ABRUPTO

28.1.12


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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OS “DIREITOS DA INTERNET” 
Os Anonymous falam em nome de uma coisa a que eles chamam “Internet Rights”, “direitos da Internet”, que estariam ameaçados por iniciativas legislativas como o SOPA (Stop Online Piracy Act) e o PIPA (Protect IP Act), destinadas a combater a pirataria generalizada na Rede. Quer num, quer noutro caso, a legislação proposta têm muitas inadequações, mas o problema que pretende defrontar é um problema real: a protecção dos direitos de autor, o combate á contrafacção, e de um modo geral a assunção de que o que é crime “cá fora” da Rede, é crime “lá dentro” da Rede. É esta correlação entre o que é considerado crime cá fora (o plágio, o roubo de identidade, a contrafacção, o roubo dos direitos de autor, de marcas e patentes, a calúnia, o insulto, a sabotagem, etc., etc.) e o que pode e deve passar a ser crime lá dentro que os Anonymous no meio desta retórica contra a censura querem combater. Uma coisa são os direitos, liberdades e garantias, seja no papel, seja no ecrã, seja no computador e na Rede, que devem permanecer intocados, outra são estes “Internet rights”.

Para os Anonymous e os seus seguidores “deitar abaixo” o Facebook, ou um sítio do FBI, ou de partidos como o PS, PSD e outros, ou entrar em áreas confidenciais onde estão os nossos dados médicos, ou o nome de polícias, é normal. Se nós pensássemos que a “velha” maneira do fazer era trepar a um muro ou abrir uma caixa de esgoto e cortar com alicate os fios, ou deitar ácido nas ligações, ou mandar uma paulada num guarda e partir com uma marreta um computador, aí já a turba dos flashmobs que gosta dos Anonymous pensava duas vezes sobre o que está a fazer. E talvez aí fosse mais longe do que o micro-pensamento sobre a censura e os “direitos da Internet”. E, caso produzissem alguma coisa que tivesse mercado, uma canção, um livro, uma imagem icónica, não estariam também a queixar-se numa entrevista “popular” que, apesar de terem existido milhares de cópias, não tinham recebido nada pelo seu talento, pelo seu trabalho? Nessas alturas a ideologia grosseira do comunismo primitivo que é a dos “direitos da Internet” onde tudo é gratuito e jorra para todos como o maná divino, já não lhes apela tanto como antes, quando nada valiam a não ser como consumidores. Vejam lá se o cozinheiro do Imaginário aos tombos, a quem o medo “não assiste”, não faz anúncios pagos? E já agora que contrafacção mais lucrativa existe do que fazer notas de dólar ou de euro? Não é uma censura inominável impedirem-me de reproduzir aqueles belos rendilhados das notas de euro, ou o santo “In God We Trust” do dólar?

Sou um leitor que acompanho regularmente os artigos que partilha no seu blogue 'Abrupto'. Os textos que escreve são normalmente bem fundamentados e ponderados, pelo que foi com alguma surpresa e
desagrado que li o artigo "Os 'Direitos da Internet'". Concordo quando argumenta que as acções ilícitas de grupos de hackers na rede são graves e que os seus autores devem ser castigados. No entanto, a minha
discordância encontra-se centrada na defesa que faz sobre uma maior protecção dos 'direitos de autor' e da associação de violação de um 'direito de autor' a um crime.

Considerações teóricas e empíricas demonstram que a actual legislação  que regula os direitos de propriedade intelectual é, no mínimo, criticável. Tendo em conta o ganho económico social envolvido (ou
seja, analisando custos e perdas para produtores, consumidores e estado), a única política coerente seria a redução ou eliminação da regulação legal da propriedade intelectual; sejam 'direitos de autor' ou patentes. Contudo a corrente doutrinação (conveniente para alguns) sobre a importância da propriedade intelectual exige uma argumentação cogente que não é passível de ser transmitida através de um email.
Argumentos que, no entanto, existem, tendo sido exteriorizados por diversos economistas no passado. É por esta razão que, respeitosamente, indico a V. Exa. uma referência que condensa grande
parte dos argumentos utilizados por economistas que refutam a propriedade intelectual: o livro "Against Intelectual Monopoly", por Michele Boldrin e Kevin Levine. Note que os autores não são economistas radicais do tipo clássico, Marxista ou Keynesiano, mas respeitados professores de economia, membros (fellows) da Sociedade Econométrica e cujo livro foi revisto em revistas de literatura tão importantes como o the Jornal of Economic Literature" e apoiado por economistas politicamente distantes como Maskin, North ou Prescott (referindo apenas prémios Nobel). Julgo que este livro poderá servir para, pelo menos, expor a V. Exa. uma defesa da eliminação da propriedade intelectual diferente da propalada pelos 'Anonymous'.

Convém notar que os argumentos e propostas utilizados no livro não são  puramente académicos. Num exemplo recente, o governo suíço anunciou que o descarregamento de músicas, filmes e livros da internet deixou de ser ilegal naquele país, independentemente da origem dos ficheiros. Esta medida foi em parte consubstanciada por um estudo realizado a pedido das autoridades que indica que a despesa agregada em bens culturais manteve-se constante num período alargado e que inclui a introdução e utilização geral de redes de partilha de ficheiros.

