Os leitores do Abrupto têm passado dos Early Morning Blues para outras músicas sobre a manhã, sobre acordar de manhã, sobre o mundo visto pelos primeiros olhares da manhã. Não é brilhante a manhã vista assim, ou é o que se perde dia a dia , ou é o que nos espera, ou é o que nos falta. Mas, daqui a pouco, temos uma verdadeira antologia da manhã. Existe? Já alguém fez uma antologia sobre textos matinais? É o que os leitores do Abrupto estão a fazer.
Jorge Camões refere , através da letra dos Doors, "Summer's almost gone", o fim das manhãs de de Verão :
"Summer's almost gone
Almost gone
Yeah, it's almost gone
Where will we be
When the summer's gone?
Morning found us calmly unaware
Noon burn gold into our hair
At night, we swim the laughin' sea
When summer's gone
Where will we be
Where will we be
Where will we be
Morning found us calmly unaware
Noon burn gold into our hair
At night, we swim the laughin' sea
When summer's gone
Where will we be
Summer's almost gone
Summer's almost gone
We had some good times
But they're gone
The winter's comin' on
Summer's almost gone "
E acrescenta "um pequeno apontamento depressivo" . também dos Doors, dos Roadhouse blues,
"Well, I woke up this morning,
I got myself a beer Well,
I woke up this morning, and I got myself a beer
The future's uncertain, and the end is always near "
Nobre Grenho envia a letra "me or him" do album Radio KAOS de Roger Waters.:
"You wake up in the morning, get something for the pot
Wonder why the sun makes the rocks feel hot
Draw on the walls, eat, get laid
Back in the good old days
Then some damn fool invents the wheel
Listen to the whitewalls squeal
You spend all day looking for a parking spot
Nothing for the heart, nothing for the pot
Benny turned the dial on his Short Wave radio
Oh how he wanted to talk to the people,
he wanted his own show
Tune in Moscow. Tune in New York
Listen tot the Welsh kid talk
Communicating like in the good old days
Forgive me father for I have sinned
It was either me or him
And a voice said Benny
You fucked the whole thing up
Benny your time is up
Your time is up
Benny turned the dial on his Short Wave radio
He wanted to talk to the people
He wanted his own show
Tune in Moscow. Tune in New York
Listen to the Welsh kid talk communicating
Like in the good old days
Forgive me Father
Welsh Policeman: Mobile One Two to Central.
For I have sinned
Welsh Policeman: We have a multiple on the A465 between Cwmbran and Cylgoch.
Father it was either me or him.
Father can we turn back the clock?
Welsh Policeman: Ambulance, over.
I never meant to drop the concrete block.
Welsh Policeman: Roger central, over and out.
Benny turned the dial on his Short Wave radio
He wanted to talk to the people
He wanted his own show
Tune in Moscow. Tune in New York
Listen to the Welsh kid talk
Just like in the good old days
The good old days".
*
CORREIO : Recebido em condições, atrasado como de costume, a ser respondido parcialmente mais para o fim de semana.
NUNCA É TARDE PARA APRENDER: 650.000 CONTRA 40 MILHÕES
Benny Morris, 1948. A History of the First Arab Israeli War, New Haven e Londres,Yale University Press, 2008.
A criação do estado de Israel é um dos resultados quase únicos no século XX de uma pura vontade política e de um movimento político, o sionismo, assente nessa vontade. Não haveria Israel se dependesse apenas da geopolítica, dos interesses das grandes potências, da realpolitik. Pelo contrário, embora os EUA fossem simpáticos para o novo estado, e a URSS permitisse algum apoio militar chegado na 25ª hora, a criação de Israel num processo duplo de guerra civil (que opunha judeus e palestinianos) seguido de um confronto militar com as potências árabes, em particular o Egipto, a Jordânia, o Líbano, o Iraque e voluntários e apoio saudita e iemenita, dependeu sempre dos judeus e da sua organização para-nacional, o Yishuv, e das suas organizações militares, como o Haganah. Contra tudo e contra todos, em particular contra os britânicos, aliados dos jordanos (a Legião Árabe na Transjordânia era a única força militar capaz que combateu contra o Haganah, dirigida por oficiais britânicos) e dos egípcios, e depois contra a ONU que sempre permitiu aos invasores militares de um estado que nascera sobre a sua égide aquilo que negava aos seus defensores e que várias vezes impediu Israel de obter vitórias significativas sob ameaça de intervenção militar... britânica.
