ABRUPTO

22.1.05


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DEPOIMENTO DE FERNANDO SIMÕES, O ÚNICO PORTUGUÊS DIRECTAMENTE ENVOLVIDO NA MISSÃO HUYGENS

Vi alguns textos no vosso blog, e também em outros, e gostaria de tecer alguns comentários. Se acharem útil poderão divulgar esta informação.

1- A missão Cassini-Huygens é um projecto que já dura há vinte anos. Algumas pessoas começaram mesmo a trabalhar para ela há mais tempo.

2- Quando a sonda foi lançada, em 1997, Portugal ainda não fazia parte da ESA.

3- A missão é liderada pela NASA, mas a Huygens é 100% da ESA. Todavia, há instrumentos europeus a bordo da Cassini, bem como instrumentos americanos a bordo da Huygens. Chama-se a isso cooperação... E ciência é para a humanidade, não só para uma pessoa, um país, ou mesmo uma geração.

4- Houve pessoas que se empenharam intensamente nesta missão. Algumas delas já não estão entre nós... Passou muito tempo entre idealizar, construir, testar, enviar, e recolher os dados... Neste caso, houve quem semeasse e quem viesse colher... Eu, afortunadamente, faço parte dos que colhem o trabalho de outros, mas isso não implica mais ou menos importância, porque todos fazemos parte desta vontade humana de conhecer e de explorar...

5- Sou a única pessoa portuguesa directamente envolvida no projecto... Isso não me enche de orgulho, antes pelo contrário... Gostaria de ter começada mais cedo no projecto e que fossemos muitos mais, mas esses dias estão a caminho. Para isso há portugueses a receber formação na ESA. Só espero que aproveitem bem esse tempo.

6- Não há mais pessoas portuguesas a trabalhar directamente na missão Huygens, mas há quem também investigue Titã: Maarten Roos, David Luz, Carlos Pintassilgo, Alberto Negrão.

7- Quando estava numa das salas de reuniões do ESOC e cada «Principal Investigator» apresentou os seus resultados fiquei radiante, não só com o meu investigador principal, mas também com os outros... Porém, a minha maior admiração ficou registada para com a pessoa responsável pela experiência Doppler, para medir os ventos... Os seus olhos, apesar da frustração pessoal, conseguiam ver mais além... Eu dificilmente conseguirei perceber o que sentiu o Mike quando viu que a sua experiência tinha funcionado, mas não tinha recebido dados... Porém, nem tudo está perdido. A partir de radiotelescópios terrestres, irá ser possível reconstruir o sinal emitido pela Huygens, ainda que vá demorar mais tempo e a precisão não seja a mesma. Não é a mesma coisa, não é a sua experiência, mas nem tudo está perdido para este cientista.

8- Ainda irão ouvir falar de mim para outros projectos, mas a seu tempo saberão. Mesmo contra o derrotismo geral, mesmo com a indiferença da classe política, eu continuo a acreditar que fazer ciência é fantástico, que é no meio da adversidade que se percebe o que é verdadeiramente sublime... Quem partilhar deste sonho que não desista, pois haveremos de fazer estes projectos em conjunto...

9- Acredito firmemente que o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural de todos nós, portugueses, passa também pelo que possamos fazer na área espacial. O meu compromisso é sério e empenhado. Haveremos de ter o nosso espaço... no espaço.

10- Nunca pensei ser o primeiro ser humano a ver o perfil de condutividade da atmosfera de Titã. Nunca esperei ser a primeira pessoa a ficar encantada com as medidas eléctricas da superfície, mas isso é somente um detalhe... O que é verdadeiramente fascinante é que vamos poder conhecer melhor Titã, o universo e a nós próprios!..


