ABRUPTO

23.8.08



Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver.

(Fotografia pinhole de António Leal)

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INTENDÊNCIA



Os Estudos sobre o Comunismo estão em actualização.

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FRAGMENTOS DE LEITURAS PARA O MÊS MAIS CRUEL (27)


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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
COISAS DA SÁBADO: “COMO DIZIA RAMBEAU...”

Em sequência da série 1, 2 e 3.

A qualidade das traduções nos programas de Tv é tal que me ocorre pensar que ela é confiada a "tradutores" adolescentes e pouco familiarizados com línguas, apesar de, nos créditos, virem muitas vezes referidas marcas de empresas "especializadas".
Ontem, um dos inefáveis exemplos era, na legendagem de um filme da TVCine, "I come out of seven hours of a plane" dava "saio de um plano de sete horas"...
Aproveito para me referir a um comentário do seu leitor Paulo L. que publicou no dia 11 de Agosto. Escreve ele sobre

"(...) uma dinastia imperial da Índia - os Mughals. Durante todo o documentário os locutor referiu-se a eles como "Mongóis", o que em questões de História "é chato". Ainda para mais, parece que de facto os Mughals não são exactamente um "imperiozito" mas os grandes governadores da Índia durante séculos. E pelo que pesquisei não se poderia admitir a hipótese de haver alguma relação com os Mongóis da Mongólia."


Claro que traduzir mughal (ou moghul) por mongol é um erro de palmatória; no entanto, ao contrário do que afirma, há uma relação entre o Império Mughal indiano e os "mongóis da Mongólia": o primeiro mughal a instalar-se na Índia vindo da Pérsia (Samarkanda) é Babur, um muçulmano descendente de Timur (Tamerlão) e Gengis Khan e cuja tribo era originária da Ásia Central.
O Império Mughal, de que Hydebarad foi a mais esplendorosa capital, atingiu um alto grau de sofisticação e cultura; foi, por exemplo, o Imperador mughal ShahJahan quem construiu o Taj Mahal.

(António Dias)

*

Numa das visitas que faço com regularidade ao seu blog, constatei que no primeiro dos exemplos de más traduções, publicado no dia 20 às 16h32, surge apontada como “sem sentido nenhum”, a tradução de “by default” por “por defeito”. Sendo um profissional da área das TI, apontada como uma área onde o erro proliferaria, confesso que fiquei surpreendido com a referência. Sempre ouvi a expressão aos meus professores e eu próprio a transmito aos meus alunos, pelo que resolvi consultar o meu dicionário preferido – o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Nesse dicionário lá estava a referência a múltiplos significados da palavra “defeito”, entre os quais se contam:

4. Falta de algo necessário, carência (…). O mesmo dicionário aponta na etimologia da palavra defectus, do latim, para as quais são dados vários significados, entre os quais se encontram falha e falta.

Parece assim que o uso de ‘por defeito’, tal como usado na área das TI, tem todo o sentido, considerando o significado da palavra “defeito”, uma vez que é usada para indicar o que acontece quando não são fornecidos valores explícitos. Podia até dar-se o caso de não ter, mas o uso desta expressão é de tal modo frequente que podia passar a incorporar-se na língua, precisamente por via dos mesmos mecanismos que tantas expressões da área têm sido integradas na utilização mais geral da língua.

Naturalmente, a questão em si não têm uma grande importância, mas isto significa que nem sempre a opinião dos leitores parece assim tão acertada.

(Rui Ribeiro)

*

O seu leitor Miguel Moura e Silva observou correctamente que no meio académico há textos traduzidos por pessoas que são, em princípio, peritos do assunto que é lá abordado e que, mesmo assim, contêm erros crassos de tradução. O exemplo mais frequente é, provavelmente, traduzir «to assume» (que significa «supor» ou «admitir») por «assumir». O pior é que me disseram que este uso já se encontra sancionado pelo Dicionário da Academia. Não o tendo à mão não posso confirmar. Em contrapartida, posso, isso sim, confirmar que o Houaiss não faz tal coisa.

(José Carlos Santos)

*

Um tradutor amigo uma vez disse-me que a tradução está cheia de "falsos amigos", como estes exemplos todos o demonstram. A revisão, devia ser tão importante como a tradução e quase tão importante como a escrita nos jornais e nos meios de comunicação social, mas parece estar a cair em desgraça. O que parece estar também a fazer muita falta é a cultura geral e como um leitor exemplificou (com o consultor militar), a cultura especializada em muitos casos. Consultar quem sabe, não de tradução, mas do assunto traduzido.

