ABRUPTO

15.7.06


COISAS DA SÁBADO:
SOLIDÃO QUEM A TEM CHAMA-LHE SUA: UMA EXPOSIÇÃO ÚNICA DE UM PINTOR ÚNICO

http://www.unex.es/unex/servicios/comunicacion/archivo/2004/052004/19052004/art1/Image00012427A exposição não está num dos espaços mais nobres da Gulbenkian , com luz e árvores ao fundo. Está numa cave ao lado dos auditórios. E, num certo sentido, esta escolha menor pareceu-me muito apropriada para exibir aquilo que é a mais completa exposição de Domingos Alvarez, o pintor galego do Porto. Aqueles quadros e desenhos, todos de muito pequena dimensão, cabem bem nos fundos da Gulbenkian e o seu mundo sinistro ainda cabe melhor.

Alvarez é daqueles pintores que parecem dar razão à negação do biografismo que os estruturalistas exigiam. Vamos para a biografia, aos tempos e aos sítios, e os quadros parecem mais triviais, cenas de pequenos entes à porta de tabernas, bêbados, cangalheiros, escriturários tristes em roupa que já não se usa. Este mundo estava à porta de casa de Alvarez, e ele pintou-o como ele estava. Mas quero lá saber da verosimilhança, é em Kafka que penso a ver os quadros de Alvarez, é em coisas universais, muito longe das ruas interiores do Porto que ele retratou, das tabernas e das fábricas, dos moinhos de Castela, da morrinha galego-minhota que parece estar a cair nalgum lado, mesmo quando os seus gnomos trazem guarda-chuva. Também pouco me cuida que Alvarez fosse culto ou não, que a sua pintura e os seus desenhos reflectissem uma história da pintura, um expressionismo irónico, ou um minimalismo trágico ou coisa nenhuma, uma espontaneidade genial e bruta. Não quero de todo saber, pelo menos para já. Quero ver.

A pintura de Alvarez não é ingénua é metafísica. Aqueles homenzinhos patéticos, reduzidos a símbolos torturados ou hirtos são os homens do século XX, mais números do que homens, mais ícones do que homens, mais vírgulas e pontos numa paisagem do que coisas que agem. Por isso, volto a Kafka, porque foi Kafka que primeiro nos mostrou que os homens do século XX iriam ser assim, andando como John Cleese com passos de "silly walk", no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder.


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RETRATOS DO TRABALHO EM GDANSK, POLÓNIA


Fotojornalistas.

(José Manuel Fernandes)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: UM CASAL

http://ec1.images-amazon.com/images/P/3791335871.01._AA240_SCLZZZZZZZ_V58488350_.jpg

No livro de Peter-Cornell Richter, Georgia O'Keeffe and Alfred Stieglitz, uma das mais expressivas fotografias de um casal.

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EARLY MORNING BLOGS

818 - Mélange adultère de tout

En Amerique, professeur;
En Angleterre, journaliste;
C'est à grands pas et en sueur
Que vous suivrez à peine ma piste.
En Yorkshire, conferencier;
A Londres, un peu banquier,
Vous me paierez bien la tête.
C'est à Paris que je me coiffe
Casque noir de jemenfoutiste.
En Allemagne, philosophe
Surexcité par Emporheben
Au grand air de Bergsteigleben;
J'erre toujours de-ci de-là
A divers coups de tra la la
De Damas jusqu'à Omaha.
Je celebrai mon jour de fête
Dans une oasis d'Afrique
Vêtu d'une peau de girafe.

On montrera mon cénotaphe
Aux côtes brûlantes de Mozambique.


(T.S.Eliot)

*

Bom dia!

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14.7.06


PARA QUE FIQUE REGISTADO 2



Parece que o Parlamento Europeu quer ouvir o actual MNE, o director do Instituto Nacional de Aviação Civil, Luís Almeida, o director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Manuel Jarmela Palos, e o director-geral do Serviço de Informações de Segurança, Antero Luís, a propósito da obscura questão do "caso dos voos da CIA". A proposta é de Ana Gomes (tinha que ser) e obteve a complacência de Carlos Coelho, em ambos os casos tomando muito infelizes atitudes, para não dizer outra coisa. Espero bem que os nossos responsáveis nas áreas mais sensíveis da nossa política externa e segurança nacional digam claramente que não, que não aceitam este tipo de intromissões do PE num estado soberano.

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BIBLIOFILIA: UMA COLECÇÃO POPULAR



Volumes da Colecção "Novela", uma das muitas séries de publicações populares existentes nos anos cinquenta e sessenta.

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PARA QUE FIQUE REGISTADO



Há dias escrevi o seguinte:

"Se em cada medida de política se escolher a que mais nos dá liberdade, política, social, económica, cultural, é esse o caminho. "

A proposta de reforma da segurança social apresentada por Marques Mendes em nome do PSD no último debate parlamentar vai neste sentido e é de louvar. Significa uma mudança política no presente e um compromisso para o futuro, que não devem ser ignoradas por razões sectárias. É socialmente mais justa e é perfeitamente exequível. E, mesmo não sendo puramente liberal, é mais liberal, dá mais liberdade. Corresponde ao "caminho".

Se o Primeiro-ministro e o governo tivessem argumentado contra esta proposta defendendo o seu modelo em termos ideológicos, vá que não vá. Agora, para mais com a arrogância monumental que todos lhe permitimos, a começar pela comunicação social, é absurdo que se responda com a minudência da retórica parlamentar de "que a proposta veio tarde demais", quando se está em pleno período de discussão, o que mostra como é difícil ter espaço público para propostas alternativas, sérias e pensadas. Sim, a começar pela comunicação social, que tende a repetir o discurso governamental em matéria de segurança social, apresentando-o como "inevitável", e a minimizar as posições alternativas, fazendo eco da displicência quase insultuosa de discursos como o de Sócrates, Santos Silva e Alberto Martins no debate do "estado da nação". Como é que se discute se tudo o que faz o governo nos é servido como "inevitável"? Sinal dos tempos. Pensamento único.

*

Agora, sobre o seu texto acerca da reforma da Segurança Social proposta por Marques Mendes. Claro que é uma boa idéia que merece ser discutida e, na minha opinião, implementada.

Trata-se de uma variante da idéia que presidiu à reforma da Segurança Social no Chile em 1980 sob a direcção do então ministro do trabalho, José Piñera, e que entretanto tem vindo a ser adoptada, numa ou noutra das suas variantes, em outros países.

