ABRUPTO

19.8.06


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 19 de Agosto de 2006


A melhor maneira de entender o Diário de Notícias é ler o french kissin'.

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A ERA DOS ENGRAÇADINHOS. Enquanto os baby boomers se agarram aos anos terminais do seu poder (veja-se o Público de hoje), os seus filhos da "geração rasca" deram origem a uma era dos engraçadinhos. Ser engraçadinho está muito bem representado nos blogues, e vai a par com os Morangos, a Floribela e a nova Gente, no modo actual de ser leve e fácil e borbulhante e popular.

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Lendo a imprensa impressiona como é cada vez mais forte o derrotismo puro, em versões brutas ou sofisticadas, mas derrotismo. Não sou particularmente optimista por sistema, bem pelo contrário, não costumo tomar os meus desejos por realidades, mas também não gosto de dar a pele quando querem tirar-ma e o espantoso é que mil e uma variantes do better red than dead circulam por aí. A forma mais peculiar do derrotismo é a de achar que tudo está mal, mas também não há nenhuma receita para ficar bem. Os que agem (EUA, Reino Unido, Israel) fazem tudo mal e só agravam o problema; os que não agem (França. UE, “comunidade internacional”, ONU) fazem também tudo mal porque não agem. Bem faz o Irão, o Hezbollah, a Al Qaida, o Hamas, e, numa versão mais caseira, os émulos de Zapatero.

Isto vai durar sempre? As minhas últimas reservas de optimismo alimentam debilmente a esperança de que não, em grande parte por um argumento ad terrorem: as coisas ainda vão piorar muito, muito mesmo, e pode ser que a catástrofe possa ser salvadora. Não é garantido, mas é uma esperança. Entretanto a tribo dos últimos moicanos continuará a ser dos últimos moicanos. Até ao último.

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De facto, caso se estivesse a compor um guião ou um argumento acerca do fim da Civilização do Ocidente, ou um daqueles livros de teorias conspirativas estilo Dan Brown, não faltariam acontecimentos onde se poderia buscar inspiração.
O problema é que estamos a viver uma realidade nada auspiciosa para a Democracia Ocidental, os Direitos Humanos e todas as conquistas do Humanismo .Afinal a história não tinha mesmo acabado com a queda do muro de Berlim e não estamos num filme.
A perda de valores, de convicções, de determinação, o relativismo, os ódios ideológicos entre uma Direita muda e uma Esquerda órfã , a terciarização das economias Ocidentais, o hedonismo, são sinais preocupantes .Afinal o perigo não está perfeitamente assumido e apercebido. Para uns são o dito terrorismo global inspirado em leituras distorcidas do Corão e a proliferação nuclear, para outros no Ocidente é o EUA e o Presidente Bush. Esta divisão é muito acentuada, e aparentemente inconciliável .Ao contrário do que espera, não creio que o continuar dos atentados vá consolidar uma oposição una e firme. Acho que as recriminações e as acusações ficarão em casa, com todas as justificações mirabolantes. A lassidão e tibieza prosseguirá, e só se espera que não dê em novos Muniques e Sudetas.Mas os tempos são outros.
Cedências em nome do relativismo e do politicamente correcto ocorrem em todo o Ocidente, a complacência com que se observa a violação dos mais elementares direitos , o relativismo em nome de um derrotismo multiculturalista não são bons sinais. A falta de objectividade dos políticos, a parcialidade da imprensa .O medo de confrontar o outro por receio de ofender .
Os tempos não são nada auspiciosos. Juntemos o proselitismo, a baixa geral de natalidade no Ocidente, a alta pressão da emigração, as tensões internas daí resultantes no pressuposto e erróneo conflito direita-esquerda, a forte natalidade das comunidades emigrantes, a sua forte identidade aos costumes e suas leis de origem que consideram essenciais, a falta de referências de segundas gerações, e temos um caldo de cultura muito perigoso.
Um novo fascismo se aproxima, e este utilizará o sistema de um homem um voto em seu proveito. A História deveria levar os povos a pensar. Nunca as portas de Roma estiveram tão perto de voltar a cair.

(António Carrilho)

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© José Pacheco Pereira
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