Nunca mais me esqueço de um exemplo que um professor meu uma vez deu (na FEUP) e que também remete tudo isto para o acordo ortográfico e a sua profunda inutilidade: Nas correntes altas existe um aparelhómetro que em inglês é simplesmente "Key". Em português é "Seccionador". Em brasileiro, surpresa, é "Chave". Em Portugal faz-se o seccionamento, no Brasil o chaveamento. Assim não há idioma que resista.

(José Rui Fernandes)

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(Sandra Bernardo)

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INTERIORES / EXTERIORES: CORES DESTES DIAS

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver







Hoje, na Suíça: Roda da Fortuna, em casa do centro histórico de Schaffhausen; Quedas do Reno, no cantão de Schaffhausen; Feira Medieval em Zurique (malabarista e adivinho actuando sobre um Tarot gigante). (Fernando Correia de Oliveira)







Funchal, no dia 21 de Agosto, dia do Concelho e 500 aniversário da mais antiga cidade portuguesa fora do território continental.







Comemorações do Bicentenário na Batalha do Vimeiro (reconstituição histórica). (Filipe Matias Santos)

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EARLY MORNING BLOGS


1367 - Sleeping on the Wing

Perhaps it is to avoid some great sadness,
as in a Restoration tragedy the hero cries "Sleep!
O for a long sound sleep and so forget it!"
that one flies, soaring above the shoreless city,
veering upward from the pavement as a pigeon
does when a car honks or a door slams, the door
of dreams, life perpetuated in parti-colored loves
and beautiful lies all in different languages.

Fear drops away too, like the cement, and you
are over the Atlantic. Where is Spain? where is
who? The Civil War was fought to free the slaves,
was it? A sudden down-draught reminds you of gravity
and your position in respect to human love. But
here is where the gods are, speculating, bemused.
Once you are helpless, you are free, can you believe
that? Never to waken to the sad struggle of a face?
to travel always over some impersonal vastness,
to be out of, forever, neither in nor for!

The eyes roll asleep as if turned by the wind
and the lids flutter open slightly like a wing.
The world is an iceberg, so much is invisible!
and was and is, and yet the form, it may be sleeping
too. Those features etched in the ice of someone
loved who died, you are a sculptor dreaming of space
and speed, your hand alone could have done this.
Curiosity, the passionate hand of desire. Dead,
or sleeping? Is there speed enough? And, swooping,
you relinquish all that you have made your own,
the kingdom of your self sailing, for you must awake
and breathe your warmth in this beloved image
whether it's dead or merely disappearing,
as space is disappearing and your singularity.

(Frank O'Hara)

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22.8.08


FRAGMENTOS DE LEITURAS PARA O MÊS MAIS CRUEL (26)



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21.8.08


LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (6)


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EARLY MORNING BLOGS


1366 - Absences

It's snowing this afternoon and there are no flowers.
There is only this sound of falling, quiet and remote,
Like the memory of scales descending the white keys
Of a childhood piano--outside the window, palms!
And the heavy head of the cereus, inclining,
Soon to let down its white or yellow-white.

Now, only these poor snow-flowers in a heap,
Like the memory of a white dress cast down . . .
So much has fallen.
And I, who have listened for a step
All afternoon, hear it now, but already falling away,
Already in memory. And the terrible scales descending
On the silent piano; the snow; and the absent flowers abounding.

(Donald Justice)

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20.8.08


OUVINDO

O Quinteto para Clarinete de Mozart.

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FRAGMENTOS DE LEITURAS PARA O MÊS MAIS CRUEL (25)



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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
COISAS DA SÁBADO: “COMO DIZIA RAMBEAU...”

Em sequência da série 1 e 2.

Também tenho algumas pérolas para partilhar das traduções feitas em Portugal. Há dias estava a ver a série "Boston Legal", e numa determinada cena Denny Crane vangloriava-se dizendo: "You know, I have a Gulfstream". Qual o meu espanto quando a tradução na legenda foi: "Sabe, eu tenho uma corrente do golfo"! Quando obviamente se estava a referir a uma marca de aviões particulares...

Outra muito repetida no sector das Tecnologia de Informação (e não só!) é a tradução do inglês "by default", para o português "por defeito", que não faz sentido nenhum. A tradução correcta seria "por omissão", mas claro, quem aponta um erro acaba quase sempre "culpado" por ser "demasiado rigoroso"...

E já agora, faz algum sentido traduzir "Commander-in-chief" para "Comandante em chefe"!?

