ABRUPTO

17.9.05


SEGUREM-ME SFF 2

Muitos leitores acertam no Rubirosa, (que não está esquecido e de quem acabou de sair uma biografia de Shawn Levy, The Last Playboy: The High Life of Porfirio Rubirosa), nenhum até agora no Huey P. Long. E no entanto, são tão parecidos, são tão iguais. Mas, seguro eu estou na minha rocha.

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O QUE SE APRENDE LENDO OS JORNAIS



Muita defesa do indefensável Carrilho se lê nos jornais! Como, se ele é atacado? Simples: há uma linha clássica de defesa quando se comete uma asneira grossa e tão evidente que não vale a pena escondê-la, que é meter tudo no mesmo saco e dizer que todos cometeram asneiras. É educativo ver o tratamento editorial do debate tumultuoso entre Carrilho e Carmona, que qualquer observador na Terra ou em Sírius, percebe que foi muito mais um resultado do "estilo" Carrilho do que de Carmona, culminando em dois gestos antagónicos (cumprimentar /recusar o cumprimento) que revelam a abissal diferença, para ver que as asneiras de Carmona, que também as houve, não podem ser reduzidas a um injusto e igualizador “insultos de parte a parte”, ou outras variantes. Exemplos para não se dizer que não os dou: aqui, , aqui (João Pedro Henriques, Frente-a-frente resumido a um aperto de mão e a uma casa de banho, sem ligação) aqui (Fernando Madrinha, Bem podem prometer a lua..., sem ligação) e em muitos outros sítios. (Já agora não é segredo para ninguém que apoio Carmona, mas, se pensam que é por isso que escrevo o que escrevo, não vale a pena perderem tempo a ler o Abrupto.)

No fundo, não é novidade: quando Mário Soares se candidatou, subitamente os aspectos negativos incontroversos que foram apontados como óbices à candidatura de Soares, e que só ele suscitara, a idade, a falta de novidade, o "mais do mesmo", o bloqueio à renovação, etc., passaram a ser defeitos dos dois candidatos, Cavaco e Soares. Meter tudo no mesmo saco. Para se comparar veja-se como o elevado debate dos "sifôes", na Assembleia da Madeira, ficou a penalizar só um lado, Jardim, o "Jaiminho", o jumento, etc., poupando o PS/Madeira e não houve aí equidistância para se meterem os dois no mesmo saco.

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COISAS COMPLICADAS:
L'EN-DEHORS



Théophile Steinlen

"Celui que rien n'enrôle et qu'une impulsive nature guide seule, ce hors la loi, ce hors d'école, cet isolé chercheur d'au-delà ne se dessine-t-il pas dans ce mot : L'EN-DEHORS ? "
Zo d'Axa (Anarchiste n° 8 à 11, Julho a Outubro 1930).

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EARLY MORNING BLOGS 603

Meu corpo, que mais receias?


-Meu corpo, que mais receias?
-Receio quem não escolhi.

-Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro
O corpo torna-se inteiro,
Todos os outros ausentes.

Os olhos no vago
Das luzes brandas e alheias;
Joelhos, dentes e dedos
Se cravam por sobre os medos...
Meu corpo, que mais receias?

-Receio quem não escolhi,
quem pela escolha afastei.
De longe, os corpos que vi
Me lembram quantos perdi
Por este outro que terei.


(Jorge de Sena)

*

Bom dia!

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16.9.05


RESPONSABILIDADE, CREDIBILIDADE E CONFIANÇA



(No Público de ontem.)

Os políticos costumam ser responsabilizados por todas as coisas, muitas vezes injustamente. Há porém uma coisa pela qual são quase que inteiramente responsáveis: a existência de um clima de credibilidade das instituições que gere factores de confiança. É certo que, mesmo quando cumprem plenamente as suas obrigações, têm que defrontar uma permanente cultura de cinismo da comunicação social, o "ninho de víboras" como lhe chamava há anos uma das mais prestigiadas revistas americanas que estuda o jornalismo, e isso cria dificuldades cada vez maiores, às vezes mais aos bons políticos do que aos maus. A comunicação social pode criticá-los e diminui-los todos os dias, mas "gosta" de Ferreira Torres ou Valentim Loureiro, porque eles produzem espectáculo.

A credibilidade das instituições, é também responsabilidade dos grandes corpos do estado, tão politizados como os políticos, cada vez mais produzindo um ruído de descrédito público, que se soma à crise das instituições, como infelizmente acontece com a justiça, com corpos de segurança como os bombeiros, com sectores das forças armadas e do funcionalismo público. Tudo isto conta, mas, mesmo assim, como numa democracia quem legisla para as forças armadas, a justiça, as forças de segurança, são os políticos, é deles a responsabilidade última se esses corpos do estado entram em disfunção.

