| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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13.2.05
NATUREZA MORTA MATINAL
Da esquerda para a direita: uma pilha de jornais e revistas para fazer uma bibliografia, em cima os Itinerários Histórico-Naturais de José Correia da Serra, uma página marcada no “Journal d’une course en Avril 1774 , avec Mr. Demestre”: "Nous sommes partis de Rome dans une chaise portèe par deux mulets de bien differente genealogie, un etoit fils d'un ane, et d'une jumente, l'autre fils d'un cheval et d'une anesse, il etoit fort difficile de trouver des mulets qui eussent les caracteres de leur naissance plus reconnoisables pour les Naturalistes. La saison etoit fort peu avancèe, et il n'y avoit que peu de plantes en fleur, hormis l' Asphodelus ramosus, dont toutes les campagnes des provinces meridionales du Pape sont infectèes,........" Um comando de televisão, um relógio de dupla hora, uma caneta, um lápis do Sofitel, uma tesoura, uma lupa, uma pilha de zips, uma mão, uma estação meteorológica – dezanove graus e meio aqui, dezasseis ao fundo, dez lá fora,- dois olhos, uma janela rasgada, dois gatos ao sol no telhado, um loureiro, colinas, um fragmento de nuvem, azul, um radiómetro girando devagar, um ecrã, um disco de Biber, um pedaço de lava recente, um dado que não é dado mas que foi dado, uma jarra com água, uma maçã vermelha, um telefone sem som, um papel com um número, outra mão, um rato, memórias, moléculas, vaguíssima poeira, finas oscilações do ar: música, um ponto final. (url)
© José Pacheco Pereira
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