ABRUPTO

6.12.11


ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS  
2147

I'll never Be such a gosling to obey instinct, but stand 
As is a man were author of himself 
And knew no other kin.”

(William Shakespeare, Coriolanus )

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5.12.11


REFERENDO SIM!


Sobre a Europa, enquanto estivermos no processo de um novo Tratado, escrevo aqui sobre essas matérias.

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  ESTA SEMANA DE NOVO 




  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 7603 (20 DE DEZEMBRO DE 1965) / Nº 8527 (E DE JULHO DE 1969 / RELATIVOS A “INQUISIÇÃO PORTUGUESA” DE ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA
  • COGITO
  • FRANCISCO SÁ CARNEIRO – PROJECTO MANUSCRITO DE CARTA A ENVIAR A VITOR ALVES (S.D.)
  • ANTAIOS
  • PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS – GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO – “INFORMAÇÃO” (CONFIDENCIAL) – S.D. (1980)
  • CORRESPONDÊNCIA DA FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA (FNLA) PARA FRANCISCO SÁ CARNEIRO (1979)
  • TELEGRAMA DE JONAS SAVIMBI FELICITANDO SÁ CARNEIRO PELA VITÓRIA DA AD (4 DE DEZEMBRO DE 1979)
  • TELEGRAMA DE DANIEL CHIPENDA FELICITANDO SÁ CARNEIRO PELA VITÓRIA DA AD (4 DE DEZEMBRO DE 1979)
  • CORRESPONDÊNCIA DA UNIÃO PATRIÓTICA ANTI-NEOCOLONIALISTA DA GUINÉ-BISSAU (UPANG) PARA FRANCISCO SÁ CARNEIRO (1978)
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 6497 (16 DE FEVEREIRO DE 1960) / RELATIVO A “RÃ NO PÂNTANO” DE ANTÓNIO ALMEIDA SANTOS
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 4681 (11 DE MARÇO DE 1952) / RELATIVO A “GAVROCHE” DE ANTÓNIO ALMEIDA SANTOS
  • EUA – NOVA IORQUE – MANIFESTAÇÕES EM WALL STREET (28-29 DE OUTUBRO DE 1979)
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1989 – PORTO – FREGUESIA DE ALDOAR – CDU
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1989 – PORTO – FREGUESIA DE ALDOAR – CDS
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1989 – PORTO – FREGUESIA DE ALDOAR – PS
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8720 (20 DE MARÇO DE 1970) / RELATIVO A “DE POEMA EM RISTE” DE JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 1274 (26 DE FEVEREIRO DE 1940) / RELATIVO A “MARÉS” DE ALVES REDOL
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 4278 (25 DE JANEIRO DE 1950) / RELATIVO A “TERRA MÁRTIR” DE ALVES REDOL
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 1214 (15 DE FEVEREIRO DE 1940) / RELATIVO A “GAIBÉUS” DE ALVES REDOL
  • FRANÇA – CONTRA A ENERGIA NUCLEAR – CARTAZ
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – IL POPOLO DELLA LIBERTÁ – MANFREDI PALMERI
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – PARTITO DEMOCRATICO – CINZIA FOSSATI
  • EUA – CONTRA O TABAGISMO
  • EUA – CONTRA O “PATRIOT ACT”
  • DINAMARCA – KOMMUNISTISK PARTI – CARTAZES
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 1173 (12 DE MAIO DE 1947) / RELATIVO A “O ARCANJO NEGRO” DE AQUILINO RIBEIRO
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 6282 (7 DE FEVEREIRO DE 1959) / RELATIVO A “QUANDO OS LOBOS UIVAM” DE AQUILINO RIBEIRO
  • JUGOSLÁVIA – TITO

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    EARLY MORNING BLOGS  
    2146

    "O justo é tranquilíssimo, o injusto é sempre muito solícito."

    (Epicuro)

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    4.12.11


    IR MAIS LONGE DO QUE A GESTÃO DA MASSA FALIDA
     
    Na Quadratura do Círculo comparei o modo como o primeiro-ministro falou na entrevista da SIC com o discurso de um gestor enviado para pôr em ordem uma empresa que está falida. Como de costume, as almas frágeis que acham que qualquer crítica à actual governação é "socratismo" arrepelaram-se em saúde pelo atrevimento. Há-de passar-lhes e ainda verei muitos deles, quando vier o tempo certo, dizer cobras e lagartos do actual Governo, quando este estiver na mó de baixo. Aconteceu o mesmo com os louvaminheiros de Sócrates, que, quando viram que ele ia cair, se passaram com armas e bagagens para a oposição. Os nossos costumes são estes, a fome é muita e os bens escassos, como sempre repito.