11- A missão Cassini-Huygens é um verdadeiro sucesso científico e de engenharia, seguramente o maior depois do Projecto Apolo. Depois deste projecto muitos se seguirão, e alguns estão já aí…


(Fernando Simões)


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BIBLIOFILIA PARA OS LEITORES DE BERNARDO DE CLARAVAL



Um dos últimos números da Revista Portuguesa de Filosofia é dedicado a Bernardo de Claraval, Bernard de Clairvaux, S. Bernardo, o monge Bernardo, como queiram. (No Abrupto há lá para trás, noutro tempo, uma série de comentários ao De Gradibus Humilitates et Superbiae, do nosso austero monge.) Um artigo muito interessante sobre Bernardo, Abelardo, Heloísa e o amor, e outro sobre a distinção entre Sapientia Dei e Scientia Mundi.

O modo como Bernardo fala da Scientia Mundi, lembra-nos que os maus também sabem, sabem muito, mas é um "conhecimento que conduz à vaidade (...) o conhecimento daqueles que são moralmente maus".

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AR PURO / ANTOLOGIA DA PEDRA


Richard Long

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UMA TRISTEZA EM TITÃ

Alguém esqueceu-se de ligar o instrumento”. Pura e simplesmente. “Alguém esqueceu-se de programar o comando para ligar o instrumento”. Para o professor David Atkinson, que passou dezoito anos a preparar um aparelho para medir os ventos em Titã, este falhanço é um momento de grande tristeza. Tudo correu bem, tudo correu melhor que bem. Menos isto. Dezoito anos, quase uma vida. Falha humana.


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GRANDES NOMES: A LUA DO LOBO

está a crescer hoje. Nome dado pelos nativos norte-americanos à Lua cheia de 25 de Janeiro. Os lobos estavam à solta no Inverno.

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GRANDES NOMES: CHIFRE D'AFFAIRES

Nos anos 60, uma senhora de rara beleza progredia na sociedade lisboeta e aumentava a sua conta bancária, utilizando o seguinte método: arranjava marido rico, traía-o, recebia uma razoável pensão ou dote, em troca de se afastar do cornudo, pondo fim ao escândalo, e passava ao seguinte esposo endinheirado. Era conhecida por Chifre d'Affaires.

(ACS)

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EARLY MORNING BLOGS 412

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.


(David Mourão-Ferreira)

*

Bom dia!

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BIBLIOFILIA EM MODO GALEGO



Dois livros de Rosalia de Castro e um Amor y Corte. La materia sentimental en las cuestiones poeticas del siglo XV de Antpnio Chas Aguión.

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21.1.05


REACCIONÁRIOS

Não constitui para mim surpresa o reaccionarismo do Bloco de Esquerda. É-o muito mais do que se pensa, ocultado pelo folclore das “causas fracturantes” e por uma imprensa que o descrimina positivamente. A frase de Louça contra Portas, que tive ocasião de ouvir numa síntese televisiva (de um debate que não vi),

" O Senhor não pode falar do direito à vida porque nunca gerou vida. Não sabe o que é gerar vida. Eu tenho uma filha. Eu sei o que é um sorriso de uma criança."

é um perfeito exemplo do que daria um pequeno escândalo, fosse o seu autor outro que não Louça.

*
A primeira frase pressupõe que o conceito decorre da experiência, o que é uma falsa permissa. A segunda frase contém um "argumentum ad hominem", que constitui uma falácia argumentativa. E a terceira e a quarta frases abrigam um "argumentum ad populum", que constitui também uma falácia argumentativa. Em suma, Françisco Louçã, numa frase, conseguiu não transmitir nada.
(Miguel Moura Santos)

*
De facto, o Sr. Portas, transmite uma imagem de superioridade de valores, de perfeição e competência, como se de um enviado divino se tratasse. Claro que no calor do debate e quando o Sr. Portas liga a "cassete" do costume, em que fala da "vida" como se fosse o detentor de toda a sabedoria e "a direita" referência na defesa dessa mesma vida, o argumento do Sr. Louçã faz todo o sentido.

