Heureux qui, comme Ulysse, a fait un beau voyage,
Ou comme cestuy-là qui conquit la toison,
Et puis est retourné, plein d'usage et raison,
Vivre entre ses parents le reste de son âge !
Quand reverrai-je, hélas ! de mon petit village
Fumer la cheminée, et en quelle saison
Reverrai-je le clos de ma pauvre maison,
Qui m'est une province et beaucoup davantage ?
Plus me plaît le séjour qu'ont bâti mes aïeux,
Que des palais Romains le front audacieux :
Plus que le marbre dur me plaît l'ardoise fine,
Plus mon Loire Gaulois que le Tibre Latin,
Plus mon petit Liré que le mont Palatin,
Et plus que l'air marin la douceur Angevine.
na TSF, hoje à tarde, a habitual diferença de tratamento noticioso conforme as pessoas (e, claro, conforme as políticas). Neste caso, entre Durão Barroso, Jorge Sampaio e Louçã.
As declarações do Presidente da República sobre a Europa e os EUA são, pelo menos, tão polémicas como as de Durão Barroso sobre Espanha. Só que, no segundo caso, “gera-se” a polémica indo imediatamente perguntar a terceiros sobre se pensam que elas vão “prejudicar” as relações com Espanha. O mote é dado pelas perguntas dos jornalistas e, neste caso, mais que justificado. Não seria normal fazer o mesmo e ir perguntar a terceiros se as palavras de Jorge Sampaio não prejudicam as nossas relações com os EUA, e se os conselhos aos novos países europeus não são paternalistas? Também me parece mais que justificado Só que ninguém o faz.
E quanto a Louçã? Porque é que ninguém se lembra de lhe perguntar se, depois dos desmentidos da CGD e da ausência de provas que revelou para as suas graves acusações, não deveria tirar consequências e pedir, pelo menos, desculpa? Qual quê, o homem tem um estatuto especial, pode acusar todos de tudo, com a sua total arrogância moral, que ninguém se importa.
Foi interessante o Barnabé lembrar-se de tudo e mais alguma coisa – e algumas memórias do 25 de Abril serão referidas pelo seu mérito e informação nos Estudos sobre o Comunismo – e esquecer-se do passado colectivo das organizações que lhe são próximas, em particular o Bloco de Esquerda.
Há muita gente que se incomoda com o seu passado, o que não é o meu caso, como se sabe. Também me irrita a mim essa falta de memória selectiva. O Barnabé, por causa disso, atacou Durão Barroso, que não é o melhor exemplo dessa amnésia. Mas, e as organizações que também se esquecem do seu passado? Onde é que há qualquer memória colectiva do que foram e porque é que mudaram? Ou não mudaram? Por exemplo, quando é que a UDP deixou de ser maoísta? Sabem? E quando é que deixou de ser marxista-leninista, com aquele “partido comunista” a controlar a “frente”? Quando é que o PSR deixou de ser trotsquista, ou, como eles diziam, “marxista-revolucionário”? Deixou?
É curioso que sabemos mais da genealogia das mudanças dos ex-comunistas, que se juntaram ao BE, do que sabemos dos seus esquerdistas. O que é que Fazenda ou Louçã disseram em 1975, 1976, 1980, 1990, de que não se lembram hoje? Onde está a reflexão que certamente fizeram? Ou tiveram sempre razão? Ou apenas “evoluíram” como o 25 de Abril?
Vendo o Guggenheim em Bilbau quem é que podia alguma vez imaginar que um edifício de Gehry não fosse caríssimo? Claro que o Parque Mayer tinha que encravar, ou , em alternativa, gastar-se-á tanto dinheiro que o seu impacto visual, qualidade e uso tem que estar garantidos. Eu não digo que não valha a pena, mas exige-se muito mais prudência ou então aquela ousadia que vem de muito estudo e de uma grande intuição de gosto, que duvido tenha havido ou exista.
“Na próxima Terça, vamos ter um eclipse total da Lua. O nosso satélite entrará na sombra da Terra às 19:48. Pouco a pouco, irá escurecer até atingir a fase de totalidade às 20:52. A essa hora a Lua acabou de nascer no nosso horizonte, o que quer dizer que não vamos ver o começo do eclipse. Mesmo assim, vale a pena ver o meio e o fim.”
Para o trânsito de Vénus, o livro de Nuno Crato/Fernando Reis/Luís Tirapicos da Gradiva, tem as explicações e os óculos que permitem ver o pequeno ponto a atravessar a orbe solar. Sem esses óculos, olhar para o Sol cega.
O livro publicado por Basta Ya, Euskadi, Del Sueño a la Verguenza. Guia Útil del Drama Vasco, Barcelona, 2004, é uma boa introdução actualizada ao “drama basco”.
