ABRUPTO

24.5.08


INTENDÊNCIA



Os Estudos sobre o Comunismo estão em actualização.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: VENDO



(...) admitindo que não tenha tido oportunidade de ver os telejornais de ontem à noite e não tenha, em consequência, conseguido apreender os conhecimentos básicos que por estes dia são obrigatórios na cultura de qualquer português e patriota que se preze, aqui lhe trago uma súmula desses conhecimentos indispensáveis ao homem moderno. Estou certo que saberá reconhecer e apreciar o serviço que lhe presto. Fica a dever-me uma.

Cá vai, então:

- O hotel onde os jogadores da selecção de futebol estão alojados dá para a serra, uma paisagem muito semelhante à que vão encontrar na Suiça que também é um país com muitas serras;

- A selecção está em estágio em Viseu que rima com Europeu. Isto só pode ser um bom augúrio para a nossa prestação no campeonato;

- Ao pequeno almoço os jogadores comeram sandes de queijo;

- Em conferência de imprensa convocada para o efeito, o jogador Petit declarou a sua convicção que Cristiano Ronaldo não ficará afectado com o penalty que falhou na final da liga dos campeões, porque toda a equipa o irá ajudar. Scolari concordou e referiu que um jogador não carrega vinte, mas vinte podem carregar um. Foi profundo;

- Deco não pôde treinar com os colegas;

- No hotel da selecção, estagiou também, em 1999, a equipa do Porto que viria a ganhar o campeonato nessa época. É mais um bom augúrio;

- O cantor Roberto Leal visitou a selecção em estágio e cantou para os jogadores o tema “uma casa portuguesa”. Foi um momento cheio de simbolismo, porque Roberto Leal é luso-brasileiro e a selecção nacional também o é, em certo sentido. Os jogadores são portugueses e o treinador é brasileiro.

- Numa espécie de premonição milagrosa, no Euro de 2004, antes do jogo contra a Espanha, Scolari pediu a Nuno Gomes que, antes do jogo, dirigisse algumas palavras de incentivo aos colegas. E não é que foi Nuno Gomes a marcar o golo com que derrotámos a Espanha? O homem parece que tem poderes ocultos ou é tocado pela graça divina;

- Quatro rapazolas com idade para trabalhar, não conseguindo bilhetes para o Euro (já estavam esgotados) meteram-se num velho Renault 5 a que chamaram “a promessa” e viajaram até Viseu vestidos de palhaços, procurando chamar a atenção de Gilberto Madaíl, convencendo-o a arranjar-lhes os bilhetes. À porta do hotel, vestidos de palhaços, a tocar tambor, constituem uma prova irrefutável da profunda comunhão entre o povo e a sua selecção. Pelo menos, é o que garantem os telejornais e nós só temos que aprender, porque nunca é tarde para aprender.

Ah, já me esquecia (que cabeça a minha!) parece que os preços do gasóleo e da gasolina subiram outra vez e, segundo os analistas, o preço do barril de petróleo não vai ficar por aqui. Também disse no telejornal.

Houve também um miúdo baleado em Alfama.

E o Pepe foi convocado para um jogo particular do Real Madrid e não pôde integrar ainda os trabalhos da selecção. Devem ser os espanhóis com medo que lhes ganhemos. Mas isto já é uma interpretação minha. Os telejornais não o disseram.

(António Cardoso da Conceição)

*

Só a título de curiosidade e comparação, envio-lhe um texto que escrevi há quase dois anos num blogue sem qualquer pretensão que serve apenas para contar as novidades aos meus amigos, uma vez que estou a viver na Suiça há três anos:
Wednesday, June 28, 2006: Porque eu gosto do telejornal Suiço...