Para a história da idéia, sua implementação e avaliação de experiências concretas da sua aplicação, comece talvez por aqui.

(P. Arroja )

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RETRATOS DO TRABALHO EM MEM MARTINS - LISBOA, PORTUGAL


Pinturas de rua e o “Rei dos alhos” em Mem Martins a maior freguesia de Portugal.

A banca está mesmo ali ao lado.

(RM)


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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:



FUTEBOLÂNDIAS DIVERSAS PARA UMA ANTROPOLOGIA DO FUTURO

Há uma enorme vantagem em usar o pretexto da Futebolândia para recordar os verdadeiros problemas do País. É que escrevendo sobre a Futebolândia, toda a gente lê. (É como convocar uma peregrinação a Fátima para o dia 13 de Maio, ou fazer um apelo aos Futebolandeses para irem receber a selecção nacional ao Estádio).

Mais vantagem ainda há em escrever sobre a Futebolândia para dizer mal dela. É que nós não gostamos de ser apanhados a divertir-nos quando devíamos estar a trabalhar. E a repreensão marca, maça, chateia, em suma!

(RM)

*

E' um alivio ver terminar o mundial. Porque tambem aqui no reino unido e' zidane q abre os jornais. A bbc (a quem se fazem apologias constantemente, nao sei
porque) contracta um italiano para ler os labios do jogador do mesmo pais para saber q insultos magoaram zidane. Enquanto isso morrem britanicos no Afeganistao. Enquanto isso o Iraque... nem sei que dizer... Quem faz servico publico? Eu acho que apenas o "channel 4", pelo menos na informacao. Porque a bbc alem de futebol tem Ascot e o Wimbledon (para outras classes...)

(Miguel Filipe Cortes da Silva)

*

Interesso-me pouco por futebol, e pouco tenho pretensões de perceber.
Interesso-me pouco por futebol e, por isso, poucos jogos vejo e, por isso, custa-me avaliar se os jogadores portugueses são piores ou iguais aos outros no que toca a simularem faltas, isto é, em batota para tentar prejudicar o adversário. Tenho dúvidas de que os comentadores estrangeiros sejam tão descarados como os portugueses a elogiar essas mesmas faltas, mas, como digo, interesso-me pouco por futebol e, por isso, nunca ouvi um relato feito por estrangeiros e, por isso, não posso garantir a bondade das minhas dúvidas. Interesso-me pouco por futebol, mas, por vezes, leio uns textos do Francisco José Viegas, ou do bloguista "Maradona", ou, como me aconteceu na semana passada, oiço uns podcasts de gente divertida e inteligente a discutir futebol (no site do Daily Telegraph), e interrogo-me se não estarei a perder qualquer coisa. E lá vou tentar ver mais um jogo, tentar apreender as subtilezas do beautiful game. No Domingo vi a final do Mundial, aos bocados, que aquilo era subtil de mais para mim. Mas vi a parte em que o Zidane dava uma cabeçada num italiano. Na Segunda-Feira, oiço nas notícias que o Zidane pode vir a ser eleito, oficialmente, o melhor jogador do Mundial. De algum modo, a beleza do beautiful game escapa-me mais uma vez.

(Frederico Pinheiro de Melo)

*

Na verdade, não moro em Portugal, ou Futebolândia, se o quiserem. Só que não me parece que a importância que o futebol têm em Portugal seja de modo algum superior à que tem noutros países. Dado ser o país pequeno que mais se destaca no futebol internacional, diria até que a importância é pequena quando comparada às Futebolândias estrangeiras.
Tem-se escrito como seria preferível Portugal ser melhor noutras coisas. Talvez... ou talvez não. Dada a importância que o futebol tem no mundo inteiro, estes 6 jogos de futebol foram a melhor publicidade que alguma vez poderia ter sido feita ao nosso país. Acham que o Scolari ganha muito? Invistam esse dinheiro em outdoors pelo mundo e vejam se é tão bom investimento.

Parece que ninguém se lembra...a memória é curta. Eu ainda não tenho 30 anos mas quantas vezes ouvi: "Portugal é na Europa?", "Portugal é uma cidade/província espanhola?", e isto de europeus; imagino a total ignorância sobre Portugal no resto do mundo.

Depois deste Mundial, Portugal é um país que todo o mundo conhece, criancas de todo o mundo teem como ídolo o Cristiano Ronaldo, homens e mulheres de todo o mundo admiram o Figo (de formas diferentes). 78% dos votantes no site da FIFA elegeram Portugal como a equipa mais divertida de ver jogar - sao muitos milhares de pessoas, a maioria chineses! Os países grandes, em geral, passaram a ter-nos raiva, em vez do desprezo sobranceiro. Os espanhóis já dobram a língua, e os brasileiros olham-nos com surpresa e admiração - de repente, notam os "laços que sempre existiram entre as duas nações".
E não é só o futebol. A boa aparência, o profissionalismo e a personalidade que os jogadores portugueses demonstraram neste Mundial vão ficar por muito tempo associadas à ideia de Portugal.

Imaginam as consequencias económicas disto? "Made in Portugal" já não é sinónimo de "Made in Albânia". E as consequências na auto-estima de cada português? "Afinal a fartura em Portugal não tem que ser pior que a fome de fora, quem sabe eu não consigo fazer bem a minha actividade?". Para não falar na alegria e melhoria económica que esta nova imagem de Portugal possibilita aos portugueses emigrados.

Deixemos de parte os orgulhos intelectuais e uma "objectividade" que ignora a raíz do coração humano. Viva a histeria futebolísitica, viva Portugal, e aproveitemos para capitalizar no sucesso dos nossos futebolistas!!

(Rodrigo Gouveia-Oliveira)

*

Meteoro...lógica

Como habitualmente, ontem, os noticiários da RDP incluíam informação meteorológica.
A novidade era ficarmos a saber as temperaturas do ar em... Munique - onde jogava a selecção.

(C. Medina Ribeiro)

*

Há 2 anos, em pleno Euro 2004, eu trabalhava como operador de Call Center numa empresa de telecomunicações. Um dia, recebi uma chamada de um cliente a pedir o "toque do Hino da Selecção" para o cartão do seu telemóvel. Como procedimento da empresa, reformulei o pedido do cliente, perguntando se seria o "toque do Hino de Portugal". O cliente respondeu de imediato, parecendo um pouco aflito: "não, não, do Hino da Selecção!", talvez receando que fosse enviado para o seu cartão um toque diferente do desejado (obviamente, é o mesmo). Este cliente não queria confusões!