    A comparação com um administrador ou um gestor de falências, ou da "massa falida", tem razão de ser perante uma entrevista em que o economês se tornou o politiquês. A redução da política a uma determinada forma de pensar a economia, vista da perspectiva de uma empresa e não de um país, uma nação, é um erro ou uma perigosa errância política. Embora pareça desprovido de ideologia e passe por ser uma linguagem "científica" com a intangibilidade que habitualmente se dá à ciência (como à cultura), o economês-politiquês é profundamente ideológico e bem pouco científico, contém um programa público e uma agenda parcialmente escondida, e é típico também dos momentos de transição, de "ajustamento".

    Quem diga, e há quem o diga, que o país deve ser administrado como uma empresa não está no terreno da democracia porque uma empresa não é democrática, nem tem que ser. Pelo contrário, numa democracia que quer sobreviver, o discurso político tem que ser dador de sentido, tem que relacionar o que se decide com o "bem comum" que se deseja, e é a ultima ratio dessa frágil construção cultural que é a democracia. Isto não significa que se seja demagogo, mentiroso, enganador e vendedor de ilusões, tudo aquilo de que tirámos um curso nos últimos seis anos, mas que é obviamente um risco muito real em democracia. O populismo e a demagogia são talvez, a médio prazo, o maior risco da política portuguesa, e o politiquês-economês prepara-lhe muito bem a cama.

    O que faz um administrador de falências, nomeado pelo tribunal, aqui pela troika, e pelo voto de rejeição de Sócrates? De um modo geral o resultado dessa actividade é o encerramento da empresa, ou em alternativa a "reestruturação" da empresa, ou como agora se diz, o "ajustamento". Fazem-se em primeiro lugar despedimentos, e/ou abaixamento de salários e mudanças nas condições de trabalho para a pequena minoria que fica na fábrica ("flexibiliza-se a mão-de-obra"), vendem-se instalações e máquinas que o patrão não levou para um offshore (como nas privatizações), e, nalguns casos, se se conseguir evitar a falência imediata, tenta-se mudar de ramo (ou de "negócio"). Depois, paga-se aos credores, em muitos casos primeiro aos credores externos e só depois aos trabalhadores, que podem esperar mais de dez anos para receber a sua parte da "massa falida"

    Eu não digo que esta actividade por parte de um administrador com esta incumbência infeliz seja um mal ou em erro em si, e muito menos a desqualifico "moralmente" como faz o Bloco de Esquerda, que transformou a sua crítica ao capitalismo num ajuste de contas moral pela "justiça na economia". Mas governar um país em democracia não pode ficar a este nível de propostas e de discurso, porque isso significa governar mal e falhar mesmo nos objectivos propostos.

    Voltemos à entrevista da SIC, somando-lhe os discursos do ministro das Finanças e das afirmações avulsas do ministro da Economia, e encontramos o pano de fundo deste economês-politiquês e também a enorme ambiguidade em que assenta o actual discurso do poder. Ele centra-se na austeridade, ou seja, na passagem dos portugueses por um período de perda do seu rendimento, um empobrecimento, associado a uma reforma do Estado que lhe modifique o carácter de modo a dar-lhe a medida dos nossos recursos. Este discurso tem duas partes, uma sobre as pessoas, outra sobre a instituição Estado, mas indissoluvelmente associadas num mesmo pensamento sobre a economia e a política. Deixemos agora de lado a questão do Estado, para nos concentrarmos no discurso governamental sobre a austeridade sobre as pessoas, o empobrecimento anunciado.

    Ele é apresentado como inevitável e aí eu não divirjo: as alternativas à austeridade, no quadro do cumprimento do acordo com a troika, são mais austeridade, associada ao caos social e a uma penúria garantida para muitos anos. Pode ser que a austeridade, no contexto do cumprimento do acordado com a troika, conduza também ao caos social e à penúria. Mas entre um programa de austeridade e um programa de "renegociação da dívida", ou de "não pagamos", o segundo é uma certeza do desastre, e o primeiro apenas uma probabilidade.