Agora vamos aos "ora". Ora, não haverá ninguém hoje em Portugal que não refira a crise de credibilidade do sistema político e dos seus agentes, como um elemento fundamental na descrença da sociedade portuguesa no seu futuro, a começar pelo cidadão comum e a acabar nos agentes económicos. Existe hoje um gravíssimo problema de crise de confiança, que, sendo subjectivo, tem poderosos efeitos objectivos. Quando um empresário decide não investir, um jovem cientista ou profissional de mérito percebe que só tem carreira no estrangeiro, um politico capaz manda os partidos e o parlamento ás malvas, porque se sente impotente, ou uma família não poupa porque acha que não vale a pena dado que o dinheiro desaparece de qualquer maneira e mais vale gastá-lo, é de confiança que falamos e dos efeitos devastadores da sua falta.

Ora, desde Março, que temos um novo governo, feito de fresco, dotado de uma maioria absoluta no parlamento, legitimado tanto quanto o pode ser um governo em democracia. Um governo com tudo para ser forte, e no entanto… Ora, este governo durante o seu período crucial do "estado de graça", nos últimos seis meses, deveria gerar uma inversão da curva da desconfiança, deveria, pelo próprio facto de existir e ser, em teoria, um "governo forte", gerar confiança.

Ora, acontece exactamente o contrário, os níveis de confiança baixam para patamares de verdadeira depressão nacional, e, mesmo pequenas flutuações que existam, revelam que, tendo tudo para gerar confiança, este governo minou a confiança. E aqui voltamos aos políticos, à responsabilidade e à credibilidade.

Não se trata de confundir popularidade e confiança. Um governo pode descer nas suas taxas de popularidade e aumentar a confiança, coisa que me parece quase inevitável nos dias de hoje em que governar bem é tomar medidas difíceis. O problema é outro, é que um governo não pode tomar medidas, umas a seguir às outras, que agravam o descrédito da acção política e destroem a já de si escassa confiança existente sem sérias consequências. A arrogância do Primeiro-ministro pode fazer de conta que quer pode e manda, mas, mais cedo do que tarde, pagará o seu custo. Ele e nós.

Na lista das medidas que minam a credibilidade, estão duas á cabeça, a falsa promessa eleitoral sobre os impostos e a demissão do ministro das finanças quando este contestou a compatibilidade do grande programa de obras públicas com a necessidade de contenção financeira do estado. São ambas graves, a dos impostos porque acrescenta mais uma tábua no caixão da credibilidade das promessas eleitorais, e a demissão do ministro, porque ele era tido como um penhor da capacidade do governo em tomar medidas de contenção que todos sabem difíceis. A sua saída significou que o ímpeto inicial não era um verdadeiro ímpeto, mas um surto sem continuidade, que ficaria, desgarrado e inútil, no meio de um progressivo retorno á realidade gastadora. O silêncio sobre o próximo orçamento de estado, seja ele qual for, pode aprofundar esta descrença. Se o orçamento for duro e austero, deveria impedir as mil e uma promessas autárquicas dos candidatos do partido do governo que nunca irão ser cumpridas, se for laxista e inconsequente, confirmará o significado da saída do ministro das finanças. É o que dá este tipo de actuação, perde-se sempre.

Mas o pior é que se continuou depois, dia após dia, a minar a confiança, com os actos absolutamente lamentáveis das nomeações de personalidades do aparelho socialista, sem competência específica, para altos cargos no sistema de empresas públicas. O afastamento da administração da CGD por razões que nada tem a ver com a sua gestão, mas com a confiança política, é um terramoto cujas consequências ainda não acabaram. A principal instituição bancária do estado, passou a ter uma cadeia política de comando, particularmente grave na área do crédito, que "politizado", é um instrumento de manipulação poderoso na área económica. O sinal já foi percebido, e a confiança afunda-se.

A escolha de um deputado do PS, antigo ministro e porta-voz do partido para a área das finanças, para presidir ao Tribunal de Contas mostra como o governo está disposto a tudo e é capaz de tudo, para minimizar o sistema de "checks and balances" fundamentais num estado democrático. Por muito menos, alguém que todos conhecemos, falaria do seu "direito à indignação" pela "ditadura da maioria".

Não está em causa a pessoa, mas a oportunidade e o sinal que se dá. Mais tarde, estará em causa também a pessoa, e não compreendo como é que um homem prudente como o Guilherme Oliveira Martins não o antevê com clareza. Estará a pessoa, porque o estilo amável e protector com que gerirá o Tribunal de Contas, se não põe em causa nem a sua competência, nem a sua honestidade, põe em causa a sua capacidade de usar os instrumentos do controlo das contas do estado e das autarquias com agressividade, hoje mais que nunca necessária. É como com a luta contra a corrupção, a substância é fundamental, mas o estilo conta muito. A independência de um Presidente do Tribunal de Contas também se mede aí, na consciência da urgência de boas práticas para os dinheiros públicos, que, se for exercida, o fará entrar em choque quase imediato com os interesses do governo e do PS nas autarquias. Guilherme de Oliveira Martins é um "homem de diálogo", e o Presidente do Tribunal de Contas, no nosso estado e nos dias de hoje, não pode ser um "homem de diálogo".