(Pedro Marques)
*

Estou um pouco estupefacto pela importância que você dá ao futebol. Embora seja criticando, a verdade é que dá!
Eu gosto de futebol. Sou sócio de um clube. Percebo que quem não entende de futebol -e manifestamente o JPP não percebe- pense que é estupidificante o tempo gasto exaferadamente com o futebol. Reconheço que há algo de irracional nesta febre do desporto. Mas convenhamos: você acha mesmo que o futebol aliena? Que é responsável por qualquer mel do país? Pela crise, o deficite, os tais funcionários a mais, os politicos medíocres? Acha que se não houvesse o campeonato do mundo os portugueses ligavam mais às remodelações? Que o país se rebelava com qualquer medida? Que alguém se indignava com as análises que comentadores e economistas fazem com a maior leviandade? Que alguém se importa com a forma como os jornalistas dão notícias sem o minimo de escrúpulos de as investigarem?
Estou um pouco farto de culparem o futebol da alienação do país e os funcionários das desgraças dos problemas de Portugal.
Vivemos um tempo onde o direito há revolta e à indignação não existem. Onde o facilitismo impera.
Já agora uma lição do futebol. Uma equipa de futebol constituída por jogadores medianamente bons e menos bons, está nas meias finais de um campeonato do mundo de futebol. A razão pode ser encontrada na gestão, na capacidade de liderança de um treinador . Tivesse o país alguns lideres assim e garanto-lhe que outra coisa seria Portugal.

(J. Leitão)

FÉRIAS NAS FORÇAS ARMADAS

Nem mais. Vamos chegar a Agosto e com a totalidade das unidades militares de férias, por exemplo. Não havendo ameaça à vista e ainda por cima com as últimas missões militares no estrangeiro entregues à GNR, as FA de férias.
Naturalmente, a maioria dos membros do governo estará, de férias, no MDN inclusive, ou com o novo Secretário de Estado a estudar os dossiers (para quê a substituição de há dias?).
Quanto ao flagelo dos incêndios, os últimos três anos parece não terem ensinado nada a ninguém. Quanto aos bombeiros mortos em combate, e para alem dos seus familiares, quem quer saber?
Cada militar em missões no exterior, se falecido durante a comissão, deixa à família um seguro de 50 mil euros, pago de imediato pela seguradora. Suportado pelo Estado, depois de na primeira missão (Bósnia, 1996), ter sido suportado por mais de 90 por cento dos interessados (pára-quedistas).
Quanto e que tempo depois, espera receber cada família dos bombeiros?
Entremos portanto de férias:
Com os aviões ligeiros e helicópteros da Força Aérea parqueados nas respectivas bases aéreas – dezenas de aparelhos.
Com os pilotos da FA, de férias.
Com duas dezenas de pilotos no Exército, que espera há anos por helicópteros, impedidos de voar pelas suas chefias! Estes estão de férias há anos!
Dispensados portanto de:
Termos o território do país permanentemente vigiado do ar durante o dia.
Termos nos meios aéreos em voo um comandante dos bombeiros, para a direcção e controlo dos destacamentos de bombeiros no solo, durante o combate aos incêndios.
De férias, a realidade surgirá lá mais para diante, cantando e rindo.

(Barroca Monteiro)

DO PATRIOTISMO EUROPEU


V. foi euro-deputado e por isso deve conhecer os "Eurobarómetros" (e até talvez se tenha divertido a ler as perguntas por vezes capciosas). Mas já viu o último, relativo à Primavera de 2006? Se não o tiver, eu mando-lhe um aqui de Bruxelas. Lá se diz, na pág. 51 da versão electrónica, que «pela primeira vez em dez anos, a percentagem de portugueses que acreditam que pertencer à União Europeia é positivo desceu para abaixo dos 50 por cento». Quando acabar o Mundial de Futebol, não será boa altura para falar nisto?

(E, já agora, não resisto a um aparte: também por cá houve uma profusão bacoca de bandeirinhas nacionais de várias cores. Mas nem no Berlaymont vi um único adepto a arvorar a bandeira azul com doze estrelas!)

(Manuel Costa)

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RETRATOS DO TRABALHO EM TIJUANA, MÉXICO



A fotografia mostra o trabalho de vendedores ambulantes na mais movimentada fronteira terrestre do mundo: a que separa a cidade mexicana de Tijuana do condado americano de San Diego. No regresso aos Estados Unidos, emigrantres, turistas, ou simplesmente trabalhadores mexicanos, esperam a sua vez para poderem passar a fronteira. No entretanto, outros tentam ganhar vida com as filas de espera.

(Fotografia tirada em Novembro de 2005 no lado mexicano por Luís Reino & Joana Santana.)

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VIVER HABITUALMENTE



O festival patriótico do futebol vai pouco a pouco entrando na normalidade. Os sindromas de abstinência continuam a manifestar-se, mas é só uma questão de tempo até a euforia dar lugar à depressão. Sozinhos, com o nosso pequeno mundo sem glória voltamos ao habitualmente, sem grandeza e quase sem esperança. Também a isto podemos fechar os olhos, uma especialidade muito nossa, mas a realidade tem muita força e o “material tem sempre razão”.

No rescaldo do rescaldo, o incidente do pedido de isenção fiscal para os prémios dos jogadores foi o primeiro sinal de que a nossa assustadora realidade estava bem ancorada por detrás da ilusão. De repente, os jogadores passaram de “heróis” a bestas que querem privilégios do fisco, esse tenebroso monstro que personifica melhor do que ninguém, junto com o subsídio, o Estado. A Federação Portuguesa de Futebol lembrou-nos que, mais do que “nacionais”, os jogadores são “profissionais” o que, aliás, é uma das razões do seu sucesso, e ousou quebrar o mito de que o dinheiro nada tem a ver com isto. E o dinheiro é hoje, na escala do nojo, muito pior do que o sexo. Os jogadores, que são na maioria dos casos trabalhadores qualificados no estrangeiro, seguem as regras do estrangeiro, as mesmas que fazem os emigrantes ter sucesso. Por cá a inveja social, a pulsão igualitária, a rasoira do mérito lá surgiram na sua plenitude, mostrando a hipocrisia de tudo o resto.

As reacções a tudo isto são interessantes e alimentarão muita antropologia vindoura. Ver-se-á um retrato muito interessante do Portugal 2006 que nenhuma sondagem, nenhuma votação, nenhum inquérito de opinião, revela com tanto rigor e primor. Intelectuais e povo, mostraram-se sem ambiguidades.