O telejornal Suíço começa às 19h30 certas e acaba às 20h00 em ponto. O telejornal Suíço não tem intervalos, não tem "anúncios" das notícias que aí vêm com música de fundo de filme de suspense, não tem melodramas, não relata tudo até ao último detalhe. E sobretudo não é "o Crime" versão televisiva... conseguem dar as notícias mais importantes do dia sem dramatizar, sem se alongarem duas horas relativamente a factos irrelevantes, sem entrevistarem toda a populaça envolvida...
Os editores do telejornal suíço seleccionam as notícias relevantes do dia e os jornalistas apresentam-nas de forma sucinta, directa e clara. Por exemplo, hoje fiquei a saber que a Suiça vai continuar nos próximos tempos a negociar com a União Europeia através de acordos Bilaterais. 4 minutos de notícia em que uma das conselheiras federais foi entrevistada apenas para explicar do que se tratava. Sem conferências de imprensa, sem alaridos. Um membro da oposição também foi ouvido rapidamente. Falaram das meninas Belgas cujos corpos foram encontrados hoje. Ouviram testemunhos, mas sem gritos nem choros. Mostraram a mãe das crianças a dizer duas frases, e um habitante de Liège. Passaram à notícia seguinte. Da mesma forma sóbria explicaram que a polícia de Zurique dará uma recompensa a quem puder dar indicações que levem à descoberta do motorista que matou um miúdo de quinze anos que ia na sua bicicleta na faixa para ciclistas, arrastando-o largos metros e acabando por abandona-lo na estrada e fugir. Não foram falar com a avó, o tio, o primo, o vizinho. Nada. Disseram o que interessava, mostraram umas imagens de onde o acidente ocorreu e passaram mais uma vez à notícia seguinte. Desta vez as buscas dos israelitas pelo jovem soldado raptado. Entrevistaram o correspondente no médio-oriente que explicou tudo claramente.... e assim até ao final, 30 minutos depois do início. Nem mais um minuto. Nesta meia hora fico a saber o que de mais importante se passou durante o dia. Tudo. E consigo manter-me atenta do princípio ao fim, sem ser tentada pelo zapping... ou ligar o computador para escrever este post enquanto decorre o telejornal na RTP internacional... é que já me baralhei com tanta música, anúncio, entrevista (aos donos das barraquinhas de cerveja em Gelsenkirchen, aos jogadores brasileiros, aos jornalistas ingleses - a falarem sobre eles próprios (!) - aos jogadores portugueses, e sei lá quem mais).
(Margarida Rato)
*

Acho vergonhoso o tipo de reportagem que as televisões andam a fazer do terramoto na China. Não falo da comparação de peso e profundidade entre estas notícias e as notícias "futebolísticas", falo mesmo do conteúdo em si. "Terramoto na China" é uma expressão ridícula, se pensarmos na área geográfica daquele país e da população. Se estivéssmos há 10 dias a ouvir dizer "Terramoto na América" sem nunca ninguém dizer em que Estado ou em que cidade, não acharíamos isso estranho? Não haverá possibilidade de mostrarem um mapa, para sabermos do que estamos a falar? Se o total de população chinesa é mais de 1 bilião de pessoas, estará toda essa gente afectada pelo terramoto?

Para além disso, as reportagens de hoje mostram que as televisões mandaram qualquer tipo de análise crítica para o lixo: histórias do Premier Chinês a visitar fábricas de tendas e a dizer que "todos têm de trabalhar 24 horas por dia em prol da nação" é propagada mal disfarçada e é pena que os Media ocidentais não sigam com a China o mesmo tipo de critérios que andam a seguir com Myanmar, por exemplo.

(PL)

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UMA LIÇÃO DE DEMOCRACIA: O REFERENDO IRLANDÊS









Dublim. (Samuel Martins)

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EARLY MORNING BLOGS


1305- In cold spring air

In cold
..............spring air the
white wisp-
...............visible
breath of
...............a blackbird
singing—
...............we don’t know
to un-
...............wrap these blind-
folds we
...............keep thinking
we are
.............,,seeing through

(Reginald Gibbons)

*

Bom dia!

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EXTERIORES: CORES DESTES DIAS

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Entardecer : Porto Alegre , Rio Grande do Sul , Brasil. (João Almeida)



Churrasco à moda sul-africana no Pilansberg National Park. (José Santos)



Touros nas Caldas.



Nas Caldas.



Quarteto Kronos. (RM)



Trabalhos em Monsanto. (António Cabral)



Saltimbancos em Coimbra. (Vasco Barra)



Oscar Wilde em Dublim. (Samuel Martins)




No Mercado de Rungis, França. (Diana Gonçalves)

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23.5.08


ALFARRABÍADA:
http://www.mtas.es/insht/images/erga/vangogh_lena02.jpg
CAÇA E RECOLECÇÃO (4)





Álbum de fotografias de propaganda fascista, com Mussolini a fazer de mineiro e Mussolini a fazer de pai extremoso.

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EARLY MORNING BLOGS


1304- i am a little church

i am a little church(no great cathedral)
far from the splendor and squalor of hurrying cities
-i do not worry if briefer days grow briefest,
i am not sorry when sun and rain make april

my life is the life of the reaper and the sower;
my prayers are prayers of earth's own clumsily striving
(finding and losing and laughing and crying)children
whose any sadness or joy is my grief or my gladness

around me surges a miracle of unceasing
birth and glory and death and resurrection:
over my sleeping self float flaming symbols
of hope,and i wake to a perfect patience of mountains

i am a little church(far from the frantic
world with its rapture and anguish)at peace with nature
-i do not worry if longer nights grow longest;
i am not sorry when silence becomes singing

winter by spring,i lift my diminutive spire to
merciful Him Whose only now is forever:
standing erect in the deathless truth of His presence
(welcoming humbly His light and proudly His darkness)

(E. E. Cummings)

*

Bom dia!