Temo que este despudor funcional, em que pouco importa o pôr em causa a independência de corpos fundamentais do estado para proteger o governo, chegue aos serviços de informação e segurança, onde já há bastante partidarização, quer do PS, quer do PSD. Todas estas instituições são cruciais para que haja um mínimo de autoridade do estado, deviam ser mexidas com pinças, e o PS põe-lhe as mãos todas e sem luvas, tanta é a ganância de exercer o poder sem controlo.

*

Para a semana, voltaremos a este assunto, porque esta questão da credibilidade e da confiança, será a mais importante condicionante do processo eleitoral das Presidenciais. Aqui também, o PS e o governo, actuaram de modo a minar a credibilidade e a confiança, escolhendo Mário Soares. Como se vê pela forma como está a decorrer a pré-campanha, tal como é revelada pelo aspecto qualitativo das sondagens, Mário Soares hoje não acrescenta nada á confiança no sistema político, perdendo para Cavaco Silva em todos os elementos qualitativos da credibilidade mo julgamento dos portugueses. Nas sondagens, estes são os únicos resultados que vão para além da primeira volta.

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SEGUREM-ME SFF

De há muito tempo que tento evitar fazer duas magníficas e certeiras comparações entre políticos portugueses e duas personagens “larger than life”, com que eles se parecem em quase tudo. Quase tudo. Miméticos até ao limite do espelho. Depois faço censura. Seguro-me, digo aos outros para me segurarem. Não, não escrevas esse artigo sobre Porfírio Rubirosa e a sua cópia nacional. Já ninguém sabe quem ele é, deixa o homem sossegado. Mas é exactamente igual, vê aquela história das dragas com a Flor de Oro Trujillo … Seguro-me, seguram-me.

E o outro? O outro é Huey P. Long, o governador da Louisiana, que muitos americanos (principalmente fora da Louisiana) consideram que foi o melhor candidato a “ditador” que a América jamais teve, lembrado ainda hoje com saudade nos bayou. “Se não o tivessem morto, chegava a Presidente”. Também cá temos o nosso, falando alto e grosso, tão, tão, tão parecido nos discursos, no justicialismo, na “obra feita”. Deixa lá isso, ninguém sabe quem foi esse Long, só te metes em sarilhos, depois ele insulta-te, não vale a pena… Seguro-me, seguram-me.

Pois é, mas o Rubirosa e o Long são tão parecidos com as nossas versões, ao menos podia fazer uma coisa neutra, distante, biográfica, americana, dominicana, seja lá o que for…

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AR PURO / COISAS SIMPLES


Clifford Ross, Hurricane III

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EARLY MORNING BLOGS 602:
"SEI MUITO BEM QUE SOUBE SEMPRE UMAS COISAS"

voz numa pedra


Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Isis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei
a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa
que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo
do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada do menstruo
rosa viva diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura
onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores de morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhas como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se
não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal


(Mário Cesariny)

*

Bom dia!

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15.9.05


OUVINDO "MALINCOLIA, NINFA GENTILE"
(VINCENZO BELLINI)



Malinconia, Ninfa gentile,
la vita mia consacro a te;
i tuoi piaceri chi tiene a vile,
ai piacer veri nato non è.

Fonti e colline chiesi agli Dei;
m'udiro alfine, pago io vivrò,
né mai quel fonte co' desir miei,
né mai quel monte trapasserò.


(Ippolito Pindemonte)

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INTENDÊNCIA

Actualizadas as notas COISAS DA SÁBADO: A “INFOROPINIÃO”, A INFORMAÇÃO A QUE TEMOS DIREITO (1) e (2).

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES:
KATRINA, AMERICA, FOGOS, IMAGENS, PALAVRAS



A propósito dos seus textos e de outros colunistas sobre o tratamento dado pelos "media" portugueses, deixe-me desabafar um pouco. Eu também acho que existe uma antiamericanismo hipócrita em cronicas que apareceram por aí, mas o que agora se pretende é passar para o outro lado, ou seja, para o tempo em que atacar-se o partido comunismo era fazer o jogo da reacção.

Comparar os fogos com o Katrina só tem um ponto em comum: são catástrofes da natureza, mesmo se no caso dos fogos existam fogos postos. Tudo o resto passa por muita demagogia. Se num caso não se deve cair no caminho esquerdista de ver só agora a pobreza nos EUA ou a desigualdade entre brancos e outras etnias, também não se deve insinuar que no caso português os fogos atacaram só os mais desfavorecidos. Não é verdade e também não é verdade qe os pós catástrofes sejam identicas nos dois casos. Contrariamente ao que também diz muita imprensa, em particular na TV as pessoas não ficaram, genaricamente,na miséria após os fogos. Sustentar isto é não perceber nada do que se passa no interior ruram de Portugal em termos de economia das pessoas.
Disto isto e sem ilusões é ou não verdade que foi substimado o tornado? Que falhou a evacuação? Se acontecesse cá o JPP não estaria na primeira linha da denúncia da situação? Penso que sim.