    Dito isto, há que analisar o que está em cima e em baixo da mesa, no modo como o Governo pensa a austeridade. Aqui há um problema: é que os nossos governantes têm sido ambíguos, oscilando entre proclamações ideológicas, em que o economês é o veículo, e tentativas de acalmar a contestação social, em que o politiquês é o veículo. Se formos ver o papel da austeridade, ou melhor do empobrecimento, no discurso governativo nós encontramos uma oscilação contínua entre a noção de que a austeridade/empobrecimento é um estado virtuoso, e a noção de que a austeridade é um instrumento. Num caso, a austeridade é um estado (um status), noutro a austeridade é uma necessidade temporária.

    Isto dá origem a muitas flutuações no discurso governativo como é o caso do fim dos subsídios do Natal e de férias, apresentados ao mesmo tempo como temporários e como exemplo de como o Estado deve "emagrecer", acabando com a distância entre os privilégios dos funcionários públicos e os trabalhadores do privado. Se a austeridade é um estado virtuoso, em que existe uma adequação do Estado à nossa debilidade económica, a "viver com as nossas posses", então não se compreende que daqui a dois anos voltem os subsídios cujo corte foi apresentado como estrutural. Se, pelo contrário, o corte foi conjuntural e se destina apenas ao cumprimento das obrigações do défice, então, uma vez cumprido o acordo com a troika, esses subsídios devem ser repostos, que é o que primeiro-ministro e ministro das Finanças têm dito. O mesmo se aplica aos impostos apresentados como extraordinários e temporários, adoçados pela designação "de solidariedade", que terão prazo para acabar. São duas políticas muito diferentes, uma de conjuntura, outra remetendo para uma ideia, ou, se se quiser, para uma ideologia, sobre o papel do Estado, da sociedade, das empresas e dos trabalhadores.

    Neste último caso, em que a austeridade é vista como um instrumento de reforma, logo como uma virtude, então é necessário discutir não só as medidas mas também o modo de as apresentar como temporárias quando não serão o modelo de sociedade para que se caminha e os seus efeitos sociais. E aí há todo um vasto conjunto de contradições que mereceriam mais discussão, mas que apenas enuncio.

    Por exemplo, como se pode pensar numa sociedade empresarial dinâmica e competitiva, sem classe média forte, exactamente uma das vítimas principais desta austeridade e que vai sair depauperada destes anos? O modelo da nossa competitividade vai assentar nos salários baixos ou numa qualificação da mão-de-obra? Ora, a degradação do sistema de ensino, já de si ineficaz, resultante inevitável dos cortes na educação, tem como consequência que vamos recuar num dos principais óbices à nossa competitividade, a baixa qualificação da mão-de-obra.

    Estamos ou não a gerar uma sociedade em que as disparidades sociais são ainda mais acentuadas, logo com muito maior conflitualidade inscrita? É que "embaratecer" a mão-de-obra, ou como agora se diz "fazer uma desvalorização fiscal", vai aumentar o fosso entre os mais ricos e os mais pobres e acentuar as dualidades flagrantes da sociedade portuguesa.

    Estamos a defender o emprego e vamos destruir um dos principais reservatórios desse emprego que é a restauração (e, diga-se de passagem, a economia paralela)? Ou será que por detrás do ataque fiscal à restauração existe uma ideia de que ela representa um atraso no nosso tecido empresarial, que consome recursos que são precisos para reindustrializar, mesmo com empresas de pequena dimensão, e que seria melhor para o pais que o parco dinheiro com que se abre um café ou um restaurante de esquina deveria ir para criar uma empresa de costura ou de sucatas ou de rolhas, como acontecia por todo o lado no concelho de Vila da Feira, ou a fazer cobertores como durante a guerra colonial? É que, se é assim, não se percebe nem a política, nem os seus instrumentos sociais.

    É por tudo isto que é preciso exigir mais ao Governo do que a gerência da "massa falida".

    (Versão do Público de 3 de Dezembro de 2011.)