Os intelectuais é o que se sabe, tem uma longa tradição de justificar tudo. Tem uma outra longa tradição: escrevem quase sempre sobre si próprios e sobre o seu papel como conselheiros, consiglieri, sibilas e adivinhadores, mesmo quando parecem escrever sobre os outros. São muito sensíveis ao modo como a sociedade os trata e hoje a sociedade trata-os bastante mal, como o império das audiências na televisão, a queda de tiragens dos jornais, etc. revelam. A democracia e o acesso das massas aos consumos, incluindo os culturais, varreram-nos do seu papel e o longo lamento que fazem ouve-se em Andrómeda. São livres de me aplicar todas estas palavras, que é a maldição de quem as escreve, mas não há maneira de as escrever sem esse risco.

Uns, como não conseguem vencer o “povo” (e todos os intelectuais querem “vencer” o povo e quem disser o contrário mente) juntam-se a eles. Houve muito disso, houve quase só disso. Todos os dias dizem as maiores aleivosias contra o “povo” e contra os “portugueses”, mas chegados ao futebol tornam-se compreensivos e amáveis, “moscovitas” no sentido do poema de Pessoa, dão todo o dinheiro, do bolso onde tem pouco.

Outros, a espécie mais perversa, deu uma no cravo e outra na ferradura, com cinismo quanto baste, sempre preocupados em não parecerem nefelibatas mas homens comuns e colocando-se no melhor lugar, na bancada mais alta, acima dos futeboleiros e acima dos críticos do futebol. Na realidade. o único objectivo deste discurso é para criticar os críticos do futebol que só eles afrontam. Na verdade, odeiam mais os outros intelectuais do que o “povo” do futebol, a que tratam com complacência. Quanto ao futebol, fumam mas não inalam. No Inferno de Dante há um lugar para eles, o da acedia.

Sobra o “povo”, ou seja todos os que andaram estes dias em festa permanente. No “povo”, verifica-se mais uma vez uma velha suspeita que fazia as delícias dos “filósofos portugueses” dos anos do salazarismo nas suas elucubrações sobre a identidade nacional: os portugueses gostam de si próprios, estão de bem com o “rectângulo” para usar a expressão de Alberto João Jardim, não tem problemas com Portugal. Somos bons, vibraram em uníssono as almas e os corpos durante o Mundial, e, sabendo como somos bons, o Mundo do Mundial conspira contra nós impedindo-nos de chegar à nossa putativa grandeza de melhores do mundo. Há sempre um árbitro, um conluio, uma diferença de critérios. Há sempre uma conspiração pelo caminho para impedir o Quinto Império. Há sempre um estrangeiro momentaneamente mais poderoso que nós, que nos faz um Ultimatum.

Fazem falta, dirão os velhos do Restelo, os façanhudos de antanho que brandindo a espada apareciam em sonhos ao fidalgo da Casa de Ramires e que faziam a diferença entre o sr. Oliveira da Figueira do Tintim e Fernão Mendes Pinto e os seus companheiros. Mas, mal ou bem, é dessa raça que somos e esperamos sempre que um fantasma do passado nos venha redimir dos pecados da actualidade. D. Sebastião, claro está, mas um D. Sebastião que vem para um povo que o merece.

Mas isto não é eterno e pode estar a acabar. A última vez que andámos a matar-nos uns aos outros foi no imediato pós 28 de Maio, em que o conflito entre os “revolucionários nacionais” e os “republicanos” se fez de uma história violenta de revoltas com mortos, de deportações de exílios e de mudança maciça de cargos e prebendas. Não foi a mesma coisa que as lutas entre liberais e absolutistas, mas ao nosso nível ainda deu origem a umas centenas de mortos e a muita vida estragada.

Quero com isto dizer que há muito tempo que nos entendemos uns com os outros muito bem e o unanimismo do futebol mostrou-o mais uma vez. Nem a guerra colonial nos dividiu de forma significativa, nem quando durou, nem quando acabou. Nem o Império escapou a uma indiferença activa em que somos especialistas. Centenas de milhares de portugueses regressaram, esperavam-se os maiores cataclismos políticos, uma reedição dos pieds noirs franceses virando a balança política e zero. Os “retornados” vieram do nada e voltaram para o nada. O nosso sólido entendimento continuou firme e hirto.

Até um dia. E esse dia o futebol o escondeu de novo. É que a enorme plasticidade do nosso tecido social, a sua capacidade de absorver conflitos tornando-os moderados e macios, tem um preço. Esse preço é uma troca entre um Estado que não se reforma, que não só resiste à mudança como impede que nele caiba a mudança, e a moderação do conflito social. Greves a sério, pancadaria nas ruas, violência social não existem, como também não existem reformas que mudem o Estado. A vantagem de uma paga-se com o preço das outras.

Só que o modelo de onde emana esse tão eficaz estado-almofada está esgotado e o miolo da almofada vai escasseando deixando ver a dureza do catre. A globalização tirou-nos o bom ar português dos nossos tradicionais e queridos defeitos, que agora são cada vez mais apenas defeitos e isso confunde-nos. O futebol é é apenas ilusão, não tábua de salvação. O mundo à nossa volta é o do fecho da GM na Azambuja e não se resolve a pontapé na bola. O que torna o futebol muito mais do que futebol é o seu poderoso ingrediente de escapismo, a última coisa que precisamos em Portugal nos dias de hoje.

(No Público de ontem.)

*

O seu artigo de ontem do Público recordou-me duas notícias:

- Li há dias (não me lembro onde) que um estudo feito às participações da Selecção Inglesa nos mundiais de futebol revelou que os mundias onde aquela selecção passou dos quartos-de-final foram precisamente aqueles que tiveram lugar em anos em que a economia do Reino Unido estava pior.

- Foi ontem mencionado na Sábado que os quatro países cujas selecções chegaram às meias-finais do último campeonato do mundo (Itália, França, Alemanha e Portugal) são precisamente os quatro países da União Europeia com défice mais elevado.

Curioso, não?

(José Carlos Santos)

*

Não sendo uma adepta de futebol, acho de facto excessivas as suas observações e análises. Como tem sido dito e como constatei directamente (porque vi o Mundial na Eslovénia e na Croacia) o entusiasmo com a sua futebolãndia era geral: nas capitais destes dois países (Ljubljana e Zagreb, esta última muitíssimo mais interessante do que a outra) as esplanadas, todas com um aspecto irrepreensível, tinham grandes ecrãs gigantes e ficavam absolutamente repletas em cada jogo. Também constatei que a equipa portuguesa tinha muitíssimos fãs, não só entre Croatas e Eslovenos, mas entre italianos e outros. Na altura, esta sensação era agradável.

