ABRUPTO

19.2.05


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: COISAS SIMPLES ... OU PRAZERES

Vergnügungen Prazeres

Der erste Blick aus dem Fenster am Morgen O primeiro olhar pela janela de manhã
Das wiedergefundene alte Buch O velho livro reencontrado
Begeisterte Gesichter Caras entusiasmadas
Schnee, der Wechsel der Jahreszeiten Neve, a mudança das estações
Die Zeitung O jornal
Der Hund O cão
Die Dialektik A dialéctica
Duschen, Schwimmen Tomar duche, nadar
Alte Musik Música antiga
Bequeme Schuhe Sapatos confortáveis
Begreifen Compreender
Neue Musik Música nova
Schreiben, pflanzen Escrever, plantar
reisen, singen Viajar, cantar
Freundlich sein Ser amável


(Bertold Brecht, lembrança de Maria Emília Malta, e tradução para o Abrupto de Madalena Ferreira Åhman)

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COISAS SIMPLES


Bonnard, Indolence

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EARLY MORNING BLOGS 433

Sagesse


Le ciel est, par-dessus le toit,
Si bleu, si calme!
Un arbre, par-dessus le toit,
Berce sa palme.

La cloche dans le ciel qu’on voit
Doucement tinte.
Un oiseau sur l’arbre qu’on voit
Chante sa plainte.

Mon Dieu, mon Dieu, la vie est là,
Simple et tranquille.
Cette paisible rumeur-ia
Vient de la ville.

—Qu’as-tu fait, ô toi que voilà
Pleurant sans cesse,
Dis, qu’as-tu fait, toi que voilà,
De ta jeunesse?


(Paul Verlaine)

*

Bom dia!

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18.2.05


COMEÇOU

o silêncio.

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APRENDENDO COM O PADRE ANTÓNIO VIEIRA SOBRE O ARREPENDIMENTO DE DEUS

Muito honrastes, Senhor, ao homem na criação do mundo, formando-o com vossas próprias mãos, informando-o e animando-o com vosso próprio alento, e imprimindo nele o caráter de vossa imagem e semelhança. Mas parece que logo, desde aquele mesmo dia, vos não contentastes dele, porque de todas as outras coisas que criastes, diz a Escritura que vos pareceram bem: Vidit Deus quod esset bonum — e só do homem o não diz. Na admiração desta misteriosa reticência andou desde então suspenso e vacilando o juízo humano, não podendo penetrar qual fosse a causa por que, agradando-vos com tão pública demonstração todas as vossas obras, só do homem, que era a mais perfeita de todas, não mostrásseis agrado. Finalmente, passados mais de mil e setecentos anos, a mesma Escritura, que tinha calado aquele mistério, nos declarou que vós estáveis arrependido de ter criado o homem: Poenituit eum quod hominem fecisset in terra — e que vós mesmo dissestes que vos pesava: Poenitet me fecisse eos — e então ficou patente e manifesto a todos o segredo que tantos tempos tínheis ocultado. E vós, Senhor, dizeis que vos pesa e que estais arrependido de ter criado o homem, pois essa é a causa por que logo, desde o princípio de sua criação vos não agradastes dele nem quisestes que se dissesse que vos parecera bem, julgando, como era razão, por coisa muito alheia de vossa Sabedoria e Providência, que em nenhum tempo vos agradasse nem parecesse bem aquilo de que depois vos havíeis de arrepender e ter pesar de ter feito: Poenitet me fecisse.

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INTENDÊNCIA

Actualizadas as bibliografias de 2003 e 2004 nos ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

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BIBLIOFILIA








Não sei se a tradução do russo é boa, embora pense que é a primeira feita directamente do original, a capa é péssima, mas o livro é uma obra-prima do Tolstoi tardio, num registo poético pouco comum. É também um livro fundamental para se perceber a guerra da Chechénia.

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NOTAS CHEKOVIANAS

Uma boa pergunta: "devem actores negros representar Chekov?" e uma boa resposta.