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    ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


    Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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    AVISO A TEMPO POR CAUSA DO TEMPO: 
    MAIS DO QUE NUNCA CONVÉM COMEÇAR A PREPARAR UM REFERENDO SOBRE O NOVO TRATADO EUROPEU


    O que se está a passar na União Europeia, a caminho de terminar com a soberania dos países endividados e de reforçar a soberania sobre eles dos que o não estão, consolidado tal processo num novo tratado cuja natureza é substancialmente diferente de todos feitos até agora e do projecto original dos fundadores da Europa, exige-se que haja referendo em Portugal e noutros países europeus

     As modificações em vista, sugeridas por alemães e franceses, mesmo que não inteiramente coincidentes,  são as mais importantes de sempre no carácter da UE, que passa a institucionalizar uma "soberania" europeia sobre a política financeira (logo sobre a política económica) dos estados, retirando aos parlamentos nacionais o seu direito fundamental de decidir e controlar as receitas e as despesas do estado, o núcleo duro da ideia de que "sem representação, não há impostos" sem a qual os parlamentos perdem sentido.

    Politicamente, um tratado assente no pressuposto da perda total da soberania, em nome de um "governo económico" da Europa, decidido, como aconteceu com o inútil Tratado de Lisboa, fugindo ao compromisso referendário com truques e sofismas, será uma receita ideal para movimentos populistas que, em conjunto com a crise económica e social, se voltarão contra quem apareça como sendo os novos "senhores" da Europa, também agora "senhores" directos e sem disfarces de Portugal. É só uma questão de tempo. O terreno para uma conflitualidade nacional na Europa será cada vez maior e a alienação já grande entre os "povos" e Bruxelas e o seu directório tornar-se-á agressiva e violenta. Um tratado que institucionalize quem manda e quem obedece, viola as intenções de homens como Jean Monnet, Schuman, De Gasperi e Adenauer, que sabiam muito bem que uma Europa assim nunca será nem unida, nem Europa.

    Em 2007, criei um blogue SIM AO REFERENDO  destinado a defender a necessidade de um referendo europeu, que estava prometido pelo PS, PSD e CDS, partidos que quebraram esse compromisso. O blogue nunca arrancou porque se soube de imediato que o compromisso  ia ser esquecido e violado, mas o seu programa de intenções permanece actual. A necessidade do debate é hoje ainda mais premente, sob pena de entrarmos num simulacro de democracia, em que eleitos que nunca o foram para tomar tão graves decisões, se preparam para institucionalizar Portugal como uma região da Europa, um protectorado, quando não uma colónia.

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    EARLY MORNING BLOGS  
    2145 - Charlotte Brontë in Leeds Point

    From her window marshland stretched for miles.
    If not for egrets and gulls, it reminded her of the moors
    behind the parsonage, how the fog often hovered
    and descended as if sheltering some sweet compulsion
    the age was not ready to see. On clear days the jagged
    skyline of Atlantic City was visible—Atlantic City,
    where all compulsions had a home.
    
    "Everything's too easy now," she said to her neighbor,
    "nothing resisted, nothing gained." Once, at eighteen,
    she dreamed of London's proud salons glowing
    with brilliant fires and dazzling chandeliers.
    Already her own person—passionate, assertive—
    soon she'd create a governess insistent on rights equal
    to those above her rank. "The dangerous picture
    
    of a natural heart," one offended critic carped.
    She'd failed, he said, to let religion reign
    over the passions and, worse, she was a woman.
    Now she was amazed at what women had,
    doubly amazed at what they didn't.
    But she hadn't come back to complain or haunt.
    Her house on the bay was modest, adequate.
    
    It need not accommodate brilliant sisters
    or dissolute brothers, spirits lost or fallen.
    Feminists would pay homage, praise her honesty
    and courage. Rarely was she pleased. After all,
    she was an artist; to speak of honesty in art,
    she knew, was somewhat beside the point.
    And she had married, had even learned to respect
    
    the weakness in men, those qualities they called
    their strengths. Whatever the struggle, she wanted men
    included. Charlotte missed reading chapters to Emily, 
    Emily reading chapters to her. As ever, though, she'd try
    to convert present into presence, something unsung
    sung, some uprush of desire frankly acknowledged,
    even in this, her new excuse for a body.
    
