ABRUPTO

21.1.06


VER A NOITE 3


Um dia depois, tudo continua na mesma. Portugal profundo.

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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: PÓ DO OUTRO MUNDO


talvez pó que fez o nosso mundo, ou até pó anterior ao nosso mundo. O pó de que somos feitos, antes e depois.

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BIBLIOFILIA: AS EDIÇÕES TAUCHNITZ DE LEIPZIG



A arrumar uns livros apareceram-me dois ou três das edições da Tauchnitz. Qualquer pessoa que tenha contacto com bibliotecas, ou alfarrabistas com livros do início do século XX, já encontrou de certeza estes livros com uma capa simples e sóbria, baratos e abundantes, com textos de literatura inglesa. Nunca os tinha olhado com atenção, apesar de sempre ter gostado da sua simplicidade, e nem sequer reparei que se trata de edições alemãs de textos ingleses. Agora reparei e os pormenores tinham interesse. Por exemplo, este , apontando para o consumo europeu. Vim a saber depois que o barão Tauchnitz foi um pioneiro do pagamento dos direitos de autor, prática que não abundava nas edições publicadas no estrangeiro. Depois, o número espantoso de obras publicadas. Este do Emerson é o nº 4525 e, como se pode ver pela contra-capa, não eram propriamente junk books. A Tauchnitz publicou, entre 1847 e 1939, cerca de 5000 textos de autores anglo-saxónicos.

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INTENDÊNCIA

Actualizado o blogue ÁLVARO CUNHAL - UMA BIOGRAFIA POLÍTICA.

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RETRATOS DO TRABALHO EM TIMOR (ARREDORES DE DILI, HOJE)





Foto 1: Restaurante Ambulante.

Foto 2: Sr. Alfredo, ex-refugiado na Austrália, agora de Alfaiate, na estrada de Comoro - Díli.

Foto 3: Vendedores de Fruta, na estrada de Liquiçá - Díli.

(Amílcar Lopes António)

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VER A NOITE 2


Estava escuro, completamente escuro, noite como era a noite. No meio das ruas não se via nada, era fácil bater contra qualquer obstáculo. Tentei fotografar, sem qualquer esperança e com uma vulgar câmara digital, alguma coisa que mostrasse a noite, a estranheza. O resultado foi inesperado: a máquina fotografou a humidade, as gotas de água que reflectiram a luz breve do flash. Vagamente vê-se um fantasma de um pórtico. Esta claridade cinzenta está lá, mas só a máquina a via.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: O VOTO ELECTRÓNICO

Que é feito do voto electrónico?

Dado que as ideias são como as cerejas, a frase «Eu nunca tinha visto um programa Excel» (proferida, na passada sexta-feira, pelo senhor Procurador Geral da República) trouxe-me à lembrança, pelo motivo que adiante se verá, um outro assunto: o VOTO ELECTRÓNICO, tecnologia particularmente eficaz no combate à abstenção, dado que se destina, especialmente, a quem está longe da sua assembleia-de-voto ou incapacitado de lá ir.

Naturalmente, há muitas pessoas que receiam que, assim, o seu voto se possa transviar. É uma preocupação legítima; mas, quando fazem uma transferência pelo Multibanco, passa-lhes pela cabeça que o dinheiro possa ir parar aos bolsos de outra pessoa que não o destinatário? E quando indicam o seu NIB (para reembolso do IRS, p. ex.) imaginam que algum Zé-do-Telhado lhes roubará o dinheiro pelo caminho? Claro que não. Então porque é que receiam que um simples voto, enviado electronicamente por sistemas seguros mais do que testados por esse mundo fora (e, ainda por cima, sob controlo de todos os interessados), possa ir parar a quem não querem?

Em Portugal, antes das últimas legislativas, gastaram-se rios-de-dinheiro em protótipos e experiências; e, logo que o governo mudou… o assunto morreu, pelo que em pleno século XXI ainda são possíveis situações como a de um familiar meu que acaba de percorrer mais de 650 km para ir votar.

Uma parte da justificação para tudo isso tem de ser procurada na pecha portuguesa que nos leva a desprezar tudo o que foi feito anteriormente e recomeçar do zero. Há sempre alguém que, achando que todos os outros são idiotas, quer reinventar-a-roda - nem que ela venha a ser quadrada. Mas a maior parcela da explicação deve ser procurada, se calhar, junto de pessoas que proferem frases como a que no início se transcreve...