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OUVINDO BRAHMS


O Quinteto para Piano e Cordas Op. 34 com Pollini ao piano.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O "MODELO NÓRDICO"

Outra coisa que me assustou, aqui a 3500km de distância, foi a declaração de Sócrates numa conferência do DE há uns dias, defendendo o chamado "modelo nórdico" de Estado-social. Eu ainda admito que o português comum, menos avisado, ainda acredite que se vive nos países nórdicos como há 30 anos, mas quem (ao que tudo indica) vai ser o próximo primeiro ministro de Portugal tem obrigação de estar melhor informado e de já ter percebido que os países nórdicos (sobretudo o maior deles, a Suécia) andam há dez ou vinte anos a tentar livrar-se do famoso modelo que, como se diz em bom português, foi "chão que já deu uvas" (e nem sei se deu muitas...). Comprovou-se que era insustentável, e se tornava cada vez mais insustentável. Ser agora defendido para Portugal é prova de que se mantém o desfasamento do país relativamente à Europa, ou da mais completa hipocrisia por parte do futuro primeiro ministro. Qualquer das hipóteses é preocupante.

(Madalena Ferreira Åhman)

*
Subscrevo as preocupações da leitora Madalena Ferreira Ahman relativamente ao denominado "modelo nórdico" de José Sócrates. Apesar de nunca ter vivido na Suécia, conheço bem a Holanda (país que chegou a ter um "estado social" comparável) onde vivi cerca de trinta anos. No entanto, e da mesma forma do que na Suécia, a sua sustentabilidade começou a ser posta em causa na década de oitenta. O problema é que Portugal (os portugueses) nunca chegaram a conhecer um sistema social (welfare state) comparável a qualquer dos países nórdicos, pesem algumas das medidas introduzidas no pós 25 de Abril. Ou seja, o que os países nórdicos fizeram e já começaram a "desmantelar", ainda hoje é infinitamente superior ao tímido sistema social português. Donde, os portugueses, não podem sequer acabar com algo que mal começou...resta acrescentar que, para além do modelo económico, os paises nórdicos tem ainda uma coisa chamada "ética protestante", que não explicando tudo, ajuda bastante...basta ler o Max Weber e a "ética protestante do capitalismo" para percebermos a razão de avanço de uns e o atraso de outros...
(Rui Mota)

*
A razão de evocação do referido modelo por J. Sócrates terá origem num livro denominado "O Futuro da Europa Social"( 1ª ed. Set 2000, Celta Editora ), da autoria de Maurizio Ferrara, Anton Hemerijck e Marin Rhodes, livro que nasce de uma solicitação do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, sendo ao tempo ministro Eduardo ferro Rodrigues, enquadrado na presidência da União Europeia, no âmbito do Trabalho e Assuntos Sociais.
Naquele são referidos os quatro modelos de estado-providência considerados pelos autores, a saber: nórdico, anglo-saxónico, continental e de sul.
É particularmente constatado que o elevado nível de apoio às políticas sociais - na tradição e cultura "folkhemmet": o Estado-providência é a "casa do povo" - têm sido objecto de reformas, direccionadas para a resolução de problemas concretos , sem controvérsias de fundo em torno de perspectivas e cenários alternativos.
Acrescenta que as reformas dos anos 90 conduziram a uma retracção do modelo escandinavo e a uma reorganização do sistema de incentivos. mas logo refere que a arquitectura que lhe está subjacente permaneceu em larga medida intacta, mostrando que um Estado-providência avançado e universalista não é uma desvantagem quando surge uma crise económica repentina e inesperada. O problema essencial que apresentam será de "flexibilidade", ou seja, poucas condições para uma expansão de serviços privados no extremo inferior do mercado de trabalho.
As despesas sociais em 1995, para Suécia, Dinamarca e Finlândia eram ,respectivamente: 33%; 32,1%; 32%. A tributação, em % do PIB era de: 53%; 52%; 47%. No mesmo período , os indicadores médios para a UE a 15 eram, respectivamente, 26% e 43%.
Os níveis de apoio social do Estado-providência escandinavo continuam elevados, mesmo sofrendo alguns cortes desde as primeiras reformas em 1991-92, mas as razões que na generalidade são aceites como boas para justificar a capacidade interventiva do estado na diminuição da exclusão social e reintegração do cidadão na vida activa e em sociedade são as seguintes: elevado nível de igualitarismo económico na população; baixíssimos níveis de clientelismo e corrupção; predominância de programas "welfare" de aplicação geral, não descriminatórios.
A principal fonte de receita dos países escandinavos são os impostos. Estamos a falar de economias de elevada capacidade industrial e, mais importante, de produção e exportação de produtos com componente tecnológica avançadíssima. Em suma, indústria de ponta.
Estaremos acaso em condições, em Portugal, de preconizar a aplicação de um modelo semelhante, quando nem a vizinha Espanha tem condições para o fazer? (para não falar na França ou Alemanha).
(João Fernandes)