Não devemos complicar o que é simples, as conversas também são "emoções perto da boca" e sem querer entrar em áreas de concepções de valores, acho muito sinceramente, que o problema da despenalização do aborto nada tem a ver com a defesa da vida, mas sim com uma teimosia instituida, aliás, como outras teimosias que nada resolvem, apenas entopem os tribunais!
(Alírio José Camposana)


*
O leitor Miguel Moura Santos, em análise restrita ao conteúdo manifesto das palavras do líder do Bloco de Esquerda escreve que "(...) Françisco Louçã, numa frase, conseguiu não transmitir nada". Eu acho que raras vezes ele transmitiu tanto. As pessoas irritam-se e perdem as camadas que as definem como personagens quanto mais se confrontam com elas próprias. Louçã não resistiu à 'proximidade' de Portas.
(Paulo Azevedo)

*
Louçã considerou (porque considerou mesmo - o argumento do "contexto", invocado pelos seus colegas de partido é uma falácia - honre-se Luís Januário, de Coimbra) que PP não poderia ter falado de "aborto" por não ter "gerado vida" e "não saber o que é o sorriso de uma criança". Ainda que dissesse (entre muitas aspas) que "não podia falar de aborto porque nunca tinha feito um", entender-se-ia, na lógica de um debate televisivo e com o argumento, tão estafado como errado, de que só as mulheres devem falar de um assunto que hipoteticamente só lhes diz respeito.

Mas ao dizer o que disse (e já é crescidinho para saber o que diz...) fez profissão de fé de que não falará de mulheres (creio que é do sexo e do género masculino), de homossexuais (não consta que seja), de minorias étnicas (é caucasiano), de estrangeiros (é português), de futebol (em que equipa é que ele alinhou?), da Igreja (diz-se ateu ou agnóstico), do Papa (não o é... ainda). Nem sequer de PP (ele não é ele...). Enfim. Louçã só poderá falar de uma coisa: da vida de Louçã e das experiências de Louçã. Nesse aspecto, diga-se, é coerente: na prática, só fala dele próprio e faz outro tanto de auto-propaganda. O único busílis é que nós não estamos minimamente interessados na vida do Professor Louçã. E como a democracia se constrói à custa da argumentação, do debate e da troca de ideias, Louçã é muito desinteressante para a democracia... até porque acabou por promover PP, o que já de si é um péssimo serviço à causa...Há arrogâncias que não se devem ter... seja qual for o "contexto"!
(Mário Cordeiro, Professor de Pediatria e de Saúde Pública)

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GRANDES NOMES: "APANÁGIO DO CÔNJUGE SOBREVIVO"

“Apanágio do cônjuge sobrevivo”, direito dos viúvos a serem alimentados pelos rendimentos dos bens deixados pelo falecido. Artigo 2018º do Código Civil. (Sugestão de RM)

O Direito das sucessões é pródigo em expressões/nomes bizarros: Cautela sociniana, fideicomisso, substituição pupilar e quase pupilar e por ai fora.

Aliás, o Código Civil é cheio de encantos, de entre os quais destaco os artigos 1321º e 1322º sobre animais ferozes fugidos e enxames de abelhas, respectivamente.


Reza o 1321º: “Os animais ferozes e maléficos que se evadirem da clausura em que seu dono os tiver, podem ser destruídos ou ocupados livremente por qualquer pessoa que os encontre.

(...) E o 1322º:

1. O proprietário de enxame de abelhas tem o direito de o perseguir e capturar em prédio alheio, mas é responsável pelos danos que causar.

2. Se o dono da colmeia não perseguir o enxame logo que saiba terem as abelhas enxameado, ou se decorrerem dois dias sem que o enxame tenha sido capturado, pode ocupá-lo o proprietário do prédio onde ele se encontre, ou consentir que outrem o ocupe.”

Enfim, muito se poderia dizer sobre estas disposições legais, que antecedem aliás as que se pronunciam sobre a mudança de leito, a formação de ilhas ou mouchões, lagos e lagoas, união ou confusão de boa fé, etc, etc, etc. (Ainda há quem ache que a lei não tem interesse nenhum…)

(RM)

*

(...) confesso que não percebi o sentido que o seu leitor (...) quer dar às suas palavras (...) É que se o sentido em causa conforma um certo escárnio às normas do Código Civil em questão, então tenho que lhe manifestar a minha viva contestação. As expressões do Código Civil, que foram apresentadas como sendo retiradas de um sketch dos Monty Piton, têm todas uma origem e uma razão de ser. Origem essa, na esmagadora maioria dos casos, que se liga à portentosa herança que o Direito Romano deixou um pouco por todos os sistemas jurídicos ocidentais, e donde vêm directamente muitas das palavras hoje usadas.