Refiro também que a relativa indiferença ou mesmo apoio do público em  geral face às actividades de hackers quando estes atacam sites governamentais pode ser explicada por uma crescente noção pública de
abusos perpetrados por autoridades em nome dos direitos de autor. Talvez seja essa mesma noção, hoje em dia quase impossível de não ser notada, que esteja a empurrar a emergência dos partidos pirata em
alguns países da Europa.

P.S.
O livro que indico no corpo desta mensagem pode ser consultado lido na íntegra na página pessoal de um dos autores através desta ligação (o site contém muitos outros interessantes):

O anúncio do governo da Suíça referido no texto.

Uma lista com algumas acções de combate à pirataria efectuadas pelas
autoridades em 2011 (indicativo; pode ser pouco fiável).

 (Tiago Tavares)


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COISAS DA SÁBADO: 
CRIME COM O ENVELOPE TECNOLÓGICO DA MODA PARECE QUE NÃO É CRIME 
O vídeo dos Anonymous apelando a um ataque ao Facebook, embrulhado num palavreado típico do mambo jambo ideológico contra os EUA, é colocado como se fosse a coisa mais pacífica deste mundo por tudo quanto é sítio. Os nossos jornais de referência lá o têm, mais os links e as instruções destinadas a abater o inimigo capitalista. OK, dirão os micro-pensantes que pululam pela Internet, não o colocar é censura. Balelas, tretas! Experimentem colocar em linha num sítio sério, por exemplo, e de novo, num jornal de referência português, uma receita para envenenar saladas com e.coli nos restaurantes que têm self services, algo de fácil e também “anónimo”. Juntem-lhe um apelo ideológico qualquer à vossa escolha: contra os McDonalds, os alimentos geneticamente modificados, as alfaces recolhidas por trabalhadores não sindicalizados, os produtos químicos usados pela agricultura não-biológica, ou o imperialismo americano, que é tudo a mesma coisa, Escolham um nome pomposo em inglês do género “Animal response”, “Bacteria Legion”, “Salad anonymous fighters”, SAF, e façam um vídeo no YouTube a explicar o método. Vejam o clamor e muito provavelmente a polícia que vão ter á porta. 

O que acontece com os Anonymous é que a actividade criminosa aparece associada a um glamour tecnológico que nos deixa babados de reverência perante a modernidade dos instigadores do crime e incapazes de ultrapassar o mesmo nível de micro-pensamento (já uma complacência de minha parte porque devia ser nano ou pico-pensamento…) que leva muita gente a considerar que há aqui uma qualquer “luta” com significado social. Não há, nem luta, nem protesto, mas arrogância (o vídeo dos Anonymous é um exercício insuportável de arrogância vanguardista, aliás com laivos proto-fascistas), mais instigação ao crime.

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EARLY MORNING BLOGS  
2151 - Continuity

I've pressed so
far away from
my desire that

if you asked
me what I
want I would,

accepting the harmonious
completion of the
drift, say annihilation,

probably.

(A. R. Ammons)

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25.1.12


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE
Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

NESTES DIAS
(MJ)

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A CONSTRUÇÃO DA MÁFIA PORTUGUESA (2)


A pergunta certa é quase sempre a mesma: por que razão foi escolhida esta pessoa e não outra. Ou seja, se considerarmos que um negócio é um negócio e exige determinado tipo de perfil, conhecimentos, experiência, por que razão as escolhas para lugares de topo, bem remunerados, são feitas de pessoas que não correspondem nem de perto nem de longe ao perfil que seria "natural"? Qual é a natureza da perturbação que justifica o desvio da escolha "natural"? Por que razão encontramos no centro desta "área de negócios politizados" sempre as mesmas pessoas, sempre os mesmos curricula , sempre os mesmos perfis de carreira, sempre as mesmas redes de influência e sempre um "serviço" político ou o seu pagamento? Por que razão vemos o dinheiro, os negócios, mais do que o empreendedorismo, entrar nessas áreas onde o poder de Estado e o poder político são centrais, e onde o controlo da informação e da decisão política é a chave do sucesso no negócio?

Se se quiser fazer negócio na área dos resíduos, se se quiser instalar parques eólicos, se se quiser vender mobiliário urbano, se se quiser instalar um atelier de arquitectura, se se for um urbanizador, se se quiser aceder a fundos comunitários, se se trabalhar na área do marketing e das agências da comunicação, na advocacia de negócios, ou mesmo se se quiser abrir um restaurante da moda, só há dois caminhos de sucesso garantido: conhecer os políticos certos e depois conhecer os jornalistas certos. E o mercado sabe muito bem quem são os "políticos certos" e os "jornalistas certos".

Deixando os jornalistas por agora, voltemos à "área de negócios politizados". Precisa-se aí de ter conhecimentos directos com os aparelhos partidários que controlam o acesso ao poder político executivo, a nível central ou local, ou ter um "facilitador" influente. Quando nos perguntamos por que razão nessas empresas, que actuam nesta "área de negócios politizados", se escolhem para lugares de administração, bem remunerados, pessoas que ou são políticos no activo ou têm uma relação de "facilitação" e influência com o poder político, a resposta é evidente. O processo Face Oculta é todo sobre isso, mas também o é o Portucale , e muitos outros.

