ABRUPTO

19.8.06


BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS


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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 19 de Agosto de 2006


A melhor maneira de entender o Diário de Notícias é ler o french kissin'.

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A ERA DOS ENGRAÇADINHOS. Enquanto os baby boomers se agarram aos anos terminais do seu poder (veja-se o Público de hoje), os seus filhos da "geração rasca" deram origem a uma era dos engraçadinhos. Ser engraçadinho está muito bem representado nos blogues, e vai a par com os Morangos, a Floribela e a nova Gente, no modo actual de ser leve e fácil e borbulhante e popular.

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Lendo a imprensa impressiona como é cada vez mais forte o derrotismo puro, em versões brutas ou sofisticadas, mas derrotismo. Não sou particularmente optimista por sistema, bem pelo contrário, não costumo tomar os meus desejos por realidades, mas também não gosto de dar a pele quando querem tirar-ma e o espantoso é que mil e uma variantes do better red than dead circulam por aí. A forma mais peculiar do derrotismo é a de achar que tudo está mal, mas também não há nenhuma receita para ficar bem. Os que agem (EUA, Reino Unido, Israel) fazem tudo mal e só agravam o problema; os que não agem (França. UE, “comunidade internacional”, ONU) fazem também tudo mal porque não agem. Bem faz o Irão, o Hezbollah, a Al Qaida, o Hamas, e, numa versão mais caseira, os émulos de Zapatero.

Isto vai durar sempre? As minhas últimas reservas de optimismo alimentam debilmente a esperança de que não, em grande parte por um argumento ad terrorem: as coisas ainda vão piorar muito, muito mesmo, e pode ser que a catástrofe possa ser salvadora. Não é garantido, mas é uma esperança. Entretanto a tribo dos últimos moicanos continuará a ser dos últimos moicanos. Até ao último.

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De facto, caso se estivesse a compor um guião ou um argumento acerca do fim da Civilização do Ocidente, ou um daqueles livros de teorias conspirativas estilo Dan Brown, não faltariam acontecimentos onde se poderia buscar inspiração.
O problema é que estamos a viver uma realidade nada auspiciosa para a Democracia Ocidental, os Direitos Humanos e todas as conquistas do Humanismo .Afinal a história não tinha mesmo acabado com a queda do muro de Berlim e não estamos num filme.
A perda de valores, de convicções, de determinação, o relativismo, os ódios ideológicos entre uma Direita muda e uma Esquerda órfã , a terciarização das economias Ocidentais, o hedonismo, são sinais preocupantes .Afinal o perigo não está perfeitamente assumido e apercebido. Para uns são o dito terrorismo global inspirado em leituras distorcidas do Corão e a proliferação nuclear, para outros no Ocidente é o EUA e o Presidente Bush. Esta divisão é muito acentuada, e aparentemente inconciliável .Ao contrário do que espera, não creio que o continuar dos atentados vá consolidar uma oposição una e firme. Acho que as recriminações e as acusações ficarão em casa, com todas as justificações mirabolantes. A lassidão e tibieza prosseguirá, e só se espera que não dê em novos Muniques e Sudetas.Mas os tempos são outros.
Cedências em nome do relativismo e do politicamente correcto ocorrem em todo o Ocidente, a complacência com que se observa a violação dos mais elementares direitos , o relativismo em nome de um derrotismo multiculturalista não são bons sinais. A falta de objectividade dos políticos, a parcialidade da imprensa .O medo de confrontar o outro por receio de ofender .
Os tempos não são nada auspiciosos. Juntemos o proselitismo, a baixa geral de natalidade no Ocidente, a alta pressão da emigração, as tensões internas daí resultantes no pressuposto e erróneo conflito direita-esquerda, a forte natalidade das comunidades emigrantes, a sua forte identidade aos costumes e suas leis de origem que consideram essenciais, a falta de referências de segundas gerações, e temos um caldo de cultura muito perigoso.
Um novo fascismo se aproxima, e este utilizará o sistema de um homem um voto em seu proveito. A História deveria levar os povos a pensar. Nunca as portas de Roma estiveram tão perto de voltar a cair.

(António Carrilho)

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EARLY MORNING BLOGS

844 - AUTRE MORALITE

C'est sans doute un grand avantage,
D'avoir de l'esprit, du courage,
De la naissance, du bon sens,
Et d'autres semblables talents,
Qu'on reçoit du Ciel en partage;
Mais vous aurez beau les avoir,
Pour votre avancement ce seront choses vaines,
Si vous n'avez, pour les faire valoir,
Ou des parrains ou des marraines.

(Charles Perrault,Contes, "moralidade" do "Cendrillon ou la petite pantoufle de verre". )

*

Bom dia!

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18.8.06


COISAS DA SÁBADO:

QUEM “GANHOU” A GUERRA ENTRE ISRAEL E O HEZBOLLAH?

É cedo para se saber, mas Israel é o melhor candidato para uma resposta positiva. E no entanto… vai tudo depender do modo como for aplicada a resolução da ONU, em particular do modo como for constituída a força internacional que controlará o sul do Líbano e o modo como esta actuará. E o dilema é bastante simples: ou essa força impede os ataques contra o território de Israel e favorece um diálogo para a paz, enfraquecendo a actuação dos grupos que pretendem exterminar Israel, ou constituirá um falhanço da ONU e da “comunidade internacional”. Tudo indica que poderá verificar-se a segunda hipótese, o que levará Israel à guerra de novo, mas há sérias razões para dar uma última oportunidade a um maior envolvimento internacional, em particular europeu.

Se a França for o principal país a assumir as responsabilidades de segurança no Sul do Líbano, na base do mandato da ONU, pode ser uma rara oportunidade para a França (e por interposta França para a UE) assumir um papel positivo na região, onde só tem tido um papel muito negativo, em particular pelas ambiguidades da sua política face ao conflito iraquiano. Mas convém não ter ilusões, o mandato das tropas da ONU só será eficaz se estas estiverem dispostas a actuar militarmente contra quem tomar a iniciativa de violar o cessar-fogo, e isso vai significar agir contra o Hezbollah. Em bom rigor, também significaria agir contra Israel, mas parece-me pouco provável que o problema seja essa, pelo menos em teoria. Na prática, situações complexas podem surgir, em particular porque Israel aceita a resolução com ressalva do direito de resposta, o que significa uma ainda maior responsabilidade para a força de interposição, que pode vir a ser apanhada entre dois fogos. Mas a política e a acção militar no Médio Oriente não é para meninos de coro, pelo que se espera que quem se mete, saiba no que se mete.

A força militar, cuja presença no Sul do Líbano é que dá consistência à resolução da ONU, terá também a difícil tarefa de impedir que o Hezbollah actue nessa zona como um grupo armado, ou seja, que se comporte como uma milícia que não responde ao governo libanês e que desenvolve actividades bélicas por conta de outrém, seja ofensivas, seja preparatórias da ofensiva. A experiência mostrou que no passado o Hezbollah debaixo dos olhos da ONU, em violação das suas resoluções e à revelia de qualquer autoridade soberana nacional do governo libanês, foi construindo uma infra-estrutura militar, centros de comando, rampas de lançamento, túneis, bunkers, toda a parafernália que lhe permitiu defrontar Israel no actual conflito e que levou uma destruição considerável do tecido urbano desde Beirute para o sul.