No caso português fala-se muito de combate e prevenção aos fogos,mas sinceramente ninguém fala a sério ou percebe muito do assunto, pelos menos os que leio e vejo na TV. Os governos, todos têm demonstrado pouco perceber do assunto e por isso vemos as figuras tristes que fazem quando falam (ex: António Costa) falando e nada dizendo. Fogem então para a frente e prometem mundos e fundos, gastando dinheiro que não vai resolver nada.

Para além dos combates ideológigos que se travam entre os pró e contra qualquer coisa existem pessoas. Problemas humanos. É sobre esses que gosto de falar e ouvir falar. Tentar perceber. E isso não é fácil neste tempo sem muitas ideias e demasiadas acusações.

(João Leitão)

*

(...) Gostaria de lembrar que o próprio Bush alimenta estas interpretações pseudo-teológico-escatológicas (ou seja lá o que lhe quiserem chamar).
Existe um artigo muito interessante sobre isso aqui

(Cláudia Silva)

*

Há (...) uma matéria onde nunca consegui ver nos seus argumentos suporte bastante para as conclusões que tira: trata-se do que designa por antiamericanismo ou, na versão mais emotiva, antiamericanismo primário.
Permita-me, a este propósito, um comentário ao seu artigo "Sodoma e Gomarra".

Espanto-me com a sua sanha no ataque a quem pensa, e o expressa, p.e., que os EUA fazem tábua rasa do direito internacional quando os seus interesses estão em jogo (caso do Iraque, entre muitos conhecidos), ou que os EUA têm debilidades estruturais gritantes (caso Katrina, que expôs algumas das muitas que muitos desconheciam).
Espanto-me, sobretudo, quando esse mesmo ataque começa por constatar os factos, e assim reconhecer pertinentes as razões que levam à formação da opinião (que designa de antiamericana) que tão ásperamente contesta.

No artigo referido começa por dar como incontestável, p.e., que "alguma [...] coisa correu muito mal nos primeiros dias no apoio às vítimas do furacão Katrina" e que "parte [...] do que correu mal se deve à administração federal do Presidente Bush", para, sem mais, manifestar a sua indignação com o que considera ser a "histeria anti-Bush, e antiamericana que varreu a comunicação social" aproveitando os ventos do Katrina.

Indignação esta ampliada pelo facto de não ser "apenas a guerra do Iraque, embora esta seja um irritante [para quem ?] muito especial, são muito mais coisas, é a "superpotência", é o sistema económico, é o "imperialismo" cultural de Hollywood, é a globalização, são os McDonalds, são os alimentos geneticamente modificados, é o Deus das notas do dólar". Estes polémicos temas apenas são elencados, parecendo, contudo, que a mera abordagem dos mesmos é para si, no mínimo irritante e, quase certamente, sinal de antiamericanismo primário. Como se estas fossem questões menores ou definitivamente (bem) resolvidas e não fossem, entre outras, o âmago da "discussão" - a manter, como, apesar de tudo, espero nos deixem.

Reconhecendo, mais abaixo, que "A pobreza esteve lá sempre, nuns sítios mais, noutros menos. A desigualdade social também", continua a indignar-se com o que considera ser a transformação das vítimas do furacão em "bandeira para mostrar que o sistema é mau e o Presidente péssimo".
Termina em grande, pondo no mesmo pé "os fundamentalistas da Al-Qaeda", os "do Bible belt" e quem diga mal dos males da América- já que todos considerarão a desgraça do Katrina um castigo de Deus, ao estilo de Sodoma e Gomarra.

Espanto-me, pois, com o que parece ser uma posição de defesa a qualquer custo dos EUA, independentemente das razões que assistam a quem critica as suas (muitas) opções reconhecidamente erradas ou as suas (muitas) omissões escandalosas ou as suas (muitas) actuações ao arrepio do direito internacional, ou ainda as suas (muitas) debilidades políticas e sociais.
Espanto-me tanto mais quanto os EUA não precisam de quem os defenda, tal o número coisas boas que deram ao mundo e tal o seu poderio, nomeadamente em termos de influência da opinião pública mundial, em geral, e do mundo ocidental, em particular.

Não deixa de ser curioso verificar que inicia o seu artigo fazendo um reconhecimento das razões que aos designados antiamericanos assitem, antes de passar a zurzir nas opiniões que nelas se suportam. Como se fizesse uma concessão ao adversário, mas ganhando balanço para o arremesso.