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COISAS SIMPLES


Matisse

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EARLY MORNING BLOGS 432

Cão


Cão passageiro, cão estrito
Cão rasteiro cor de luva amarela,
Apara lápis, fraldiqueiro,
Cão liquefeito, cão estafado
Cão de gravata pendente,
Cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
Cão ululante, cão coruscante,
Cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão ali, e sempre cão.
Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal de poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moido de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção,
cão pré fabricado,
cão espelho, cão cinzeiro, cão botija,
cão de olhos que afligem,
cão problema...
Sai depressa, ó cão, deste poema!


(Alexandre O'Neill)

*

Bom dia!

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O CORREIO DO ÓDIO

1.Por acaso até reparei nessa sua bacorada.É mais um dos casos em que a sua mente 'abrupta'se tem empenhado,com vista a favorecer a Rosinha dos olhos verdes,tentando vilipendiar o CDS,com reflexo no seu ódio de estimação:Dr.PEDRO SANTANA LOPES!
2.Já aqui o tenho intimado a definir-se:não se assuma como militante mas como 'infiltrado'no PSD que tantas mordomias lhe deu,a ponto de o ter ido buscar a uma triste figura de professor de filosofia de Boticas para deputado não só na AR como na Europa,com todas as mordomias que lhe acarretaram!
3.No que respeita ao outro 'submarino',o tal Cavaco ou Silva como queiram,está tudo dito:ele só olha para o seu umbigo!Espero que os verdadeiros militantes e simpatizantes do PSD saibam dar-lhe a resposta adequada!
Por último:tenha vergonha!Demita-se!Não se atreva mais a dizer que é do PSD!Traidores como você já temos que baste!Traidores armados em pensadores e intelectuais!Veja se consegue fazer algo mais importante do que comer à custa do partido e de quem trabalha!Porque você é um parasita!

(Alberico Lopes)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: POEIRA DE 18 DE FEVEREIRO

Eram 4 da tarde do dia 18 de Fevereiro de 1930. No observatório de Lowell em Flagstaff, no Arizona, um jovem astrónomo chamado Clyde William Tombaugh, descobriu numa placa fotográfica um objecto de magnitude 14,9 que parecia ter-se movido ligeiramente em relação ao fundo estelar. Desconfiado que pudesse ser o novo planeta que tanto procurava, pesquisou em placas anteriores a ver se encontrava o objecto em questão. Sabendo o que procurava não teve problemas em descobri-lo e em traçar o seu trajecto por entre as estrelas. Acabava de descobrir Plutão.

(José Matos)

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PEDIDO DE DESCULPAS

ao meu amigo Lobo Xavier e ao político Paulo Portas pelo erro cometido na Quadratura do Círculo ao suscitar a questão do documento do Ministério da Defesa como sendo uma violação da confidencialidade quando se tratava de um despacho publicado no Diário da República.

(O mesmo pedido de desculpas foi publicado no blogue do programa e será feito de viva voz no próximo programa.)

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17.2.05


ÚLTIMAS NOTAS ELEITORAIS

1.
Numa rara unanimidade no que diz respeito aos principais partidos todas as sondagens finais (divulgadas hoje ou a divulgar amanhã) são muito consistentes.

2.
Mas que péssima entrevista a feita ao líder do PSD no Diga Lá Excelência, acabada de passar na Dois! Santana Lopes responde com nonchalance e desprezo, imerso num mundo muito próprio que já dificilmente comunica com os outros mortais. Mas a entrevista foi muito má devido aos jornalistas que não a prepararam como deviam e nada mais fizeram que repetir meia dúzia de perguntas sem imaginação e interesse. Muito abaixo da qualidade normal do programa.

3.
A única verdadeira informação que resultou da entrevista foi desleixada pelos jornalistas, que insistiram uma vez e passaram adiante, como se não lhes tivesse sido dito nada de importante. A recusa de Santana Lopes em reafirmar Cavaco Silva como o candidato do PSD, remetendo uma posição sobre essa matéria (que parece já estar pensada e preparada) para depois de 20 de Fevereiro é uma novidade e um sinal dos enormes problemas que o PSD vai defrontar depois dessa data.