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22.5.08


ALFARRABÍADA:
http://www.mtas.es/insht/images/erga/vangogh_lena02.jpg
CAÇA E RECOLECÇÃO (3)





Resultados de mais uma Alfarrabíada: um álbum de fotografias publicado logo a seguir à guerra sobre as devastações na Normandia, em resultado do desembarque aliado. Uma curiosidade: foi comprado em Arromanches em Outubro de 1946, uma das praias do desembarque. Nessa data ainda devia ser dominada pelos restos da invasão, em particular os portos transportáveis chamados Mulberry de que ainda sobrevivem partes nas praias.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: A ENTROPIA DO PORTUGUÊS



Há uns 3 ou 4 anos requisitei no I. Camões de S.Tomé um livro que vim depois a constatar, já em Lisboa, ser uma raridade. Nem na B.N. há registo dele! Apesar de os autores, os prof. Pinto Peixoto e Carvalho Rodrigues, terem lá bastantes registos. Trata-se de SISTEMAS, ENTROPIA E COESÃO. O último apêndice do livro é um trabalho – Evolução da Língua Portuguesa – feito por um aluno do prof. Peixoto em 1987 para a cadeira de termodinâmica generalizada e contém uma abordagem interessantíssima ao português desde ainda antes da independência, baseando-se numa análise de textos dos mais variados autores até aos nossos contemporâneos. Trata-se duma tentativa de quantificação da entropia da língua e no fim aparecem umas curvas cronológicas. Bom, o melhor será ler o livro.

Como é óbvio, assim que voltei a S. Tomé pedi ao Irº.Robalo, que há mais de 40 anos dirige a única tipografia que lá existe, que me fotocopiasse o livro. Posteriormente, em Portugal, passei-a para o power point. Tendo estado em Portugal em Março/Abril assisti aos debates acerca do acordo ortográfico. Entretanto voltei ao Dondo, em Angola, e há dias atrás reli o tal apêndice. Quer-me parecer que se o dito acordo for avante daqui a uns tempos quem quer que vá actualizar as tais curvas cronológicas constatará uma evolução da entropia do português num sentido anormal.

(José Braz Baptista, Dondo, Angola)

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IMAGENS DE UMA BIBLIOTECA



(António Leal)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A MÁQUINA DE GUERRA ROMANA


Adrian Keith Goldsworthy, The Complete Roman Army, Thames & Hudson, 2003

As forças armadas romanas (melhor do que exército, porque havia marinha) são um dos grandes produtos civilizacionais da antiguidade. Mudaram com a mudança da sociedade, mas no seu apogeu eram uma complexa máquina de guerra, na qual muitas das "especialidades" de um exército actual se podem rever retrospectivamente. Infantaria, cavalaria, artilharia, logística, comando e controlo, "intelligence", reconhecimento, treino e simulação, medicina militar, manuais práticos, ensaios de estratégia, "histórias de regimentos", histórias de campanhas, tudo existiu no mundo romano, e o seu estudo alimentou e alimenta comandantes actuais, muito curso de academia militar, muito livro de estratégia. Ainda hoje as legiões romanas detêm recordes como o da velocidade para um exército apeado.

Enunciadas todas as diferenças da praxe histórica, a sua parecença com as forças armadas americanas é grande. Os amadores da tese do "império" podem aí encontrar similitudes para fazerem analogias, mas pouco mais do que isso. Bom proveito!

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EARLY MORNING BLOGS


1303- Sonnet


One lesson, Nature, let me learn of thee,
One lesson that in every wind is blown,
One lesson of two duties serv’d in one,
Though the loud world proclaim their enmity—

Of Toil unsever’d from Tranquillity:
Of Labour, that in still advance outgrows
Far noisier schemes, accomplish’d in Repose,
Too great for haste, too high for rivalry.

Yes, while on earth a thousand discords ring,
Man’s senseless uproar mingling with his toil,
Still do thy sleepless ministers move on,

Their glorious tasks in silence perfecting:
Still working, blaming still our vain turmoil;
Labourers that shall not fail, when man is gone.

(Matthew Arnold)

*

Bom dia!

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20.5.08


NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS, COISAS RARAS E VARIADAS

Mérito dos seus grandes leitores que, esses sim, o tornam único. Alguma vez imaginei que existisse uma Sociedade Tristeza Marechal Carmona e Alegria General Craveiro Lopes? Existe e com foto por cá. Obrigado a Pedro Valadares e José Ferreira Fernandes.