Posição idêntica, aliás, à de quem se sente na obrigação de afirmar a sua simpatia pelos EUA antes de criticar qualquer das suas facetas. Tal como as crónicas de contestação à invassão do Iraque, as quais, para serem "credíveis", têm de começar por afirmar o óbvio: a condenação do terrorismo, a indignação pelas vitimas inocentes, etc.

Uns e outros necessitam de demonstrar, à partida, a sua seriedade. Ou desculparem-se (má consciência?) de ter aquela opinião..
Não poucos, todavia, defendem-se apenas do estigma de antiamericanismo primário, chavão nada inocente utilizado até à exaustão por uma cultura maniqueista cegamente (?) pro-americana. Tão maniqueista e cega como a dos tempos em que os estalinistas se idignavam e irritavam com qualquer crítica à ex-URSS, designando-a de imediato como anti-comunismo primário.

Permita-me que lhe lembre que tudo tem a ver com tudo. Se alguns comentadores se suportam no Katrina e nas suas consequências para reflectir sobre a realidade dos EUA e do mundo, não deve tal ser visto conspiração anti qualquer coisa ou mera indigência mental, mas antes como o direito de expressão de quem pensa diferente e tem a coragem de o expressar, como, aliás, o senhor faz.

Não pode, nem deve, um comentador intelectualmente honesto constatar que os diques rebentaram e omitir que tal ocorreu porque não houve investimento público para a sua que consolidação. Tal como não pode, nem deve, constatar que a quase totalidade das vítimas são negras e pobres e omitir as razões, sociais e políticas, do facto. Da mesma forma, não pode, nem deve, deixar de realçar que, nos EUA - onde nos ensinaram a esperar a melhor organização e eficácia -, um imenso leito de cheia tenha sido ocupada por aglomerados habitacionais, em convivência com indústrias e equipamentos estruturantes, para além de poluentes,sem que fossem garantidas, como se demonstrou, as condições mínimas de segurança. Destes e doutros factos, porque actuais, porque relevantes e porque significativos, não podemos exigir aos comentadores que soneguem as causas, não associem outros, ou não extrapolem consequências.
Por outro lado, será de ter em conta que o algo de menos agradável que agora venha a ser dito está largamente contrabalançado com o imenso caudal de informação positiva sobre os EUA que ao longo dos anos desaguou e vai continuar a desaguar sobre as cabeças pensantes e não pensantes dos cidadãos deste mundo. Condutores deste caudal não faltam.

Por último, um comentário à invocação do exemplo bíblico do castigo de Deus.
Para além de algo despropositado, parece-me claramente infeliz: é que, do que conhecemos, o que alguma vez mais se aproximou do que terá acontecido em Sodoma e Gomarra, foi Hiroshima e Nagasaki. Obra dos humanos que sabemos e sem, quero acreditar, o assentimento de Deus. Obra que nos envergonha a todos. Não podemos dizer o mesmo do Katrina, que apenas envergonhará alguns.

(M.J.Correia)

*

Li o seu texto do "Público" reproduzido no seu "blog" com o qual concordo parcialmente ( não tenho a opinião de que toda a imprensa europeia imputou a Bush e à sua política a causa da "não ajuda atempada" ou a da "pobreza" nos Estados Unidos ).

No entanto fiquei admirado por não ouvir referência entre o contraste da onda de solidariedade europeia ( e em particular a portuguesa ) que ocorreu quando do tsunami - a maior de que me recordo - e a de agora, que practicamente não existiu.

Apenas porque uns eram muito pobres ( os asiáticos ) e os outros apenas pobres ( os americanos ) ? Porque no tsunami morreram alguns milhares de europeus e agora não ?

Não sei as respostas, mas parece-me que estamos um pouco ( muito ) indiferentes ao que se passa nos EUA. E a culpa não é só dos orgãos de comunicação europeus, mas nuito também da política do "MacDonalds" a que ouvi chamar há muitos anos na Alemanha como "a Embaixada dos EUA" .

(Feliciano Antunes)

*

Tenho lido em alguns blogues da nossa praça uma teoria que defende que nas anteriores catástrofes naturais ocorridas nos EUA a resposta por parte das entidades públicas foi muito mais eficaz do que a que ocorreu agora em New Orleans. Uma das catástrofes citadas é o terramoto de 1906 em San Francisco.

Não me parece que quem defende esta teoria particular esteja historicamente correcto. Deixo aqui notas do testemunho de Jack London, o famoso escritor americano, que se encontrava na altura por aquelas paragens:

- "Not in history has a modern imperial city been so completely destroyed.
San Francisco is gone. Nothing remains of it but memories and a fringe of dwelling-houses on its outskirts. Its industrial section is wiped out. Its business section is wiped out. It social and residential section is wiped out. The factories and warehouses, the great stores and newspaper buildings, the hotels and palaces of the nabobs, are all gone.