Outra nota de contestação: os artigos referentes aos exames de abelhas e similares além de, uma vez mais, terem que ser olhados de acordo com a sua origem história, não se aplicam apenas a casos de "abelhas" mas também a casos similares, análogos, pois o tempo do positivismo jurídico (em que se clamava a viva voz que o Direito mais não era do que a lei emanada do legislador) já lá vai, felizmente para todos nós. Hoje a lei (o Código Civil é uma lei) não é apenas interpretada de uma forma estrita mas de uma forma extensiva, o que permite que o Direito seja muito mais que uma norma (ou um conjunto delas) e que não seja apenas "a boca da lei" (caso contrário estariamos sujeitos ao arbítrio do legislador).
(Alberto Fernandes)

*
Bom, perante a viva contestação do leitor Alberto Fernandes pela minha infeliz tentativa de humor à custa do Código Civil, outra solução não me resta senão, nos termos previstos no artigo 1322 do mesmo Código, entrar pelo Abrupto dentro e perseguir e capturar as minhas palavras, após o que me retiro ordeiramente. Suportando os danos causados,claro!
(RM)

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GRANDES NOMES: MARIA BONITA

"Maria Bonita", nome pelo qual Maria Gomes de Oliveira (1911-1936) se tornou conhecida.
Foi a companheira de Lampião desde 1929 e a primeira mulher a participar num grupo de cangaceiros. Como Lampião, tornou-se uma lenda do sertão nordestino e personagem de muitas histórias de cordel. Lampião e Maria Bonita tiveram uma única filha, Expedita, nascida em 1932.

(Beatriz Tavares)


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GRANDES NOMES: ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL

Vocalista dos Mão Morta (sugestão de Manuela D.L. Ramos). Quando se fala com o Adolfo chama-se-lhe "senhor Canibal"?

*
Naturalmente que não. Será mais delicado dizer: Dr. Canibal ou então Sr. Advogado Canibal. Esta segunda forma parece-me particularmente adequada.
(Luís Aguiar-Conraria)


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CRISE DE REPRESENTAÇÃO

Em quem é que eu voto? É a pergunta que mais recebo e mais me fazem.

É o sinal de uma crise de representação por parte de um eleitorado que votava PSD ou PS, a que se soma os que já afirmaram que iriam votar em branco. O PSD afasta, o PS não atrai. As sondagens já começam a revelar esta crise: o PS desgasta-se mais longe da maioria, o PSD não descola de um dos resultados piores de sempre, as margens sobem pouco, a abstenção ameaça níveis consideráveis. Esta realidade é mutável, mas enuncia um problema.

Voltaremos aqui.

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: TEMÍVEL GEOMETRIA


(Saturno)

Esta é a geometria do tigre :

Tiger, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?


(Blake)

A da Divina Mão.

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DE LONGE

havia o meu mar habitual. Duro, frio, regular. Onda após onda, a uma luz absoluta. O meu mar, entre a água salgada e a água do rio que rasga, sempre pouco doce. O meu mar.

Em frente, um amigo que mora, morre aos poucos. Revoltado. Já sem palavras, já sem versos.

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EARLY MORNING BLOGS 411

Cantiga do Ódio


O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?


(Carlos de Oliveira)

*

Bom dia!

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18.1.05


COISAS SIMPLES


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EARLY MORNING BLOGS 410

Had I not seen the Sun


Had I not seen the Sun
I could have borne the shade
But Light a newer Wilderness
My Wilderness has made—


(Emily Dickinson)

*

Bom dia!

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17.1.05


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: "Na mediocridade dos nossos orgulhos está a razão do insucesso dos nossos actos"

Os portugueses entram em êxtase de orgulho nacional a propósito de qualquer sucesso desportivo para o qual nada contribuíram e do qual nenhum ganho receberão.