Outra característica desta "área de negócios politizados" é a de estar cada vez mais ligada a capitais com origem em países onde a corrupção é uma forma de poder e os sistemas políticos são autoritários, como é o caso típico dos capitais angolanos que aí abundam. Esses capitais têm todos um pequeno problema, que pelos vistos não interessa a ninguém, que é o de serem milhares de milhões com origem em pessoas que legalmente ganham apenas umas centenas de dólares no seu cargo político. Aproveitem para ler isto hoje no PÚBLICO, porque a continuar o takeover angolano sobre os órgãos de informação portugueses, em breve isto não poderá ser dito em quase lado nenhum.

Vejamos um caso hipotético e compósito de um político tornado gestor. Começou por baixo, por um aparelho partidário local cujo controlo assegurou, primeiro pessoalmente, depois através de homens de sua confiança pessoal. Durante toda a sua vida política nunca deixará de manter um controlo rigoroso sobre a sua zona de influência original, colocando lá homens de mão, que mais tarde emprega, distribuindo benesses e lugares sempre em primeira mão para o aparelho onde se iniciou e cresceu. Perder o controlo dessa base original é um grande risco, porque é aí que as pessoas melhor o conhecem, numa altura em que os seus primeiros passos de carreira ainda eram crus e pouco sofisticados e deixaram rastro.

Iniciou-se a receber "avenças" dos empresários locais que conheceu no processo de obter financiamentos para a actividade partidária. Começa a entrar ou a fazer uma rede de "amigos", a que garante "facilidades" junto do poder central e local, primeiro em coisas simples e baratas e depois vai fazendo o upgrade para negócios mais sérios. Quase toda a sua economia pessoal é feita à margem do fisco e da lei, mas isso há uns anos atrás não era problema nenhum, porque o controlo fiscal dos rendimentos era uma ficção e hoje também não é por que há offshores . Se havia algum escândalo público, a explicação clássica era de que "ganhou na bolsa", e se esse escândalo implicasse problemas com a justiça, o que era raríssimo, pagavam-se de imediato os impostos em falta e esperava-se que a máquina emperrasse nas prescrições ou numa tecnicalidade, como quase sempre acontecia.

Nesta altura, o nosso político hipotético já dá uma grande atenção à comunicação social e através de fugas de informações, que favorecem uma carreira jornalística, ou através de favores, presentes, ou mesmo falsas avenças ou empregos para familiares dos jornalistas no novo universo empresarial em construção, já tem um círculo de jornalistas no seu bolso. Nenhum, insisto, nenhum dos que fazem esta carreira hipotética o consegue fazer sem relações privilegiadas com a comunicação social, umas vezes pessoais, dominantes no passado, hoje através de agências de comunicação pagas a peso de ouro. Esse ouro é pago por nós através de encomendas de serviços "de comunicação" por uma autarquia ou um ministério "amigo", assegurados, como tudo, pelo acesso ao poder político. Não existe hoje nenhuma destas microrredes de poder que não esteja ligada à comunicação social e que não dê importância decisiva a esse factor. No fundo, são políticos modernos, antes sabiam bem do poder do telefone e dos almoços de negócios, antes de ter medo das escutas, hoje exploram a fundo o spin e as redes sociais.

Se for esperto, e muitos são mesmo muito espertos, sai a tempo da política e dedica-se "exclusivamente" aos negócios. Os seus negócios têm uma característica comum - fazem-se todos na "área de negócios politizados", todos dependem do acesso ao poder político e da decisão política, seja através de informação privilegiada, seja através de facilidades e escolhas de favor. Mas também por isso fica sempre com um pé, e um grande pé, dentro da política. Emprega nas suas empresas os seus companheiros de partido, e a sua família, cria laços sólidos no Estado e nas autarquias, recomendou e obteve a colocação de muitas pessoas que lhe são fiéis, ajuda a obter créditos e tratar de problemas com o fisco, ameaça quando é preciso e aparece quando é preciso. Nalguns casos institucionaliza a sua microrrede ou em associações e lobbies , ou, sempre deste retrato hipotético e compósito, entra numa maçonaria e usa-a para novas relações e novos recrutamentos em áreas sensíveis de decisão. Nos exemplos mais modernos recruta mesmo nos blogues alguns jovens lobos sedentos de notoriedade, poder e influência e que precisam de patrocinato, e a quem "enreda" para que não lhe venham a criar problemas no futuro. O que vemos hoje in the making é uma nova geração, preparada e escolhida pela anterior, de políticos deste tipo, uns na primeira divisão, mas a maioria na segunda divisão, onde também se ganha muito dinheiro com muito mais discrição.

Há outro nome para esta realidade - poder mafioso. Ele existe, reforça-se e reproduz-se. Cada vez menos conhece qualquer oposição, seja da Justiça, seja da opinião pública, seja de quem for. Com a crise, só pode piorar.

(Versão do Público, 21 de Janeiro de 2012.)

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EARLY MORNING BLOGS  
2150

(...)
Laß den Anfang mit dem Ende
Sich in eins zusammenzieh'n!
Schneller als die Gegenstände
Selber dich vorüberflieh'n.
Danke, daß die Gunst der Musen
Unvergängliches verheißt:
Den Gehalt in deinem Busen
Und die Form in deinem Geist.