Within an hour after the earthquake shock the smoke of San Francisco's burning was a lurid tower visible a hundred miles away. And for three days and nights this lurid tower swayed in the sky, reddening the sun, darkening the day, and filling the land with smoke.

There was no opposing the flames. There was no organization, no communication. All the cunning adjustements of a twentieth century city had been smashed by the earthquake. The streets were humped into ridges and depressions, and piled with the debris of fallen walls.

Dynamite was lavishly used, and many of San Francisco's proudest structures were crumbled by man himself into ruins, but there was no withstanding the onrush o' the flames. Time and again successful stands were made by the firefighters, and every time the flames flanked around on either side, or came up from the rear, and turned to defeat the hard-won victory.

On Thursday morning, at a quarter past five, just twenty-four hours after the earthquake, I sat on the steps of a small residence on Nob Hill. I went inside with the owner of the house on the steps of which I sat. He was cool and cheerful and hospitable. "Yesterday morning," he said, "I was worth six hundred thousand dollars. This morning this house is all I have left. It will go in fifteen minutes."

He pointed to a large cabinet. "That is my wife's collection of china. This rug upon which we stand is a present. It cost fifteen thousand dollars. Try that piano. Listen to its tone. There are few like it. There are no horses.
The flames will be here in fifteen minutes."

Outside, the old Mark Hopkins residence, a palace, was just catching fire.
The troops were falling back and driving the refugees with them. From every side came the roaring of flames, the rashing of walls, and the detonations of dynamite
".

(Carlos Costa)

*

(...) Tendo isto em consideração, em primeiro lugar, parece-me que a surpresa hipócrita que diz existir nos media (nalguns casos será mesmo assim, não duvido) por fingir a descoberta da pobreza (que antes estaria escondida) nos EUA, poderá estar a ser mal interpretada.

Por mim falo quando me confesso surpreso, e consternado, não porque os pobres existem ali, não porque são na sua vasta maioria pretos, mas sim porque foram inequivocamente discriminados e negligenciados em favor de outros grupos sociais. Se se tratou de racismo puro e duro, pela cor da pele, ou racismo social, não sei. Qual deles será pior?

Mesmo que, até poderei conceder isto no limite, não tenha havido discriminação alguma e simplesmente quem tinha posses e meios pôde fugir e quem não tinha não pôde, a surpresa prende-se com a não protecção e ajuda aos que mais precisaram.

Talvez existam mais pessoas que se reconheçam nesta surpresa do que no espanto pela descoberta de pobres, e pretos, nos EUA, em particular no Sul. E talvez seja isso que leve os media a procurar as razões da inacção e da impreparação das autoridades.

Em segundo lugar, será legítimo comparar esta situação com a do Tsunami? O Katrina quando chegou a NO era já um furacão de grau 4 e os maiores estragos e vítimas não foram causadas directamente por ele mas sim pelas inundações que ocorreram após o rebentamento dos diques. E são estas inundações as responsáveis pelos dramas de isolamento e salvamento que têm deliciado os noticiários.

Então, por um lado, (ao que parece) não existem grandes imagens do furacão e, por outro, mesmo que existam, estas não colhem tanta audiência como os dramas humanos que por ali subsistem mesmo a pedir uma câmara de televisão.

Esta é uma situação bem distinta da do Tsunami. Isto pode ser tudo muito criticável, e é-o de certeza, mas não em sede de anti-americanismo, neste caso.

(Pedro Filipe da Silva Gaspar)

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AR PURO


Albert Bierstadt, Evening Glow, Lake Louise

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EARLY MORNING BLOGS 601:
"COMO PASSAREI SEM PONTE?"


Pastoral

Mote

Vai o rio de monte a monte,
Como passarei sem ponte?

Voltas

É o vau mui arriscado,
Só nele é certo o perigo;
O tempo como inimigo
Tem-me o caminho tomado.
Num monte está meu cuidado,
E eu, posto aqui noutro monte,
Como passarei sem ponte?

Tudo quanto a vista alcança
Coberto de males vejo:
D'aquém fica meu desejo
E d'além minha esperança.
Esta, contínua, me cansa
Porque está sempre defronte:
Como passarei sem ponte?

(Francisco Rodrigues Lobo)

*

Bom dia!

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14.9.05


COISAS DA SÁBADO:
A “INFOROPINIÃO”, A INFORMAÇÃO A QUE TEMOS DIREITO (2)



O PODER DE CLASSIFICAR

Uma das características da “inforopinião” está em reclamar unilateralmente o poder de nomear, mesmo á revelia dos nomeados. No que diz respeito às classificações políticas esse poder de nomear, de chamar um nome, de impor uma classificação a alguém, é ele próprio impregnado de política. É política, não é jornalismo, porque essas classificações não são neutras, nem meramente descritivas. Não é preciso ir mais longe do que a história do “PPD-PSD”, ou a flutuação entre CDS e PP, que traduz muito da história recente do CDS-PP.