(C Medina Ribeiro)

*
Tem toda a razão no que diz respeito ao último parágrafo. Já agora o familiar -deste genero tenho alguns- deve ter-se mudado sem ter tido a "gentileza" de tratar de toda a papelada. Mesmo isto compreendo melhor do que ninguem: como estrangeira com toda a documentação em ordem, residente na minha vila de 3000 almas há mais do que 30 anos, incrita nos caderno eleitoral para cidadãos da UE desde o princípio, nunca conseguí ir a votos (europeias, autárquicas) sem que tivesse que esperar horas, porque a minha lista, da qual sou a primeira e, até agora, única inscrita, nunca está presente. Às vezes este país esgota a paciência mesmo dos mais entusiatas dele.

(MKL)

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RETRATOS DO TRABALHO 7


Operária têxtil atando fios quebrados no tear, Patterson, N.J. 1937

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EARLY MORNING BLOGS 704:
"BIEN PARECE (...) QUE NO ESTÁS CURSADO EN ESTO DE LAS AVENTURAS."


En esto descubrieron treinta o cuarenta molinos de viento que hay en aquel campo, y así como Don Quijote los vió, dijo a su escudero: la ventura va guiando nuestras cosas mejor de lo que acertáramos a desear; porque ves allí, amigo Sancho Panza, donde se descubren treinta o poco más desaforados gigantes con quien pienso hacer batalla, y quitarles a todos las vidas, con cuyos despojos comenzaremos a enriquecer: que esta es buena guerra, y es gran servicio de Dios quitar tan mala simiente de sobre la faz de la tierra. ¿Qué gigantes? dijo Sancho Panza.

Aquellos que allí ves, respondió su amo, de los brazos largos, que los suelen tener algunos de casi dos leguas. Mire vuestra merced, respondió Sancho, que aquellos que allí se parecen no son gigantes, sino molinos de viento, y lo que en ellos parecen brazos son las aspas, que volteadas del viento hacen andar la piedra del molino. Bien parece, respondió Don Quijote, que no estás cursado en esto de las aventuras; ellos son gigantes, y si tienes miedo quítate de ahí, y ponte en oración en el espacio que yo voy a entrar con ellos en fiera y desigual batalla. Y diciendo esto, dio de espuelas a su caballo Rocinante, sin atender a las voces que su escudero Sancho le daba, advirtiéndole que sin duda alguna eran molinos de viento, y no gigantes aquellos que iba a acometer. Pero él iba tan puesto en que eran gigantes, que ni oía las voces de su escudero Sancho, ni echaba de ver, aunque estaba ya bien cerca, lo que eran; antes iba diciendo en voces altas: non fuyades, cobardes y viles criaturas, que un solo caballero es el que os acomete. Levantóse en esto un poco de viento y las grandes aspas comenzaron a moverse, lo cual visto por Don Quijote, dijo: pues aunque mováis más brazos que los del gigante Briareo, me lo habéis de pagar.

Y en diciendo esto, y encomendándose de todo corazón a su señora Dulcinea, pidiéndole que en tal trance le socorriese, bien cubierto de su rodela, con la lanza en ristre, arremetió a todo el galope de Rocinante, y embistió con el primer molino que estaba delante; y dándole una lanzada en el aspa, la volvió el viento con tanta furia, que hizo la lanza pedazos, llevándose tras sí al caballo y al caballero, que fue rodando muy maltrecho por el campo.

(Cervantes)

*

Bom dia!

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20.1.06


VER A NOITE

Há várias horas que não há iluminação pública em vários quilómetros à minha volta. Nalgumas aldeias não há luz, pelo que enormes manchas de negro mergulham tudo, permitindo ver um magnífico céu de Inverno, brilhando no frio. As grandes constelações salientam-se da mancha da via Láctea. A sul, Orion domina como de costume. A poente a Cassiopeia, a norte as Ursas. Do chão começa a emergir uma névoa que apaga tudo, mas ainda vai demorar a chegar ao céu mais alto.

Passeio pelas casas brancas de cal, quase invisíveis no escuro. Está frio. Há cem anos devia ser sempre assim. Já não sabemos como é, a não ser nestas alturas.

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LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(20 de Janeiro de 2006)


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Apesar do kitsch, tem algum interesse: "I've collected thousands of inspirational quotes. It seems that nearly everything that can be said, has been said, simply and eloquently, in a way that can seldom be improved. Winston Churchill wrote, "Broadly speaking, the short words are the best, and the old words best of all." So, I collected "The world's best quotes in one to ten words."

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Retratos do trabalho na Índia enviados por SM.







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Contribuições para uma série de ícones à portuguesa digna dos livros da Taschen: sardinhas.





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Um Rocketboom mais sério, com uma reportagem sobre Aceh um ano depois.

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EARLY MORNING BLOGS 703

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Alembrava-vos eu lá?

MARIDO: E como!