E que em Cabo Verde os eleitores foram às urnas com a informação da mesa por SMS? Obrigado a Sérgio Alves. E aos que participaram numa muito interessante discussão sobre o lockdown, o reverso da irrelevância, pela importância da questão e com esta certeira série de perguntas sem resposta, a que ninguém liga pela ofuscação futebolística, esquecidas na espuma do dia a dia? Obrigado PL.
O que aconteceu à Independente, o que aconteceu ao caso BragaParques e ao caso EPUL, aos submarinos e helicópteros e veículos anfíbios comprados com defeito? Já há medidas de resultados do Túnel do Marquês? Já há decisões quanto aos radares de Lisboa? Onde anda o novo Ministro da Cultura? Já foram encontrados os assassinos da rapariga de Sacavém e do rapaz do Oeiras Parque? O que é que se passa com a famosa promessa do PM sobre a Ass. Nacional de Farmácias? O que é que se passou com aquelas 4 ou 5 fábricas que fecharam e que o Ministro da Economia prometeu ajudar, recolocando as pessoas em outras fábricas? Como é que andam os aumentos da electricidade? Como é que anda a interminável investigação sobre as práticas da concorrência entre gasolineiras? Como é que anda o Choque Tecnológico? Como é que anda a decorrer aquele plano de oferecer computadores aos miúdos do Secundário? Como é que anda aquele programa ridículo de dar formação de matemática a professores de matemática (!)? Afinal que indemnizações é que se vai dar (vamos todos dar, aparentemente) aos autarcas da zona da Ota? Onde andam as indemnizações aos agricultores que viram as colheitas destruídas por fenómenos atmosféricos anormais? Como anda o processo de Isaltino Morais? Como andam os inquéritos ao estado das pontes? Ao estado da linha ferroviária do Norte? O que se vai passar com o Tua? O que vai acontecer à casa do Douro? Onde andam as novas armas da PSP? Quem paga os coletes à prova de bala da PSP? Como andam os processos aos gangues do Porto? Como anda o inquérito ao antigo presidente da Câmara do Porto e à permuta de terrenos com o FCP? Como andam as investigações ao mesmo tipo de permutas no caso do Sporting? O que aconteceu a José Rodrigues dos Santos e às acusações que ele fez à direcção da RTP? O que aconteceu aos moradores do prédio que explodiu em Setúbal? O que aconteceu às pessoas afectadas em Setúbal, em Loures, em Odivelas, pelas cheias súbitas? Onde anda o director da Protecção Civil de Loures? Carrilho vai para a Unesco ou não? Portugal reconhece o Kosovo ou não? Fomos plataforma de passagem para aviões da CIA ou não? Quais as responsabilidades de Santana Lopes e de João Soares no estado calamitoso da CML? O que se passa afinal no Afeganistão? O que se passa na Casa Pia? O que se passa em Felgueiras? O que se passa com os consulados portugueses? O que se passa com as negociações entre Portugal e a Venezuela? O que se passa com a coincineração? Como é que andam as respostas às emergências médicas em Alijó? Como é que anda a nossa capacidade de resposta à Gripe das Aves? Como é que anda a investigação ao edifício do Casino Lisboa ? Estão resolvidas todas as nuances da lei do tabaco?

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INTENDÊNCIA



Os Estudos sobre o Comunismo publicam o testemunho inédito de Francisco Santos Costa, autor das fotos da carga policial de 12 de Julho de 1973 na TAP. Agradeço a Francisco Santos Costa a sua contribuição.

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A REVOLUÇÃO QUE NINGUÉM SABE SE HOUVE, OS ADVERSÁRIOS QUE NINGUÉM SABE QUAIS FORAM

Peter Siani-Davies, The Romanian Revolution of December 1989, Cornell University Press, 2005.

Por várias razões e testemunhos, - ter tido a oportunidade de visitar o local da execução de Ceausescu quando este continuava interdito e ainda estava "fresco" (um dia publico as fotografias), a discussão um pouco agreste sobre o tratamento português da PIDE como "associação de malfeitores" em contraste com as ambiguidades dos "técnicos para recuperar" da Securitate, discussão tida com o homem errado no sítio errado, nem mais nem menos do que com um dos personagens obscuros da "revolução", Virgil Magureanu, então à frente dos Serviços de Informação Romenos, encontros com Iliescu, Petre Roman e outros, quando tudo estava também "fresco", a começar pela carga de pancada dos mineiros contra os estudantes, mais uma Mineriadă, etc., etc. -, a "revolução romena" interessa-me bastante.

Este livro é o mais rigoroso relato e análise dessa "revolução", mas as perplexidades que continuam em aberto, face ao que aconteceu em Dezembro de 1989, mostram como ainda tem sentido manter as aspas em revolução. Na verdade, não é comum face a um evento tão historicamente próximo, coberto, ainda que imperfeitamente, pelos media modernos, em que a maioria dos intervenientes estão vivos, não se ter resposta cabal para perguntas tão decisivas como sejam: o que é que aconteceu em Timisoara, o que é que se passou no dia crucial da fuga de Ceausescu, houve um golpe ou uma revolução, ou um golpe e uma revolução, quando é que apareceu a Frente de Salvação Nacional, antes, durante ou depois dos eventos, e a pergunta ainda mais surpreendente, quem é que lutou nos dias seguintes à fuga e à execução de Ceausescu, no momento em que milhares de mortos (não se sabe quantos) ocorreram por toda a Roménia? A Securitate, como se dizia? Parece que não. Unidades militares fiéis ao regime? Também não é líquido. Terroristas estrangeiros importados na fase final do regime por Ceausescu? Parece ter sido uma lenda.