O que é triste não é o entusiasmo com o futebol; o que é triste é que o futebol é o único indicador positivo sobre Portugal lá fora, mesmo que por vezes de forma injusta. Participei num congresso em Ljubljana sobre habitação: no plenário inicial, uma investigadora eslovena fazia uma comunicação sobre o panorama habitacional no seu país. Fez então uma análise comparada com Portugal, argumentando que era o caso mais semelhante. Estou perfeitamente convencida que terá utilizado dados com mais de 30 anos, pois, entre várias coisas, referia o seguinte dado: Portugal tem mais de 40% de casas sem casa de banho. Isto é positivamente falso. Mas, qual é a legitimidade de dois portugueses, num congresso com cerca de 1000 pessoas, em contra-argumentar? A questão é esta: o que é triste é o desinvestimento em Portugal nas outras áreas. Se, para apresentar uma comunicação num congresso internacional, um investigador tem que pagar parte das despesas do seu bolso...fá-lo pela sua carreira pessoal. Mas tem sempre, no seu dístico identificativo, o nome do seu país: PORTUGAL. Mas este nome é de facto um estigma a priori, sendo que o esforço que lhe é exigido para o desfazer é muitíssimo superior ao dos cidadãos de outros países europeus. Não é com iniciativas absurdas, como as da Associação dos Bolseiros de Investigação que se comporta numa lógica sindicalista, que vamos lá: é com dinheiro e com profissionalismo.

E já agora o fascínio que a equipa de Portugal exerce noutros povos europeus não é necessariamente positivo; pode muito bem ser revelador da vingança dos pequenos contra os poderosos. Relembro que o que é verdadeiramente escandaloso é o jantar no parlamento dos "deputados dragões" com direito a honras do presidente da assembleia.

(Sandra Marques Pereira)

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Você deve se o único que consegue manter-se indiferente ao futebol
Li o seu artigo, hoje, no público, e você está frio, rígido e indiferente a uma festarola genuinamente popular
Se puder explique-nos porquê que o escapadismo é mau, quando todos andamos à procura de escapar a qualquer coisa.
A próprio História, sua dama, pode ser a sua maneira de escapar ao "seu" presente ( ao futuro não direi, pois todos os sociologos/historiadores gostam muito de fazer as leis da história futura)
Essa de não aderir às emoções que inegávelmente o futebol gera (experimente ir a um estádio, nos dia de boom) deve ser um bloqueamento seu contra o popularucho.Porquê? Talvez um complexo de superioridade.

(Alice Nunes)

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EARLY MORNING BLOGS

817 - Señoras damas

eñoras damas. Resplandeciente virtud. Estrellas relumbrantes. Gloria de los cavalleros. Espejo de gala. Celestial hermosura. Exemplo de criança. Graciosa conversación. Leyes y mando en la tierra para dar vida y muerte y fama de inmortal memoria. Quién será tan ignorante que no conozca todo lo sobredicho ser poca alabança para tanto merecimiento. No ay ninguno que ignore que con mucha razón os podemos dezir señoras damas, pues soys tan señoras que no ay poder humano que sea poder delante el vuestro. Si no, dígame alguno qué poder humano ay en esta vida que pueda hazer una tan gran cosa como las damas hazen en mudar un hombre y hazelle todo otro de lo que es. Ninguno en este mundo podrá hazer de un covarde valiente ni de un avaro liberal sino estas tan poderosas señoras que mudan condición, ser y vida al hombre que por ellas es hombre. También con mucha razón os podemos dezir resplandeciente virtud. Pues siendo la mesma virtud, resplandecéys tanto en virtudes que cegáys a todos los ojos que con vicio os miran, como el rayo del sol a la vista humana, y days tan clara y fuerte vista a los ojos que con virtud os miran como tiene el águila mirando el rayo del sol. También con mucha razón os podemos dezir estrellas relumbrantes, pues pareciendo por la tierra entre la vulgar gente relumbráys como las estrellas del cielo entre las tinieblas de la noche. También con mucha razón hos podemos dezir gloria de los cavalleros, pues todo lo que parece trabajo por servir las damas es gloria. Que si la gloria es descanso de trabajos y contentamiento de vista y alegría de pensamientos, ¿qué otra cosa es el trabajo del cavallero sirviendo su dama como cavallero sino descanso? ¿Y qué mayor contentamiento en este mundo para la vista que ver una gentil dama? ¿Ni qué mayor alegría de pensamiento que veros servidor de quien os haze tan señor? No parece el señor ser tan señor ni el cavallero tan cavallero, sino serviendo las damas con tales servicios, que el trabajo se convierta en descanso y el mirar en contentamiento, y el pensar en alegría. También con mucha razón os podemos dezir espejo de gala, pues nunca se tiene el cavallero ni es tenido por perfecto galán muy bien aderesçado de cuerpo y de alma, sino quando las damas dizen que lo es. Pues si el cavallero no es galán si las damas no lo dizen, con mucha razón las podemos tener por la misma gala, pues el buen parescer dellas es espejo de gala, donde nos avemos de mirar para parescer bien. También con mucha razón hos podemos dezir celestial hermosura, pues ninguna hermosura parece tanto ser venida del cielo como la de las damas y señoras. Que aunque toda hermosura es criada por el criador de todos, en las damas se paresce más aquello que dize: signatum est super nos lumenvultus tui domine.

(Luis Milán, Libro de motes de damas y caballeros)

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Bom dia!

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INTENDÊNCIA

Actualizadas as notas NUNCA É TARDE PARA APRENDER: MAIS DIAS DO FIM e DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E NÃO UMA SÓ.

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13.7.06


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 13 de Julho de 2006


Sobre o nosso estimado Rocketboom (que agora recebo no iPod) e as suas atribulações:
Não sei se tem acompanhado a recente saída da "nossa" Amanda Congdon do Rocketboom. É muito interessante verificar como é que uma saída aparentemente pacífica (na versão "oficial" dada inicialmente pelo proprietário do blog) rapidamente se tornou num acontecimento nacional nos EUA, com destaque na CNN, WPost, NYT, NBC News, TimesOnline, etc.. Outro facto interessante, é a grande dificuldade em distorcer factos perante os actuais recursos tecnológicos. O proprietário (em 51%) e sócio da apresentadora (49%) do blog em questão veio dizer que esta tinha querido ir para LA para prosseguir a sua carreira em Hollywood, o que em si mesmo era imcompatível com a manutenção do programa, sendo imediatamente desmentido no próprio blog da apresentadora (www.amandaunboomed.blogspot.com), no qual, através de um vídeo, a mesma apresenta a sua versão dos factos.