4.
As acções de rua são tão enganadoras como as enchentes de comícios quando se trata do PS e do PSD, já aqui o escrevi. Ambos os partidos têm toda a capacidade de encher comícios em locais fechados e pequenas áreas ao ar livre. Neste último caso, o que interessa é chamar a atenção para a diminuição dessas áreas nesta campanha: o PS no Porto abandonou a Praça e a Avenida dos Aliados, o PSD não se atreveu a encerrar a campanha no local habitual em Lisboa, a marcha na Avenida de Roma.

(Continua)

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: AO ROMPER DA BELA AURORA



Ao romper da bela aurora
Sai o pastor da choupana
Vem cantando em altas vozes
Muito padece quem ama.

Muito padece quem ama
Mais padece quem namora
Sai o pastor da choupana
Ao romper da bela aurora.

Gosto de quem canta bem
É uma prenda bonita
Não empobrece ninguém
Assim como não enrica.

Hei-de cantar, hei-de rir
E hei de ser muito alegre
Hei-de mandar a tristeza
P'ró diabo que a leve

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16.2.05


VOLTO

em breve.

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15.2.05


A LER

e a sentir a alegria muito especial que atravessa o Blogue de Esquerda.

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COISAS SIMPLES


G. Morandi

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EARLY MORNING BLOGS 431

La Cour du Lion

Sa Majesté Lionne un jour voulut connaître
De quelles nations le Ciel l’avait fait maître.
Il manda donc par députés
Ses vassaux de toute nature,
Envoyant de tous les côtés
Une circulaire écriture,
Avec son sceau. L’écrit portait
Qu’un mois durant le roi tiendrait
Cour plénière dont l’ouverture
Devait être un fort grand festin,
Suivi des tours de Fagotin.
Par ce trait de magnificence
Le prince à ses sujets étalait sa puissance.
En son Louvre il les invita.
Quel Louvre! un vrai charnier, dont l’odeur se porta
D’abord au nez des gens. L’ours boucha sa narine:
Il se fût bien passé de faire cette mine.
Sa grimace déplut. Le monarque irrité
L’envoya chez Pluton faire le dégoûté.
Le singe approuva fort cette sévérité,
Et, flatteur excessif, il loua la colère
Et la griffe du prince, et l’antre, et cette odeur:
Il n’était ambre, il n’était fleur,
Qui ne fût ail au prix. Sa sotte flatterie
Eut un mauvais succès, et fut encor punie.
Ce monseigneur du Lion là
Fut parent de Caligula.
Le renard étant proche: ‘Or çà, lui dit le sire,
Que sens-tu? dis-le-moi. Parle sans déguiser.’
L’autre aussitôt de s’excuser,
Alléguant un grand rhume: il ne pouvait que dire
Sans odorat; bref il s’en tire.
Ceci vous sert d’enseignement.
Ne soyez à la cour, si vous voulez y plaire,
Ni fade adulateur, ni parleur trop sincère,
Et tâchez quelquefois de répondre en Normand.

(Jean de La Fontaine)

*

Bom dia "en Normand"!

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14.2.05


CAMPANHA ELEITORAL NO PORTUGAL PROFUNDO

e nem por isso o mais profundo, até, a bem dizer, bem pouco profundo. Numa aldeia ribatejana, a uma hora de Lisboa. Por ordem de aparição: três cartazes de plástico da CDU, reciclados de uma campanha anterior, colocados por um militante comunista local nos postes de iluminação, um cartaz de dimensões médias do PP com fotografia do candidato pelo distrito de Santarém à entrada da aldeia, acompanhado pela distribuição nas caixas do correio de panfletos do PP, actividade que parece ter sido profissionalizada – uma equipa passou e deixou esta propaganda. Depois, uns panfletos do BE, com a candidata pelo distrito, deixados num café local. Nas caixas do correio, panfletos da CDU e do PP, sendo que um deles, o da CDU, é um comunicado sobre questões autárquicas locais e associa o voto nas legislativas com críticas à acção da Junta de Freguesia local. Nada mais. Nada do PS, nada do PSD, nada de nenhum outro partido.

(Tradicionalmente o voto nas eleições anteriores favoreceu o PS em geral. Houve excepções nas autárquicas, onde a CDU já ganhou e nas europeias, em que o PSD também já ganhou, em ambos os casos não nas últimas eleições. )

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INTENDÊNCIA

Actualizadas várias notas dos últimos dias: A MORTE DA IRMÃ LÚCIA, OUVINDO HEINRICH IGNAZ FRANZ BIBER e ISTO NÃO É JORNALISMO SÉRIO (2).