O livro de Peter Siani-Davies é uma análise muito segura do que se sabe e uma identificação igualmente segura do que não se sabe, mas como o autor reconhece permanecem muitos aspectos obscuros nos eventos desses dias, naquela que foi a única queda violenta de um regime comunista europeu.

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EARLY MORNING BLOGS


1302- Stars, Songs, Faces

Gather the stars if you wish it so.
Gather the songs and keep them.
Gather the faces of women.
Gather for keeping years and years.

And then …
Loosen your hands, let go and say good-by.
Let the stars and songs go.
Let the faces and years go.
Loosen your hands and say good-by.

(Carl Sandburg)

*

Bom dia!

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EXTERIORES: CORES DESTES DIAS

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



SMS nas eleições de Cabo Verde. (Sérgio Alves)

É a primeira vez que num País irmão, incluindo Portugal (que eu saiba), se envia com 24 h de antecedência, por SMS, a informação do local exacto onde as pessoas devem votar. Toda gente, ricos e pobres, estes últimos em muito maior número, têm telemóvel (mais de cem mil diz a principal operadora de comunicações de Cabo Verde).



Amarante F.C. - 3 - Oliveirense - 2. (Helder Barros)


33ºN16ºW. NRP Creoula , rendição da tripulação, esta tarde . (Joao Almeida )







Festas do Castelo em Monsanto. (António Cabral)

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19.5.08


EFEMERA

Clicando na fotografia fica na boa dimensão. Para se ver



Há fotografias que dizem tanto como um tratado, e esta é uma delas (enviada por Pedro Valadares). A foto é de 1951 ou posterior, e deve ser contemporânea das eleições presidenciais realizadas devido à morte de Carmona (com a faixa preta de luto) e em que o candidato do regime foi Craveiro Lopes, representado no outro cartaz. No verso da foto um carimbo: Fotografia Lisbonense Caixa Postal nº 7 Luanda.

*
(...) deixe-me dar um achega à bela foto que publica com as minhas patrícias luandenses. Elas pertenciam a uma sociedade formalizada, com nome, sede e tudo, que durou ao longo dos anos 50, 60 e até à independência angolana. O nome era: "Sociedade Tristeza Marechal Carmona e Alegria General Craveiro Lopes" (em 58, mudou para "Sociedade Tristeza Marechal Carmona e Alegria Almirante Américo Tomás"). Com o nome, a foto fica sendo ainda mais um tratado.

(José Ferreira Fernandes)

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EARLY MORNING BLOGS


1301 - Needs

I want something suited to my special needs
I want chrome hubcaps, pin-on attachments
and year round use year after year
I want a workhorse with smooth uniform cut,
dozer blade and snow blade & deluxe steering
wheel
I want something to mow, throw snow, tow, and sow with
I want precision reel blades
I want a console-styled dashboard
I want an easy spintype recoil starter
I want combination bevel and spur gears, 14
gauge stamped steel housing and
washable foam element air cleaner
I want a pivoting front axle and extrawide turf ties
I want an inch of foam rubber inside a vinyl
covering
and especially if it's not too much, if I
can deserve it, even I can't pay for it
I want to mow while riding

(A. R. Ammons)

*

Bom dia!

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18.5.08


HUBBUB



30. UM EXERCÍCIO DE GRANDE DIMENSÃO E ELEVAÇÃO HUMANA (2)

O mais grave na entrevista de Luís Filipe Menezes, toda dominada pelo pesadelo que é para ele a possibilidade de Manuela Ferreira Leite ganhar as eleições, é esta frase:
"quem contestou este líder, quem disse que ele tinha de ser corrido à bomba quando teve quase 60% dos votos, por essa razão não tem legitimidade para exercer o cargo com 30% ou 40%."
Com Menezes não vale a pena discutir, mas convém lembrar três coisas: uma, quem disse que não saia nem à bomba foi ele, afinal saiu ainda não se sabe bem porquê; duas, ninguém contestou a legitimidade do acto eleitoral em que foi eleito, mas sim a sua autoridade política pessoal e as suas propostas, o que é uma coisa fundamentalmente diferente; três, os estatutos do partido são o que são, e todos os seus dirigentes foram eleitos por maiorias simples, como é normal numa democracia. Mais um voto que os outros candidatos, é o que numa democracia elegeu Sá Carneiro, Cavaco, Marcelo, Barroso, Nogueira, Lopes, Mendes e Menezes no PSD, Soares, Sá Carneiro, Guterres, Barroso, Sócrates no governo.

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HUBBUB



29. UM EXERCÍCIO DE DIMENSÃO E ELEVAÇÃO HUMANA

Esta entrevista de Luís Filipe Menezes.

"Credibilidade é uma palavra que já me mete muita impressão...