Tudo isto é imediato, sem filtros, sem grandes tratamentos. Acho que seria interessante referi-lo como mais uma demonstração das tendências actuais dos media, realçando a importância dos blogs. Nesse sentido, há uma entrevista muito interessante (penso que com data de ontem) feita pela NBC News a Amanda Congdon, na qual o entrevistador lhe pergunta o que a atrai nos novos media, por comparação com os "velhos" media. A resposta é peculiar. Veremos se ela se transfere para os "velhos" media, arrastando consigo uma legião de 300.000 leitores/ espectadores e, se for esse o caso, por quanto tempo os consegue manter num formato diferente.

(Rui Esperança)

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DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E NÃO UMA SÓ
[Continuação e actualização]




O estado não é uma pessoa de bem... Exige juros de 7% e paga 2%, exige dívidas mas deve, e o mais perto que alguém esteve de admitir esse facto foi o ex. Primeiro Ministro Santana Lopes quando disse "O estado é uma pessoa de bem". Como dizia alguém (Madeleine Albright ?) ‘O contrário da verdade já é suficientemente próximo da verdade’. Ora como podemos continuar a insistir na hipócrita ideia de que o estado pode e deve reger-se por leis diferentes das que aplica a todos os outros cidadãos !

(Luis Filipe)

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Sob todos os aspectos o Estado é caloteiro; na sequencia dum despejo,foi accionado (apos 4 anos em tribunal) o fiador . Este foi obrigado a pagar a quantia em divida (sou um senhorio cheio de sorte) num prazo de um mes. Adivinhe quanto tempo demorou o tribunal a transferir a verba paga ? Eu ajudo - 3 (três) anos ! Acha que recebi juros ? Deixo-lhe esta para adivinhar agora sem ajuda...


(A.Noronha)

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Quanto à lista dos devedores ao Fisco, e dentro do debate que vem a ser efectuado no ?Abrupto?, ocorre-me perguntar: para quê? O que é que se pretende atingir com semelhante medida? Que eu saiba, Portugal é um Estado de Direito, o que significa que na sua relação com os cidadãos se tem que pautar por formas e critérios de Direito - e apenas por esses. Se existem dívidas, essas dívidas devem ser reembolsadas, mas tudo quanto o Estado está legitimado para fazer é, junto dos cidadãos em falta, insistir e, sendo o caso, diligenciar pela sua regularização. Para o reembolso, ainda que coercivo, de dívidas, ainda que fiscais, existem procedimentos jurídicos institucionalizados, e são esses, e apenas esses, que podem ser usados. E para além do Estado, que é o credor, não vejo a quem mais possa interessar saber, se o cidadão A ou B ou C deve alguma verba ao Fisco. Ao cidadão o que interessa é que o Estado tenha as suas finanças em ordem, e não o motivo pelo qual as não tem. Esta publicação de listas tem, obviamente, uma finalidade infamante. Porém, a infâmia não é um meio jurídico admissível num Estado de Direito, seja para atingir o fim que fôr. Mesmo que o Estado se debata com problemas de organização ou de carências em pessoal e instalações, ainda assim a infâmia não consta do elenco dos recursos jurídicos disponíveis.

Este procedimento traduz-se afinal em quê? Em lançar os cidadãos uns contra os outros, criando ressentimentos pessoais, fazendo dos cidadãos fiscais e juízes recíprocos, sem que para tal tenham a devida isenção, enquanto o Estado, que é o único responsável por se ter chegado a este ponto, se demite das suas próprias responsabilidades. O problema das dívidas fiscais- dito de outra forma, o problema do financiamento do Estado ? não se resolve com a publicação de listas infamantes. É muito mais difícil do que isso.

(João Alexandrino Fernandes)

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EARLY MORNING BLOGS

816 - ...paresçe que llorades vuestro daño e non amades al asno.

Léesse otro exiemplo.

Léesse en el Libro de los siete dones del Spíritu Sancto que un homne sancto religioso fue rogado que visitasse a una dueña, mujer de un grand príncipe que muriera, el cual, como viniesse a ella, díxole un tal exiemplo:

-En el mi monesterio havía un asno muy bueno e muy provechoso a los frailes del dicho monesterio, e acaesçió que vino un príncipe al dicho monesterio, e, como oyesse la bondat de aquel asno, quiso en todas maneras haverlo, e demandónoslo. E porque éramos mucho obligados a él, non podimos negarlo. E como los dichos frailes hoviessen grand dolor de la pérdida del asno, acaesció que aquel príncipe tornó una vez al monesterio e traxo consigo el asno, e como lo viessen los frailes más gordo e más fermoso e bien guarneçido de buen albarda e cubierta, començaron de llorar e haver grand dolor por él, más que hovieron de antes cuando le dieron. Entonçes díxoles un sabidor: "¿Por qué llorades assí aquel asno?, ca mejor come agora e más fuelga e menos trabaja. E, assí, paresçe que llorades vuestro daño e non amades al asno".

(Exemplos muy Notables, manuscrito 5.626 da Biblioteca Nacional de Madrid )

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Bom dia!

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RETRATOS DO TRABALHO EM CÔJA-ARGANIL, PORTUGAL



Profissão de “dorador” na área da conservação e restauro de arte sacra.

(Daniel Fonseca)

Etiquetas:


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12.7.06


TEORIA DAS CAIXINHAS - APLICAÇÕES JORNALÍSTICAS

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(Continua)

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TEORIA DAS CAIXINHAS - FONTES

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1. Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky-tacky,
Little boxes, little boxes,
Little boxes, all the same.
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same.

2. And the people in the houses
All go to the university,
And they all get put in boxes,
Little boxes, all the same.
And there's doctors and there's lawyers
And business executives,
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same.

3. And they all play on the golf-course,
And drink their Martini dry,
And they all have pretty children,
And the children go to school.
And the children go to summer camp
And then to the university,
And they all get put in boxes
And they all come out the same.

