ABRUPTO

14.8.06


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ÁTOMOS E BITS

de 14 de Agosto de 2006


Isabel do Carmo escreve hoje no Público um artigo intitulado "Resposta a Esther Mucznik" com que não concordo nem com uma linha. Mas não é isso que vem ao caso, mas sim a bizarra nota da redacção que foi acrescentada no fim:
NR - O PÚBLICO não alterou a grafia deste texto, designadamente o facto da autora escrever Holocausto com caixa baixa.
Esta agora, então num artigo de opinião o seu autor não pode escrever "holocausto" com minúscula? Usar maiúsculas ou minúsculas, aspas ou outros mecanismos com significado é parte indissociável da liberdade de opinião. Não percebo por que razão escrever "holocausto" em minúscula justifica uma nota da redacção, nem me parece que o Livro de Estilo (que não posso consultar agora, nem sei se se aplica) se sobreponha sobre a intencionalidade valorativa da opinião. De facto, independentemente do artigo de Isabel do Carmo, eu também escolheria escrever "holocausto" e não Holocausto se tivesse percebido o sentido interpretativo e ideológico que lhe dá a redacção do Público que de todo recuso - a transformação do holocausto numa identidade a-histórica impossível de interpretar fora do quadro de uma determinada leitura disfarçada de intangibilidade moral.

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© José Pacheco Pereira
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