"Sondagem à opinião pública
[que dá uma vitória expressiva a Manuela Ferreira Leite] . Mas quem vota? A opinião pública ou os militantes do PSD?"

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FUTEBOL,
FUTEBOL,

FUTEBOL, FUMEI, PEQUEI, VOU DEIXAR DE FUMAR, A ESMERALDA ENTRE O PAI AFECTIVO E O PAI BIOLÓGICO, FUTEBOL, DIRECTO DO ACIDENTE NA A1 QUE PROVOCOU TRÊS FERIDOS, OS PAIS DA PEQUENA MADDIE, FUTEBOL, TENHO UM CANCRO-TIVE UM CANCRO - VOU TER UM CANCRO,
o resto, FUTEBOL, FUTEBOL, FUTEBOL



Este título podia continuar por todas as páginas do Público. Se o Público fosse feito como um "noticiário" televisivo, o que felizmente não é, todas as suas páginas seriam variantes disto, com mais de mil futebóis e mais crimes, doenças e acidentes. Na página 15, haveria uma pequena coluna com os números trágicos da nossa economia; na página 24, uma faixa minúscula, como a publicidade mais barata, num fundo de página, diria que morreram na China 50.000 pessoas num terramoto; na página 40, perdida numa notícia de página inteira de um treino do Vitória de Guimarães, completa com fotos e uma entrevista exclusiva com o treinador sobre como a equipa está "entrosada", e se não houver "as pressões vindas do sistema", ganhará um jogo qualquer com "tranquilidade" (esta parece-me que é de outro, mas não tem importância), uma declaração do Presidente da República sobre o Kosovo, onde temos soldados nossos.

Em todas as páginas do jornal haveria uma mensagem subliminar: pedimos desculpa ao leitor por ter perdido vinte e cinco linhas do nosso precioso espaço, para falar de umas minudências que não dão audiências, rima e é verdade, como a economia, o preço dos passes sociais, as calamidades nos países exóticos, as malfeitorias do Governo, quando não são engraçadas ou não parecem vindas do sítio dos Fumadores Anónimos. O sítio do noticiário político são os programas de humor, o sítio de "sociedade" são os programas da manhã e os do jet set, o sítio da economia é o Preço Certo. Voltemos pois ao directo da conferência de imprensa do director de futebol do clube, que nos vai anunciar o "plantel" para o jogo de sábado.

Eu sei que já escrevi sobre isto, a mais quixotesca das minhas actividades, ainda pior do que a do PSD, mas isto é mais grave do que se pensa. É um sinal de descontrolo cívico, de atraso político e social, de retrocesso da nossa democracia e da nossa vida pública. Não é só na economia que estamos a andar par atrás, é na cabeça. A cultura da irrelevância está a crescer exponencialmente e todos já esperam que o mesmo aconteça nos próximos meses, em que mais uma vez o país vai parar porque há um Campeonato.

Na última semana, que é igual às últimas semanas, aos últimos meses, aos últimos anos, todos os telejornais em directo foram interrompidos, eu diria mais, foram enchidos, com sucessivas e extensas declarações em directo, sobre as decisões do Conselho Disciplinar da Liga com sanções sobre clubes e dirigentes desportivos, pelo seleccionador nacional anunciando o "plantel", pelo novel director de futebol do Benfica anunciando-se e anunciando umas medidas para o seu clube. A isto acrescenta-se o número de vezes em que quer o "serviço público", quer as privadas dão jogos em horário nobre, atirando as notícias para algures, como se em particular o "serviço público" não tivesse aí obrigações. A RTP é a televisão que mais falta a essas mesmas obrigações, que justificam a superioridade moral do "público" e que, pelos vistos, só serve para receber os muitos milhões que os contribuintes pagam. Mas não é só as vezes em que directos do futebol são o telejornal, é que durante três, quatro dias não nos conseguimos ver livres daquilo. Até aparecer outro directo mais saboroso, temos que assistir a "noticiários" que repetem ad nauseam as mesmas imagens, as mesmas declarações, seguidas por milhões de palavras "escalpelizando" os "factos", em tudo o que é programa de actualidade pela noite fora. O circo está montado na nossa cabeça e nele fazemos o papel do urso amestrado ou dos macaquinhos. Nem sequer o do palhaço pobre.

O mundo agressivo e brutal do futebol, com a sua pedagogia de grosseria e violência, ordinário e vulgar, movimentando poderosos interesses políticos, nacionais, autárquicos e regionais, servindo uma economia paralela, que para nosso mal ainda é a única que funciona em muitos sítios, imerso em corrupção, não aflige nem preocupa ninguém. A começar pelos nossos deputados, que dão a caução institucional da Assembleia da República a um dirigente desportivo acabado de sancionar por "corrupção tentada" e que saía de uma acareação num tribunal. Políticos e dirigentes desportivos ajudam-se mutuamente para impulsionar carreiras políticas populistas que o mundo do futebol protege e apoia, e parecem a única coisa que verdadeiramente mexe em Portugal, junto com os negócios da "alta". Ainda um punhado de inocentes pensava que isso era uma pecha do salazarismo, quando meia dúzia de palavras e imagens de cinco minutos, no fim dos telejornais, passavam por ser um excesso e onde um filme como O Leão da Estrela se limita a descarregar sobre o tampo de uma mesa aquilo que hoje obriga a operações paramilitares de contenção de turbas violentas. Não, não andamos para a frente, andamos para trás, para o país chamado Futebolândia, para a futebolização plena da nossa vida pública.