4. And the boys go into business,
And marry, and raise a family,
And they all get put in boxes,
Little boxes, all the same.
There's a green one and a pink one
And a blue one and a yellow one
And they're all made out of ticky-tacky
And they all look just the same.

(Malvina Reynolds )

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INTENDÊNCIA

Actualização de COISAS DA SÁBADO: DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E NÃO UMA SÓ.

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SCRITTI VENETI



Pormenor do túmulo de Joseph Brodsky na Isola de San Michele em Veneza: alguém deixou um manuscrito numa pasta de plástico, pedrinhas, canetas, uma foto. Pequenas dedicações.

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11.7.06


SCRITTI VENETI




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COISAS DA SÁBADO:
DUAS LISTAS NEGRAS DO FISCO E NÃO UMA SÓ




Eu do Fisco quero a publicação de duas listas negras e não de uma só. Quero a dos contribuintes em falta para com o Fisco, e quero a do Fisco em falta para os contribuintes. Em bom rigor deveríamos ter uma lista permanente das dívidas do Estado aos seus concidadãos para se perceber até que ponto o estado não dá o exemplo que exige aos outros. E também quero responsabilidade na elaboração das listas, penalizações claras para os serviços que cometam erros, meios rápidos e drásticos para redimir informações falsas que afectem o bom-nome dos cidadãos. O Fisco é hoje um dos instrumentos mais eficazes para atirar para a lama cidadãos e empresas, por isso todo o cuidado é pouco e há males que são irremediáveis. Se querem usar armamento pesado, que penso ser legítimo usar para quem o merece, ao menos que usem do inteligente para minimizar “danos colaterais”.

Ah! E volto ao princípio, não se esqueçam que são duas listas. Duas listas. Duas listas.

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A propósito do seu post "Duas listas negras do fisco e não uma só", permita-me que lhe sugira uma terceira lista negra: a das dívidas do Estado aos Advogados oficiosos. De facto, estes desde Dezembro passado que não são pagos pelas diligências oficiosas que patrocinaram - o que, como é óbvio, afecta sobremaneira os Advogados mais jovens cujos rendimentos dependem bastante de tais serviços.

Não deixa de ser irónico tratar-se do mesmo Estado que, por via dos tribunais, condena os cidadãos que não cumprem pontualmente com as suas obrigações

(José Manuel de Figueiredo)

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"Eu do Fisco quero a publicação de duas listas negras e não de uma só".

Esta sua frase juntamente com os mailes dos seus leitores que se seguem, aconchegaram-me o espírito, uma vez que gradualmente (já há muito tempo) se assiste na blogosfera a um coro de vozes livres dando forma, sem estarem formatadas, ao repto de Pedro Arroja no Blasfémias - responder aos desmandos do Estado. Efectivamente, como repara um belga que conheço, residente em Portugal há muitos anos, ainda vivemos num sistema com tiques fascistas - fascista o Estado e fascistas os cidadãos porque ainda não conseguem (por defeito) insurgir-se contra ele - por medo, e quando as vozes se levantam, não são pacíficas - são de revolta, porque acho que, logo à partida, já sabemos que vamos perder.

As listas, as duas, aposto que hão-de ficar só pela intenção. Senão, há-de ver a luz do dia uma única e infâme.

(Maria Baldinho)

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Já que tanto se fala de Fisco e de futebol: Alguém sabe informar como vai o Totonegócio?

(C. Medina Ribeiro)

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(...)se em principio a lista de devedores será divuldada em algum portal da DGCI como por exemplo o das Declarações Electrónicas porque não criam os próprios credores o portal que reclama no seu artigo. Não seria talvez mais justo e responsável até para termos pelos um bocadinho de menor e melhor Estado de que toda a gente anda à procura.

(António Fonseca)

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Concordo em absoluto com a sua pretensão de o Fisco dever publicar duas listas negras e não apenas uma. Porém, em tudo isto há muito fumo. Relativamente às listas de devedores, parece-me relevante que a metodologia do Fisco na cobrança das dívidas assente no princípio de que os fins justificam os meios. O problema começa quando os fins são diferentes. Por exemplo, ao mais comum dos cidadãos, muito provavelmente da quase extinta classe média, a máquina fiscal é extremamente eficiente na cobrança das suas dívidas, nomeadamente através da retenção do reembolso do IRS. Por outro lado, as notícias que vêm a público é que, por exemplo, os clubes de futebol devem milhares de euros ao Fisco e aqui, para uns naturalmente, a máquina fiscal é tolerante. Esta "pequena" nuance pode não ser significativa para aqueles que gostam de futebol mas a mim parece-me exemplar na representação dos princípios de actuação do Fisco e que são sobretudo de discriminação. Sendo os fins diferentes, em termos de importância, os meios também são necessariamente diferentes. E sendo as listas de devedores um meio, estou curioso para verificar se de facto elas incluem o grupo dos "intocáveis". Por outro lado, o facto de o Fisco querer publicar apenas uma lista não é dissonante com o "ser português". Recordo-me de uma mercearia no norte do país ter colado na sua montra um papel com os nomes das pessoas que deviam mas de modo algum colou um papel com o nome dos seus credores. Normalmente, queixamo-nos de quem nos deve e raramente queixamo-nos a quem devemos. Quero com isto dizer que este método é unidireccional e tem claramente uma vertente ad hominem que é muito típica do "ser português". O processo consiste em criar na "vítima" sentimentos de vergonha, de culpa e de medo. E são precisamente estes sentimentos que levam a "vítima" a fazer tudo por tudo para pagar o que deve e recuperar o "bom nome" e a "honra". Os problemas começam quando o "fazer tudo por tudo" não chega. Isto leva-nos para outra conversa sobre a tolerância do Fisco mas isso por enquanto fica para outras núpcias. Resumindo, concluindo e baralhando, o que mais me inquieta é de facto o que está por detrás de tudo isto. E que ninguém vê. É o tal fumo. E o que está por detrás de tudo isto é a manipulação arrogante por parte do Estado com o fim último de nos aterrorizar a vida para sacar o seu legítimo quinhão. Na prática, convenhamos, é uma espécie de pré-contencioso muito mais barato. E para esta administração, os fins justificam qualquer tipo de meios. Desde que os fins sejam devedores, é claro.