(Goethe, Dauer im Wechsel)

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24.1.12


  DE NOVO 

  • EUA – EQUAL RIGHTS AMENDMENT
  • FRANÇA – SOCIALISME PAR EN BAS
  • FRANÇA – CERCLE DE DISCUSSION DE PARIS
  • FRANÇA – SAUVONS LA MATERNITÉ “LES BLUETS” (PARIS, 24 DE JANEIRO DE 2012)
  • FRANÇA – BIBLIOTHÈQUE ANARCHISTE LIBERTAD
  • FRANÇA – STOP AU PÉTROLE ET GAZ DE SCHISTE
  • GRÉCIA – ORGANIZAÇÃO PARA A RECONSTRUÇÃO DO KKE (Κίνησης για Ανασύνταξη του ΚΚΕ)
  • O SÉCULO – NÚMEROS ESPECIAIS DURANTE O ESTADO NOVO // O Século – Special Editions durng the “New State”
  • FRANÇA – RADIO LIBERTAIRE
  • FRANÇA – FÉDÉRATION ANARCHISTE
  • LIVROS USADOS PARA ESTUDAR, ORGANIZAR (E PRESERVAR) OS MATERIAIS DO EPHEMERA (62) :DOCUMENTOS DOS ARQUIVOS DO PCF // Books to Study, Organize and Preserve the Materials of EPHEMERA: French Communist Party Archives
  • LIVROS USADOS PARA ESTUDAR, ORGANIZAR (E PRESERVAR) OS MATERIAIS DO EPHEMERA (61) : IMPRENSA ALTERNATIVA DOS ANOS 70 // Books to Study, Organize and Preserve the Materials of EPHEMERA: Alternative Press in the Seventies
  • LIVROS USADOS PARA ESTUDAR, ORGANIZAR (E PRESERVAR) OS MATERIAIS DO EPHEMERA (60) : AUTOCOLANTES POLÍTICOS // Books to Study, Organize and Preserve the Materials of EPHEMERA: Political Stickers
  • LIVROS USADOS PARA ESTUDAR, ORGANIZAR (E PRESERVAR) OS MATERIAIS DO EPHEMERA (59) : MATERIAIS GRÁFICOS FRANCESES DOS ANOS DE GISCARD (1974-1981) // Books to Study, Organize and Preserve the Materials of EPHEMERA: French Political Graphics from the Giscard Years (1974-1981)
  • LIVROS USADOS PARA ESTUDAR, ORGANIZAR (E PRESERVAR) OS MATERIAIS DO EPHEMERA (58) : EXTREMA-DIREITA // Books to Study, Organize and Preserve the Materials of EPHEMERA: On the Extreme Right
  • ENTRADAS: MATERIAIS FRANCESES E NÃO SÓ // New materials on French Political and Social Movements
  • CENSURA RELATÓRIO Nº 6987 (4 DE JANEIRO DE 1962) / RELATIVO A “O BORDEL” DE GUY DE MAUPASSANT // Censorship Report Nº 6987 (January 4, 1962) on O Bordel” of Guy de Maupassant
  • ESPANHA – FUERZA NUEVA
  • EUA – UNITED FARM WORKERS
  • BOLETIM INFORMATIVO DOS TRABALHADORES DE ARMAZÉM
  • O ESTALEIRO
  • PS – V CONGRESSO (LISBOA, 30 DE SETEMBRO – 1 DE OUTUBRO DE 1983) // 5th Socialist Party Congress (September 30 – December 1, 1983)
  • PS – I CONGRESSO (DEZEMBRO DE 1974) // 1st. Socialist Party Congress (December, 1974)
  • PS – VII CONGRESSO (LISBOA, 19-21 DE FEVEREIRO DE 1988) // 7th. Socialist Party Congress (Lisbon, February 19-21, 1988)
  • PS – VI CONGRESSO (Lisboa, 1986) // 6th Socialist Party Congress (Lisbon, 1986)
  • PS – IV CONGRESSO (8-9-10 DE MAIO DE 1981) // 4th Socialist Party Congress (May 8-10, 1981)
  • PS – X CONGRESSO (FEVEREIRO DE 1992) // 10th. Socialist Party Congree (February, 1992)
  • POSTAL EM APOIO À LUTA DOS PRISIONEIROS DO IRA // Postcard in Support of IRA’s Prisoners
  • EUA – FLORIDA – GAY DAY 98
  • EUA – FLORIDA – PRIDEFEST’98
  • ADRIANO VAZ VELHO – COMO SE VIVE NA URSS? (1975)
  • MINISTÉRIO DO INTERIOR – COMANDO GERAL DA PSP – RELATÓRIO DE CARÁCTER POLÍTICO SOCIAL DO CONTINENTE (LISBOA, 1 DE SETEMBRO DE 1938) // Ministry of Interior – General Command fo the Public Security Police – Report on the Social and Political Status of the Continent (Lisbon, September 1, 1938))
  • PARTITURAS – HOMENAGENS A CAVALEIROS HÍPICOS // Sheet music – In Tribute to Sports Horsemen
  • CONTRA O DESEMPREGO! PELO DIREITO AO TRABALHO!
  • FOURTH INTERNATIONAL
  • DINAMARCA – DET RADIKALE VENSTRE
  • MODERNITÉ RADICALE
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 9028 (17 DE MAIO DE 1971) / RELATIVO A “FOTOS-GRAFIAS” DE ARY DOS SANTOS / NUNO CALVET