    (Stephen Dunn)
     
    
    

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    3.12.11


    ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


    Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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      ESTA SEMANA DE NOVO 



  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 4704 (28 DE ABRIL DE 1952) / RELATIVO A “MAÇONARIA” DE FERNANDO PESSOA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 5728 (12 DE JULHO DE 1956) / RELATIVO A “PÃO DA VIDA” DE AFONSO RIBEIRO
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 2764 (6 DE FEVEREIRO DE 1945) / RELATIVO A “PASSAGEIROS SEM BILHETE” DE AFONSO RIBEIRO
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 3026 (7 DE JULHO DE 1947) / RELATIVO A “POVO” DE AFONSO RIBEIRO
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 3149 (6 DE MAIO DE 1960) / RELATIVO A “ESCADA DE SERVIÇO” DE AFONSO RIBEIRO
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 2945 (31 DE DEZEMBRO DE 1946) / RELATIVO A “VIRÁ AMANHÃ?” DE JOSÉ RABAÇA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8791 (12 DE JANEIRO DE 1970) / RELATIVO A “ALENTEJO DESENCANTADO” DE MÁRIO VENTURA
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2004 – LIBERTARIAN PARTY – MICHAEL BADNARIK – RICHARD CAMPAGNA
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2000 – LIBERTARIAN PARTY – HARRY BROWNE –
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1988 – LIBERTARIAN PARTY – RON PAUL – ANDRE MARROU
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2008 – LIBERTARIAN PARTY – BOB BARR / WAYNE ROOT
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1996 – LIBERTARIAN PARTY – HARRY BROWNE / JO JORGENSEN
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1984 – LIBERTARIAN PARTY – DAVID BERGLAND / JAMES “JIM” LEWIS
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1980 – LIBERTARIAN PARTY – ED CLARK / DAVID KOCH
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1976 – LIBERTARIAN PARTY – ROGER MACBRIDE / DAVID BERGLAND
  • NOTA
  • EUA – ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1992 – LIBERTARIAN PARTY – ANDRE MARROU
  • IV INTERNACIONAL – EMBLEMAS, PINS
  • ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO PRÉDIO COUTINHO – VIANA DO CASTELO
  • EUA – VOTERS FOR PEACE
  • GRÉCIA – COLIGAÇÃO DOS MOVIMENTOS DA ESQUERDA E DA ECOLOGIA ( ΣΥΝΑΣΠΙΣΜΟΣ ΤΗΣ ΑΡΙΣΤΕΡΑΣ ΤΩΝ ΚΙΝΗΜΑΤΩΝ ΚΑΙ ΤΗΣ ΟΙΚΟΛΟΓΙΑΣ )
  • FOLHAS VOLANTES COM POEMAS E CANÇÕES POPULARES
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 7444 (14 DE FEVEREIRO DE 1964) / RELATIVO A “O HÓSPEDE DE JOB” DE JOSÉ CARDOSO PIRES
  • SINDICATO NACIONAL DOS OPERÁRIOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO DISTRITO DE LISBOA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8738 (6 DE ABRIL DE 1970) / DOCUMENTOS ANEXOS / RELATIVO A “REGRESSAR PARA QUÊ?” DE VICTOR SÁ
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 5058 (28 DE OUTUBRO DE 1953 / RELATIVO A “RUA” DE MIGUEL TORGA
  • ANGOLA – AGOSTINHO NETO – CARTAZES
  • ESPANHA – CATALUNHA – PARTIT FEMINISTA / BLOC D’ESQUERRA D’ALLIBERAMENT NACIONAL
  • RAS – PROGRESSIVE FEDERAL PARTY (PFP)

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    COISAS DA SÁBADO: PROPORÇÕES (4) 

    Onde há muito tempo há situações de violência bem mais graves, admitidas como normais e com indiferença, é no futebol. Mais uma vez essa violência manifestou-se às claras nas ruas, com os exércitos ululantes das claques a exporem os seus torsos nus acompanhados de gestos obscenos e gritando impropérios aos adversários. Se algum aparecesse desprevenido numa esquina levava uma tareia logo e é por isso preciso mobilizar centenas de polícias (e não só os oitenta da Assembleia) para encurralar os cortejos guerreiros na sua “caixa” própria. 

    A retórica agressiva dos dirigentes desportivos e a hipocrisia das lamentações quando há excessos é revoltante porque se percebe com clareza que são eles, primeiro e antes que tudo, que fomentam um ódio tribal que depois a massa consumidora da cerveja e do cachecol, materializa nas ruas. Tudo desta vez culminou num incêndio num estádio, que teve alguma dimensão porque as imagens do fogo são sempre espectaculares, e no enésimo ataque a uma casa de um clube de Lisboa que está sediada em território inimigo. Como estes energúmenos que ameaçam, agridem, partem, roubam, incendeiam, tudo em nome de um clube de futebol, continuam a poder ir aos jogos continuar a sua actividade e a polícias e as autoridades fecham os olhos e balbuciam quando a violência é do futebol, não admira que depois subam pelas paredes acima quando a violência lhes parece “política”.