AMA: Agora, aramá:
lá há índias mui fermosas,
lá faríeis vós das vossas
e a triste de mi cá,
encerrada nesta casa,
sem consentir que vezinha
entrasse por üa brasa,
por honestidade minha.

MARIDO: Lá vos digo que há fadigas,
tantas mortes, tantas brigas
e perigos descompassados,
que assi vimos destroçados
pelados coma formigas.

AMA: Porém vindes vós mui rico...

MARIDO: Se não fora o capitão,
eu trouxera, a meu quinhão,
um milhão vos certifico.
Calai-vos que vós vereis
quão louçã haveis de sair.
AMA: Agora me quero eu rir
disso que me vós dizeis.
Pois que vós vivo viestes,
que quero eu de mais riqueza?
Louvado seja a grandeza
de vós, Senhor que mo trouxestes.
A nau vem bem carregada?

MARIDO: Vem tão doce embandeirada.

AMA: Vamo-la, rogo-vo-lo, ver.

MARIDO: Far-vos-ei nisso prazer?

AMA: Si que estou muito enfadada.

Vão-se a ver a nau e fenece esta farsa.


(Gil Vicente)

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Bom dia!

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ANTES / DEPOIS



1.CAVACO SILVA GANHA À PRIMEIRA VOLTA

Se, no dia 22 de Janeiro, Cavaco Silva for eleito Presidente à primeira volta, como todas as sondagens indicam, ele próprio espera, e os seus apoiantes estão convictos, serão questões eminentemente "presidenciais" que ficarão na agenda política de segunda-feira. A primeira e a mais importante para marcar o tom do seu mandato, será a da situação do procurador-geral da República. Embora o actual Presidente mantenha a plenitude dos seus poderes nesta matéria, nunca tomará decisões sem ter em conta a opinião do candidato eleito, pelo que, de algum modo, Cavaco Silva já "presidencia" informalmente.

Para além das questões de emergência, Cavaco, por um lado, o Governo, por outro, e a oposição, por fim, terão que lidar com os efeitos políticos da sua eleição, em particular o novo equilíbrio do sistema político resultante da forte legitimidade de um resultado eleitoral deste tipo (vitória à primeira volta numas eleições em que teve cinco candidatos hostis que conduziram toda a campanha contra si). Num espaço de poder exíguo, haverá dois políticos eleitos com forte legitimidade oriunda do voto, Cavaco e Sócrates, o que não é isento de tensões, embora não seja líquido que essas tensões possam dar origem a conflitos a curto e médio prazo. A mais longo prazo já as coisas podem vir a ser diferentes, mas só um Presidente muito enfraquecido não teria esse problema.

Onde a vitória de Cavaco Silva terá repercussões imediatas é na oposição, colocando-a de novo no primeiro plano da conflitualidade política com o Governo, visto que, terminado o espelho de ocultação das presidenciais, será no confronto situação-oposição que se concentrará a dinâmica política. O que a oposição for capaz de fazer no próximo ano, em particular nas rupturas necessárias com práticas que conduziram PSD e CDS a serem maus exemplos da deterioração da credibilidade política, dependerá a estabilidade das suas lideranças.

Esta oposição enfraquecida necessita de ser ouvida pelo país, mesmo antes de o país acreditar nela, e mudar o sentido de voto. Por isso, nunca conseguirá sequer "fazer oposição" eficaz antes de dar sinais inequívocos de que pretende mudar as suas práticas. O único sinal que até agora deu resultado foi a atitude de Marques Mendes de recusar alguns candidatos que, sendo ganhadores a nível local, são "perdedores" a nível nacional, pela imagem negativa que davam ao seu partido. Foi um primeiro passo, saudado pela opinião pública, mas não chega.

A oposição precisa igualmente de mudar os seus partidos e as suas políticas, num processo simultâneo que, reconheça-se, é muito difícil de fazer quando há um longo período sem eleições à sua frente. Não pode ser nas urnas que as lideranças se fortalecem, pelo que partem muito enfraquecidas e continuarão por regra muito enfraquecidas, e não estou a ver outra maneira de mudarem a situação sem ser pelas reformas internas e pelo ganho de credibilidade. Para isso tem que evitar duas dificuldades imediatas. Uma é demarcar-se de vez do "santanismo" e do "portismo", produtos tardios e terminais do esgotamento do aparelhismo e da sua tentativa de redenção pelo populismo e que ainda "andam por aí". A outra é a afirmação inequívoca da autonomia da acção política partidária em relação a qualquer tentação de "condução" presidencial. Os problemas da oposição resolvem-se "em baixo", na vida partidária e parlamentar, e não "em cima", da presidência para os partidos. O contributo que Cavaco Silva pode dar para essa mudança na oposição, já está dado a 23 de Janeiro. A partir daí, a lógica do PSD e do CDS são distintas das do presidente Cavaco, e também eles lhe terão que algumas vezes dizer que não.