O Guggenheim em Bilbau tem fama de valer a pena ser visitado pelo edifício de Gehry, mas de, como museu, “ter poucas coisas”. Tem de facto “poucas coisas”, mas as que tem – na grande sala de pop arte por exemplo, exigem aquele espaço interior imenso para se “verem”. A dimensão conta e muito para se verem as Venus de Dine ou o ferro ondulado dos caminhos interiores das esculturas.
Mas, como a sorte me protege, está no museu uma exposição das mais interessantes para se perceber, a quente, o frio devastador do discurso estético contemporâneo. Solidão, morte, terror, gestos áridos, perplexidade sem respostas, fealdade, solidão, outra vez em tudo, aparece nas fotografias, nos filmes, e nos objectos de Moving Pictures.
As fotos de James Casebere de espaços interiores artificiais, espaços-tipos que não existem em lado nenhum, espaços-tipo da prisão perfeita, da cela perfeita, do asilo-perfeito, da arrumação-perfeita.
Um pequeno filme de vídeo de Patty Chang, duas figuras humanas que frente a frente comem um ovo ou uma cebola, com as bocas quase sem distância no que podia ser um jogo, mas é uma encenação corporal da violência.
Uma imagem ao espelho de Douglas Gordon sobre um pecado mais original do que o original: “Guilty”.
De novo, o corpo como nunca o vemos em pequenos vídeos minimalistas de Ann Hamilton. Agua a escorrer, seixos na boca. Não é natural ter seixos na boca. Nada é natural, tão próximos da trivialidade e nesse pequeno gesto de mastigar, mover, seixos redondos na boca, e há um calafrio de estranheza. Nós somos assim / nós não somos assim / nós não queremos ser assim / nós somos assim, irreconhecíveis.
Mas o mais devastador é um vídeo de desenhos animados de William Kentridge, entre a banda desenhada e o desenho expressionista. Só visto.
as paredes com palavras de ódio numa língua estranha, o euskera, uma língua inventada pela política nacionalista. Lá longe, escrito num muro do cemitério, “gora ETA”. Por uma vez num sítio apropriado.
há uma geografia do medo. Em Portugal ninguém liga. Só quando há mortos passa um pequeno sobressalto. Mas os mortos são só a parte de cima do iceberg, a maioria do gelo está debaixo de água. Ninguém liga. Preferem-se causas exóticas, politicamente mais aceitáveis, ideologicamente correctas, multiculturais, altermundialistas.
O que a ETA conseguiu só se consegue entender completamente lá. Quando as conversas sobre política se transformam num sussurro incomodado, quando num restaurante ou num bar passa perto outra pessoa. Quando, por todo o lado, aparece uma história de violência ou coragem.
“Sabe, foi aqui, vinha a entrar e dois etarras metralharam-no. Levou vinte e oito tiros e sobreviveu.” (à porta do Diário de Navarra)
“Tinha estado a ver as fotografias do casamento dele. Depois mataram-no”. (No parlamento regional.)
“É preciso ser valente para ser alcaide em X. É uma mulher valente.” (Em X.)
Sala de espectáculos da municipalidade. Madame la maire adjointe na sala. No palco, a Orquestra Ligeira do Exército, resumindo OLE. Sem acento, mas está lá subentendido. Começa a função para comemorar o 25 de Abril. E aqueles militares, homens e mulheres, alinhadinhos nas suas fardas, transfiguram-se numa orquestra que envergonha a do Casino Estoril. Desde a soldado Biscoito, que canta de Amália ao Elvis, passando pela cabo Tuca, até a um sargento que enche o palco com uma bela voz e é daquelas pessoas que se sabe que se estiver numa sala toda a gente se diverte, tudo se torna "ligeiro".Benny Goodman, Elvis, canções de cabaret, os nossos sargentos - a patente dominante - fazem muito bem o que estão a fazer. Mas estava-se em Puteaux e quando a cabo Tuca anunciou que se iria tocar e cantar música portuguesa, um medley da Amália, e uma rapsódia de canções do Minho ao Algarve, a sala soltou um som de agrado fundo, de pertença.
Espaço Boris Vian. Municipalidade comunista com dez por cento de portugueses. Grande fábrica da Peugeot. Uma rapariga portuguesa/francesa? pergunta mesa a mesa: "Você quer morue ou pintade?". Os nossos bravos compatriotas na festa do 25 de Abril organizada pela Associação Cultural Desportiva dos Portugueses Benfica de Achères querem "morue", não querem a "pintada" e emocionam-se com a "Grândola , vila morena".
por causa do 25 de Abril. Em breve, haverá notícias sobre alguns pequenos 25 de Abril em que participei junto com emigrantes. Com "morue" e sem "morue", com música ou sem ela, com maires comunistas e em "zonas livres de armas nucleares" e com o fundo de... Paris é uma festa.