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8826 (2 DE JULHO DE 1970) / RELATIVO A “O CASAMENTO DOS PADRES” DE MANUEL PINTO // Censorship Report nº 8826 (July 2, 1970) on “O Casamento dos Padres” of Manuel Pinto
  • CENSURA – RELATÓRIO S.N. (2 DE FEVEREIRO DE 1939) / RELATIVO A “DITADURA MILITAR” DE RAÚL PROENÇA // Censorship Report (February 2, 1939) on “Ditatura Militar” of Raúl Proença
  • EUA – IRISH NORTHERN AID
  • CGTP – 13º ANIVERSÁRIO (1983) // 13th Anniversary (1983)
  • CGTP – 8º ANIVERSÁRIO (1978) // 8th Anniversary (1978)
  • CGTP – 7º ANIVERSÁRIO (1977) // 7th Anniversary (1977)
  • FEDERAÇÃO DOS SINDICATOS DA METALURGIA, METALOMECÂNICA E MINAS DE PORTUGAL – (I) CONGRESSO (SEIXAL, 8-9-10 DE DEZEMBRO DE 1978) // Portuguese Federation of Metallurgy and Mines Trade Unions – Congress (December 8-10, 1978)
  • CGTP – COMUNICADOS E PANFLETOS (1974) // Pamphlets (1974)
  • FEDERAÇÃO DOS SINDICATOS DA METALURGIA, METALOMECÂNICA E MINAS DE PORTUGAL – II CONGRESSO (SEIXAL, 5-6-7 DE DEZEMBRO DE 1981) // Portuguese Federation of Metallurgy and Mines Trade Unions – 2d Congress (December 2-7, 1981)
  • FEDERAÇÃO DOS SINDICATOS DA METALURGIA, METALOMECÂNICA E MINAS DE PORTUGAL – III CONGRESSO (25-26-27 DE MAIO DE 1984) // Portuguese Federation of Metallurgy and Mines Trade Unions – 3d Congress (May 25-27, 1984)
  • NOVO ÍNDICE ESPECÍFICO PARA OS MATERIAIS DA CGTP
  • IRISH COMMUNIST ORGANISATION
  • CGTP – 1º CONFERÊNCIA NACIONAL DE ORGANIZAÇÃO SINDICAL (17-18 DE FEVEREIRO DE 1979)
  • CGTP – ENCONTRO NACIONAL DAS MULHERES TRABALHADORAS (LISBOA, 24 DE JULHO DE 1976) // National Meting of Working Women (Lisbon, July 24, 1976)
  • CGTP – CONFERÊNCIA SINDICAL NACIONAL SOBRE OS PROBLEMAS DA MULHER TRABALHADORA (LISBOA, 4-5- NOVEMBRO DE 1978) // National Conference on Problems of Working Women (Lisbon, November 4-5 1978)
  • AGAINST PABLO REVISIONISM BULLETIN
  • REINO UNIDO – INTERNATIONAL MARXIST GROUP (IMG)
  • EUA – REVOLUTIONARY WORKERS LEAGUE
  • DINAMARCA – SOCIALISTISK FOLKEPARTI (SF)
  • ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1949 – CANDIDATURA DE NORTON DE MATOS – ICONOGRAFIA – PANFLETOS // Presidential Elections of 1949 – Norton de Matos – Iconography
  • ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1949 – CANDIDATURA DE NORTON DE MATOS – TARJETAS // Presidential Elections of 1949 – Norton de Matos – Leaflets
  • ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1949 – CANDIDATURA DE NORTON DE MATOS – COMISSÕES FEMININAS DE APOIO // Presidential Elections of 1949 – Norton de Matos – Women’s Support Committees
  • ENTRADAS: MATERIAIS DE E SOBRE O COMUNISMO PORTUGUÊS // Materials on Portuguese Communism
  • COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL DE 2009 // Celebrations of the 25th of April Revolution (2009)
  • ORDEM DOS ENFERMEIROS – ELEIÇÕES (12 DE DEZEMBRO DE 2011) // Order of Nurses – Elections (December 12, 2011)
  • POLÉMICA SOBRE O PINGO DOCE
  • ENTRADAS: LIVROS MOÇAMBICANOS OU SOBRE MOÇAMBIQUE
  • RELATÓRIO Nº 6247 (30 DE DEZEMBRO DE 1958) / RELATIVO A “AVENTURAS DE UM COMUNISTA” DE JOHN DOS PASSOS // Censorship Report Nº 6247 (December 30, 1958) on “Aventuras de um Comunista” of John dos Passos
  • CENSURA – RELATÓRIO S.N. (12 DE NOVEMBRO DE 1936) / RELATIVO A “GÉNESE DO CAPITAL” DE KARL MARX // Censorship Report (November 12, 1936) on “Génese do capital” of Karl Marx
  • DINAMARCA – DANSK FOLKEPARTI (DF)
  • DINAMARCA – ENHEDSLISTEN (VENSTRESOCIALISTERNE+ DANMARKS KOMMUNISTISKE PARTI +SOCIALISTISK ARBEJDERPARTI+KOMMUNISTISK ARBEJDERPARTI)
  • ESPANHA – PAÍS BASCO – ELEIÇÕES GERAIS (20 DE NOVEMBRO DE 2011) – LISTA PARA O SENADO // Spain – Basque Country – General Elections (20 November 2011) – List for Senate