Hoje uma sonda repousa em Titã, depois de sete anos de viagem. Nela uma pequena bandeira portuguesa, junto à de outros países europeus, assinala a nossa contribuição para a ESA. Todos os portugueses que pagam impostos deveriam estar muito orgulhosos. Contribuíram para o sucesso desta extraordinária aventura cientifica. E, a longo prazo, de formas hoje nem sequer sonhadas, toda a Humanidade beneficiará. Mas não estão. A maior parte nem sabe que tem lá uma "parte".

Só uma pequena, muito pequena minoria está orgulhosa da nossa contribuição. No número dos orgulhosos não se contarão os nossos governantes, pois estamos em risco de ser expulsos de várias instituições cientificas europeias por falta de pagamento das contribuições anuais.

Cada país orgulha-se do que quer. Nessa escolha se pode encontrar explicação para muitos outros equívocos. Afinal, as coisas são de uma simplicidade cartesiana: na mediocridade dos nossos orgulhos está a razão do insucesso dos nossos actos.


(Luís Correia)

*

Já agora para quem pensa que Portugal participa na Huygens ou na Cassini é melhor não pensar nisso. Embora seja membro da ESA, Portugal não participa nesta missão nem tem nenhuma instituição directamente envolvida. O único português directamente envolvido é o Fernando Simões, do Centro de Estudos Terrestres e Planetários da Universidade de Versalhes, cuja equipa desenvolveu um dos seis instrumentos da sonda, o HASI, para a analisar as propriedades eléctricas da atmosfera e a composição da superfície no local de aterragem. De resto, temos apenas dois investigadores a trabalhar sobre Titã. O David Luz do Observatório Astronómico de Lisboa e agora a trabalhar no Observatório de Paris-Meudon, com uma bolsa de pós-doutoramento e o Alberto Negrão em doutoramento, também no Observatório de Paris. Os dois poderão ter acesso a dados de missão assim como muitos outros investigadores espalhados por essa Europa fora. Agora temos concerteza alguns portugueses em Titã, que mandaram o seu nome a bordo do CD que foi na Huygens

(José Matos da Estrela Cansada)

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DITO NUMA CONVERSA

"A ataraxia era o momento Zen dos gregos".


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OUVINDO "SKYLARK" DE JOHNNY MERCER

uma das mais belas canções americanas:

Have you anything to say to me
Won't you tell me where my love can be
Is there a meadow in the mist
Where someone's waiting to be kissed

Oh skylark
Have you seen a valley green with spring
Where my heart can go a-journeying
Over the shadows and the rain
To a blossom-covered lane

And in your lonely flight
Haven't you heard the music in the night
Wonderful music
Faint as a will o' the wisp
Crazy as a loon
Sad as a gypsy serenading the moon

Oh skylark
I don't know if you can find these things
But my heart is riding on your wings
So if you see them anywhere
Won't you lead me there
Oh skylark
Won't you lead me there

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MAIS TITÃ

Depois de dois dias de quase congelamento dos locais da NASA e da ESA, finalmente é colocada uma nova composição fotográfica de Titã visto de dez quilómetros de altura.

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A LER

o ressuscitado Linha dos Nodos, com comentários sobre as fotos de Titã, por quem sabe destas coisas.

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PRÉMIO DA PETULÂNCIA

Parece que há um cartaz do PP que diz: "a convicção é útil a Portugal". Não tenho dúvida, mas a "convicção" plástica do PP é muito interessante: veja-se só o caso da Europa. Quem se recorda da palmeta, da pêra-rocha, e das catilinárias contra a União Europeia, e os vê (ou o vê), com a mesma "convicção", a votar sim à Constituição Europeia...

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INTENDÊNCIA

Actualizado OUVINDO PEGGY LEE.

Publiquei Seixos no Portal do Astrónomo.

Como se fosse bibliografia para o que publiquei a semana passada no Público intitulado Poeira da Mudança , este artigo do NYT de Tom Zeller, Measuring Literacy in a World Gone Digital.

Colocados no VERITAS FILIA TEMPORIS , umas memórias da Livraria Leitura de 1994, e a Lagartixa e o Jacaré 18 sobre a tragédia do maremoto, o Porto e a quota do futebol e os abusos do fisco.