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DOIS MODOS DE HONRAR E DE LEMBRAR



Sei que nesta ocasião estarão muito ocupados com notícias mais relevantes, no entanto quando há por aí quem tanto se gabe do que fez, envio esta vergonha. Vejam como se honram os mortos. Localidade Pemba - Moçambique
Cenário I - Cemitério Militar da Commonwalth I Guerra Mundial
Cenário II - Talhão militar português
Quando enviam cartas para os ex-combatentes deveriam ir acompanhadas destas fotografias para que se possa ver como são respeitados os que morreram ao serviço da Pátria. Que é feito dos adidos militares, dos embaixadores; ninguém sabe? Dá que pensar.

(Fitas Custódio, citando como fonte Maschamba)

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PENOSO

ver Sócrates a meter os pés pelas mãos para explicar o “choque tecnológico”, que afinal não é “choque” nenhum, mantendo-se a um nível de generalidades superficiais e preocupantes.

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A MELHOR

maneira de fazer perder um noticiário o seu conteúdo informativo é ter um notícia que dá audiências. Então o tempo, o bem mais precioso em televisão, é esticado até ao limite da exaustão. Foi assim com a ponte que caiu, com os incêndios no Verão, com a morte de Sousa Franco, com o maremoto asiático e é assim com a morte da Irmã Lúcia. Se observarmos o mecanismo da cobertura televisiva ele é muito semelhante: longos directos sobre nada, entrevistas aos “populares”, separadores com imagens, músicas e efeitos especiais, discursos apologéticos ou indignados, conforme o caso, excitação sem distanciação. Não é jornalismo são imagens sem espessura para entreter os sentidos.

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VEM VENTO


e varre tudo isto com força. Bom Jean-François Millet ajuda-nos com mil golpes de vento destes.

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OUVINDO HAYDN E BRAHMS


Os quartetos de cordas de Haydn e o Duplo Concerto de Brahms com Perlman e Rostropovich.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A PALAVRA QUE FALTA

Não seria bonito o Estado na figura de Jorge Sampaio (...) ter uma palavra para com os homens e mulheres da GNR que estiveram no Iraque representando Portugal?

(Isabel Moreira)

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: QUERER ESTAR PERTO LONGE

Somos um casal de Portugueses a residir em Glasgow (Escócia, Reino Unido). Apesar de estamos a viver longe do nosso Portugal nunca nos demarcamos das nossas origens, muito pelo contrário. Como devem compreender a comunicação social desempenha um actividade importantíssima neste aspecto, mas infelizmente, aqui na Escócia, é muito difícil manter esse contacto uma vez que não temos acesso aos canais portugueses, nomeadamente RTPi ou SIC internacional, muito menos a jornais, revistas etc. Um meio barato, rápido que poderia colmatar essa laguna seria a Internet. Já existem centenas de canais que transmitem em directo on-line, mas se formos ver em relação aos canais portugueses a história é bem diferente e chega a ser mesmo caricata. Comecemos pela RTPi: A RTPi disponibiliza em directo o seu conteúdo online apenas através de um site estrangeiro. www.jumptv.com onde temos que desembolsar uma quantia por mês equivalente aquilo que muita gente paga para ter TV cabo, com vários canais, mas aqui para além de ter que pagar uma pequena fortuna para ter acesso apenas a um canal, que incondicionalmente devia ser serviço público, a qualidade de imagem e som é super reduzida, mesmo tendo uma boa ligação pela net. Quanto aos Canais da SIC, estes estão disponibilizados no site xl.sapo.pt, sem custos para o consumidor inclusive o Sic notícias, que seria o canal que nós teríamos mais interesse. Mas infelizmente, e de uma maneira que não conseguimos entender, estes canais só estão disponíveis para clientes que têm ligação à internet fornecida por uma das empresas da PT. Como devem compreender é um pouco difícil aqui em Glasgow a PT disponibilizar qualquer serviço de ligação à internet.

Já enviámos cartas à PT, RTP e SIC mas passados vários meses ainda não tivemos qualquer resposta.