Se Israel permitir que diante dos seus olhos, a força de interposição faça de conta que estas actividades militares do Hezbollah não são de sua responsabilidade evitar, então esta guerra foi inútil e Israel perdeu-a. Ao aceitar a resolução da ONU, Israel jogou em factores que têm considerável imprevisibilidade, mas têm também uma lógica de futuro. Tinha de facto sentido neste momento dar à comunidade internacional, eufemismo para uma parte da União Europeia, uma oportunidade de se envolver nos conflitos do Médio Oriente, nem que seja para ter uma prova de vida e receber um banho de realidade. Não é mal jogado, porque isso pode levar ao isolamento do Irão e da Síria, e do seu grupo armado, o Hezbollah, ao aumentar o número de participantes activos no conflito que inevitavelmente entrarão em conflito com os grupos terroristas. Mas nem por isso deixa de ter elementos de jogo, risco.

Vamos pois adiar a resposta à pergunta de quem “ganhou”. Tem sentido a pergunta? Claro que tem, não se anda a morrer e a matar para ficar na mesma ou pior, e isso é válido tanto para Israel como para o Hezbollah. Ambos pagaram um preço pela situação actual, que não é a mesmade antes da guerra. Vamos pois esperar para ver e deixemos para os propagandistas os gritos de vitória já.

*
(Sem acentos) Quando se fala de Israel, e da sua continua luta pela sobrevivencia, estas intervencoes nao sao guerras mas sim batalhas, cujo fim esta longe de qualquer solucao. Como se diz por ai, Israel tem neste momento a populacao simbolica de 6 milhoes de habitantes, dos quias 2 milhoes sao Arabes. Este facto nao tem passado despercebido na comunicacao social do Medio Oriente, habitualmente de forma "ironica". Falr da relacao Israel/Europa implica remoer 2,000 anos de historia e fazer uma profunda analise dos ultimos 150 anos que levaram a criacao do Estado de Israel. A actual Russia, nessa altura Uniao Sovietica e primeiro estado a reconhecer Israel, tera um papel fulcral como teve nos acontecimentos que levaram a criacao desse mesmo estado. Espanta-me (ou talvez nao) a violencia com que grupos de bem pensantes, tanto criticam Israel, mas nao questionam sequer a criacao, pelos seus termos tambem arbitraria de tantos outros paises desde 1947. As proprias fronteiras de paises vizinhos podem ser alvo de questionamento assim como a criacao do Bangladesh, do Pakistao, enfim de tantos outros "estados" recortados pelos diferentes poderes colonialistas. Porque esta anonimosidade perante Israel? Continuo a nao questionar que e uma nva forma de anti semitismo.
A tragedia disto tudo e que mais uma vez, os judeus se encontram num novo ghetto, rodeados de hostilidade e obrigados a construirem muros para proteccao. Um pouco como acontecia em partes da Europa. E nao acredito na completa e perpetua seguranca da Diaspora Americana.

Quanto a Voltaire, assumido anti semita, escrevendo o seu play "Mahomed ou le Fanatism", embora o seu alvo directo nao fosse o Islamismo, mas sim o Cristianismo nas suas formas fanaticas, nao deixa de falar umas quantas verdades.
Reitero, o Islao nao e uma religiao de paz e embora algumas faccoes refiram a "jihad", como o luta interna que todos nos travamos, nao e essa a interpretacao que actualmente e geralmente lhe e dada.

Mas sem me alongar e voltando ao inicio, esta foi senao uma menor batalha, numa continua guerra pelo exterminio do povo judeu, cuja presenca no Medio Oriente tem tanta logica como qualquer a de qualquer outro grupo semita.Ou seja toda a logica!

Manuela Mage, Denver, CO

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Parece-me bem que Vasco Pulido Valente tem razão ao considerar que foi o Hezbollah.
Volta tudo à estaca zero, ou seja, à situação anterior ao rapto dos soldados israelitas pelo Hezbollah. Com a diferença do enorme prestígio que o Hezbollah ganhou, e a prova da ineficácia da estratégia militar de Israel – os seus tanques serão bons contra outros tanques ou contra a intifada civil, mas “patos” para tiro ao alvo dos mísseis teleguiados guardáveis numa caixinha e disparáveis por 2 militantes à civil de um pequeno espaço num edifício em ruínas. E os ataques aéreos de precisão parecem não funcionar contra uma organização que sabe estruturar-se na clandestinidade e que conhece os princípios do movimento entre populações como “peixe na água”. E mais ainda, contra uma organização que sabe, pela primeira vez entre os islamitas radicais, usar a TV e dar uma imagem de moderação e aparente gosto pela paz que acerta em cheio no gosto dos expectadores ocidentais.
Parece-me, com efeito, que Israel encontrou o seu Ho Chi Minh!
A longo prazo, no entanto, a solução não deixará de envolver os europeus na guerra em curso, o que talvez suscite mais ataques da Al Queda no local ou na Europa, e com isso se vá desesperando mais os eleitorados europeus, predispondo-os para uma maior intransigência.
Tudo isto, entretanto, evoca a memória de que as cruzadas duraram duzentos anos e que por este caminho esta procissão ainda vai no adro...

(Pinto de Sá)

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: PAISAGENS EXTRA-TERRESTRES


Jactos de dióxido de carbono no Polo Sul marciano. Marte move-se!

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EARLY MORNING BLOGS
843 - De l'horrible danger de la lecture




(Voltaire)

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Bom dia!

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17.8.06


INTENDÊNCIA

Em actualização os ESTUDOS SOBRE COMUNISMO, com a publicação da carta de adesão de José Carlos Rates, fundador e primeiro secretário-geral do PCP, à União Nacional em 1931.


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RETRATOS DO TRABALHO NO PORTO, PORTUGAL



Na última oficina em Portugal que faz caixas para relógios, uma empresa centenária instalada numa cave da baixa do Porto. Verdadeira arqueologia industrial.

(Fernando Correia de Oliveira)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 17 de Agosto de 2006 (2ª série)


Quem ouvisse o telejornal das 20 horas da RTP, ficava a pensar que Marcello Caetano foi um benigno professor de Direito, que teve a infelicidade de o 25 de Abril lhe ter cortado uma carreira ao serviço dos portugueses, cujo bem estar ele mais que tudo desejava. Dizer-se de um homem que fez a sua formação política nos anos do autoritarismo que não desejava o "poder", é apenas um exemplo do absurdo de toda a peça jornalística. Duvido que o próprio se revisse na visão wishy-washy que uma mistura de ignorância e de revisionismo histórico dá da sua vida e carreira.

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A propósito do centenário de Marcello Caetano, até mesmo a entrevista com Fernando Rosas, no Jornal das 9, na SIC Notícias, a achei uma amena cavaqueira sobre os méritos e bloqueios com que o ex-Presidente do Conselho se deparou nos seus 6 anos de magistério. A certa altura, perguntei-me mesmo se a vítima era afinal ele e não os portugueses sem direito a voto, sem liberdade de expressão e policiados pela PIDE (ainda que rebaptizada).