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BIBLIOFILIA: A NOSSA TASCHEN NACIONAL










Este pequeno livro ignorado coleciona os nosso ícones como faz a poderosa Taschen. Os Dias da Confiança, Braga, 2004 de responsabilidade da Fundação Bracara Augusta, reproduz as embalagens dos produtos da Saboaria e Perfumaria Confiança. que qualquer nortenho antigo conhece bem, desde 1894.



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OUVINDO OUTRA VEZ O MESMO

Debussy de ontem. Há tanto fio neste tecido...

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GRANDES NOMES: MAFARRICO

Este é um nome de gosto, diz tudo sobre o dito. Como não se sabe a origem da palavra, pode-se sempre suspeitar que foi o Demo, ele próprio, o seu autor.Prova provada que ele não se leva a sério, ou será mesmo o contrário?

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GRANDES NOMES: PEDRAS PARIDEIRAS

Sugestão de Desnorte de que transcrevo:

"Na Serra da Freita há um local especial, destino de inúmeras peregrinações até há uns tempos atrás. O motivo dessas peregrinações, as chamadas pedras parideiras. Desenganem-se aqueles que achem que quem por lá encostar o traseiro (!) resolve o problema da infertilidade... Elas têm esse nome por que são pedras que parem pedras, fenómeno antigo e muito raro no mundo, conforme se pode ver na descrição existente no local e nos links que aqui deixo. E já sabe: se parou o carro para ver a aldeia da Castanheira (...), ao regressar não entre logo nele: atravesse antes a rua, suba 50 metros e talvez assista a um histórico e feliz parto!"

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MEMÓRIAS DE 1968

"Escrevi em 1968, annus mirabilis, para a "Divulgação", o antigo nome da "Leitura", o meu primeiro texto para um catálogo de exposição de pintura, fazendo uma improvável relação entre Rilke e a Commedia, entre Arlequim e as rochas de Duíno. Tudo a pretexto de uma exposição da Rosa, cuja fotografia belíssima, com um ar perfeitamente grego, aparecia ao lado do texto, tudo decorado com um cinzento suave que fazia parte das cores de que as pessoas gostavam antes da vinda do Arquitecto Taveira. Sépia, mauve, um leve ocre... Depois fiz mais catálogos para exposições do Batarda e do Mouga, escrevi sobre o Ângelo e o Zé Rodrigues, mas este foi o primeiro e o primeiro conta sempre.

Mas o mundo dos amáveis ocres estava a acabar depressa de mais. Aliás não estou bem certo que alguma vez tivesse existido, porque talvez na época não olhássemos para essas cores com o ar vagamente blasé e intelectualmente decorativo que temos hoje. Caminhavamos para a política pura, dura e radical que acabava por ser o único caminho ético possível. Eis-nos pois de 1968 a 1970 em ritmo acelerado para nos tornarmos "guardas vermelhos" e eis que a "Leitura" (então "Divulgação") resolveu contribuir poderosamente para a "demarcação entre nós e o inimigo": traz cá, em plena "liberalização" marcelista, Yevgeny Yevtushenko.

Hoje deve ser bizarro imaginar a excitação da vinda da terra das estepes, do escritor russo, digo "soviético", mas foi na época um petit scandale. Primeiro, porque a vinda de Yevtushenko era claramente uma concessão pensada do regime marcelista para mostrar o "degelo" do salazarismo; segundo, porque o escritor era um crítico do estalinismo e um símbolo da literatura soviética nos limites da crítica "consentida" ao regime; terceiro e mais fundamental, porque exactamente pelo que disse atrás, Yevtushenko era o representante máximo da "traição" da URSS, o "revisionismo" encarnado. Yevtushenko ajudou à festa - chegou a Lisboa, passeou-se com o establishement literário do PCP e dos seus compagnons de route e depois anunciou ao Diário de Lisboa que queria visitar Fátima para ver as massas rezar. A crise passou de petit scandale para grande escândalo e até o PCP, que devia conhecer alguma coisa das dificuldades de erradicar da alma russa o pathos religioso, ficou incomodado.