Pois bem, em que manual de estilo, código deontológico, ou outro código de normas se baseiam os jornalistas para usarem indiscriminadamente como agora usam a classificação de esquerda / direita? Em nenhum, apenas numa generalização de uma classificação que tinha entrado em desuso no sistema político português até que foi retomada pelo PP de Portas e pelo BE como instrumento identitário. Hoje, a classificação esquerda / direita é redutora e serve principalmente o discurso da esquerda, e depois da direita mais radical.

Os jornalistas que não chamam, por norma, ao BE um partido de extrema-esquerda, nem ao PP [de Portas] , de extrema-direita, o que podiam fazer em bom rigor, por que razão chamam ao PSD um partido de direita e não de centro, o que também se poderia justificar quando se usa estas classificações? Se fossemos por aqui ver-se-ia bem como o poder de nomear tem claros efeitos na luta política. Sendo assim, que direito tem um jornalista numa notícia de distribuir classificações de direita e de esquerda para grupos políticos que nelas não se reconhecem? Nenhum.

*

Li atenta e repetidamente o seu "post" a propósito do "Poder de Classificar" e questiono-me se o terei percebido de uma forma demasiado simplificada.

Está-se à procura de jornalistas objectivos, que sejam imunes à utilização da terminologia comum, cinjindo-se às designações oficiais? Não sou jornalista, também não tenho particular estima pela classe, mas penso que a sua censura aponta para algo de demasiado utópico.

Talvez alguns façam as classificações que descreve motivados por razões de caracter estritamente político, só que possivelmente a maioria dos jornalistas fa-lo-á por um prosaico arrastamento que se estenderá depois aos leitores.

É prosaico, tem muito de moda, é pouco aprofundado, mas é que o fez vender o "Equador" e o livro do José Gil, ainda faz vender "Expressos" e torna interessantes as piadas a propósito das intervenções televisivas de António Vitorino e de Jorge Coelho.

No caso concreto que aponta, o Sr., que até goza, como comentador e colaborador, de uma posição ímpar em vários órgãos de comunicação social, pode tentar neutralizar a classificação do PSD como partido de direita. Até pode ser que não consiga. Porque a localização faça algum sentido.

É que suponho que também o PC gostaria que muitas das suas actividades fossem noticiadas como as da grande "coligação unitária" de que faz parte... Mas confesso-lhe que o mito da FEPU, da APU, da CDU (está quase a celebrar os 30 anos...) já está bastante gasto. E não posso censurar nenhum jornalista por não lhe prestar atenção nenhuma.

(A.Teixeira)

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COISAS DA SÁBADO:
A “INFOROPINIÃO”, A INFORMAÇÃO A QUE TEMOS DIREITO (1)



Se em Portugal para cobrir os incêndios se usasse a mesma linguagem que se usou para falar dos EUA e de Bush, tinha caído o Carmo e a Trindade, mais várias igrejas de Lisboa. E bem, porque informação é informação e opinião é opinião. Nós cá temos “inforopinião”, nem uma coisa nem outra, ou pior, opinião disfarçada de informação. A “inforopinião” é um dos ramos do “politiquês”, muito praticado pelos jornalistas. Os jornais, com o estilo das notícias assinadas que misturam factos com julgamentos de valor, as televisões com os pivots dos telejornais fazendo comentários e “bocas” pessoais, resultam numa poluição do espaço público, com efectivos resultados no incremento da desinformação.

Quando se diz isto, em particular nos momentos quentes, quando produzir “inforopinião” vai de vento em popa, quando se está a ganhar a batalha da política produzindo “inforopinião” e garantindo a pressão desta nova forma de pensamento único, denuncia-lo leva também à queda do Carmo e da Trindade e várias igrejas de Lisboa. Que se quer matar o mensageiro, que se é mais papista do que o Papa, que todos dizem o mesmo, até gente que está do “outro lado”, que vultos importantes e sábios e respeitados não duvidam que é assim. Ninguém se interroga porque razão, no mundo dividido dos dias de hoje, há tanta unanimidade.

Voltemos ao tratamento dos incêndios em contraste com o do Katrina. Nos incêndios portugueses se se seguissem as mesmas normas discursivas, Portugal não seria referido pelo nome, mas como “um dos países mais pobre da Europa” (um equivalente à “superpotência”, nome que os EUA passaram a ter) e Sócrates como o “veraneante do Quénia”, quando desaparecido, e, quando aparecido, como querendo remediar a sua imagem procurando uma “photo-opportunity”. Teria à sua frente um tribunal de responsabilidade imediata, em contraste com uma comunicação que tendeu a isentar Sócrates de qualquer responsabilidade. Bush balbuciaria sobre outras causas naturais e artificiais, como Sócrates fez de modo mais arrogante, mas ninguém permitiria que tudo deixasse de ser da sua única e exclusiva responsabilidade.

Se estes exageros são inadmissíveis por cá, porque é que são legítimos lá?

