes não revelam mais do que ódio ao conhecimento; os mesmos governantes que se entretêm com as aulas de substituição (com as quais concordo), mas que não mudam nada de substantivo no modelo esgotado de sala de aula e de relação professor-aluno-conhecimento; os mesmos governantes que fingem não entender que a tranquilidade (e mesmo o silêncio) são decisivos para a qualidade das aprendizagens e mantêm uma política de avestruz face aos problemas de indisciplina; os mesmos governantes que pressionam o corpo docente no sentido do facilitismo (por exemplo, incentivando a que a avaliação incida sobre absurdos como as “competências” ou as “atitudes” e cada vez menos sobre a qualidade do que os alunos, de facto, lêem, escrevem ou são capazes de calcular) – tais governantes não têm depois grande legitimidade para, tal qual almas cândidas, virem propor “planos” para corrigir o monstro que deixam arrastar. Admitia legitimidade a tais “planos” se eles viessem complementar políticas de fundo. Mas, lamentavelmente, não é nada disso que está a acontecer. Um outro aspecto que me parece preocupante é que os consensos que tais “planos” bem-intencionados quase invariavelmente geram (tal qual organismos inócuos como o Conselho Nacional de Educação) na prática tendem a apagar a dimensão verdadeiramente política e democrática (e porque não ideológica) do debate educativo. Foi a quase ausência do contraditório, do debate frontal sobre opções ditas «pedagógicas», que fez do ensino aquilo que ele é: o território onde se manifestam, por excelência, efeitos socialmente nefastos do politicamente correcto. Creio que a esse nível, ingleses ou europeus, não nos podem dar grandes exemplos. Há apenas, em benefício deles, uma diferença de grau. Mas o problema é de fundo. (url) LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES) (25 de Maio de 2006) ![]() __________________________ Finalmente no Correio da Manhã meia dúzia de perguntas e respostas simples para se perceber o conflito timorense. Mas a pergunta que deve ser feita à nossa comunicação social, que já publicou centenas de milhares de linhas, que já gastou milhões de palavras sobre Timor, que está presente em Timor mais do que em qualquer outro sítio, é por que é que só agora sabemos que existe este conflito étnico com gravidade bastante para desencadear uma guerra civil? * Nas paredes do Auditório de um encontro sobre poesia que se deu em Vila do Conde, havia um conjunto de excelentes fotografias dos participantes no encontro anterior, muitas das quais retratos de gente dos blogues. Em Nelson d'Aires podem-se ver essas fotos e muito mais, de um fotografo freelancer que deve ser muito mais conhecido e reconhecido. Não há olhos que vejam?
Peregrinos na transladação da irmã Lúcia.
(url)
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: FORMAS DE TRATAMENTO
Um dos factores reveladores do provincianismo e atraso português é o modo como os jornalistas se dirigem aos treinadores de futebol nas entrevistas e conferências de imprensa, colocando Sr. à frente do nome quando são estrangeiros (Sr. "Co" Adrianse, Sr. Luis Filipe Scolari, Sr. Ronald Koeman) e omitindo-o quando se trata de portugueses (Paulo Bento, António Oliveira, etc). O facto de alguns treinadores portugueses terem sido jogadores de topo e essa maior "familiaridade" (vamos chamar-lhe assim) advir desse facto não serve de justificação, pois muitos também nunca o foram. Podemos verificar a diferença em relação a Inglaterra, onde os jornalistas se dirigem a José Mourinho, que até tem um grau académico, tratando-o, invariavelmente, por José e a Eriksson (seleccionador nacional) por Sven. É óbvio que existem diferenças de "culturas". Trabalhei em multinacionais de influência anglo-saxónica - tratamento pelo 1º nome - e alemã - "Herr" e "Frau" eram a forma mais comum - mas em ambas só por acaso soube o grau académico de alguns dos meus colegas e eles o meu. Mas o que está em causa aqui, numa primeira análise, não é tanto a forma de tratamento, mas sim, no caso focado, a diferenciação desse mesmo tratamento em função da nacionalidade, que, para além do provincianismo que demonstra, pode inclusivamente ocultar, no limite, um comportamento na fronteira da xenofobia, sob a capa, aparente, de um "tom" cerimonioso (João Cília) * Em complemento do que diz João Cília acerca do provincianismo da nossa Futebolândia, recordemos que um clube que é, entre nós, conhecido como «o Milan de Rui Costa» vai ficar sem esse jogador. (url)