Como o maoismo estava então ainda em grande parte por organizar e era mais uma revolta cultural do que uma ortodoxia com regras, um grupo de pessoas, no qual me incluía, resolveu ir fazer umas "provocações" ao "revisionista", ou seja, armar uma arruaça ao Yevtushenko e aos seus mentores lisboetas. O local da cena foi a "Divulgação" de Lisboa, irmã da do Porto, e a materialização das provocações foi levar a uma sessão de autógrafos alguns livros pouco inconvenientes para o "poeta" assinar: a Bíblia, as Citações do Presidente Mao Tsé Tung,- das Editions du Seuil e não as chinesas que eram perigosas de mais -, e uns livros claramente "reaccionários". O resultado foi o previsível: Yevtushenko espantado começou a perceber que alguma coisa não estava certa e recusou os autógrafos, houve algum burburinho e eu, mais o Alexandre de Oliveira, penso que o João Bernardo (em vésperas de se tornar o "oportunista Tiago") e uns surrealistas lisboetas, fomos postos na rua pelo Carlos Porto."

(Parte de umas "Memórias da Leitura", a livraria, que em breve colocarei no VERITAS FILIA TEMPORIS).

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POEIRA DE 17 DE JANEIRO: DIÁRIO DE "RUDY"

Há setenta anos, hoje, Manuel Joaquim Baptista "Rudy", falava de "31s", matinées, chauffeurs, duas palavras novas, e cognac que não era nova. Quase todos os diários são proto-blogues.



(Ver nota BIBLIOFILIA: DIÁRIO MANUSCRITO DE MANUEL JOAQUIM BAPTISTA "RUDY", PINTOR, 1935 )

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AR PURO


Levitan

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EARLY MORNING BLOGS 409

Lot's Wife


Do not look behind you.
--Gen. 19:17

So simple a mistake. They say I turned to look;
instead it was to listen. I did not know: only the dead
can stand the music of the spheres made mortal.

Caught in my hood, the hard chords of chaos:
the childish scream, the mother's litany as she names
the loss which instantly unnames her.

And then the inconceivable: between the flint
blast and the crack of iron, I heard
the burning of the scorched moth wing,

the lily as its petals crisp to white fire,
but more than these, the footfall
of a naked man who runs to nothing.

And so I chose this brine,
now crystals shift. The salt dissolves
and I want to speak.

Whore of all hopes, I now believe
some stories survive
in order to remake their endings.


(Dana Littlepage Smith)

*

Bom dia!

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VER A NOITE / NÃO VER A NOITE

Há uma hora, a humidade baixa não deixava ver nada. Agora, com surpresa, até o cometa se vê a olho nu (mal, mas vê), e o céu está o melhor de há mais de um mês.

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16.1.05


OUVINDO

Debussy, Debussy, Debussy. Obras para orquestra pela Royal Concertgebouw Orchestra dirigida por Bernard Haitink.

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GRANDES NOMES: A "LIVRARIA DO MONDEGO"

Junto a Penacova, depois de ter recebido o Alva (afluente da margem esquerda), o vale do Mondego estrangula-se cada vez mais ao atravessar o contraforte de Entre-Penedos. Aqui, encontram-se «altas assentadas de quartzíticos silúricos, muito fracturados». Dispostos quase verticalmente, como livros inclinados numa estante, deram origem à conhecida «Livraria do Mondego». Mesmo ao pé do Porto da Raiva.

(Contribuição de Ávido)

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GRANDES NOMES: O "ERVA PARIETÁRIA"

"O imperador Trajano, de alcunha O Erva Parietária (porque em todos os edifícios que fez mandou pôr o seu nome na parede)..." (Padre Manuel Bernardes)

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PARA UMA ANTOLOGIA DA TRAIÇÃO(6): A ABJURAÇÃO DE PEDRO (EVANGELHO DE MATEUS)

"Ora, Pedro estava sentado fora, no pátio; e aproximou-se dele uma criada, que disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu. Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.
E saindo ele para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o nazareno.
E ele negou outra vez, e com juramento: Não conheço tal homem.
E daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Certamente tu também és um deles pois a tua fala te denuncia.
Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.
E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente."