(Nuno e Cátia)

*
Ao casal de portugueses em Glasgow gostaria de dizer que também eu fiquei sem resposta da SIC e da RTP quando, já lá vão uns anos, lhes pedi informações sobre a possbilidade de receber as emissões por cabo, na Suécia. Entretanto mudei de casa, tenho uma antena parabólica, e tenho acesso gratuito à RTP Internacional. Para consolo dos nossos compatriotas em Glasgow, posso informá-los de que não perdem muito. A programação da RTP Internacional consegue ser ainda mais pobre que a da RTP nacional, e nem sempre corresponde, aliás, ao que acaba por ir "para o ar". Os noticiários são normalmente os da RTP 1, ou seja, essencialmente, faits-divers e futebol durante mais de uma hora. Além disso há novelas, mais futebol, uns programas "para emigrante" que dão logo imensa vontade de emigrar para mais longe ainda, onde a RTP não chegue, e pouco mais.

Acompanho a actualidade nacional através das versões on-line de jornais e revistas e através da blogosfera, que tem uma dimensão enorme em Portugal (os blogues de comentário político são praticamente inexistentes na Suécia - na minha opinião porque, felizmente, não são precisos). Chega-me perfeitamente.
(Madalena Ferreira Åhman, Suécia)

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COISAS SIMPLES


Vuillard

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A LER

As críticas de Eduardo Cintra Torres à cobertura desequilibrada e má da campanha eleitoral.

Na Slate "A Little Anthology of Love Poems. What to read your sweetheart on Valentine's Day" por Robert Pinsky.

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A MORTE DA IRMÃ LÚCIA

foi tratada pela Igreja com reserva e comedimento, atitudes que correspondem certamente à vontade da própria Lúcia. Esta posição está em contraste com os políticos como Santana Lopes e Portas, mais o primeiro que o segundo, que a estão a transformar indirectamente num acto de campanha – é um completo contra-senso suspender a campanha por “luto” de dois dias, como será a proclamação, cada vez mais banalizada, de luto nacional. A separação institucional entre o Estado e a Igreja implica alguma moderação, e não é líquido que à Igreja agradem muito estas manifestações de dramatização alheia de oportunidade.

Nota: vim agora a saber que o PS também vai a reboque. Está tudo a voar baixinho, sem o mínimo de solidez de pensamento e ... vergonha.

*
Espanta-me um pouco a teoria de que por separação entre Igreja e Estado se entenda que tudo o que vem da Igreja seja para combater e contrariar porque senão não temos uma verdadeira separação. Dou um exemplo: parece que o estado defender a família é simplesmente condenável porque a Igreja defende a família. Como tal o estado tem que se preocupar com os direitos dos homossexuais, com a liberalização das drogas, com os divórcios, com o aborto mas nunca com a família. Recordo aqui uns amigos investigadores universitários que tiveram o apoio a um trabalho recusado por um instituto estatal por ser "tendencioso". Isto porque pretendia analisar em que ponto a família é importante para o equilibrio psicológico dos individuos... O mesmo instituto financia estudos sobre a homossexualidade...
Digo-lhe mais. A irmã Lúcia é provavelmente a figura mais importante portuguesa do Séc XX. Ficará sempre para a história do nosso pais. É preciso olhar para a história e perceber o que fica para o futuro. Se estivessemos a falar de Eusébio, Amália, Mário Soares então o país deveria parar tudo, o luto nacional seria completamente justificado e até se exigiria as maiores homenagens. Quanto à irmã Lúcia essa faz parte da Igreja e por isso há que esquecê-la e apagar a sua imagem em nome da célebre separação. Não será por atitudes dessas que as pessoas se sentem tão "separadas" do Estado?
(Pedro Alvito)

*
Como seu leitor e apreciador lamento os infelizes comentarios á morte duma pessoa que é mais conhecida no mundo que Portugal O Snr. Quando morrer ninguem o conhece a naõ ser meia duzia de escribas seguidistas .A sua morte não figurará na historia .

O seu pedestal caiu e dum ilustre pensador mergulhou nas hostes que apedrejam quem tem fe e acredita no sobrenatural .

Para o Snr é dia de luto nacional a morte duma fadista ou por um qualquer corrupto mundano que morra algures e seja um idolo para o Snr.

Veja as televisões de todo o mundo ..Noticiam com respeito e não brejeirices em ambiente gastronomico de porco preto.

Infelizmente igual a tantos que não respeitam credos nem convicções .Igual a si proprio ,na sua crença e nos comentarios .

