ABRUPTO

10.12.11


  HOJE DE NOVO 
(Em directo.)

  • MANIFESTAÇÃO NACIONAL DE REFORMADOS (LISBOA, 10 DE DEZEMBRO DE 2011)
  • FICHAS ORIGINAIS DA BIBLIOTECA
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 7682 (20 DE DEZEMBRO DE 1965) / RELATÓRIO Nº 8057 (2 DE MAIO DE 1967) / RELATIVOS A “HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA” DE ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA
  • ÍNDIA – CAMPAIGN FOR PEACE AND DEMOCRACY (MANIPUR)
  • HOLANDA – SOCIALISTISCHE PARTIJ (SP)
  • POR LA DEFENSA DE LOS DERECHOS DE LA PERSONA HUMANA
  • EPHEMERA: 4000 NOTAS
  • CENTRO DE ESTUDOS E REFLEXÃO SOCIAL-DEMOCRATA (CERESD)
  • PSD DEPOIS DO II CONGRESSO (AVEIRO, 6-7 DE DEZEMBRO DE 1975) – “MILITANTES DO PPD APRESENTAM CONDIÇÕES”
  • COMISSÃO DE APOIO À LUTA DOS SOLDADOS ANTI-FASCISTAS PRESOS
  • LISBOA – JUNTA DE FREGUESA DE N. S. DE FÁTIMA – COMISSÃO ADMINISTRATIVA
  • FONTES PARA A HISTÓRIA DO PCP: ARTIGO SOBRE GEORGETE FERREIRA EM MUJERES, 8 (1961)
  • UM ATESTADO DA PRIMEIRA REPÚBLICA: NÃO É MENDIGO, GREVISTA, NEM BOLCHEVISTA…
  • ASSOCIAÇÃO DE GRUPOS AUTÓNOMOS ANARQUISTAS
  • RUMO
  • PS – LONDRES . COMUNICADO (1973)
  • MOVIMENTO NACIONAL PRÓ-DIVÓRCIO
  • PCP – COMUNICADOS (1974)
  • AGRADECIMENTO
  • COMITÉ PARA A ANULAÇÃO DA DÍVIDA PÚBLICA PORTUGUESA (CADPP)
  • ALEMANHA – JUSOS
  • ALEMANHA – SPD – MATERIAIS DE PROPAGANDA
  • ALEMANHA – SPD – LÍDERES DO PARTIDO
  • ALEMANHA – ELEIÇÕES FEDERAIS (27 DE SETEMBRO DE 2009) – SPD
  • ALEMANHA – ELEIÇÕES FEDERAIS (18 DE SETEMBRO DE 2005) – SPD
  • ALEMANHA – ELEIÇÕES FEDERAIS (22 DE SETEMBRO DE 2002) – SPD
  • PCE – SENHAS DE FINANCIAMENTO (MALAGA E GERONA, 1936-7)
  • FLASHMOB CONTRA O FIM DO SUB23 (PORTO, 13 DE DEZEMBRO DE 2011)
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 6764 (17 DE JANEIRO DE 1956) / Nº 8564 (2 DE JULHO DE 1962) / Nº 9089 (27 DE JULHO DE 1971) E OUTROS DOCUMENTOS AVULSOS / RELATIVOS A “DICIONÁRIO CRÍTICO” DE ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA

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    INCONSCIÊNCIA, PARA NÃO DIZER OUTRA COISA...

    ... com que os seguidores acéfalos de Sarkozy tratam a posição inglesa, é um bom exemplo de como quase tudo está mal na UE dos dias de hoje. "Isolar" o Reino Unido, no culminar de um processo conduzido de forma autista e arrogante, teria que dar para o torto. Mas a inconsciência de ter feito esta fractura é total quando se minimizam as consequências, como se tudo fosse um jogo de rapazes entre "vitoriosos" e "derrotado". A caixa de Pandora que foi aberta trará muitas surpresas más. 
     
    (Mais aqui.)