Ao ver as diferentes peças que sobre o tema os diferentes canais nos foram apresentando, fiquei com a ideia de que a fatalidade de Marcello Caetano se resumiu à impossibilidade de acabar com a guerra colonial, porque em tudo o mais Marcello Caetano seria um liberal apostado em mudar o regime. Permitam-me apreciar a questão ao contrário. A incapacidade de acabar com a guerra colonial era apenas o sintoma mais trágico da incapacidade do regime se reformar, se extinguir a si próprio e encontrar uma qualquer forma de transição para uma nova realidade política.

Pensar que sem guerra colonial, a Primavera Marcelista teria gerado um regime democrático (eventualmente melhor que o actual, ler-se-à nas entrelinhas) dá boa ficção histórica. Pior do que isso é colocar-se a hipótese de que uma versão light do Estado Novo seria preferivel ao que temos actualmente. Se tudo isto andou ontem no ar, espero que se mantenha evaporado nas altas camadas da nossa atmosfera mental.

(Mário Almeida)

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Deixe-me contar-lhe apenas a minha visão dessas notícias da RTP, eu que sou um jovem de 23 anos e portanto, não assisti a nada do 25 de Abril "em directo". Vi o telejornal, depois tive curiosidade em ouvir a entrevista com a filha de Marcello Caetano, depois vi ainda o documentário que se seguiu. Quando dei por mim, quase estava a ter pena do homem. Felizmente pus um travão na minha mente e consegui pensar exactamente como o sr.: "Espera lá, mas então ele não cresceu politicamente naquela altura? Ele podia ter-se oposto às ideias salazaristas".

Será que me podia dar uma teoria sua para a RTP ter orientado as notícias daquela forma? Quem não conhecesse história de Portugal e assistisse àquilo tudo pensaria concerteza que se estava a homenagear uma grande figura, adorada por todos nós, que teve "azar".

(Hugo Tavares)

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A evocação "soft" do centenário do nascimento de Marcello Caetano e as peças jornalisticas superficiais que, a propósito desta efeméride, foram sendo produzidas nos diversos orgãos de informação só reforçam um facto para mim inquestionável: a evidente perda de memória histórica da sociedade portuguesa, por si bastante mais perigosa do que um qualquer tipo de revisionismo histórico. É paradoxal que um país com uma história tão rica tenha ao mesmo tempo um problema tão grande na defesa da sua memória não conseguindo "inscrever" os acontecimentos do quotidiano nem ter uma relação traquila com a sua história - oscilando entre a celebração heróica de um passado triufante e a negação absoluta das faces negras da sua história.

Pior do que alterar a história é ignorá-la.

(Jorge Lopes)

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QUANDO O MUNDO ERA SIMPLES:
COMPORTAMENTOS DE SALÃO DE BAILE





de .

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RETRATOS DO TRABALHO EM FÃO, PORTUGAL



As imagens mostram o trabalho de operários na velha e encerrada ponte de Fão (nacional 13, Esposende).

(Luís Miguel Reino)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 17 de Agosto de 2006


Uma observação ainda muito impressionista, mas que justificava um estudo mais detalhado: os jornais e revistas, por ordem de proximidade, da blogosfera são o Diário de Notícias, o 24 Horas, o Público, o Correio da Manhã, o Expresso, a Sábado e a Visão. Essa ordem de proximidade é vista da blogosfera para os jornais e revistas e não vice-versa (o que implicava outro estudo), em função dos temas, citações, influência do conteúdo dos blogues na agenda dos jornais. De qualquer modo, o lugar do Diário de Notícias parece-me indesmentível e, embora nem sempre os jornalistas reconheçam o que devem aos blogues, é também o mais transparente nessa relação, o que é um mérito.

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BLOGOSFERA CONTRA PROMESSOSFERA

Repito a pergunta do BLOGUITICA : "O que é feito do Projecto MIT?". Secundo também o apelo, que mais do que apelo é exigência cívica, de que está na altura da imprensa fazer um balanço sobre os anúncios de projectos e obras, anúncios de investimentos e outras promessas cujo tempo de realização, ou o início de concretização já deviam ser do domínio da atmosfera e não da promessosfera. É porque se não for assim tornam-se cúmplices na propaganda governamental.
Recentemente, perguntei porque é que não é possível usufruir do magnífico jardim da Biblioteca das Galveias - que tem sombras, bancos, mesas e cadeiras, além de que as portas que lhe dão acesso até estão escancaradas. A resposta foi que «o assunto já está a ser tratado».

Também quis saber porque é que não há, nos transportes públicos, locais próprios para depositar os jornais gratuitos que, depois de lidos, vão quase sempre parar ao chão. A resposta foi que «o assunto já está a ser tratado».

Em tempos, perguntei a um agente da BT da PSP porque é que as autoridades não reprimem eficazmente os carros que atafulham os passeios por onde eu gostaria de circular. A resposta foi que «o assunto já está a ser tratado».

Como essa resposta é válida para todas as perguntas que faço, suponho que o Projecto MIT também já está a ser tratado.

(C. Medina Ribeiro)
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Se a informação do Diário de Notícias é de fonte segura, o Governo faz bem em tomar esta posição, a mesma que aqui se defendeu em tempo útil:
"O Governo recusa intromissões do Parlamento Europeu na definição da sua política, nomeadamente no capítulo da defesa e dos negócios estrangeiros. Com base neste princípio, prepara-se para recusar informações aos eurodeputados que investigam "o envolvimento e a cumplicidade" de Estados membros da União Europeia numa série de alegadas actividades ilegais da CIA no Velho Continente a pretexto do combate aos terroristas islâmicos."

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RETRATOS DO TRABALHO EM AVEIRO, PORTUGAL



Oleiro em actividade na FARAV 2006 (Feira de Artesanato de Aveiro).

(Paulo Cardoso)

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EARLY MORNING BLOGS
842 - Poema do jornal

O fato ainda não acabou de acontecer
e já a mão nervosa do repórter
o transforma em notícia.
O marido está matando a mulher.
A mulher ensangüentada grita.
Ladrões arrombam o cofre.
A polícia dissolve o meeting.
A pena escreve.

Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.

( Carlos Drummond de Andrade)

*

Bom dia!

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15.8.06


RETRATOS DO TRABALHO EM MONCHIQUE, PORTUGAL



O Algarve no Verão serve banhistas veraneantes. Também há os que trabalham. Passei de carro e tirei a foto. Pergunto-me: o que faz este senhor e o seu burro? No limiar da fantasia acho que posa para fotos de turistas e se assim for arrependo-me de não o ter remunerado. Aqui fica, em forma de reconhecimento.