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    2.12.11


      ESTA SEMANA DE NOVO 



  • CENSURA – NOTA DE PROIBIÇÃO DE “JUSTIÇA” DE ROLÃO PRETO (11 DE JUNHO DE 1937)
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 5069 (29 DE OUTUBRO DE 1953) / RELATIVO A “BICHOS” DE MIGUEL TORGA
  • CENSURA – NOTA DE PROIBIÇÃO DE “MONTANHA” DE MIGUEL TORGA (25 DE ABRIL DE 1941)
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 5066 (29 DE OUTUBRO DE 1953) / RELATIVO AO “DIÁRIO” DE MIGUEL TORGA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 5057 (28 DE OUTUBRO DE 1953) / RELATIVO À “A CRIAÇÃO DO MUNDO” DE MIGUEL TORGA
  • ITÁLIA – PARTITO MARXISTA-LENINISTA ITALIANO (PMLI)
  • EUA – UNITED FARM WORKERS
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – LEGA NORD
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8178 (7 DE DEZEMBRO DE 1967) / RELATIVO A “VIDAS NOVAS” DE LUANDINO VIEIRA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8590 RELATIVO AOS “ESCRITOS POLÍTICOS” DE MÁRIO SOARES (6 DE MARÇO DE 1969)
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 7539 (15 DE SETEMBRO DE1965) / RELATIVO A “UM AUTO PARA JERUSALÉM” DE MÁRIO CESARINY DE VASCONCELOS
  • CENSURA – PORTUGAL E A GUERRA POR ALFREDO PIMENTA (24 DE JULHO DE 1942)
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8207 (1968) RELATIVO A AGOSTINHO DA SILVA
  • GRÉCIA – MOVIMENTO PAN-HELÉNICO CONTRA AS PORTAGENS (ΠΑΝΕΛΛΑΔΙΚΟΥ ΣΥΝΤΟΝΙΣΤΙΚΟΥ ΕΠΙΤΡΟΠΩΝ ΑΓΩΝΑ ΚΑΤΑ ΤΩΝ ΔΙΟΔΙΩΝ)
  • INTERNACIONAL – GAUCHE UNITAIRE EUROPÉENNE – GAUCHE VERTE NORDIQUE (GUE/NGL) / EUROPEAN UNITED LEFT / NORDIC GREEN LEFT / EUROPEAN PARLIAMENTARY GROUP

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    COISAS DA SÁBADO: PROPORÇÕES (3) 

    O risco seria outro, esse sim merecedor de alarmismo mais consistente do que estas escaramuças inconsequentes, se os que tentassem subir as escadas do parlamento viessem da manifestação da CGTP, por exemplo, das fileiras musculadas dos estivadores ou dos guardas prisionais que tiveram uma grande presença na rua. Estão a ver para onde é que tinham ido os oitenta polícias, mesmo os vestidos à Robocop, se tivessem que defrontar quinhentas ou seiscentas pessoas, do sexo masculino na sua maioria, mas certamente apoiadas pelas mulheres que, como se sabe, incendeiam mais uma manifestação do que os homens, determinadas a subir as escadas e a entrar no parlamento? Então é que seria mesmo a sério. 

    Se um dia qualquer coisa semelhante acontecer, o que não é impossível, mas para já muito pouco provável, então é que se justifica que ministro e polícias venham falar-nos de violência e de ordem pública. Agora poupem-nos de dar importância a coisas sem importância, porque isso os distrai para o que pode ser bem mais grave.

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    COISAS DA SÁBADO: PROPORÇÕES (2) 

    Fora disso, os escassos manifestantes que queriam “molho” com a polícia, sem muita convicção aliás, pouco têm a ver com as dezenas de milhares de pessoas que antes se tinham manifestado, nem sequer com a mescla de jovens que estavam atrás de si, muitos dos quais tentaram tudo para se separar dos “indignados” da linha da frente e foram-se embora quando começaram as escaramuças. “Nós somos um movimento pacífico, pá, eu vim cá com o meu namorado e fomos agredidos pela polícia, acho que me vou embora”, “disse mais ou menos assim uma jovem para quem estas confusões são claramente demais. 