Mas não é só o futebol, é tudo o resto. É o mundo das telenovelas, com o seu sangue, suor e lágrimas, transformado em "casos", o caso Maddie, uma coisa abstracta e virtual, sem corpo real, já sem a violência do crime, já transformado numa soap opera de plástico, o caso Esmeralda, uma competição absurda à volta de uma menina imaterial, tão abstracta e morta na virtualidade como a "pequena Maddie", onde todos os dias uma inovação aparecida depois do caso Casa Pia, os "pedopsiquiatras", divulga relatórios que deviam ser confidenciais em tempo real, para movimentar as celebridades que vão beijar o sargento e demonizar o pobre pai que só é "biológico", com a justiça a claudicar perante a pressão dos tablóides em que se transformou muito daquilo que conhecíamos como "comunicação social".

E depois o estendal dos acidentes e doenças. Os acidentes são hoje a única coisa que mobiliza directores de informação, pressionados pelo controlo de custos, a atirar a correr para Freixo de Espada à Cinta o "carro de exteriores" à compita com outros "carros de exteriores", para mostrarem camião virado ou, melhor ainda, um autocarro, ou, se andarem depressa, um ferido a ser desencarcerado, ou um morto na berma. E então se houver crianças feridas ou mortas, melhor ainda para as audiências.

Depois há um stock de "notícias" para os intervalos do futebol, as reportagens sobre doenças, de preferência raras, de preferência com "casos humanos" apensos, de preferência com imagens fortes como a de um buraco feito por uma broca na cabeça, tudo interessantes matérias para prender o olho dos ouvintes no meio do jantar. Médicos, assistentes sociais, pedopsiquiatras ou pedopsicólogos, ex-polícias da Judiciária, são profissões com garantia de sucesso televisivo, como também astróloga, hortelão urbano, bruxa e ervanário popular explicando como a sua erva é mais eficaz do que o pau de Cabinda.

A cultura da irrelevância está impante como nunca, espectáculo e pathos brilham no sítio que anteriormente ainda era frequentado, de vez em quando, pela razão, pelo bom senso, pela virtude. Esta é, obviamente, a melhor comunicação social, a melhor televisão para os governos, e o actual cuida bem que não lhe falte dinheiro para as suas quinhentas horas de futebol. Compreende-se: a bola não pensa, é para ser chutada.

(Versão do Público de 17 de Maio de 2008.)

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Há vinte e muitos anos, quando andava na faculdade e só havia dois canais, eu, anarquista, sonhava com um programa humorístico na RTP, a simular telejornais sem interesse nenhum, com directos da estação de Tormes, na linha do Douro, para anunciar que o relógio da gare tinha parado. O locutor falaria emocionado, no tom próprio dos grandes eventos, enquanto as imagens se fixariam longamente nos ponteiros mortos.

Nem nas minhas mais delirantes fantasias me passou pela cabeça que outros mais imaginosos e poderosos haviam de tornar realidade, poucos anos depois, os meus sonhos. E levá-los para os telejornais a sério.

(António Cardoso da Conceição)

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Sucede que a realidade transmitida pela televisão - verdadeiro receptáculo da cultura de massas e principal fonte de informação para a maioria da população que não lê jornais - é ainda mais triste do que aquilo que aparenta; ela é o verdadeiro mostruário do estado de mediocridade acéfala em que a nossa sociedade irrefutavelmente mergulhou. Os noticiários dos canais televisos têm pouca ou nenhuma informação, e a pouca existente é amiúde inócua, assemelham-se mais a vulgares programas de entretenimento adequados ao gosto das massas populares, sedentas de "sangue", de mais um caso de uma qualquer criancinha desaparecida (num mundo onde por dia morrem 30 000 crianças; mas isto já não é notícia porque elas não são abastadas, loiras, bonitas e filhas de um casal inglês), que "vibram" com a última "conquista" amorosa de Cristiano Ronaldo, que se "alimentam" da tragédia alheia numa espiral voyeirista.