(Humberto Bernardo)

Resposta: o senhor posa mesmo para turistas (ele, o burro e os turistas que quiserem); há muitos anos que está na quele lugar (a poucos quilómetros de onde moram os meus pais; desde criança que me habituei a vê-lo lá)

(António Manuel Venda)

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AS VÁRIAS COISAS QUE ESTÃO A ARDER
[2ª série]



É perfeitamente notório que a estratégia comunicacional do Governo nesta época de fogos está a revelar-se eficaz. Já a realidade da devastação que se assiste não tem paralelo com as promessas que antecederam a época dos fogos. Perante tal realidade eis que o nosso ministro mais intocável do Governo, estatuto que ainda o vai levar bem longe, tira novamente da cartola o bode expiatório da falta de limpeza das matas, á semelhança do ocorrido o ano passado , com o beneplácido do á data urbano-citadino presidente Sampaio. E então verificamos que não são aqueles incautos e irresponsáveis milhares de pequenos proprietários , mas também o Estado “os responsáveis”, como se pudéssemos afirmar peremptoriamente que aí está o cerne do problema.

Ora nem a floresta é um jardim ordenado, e circunscrito a fileiras de arvores militarmente dispostas em filas, nem a fauna e flora restante sobreviveria á uma tal disposição de jardim artificial.Ou seja , ou se mantém alguma veracidade no que é uma floresta , ou então de floresta não terá nada.

Quero dizer com isto, que ou se aposta na vigilância das matas a sério , ou vale mais desistir e entregar a gestão florestal , como parece ser a tendência actual , subliminar, mas latente, ás ditas sociedades de gestão florestal, ( cujos accionistas já estamos a adivinhar quem são) as quais forçosamente nos darão um ambiente de jardim catalogado e inventariado.Pergunta-se, e depois qual seria o problema ?

Bom , na tendência actual em que o País caminha , nenhum. Afinal não se está a desfigurar as zonas naturais no sentido de fomentar o abandono da actividade agrícola em deterimento das novas “oportunidades” como os parques éolicos, os resorts , o turismo ruralóide de televisão ? Não é este o modelo para o qual Alquevas são reformulados, Otas devem ser construídas, e TGVs instalados ? Afinal não é verdade que quem está a mais no interior são os velhos e os pinheiros e eucaliptos ?

Se o modelo de desenvolvimento futuro é este do turismo, das novas energias vale mais virem todos para o litoral para casa dos filhos que estão a pagar casas á Banca a 40 anos.Deixem os montes do Algarve, as planuras Alentejanas, as quintas do Douro, há por aí muita gentinha para as vender.

Podemos ainda manter aquelas produçõeszitas DOC e Certificadas tão do gostos da telejornalada e do turista europeu, as quais se pagam bem acima do seu real valor.Um País assim tem grande futuro.Afinal é o nosso Petróleo verde , de campos de golfe e toalhinha na mão.

(António Carrilho)

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Há algum tempo, ainda antes da chamada "época de fogos", vieram a público uns senhores garantir que algumas corporações de bombeiros poderiam recusar-se a actuar fora das suas áreas específicas. Não me recordo das razões que invocavam, mas ficou-me na memória o facto de essa ameaça prefigurar uma situação totalmente simétrica da que nos é mostrada em «Os Gangues de Nova Iorque» - um filme muito violento onde, a dada altura, o realizador introduziu um episódio cómico para amenizar o excessivo dramatismo:

Quando uma corporação de bombeiros se prepara para combater um incêndio num edifício, aparece uma outra a disputar-lhe o trabalho... e descamba tudo numa monumental cena de pancadaria. Para que a comicidade seja perfeitamente conseguida, a cena prossegue com as chamas a consumirem tudo até aos alicerces... enquanto os soldados-da-paz (?), felizes e contentes, se entretêm a agredir-se mutuamente.

Na plateia, é claro, a assistência delira com o absurdo da cena - e descomprime da tensão acumulada.

Ah! Assim pudéssemos nós rir, com um riso aberto e inocente, de rábulas verídicas como a que no início se refere, bem como da falta de sintonia (passe o eufemismo...) entre os Ministérios da Administração Interna, da Agricultura e do Ambiente a propósito do estado actual das nossas florestas que continuam, ano após ano, impreparadas para enfrentar os fogos!

(C. Medina Ribeiro)

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É a segunda vez que lança o tema. A primeira tinha o assunto remetido para este título FOGOS, BALDES E BALDAS. Lança agora o debate sobre o tema em epígrafe.
Independentemente da justeza do debate, das justas críticas ao governo e a todos os outros que consciente ou inconscientemente colaboram nesta desgraça e das muito doutas e sapientes opiniões de Francisco M. Figueiredo, Pedro Almeida Vieira e outros que mais para frente se ouvirão parece-me um bocado demagógico lançar agora o tema.
No mesmo sentido do provérbio espanhol que na minha anterior intervenção citei (os fogos apagam-se no Inverno) porque não lançar o tema por exemplo em Janeiro?
E não nos preocupemos porque a imprensa (vide a caixa do Correio da Manhã de hoje) já escolheu o próximo assunto. Amanhã abre a caça ás espécies migratórias e passa a estar na ordem do dia a Gripe das Aves (mesmo assim com caixa alta).

Os fogos deixam de existir na televisão, na cabeça das pessoas e dos jornalistas e, em breve, veremos os repórteres a correrem (razão têm os Adiafa a propósito dos foguetes) na tonteria habitual atrás do último Pato ou da última Galinhola abatida perguntando em directo aos caçadores se não têm medo do bicho estar infectado.
Acho que tem(os) obrigação de fazer melhor.

(Fernando Frazão)

*

1 - No seu balanço dos fogos florestais a meio de Agosto, o ministro António Costa aludiu por alto à questão que tratei na m/ anterior intervenção: a expansão incontrolada dos espaços urbanos para junto das áreas florestais. Fê-lo, porém, em tom de mero lamento, sem perspectivar solução para o problema. Não me pareceu que, entretanto, tenha aludido à não menos incontrolada expansão do eucalipto e à extinção desregrada das espécies autóctones (tomou-se o eucalipto de ponta, mas o pinheiro também tem que se lhe diga...).

Apesar do que referi no anterior texto, o facto é que, para o ordenamento urbanístico ainda vai havendo algumas regras, que uma ou outra Câmara Municipal vão tentando levar com mais ou menos rigor. Mas para o ordenamento agrícola e florestal é que parece não haver praticamente rei nem roque. Aparecem extensões enormes de novas plantações, em muitos casos financiadas por fundos públicos, sem que as autarquias sejam consultadas. E no entanto trata-se de questões relevantes do ordenamento do território.

A verdade é que existem capelas intocáveis, cada instituição tem (quando tem...) apenas a visão estreita dos parâmetros de ordenamento do seu sector, que não coordena com os outros, as coisas passam-se em circuito fechado, ai de quem se intrometa!
Estão actualmente a ser elaborados pelas CCDR´s os Planos Regionais do Ordenamento do Território (PROT): é uma boa oportunidade para colocar ordem nestas matérias e rigor e exigência nestas instituições.