2. MÁRIO SOARES FICA À FRENTE DE ALEGRE OU VICE-VERSA

Escrevi já há muito tempo, porque na nossa vida política meses são séculos, que a questão de dinâmica política mais relevante que parecia estar por resolver nesta campanha eleitoral, era a de saber se iria ou não haver bipolarização nestas eleições. A dias de eleições, já se verificou que essa bipolarização não existiu: foi Cavaco contra todos e nem Soares, nem Alegre conseguiram de forma inequívoca aparecer aos olhos da opinião pública como "o" opositor de Cavaco. Esta foi a principal derrota da campanha de Soares, que foi conduzida apenas com esse objectivo central: mostrar que era Soares o anti-Cavaco, o único que lhe impediria o "passeio", e parece não ter resultado. Alegre terá descolado de Soares, sem contudo gerar um efeito de bipolarização com Cavaco, e, se tal se confirmar nas urnas, ficando em segundo lugar, dará um conteúdo quase trágico ao fim de carreira política de Soares. Soares ver-se-á recusado quer pelo eleitorado que prefere dar o "passeio na Avenida " a Cavaco, como ainda por cima será recusado pelos socialistas. O "soarismo" no PS, que já estava bastante enfraquecido antes das presidenciais - penso, aliás que este foi um factor que levou Soares a concorrer -, tornar-se-á então residual.

Saber se foi Alegre ou Soares que ficou em segundo lugar não é um problema de dimensão nacional, mas é um problema para o PS. Também não penso que no PS seja tão grave como isso, dada a autoridade do primeiro-ministro, mas consolidará de imediato uma oposição de esquerda dentro do partido, que se chegar ao voto parlamentar em matérias cruciais obrigará Sócrates a negociar para não encolher a maioria.

3. JERÓNIMO DE SOUSA FICA À FRENTE DE LOUÇÃ OU VICE-VERSA

Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã fizeram, do ponto de vista dos seus interesses partidários e como dirigentes políticos, excelentes campanhas, contrastando com o desastre que foi a intervenção do PS. As suas campanhas não foram directamente competitivas, visto que a área de crescimento do voto radical do BE é no PS e só residualmente no PCP. Por seu lado, o PCP tem seguido com Jerónimo de Sousa uma política de estabilizar o seu campo de influência e impedir a sua degradação. Naturalmente, ambos entraram em conflito mais com o Alegre e com Soares do que entre si.

Para saber até que ponto Jerónimo de Sousa conseguiu o que parece ter conseguido - travar a crise orgânica e de influência do PCP (interessante verificar a desaparição política dos "renovadores" que apoiaram Alegre) -, teremos que ver se fica à frente de Louçã, porque o PCP é maior do que o BE. Do lado do BE, estas eleições deram-lhe uma líder, uma face indiscutível, a de Louçã, o que num sistema político mediático é uma vantagem, mas não é líquido que não crie para a aglomeração sui generis do BE um novo tipo de problemas de equilíbrio interno entre fracções com diferentes tradições e práticas políticas. Até agora, o sucesso tem ocultado essa divisão, mas ela está lá. Um mau resultado de Louçã pode gerar tensões.

4. CAVACO NÃO GANHA À PRIMEIRA VOLTA E HÁ SEGUNDA VOLTA

Se tal acontecer, não vale a pena ir muito longe a não ser constatar duas coisas óbvias: uma é que Cavaco continua a ser, à partida, o candidato com melhores condições para ganhar as eleições presidenciais; a outra é que a ecologia da segunda volta lhe será muito hostil. Entrará muito enfraquecido na segunda volta, em contraste com a força com que entrou na primeira, e terá que defrontar dificuldades para que a sua campanha declarativa e proclamatória não está pensada.

(No Público.)

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19.1.06


COISAS DA SÁBADO: ALEGRE, QUE DIZER DE ALEGRE?



Todas as semanas tento descobrir alguma coisa que caracterize a campanha de Alegre e encontro sempre o mesmo: o tema da campanha de Alegre é a candidatura de Alegre, as suas razões, as suas vicissitudes, os ataques do PS, as aleivosias do “aparelho” do PS, e o hiper-elogio da grande coragem, do magnífico “acto de cidadania” que foi fazer uma candidatura nestas circunstâncias. Alegre apresenta-se sempre como “o homem que ninguém cala”, como se fosse o único na política portuguesa com essa virtude.