(Rodrigo Reis)

*

Numa exposição, que está patente em Lagos (Borboletas através do tempo) organizada com o apoio de 9 entidades ( Ciência Viva, Fundação para a Ciência e Tecnologia, FEDER – União Europeia, Ciência e Inovação 2010, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Instituto Português da Juventude, Museu Nacional de História Natural, Museo Nacional de Ciencias Naturales, Museu de Ciències Naturals e da Câmara Municipal de Lagos.) pela qual se pagam três Euros para entrar, em duas salas e um espaço de visionamento de um filme (por alguma razão eu era o unico visitante quando lá estive), há um filme (justamente) em que se traduz 10.000 years ago por 10.000 atrás. Como se costuma dizer, para inglês ver.

(Eduardo Tomé )

*

Bush, em declaração recente sobre a situação na Geórgia, fala "in my name and in behalf of the american people", e isso foi traduzido na SIC para "eu e metade do povo americano"


(Fernando Correia de Oliveira)

*

Não são apenas os nossos tradutores improvisados que cometem erros grosseiros de tradução. A influência do inglês nos meios académicos propagou, por exemplo, a expressão "evidência" como tradução de "evidence". Sobretudo entre os economistas, muitos doutorados e professores das nossas melhores faculdades, este é um erro generalizado. Como jurista este é um daqueles casos que me choca particularmente, por mostrar que alguns dos nossos académicos estrangeirados (nos quais me incluo) desleixam a tarefa de adaptação dos conhecimentos adquiridos pela leitura de obras em língua inglesa. O termo correcto é, consoante o contexto, prova (na acepção de prova científica) ou indício ou prova. Esta última é sempre passível de crítica pelos juristas mais puristas e nem sempre melhores profissionais; aliás, um dos sinais que me alerta imediatamente para a eventual presença de um mau jurista é a correcção do uso corrente do verbo alugar por arrendar, sobretudo quando o corrector salta à primeira oportunidade de alcançar um suposto ascendente por ter absorvido pelo menos uma das lições mais básicas em qualquer curso de Direito...

Devo sublinhar que, tendo nascido em 1968 e tido ainda o benefício de uma formação escolar pública razoável, eu próprio incorro por vezes nesse erro da adaptação directa de alguns termos técnicos (traduzindo "test" por teste em vez de critério, como me aconteceu há alguns anos).

(Miguel Moura e Silva)

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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (5)





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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (4)





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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (3)



Redouble donc tes infortunes,
Sort, foutu sort, plein de rigueur ;
Ce n’est qu’à des âmes communes
À qui tu peux foutre malheur :
Mais la mienne que le vit d’un carme,
Se ris des maux présents, passés :
Qu’on m’importe ? mon vit me reste ;
Je bande, je fous, c’est assez.

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INTERIORES / EXTERIORES: CORES DESTES DIAS

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



(Sílvia)



(Sandra Bernardo)





(José Carlos Santos)







(António Cabral)



Lua em Vinha, S. Gonçalo, Amarante. (Helder Barros)

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EARLY MORNING BLOGS


1365 - Going

There is an evening coming in
Across the fields, one never seen before,
That lights no lamps.

Silken it seems at a distance, yet
When it is drawn up over the knees and breast
It brings no comfort.

Where has the tree gone, that locked
Earth to the sky? What is under my hands,
That I cannot feel?

What loads my hands down?

(Philip Larkin)

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19.8.08


LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (2)



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LIVROS DE QUATRO GERAÇÕES (1)






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EARLY MORNING BLOGS


1364 - Novelty Love Trot

I enjoy biographies and bibliographies,
and cultural studies. As for music, my tastes
run to Liszt's Consolations, especially the flatter ones,
though I've never been consoled
by them. Well, once maybe.

As for religion, it's about going to hell,
isn't it? I read that 30% of Americans believe in hell,
though only one percent thinks they'll end up there,
which says a lot about us, and about the other religions.
Nobody believes in heaven. Hell is what gets them fired up.
I'm probably the only American

who thinks he's going to heaven, though my reasons
would be hard to explain. I enjoy seasons
and picnicking. A waft from a tree branch
and I'm in heaven, though not literally.
For that one must await the steep decline
into a declivity, and shouts from companions
who are not far off.

In the end it matters little what things we enjoy.
We list them, and barely have we begun
when the listener's attention has turned to something else.
"Did you see that? The way that guy cut him off?"
Darlings, we'll all be known for some detail,
some nick in the chiseled brow, but it won't weigh much
in the scale's careening pan. What others think
of us is the only thing that matters,
to us and to them. You are stuffing squash blossoms
with porcini mushrooms. I am somewhere else, alone as usual.

I must get back to my elegy.

(John Ashbery)

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18.8.08


FRAGMENTOS DE LEITURAS PARA O MÊS MAIS CRUEL (24)



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(José Carlos Santos)

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© José Pacheco Pereira
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