2 - Um erro estratégico na concepção do modelo de prevenção dos fogos florestais foi ter apostado na limpeza coerciva das matas. Pelas razões que são sobejamente conhecidas, nas actuais circunstâncias (e então nos meios rurais...) as pessoas estão-se nas tintas para as ameaças, e só mandarão limpar as suas matas quando isso voltar a ter vantagem económica. Ora, esse potencial económico está bem à vista: o que está nas matas com abundância, e que as matas reproduzem regularmente, é biomassa, susceptível de ser transformada em energia.
Sejamos construtivos: é capaz de valer a pena investir em centrais eléctricas de biomassa, disseminadas pelo país, uma por cada dois distritos ou assim.

Isso geraria a criação de pequenas empresas recolectoras e transportadoras da biomassa, postos de trabalho, receita para os donos das matas, limpeza assegurada, menos condições para a propagação do fogo, etc. Esta ideia, aliás, não é novidade nenhuma, custa entender porque é que, depois de tantos anos de incêndios, não vai para a frente.

Suponho que haverá já quem exclame: é o lóbi do sector energético que ateia os incêndios para evidenciar a necessidade dessas centrais de biomassa! Lóbis haverá muitos, e então no sector das várias alternativas de produção de energia... calculo: ele é o vento, ele é o urânio, ele são as mini-hídricas, são os produtores convencionais, são os distribuidores tradicionais, são os negócios da importação de energia...

Mas que não seja por isso que, sem reflectir, se ponha de parte a hipótese da biomassa, até porque essa, parece-me, teria adesão popular por distribuir amplamente receitas da venda da matéria prima, e por, a prazo, abrandar os incêndios.

3 – Houve erros, é certo, mas neste momento já não parece muito relevante discutir as responsabilidades dos sucessivos governos (que aliás são também de todos nós, dos nossos pequenos egoísmos, etc.) Relevante é que, mais que os anteriores, o actual Governo está politicamente em óptimas condições para levar estes assuntos a (p)eito.

A elaboração dos PROT, que referi acima, é uma excelente oportunidade e uma óptima instância para fazer as necessárias reflexões e tomar medidas concretas sobre todas as questões referidas: coordenação efectiva dos critérios de ordenamento territorial dos diversos sectores da administração pública, mais rigor e exigência contra a dispersão das casas, penalização dos solos urbanizados expectantes, contenção dos investimentos em infraestruturas urbanas, rentabilização efectiva das imensas infraestruturas públicas desperdiçadas, regras e acções eficientes para a gestão cadastral dos solos, proibição efectiva do fraccionamento dos solos rústicos, avaliação séria do aproveitamento do recurso "biomassa", etc.
Pelas especiais condições políticas que nós, os eleitores, lhes outorgámos, espera-se deste Governo, e do Presidente da República, que aprofundem o mais possível a avaliação do fenómeno dos incêndios e, sem contemplações na defesa do interesse público, que mexam a fundo nos problemas do ordenamento do território, na sua racionalização e no aproveitamento real dos seus recursos.

(Joaquim Jordão)

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No que diz respeito ao seu post sobre os incêndios é caso para dizer, “preso por ter cão e preso por não ter”…
Na verdade, a sua forma de argumentação política, consoante se trate ou não de um ministro ou personalidade da sua simpatia pessoal - e António Costa é, já todos percebemos, um ministro que claramente não gosta – inquina totalmente a discussão. Senão vejamos, quando não se deu importância à chaga económica e social dos incêndios, à mobilização de meios dispersos e complementares, à chamada de profissionais militares e militarizados e ao reforço de meios de acção e combate, nenhum governo pode ser merecedor de censura pública por ausência de políticas eficazes.
Ao contrário, quando um decisor político, neste caso António Costa, faz o que deve, não se resignando com o agravamento desta chaga social e procura reforçar os meios como nunca antes tinha sido feito, mobilizando os profissionais mais capazes, envolvendo as forças de segurança e as forças armadas, ainda que com isso não consiga resolver o problema, a culpa já passa a ser dele ?.

(João Paulo Pedrosa)

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RETRATOS DO TRABALHO NO RIBATEJO, PORTUGAL



Apanhando legumes (courgettes) em trabalhos agrícolas no Ribatejo (Riachos concelho de Torres Novas, junto ao rio Almonda).
Ao meio dia de sábado, 29 de Julho de 2006, debaixo de um sol tórrido.


(Manuel Ferreira dos Santos)

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Curioso olhar, ver a fotografia. Várias milheres trabalham debaixo do tal sol implacável. É verdade. Mas o que faz o homem da foto? Controla? Admira? Ou simplesmente faz o que a grande maioria dos homens fazem: Contemplam, sem ver!

(Fortunata de Sá)

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EARLY MORNING BLOGS
841 - Ité

Go, my songs, seek your praise from the young
and from the intolerant,
Move among the lovers of perfection alone.
Seek ever to stand in the hard Sophoclean light
And take your wounds from it gladly.

(Ezra Pound)

*

Bom dia!

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14.8.06


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 14 de Agosto de 2006


Isabel do Carmo escreve hoje no Público um artigo intitulado "Resposta a Esther Mucznik" com que não concordo nem com uma linha. Mas não é isso que vem ao caso, mas sim a bizarra nota da redacção que foi acrescentada no fim:
NR - O PÚBLICO não alterou a grafia deste texto, designadamente o facto da autora escrever Holocausto com caixa baixa.
Esta agora, então num artigo de opinião o seu autor não pode escrever "holocausto" com minúscula? Usar maiúsculas ou minúsculas, aspas ou outros mecanismos com significado é parte indissociável da liberdade de opinião. Não percebo por que razão escrever "holocausto" em minúscula justifica uma nota da redacção, nem me parece que o Livro de Estilo (que não posso consultar agora, nem sei se se aplica) se sobreponha sobre a intencionalidade valorativa da opinião. De facto, independentemente do artigo de Isabel do Carmo, eu também escolheria escrever "holocausto" e não Holocausto se tivesse percebido o sentido interpretativo e ideológico que lhe dá a redacção do Público que de todo recuso - a transformação do holocausto numa identidade a-histórica impossível de interpretar fora do quadro de uma determinada leitura disfarçada de intangibilidade moral.

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AS VÁRIAS COISAS QUE ESTÃO A ARDER
[Actualizado]



Os incêndios prestam-se a demagogia, responsabilizando-se com facilidade os governos de culpas que muitas vezes ou lhes são injustamente atribuídas, ou devem ser partilhadas por vários executivos. Nos tempos recentes, últimos dez anos, ninguém fez mais demagogia com os incêndios do que o PS, em particular pela voz de António Costa, em intervenções na Assembleia quando do governo de Durão Barroso. É um facto indesmentível. O PSD e o CDS também caíram algumas vezes em declarações demagógicas mas parecem meninos de coro comparados com a ofensiva que o PS fez sobre os incêndios.


Ontem.

(Nuno Margarido)

Este lastro do passado deve ser lembrado, porque se vive este ano uma situação peculiar que não pode nem deve continuar: se no ano anterior seria insensato culpar o governo da situação dramática dos fogos, agora não tem sentido iludir as suas responsabilidades, na exacta medida em que as tem. Como medimos essa responsabilidade? Pelas declarações feitas pelos membros do governo antes e depois dos incêndios. É por essas declarações, cujo objectivo tem sido essencialmente propaganda das medidas governativas ou desresponsabilização pela sua ineficácia, que se devem pedir contas.