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    EARLY MORNING BLOGS  


    2150 - Freedom


    Freedom from fear is the freedom
    I claim for you my motherland!
    Freedom from the burden of the ages, bending your head,
    breaking your back, blinding your eyes to the beckoning
    call of the future;
    Freedom from the shackles of slumber wherewith
    you fasten yourself in night's stillness,
    mistrusting the star that speaks of truth's adventurous paths;
    freedom from the anarchy of destiny
    whole sails are weakly yielded to the blind uncertain winds,
    and the helm to a hand ever rigid and cold as death.
    Freedom from the insult of dwelling in a puppet's world,
    where movements are started through brainless wires,
    repeated through mindless habits,
    where figures wait with patience and obedience for the
    master of show,
    to be stirred into a mimicry of life. 

    (Rabindranath Tagore)

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    9.12.11


    ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


    Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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    COISAS DA SÁBADO: A SEGURANÇA INFORMÁTICA 

    Os sucessivos ataques informáticos com êxito a sites que deveriam estar particularmente protegidos, a começar por aqueles que dependem do Ministério da Administração Interna, e por tentativas no Ministério das Finanças, revelam a gravidade da situação. Como agora circula uma cultura de vale tudo pela Internet, há um encolher de ombros, quando não admiração, pelos “piratas” activistas que estão a cometer um crime qualificado. Num estado que cada vez regista e colecciona mais dados sobre a vida de um cidadão, das contas bancárias, às finanças, dos ficheiros médicos, às multas de trânsito e estacionamento, já para não falar o que serviços pouco secretos podem fazer, é muito preocupante que tudo isso possa estar disponível a terceiros mal-intencionados, que agora são activistas dos “anonymous” por brincadeira e depois podem ser ladrões certificados, que, em vez de arrancarem caixas de multibanco com escavadoras, andam a roubar números e códigos bancários. 

    Espero por notícias da sua prisão, ou então, um abanão forte nas nossas polícias de investigação para que percebam que isto não são brincadeiras de nerds e precisam de actuar.

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    EARLY MORNING BLOGS  


    2149
     
    "A man who has nothing for which he is willing to fight, nothing which is more important than his own personal safety, is a miserable creature and has no chance of being free unless made and kept so by the exertions of better men than himself."

    (John Stuart Mill)

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    8.12.11


    ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


    Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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    ÍNDICE DO SITUACIONISMO (140):  
    PARA QUE SERVE A RTP - ÁFRICA? E A LUSA? E O SOL?
    A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração.
    E, nalguns casos, de respiração assistida.

    Neste momento, em directo, um debate exemplar em Maputo com governantes africanos, o Ministro Miguel Relvas, Nuno Morais Sarmento (não sei em que qualidade), e Luís Marinho, administrador da RTP. Provavelmente já perderam o melhor (a recusa da "lusofonia" por exemplo), mas vale a pena perceber esta operação de relações externas. 

    ADENDA: Relvas refere as "indicações" que deu à Agência Lusa  quanto à cobertura do evento ("Já dei indicações à Lusa..."), que é organizado pela RTP e pelo Sol. Tudo muito interessante, lá longe.

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    COISAS DA SÁBADO: A EXIGÊNCIA DO REFERENDO 