  • EUA – CONTRA A OBRIGATORIEDADE DO USO DE CAPACETES (1980) // USA – Against Mandatory Helmets (1980)
  • MANIFESTAÇÃO EM DEFESA DO PASSE ESCOLAR (14 DE DEZEMBRO DE 2011)
  • PLATAFORMA 15 DE OUTUBRO – MARCHA DA INDIGNAÇÃO (LISBOA, 21 DE JANEIRO DE 2012) // Platform 15 Ocotber – March of Indignation (Lisbon, 21 January 2012
  • BOICOTE AO PAGAMENTO DOS TRANSPORTES PÚBLICOS (PORTO, JANEIRO DE 2012) // Boycott the Payment of Public Transports (Porto, January, 2012)
  • EUA – “BRING THE TROOPS HOME NOW!”
  • EUA – “PEACE IS PATRIOTIC”
  • J. POSADAS – O PROCESSO MUNDIAL DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA, O EXÉRCITO, AS MASSAS, E A DERRUBADA DO FASCISMO EM PORTUGAL (28 DE ABRIL DE 1974) // The World Process of the Socialist Revolution, the Army, the Masses and the Overthrow of Fascism in Portugal (28 April 1974)
  • SALAZAR SEM MÁSCARA (1952) // Salazar without Mask (1952)
  • GRUPO DE SOLIDARIEDADE COM JORGE SANTOS / GEORGE WRIGHT // Group of Solidarity with Jorge Santos / George Wright
  • CENSURA – RELATÓRIO MANUSCRITO E DOCUMENTOS (S.D.) / RELATIVOS A “PENSAMENTO DO TRABALHADOR” DE HERLANDER RIBEIRO // Censorship – Manuscript Report and Documents / On “Pensamento do Trabalhador” of Herlander Ribeiro
  • CENSURA – PROCESSO Nº 122 – RELATÓRIO Nº 4548 (24 DE FEVEREIRO DE 1951) E DOCUMENTOS ENVIADOS PELA PIDE À CENSURA / RELATIVOS A “ALMA CHINESA” DE HERLANDER RIBEIRO // Censorship Case Nº 122, Report Nº 4548 (24 February 1951) and other Documents sent by the PIDE / On “Alma Chinesa” of Herlander Ribeiro
  • ENTRADAS: LIVROS E BROCHURAS PACIFISTAS // Pacifist Books and Leaflets
  • PCP (SPIC) – O PARTIDO COMUNISTA PERANTE A OPINIÃO PÚBLICA (MAIO 1931) // The Communist Party and Public Opinion (May 1931)
  • FEDERAÇÃO DAS JUVENTUDES COMUNISTAS PORTUGUESAS – PROTECÇÃO ÀS CRIANÇAS MISERÁVEIS! (NOVEMBRO 1936) // Federation of Portuguese Communist Youth – Protection to Poor Children! (November 1936)
  • ENTRADAS: BROCHURAS SOBRE A GUERRA DO VIETNAM, LAOS E CAMBODJA // Brochures on the War of Vietnam, Laos and Cambodia
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 4075 (17 DE JUNHO DE 1949) / RELATIVO A “DEMOCRACIA” DE ANTÓNIO SÉRGIO // Censorship Report nº 4075 ( 17 June 1949) / On “Democracia” of António Sérgio
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 3028 (S.D.) / RELATIVO A “ALOCUÇÃO AOS SOCIALISTAS” DE ANTÓNIO SÉRGIO // Censorship Report nº 3028 / On “Alocução aos Socialistas” of António Sérgio
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1993 – ALPIARÇA – CDU // Local Elections of 1993 – Alpiarça – United Democratic Coalition
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 2005 – PORTO – FREGUESIA DE ALDOAR – PS // Local Elections of 2005 – Porto- Aldoar – Socialist Party
  • O APRENDIZ
  • UNIVERSITY FORWARD
  • EUA – NATIONAL COALITION TO FREE THE ANGOLA 3
  • EU – AMERICAN UNION AGAINST MILITARISM
  • MAÇONARIA – GRANDE LOJA LEGAL DE PORTUGAL / GRANDE LOJA REGULAR DE PORTUGAL – LOJA ALENGARBE 24 //Freemasonry – Legal Grand Lodge of Portugal / Regular Grand Lodge of Portugal – Lodge Alengarbe, 24
  • IMAGEM
  • CADERNOS SINDEQ
  • CUNHA E COSTA – DESENHOS CONTRA O 25 DE ABRIL (1984) // Drawings against the Revolution of April 1974 (1984)
  • MAÇONARIA – GRANDE LOJA LEGAL DE PORTUGAL / GRANDE LOJA REGULAR DE PORTUGAL – LOJA PROF. EGAS MONIZ //Freemasonry – Legal Grand Lodge of Portugal / Regular Grand Lodge of Portugal – Lodge Prof. Egas Moniz
  • MAÇONARIA – GRANDE LOJA LEGAL DE PORTUGAL / GRANDE LOJA REGULAR DE PORTUGAL – LOJA MARQUÊS DE POMBAL //Freemasonry – Legal Grand Lodge of Portugal / Regular Grand Lodge of Portugal – Lodge Marquês de Pombal