*

Duas criadas denunciam Pedro. À primeira denúncia ele nega. À segunda ele nega e jura. À terceira ele nega e jura e fala de forma diferente. Porque o terceiro denunciante de Pedro diz-lhe “também és um deles pois a tua fala te denuncia”, ou seja, por acompanhar Cristo, Pedro passou a falar diferente. Por isso a terceira abjuração é o cúmulo da traição: Pedro nega, jura e “pragueja”, ou seja muda a língua, torce a língua, para convencer os outros da sua traição. Pedro subiu, degrau a degrau, a escada da traição e quando no fim disse “não conheço esse homem” , o galo lembrou-lhe que também na negação se deixaria de conhecer a si mesmo. No último momento, Pedro não quis perder-se de Pedro e “chorou amargamente”. Poucas histórias nos evangelhos são mais poderosas do que esta.

*

O que salvou Pedro foi lembrar-se. A sua traição foi completa mas durou pouco. Se tivesse durado mais, ter-lhe-ia poluído a memória e Pedro estaria perdido como Judas. A memória salva da traição.

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OUVINDO PEGGY LEE

a cantar Johnny Guitar.

*
There was never a man like my Johnny

The one they call ‘Johnny Guitar”…

Meu Deus! Que saudades!

Um filme inesquecível, talvez um dos três melhores “westerns” de todos os tempos e sem dúvida um os grandes, grandes filmes da cinematografia mundial.

Inesquecíveis e maravilhosos, Sterling Hayden e Joan Crawford, e acima de tudo a maior e mais extraordinária criação de ódio e ciúme, a da “Emma” – não me recordo o nome da actriz – num papel ‘secundário’ (só no nome, porque ofusca e domina o filme) como nunca mais vi nem tinha visto. Tenho esse filme gravado a fogo na minha memória, mais claro e detalhado que num DVD.

Um “shootist” que não atira a ninguém, mas que deixa a ideia de que seria capaz de matar todo o “cast” sem fazer grande esforço (a cena do tiro no revolver do jovem bandido); o mesmo jovem, ferido, escondido debaixo da grande saia branca da Crawford ao “grand piano”, o amor dos protagonistas, mais intuído que demonstrado, de uma forma sóbria que deveria fazer empalidecer de inveja todos os que precisam de actos carnais explícitos para dizer o que aqueles dois dizem quase sem falar…e acima de tudo a Emma, personificação do mal absoluto de que é capaz um ser humano.

Já não se fazem filmes assim!

Com “High Noon” e “The man who shot Liberty Valance” (grande, enorme Lee Marvin!) eis a trilogia do “western” fora do tempo e do espaço, que valem por si próprios, como monumentos ao cinema como Arte."

(Luis Rodrigues)



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COISAS SIMPLES


Chardin

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EARLY MORNING BLOGS 408

In the Next Galaxy


Things will be different.
No one will lose their sight,
their hearing, their gallbladder.
It will be all Catskills with brand
new wrap-around verandas.
The idea of Hitler will not
have vibrated yet.
While back here,
they are still cleaning out
pockets of wrinkled
Nazis hiding in Argentina.
But in the next galaxy,
certain planets will have true
blue skies and drinking water.


(Ruth Stone)

*

Bom dia!

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ENQUANTO NÃO APARECEM AS IMAGENS DEFINITIVAS


um grupo de amadores especializados processou as imagens em bruto e publicou os primeiros resultados. Muito interessante.

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POEIRA DE 16 DE JANEIRO

Hoje, há cento e cinquenta e um anos, Tolstoy foi “atingido pela beleza poética do Inverno”. Nevoeiro, humidade. Como nesta noite, depois da chuva, cheira à terra, e a um vago traço de lenha queimada. Ver a noite sozinho , por entre as árvores, as nuvens a passar em cima. Orion, incompleta, espreita e desaparece. Poucas coisas importam. Coisas simples.

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© José Pacheco Pereira
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