    Vem aí um novo Tratado europeu imposto pela Alemanha como condição para que possa haver um “governo económico europeu” e que sejam tomadas medidas para “salvar” os países periféricos endividados e a moeda única. Conhecem-se em linhas gerais as intenções deste novo tratado, embora ainda se esteja longe de saber como será, ou mesmo, em bom rigor, se irá avante, dadas as objecções britânicas. Não se sabe também se o Tratado se aplicará apenas aos países da zona euro ou a toda a UE. Com excepção da Alemanha, a perspectiva de um novo Tratado, ainda não arrefecido o nado morto Tratado de Lisboa, apavora todos os chefes de governo europeus, que sabem que há muito tempo andam sobre uma fina placa de gelo, dado o crescente divórcio entre as suas decisões europeias e as opiniões públicas dos seus países. Todos eles, a começar por Sarkozy, fizeram um verdadeiro número de circo para evitar referendos ao Tratado de Lisboa. No caso inglês, Cameron viu-se aflito para quebrar as suas promessas eleitorais de fazer um referendo e sabe que pode contar com uma grande oposição dentro dos conservadores. Nos outros países, os da ala dos necessitados, incluindo Portugal, a atitude é engolir tudo em nome dessa mesma necessidade, com o desespero como conselheiro maligno. Uma elite que jura pela pátria todos os dias ao pequeno-almoço, muito embrulhada na bandeira verde-rubra, depois acha que tudo é aceitável para ter almoço, lanche, jantar e ceia. Aliás, em muitos países é só esperar para ver crescer movimentos nacionalistas e populistas anti-europeus, tendo como alvo a Alemanha e os actuais dirigentes europeus e sequiosa de atirar fora o menino e a água do banho 

    É por isso que, a confirmarem-se as disposições conhecidas do novo Tratado em preparação, mais do que nunca se justifica um referendo. Se os anteriores Tratados já o justificavam, este ainda mais o exige. E o mais estranho e doentio nos dias que hoje correm é que esta proposta que parece capaz de, caso haja um “sim” reforçar como nunca a legitimidade do processo europeu, e caso haja um “não” obrigar a outras soluções nos âmbito dos tratados actuais, seja recebida como sendo de um extremismo irresponsável. Na verdade, quem a recusa in limine acha que a resposta será certamente um “não” e como não querem essa resposta, que perturba os grandes planos de fazer uma Europa federal sem apoio dos povos e das nações, nem querem ouvir falar de consulta popular. Só que o federalismo autoritário para que se caminha é um projecto de desastre ainda maior do que qualquer “não”, e acabará de vez com a UE e com a paz que ela tem proporcionado às sempre beligerantes nações europeias. Quem vos avisa, vosso amigo é.

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    EARLY MORNING BLOGS  



    2148

    “As I would not be a slave, so I would not be a master. This expresses my idea of democracy.” 

    (Abraham Lincoln)

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    6.12.11


    ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


    Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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    EARLY MORNING BLOGS  
    2147

    I'll never Be such a gosling to obey instinct, but stand 
    As is a man were author of himself 
    And knew no other kin.”

    (William Shakespeare, Coriolanus )

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    5.12.11


    REFERENDO SIM!


    Sobre a Europa, enquanto estivermos no processo de um novo Tratado, escrevo aqui sobre essas matérias.

