ABRUPTO

16.10.04


O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: MAIS CYRANO

Mais Cyrano, cortesia de M.C., um bom ar para o dia de hoje, para as palavras de hoje, para o país de hoje.

Rêver, rire, passer, être seul, être libre.
Avoir l’oeil qui regarde bien, la voix qui vibre,
Mettre, quand il vous plaît, son feutre de travers,
Pour un oui, pour un non, se battre, ou faire un vers !
Travailler sans souci de gloire ou de fortune,
A tel voyage, auquel on pense, dans la lune !
N’écrire jamais rien qui de soi ne sortît,
Et modeste d’ailleurs, se dire : mon petit,
Sois satisfait des fleurs, des fruits, même des feuilles,
Si c’est dans ton jardin à toi que tu les cueilles !
Puis, s’il advient d’un peu triompher, par hasard,
Ne pas être obligé d’en rien rendre à César,
Vis-à-vis de soi-même en garder le mérite,
Bref, dédaignant d’être le lierre parasite,
Lors même qu’on n’est pas le chêne ou le tilleul,
Ne pas monter bien haut peut-être, mais tout seul !


(Edmond Rostand)

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APRENDENDO COM CYRANO DE BERGERAC











Este monólogo é sem dúvida uma das páginas geniais do teatro e fica aqui dedicado aos leitores do Abrupto que sofrem com o tempo cinzento (o que não é o caso do autor destas linhas). O que é que se aprende com o nariz de Cyrano? Uma forma muito certeira de ser livre, de usar o "espírito" para ser livre, de ser esmagado por um Nariz glorioso e ser livre (noutro dia falarei sobre um nariz de lata veneziano), de gostar de ser livre: "Je me les sers moi-même, avec assez de verve,/Mais je ne permets pas qu'un autre me les serve."

CYRANO
Ah ! non ! c'est un peu court, jeune homme !
On pouvait dire... Oh ! Dieu !... bien des choses en somme...
En variant le ton, -par exemple, tenez
Agressif : "Moi, monsieur, si j'avais un tel nez,
Il faudrait sur-le-champs que je me l'amputasse !"
Amical : "Mais il doit tremper dans votre tasse
Pour boire, faites-vous fabriquer un hanap !"
Descriptif : "C'est un roc !... c'est un pic !... c'est un cap !
Que dis-je, c'est un cap ?... C'est une péninsule !"
Curieux : "De quoi sert cette oblongue capsule ?
D'écritoire, monsieur, ou de boîtes à ciseaux ?"
Gracieux : "Aimez-vous à ce point les oiseaux
Que paternellement vous vous préoccupâtes
De tendre ce perchoir à leurs petites pattes ?"
Truculent : "Ca, monsieur, lorsque vous pétunez,
La vapeur du tabac vous sort-elle du nez
Sans qu'un voisin ne crie au feu de cheminée ?"
Prévenant : "Gardez-vous, votre tête entraînée
Par ce poids, de tomber en avant sur le sol !"
Tendre : "Faites-lui faire un petit parasol
De peur que sa couleur au soleil ne se fane !"
Pédant : "L'animal seul, monsieur, qu'Aristophane
Appelle Hippocampelephantocamélos
Dut avoir sous le front tant de chair sur tant d'os !"
Cavalier : "Quoi, l'ami, ce croc est à la mode ?
Pour pendre son chapeau, c'est vraiment très commode !"
Emphatique : "Aucun vent ne peut, nez magistral,
T'enrhumer tout entier, excepté le mistral !"
Dramatique : "C'est la Mer Rouge quand il saigne !"
Admiratif : "Pour un parfumeur, quelle enseigne !"
Lyrique : "Est-ce une conque, êtes-vous un triton ?"
Naïf : "Ce monument, quand le visite-t-on ?"
Respectueux : "Souffrez, monsieur, qu'on vous salue,
C'est là ce qui s'appelle avoir pignon sur rue !"
Campagnard : "Hé, ardé ! C'est-y un nez ? Nanain !
C'est queuqu'navet géant ou ben queuqu'melon nain !"
Militaire : "Pointez contre cavalerie !"
Pratique : "Voulez-vous le mettre en loterie ?
Assurément, monsieur, ce sera le gros lot !"
Enfin parodiant Pyrame en un sanglot
"Le voilà donc ce nez qui des traits de son maître
A détruit l'harmonie ! Il en rougit, le traître !"
-Voilà ce qu'à peu près, mon cher, vous m'auriez dit
Si vous aviez un peu de lettres et d'esprit
Mais d'esprit, ô le plus lamentable des êtres,
Vous n'en eûtes jamais un atome, et de lettres
Vous n'avez que les trois qui forment le mot : sot !
Eussiez-vous eu, d'ailleurs, l'invention qu'il faut
Pour pouvoir là, devant ces nobles galeries,
me servir toutes ces folles plaisanteries,
Que vous n'en eussiez pas articulé le quart
De la moitié du commencement d'une, car
Je me les sers moi-même, avec assez de verve,
Mais je ne permets pas qu'un autre me les serve.


(Edmond Rostand)

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EARLY MORNING BLOGS 336

"Je suis l'Empire à la fin de la décadence..."


Je suis l'Empire à la fin de la décadence,
Qui regarde passer les grands Barbares blancs
En composant des acrostiches indolents
D'un style d'or où la langueur du soleil danse.