A última semana constituiu um bom exemplo: o país "parou" devido ao facto do primeiro-ministro ter fumado um cigarro; os "preparativos" e a antevisão da final da taça de Portugal foram tratados como se tivessem a relevância de uma visita do Papa Bento XVI; Pinto da Costa ou Carolina Salgado devem de ocupar mais tempo nas televisões do que qualquer político português, tirando obviamnete o primeiro-ministro na RTP, nos seus sucessivos e inefáveis momentos Chávez. Enquanto o país televisivo perde o seu tempo com futilidades e desgraças avulsas, existe uma tragédia brutal na China; outra ainda pior na Birmânia; uma guerra no Iraque e outra no Afeganistão; o caos político no Líbano; a ameaça iraniana - em relação a Israel; as decisivas eleições nos EUA; as directas no PSD; uma crise social e económica grave; uma economia paralítica que vai ter mais um crescimento medíocre este ano - 1.5%; o aumento exponencial do petróleo, que esta semana chegou aos 128 dólares em Nova Iorque; o aumento generalizado dos preços dos bens alimentares nos mercados mundiais; a aprovação de um acordo ortográfico obtuso e inútil; a actuação "estalinista" da ASAE; a recessão na América e a crise económica espanhola; a inexorável ascensão económica e política da China e da Índia; o reforço do poder de Putin na Rússia, etc, etc, etc. As verdadeiras notícias estão quase totalmente ausentes dos ecrãs de televisão, que apenas perpetuam a boçalidade e ignorância da maioria dos espectadores.


(João Neves)

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Acho completamente indecoroso como as televisões silenciam as catástrofes humanas que estão a ocorrer neste preciso momento na Birmânia e na China que, em número de vítimas afectadas, ultrapassam largamente as vítimas do tsunami que afectou o sudeste asiático à três anos. Por isso não me calo, quando vejo dar mais importância ao comportamento do primeiro-ministro dentro de um avião ou quem vai ser o futuro presidente do PSD do que o sofrimento sentido por quase 10 milhões de pessoas que ficaram sem nada.

Afinal, até onde vai a hipocrisia da comunicação social portuguesa? Cada vez mais vejo o meu país a dar passos para trás quando comparado com outras nações: a BBC tem repórteres em directo 24 horas por dia, a TVE de Espanha foi a primeira televisão ocidental a chegar aos locais das tragédias, a CCTV chinesa mantêm-se 24 horas de emissão sobre os acontecimentos e em Portugal as televisões discutem o comportamento do primeiro ministro numa viagem de avião ou quem vai ser o futuro presidente do PSD.

Absoluta hipocrisia da comunicação social portuguesa 30 anos depois do 25 de Abril; haja vergonha neste país.


(Ludgero Brioa)

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Hoje, quer a SIC quer a RTP1 abriram os seus telejornais da tarde com a Final da Taça enquanto que a TVI, pasme-se, abriu com as réplicas do sismo na China. Ao fim de 3 minutos a TVI continuava na China enquanto que a SIC estava em directo na sede da Federação a mostrar a entrada da Taça no carro duma empresa de segurança. Ora, para além da publicidade descarada, não há relevância jornalística no acto de pôr a Taça no banco do carro. Ao fim de 8 minutos, já a RTP e a TVI tinham
mostrado outras notícias como a ida do Primeiro-Ministro ao hospital (também discutível mas mais plausível), a SIC fazia uma reportagem sobre as roulotes de bifanas na final da Taça. Aos 14 minutos mostravam imagens de helicóptero do tal carro com a Taça a dirigir-se para o estádio. Em rodapé, havia uma mensagem a dizer Emissão Especial às 15h, era preferível dizer às 13h pois não há mais notícias. Entre
directos com adeptos, academia de alcohete, percurso da Taça, do almoço das velhas guardas na Mealhada conseguem dar não-notícias durante mais de 30 minutos até que começam as notícias com o aumento dos combustíveis. É verdade que é a SIC que faz a transmissão da Taça mas é incompreensível este Jornal da Tarde!

(Fausto Ferreira)

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É meia noite. A SIC-N tem no ar, há mais de duas horas e de forma ininterrupta, um programa sobre futebol. Bem sei que, sendo Domingo, o comentador Rui Santos tem o seu espaço habitual, das 23h00 às 24h00. Embora me pareça um absoluto exagero, esse espaço existe, ponto final. O que é absolutamente arrebatador – no pior sentido do termo – é que a SIC-N, que é, por definição, um dos (talvez mesmo “o”) canais de informação de âmbito nacional, orgulhando-se disso, crie e imponha aos seus telespectadores um verdadeiro tampão relativamente a todas as outras notícias que existem em Portugal e no mundo, que não são poucas, e cujo acesso é pura e simplesmente negado. A vitória do Sporting sobre o Porto na final da Taça não é, como é evidente, o que de mais importante se passa. Pelo menos, seguramente que não deve encher 4 horas de emissão, sem contar com as do jogo propriamente dito. Quem o diz é sportinguista, foi ao estádio e gosta de bola. Mas também considera o acesso à informação – já nem está em causa a sua selecção editorial – como um dos bens mais sensíveis numa democracia pluralista e informada.

(Rui Esperança)

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© José Pacheco Pereira
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