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      ESTA SEMANA DE NOVO 




  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 7603 (20 DE DEZEMBRO DE 1965) / Nº 8527 (E DE JULHO DE 1969 / RELATIVOS A “INQUISIÇÃO PORTUGUESA” DE ANTÓNIO JOSÉ SARAIVA
  • COGITO
  • FRANCISCO SÁ CARNEIRO – PROJECTO MANUSCRITO DE CARTA A ENVIAR A VITOR ALVES (S.D.)
  • ANTAIOS
  • PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS – GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO – “INFORMAÇÃO” (CONFIDENCIAL) – S.D. (1980)
  • CORRESPONDÊNCIA DA FRENTE NACIONAL DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA (FNLA) PARA FRANCISCO SÁ CARNEIRO (1979)
  • TELEGRAMA DE JONAS SAVIMBI FELICITANDO SÁ CARNEIRO PELA VITÓRIA DA AD (4 DE DEZEMBRO DE 1979)
  • TELEGRAMA DE DANIEL CHIPENDA FELICITANDO SÁ CARNEIRO PELA VITÓRIA DA AD (4 DE DEZEMBRO DE 1979)
  • CORRESPONDÊNCIA DA UNIÃO PATRIÓTICA ANTI-NEOCOLONIALISTA DA GUINÉ-BISSAU (UPANG) PARA FRANCISCO SÁ CARNEIRO (1978)
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 6497 (16 DE FEVEREIRO DE 1960) / RELATIVO A “RÃ NO PÂNTANO” DE ANTÓNIO ALMEIDA SANTOS
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 4681 (11 DE MARÇO DE 1952) / RELATIVO A “GAVROCHE” DE ANTÓNIO ALMEIDA SANTOS
  • EUA – NOVA IORQUE – MANIFESTAÇÕES EM WALL STREET (28-29 DE OUTUBRO DE 1979)
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1989 – PORTO – FREGUESIA DE ALDOAR – CDU
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1989 – PORTO – FREGUESIA DE ALDOAR – CDS
  • ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS DE 1989 – PORTO – FREGUESIA DE ALDOAR – PS
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 8720 (20 DE MARÇO DE 1970) / RELATIVO A “DE POEMA EM RISTE” DE JOSÉ CARLOS DE VASCONCELOS
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 1274 (26 DE FEVEREIRO DE 1940) / RELATIVO A “MARÉS” DE ALVES REDOL
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 4278 (25 DE JANEIRO DE 1950) / RELATIVO A “TERRA MÁRTIR” DE ALVES REDOL
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 1214 (15 DE FEVEREIRO DE 1940) / RELATIVO A “GAIBÉUS” DE ALVES REDOL
  • FRANÇA – CONTRA A ENERGIA NUCLEAR – CARTAZ
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – IL POPOLO DELLA LIBERTÁ – MANFREDI PALMERI
  • ITÁLIA – ELEIÇÕES REGIONAIS (28-29 DE MARÇO DE 2010) – LOMBARDIA – PARTITO DEMOCRATICO – CINZIA FOSSATI
  • EUA – CONTRA O TABAGISMO
  • EUA – CONTRA O “PATRIOT ACT”
  • DINAMARCA – KOMMUNISTISK PARTI – CARTAZES
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 1173 (12 DE MAIO DE 1947) / RELATIVO A “O ARCANJO NEGRO” DE AQUILINO RIBEIRO
  • CENSURA – RELATÓRIO Nº 6282 (7 DE FEVEREIRO DE 1959) / RELATIVO A “QUANDO OS LOBOS UIVAM” DE AQUILINO RIBEIRO
  • JUGOSLÁVIA – TITO

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    EARLY MORNING BLOGS  
    2146

    "O justo é tranquilíssimo, o injusto é sempre muito solícito."

    (Epicuro)

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    4.12.11


    IR MAIS LONGE DO QUE A GESTÃO DA MASSA FALIDA
     
    Na Quadratura do Círculo comparei o modo como o primeiro-ministro falou na entrevista da SIC com o discurso de um gestor enviado para pôr em ordem uma empresa que está falida. Como de costume, as almas frágeis que acham que qualquer crítica à actual governação é "socratismo" arrepelaram-se em saúde pelo atrevimento. Há-de passar-lhes e ainda verei muitos deles, quando vier o tempo certo, dizer cobras e lagartos do actual Governo, quando este estiver na mó de baixo. Aconteceu o mesmo com os louvaminheiros de Sócrates, que, quando viram que ele ia cair, se passaram com armas e bagagens para a oposição. Os nossos costumes são estes, a fome é muita e os bens escassos, como sempre repito.

    A comparação com um administrador ou um gestor de falências, ou da "massa falida", tem razão de ser perante uma entrevista em que o economês se tornou o politiquês. A redução da política a uma determinada forma de pensar a economia, vista da perspectiva de uma empresa e não de um país, uma nação, é um erro ou uma perigosa errância política. Embora pareça desprovido de ideologia e passe por ser uma linguagem "científica" com a intangibilidade que habitualmente se dá à ciência (como à cultura), o economês-politiquês é profundamente ideológico e bem pouco científico, contém um programa público e uma agenda parcialmente escondida, e é típico também dos momentos de transição, de "ajustamento".