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    ÍNDICE DO SITUACIONISMO (143):  
    SOBREVIVÊNCIAS DO MÉTODO SOCRÁTICO DE LER ESTATÍSTICAS
    A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
    E, nalguns casos, de respiração assistida.

    RTP, Telejornal  da hora do almoço: o barómetro da Cotec mostra  que Portugal desceu em termos de inovação. Esta notícia é sublinhada como negativa por todos os entrevistados. Mas a RTP coloca em oráculo a seguinte frase: porém "Portugal é o melhor do Sul da Europa"...Sócrates fez escola.

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    O MAIS PREOCUPANTE
    É o progressivo controlo da comunicação social portuguesa por grupos económicos angolanos que, onde tocam e entram, acabam com a possibilidade de se dizer o que se disse atrás. Em matéria de informação  não brincam em serviço e retaliam. Que o diga Rafael Marques e a sua denúncia dos “diamantes de sangue” e outras que faz na Internet da corrupção da elite angolana e da cumplicidade activa dos portugueses com as operações de branqueamento, fuga de capitais, cobertura política, etc., e que são bastante silenciadas em Portugal. A RTP África não tem jornalismo sobre Angola, senão era corrida de lá, a RTP idem, o Sol  tece loas ao dinheiro angolano a que pertence e silencia tudo de sensível sobre a elite de poder, e, a continuar assim, pode vir a haver um canal privatizado da RTP também angolano. Este caminho é muito, muito preocupante.

    (Enviada a 17 para a revista, publicada a 19 de Janeiro.)

    NOTA: do Público de hoje

    RDP acaba com espaço de opinião que serviu de palco a críticas duras a Angola

    O jornalista Pedro Rosa Mendes confirmou, em declarações ao PÚBLICO, ter sido informado, por telefone, que a sua próxima crónica, a emitir na próxima quarta-feira no programa “Este Tempo”, da Antena 1, será a última. “Foi-me dito que a próxima seria a última porque a administração da casa não tinha gostado da última crónica sobre a RTP e Angola”, diz o jornalista, por telefone, a partir de Paris.

    “A ser verdade, esta atitude é um acto de censura pura e dura”, sustenta o jornalista, que aborda nessa crónica a emissão especial que a RTP pôs no ar na segunda-feira, 16 de Janeiro, em directo a partir de Angola. A chamada telefónica que serviu para anunciar-lhe o fim deste espaço de opinião foi feita por “um dos responsáveis da Informação” da Antena 1, continua o jornalista, que não quis especificar quem daquele departamento lhe comunicou aquela decisão.
    Rosa Mendes critica a emissão do programa televisivo Prós e Contras da RTP feita a partir de Angola, com a participação do ministro português que tutela a comunicação social, o ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas. Porém, o jornalista entende que “com tudo o que está em causa, foi uma crónica contida”. Aliás – prossegue –, a ser verdade que tenha sido dispensado por causa do teor desta crónica, essa decisão seria “muito estranha”, porque ele não foi “a única pessoa a ficar desagradada com a natureza e o conteúdo da emissão da RTP”. “Houve outras opiniões negativas nestes últimos dias”, aponta.

    A crónica em causa foi emitida a 18 de Janeiro e integra um espaço de opinião que a Antena 1 tem, com o nome de “Este Tempo”. É assegurado por cinco pessoas – Rosa Mendes, António Granado, Raquel Freire, Gonçalo Cadilhe e Rita Matos e, segundo Rosa Mendes, todos eles estariam a ser informados que a crónica vai acabar. O PÚBLICO contactou João Barreiros, director de Informação da Antena 1, e António Granado, um dos cronistas, sem sucesso. Já Ricardo Alexandre, director-adjunto de Informação da Antena 1 e responsável pelo programa, disse não ter comentários a fazer.

    A crónica estava no ar há cerca de dois anos e os contratos terminariam agora. Durante esse tempo, diz Rosa Mendes, nunca lhe foi dado nenhum feedback dando a entender que houvesse temas que fossem tabu ou que tivessem sido fixados “limites de censura”.

    Na polémica crónica, Rosa Mendes começa por recordar que a RTP “serviu aos portugueses” uma emissão especial em directo de Luanda e à qual chamou “Reencontro” e “na qual desfilaram, durante duas horas, responsáveis políticos, empresários, comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local”. “O serviço público de televisão tem estômago para muito, alguns dirão que tem estômago para tudo, mas o reencontro a que assistimos desta vez foi um dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez assisti”, continua. Carregando nas críticas, o jornalista afirma que reencontrou nessa emissão, não um país irmão, mas “a falta de vergonha de uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz”.

    Rosa Mendes é um dos jornalistas portugueses que mais escreveu sobre a corrupção em Angola. Foi, aliás, alvo de dois processos judiciais por difamação, um dos quais por trabalhos editados pelo PÚBLICO e em que o queixoso era o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos. O tribunal não deu razão ao líder de Angola, tendo a Justiça também decidido a favor de Rosa Mendes no outro caso, em que o queixoso era Arcadi Gaydamak, um milionário russo que tem passaporte angolano e foi acusado de vender armas a Angola.