    A “indignação” de que estes radicais se reclamam, como minoria da minoria dos “indignados”, é politizada e mimética com acções feitas e conduzidas por intelectuais que se acham herdeiros do anarquismo ou de um leninismo órfão de partido, que, como sempre, estão na vanguarda da legitimação da violência e não compreendem como é que Portugal não tem cenas de tumultos como as que se vêem na Grécia ou em Londres. Eles querem imitar os radicais gregos e o black blok, como outros querem imitar os “anonymous” e são a cópia nacional dos novos grupos radicais que tem vindo a crescer pela Europa fora, cuja influência, no nosso caso, quase que não passa dos blogues. Não é por aí que vamos ter muitas razões de preocupação quanto à violência de rua, embora os coktails Molotov já apontem para coisas mais sérias. De qualquer modo, podem os corações amantes da ordem sossegar que por estas bandas ainda não estamos na Grécia.

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    EARLY MORNING BLOGS  
     2144

    "He that can have patience can have what he will. "
     

    (Benjamin Franklin)

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    1.12.11


    COISAS DA SÁBADO: PROPORÇÕES (1) 

    Quando vi, quase em directo, as imagens de alguns incidentes ocorridos na manifestação dos “indignados” diante da Assembleia da República pensei de imediato: vamos ter histeria informativa. E tivemos. Uma cena que envolveu no máximo dez ou vinte pessoas, que claramente queriam provocar um incidente qualquer para as câmaras da televisão, abriu vários noticiários, provocou discussões preocupadas, declarações ministeriais e títulos absolutamente exagerados para a dimensão do que acontecera. No dia em que houver um incidente a sério não sei que palavras vão ser utilizadas. 

    O facto de estes incidentes terem ocorrido no dia da greve geral mostra uma vontade de ligar determinadas acções violentas com a greve, mas seria errado pensar que existe uma relação de causa e efeito entre os coktails Molotov artesanais contra as repartições de Finanças e a greve da CGTP e da UGT. A relação destes incidentes com o crescente mal-estar e conflitualidade social é uma relação de pano de fundo: tudo o que acontecer nestes dias, de um suicídio de um desempregado a uma garrafa atirada à polícia tem o mesmo pano de fundo da crise económica e social. Ponto.

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      ESTA SEMANA DE NOVO 
  • EUA – ANONYMOUS – AUTOCOLANTES
  • AGRADECIMENTOS E OUTRAS NOTAS
  • MOÇAMBIQUE – CAPULANA
  • GRÉCIA – COLIGAÇÃO DA ESQUERDA RADICAL (Συνασπισμός Ριζοσπαστικής Αριστεράς) – SYRIZA (ΣΥΡΙΖΑ)
  • DAGBLADET ARBEJDEREN – CARTAZES
  • COMITÉ DE APOIO ÀS LUTAS OPERÁRIAS (CALO)
  • COMITÉ DE APOIO À LUTA DA E.[MPRESA] F.[ABRIL] M.[ALHAS]
  • DAGBLADET ARBEJDEREN
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – PARTITO DEMOCRATICO
  • SUIÇA – CANTÕES DE GENÈVE E NEUCHÂTEL – REFERENDO SOBRE O SALÁRIO MÍNIMO (27 DE NOVEMBRO DE 2011)
  • EUA – FREE MUMIA!
  • LIVROS USADOS PARA ESTUDAR, ORGANIZAR (E PRESERVAR) OS MATERIAIS DO EPHEMERA (57) : MOVIMENTOS A FAVOR DOS DIREITOS DOS ANIMAIS
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – LEGA NORD – MASSIMILIANO ORSATTI
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – LEGA NORD – DAVIDE BONI
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    EARLY MORNING BLOGS  
     2143 - Night Life


    Disturbed at 2 a.m. I hear a claw
    scratching the window, tapping at the pane,
    and then I realise, a broken branch,
    and yet I can’t turn back to sleep again.
     
    Slowly, not to wake you, I get up,
    thinking of food, perhaps a quiet read.
    A cockroach runs across the kitchen floor,
    its lacquered shell as quick and dry as seed.
     
    Outside the chalice lily lifts its cup
    in adoration to the mirrored moon,
    full of purpose as it trembles there,
    collecting drops of moisture on its spoon.
     
    Noises of the night, it’s all alive,
    birds shifting in the steady trees,
    slugs and snails eating fallen flowers,
    a moth freighted with fragilities.
     
    Nocturnal life, the other side of things,
    proceeding whether we observe or not,
    like rows and rows of brown coastal ants
    transporting food from here to another spot.
     
    (Vivian Smith)

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