    Quem diga, e há quem o diga, que o país deve ser administrado como uma empresa não está no terreno da democracia porque uma empresa não é democrática, nem tem que ser. Pelo contrário, numa democracia que quer sobreviver, o discurso político tem que ser dador de sentido, tem que relacionar o que se decide com o "bem comum" que se deseja, e é a ultima ratio dessa frágil construção cultural que é a democracia. Isto não significa que se seja demagogo, mentiroso, enganador e vendedor de ilusões, tudo aquilo de que tirámos um curso nos últimos seis anos, mas que é obviamente um risco muito real em democracia. O populismo e a demagogia são talvez, a médio prazo, o maior risco da política portuguesa, e o politiquês-economês prepara-lhe muito bem a cama.

    O que faz um administrador de falências, nomeado pelo tribunal, aqui pela troika, e pelo voto de rejeição de Sócrates? De um modo geral o resultado dessa actividade é o encerramento da empresa, ou em alternativa a "reestruturação" da empresa, ou como agora se diz, o "ajustamento". Fazem-se em primeiro lugar despedimentos, e/ou abaixamento de salários e mudanças nas condições de trabalho para a pequena minoria que fica na fábrica ("flexibiliza-se a mão-de-obra"), vendem-se instalações e máquinas que o patrão não levou para um offshore (como nas privatizações), e, nalguns casos, se se conseguir evitar a falência imediata, tenta-se mudar de ramo (ou de "negócio"). Depois, paga-se aos credores, em muitos casos primeiro aos credores externos e só depois aos trabalhadores, que podem esperar mais de dez anos para receber a sua parte da "massa falida"

    Eu não digo que esta actividade por parte de um administrador com esta incumbência infeliz seja um mal ou em erro em si, e muito menos a desqualifico "moralmente" como faz o Bloco de Esquerda, que transformou a sua crítica ao capitalismo num ajuste de contas moral pela "justiça na economia". Mas governar um país em democracia não pode ficar a este nível de propostas e de discurso, porque isso significa governar mal e falhar mesmo nos objectivos propostos.

    Voltemos à entrevista da SIC, somando-lhe os discursos do ministro das Finanças e das afirmações avulsas do ministro da Economia, e encontramos o pano de fundo deste economês-politiquês e também a enorme ambiguidade em que assenta o actual discurso do poder. Ele centra-se na austeridade, ou seja, na passagem dos portugueses por um período de perda do seu rendimento, um empobrecimento, associado a uma reforma do Estado que lhe modifique o carácter de modo a dar-lhe a medida dos nossos recursos. Este discurso tem duas partes, uma sobre as pessoas, outra sobre a instituição Estado, mas indissoluvelmente associadas num mesmo pensamento sobre a economia e a política. Deixemos agora de lado a questão do Estado, para nos concentrarmos no discurso governamental sobre a austeridade sobre as pessoas, o empobrecimento anunciado.

    Ele é apresentado como inevitável e aí eu não divirjo: as alternativas à austeridade, no quadro do cumprimento do acordo com a troika, são mais austeridade, associada ao caos social e a uma penúria garantida para muitos anos. Pode ser que a austeridade, no contexto do cumprimento do acordado com a troika, conduza também ao caos social e à penúria. Mas entre um programa de austeridade e um programa de "renegociação da dívida", ou de "não pagamos", o segundo é uma certeza do desastre, e o primeiro apenas uma probabilidade.

    Dito isto, há que analisar o que está em cima e em baixo da mesa, no modo como o Governo pensa a austeridade. Aqui há um problema: é que os nossos governantes têm sido ambíguos, oscilando entre proclamações ideológicas, em que o economês é o veículo, e tentativas de acalmar a contestação social, em que o politiquês é o veículo. Se formos ver o papel da austeridade, ou melhor do empobrecimento, no discurso governativo nós encontramos uma oscilação contínua entre a noção de que a austeridade/empobrecimento é um estado virtuoso, e a noção de que a austeridade é um instrumento. Num caso, a austeridade é um estado (um status), noutro a austeridade é uma necessidade temporária.