(Ricardo S. Reis dos Santos)

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Ainda a propósito das listas, só o seguinte desabafo: acho detestável que um Estado que não consegue cumprir com as suas obrigações tenha uma autorização automática para inspeccionar as contas bancárias dos seus cidadãos-contribuintes perante qualquer, sublinho, qualquer incorrecção verificada por parte destes. Não é certamente o mais importante, mas uma das coisas que prezo é a discrição no que concerne à minha (e dos meus) situação financeira. Isto é tanto mais verdade, quanto é comprovável que parte pelo menos significativa das vezes é o próprio Estado a cometer incorrecções (que, justamente, podem levar - e levarão de ora em diante - à quebra do sigilo bancário). Como contribuinte respeitador, considero isto uma falta de respeito pelo direito à privacidade e discrição. Quem me garante a mim que os senhores funcionários das Finanças, ainda que obrigados a tal, não "brincam" com tais informações? Quem me garante a mim que o funcionário das Finanças que, por acaso, é meu vizinho e me conhece (e eu, que o conheço, não faço sequer ideia do que ele faz), por acaso também andou a verificar a minha situação financeira, só porque existe uma incorrecção de 10 ou 20 ou 100 ou 1000 euros relativa aos impostos do ano passado?

Como é óbvio, o sistema das autorizações judiciais não funcionava, pelo menos para o comum das situações. Não duvido, porém, que era a mais justa e respeitadora de um Estado de Direito Democrático (expressão cada vez mais vazia de sentido, devendo (voltar a) ser substituída por Estado-Polícia), só que, por incapacidade dos tribunais e de articulação destes com a administração fiscal, o Governo teve que optar por uma solução mais fácil e célere. Não importa se os direitos dos cidadãos ficam postos em causa. Mais uma vez são estes que pagam as incapacidades de funcionamento da máquina. Esta, porém, continua a alimentar-se a ela própria de forma voraz e incontrolável.

(Rui Esperança)

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Acabo de ler o seu blog e lamento que não se faça o que pede. Já agora o que pede, também, o leitor Nuno Dias. Não sou dos penalizados, mas privo com quem o é; inclusivamente conheço casos (plural) de quem tem de contrair empréstimos bancários para pagar o IVA devido, referente a facturas que o Estado não pagou no prazo, ou mesmo o IRS, se o ano fiscal mudou. Os juros ao banco não são pequenos e não é o Estado (devedor e sempre com as costas quentes) que os pagam. E nem todos têm liquidez para pagar os impostos e, simultaneamente, alimentar a família…

Duas listas. Diz bem: duas listas

(Gonçalo Wahnon)

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Enquanto se discute a publicção ou não da lista dos devedores ao Fisco, ninguém parecem preocupado pelo facto de ano atrás de ano o Estado restituir aos contribuintes pagadores fora de hora e sem a devida taxa de juro o imposto indevidamente cobrado Ou seja, ano a ano o Fisco não cumpre a legislação em vigor e, ao que parece, ninguém se sente atingido. De facto em Portugal, país corrupto e laxista, a Justiça só funciona para os pequeninos, os Grandes e os Poderosos não podiam estar melhor, nem na Colômbia...

(Alberto Fernando Sá Resende )

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A propósito das "listas",(...) não tem no Parlamento a mesma facilidade que há no PE de dirigir "perguntas escritas" e efectivamente obter uma resposta ? o regulamento permite-o ? seria interessante pedir uma destas listas.

(Manuel Pinheiro)

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Se me permite e a propósito da queixa que faz no seu blogue pedindo a publicação da lista de dívidas do estado a credores pela administração fiscal deixe-me dizer-lhe que não faz nenhum sentido. Uma coisa é o papel da cobrança de dívidas ao cidadão comum pelo orgão competente, outra coisa inteiramente distinta são as más práticas de gestão e o laxismo que exista por cada cada organismo como entidade autónoma e com capacidade para assumir compromissos. Este 'meter no mesmo saco' o 'monstro' Estado na análise política e na opinião pública em geral só vem trazer confusões a estas matérias que em nada servem a reforma da administração pública. Veja-se a título de exemplo o caso recente da reforma no ensino onde só se olhou para os 'casos' problemáticos e de muitas outras mudanças para as quais se relevam de imediato as más consequências que por vezes não passam de ser excepções a um caso geral. Neste tipo de clima terrorista e vago não se vai a lado nenhum e só saiem reforçadas as reacções demagógica. Como vai sendo hábito a demagogia costuma tomar logo de rompante a primeira palavra e frequentemente no mesmo modo fica-se também pela última. Isso é mau.

(António Fonseca)

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Se houvesse decoro não deviam publicar as listas de devedores ao fisco. Revelam que a Administração Fiscal não cumpriu o seu dever, que a legislação lhe confere. Esta situação é de todos os responsaveis políticos dos últimos anos. Mas, parece que em Portugal, cada partido que vai para o Governo, estava em Marte, e fica surpreendido com o que encontra no país. Haja decência!

Também gostava que fosse publicada a lista das dívidas do Estado às empresas e aos particulares, e para não ser muito exigente, dívidas superiores a um ano. Com certeza ter-se-ia de pedir aos credores essa informação, pois o Estado não a deverá conhecer nem está muito interessado, pois trata os Portugueses com arrogância. Desafio-o a pedir a economistas o estudo da influência desta situação na economia do País. Qual é a Empresa que pode pagar atempadamente aos seus fornecedores quando o cliente Estado se atraza com prazos superiores a 3 anos, e exige o pagamento dos impostos dessas dívidas.

Eu próprio sou credor dum Tribunal por peritagem efectuada à três anos.

(Dias Eugénio , Técnico Oficial de Contas)

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.. outras listas que eu gostava de ver:

Também gostava de ver a lista dos cidadãos com processos de licenciamento (comercial, ambiental, turísticos, etc) sem resposta atempada.
Conheço vários casos de investidores estrangeiros que acabaram por desistir de Portugal pelo tempo de demora a licenciar as actividades. Poderão não ser investimentos da dimensão de uma Opel, não ter dimensão para vir nos jornais. Mas são uma autêntica sangria. Não só no investimento estrangeiro que se perde como no nacional que definha.
Também gostava que houvesse um prazo para decisão de processos judiciais e que houvesse uma lista dos cidadãos que esperam essas respostas.
Sobre isto, penso que é dispensável exemplificar.
Também gostava de ver a lista de diplomas de regulamentação previstos em leis e decretos-leis e os respectivos prazos de elaboração e saber o tempo de incumprimento dos mesmos.
A título de exemplo, veja-se o art. 13º do DL nº 53-A/98, de 11 de Março.

(Nuno Dias)

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© José Pacheco Pereira
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