UMA FUNÇÃO QUE FALTA POR CÁ E QUE ABUNDA POR LÁ

Para dirimir este tipo de conflitos interpretativos, e saber quem tem razão, existem meios, estudos, análises. Esta é uma função que falta por cá, e, por acaso, abunda por lá, na “superpotência” - a análises a tempo relativamente curto, do bias comunicacional, do mau jornalismo, do “jornalismo de causas”, uma contradição entre os termos. Uso a palavra inglesa bias porque não há nenhuma em português que forneça o mesmo conceito (*): não é só a manipulação, ou o carácter tendencioso, é mais do que isso, é a análise do conjunto de preconceitos, posições apriorísticas, que condicionam voluntária e involuntariamente a informação, a que se soma como é evidente o trabalho de má qualidade. Não me refiro ao comentário, nem aos editoriais, onde o único problema que existe é o do saber se há pluralismo ou não. Refiro-me às notícias, a parte nobre do jornalismo, a que justifica o jornalismo – contar-nos o que se passa, para nós tirarmos as nossas conclusões, o contrário da “inforopinião”.

É verdade que é terreno muito minado, por grupos de pressão políticos e de interesse, mas há também muita universidade nesta área em que professores e alunos poderiam fornecer estudos a tempo de servirem para alguma coisa, nem que seja para que uma sempre pequeníssima parte da opinião pública possa julgar sobre o produto que lhe está a ser dado. Analisamos os iogurtes com critérios de qualidade alimentar, não analisamos jornais e televisões com critérios de qualidade intelectual, justiça, apego à verdade. Palavras, dizem alguns cínicos. Pois é, são palavras, mas quando faltam os comportamentos a que elas correspondem, sofremos ainda mais do que com um iogurte estragado.

Digo isto por interesse próprio, porque sou um crítico do jornalismo que se faz em Portugal, com as habituais excepções, e já estou um pouco farto de ver os estudos a posteriori mostrar aquilo que era mais do que evidente na altura, mas, quando se dizia, fazia a classe subir pelas paredes das palavras acima. Por exemplo, que Mário Soares gozava ( e goza) de um tratamento privilegiado na comunicação social portuguesa e que manipulou os jornalistas quando da sua Presidência. Por exemplo, que o tratamento comunicacional da questão de Timor pouco teve a ver com jornalismo nos momentos críticos do referendo. Por exemplo, que o conflito israelo-palestiniano é sistematicamente representado a favor dos palestinianos. Há muitos etc.

Nestas alturas críticas, em que o seu próprio poder é posto em causa, muitos maus jornalistas, com receio que a gente os perceba, reagem com extrema veemência, defendendo o seu direito de manipular, em nome da sua superioridade moral de isentos profissionais. Orwell chamava a isto “doubletalk”. Tenho pena, tenho muita pena, que só muito depois dos factos consumados, os estudos apareçam mostrando aquilo que de imediato alguns, muito poucos, porque a pressão dos media é um poder de facto, puderam ver. Bias.

(*)
O bias? Mas por que não o viés? Aliás, quer a palavra inglesa quer a portuguesa vêm do francês (ou do provençal) biais. Ou por que não o enviesamento? Ou mesmo o desvio?

(AC)

Eu uso a palavra viés; enviesada é muita opinião e informação que se nem dá conta de tal.

(H. Carmona da Mota)


(...) na sua coluna na revista Sábado desta semana, diz não haver tradução, em português, da palavra inglesa “Bias”. Como psicólogo e neto de uma costureira, venho propor-lhe a palavra “enviezamento”, utilizada em ambas as profissões e que responde aos significados que procurava transmitir com a sua coluna. Aliás, embora traduza “Bias” por tendência, o dicionário Webster traduz enviezamento por “bias”. De qualquer forma, fala de uma perspectiva enviezada da realidade, em que os jornalistas não seguem a realidade como se lhes apresenta, mas através de um conjunto de pré-conceitos que perturba todo o processo de informação.

(Miguel Augusto Santos)

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12.9.05


COMO NOS CARRINHOS DE FEIRA

mais uma corrida, mais uma viagem.

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11.9.05


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS:
VER A NOITE



num mundo com duas luas: Phobos e Deimos

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COISAS SIMPLES
OSTINATO RIGORE


Edward Weston, Clouds, México

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EARLY MORNING BLOGS 600:
"BACKWARD,
BACKWARD"

The Dark Day

A three-day-long rain from the east—
an terminable talking, talking
of no consequence—patter, patter, patter.
Hand in hand little winds
blow the thin streams aslant.
Warm. Distance cut off. Seclusion.
A few passers-by, drawn in upon themselves,
hurry from one place to another.
Winds of the white poppy! there is no escape!—
An interminable talking, talking,
talking . . .it has happened before.
Backward, backward, backward.

(William Carlos Williams)

*

Bom dia!
600 vezes.


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