    Isto dá origem a muitas flutuações no discurso governativo como é o caso do fim dos subsídios do Natal e de férias, apresentados ao mesmo tempo como temporários e como exemplo de como o Estado deve "emagrecer", acabando com a distância entre os privilégios dos funcionários públicos e os trabalhadores do privado. Se a austeridade é um estado virtuoso, em que existe uma adequação do Estado à nossa debilidade económica, a "viver com as nossas posses", então não se compreende que daqui a dois anos voltem os subsídios cujo corte foi apresentado como estrutural. Se, pelo contrário, o corte foi conjuntural e se destina apenas ao cumprimento das obrigações do défice, então, uma vez cumprido o acordo com a troika, esses subsídios devem ser repostos, que é o que primeiro-ministro e ministro das Finanças têm dito. O mesmo se aplica aos impostos apresentados como extraordinários e temporários, adoçados pela designação "de solidariedade", que terão prazo para acabar. São duas políticas muito diferentes, uma de conjuntura, outra remetendo para uma ideia, ou, se se quiser, para uma ideologia, sobre o papel do Estado, da sociedade, das empresas e dos trabalhadores.

    Neste último caso, em que a austeridade é vista como um instrumento de reforma, logo como uma virtude, então é necessário discutir não só as medidas mas também o modo de as apresentar como temporárias quando não serão o modelo de sociedade para que se caminha e os seus efeitos sociais. E aí há todo um vasto conjunto de contradições que mereceriam mais discussão, mas que apenas enuncio.

    Por exemplo, como se pode pensar numa sociedade empresarial dinâmica e competitiva, sem classe média forte, exactamente uma das vítimas principais desta austeridade e que vai sair depauperada destes anos? O modelo da nossa competitividade vai assentar nos salários baixos ou numa qualificação da mão-de-obra? Ora, a degradação do sistema de ensino, já de si ineficaz, resultante inevitável dos cortes na educação, tem como consequência que vamos recuar num dos principais óbices à nossa competitividade, a baixa qualificação da mão-de-obra.

    Estamos ou não a gerar uma sociedade em que as disparidades sociais são ainda mais acentuadas, logo com muito maior conflitualidade inscrita? É que "embaratecer" a mão-de-obra, ou como agora se diz "fazer uma desvalorização fiscal", vai aumentar o fosso entre os mais ricos e os mais pobres e acentuar as dualidades flagrantes da sociedade portuguesa.

    Estamos a defender o emprego e vamos destruir um dos principais reservatórios desse emprego que é a restauração (e, diga-se de passagem, a economia paralela)? Ou será que por detrás do ataque fiscal à restauração existe uma ideia de que ela representa um atraso no nosso tecido empresarial, que consome recursos que são precisos para reindustrializar, mesmo com empresas de pequena dimensão, e que seria melhor para o pais que o parco dinheiro com que se abre um café ou um restaurante de esquina deveria ir para criar uma empresa de costura ou de sucatas ou de rolhas, como acontecia por todo o lado no concelho de Vila da Feira, ou a fazer cobertores como durante a guerra colonial? É que, se é assim, não se percebe nem a política, nem os seus instrumentos sociais.

    É por tudo isto que é preciso exigir mais ao Governo do que a gerência da "massa falida".

    (Versão do Público de 3 de Dezembro de 2011.)