O Ministro da Administração Interna é um dos ministros mais protegidos por alguma comunicação social, independentemente do seu mérito, que o tem, e da sua intuição política e ambições, que as tem. Alguns jornais e televisões deram-lhe títulos e manchetes que nenhum outro ministro teve, sem escrutínio, que pareciam vindas directamente do gabinete do ministro para as redacções. Excelente trabalho dos seus assessores que merecem tudo quanto ganham, mas também resultado das relações de simpatia política que alguns jornalistas próximos dos socialistas têm com o ministro. Com António Costa dá-se um feito que também já se deu com António Vitorino, a “protecção do sucessor”, preservar sempre a imagem da alternativa ao actual poder do PS. É um efeito político que só existe para o PS, mas existe.

Seria, no entanto, injusto limitar a este efeito, o que se passa com Costa e os incêndios. O governo tem beneficiado de uma cobertura jornalística que tem minimizado a importância dos incêndios este ano, e consequentemente, não confronta a realidade com o que foi prometido e anunciado. Parte desta situação vem dos compromissos que a comunicação social, em particular as televisões, assumiram quanto à cobertura dos fogos, corrigindo os excessos do ano passado. Mas, como quase sempre acontece, a correcção do excesso foi desequilibrada e neste ano, a não ser os atingidos pelos incêndios, não há percepção pública da gravidade do que se está a passar. Isso ajuda à desresponsabilização do governo e impede o debate sobre a eficácia das suas medidas e sobre o modo como está a reagir à situação, assumindo uma atitude de de muito mau agoiro para o futuro.

No Abrupto têm sido recebidas muitas colaborações dos leitores sobre os fogos, de que tenho apenas publicado uma pequena parte e evitado as fáceis responsabilizações do governo, que ainda me pareciam prematuras. Agora está aberto o debate.

*

Não sei de quem é culpa mas lavra um incêndio em Arcos de Valdevez há MAIS DE UMA SEMANA... O incêndio consome uma das mais sublimes paisagens do Parque NACIONAL Peneda-Gerês, a única área protegida em Portugal digna desse estatuto (todas as outras são Parques Naturais), no entanto dos holofotes da imprensa pouca voz dão a esta catástrofe. Se calhar é demasiado longe de Lisboa...

(Alberto Fernandes)

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Devo começar por fazer uma 'declaração de interesses': sou neste momento adjunto de um presidente de Câmara, depois de década e meia de jornalismo em Leiria (ou a partir de Leiria...).
Creio que conheço um pouco da realidade, quer através do meu trabalho enquanto jornalista quer agora, mercê das funções que desempenho.

E sem entrar em 'condenações' ou 'absolvições', há algo que desde que acompanho o 'fenómeno' mais de perto muito me faz imensa confusão: por que razão (ou razões) não se investe mais na prevenção/vigilância, quando se conhecem alguns casos de (relativo) sucesso?
Há dois ou três anos (talvez quatro), o então governador civil do Distrito de Leiria teve a iniciativa de mobilizar os militares do Regimento aqui aquartelado para acções de vigilância nas áreas mais florestadas do Distrito. Todos os dias, quatro equipas partiam sem conhecimento antecipado do respectivo itinerário e, durante todo o dia, 'mergulhavam' em pinhais e matas... A campanha foi devidamente divulgada pelos media regionais e o facto é que nesses anos ardeu pouco (e, em alguns casos, o que ardeu foi mais por deficiências de comando dos bombeiros...).
Também desde há três anos, a Câmara Municipal de Leiria, com os agrupamentos de escuteiros e outros voluntários oriundos dos programas do IPJ, montou uma operação de vigilância de todo o território que permite a 'detecção precoce' e o imediato alerta dos bombeiros. É verdade que o ano passado houve uma situação muito complicada (três fogos em pontos distintos e bastante afastados num período de 15 minutos), mas a verdade é que o sistema ajuda a atacar os fogos na fase 'emergente'.

Isto custa dinheiro, é verdade, mas custa muito menos do que o combate que, já se sabe, está condenado ao insucesso: com os meios que Portugal tem, com bombeiros voluntários insuficientemente preparados e equipados, com comandos deficientes e dispersos, com o clima, a orografia e a 'porcaria' em que se tornaram as matas... já se sabe o resultado.
Culpar os proprietários (como agora fez o ministro), as autarquias, o clima e sei lá que mais não resolve coisa alguma. Propagandear o que se vai fazer, muito menos. 'Enterrar' dinheiro em mais meios de combate, pode ser necessário, mas não resolve nada, como se tem visto.
Enquanto os fogos de um ano não começarem a ser combatidos em Setembro do ano anterior... nada feito! Apenas mais uns segundos de fama na televisão, se possível a 'desoras' e com um ar bastante compungido.

(Francisco M. Figueiredo)

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Não me pretendo alongar muito sobre o desafio que lançou no Abrupto sobre um debate em redor dos incêndios florestais - nesse aspecto, escrevi durante meio ano o livro «Portugal: O Vermelho e o Negro», (...), mas gostaria somente de fazer algumas considerações rápidas.

a) Responsabilizar o partido que, conjunturalmente, ocupa o Governo pelos incêndios soa sempre a demagogia. Mas, claro, choca-me ainda mais a forma demagógica (e irresponsável) como estas questões são tratadas pelas classe política. Os problemas são demasiado estruturais e de longo prazo - e aí não se vê nada de concreto, além de legislação, que é cópia da que tem saído desde os tempos de Marcelo Caetano), passando pelo modo como deixámos o mundo rural ao abandono, como se liquidou a agricultura (que permitia a presença de população no interior e funcionava como zona-tampão à progressão dos fogos), como não se incentivou a gestão em espaços florestais descapitalizados, como os PDM permitiram a construção de casas dentro das florestas, como não se faz vigilância (para a detecção rápida dos incêndios), como se permitiu a manutenção do status quo das corporações de bombeiros (com um voluntariado que nos custa muito dinheiro e de eficácia fraca), etc., etc., etc..