Depois há algumas coisas que foram esboçadas nos documentos iniciais da candidatura, um patriotismo “orgânico”, telúrico, histórico, identitário, que valeria a pena discutir, se tivesse tido algum desenvolvimento no quotidiano político da candidatura, e há o homem Manuel Alegre que, no cinzentismo dominante da nossa política, tinha mais corpo do que é habitual, voz alta, prazeres fortes, raízes, obra e vida. Mostrou moderação e gentlemanship, qualidades que partilhou com Jerónimo de Sousa e contrastavam com Soares e Louçã entre os opositores de Cavaco. Mas também isso ficou pelo caminho de uma campanha que nunca se ergueu de toda uma mitologia da “cidadania”, permanentemente auto-elogiosa, e demasiado presa ás suas circunstâncias para ganhar dimensão. Mas por que raio, em 2005-6, fazer uma candidatura dissidente no PS é assim uma coisa tão corajosa que justifique andar três meses a encher o peito?

Alegre na sua campanha acaba por gerar os efeitos contrários à mensagem que quer passar, porque sobrevaloriza o “acto de cidadania” que é, num partido democrático num país democrático, candidatar-se contra a liderança. Big deal. Estamos em democracia, o máximo que se pode perder são alguns lugares, posições e prebendas. Eu sei do que falo, talvez por isso não me incline para passar o tempo todo a dizer que isso é uma grande coragem. Coragem era antes, antes do 25 de Abril, ou no PREC, agora são peanuts. Pelo modo como está permanentemente a incensar-se Alegre acaba por desvalorizar a verdadeira coragem política, a favor de um acto de rebeldia, um pouco incómodo pessoalmente e desgastante, mas nada que Alegre não possa suportar como consequência da sua decisão de homem feito.

O segundo efeito desta candidatura é mais verdadeiro, e mais preocupante. Actuando o candidato Alegre nos “meios” PS e estando o PS no governo, o que Alegre nos diz é que nos partidos políticos, neste caso em particular no PS, o conformismo e a obediência são a chave para os lugares, as cunhas, os múltiplos serviços que um socialista pode tirar do seu partido no governo, para si, para o seu emprego, para os seus, para o filho que quer empregar numa autarquia, para a filha que quer ver numa repartição. Aí sim, a candidatura de Alegre revela o clientelismo partidário e os seus mecanismos, e esse é o “medo” de que ele está a falar. Não é do “medo” dos portugueses em apoiar a sua candidatura, bem vista por boas e más razões “à direita”, mas sim do “medo” dos socialistas com as represálias do seu partido. Quisesse Alegre ir mais longe por aqui e o seu discurso político teria utilidade, mas mesmo que o fosse, era pouco para uma candidatura presidencial.

*
O simples facto de a candidatura de Alegre por a nu os mecanismos de fidelidade canino-partidária e as punições que esse sistema impõe aos “rebeldes” é já em si um valor acrescentado. Não necessitei de ler o seu post para perceber que o medo de que Alegre fala não é o medo físico dos tempos da PIDE e do PREC, mas o medo “sociedade de consumo estatizada”. Com 50% do PIB a passar pelo directamente pelo Orçamento de Estado e 700.000 funcionários públicos (ao que há que acrescentar as empresas controladas pelo estado, GALP, CGD, EDP. etc., e as empresas municipais, entre outras) tornou- se fácil aos partidos criar uma cadeia de Estado-dependentes e com isso comprar a fidelidade canino-partidária dos seus dirigentes e militantes activos. E numa sociedade onde o status económico e o consumo de bens de ostentação se tornaram um forma de “cidadania” o medo de perder lugares e respectivas prebendas é tão ao mais poderoso do que o velho medo da PIDE. Só quem não quer perceber isto pode dizer “big deal / peanuts” face à atitude de Alegre e de alguns membros do PS que o apoiam. Como membro de um partido e tendo já tido ao longo da sua vida diversas fricções com a respectiva cúpula, você sabe bem do que Alegre fala. Pode não ser aos seus olhos tão nobre a coragem de enfrentar o medo da “sociedade de consumo estatizada” do que enfrentar o medo da PIDE, mas cada época tem os seus medos e as suas formas de coacção. Seria muito estranho que no inicio do Sec XXI e numa sociedade com quase 30 anos de democracia fosse o poder da força que imperasse e não formas mais subtis e sub-reptícias de influenciar os comportamentos. Você já se referiu diversas vezes essas novas formas de poder,a essas ditaduras “soft”, encapotadas, por isso não percebo porquê que agora desvaloriza quem as enfrenta por comparação com tempos e formas de poder que já lá vão. Para o bem e para o mal, nos tempos que correm é este tipo de desprendimento de relativamente a prebendas e benesses vindas do Estado que marca a coragem de enfrentar os interesses instalados à mesa do orçamento, e são poucos os que têm essa coragem. Há que valorizá-los.