O livro de Benny Morris é um excelente balanço desta guerra fundadora que permitiu a Israel existir, e apresenta o estado da arte na documentação sobre os aspectos do conflito que ainda hoje são controversos como a questão dos refugiados. Morris mostra como a "limpeza" das aldeias árabes dentro do território de Israel não foi deliberada no início e só se tornou inevitável devido a considerações militares, tornando-se depois numa política seguida sempre de forma hesitante, ao contrário do "expulsionismo" árabe que queria deitar os judeus ao mar. Igualmente se analisa o modo como os inimigos de Israel usaram a questão dos refugiados como arma política, recusando qualquer esforço de integração e condenando essas populações a uma situação de miséria em guetos suburbanos nos países limítrofes.
Mostra igualmente que os israelitas e palestinianos (menos os exércitos regulares árabes) cometeram vários massacres, mais os israelitas do que os palestinianos, mas como consequência do facto de as oportunidades serem maiores do lado judaico, devido ao facto de as ocupações de colonatos judeus pelos irregulares palestinianos terem sido escassas. Mostra igualmente como é que se evoluiu de uma guerra sem prisioneiros, (durante os dias finais do mandato britânico não podia haver campos de prisioneiros e as execuções eram comuns) conduzida por milícias, para uma guerra mais convencional em que a Convenção de Genebra passou a ser respeitada.
Morris acentua e bem a parte de jihad no conflito, a total e completa incapacidade do mundo islâmico em aceitar a existência de Israel, assente em considerações religiosas e históricas, que explica as enormes dificuldades que, mesmo os dirigentes árabes mais moderados (como o rei hashemita Abdullah, que acabou por ser assassinado o destino de todos os conciliadores como Sadat), tinham em lidar com a intransigência absoluta face à existência de Israel. A sua análise das duas culturas distintas, a do sionismo, pró-ocidental, com elementos de laicidade, um discurso próximo do socialismo europeu, e a pura incapacidade árabe de aceitar sequer uma negociação (o que comprometeu a posição árabe no plano diplomático face a um estado cuja existência era legal e reconhecida pela ONU), é fundamental para se perceber os dados actuais do conflito que, em muitos aspectos, continuam os de 1948.
LENDO VENDO OUVINDO ÁTOMOS E BITS de 8 de Maio de 2007
Duplicidades: tivesse a extrema-direita em qualquer país europeu, ou em todos juntos, incendiado centenas de carros e provocado motins políticos anti-democráticos contra um resultado eleitoral, e havia um clamor gigantesco. Onde está sequer um pequeno clamor, um fiozinho de clamor, um esboço de indignação, uma pequena preocupação? Em lado nenhum. Repito o que já disse: o discurso do "políticamente correcto" não pode incorporar a violência da extrema-esquerda, mesmo quando ela é absolutamente evidente.
E de passagem, de novo a RTP: no noticiário das 13.00, Sarkozy que foi descansar para Malta, aparece como se tendo "refugiado" (sic) em Malta na sequência dos motins...
E um poema sobre a escuridão que li hoje: Navigating in the Dark de Erik Campbell escrito na Papua indonésia:
In this mining town in Papua the electricity Has a habit of giving up at night, and this Is a miracle of modern stasis, a secular Shabbat, Reminding us of what is expendable, of how so few Of us ever truly experience the dark. We are amazed, My wife and I, with the heavy darkness Of the no moon jungle, insect sounds lacerating All illusions of silent places. “It’s so absolute,” My wife says, and I like to think she means More than the darkness; the naked places Of ourselves we dress in sunlight, lamps, And recorded music like antithetical Blanche DeBois’s fearing a different sort Of scrutiny. “We could pretend it’s 1940,” I say, “put a Jack Benny tape on the short wave And drink coffee, light candles.” She suggests A walk outside instead, where there are dozens Of others already out on paths bounded by jungle, Stepping small and laughing loudly through various Uncertainties; flashlights as eyes, ears like animals’. Soon we are trying only to remember not to disappear Altogether; everything is so absolutely, so darkly possible.
Dos leitores sobre o jornalismo a que temos direito:
Como todos os doentes terminais postos perante as más novas, a esquerda, nela incluído grande número de editores e jornalistas, está em negação. Só isso pode explicar a maneira como a eleição de Nicolas Sarkozy para Presidente da França foi tratada nas televisões e jornais portugueses. Completa ausência de hierarquia da relevância, grave desonestidade intelectual, grau zero de profissionalismo. Eu, que sou jornalista, metade me indigno, metade me envergonho.