Menos um a ler o seu jornal de parede... Triste figura no declinio irreversivel em que se lançou Passe bem e continue a falar para o seu ego.
(João Moreno)

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EARLY MORNING BLOGS 430

Don Juan aux Enfers


Quand don Juan descendit vers l’onde souterraine
Et lorsqu’il eut donné son obole à Charon,
Un sombre mendiant, l’œil fier comme Antisthène,
D’un bras vengeur et fort saisit chaque aviron.

Montrant leurs seins pendants et leurs robes ouvertes,
Des femmes se tordaient sous le noir firmament,
Et comme un grand troupeau de victimes offertes
Derrière lui traînaient un long mugissement.

Sganarelle en riant lui réclamait ses gages,
Tandis que don Luis avec un doigt tremblant
Montrait à tous les morts errant sur les rivages
Le fils audacieux qui railla son front blanc.

Frissonnant sous son deuil, la chaste et maigre Elvire,
Près de l’époux perfide et qui fut son amant,
Semblait lui réclamer un suprême sourire
Où brillât la douceur de son premier serment.

Tout droit dans son armure, un grand homme de pierre
Se tenait à la barre et coupait le flot noir;
Mais le calme héros, courbé sur sa rapière,
Regardait le sillage et ne daignait rien voir.


(Charles Baudelaire)

*

Bom dia!

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13.2.05


AR PURO


Whistler

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NATUREZA MORTA MATINAL

Da esquerda para a direita: uma pilha de jornais e revistas para fazer uma bibliografia, em cima os Itinerários Histórico-Naturais de José Correia da Serra, uma página marcada no “Journal d’une course en Avril 1774 , avec Mr. Demestre”:

"Nous sommes partis de Rome dans une chaise portèe par deux mulets de bien differente genealogie, un etoit fils d'un ane, et d'une jumente, l'autre fils d'un cheval et d'une anesse, il etoit fort difficile de trouver des mulets qui eussent les caracteres de leur naissance plus reconnoisables pour les Naturalistes.
La saison etoit fort peu avancèe, et il n'y avoit que peu de plantes en fleur, hormis l' Asphodelus ramosus, dont toutes les campagnes des provinces meridionales du Pape sont infectèes,........"


Um comando de televisão, um relógio de dupla hora, uma caneta, um lápis do Sofitel, uma tesoura, uma lupa, uma pilha de zips, uma mão, uma estação meteorológica – dezanove graus e meio aqui, dezasseis ao fundo, dez lá fora,- dois olhos, uma janela rasgada, dois gatos ao sol no telhado, um loureiro, colinas, um fragmento de nuvem, azul, um radiómetro girando devagar, um ecrã, um disco de Biber, um pedaço de lava recente, um dado que não é dado mas que foi dado, uma jarra com água, uma maçã vermelha, um telefone sem som, um papel com um número, outra mão, um rato, memórias, moléculas, vaguíssima poeira, finas oscilações do ar: música, um ponto final.

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OUVINDO HEINRICH IGNAZ FRANZ BIBER


Biber, Rosary Sonatas, por Andrew Manze (violino), Richard Egarr (orgão), da Harmonia Mundi. A Harmonia do Mundo, tudo no seu sítio.

*

Reparei que a interpretação (recente) das sonatas do rosário pelo Andrew Manze faz parte das suas escutas recentes. A leitura de Manze é, na minha opinião (desculpe-me a frontalidade), banal. "Obrigatórias" (embora muito diferentes entre elas) são as seguintes interpretações:

A primeira (do Patrick Bismuth) é um prodígio de contraste e visceralidade; a segunda (da Alice Pierlot) é mais "femenina", doce. Qualquer uma delas é profunda. Humana.
Já agora, convido-o a explorar mais a música antiga. Não apenas o barroco, mas também a música da renascença, a Ars Nova, a Ars Subtilior. A originalidade e frescura que nela encontramos não cessa de me surpreender. Comparado com este período, o classicismo e romantismo parece pobre e previsível (na minha opinião)

(João Jarego)

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CAMPANHA DA MEMÓRIA

Há um fantasma que assola esta campanha: a memória. Felizmente os média ainda não conseguiram elimina-la de todo. O PS vive assolado pela memória do que fez há dois anos – daí a eficácia de alguma propaganda negativa do PSD – e Santana Lopes pelo facto dos portugueses o “conhecerem bem”.

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EARLY MORNING BLOGS 429

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia


É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

(Mário Cesariny)

*

É preciso dizer bom dia em vez de dizer bom dia!

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