(Miguel Sebastião)

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RETRATOS DO TRABALHO 6


Caillebotte, Os afagadores do soalho

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EARLY MORNING BLOGS 702

Couple Sharing a Peach


It's not the first time
we've bitten into a peach.
But now at the same time
it splits--half for each.
Our "then" is inside its "now,"
its halved pit unfleshed--
what was refreshed.

Two happinesses unfold
from one joy, folioed.
In a hotel room
our moment lies
with its ode inside,
a red tinge,
with a hinge.


(Molly Peacock)

*

Bom dia!

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18.1.06


RETRATOS DO TRABALHO 5



Max Liebermann, Oficina de sapateiro
(cortesia de Monika Kietzmann)

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RETRATOS DO TRABALHO 4



Repin, O Cirurgião E. Pavlov na Sala de Operações

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17.1.06


OBSERVAÇÕES PRESIDENCIAIS AVULSAS 2


Convém recordar aos senhores ministros que estão a entrar em campanha que, nas relações institucionais entre Presidente e Governo, não é só o Presidente que tem que respeitar os poderes do executivo, é também o Governo que tem que respeitar os poderes do Presidente. É que a estabilidade e o equilíbrio institucional dependem de ambos os lados e não de um só. Sócrates parece compreender esta realidade, Mário Lino e Santos Silva não.

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RETRATOS DO TRABALHO 3


Cândido Portinari, Café

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RETRATOS DO TRABALHO 2


Daumier, Puxando um barco

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RETRATOS DO TRABALHO 1


Valentin Serov, Lavando a roupa no rio

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EARLY MORNING BLOGS 701

¡QUEDITO!, NO ME TOQUÉIS...

¡Quedito! No me toquéis,
entrañas mías,
que tenéis las manos frías.
Yo os doy mi fe que venis
esta noche tan helado,
que, si vos no lo sentis,
de sentido estáis privado.
No toquéis en lo vedado,
entrañas mías,
que tenéis las manos frías.

(Romanceiro)

*

Bom dia!

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APRENDENDO COM MANUEL BERNARDES / ESOPO

No tempo em que o lobo e o cordeiro estavam em tréguas, desejava aquele que se oferecesse ocasião para as romper. E um dia, que ambos se acharam na margem de um regato, indo beber, disse o lobo mui encolerizado contra o cordeiro:
- Porque me turvais a água que eu vou a beber?
Respondeu ele mansamente:
- Senhor fulano lobo, como posso eu turvar a v.m. a fonte, se ela corre de cima e estou cá mais abaixo?
Reconheceu o adversário a clareza da solução do seu argumento; porém, variando de meio, instou, dizendo:
- Pois, se a não turvaste agora, a turvaste o ano passado.
Satisfez o cordeiro, dizendo:
- Como podia eu cometer esse crime haverá um ano, se eu não tenho ainda de idade mais que seis meses?
Então o lobo, enfadado tanto mais quanto mais convencido, disse:
- Pois se não fostes vós, foi fulano carneiro, vosso pai.
E investindo ao pobrezinho, o levou nos dentes.
Assim fazem os ímpios e maliciosos, a quem não há inocência que satisfaça, nem desculpa que contente. Porém os de coração pio e clemente até nos seus ofensores procuram achar motivos de comiseração e razões de desculpa.

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16.1.06


LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(16 de Janeiro de 2006)


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O que é que deu ao nosso bom Presidente para se "fotobiografar" vestido de "commander-in-chief", ao estilo de George Bush, na capa do livro?

*

No novo Diário de Notícias, que só agora pude ver em papel com atenção, e que está graficamente muito melhor, há aspectos interessantes ainda pouco notados. Por exemplo, na cobertura eleitoral das presidenciais, pela primeira vez na imprensa portuguesa é dado aos blogues um estatuto comunicacional de primeiro plano. Uma revista dos blogues tem o mesmo espaço da cobertura da televisão, o mesmo acontecendo nas citações com a imprensa tradicional. Bastava reparar nestes dois factos para se perceber a rápida mudança do panorama comunicacional que se está a dar e muitos não querem admitir.

*


Um vulcão que cumpre o seu dever: o Augustine no Alasca.

*

Histórias da globalização: os franceses mandaram desmantelar uma das suas velhas glórias navais, o porta-aviões Clemenceau, a um estaleiro indiano. Mas, vaso de guerra é vaso de guerra, e mesmo desarmado, o navio encontra dificuldades em passar por várias águas. E, chegado ao destino, não o deixam atracar porque transporta "matérias perigosas". A história no Libération.