(J.C.)
Alguns dados que contrariam o reporting da RTP e mostram de que "ideias feitas" ele era "feito":
Eis alguns número sobre as eleições em França:
- Nicolas Sarkozy venceu no coração industrial da França que não votava num Presidente de direita desde Charles de Gaulle em 1965.
- Apesar de ter chamado "escumalha" aos que protestavam em 2005 em Saint-Denis, obteve 44% dos votos nesta região a norte de Paris.
- Consegui 52% do voto feminino contra 48% de Ségolène Royal.
- Sarkozy manteve o seu eleitorado: 82% dos pequenos e médios empresários, 67% dos agricultores e 61% dos franceses com mais de 61 anos votaram nele.
- Consegui 57% dos votos do eleitorado entre os 25 e 34 anos.
(Daniel Nunes)
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Escrevo-lhe por ter tido hoje a possibilidade de ter visto um pouco do telejornal da RTP1 à noite 20.00, 7/5/2007) . Vi no seu blogue o que escreveu acerca das escolhas da RTP nos seus telejornais, e hoje enquanto ouvia o telejornal pareceu-me ter ouvido "bombo da festa" na reportagem relativa aos 33 anos do PSD.
Revi na internet a reportagem e fiquei um bocado "enjoado" pela maneira como foi noticiada a peça. Começa aos 33m10s e acaba nos 34m44s (1m34s de reportagem).
Todo o tom, nuances na voz e forma como coloca as palavras, parece ter um tom de gozo. Aliás, a jornalista não noticia o acontecimento, limita-se a fazer comentários e apartes, entrecortados com o discurso de Marques Mendes, o qual se faz num tom completamente diferente do tom em que fala a jornalista (o que a mim ainda me deu mais a noção de gozo, pelo contraste existente).
Mas o que me fez escrever-lhe foram as pérolas que a jornalista nos deu: Após a mensagem de Alberto João Jardim, a jornalista comenta que "...a partir daqui só houve um bombo da festa..." introduzindo o discurso "irado" de Marques Mendes. Ora a frase que não faz o mínimo sentido, é de péssimo gosto e nem retrata o que se segue. Depois temos "...e até já faz promessas eleitorais." relativo a Marques Mendes ter dito que iria ter no seu governo um ministro para as pequenas empresas.
Extraordinário, como em apenas 1m34s se consegue transmitir uma ideia de trivialidade e de descrédito na mensagem e na pessoa de Marques Mendes. Parabéns RTP.
(Hugo Filipe)
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Na RTP , uma reportagem pós – eleições na Madeira, no Jornal da Noite de 07/05 ( provavelmente disponível na parte Multimédia da RTP) , tentando " perceber" o porque das vitórias de Alberto João Jardim . Segundo a jornalista , uma das razões estava no modelo de desenvolvimento , que assentava nas grande obras Públicas , no investimento publico , e num governo regional que é o maior empregador da Madeira.
A jornalista depois lá dizia que o modelo de desenvolvimento estava esgotado e que o investimento Público devia dar lugar ao Investimento Privado . Como os defensores de Hayek haviam de gostar de ver esta reportagem...
Esta reportagem é surreal . De facto , " o modelo de desenvolvimento" ( expressão que por si só , remete Portugal para o patamar dos Países de Terceiro Mundo ) da Madeira é o mesmo que qualquer autarquia do Continente e do Governo da Republica.
Sala de espectáculos da municipalidade. Madame la maire adjointe na sala. No palco, a Orquestra Ligeira do Exército, resumindo OLE. Sem acento, mas está lá subentendido. Começa a função para comemorar o 25 de Abril. E aqueles militares, homens e mulheres, alinhadinhos nas suas fardas, transfiguram-se numa orquestra que envergonha a do Casino Estoril. Desde a soldado Biscoito, que canta de Amália ao Elvis, passando pela cabo Tuca, até a um sargento que enche o palco com uma bela voz e é daquelas pessoas que se sabe que se estiver numa sala toda a gente se diverte, tudo se torna "ligeiro".Benny Goodman, Elvis, canções de cabaret, os nossos sargentos - a patente dominante - fazem muito bem o que estão a fazer. Mas estava-se em Puteaux e quando a cabo Tuca anunciou que se iria tocar e cantar música portuguesa, um medley da Amália, e uma rapsódia de canções do Minho ao Algarve, a sala soltou um som de agrado fundo, de pertença.