Na verdade, perde-se demasiado tempo a tentar identificar responsáveis (mas em Portugal, isso dá em nada...), quando, na verdade, a culpa é de todos os políticos que passaram pelos Governos nas últimas, pelo menos, duas décadas. Isto pode ser visto como uma crítica demagógica, mas não é. Qualquer primeiro-ministro que continue a insistir no actual modelo é culpado por um ano calamitoso de incêndios, independentemente de este ocorrer durante ou após o seu mandato. E isto porque a contabilidade não deve ser vista a curto prazo (um ano pode arder pouco ou muito por razões conjunturais, como a chuva; ou por em anos imediatamente anteriores ter ardido muito e as zonas mais críticas estarem em «pousio», como é o caso deste ano). Permita-me, por outro lado, discordar de se conceder o direito de um Verão de «estado de graça» aos novos Governo. Temos tido demasiadas desgraças por causa desses anos de graça.

b) Quanto à «boa sorte» de António Costa, de facto há um excelente trabalho dos assessores de imprensa, com mais uns pozinhos de manipulação da informação à mistura (o caso mais evidente passa-se com o número de fogos - para ver como, consulte um texto que saiu hoje publicado no DN, da minha autoria) e de aproveitamento de alguns desconhecimento da generalidade dos jornalistas (ardeu 900 mil hectares nos últimos três anos, nas zonas de maior risco e com maior manchas florestal em contínuo; nessas circunstâncias, é quase impossível termos este ano incêndios de mais de 10 mil hectares). Na verdade, a situação é mais grave do que aparenta, pois os maiores incêndios estão a ocorrer em zonas que pouco arderam na última década, o que mostra estar a intensificar-se a «globalização» do fogo em Portugal.

b) A minha opinião sobre a eficácia das medidas deste Governo é de que, para já, se confirmam erros que detectei desde o início e não me admiram os resultados actuais (muito maus...). Por exemplo, na localização das brigadas helitransportadas de primeira intervenção, colocar duas em Sines e em Faro foi um absurdo. Primeiro porque metade da sua área potencial de intervenção é no mar (onde é suposto não haver incêndios); segundo porque, sobretudo no Algarve, não haverá grandes problemas nos próximos 2-3 anos, porque ardeu quase tudo nos últimos três. Onde era preciso, e não havia, era no Alentejo interior (p.ex., na zona da serra de Ossa), onde os rácios de eficácia de primeira intervenção foram, pelo menos no ano passado, deploráveis; ou então nas área protegidas, onde se torna fundamental extinguir os fogos nascentes, sob risco de acontecer os desastres do Parque Nacional da Peneda-Gerês (uma autêntica vergonha...) ou no Parque Natural da serra de Aire e Candeeiros. A estratégia de combate apenas assente na protecção das casas (onde não são feitas limpezas em redor) é também uma das causas para arder tanto em Portugal. É uma auntêntica bola de neve, perigosíssima: salva-se uma casa, continua a arder floresta; continua a arder mais floresta, colocam-se mais casas em perigo. Em suma, temos bombeiros para as casas; não temos para a floresta. (sobre estas questões, o livro aborda uma possível solução...).

De resto, tenho tentado, na medida do possível, dar o meu contributo. Além do livro, tenho acompanhado estas questões no meu blog Estrago da Nação . Lá poderá encontrar alguma informação, eventualmente útil.


(Pedro Almeida Vieira)

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Os fogos de Verão são um exemplo brilhante, pela pior da razões, da forma como quando não queremos nada funciona. Fatalmente este é daqueles casos em que a culpa é de todos. E por isso não é de ninguém. Mas há culpados. Na minha opinião são os responsáveis governamentais. Precisamente aqueles que tendo autoridade para, negaram sempre uma realidade bem real na expectativa que no próximo ano o vento e o calor fossem mais brandos com a nossa tragédia colectiva. Precisamente aqueles que deviam há muito ter tido a coragem para, depois da casa arrombada, colocar trancas na porta. Mas as prioridades políticas deste governo do politicamente correcto e da propaganda política que nos faz acreditar que vivemos no país das maravilhas, ou a caminho dele, estão sempre invertidas. É demasiado fácil culpar os bombeiros. É demasiado fácil culpar os incendiários. É demasiado fácil culpar os proprietários que não fazem a limpeza dos seus terrenos e dos terrenos adjacentes à sua propriedade mesmo não sendo seus. É demasiado fácil culpar o vento e o calor. E todos eles, à primeira vista, têm culpa. Os bombeiros porque são poucos e os poucos que são não servem. Como não servem as latas vermelhas a que chamam «carros de bombeiros» e as ridículas mangueiras de quintal. Os incendiários, por outro lado, são a escumalha sem rosto. Nunca ninguém os viu a não ser em número. E mesmo assim gritam-lhes sentenças de morte em espectáculos de regozijo público propagandeado como a vingança do bem contra o mal. Seguem-se os proprietários. Esses inconsequentes que constróem casas ao pé de árvores. E que não cumprem com os seus deveres na limpeza da mata e dos terrenos adjacentes à sua propriedade porque as Câmaras Municipais não têm nem dinheiro nem pessoal para o fazer. E finalmente o clima. Essa fatalidade dos deuses que não param de nos atazanar. Tudo isto é irónico. E verdadeiro.

O assunto dos fogos é complexo. Vejamos o que falha e porque falha.

1. PREVENÇÃO. A prevenção é aqui um caso bicudo e de difícil operância. Exigir a limpeza das matas não chega. A não ser que o princípio seja cimentá-las. Há um elo muito importante da cadeia que é a vigilância. Terrestre e aérea. Não no sentido de evitar o inevitável, porque o há, mas de actuar com rapidez e eficácia. Não se incendeia uma mata de centenas de hectares em meia dúzia de minutos. A prevenção falha sobretudo porque dá o alerta muito tarde, na maioria dos casos tarde demais. Desconheço o que a lei portuguesa reserva para os incendiários. E falo dos incendiários porque a teoria do vidrinho e do sol não me convencem. Há gente por aí gravemente doente. Em todas as frentes. Do lado de cá e do lado de lá. A comunicação social, involuntariamente, acaba por sustentar o motivo desta gentalha que delira, muito provavelmente no conforto do seu lar, com as magníficas imagens do fogo que consome, que destrói e que mata.

2. LUTA CONTRA O FOGO. Quando o alerta vem tarde demais, a luta contra o fogo torna-se tarefa particularmente difícil. Mais ainda quando os meios materiais e humanos são ineficientes e, na maioria dos casos, ignorantes quanto às formas de luta contra o fogo florestal. É deprimente ver as latas vermelhas de um lado para o outro a transportar homens cansados, exaustos, absolutamente frustrados. Precisamente os mesmos que o ministro, depois dos tempos de cólera, vai agradecer e homenagear em cerimónia pomposa.

Chegamos então à parte do governo. Há, por parte deste, uma posição de fundo que me parece bem clara. Para este governo o património natural representado pela floresta não é uma prioridade. Ele diz que é. Mas não é. Senão vejamos a título de exemplo a mais recente trapalhada política: Nunes Correia, Ministro do Ambiente, afirmou ao Correio da Manhã que «não podemos ter uma econmia predadora das condições naturais, a biodiversidade e a paisagem são um dos principais patrimónios de Portugal». Curiosamente, no dia seguinte o Conselho de Ministros aprovava as alterações à Reserva Ecológica Nacional que vai permitir que os agricultores possam construir casas de habitação em áreas classificadas. O diploma abre também a possibilidade de se realizarem ampliações de empreendimentos turísticos, instalações de aquacultura, plantações de olivais, vinha e pomares, abertura de caminhos e implantação de projectos de energias renováveis. Este swing faz-me suspeitar das intenções do governo mas isso é matéria especulativa. Vamos ao que realmente interessa. E o que realmente interessa é o que o governo deveria ter feito e não fez.

1. É urgente criar um corpo de bombeiros profissionais. A imagem do «soldado da paz» é anacrónica. A luta contra o fogo é tão importante como a manutenção da ordem pública.