*

Voltou.
Como no Abrupto se muda pouco, repito o que, há exactamente um ano, escrevi a propósito de outro feito espacial: "O Abrupto hoje é dedicado aos cientistas e engenheiros europeus e americanos que gastaram (?) vinte e cinco anos da sua vida a um projecto que dura meia dúzia de horas e que tem muitas probabilidades de falhar." O mesmo para os homens e mulheres do Stardust. A mesma dedicatória.

*

A RTP conseguiu fazer vários noticiários sobre o Dakar, inclusive o de ontem sobre o final da prova, sem dar a simples informação de qual era a classificação dos portugueses que concorreram. Pelos visto, informar, dar-nos os "hard facts" não é muito importante.

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EARLY MORNING BLOGS 710

MIS ARREOS SON LAS ARMAS

Mis arreos son las armas
mi descanso el pelear,
mi cama los duras peñas,
mi dormir siempre velar;
las manidas son oscuras
los caminos por usar,
así ando de sierra en sierra
por orillas de la mar,
a probar si en mi ventura
hay lugar donde avadar;
pero por vos, mi Señora,
todo se ha de comportar.

(Romanceiro)

*

Bom dia!

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15.1.06


COISAS DA SÁBADO (2):
UM MAU “GATO FEDORENTO” - LOUÇÃ E A “STAND-UP COMEDY”



Louçã começou a semana explicando-nos porque razão o estar em último nas sondagens era para ele “um grande estímulo”, ou seja, fez-nos rir. E continuou no seu estilo de stand-up comedian , levando uma frase ou um vídeo, ou uma gravação, normalmente de Cavaco Silva, para fazer umas graças e assim animar a sala. Deve ter percebido que o sucesso do “Gato Fedorento” lhe dava audiência, como aqueles deputados que já tinham percebido que passavam na televisão se contassem uma graça, ou tivessem uma frase assassina para dizer, porque o soundbite ama o ridículo alheio como pão para a boca, ama a frase engraçada como odeia o argumento.

O problema é que Louçã se toma tão a sério que não se enxerga no seu discurso moralista e self-rigtheous. Devia meditar no seu antecessor nestas graças assassinas, no populismo mediático, no título demolidor, Paulo Portas. Devia meditar na sua ascensão e queda. A uma dada altura, cai-se lá do alto, sem se perceber muito bem como, e fica-se insuportável para a plateia. A história está cheia de stand-up comedians assobiados e atingidos pelos guardanapos da sala.

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COISAS DA SÁBADO (1): "JERÓNIMO" NAS CAMISOLAS



Nesse dia (9 de Janeiro), no seu meio, numa velha terra meia rural, meia mineira, Jerónimo de Sousa mostrou como a força de resistência do comunismo português assenta numa identidade histórica, hoje muito no passado, mas que é presentificada pela figura do secretário-geral, pela primeira vez um que sentem como sendo “deles”. Cunhal era respeitado e idolatrado, quase como um santo, na fase final da vida quando a doença o distanciou das sedes partidárias e dos comícios. Jerónimo é no palco a incarnação da sala.

Pouca gente como Jerónimo de Sousa fala para a “alma” comunista muito para além da política. Ele é um dirigente comunista popular, o que não é tão comum como isso. Não é por acaso que as camisolas vermelhas dos seus apoiantes dizem um familiar “Jerónimo”, coisa que nunca aconteceria com “Álvaro”, com “Octávio”, com “Carlos”, com “António”. Em Aljustrel, sem ler um papel, como é seu costume quando fala de política, Jerónimo fala da pequena chama que sempre se mantém acesa mesmo nos momentos mais difíceis, usando o exemplo da clandestinidade, as velhas metáforas de alguém mais velho, mais experiente que nos dá a mão quando caímos, que nos mostra que há futuro quando tudo soçobra. Está a preparar o partido para a vitória de Cavaco Silva.

Jerónimo sabe a língua de pau e as convenções, conhece o partido de dentro e sabe como ele se move. Mas tem uma vantagem sobre muitos dos burocratas que não saem das sedes e das reuniões de organismos. Jerónimo conhece o eleitorado comunista, não conhece só o partido. Pode falar aos deficientes das Forças Armadas, dizendo naturalmente que também esteve na guerra (desobedecendo ás instruções do PCP, que pedia aos seus militantes que fizessem o serviço militar e depois desertassem), pode falar dos seus namoricos, da sua infância, do seu trabalho como afinador de máquinas. Conta que não podia ter o cabelo comprido, quando ele se usava entre os jovens, porque isso era incompatível com a higiene exigida numa fábrica, onde as máquinas sujam tudo de óleo, e onde é perigoso deixar-se “agarrar” por uma alavanca, uma roldana ou uma roda dentada.