EARLY MORNING BLOGS 781
A Noiseless Patient Spider A noiseless patient spider, I marked where on a promontory it stood isolated, Marked how to explore the vacant vast surrounding, It launched forth filament, filament, filament, out of itself, Ever unreeling them, ever tirelessly speeding them. And you O my soul where you stand, Surrounded, detached, in measureless oceans of space, Ceaselessly musing, venturing, throwing, seeking the spheres to connect them, Till the bridge you will need be formed, till the ductile anchor hold, Till the gossamer thread you fling catch somwhere, O my soul. (Walt Whitman) * Bom dia! (url) 23.5.06
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DESTRUIÇÕES EM TACITOLU (TIMOR)
(T.) (url) 22.5.06
LENDO / VENDO /OUVINDO (BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES) (22 de Maio de 2006) ![]() ![]() ![]() __________________________ O debate como luta de gladiadores moderna, e a televisão como sua arena, vista pela publicidade do Prós e Contras na RTP1. * Um académico descobre a realidade da selva onde habitamos todos já há muito tempo. * Há um grupo de homens para quem os Balcâs não têm nunca novidade: os filatelistas. Independência do Montenegro? Déjà vu: * A propósito da sua referência à independência do Montenegro, não tenho deixado de pensar na minha, até agora, única viagem ao país, nos tempos da Jugoslávia de Tito, nos idos de 70 do século passado e, principalmente, na minha visita a Cetinje, antiga capital do país, numa tarde de fim de Verão, ido de Budva, no litoral montenegrino, onde estava de férias. De repente, senti-me transportado a um país irreal, quase como num sonho, ou, melhor ainda, numa recreação fantástica e fantasiada dos tempos do Império, misturando Sissi, o Imperador Francisco José, "O Prisioneiro do Castelo de Zenda" e imagens da Sildávia do Tintin do "Ceptro de Ottokar" com a "modernidade" pronvinciana de uma Jugoslávia "socialista" mas que se pretendia "liberal", que já não era a do litoral turístico mas misturava cenas que poderiam ter sido retiradas do Portugal de província com traços decadentes, principalmente em edifícios, de algum esplendor antigo do Império onde a influência turca era ainda assinalável. Ali, numa pequena cidade de 10.000 habitantes, "enfiada" entre montanhas, onde não esperamos encontrar nada que nos surpreenda, mtº menos estas duas realidades que coexistiam mas se pareciam ignorar e repelir mutuamente. Ainda hoje, quando penso nessa visita, as imagens que ainda retenho mais me parecem retiradas de um sonho ou de uma qualquer recreação fantástica da realidade, do que de algo que tenha efectivamente acontecido. (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 780
la chanson d'un dadaïste qui avait dada au coeur fatiguait trop son moteur qui avait dada au coeur l'ascenseur portait un roi lourd fragile autonome il coupa son grand bras droit l'envoya au pape à rome c'est pourquoi l'ascenseur n'avait plus dada au coeur mangez du chocolat lavez votre cerveau dada dada buvez de l'eau (T. Tzara) * Bom dia! (url) 21.5.06
DEZ QUADROS FAUVE NA GALERIA NACIONAL HÚNGARA:
9. RETRATO DE SÁNDOR ZIFFER (VILMOS PERLROTT-CSABA) ![]() (url) (url) PERGUNTA RESPONDIDA, TUDO O RESTO ESTÁ EM ABERTO ![]() "A pergunta O QUE É QUE ACONTECEU AO INQUÉRITO "URGENTE" PARA SABER COMO É QUE LISTAS DE TELEFONES E TELEFONEMAS DE ALTAS INDIVIDUALIDADES DO ESTADO FORAM PARAR AO "ENVELOPE 9" DO PROCESSO CASA PIA? tem pés para andar, porque é uma exigência cívica. " Isto foi escrito aqui no dia 19, uma semana depois de a pergunta ter sido formulada e ter sido retomada por vários blogues , assim como em notícias e artigos de opinião nos jornais. No dia 20, o Procurador Geral da República respondia a esta pergunta numa declaração-entrevista no Expresso fornecendo a sua explicação sobre as razões do atraso do inquérito "urgente". Fez bem em explicar o atraso, mesmo que essa explicação comporte opções do Ministério Público na condução do inquérito que são discutíveis na sua oportunidade, necessidade e relevância. Foi, no entanto, ainda mais longe e forneceu informações substantivas sobre o inquérito antes da sua conclusão, que por si só levantam muitas perplexidades e exigem séria discussão. Ela far-se-á, inevitavelmente. (url)
© José Pacheco Pereira
|