    Nos cinco minutos e 34 segundos que dura a crónica, Rosa Mendes mistura dados relativos à economia e à política do país com citações de alguns outros especialistas que estudaram o que se passa naquele país, que usa uma “maquilhagem sofisticada”, da qual se destaca “o batom da ditadura, parafraseando o jornalista angolano Rafael Marques”. Este último, ou alguém como ele, teria de estar presente num programa que fosse um “reencontro digno para ambos os povos e ambas as audiências”, sustenta Rosa Mendes. Alguém “que chamasse corrupção à corrupção e não, quase a medo numa única pergunta – e passo a citar – ‘um certo tipo de corrupção’, como fez Fátima Campos Ferreira”, a jornalista que apresenta o referido programa da RTP e conduziu aquela emissão. 



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    MEDO. MEDINHO



    No meio do exercício de absoluta banalidade,-  o poder gosta da banalidade, - em que tudo foi mau, as declarações irrelevantes, a música mal ensaiada, o tipicismo de uma cozinheira angolana destinado a dar cor local, num hotel de luxo que seria um melhor retrato da realidade angolana, e de umas conversetas sobre “cultura” ao nível daquelas galerias de arte que vendem reproduções de um menino a chorar, lá houve uma pergunta mais que estudada, mais que prudente, mais que temerosa, sobre a corrupção, quase como se se pedisse desculpa de a fazer. Que a pergunta era um proforma, provavelmente negociado com o ministro (ele próprio envolvido em vários casos de corrupção),  está na forma artificial como tudo se desenvolveu, como se tudo fosse apenas um problema de “percepção” de estrangeiros que não conhecem Angola. Sim, havia de facto alguma corrupção, mas isso devia-se à burocracia. Sim, havia de facto alguma corrupção, mas isso devia-se à juventude do país e à guerra. Sim, era um “problema doméstico”, mas já há umas leis excelentes e duras que permitem combatê-la. Na sala estavam vários exemplos de gente que ganha umas centenas de dólares de salário formal e detêm fortunas de milhões. Isto num país em que a maioria da população vive na miséria e em que não há verdadeira indústria, apenas rendimentos de petróleo ou diamantes, controlados na sua distribuição pelo MPLA e pelo Presidente da República e a sua entourage.

    Jornalismo? Deixem-me rir. 

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    COISAS DA SÁBADO: PARA QUE SERVE A “INFORMAÇÃO” DA RTP?

    Um bom exemplo da razão pela qual o governo pretende ficar com um canal informativo na RTP, a mais escusada das razões porque a SICN e TVI24 cumprem essa função, é porque o poder politico quer controlar a propaganda dos seus actos. O último Prós e Contras, realizado em Luanda, é um bom exemplo de como nada mudou desde as sessões de propaganda típicas de José Sócrates. Agora são com Miguel Relvas, antes eram com Sócrates, antes eram os aviõezinhos a levantar da OTA em videogame e agora é uma sessão que podia bem ter sido feita antes do 25 de Abril. Até o toque do folclore exótico a despropósito com umas pretas de tronco nu vestidas com os ademanes tribais, podiam bem passar num documentário do SNI. 

    De facto, o que leva a RTP em aperto financeiro a enviar uma equipa à cidade mais cara do mundo, gastar tempo de satélite, deslocar pessoas e bens para acabar por fazer um pífio exercício de propaganda centrado nos estereótipos sobre a relação entre Portugal e Angola, bem longe de qualquer realidade? O que leva a tão deprimente e caro exercício de banalidade absoluta, a não ser dar tempo de antena a um ministro, por singular coincidência o mesmo que tutela a RTP, acolitado pelos mesmos de sempre, os mesmos que acompanhavam José Sócrates e lhe davam a mesma caução que agora dão a este governo como a darão a outro que venha a seguir? 

    Eu compreendo que, sendo tudo tão mau e banal, por cá a propaganda não seja muito eficaz, mas o mesmo já não pode ser dito por lá. Por lá, há um efeito de poder neste pobre programa: nenhum membro da elite angolana poderia perceber que um ministro português fosse importante e poderoso se ele não andasse, como eles andam, com a televisão do estado à rédea. Relvas quis mostrar em Angola que por cá é poderoso, tão poderoso que traz a televisão pública à ilharga como qualquer general-empresário angolano faz com a TPA. Já não é a primeira vez que isto acontece: com o mesmo ministro em Moçambique, a falar à vontade das instruções que deu à Lusa para a cobertura de um colóquio em que participou e que, aliás, não correu bem lá, mas isso foi por cá foi silenciado.

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    EARLY MORNING BLOGS  
    2149 - Winter Trees

    All the complicated details 
    of the attiring and 
    the disattiring are completed! 
    A liquid moon moves gently among
    the long branches. 
    Thus having prepared their buds 
    against a sure winter 
    the wise trees 
    stand sleeping in the cold.

    (William Carlos Williams)

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    23.1.12


    JUDEU ERRANTE



    Mais uma corrida, mais uma viagem.
    De regresso.

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