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    ESPÍRITO DO TEMPO: HOJE


    Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. (RM)

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    AVISO A TEMPO POR CAUSA DO TEMPO: 
    MAIS DO QUE NUNCA CONVÉM COMEÇAR A PREPARAR UM REFERENDO SOBRE O NOVO TRATADO EUROPEU


    O que se está a passar na União Europeia, a caminho de terminar com a soberania dos países endividados e de reforçar a soberania sobre eles dos que o não estão, consolidado tal processo num novo tratado cuja natureza é substancialmente diferente de todos feitos até agora e do projecto original dos fundadores da Europa, exige-se que haja referendo em Portugal e noutros países europeus

     As modificações em vista, sugeridas por alemães e franceses, mesmo que não inteiramente coincidentes,  são as mais importantes de sempre no carácter da UE, que passa a institucionalizar uma "soberania" europeia sobre a política financeira (logo sobre a política económica) dos estados, retirando aos parlamentos nacionais o seu direito fundamental de decidir e controlar as receitas e as despesas do estado, o núcleo duro da ideia de que "sem representação, não há impostos" sem a qual os parlamentos perdem sentido.

    Politicamente, um tratado assente no pressuposto da perda total da soberania, em nome de um "governo económico" da Europa, decidido, como aconteceu com o inútil Tratado de Lisboa, fugindo ao compromisso referendário com truques e sofismas, será uma receita ideal para movimentos populistas que, em conjunto com a crise económica e social, se voltarão contra quem apareça como sendo os novos "senhores" da Europa, também agora "senhores" directos e sem disfarces de Portugal. É só uma questão de tempo. O terreno para uma conflitualidade nacional na Europa será cada vez maior e a alienação já grande entre os "povos" e Bruxelas e o seu directório tornar-se-á agressiva e violenta. Um tratado que institucionalize quem manda e quem obedece, viola as intenções de homens como Jean Monnet, Schuman, De Gasperi e Adenauer, que sabiam muito bem que uma Europa assim nunca será nem unida, nem Europa.

    Em 2007, criei um blogue SIM AO REFERENDO  destinado a defender a necessidade de um referendo europeu, que estava prometido pelo PS, PSD e CDS, partidos que quebraram esse compromisso. O blogue nunca arrancou porque se soube de imediato que o compromisso  ia ser esquecido e violado, mas o seu programa de intenções permanece actual. A necessidade do debate é hoje ainda mais premente, sob pena de entrarmos num simulacro de democracia, em que eleitos que nunca o foram para tomar tão graves decisões, se preparam para institucionalizar Portugal como uma região da Europa, um protectorado, quando não uma colónia.

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    EARLY MORNING BLOGS  
    2145 - Charlotte Brontë in Leeds Point

    From her window marshland stretched for miles.
    If not for egrets and gulls, it reminded her of the moors
    behind the parsonage, how the fog often hovered
    and descended as if sheltering some sweet compulsion
    the age was not ready to see. On clear days the jagged
    skyline of Atlantic City was visible—Atlantic City,
    where all compulsions had a home.
    
    "Everything's too easy now," she said to her neighbor,
    "nothing resisted, nothing gained." Once, at eighteen,
    she dreamed of London's proud salons glowing
    with brilliant fires and dazzling chandeliers.
    Already her own person—passionate, assertive—
    soon she'd create a governess insistent on rights equal
    to those above her rank. "The dangerous picture
    
    of a natural heart," one offended critic carped.
    She'd failed, he said, to let religion reign
    over the passions and, worse, she was a woman.
    Now she was amazed at what women had,
    doubly amazed at what they didn't.
    But she hadn't come back to complain or haunt.
    Her house on the bay was modest, adequate.
    
    It need not accommodate brilliant sisters
    or dissolute brothers, spirits lost or fallen.
    Feminists would pay homage, praise her honesty
    and courage. Rarely was she pleased. After all,
    she was an artist; to speak of honesty in art,
    she knew, was somewhat beside the point.
    And she had married, had even learned to respect
    
    the weakness in men, those qualities they called
    their strengths. Whatever the struggle, she wanted men
    included. Charlotte missed reading chapters to Emily, 
    Emily reading chapters to her. As ever, though, she'd try
    to convert present into presence, something unsung
    sung, some uprush of desire frankly acknowledged,
    even in this, her new excuse for a body.
    
    (Stephen Dunn)
     
    
    

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    © José Pacheco Pereira
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