2. É urgente criar uma força (porque não militar?) de vigilância capaz de detectar e accionar imediatamente o alerta de fogo e intervir numa primeira frente.

3. É urgente dotar os bombeiros de meios materiais REALMENTE eficazes. Não basta lamentar as inacessibilidades que me parecem óbvias. É necessário um investimento sério em meios aéreos.

4. É urgente assumir a luta contra o fogo florestal como uma prioridade política e de interesse nacional.

Ao fim e ao cabo, é na intervenção que o governo deveria investir. E é na administração interna que o nosso ministro deveria investir. Em detrimento das suas transumâncias imbecis. Não chega rezar pelos tempos de bonança. É preciso agir. Nas várias frentes. E já. Antes que os nossos tempos se tornem tempos da terra queimada.

(Ricardo S. Reis dos Santos )

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Qualquer análise que se faça à actuação de um governo PS, seja qual for a área de actuação governativa, terá de ter sempre em conta esta permissa básica da democracia portuguesa: o PS tem sempre razão.

Sempre que alguém consegue convencer o eleitorado do contrário, lá temos nós o perigo para a democracia, a ditadura da maioria, o cartão laranja, os tenebrosos tráficos de influências, o nepotismo, a incompetência, a insensibilidade social, as políticas de direita, os atentados aos básicos direitos dos cidadãos... e a vaga e difusa impressão de que os eleitores são estúpidos.

Concentrando-me nos incêndios, o resultado deste tipo de interpretação do mundo é simples:

- se o governo for PS, a lei não é cumprida (coisa esotérica esta de a lei não ser cumprida), as pessoas são negligentes na limpeza das matas, as temperaturas são muito elevadas, há muito vento, o vento muda de direcção, quando muda de direcção muda sempre para a pior direcção possível frustrando as medidas tomadas pelo governo no combate aos incêndios...

- se o governo for PSD, a lei não é cumprida porque o governo não quer, as pessoas são vitimas da negligência do governo que não impõe a limpeza das matas, as temperaturas são elevadas, o vento muda de direcção e quando muda muda sempre na pior direcção por incúria do governo que não soube planear a tempo a época de fogos...

Isto aprende-se em qualquer faculdade de jornalismo em Portugal... digo eu.

(Mário Almeida )

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Àcerca do seu post sobre demagogia e incêndios, permita-me que lhe diga o seguinte: O exercício de reflexão é coerente mas o resultado é igual às situações que critica, isto é, pura demagogia. Já é tempo de acabar com este tipo de raciocínio - os da Direita não foram maus mas estes da esquerda são muito piores porque são ... da esquerda. Esse parece ser o seu principal defeito. Já não há muita pachorra para esta conversa, basta pensar um bocadinho para ver que se os da Direita são maus é porque, de facto, quando estão no poder passam o tempo a fazer de conta que fazem alguma coisa e, mal de lá saêm, começam a clamar pelas reformas que não tiveram coragem de fazer. Se o ministro António Costa tem boa imprensa é porque tem algum mérito, pelo menos é assim que o senhor escreve quando o mimnistro é de Direita.

Peço desculpa pela frontalidade mas já começam a passar das marcas estes "comícios" de má disposição só porque temos um governo qué não é da sua côr. Deixe os "comícios" para o Prof. Marcelo, o senhor já nos habituou a muito melhor que isso. E já agora uma sugestão, vá para fora cá dentro, este país que o senhor tanto desdenha tem coisas que valem a pena, mesmo os portugueses nos quais vê tantos defeitos também têm coisas boas. (...) tinha esta atravessada há muito tempo, só criticar pode não ser a melhor ajuda.

(Jorge Silva)

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Não sei quem constrói o Google News Portugal, mas deve ser alguém com experiência na TVI. Ontem a noticia da morte do Bombeiro encontrava-se na secção entretenimento.
Hoje a noticia mantinha-se lá acompanhada por uma outra que relatava o ataque de um Pitbull a uma criança!!!!!! No meio das duas o concerto dos Rollinng Stones.

Estranhos critérios

(Luís Bonifácio)

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Como deve saber, nas últimas 72 horas faleceram dois bombeiros em Portugal.


Na sexta-feira de manhã, a operadora do CDOS de Leiria, Viviana Dionísio, foi encontrada morta no veículo que servia de posto de comando, estacionado perto da frente de incêndios de Porto de Mós, após ter trabalhado mais de 36 horas.

No domingo à tarde, o bombeiro Joel Gomes morreu em consequência de um despiste da viatura de intervenção rápida onde seguia a caminho de um incêndio na serra da Aboboreira.

Ontem, o ministro António Costa declarou "em nove dias, não houve mortos nem feridos graves em combate", frase que, podendo ser tecnicamente verdade, se entendermos que estas duas mortes não ocorreram na frente de fogo, escamoteia completamente a realidade.


(Nuno M. Cabeçadas)

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840 - ... não há ladrões senão onde há que furtar.


A terra é abastada de pastos, e assim como cria o bom, cria o mau. E já ouvi dizer um grande homem que era dado às cousas do outro mundo, falando na povoacão deste terra (que ainda que a vedes assim por partes metida a mato, é de pastores em muita maneira povoada) que esta era uma das maravilhas da natureza, de uma terra mesma nasceram duas tão contrárias uma à outra. E que isto não era só nas alimárias, mas nos homens: que não há maus senão onde há os bons, e não há ladrões senão onde há que furtar.

(Bernardim Ribeiro)

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Bom dia!

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13.8.06


NUNCA É TARDE PARA APRENDER: NAPOLEÃO

http://www.powells.com/cgi-bin/imageDB.cgi?isbn=


J Marshall Cornwall, Napoleon as Military Commander

No início da sua expedição ao Egipto, Napoleão mandou distribuir um panfleto em árabe em que dizia que os franceses eram verdadeiros muçulmanos, tinham deposto o Papa, culpado de ter "sempre incitado os cristãos a combater os muçulmanos" e apelava a uma espécie de jihad contra os mamelucos, seus adversários e aliados dos ingleses e turcos. Chamou os imans e colocou-lhes fitinhas tricolores. Vive la France. De facto, nunca é tarde para aprender.

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839 - Icebergs
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Icebergs, sans garde-fou, sans ceinture, où de vieux cormorans
abattus et les âmes des matelots morts récemment viennent s'accouder
aux nuits enchanteresses de l`hyperboréal.

Icebergs, Icebergs, cathédrales sans religion de l'hiver éternel,
enrobés dans la calotte glaciaire de la planète Terre.
Combien hauts, combien purs sont tes bords enfantés par le froid.

Icebergs, Icebergs, dos du Nord-Atlantique, augustes Bouddhas gelés
sur des mers incontemplées. Phares scintillants de la Mort sans issue, le
cri éperdu du silence dure des siècles.

Icebergs, Icebergs, Solitaires sans besoin, des pays bouchés, distants,
et libres de vermine. Parents des îles, parents des sources, comme je
vous vois, comme vous m'êtes familiers...

(Henri Michaux )

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Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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