Isto é o tipo de frases que só quem conhece o mundo fabril de dentro pode dizer, e que obviamente mais ninguém na primeira divisão da vida política portuguesa sabe ou pode dizer. É outro mundo, que os yuppies, os funcionários públicos, os estudantes da Católica, os jornalistas, os frequentadores do Lux, os “jovens” da JSD e da JS, os autores de blogues, não conhecem e não lhes passa pela cabeça que lhes digam que também “é a cultura, estúpidos!”.

Por isso Jerónimo de Sousa está a revelar-se o melhor líder para o PCP, – vejam até como os “renovadores desapareceram do mapa político –, na sua difícil sobrevivência e na sua mutação. Porque o PCP muda devagar, mas muda. Cunhal falava do partido para a História, Jerónimo fala do partido para os trabalhadores. Não é a mesma coisa, mas os tempos também são diferentes.

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LENDO / VENDO /OUVINDO
(BLOGUES, JORNAIS, TELEVISÕES, IMAGENS, SONS, PAPÉIS, PAREDES)
(15 de Janeiro de 2006)


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Novos descobrimentos: a poeira das estrelas chegou direita. Acabou de chegar. Bravo!


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Mil vezes que se repita, este "chapéu" continua a ser único: a galáxia do Sombrero.

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Agora que as histórias de plágio abundam, mais uma, americana e sulista, que começa numa improvável Tuscaloosa Public Library.

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EARLY MORNING BLOGS 709



E Tudo Vem a Ser Nada

Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa
Se julgando poderosa
No curto espaço da vida
Oh! que idéia perdida
Oh! que mente tão errada
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta montões de riqueza
E tudo vem a ser nada

Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade
Ali só reina bondade
Nesse mortal orgulhoso
Quer se fazer caprichoso
Vive de venta inchada
Sua cara empantufada
Só apresenta denodos
Tem esses inchaços todos
E tudo vem a ser nada

Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer
É somente para ter
Que ele se esmoreja
Às vezes chove troveja
E ele nessa enredada
Alguns se põem na estrada
À lama, ao sol ao chuveiro
Ajuntam muito dinheiro
E tudo vem a ser nada

Temos palácios pomposos
Dos grandes imperadores
Ministros e senadores
E mais vultos majestosos
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada
Temos também a espada
De soberbos generais
Comandantes, marechais
E tudo vem a ser nada

Honra, grandeza, brazões
Entusiasmos, bondades
São completas vaidades
São perfeitas ilusões
Argumentos, discussões
Algazarra, palavrada
Sinagoga, caçoada
Murmúrios, tricas, censura
Muito tem a criatura
E tudo vem a ser nada

Vai tudo numa carreira
Envelhece a mocidade
A avareza e a vaidade
E quer queira ou não queira
Tudo se torna em poeira
Cá nesta vida cansada
É uma lei promulgada
Que vem pela mão divina
O dever assim destina
E tudo vem a ser nada

Formosuras e ilusões
Passatempos e prazeres
Mandatos, altos poderes
De distintos figurões
Cantilenas de salões
E festa engalanada
Virgem donzela enfeitada
No goso de namorar
Mancebos a flautear
E tudo vem a ser nada

Lascivas, depravações
Na imoral petulância
São enlevos da infância
São infames corrupções
São fingidas seduções
Que faz a dama enfeitada
Influi-se a rapaziada
Velhos também de permeio
E vivem nesse paleio
E tudo vem a ser nada

Bailes, teatros, festins
Comédia, drama, assembléia
Clube, liceu, epopéia
Todos aguardam seus fins
Flores, relvas e jardins
Festas com grande zuada
Oiteiro e campinada
Frondam copam e florescem
Brilha, luzem, resplandecem
E tudo vem a ser nada

O homem se julga honrado
Repleto de garantia
De brasões e fidalguia
É ele considerado
Mas quanto está enganado
Nesta ilusória pousada
Cá nesta breve morada
Não vemos nada imortal
Temos um ponto final
E tudo vem a ser nada

Tudo quanto se divisa
Neste cruento torrão
As árvores, a criação
Tudo enfim se finaliza
Até mesmo a própria brisa
Soprando a terra escarpada
Com força descompassada
Se transformando em tufão
Deita pau rola no chão
E tudo vem a ser nada

Infindo só temos Deus
Senhor de toda grandeza
Dos céus e da natureza
De todos os mundos seus
Do Brasil, dos Europeus
Da terra toda englobada
Até mesmo da manada
Que vemos no arrebol
Nuvem, lua estrela e sol
Tudo mais vem a ser nada.

(Silvino Pirauá, autor de literatura de cordel.)

*

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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