L'ame seulette a mal au coeur d'un ennui dense,
Là-bas on dit qu'il est de longs combats sanglants.
O n'y pouvoir, étant si faible aux voeux si lents,
O n'y vouloir fleurir un peu cette existence!

O n'y vouloir, ô n'y pouvoir mourir un peu!
Ah! tout est bu! Bathylle, as-tu fini de rire?
Ah! tout est bu, tout est mangé! Plus rien à dire!

Seul un poème un peu niais qu'on jette au feu,
Seul un esclave un peu coureur qui vous néglige,
Seul un ennui d'on ne sait quoi qui vous afflige!

(Paul Verlaine).

*

Bom dia!

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VER A NOITE

Preparar-me para ver a noite nestes dias de nuvens, ou seja, para não ver. Daqui a dias ainda vamos ver menos, porque vai haver um eclipse de Lua.

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15.10.04


SCRITTI VENETI: A ILHA DOS MORTOS



S. Michele in Isola. Vai-se lá pelo barco normal da carreira, junto com venezianos com ramos de flores e faces tristes, passa-se no mar por um tráfego sinistro: enterros flutuantes. A ilha não engana ninguém com o seu perfil de fortaleza, amuralhada a toda a volta, com os ciprestes em massa ultrapassando os muros. Se é assim de dia imaginem à noite e eu vi-a à noite escura, sem uma luz, uma massa negra no horizonte das águas.

No cais entra-se num mundo de silêncio, campos e campos de mortos, mais abertos e luminosos nas campas recentes e nas partes comuns, mais fechados à luz pelas grandes arvores nos cemitérios particulares de diferentes comunhões religiosas, “gregos” e evangélicos. Venezianos, italianos, estrangeiros, soldados, marinheiros, gente comum, "bambini", estão lá dormindo. No cemitério evangélico, Pound e Brodsky, marinheiros ingleses, nobres alemães. Um jogador de futebol com uma bola em pedra. No cemitério "grego", os ortodoxos, estão os russos Strawinsky e Diaghilev, a duas ou três campas um do outro, estão alguns nomes da nobreza russa, um Trubetzkoy, e uma "rainha dos helenos" , não dos gregos mas dos "helenos", numa modesta placa a um canto das muralhas.

(Strawinsky e Diaghilev. Na campa de Diaghilev estão pousados uns sapatos de dança.)

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SCRITTI VENETI / BIBLIOFILIA

Dois livros indispensáveis sobre Veneza: a história de John Julius Norwich, A History of Venice, e o Literary Companion to Venice de Ian Littlewood, ambos da Penguin Books. A história é uma síntese de muito que aconteceu em Veneza, e a partir de Veneza, um misto de drama e comédia numa das colunas vertebrais da civilização do Ocidente. E o "companheiro literário" é o que se espera dele, um guia para todas as pedras que já tiveram ou Goethe, ou Byron, ou Wagner, ou Napoleão, ou Thomas Mann, em cima a fazer qualquer coisa, do trivial ao genial.

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A LER

Um blogue sobre árvores, o Dia com árvores.

Uma "reportagem" do Tal e Qual sobre as praxes. Um retrato da abjecção que, ao mesmo tempo, explica o sucesso da Quinta das Celebridades e a transforma numa referência do bom gosto e bons costumes, tão acima está das imbecilidades das praxes.

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IN ILLO TEMPORE

Havia quatro liceus no Porto: o meu, o Alexandre Herculano, o D. Manuel, e os das meninas, Rainha Santa, irmão do Herculano, e o Carolina. Quase tudo já mudou e há um excelente livro, os Liceus de Portugal, coordenado por António Nóvoa, que parece um tratado de arqueologia, sobre o que era e já não é. Todos estes Liceus tinham fama justificada de grande qualidade. Por isso, custa-me ver as ameaças sobre o Carolina e sou solidário com este apelo que recebi da Escola:

"A Escola Secundária Carolina Michaëlis, no Porto, corre sérios riscos de encerramento se o Sr. Director da Direcção Regional do Norte (DREN) concretizar a proposta que vem anunciando desde Abril de 2004. E por que motivos? Têm sido apresentados dois e a ênfase é posta ora num, ora noutro, conforme as circunstâncias:
1. As instalações são necessárias para albergar o Conservatório de Música do Porto.
2. É necessário fundir a Escola Secundária Carolina Michaëlis com a vizinha Secundária Rodrigues de Freitas, porque esta segunda, desde há anos, vem perdendo alunos, estando com um número de alunos muito insuficiente.

Relativamente ao primeiro argumento, e de início o mais valorizado pela DREN e agora desvalorizado, a mudança implicaria uma total reestruturação de espaços, quer a nível de dimensões quer a nível do tratamento acústico dos mesmos. Sabe-se também que ao Conservatório estava reservado um edifício a construir junto da Casa da Música.
Por outro lado, em relação à alegada rentabilização de espaços, como compreender que a Escola Secundária Carolina Michaëlis tenha de ser sacrificada, porquanto a esta escola estão associados valores que não podem ser ignorados: uma patrona, uma história e um conjunto de recursos pedagógico-didácticos que vão desde uma Biblioteca de grande valor quer do ponto de vista científico, quer do ponto de vista humanístico, a laboratórios bem apetrechados quer em termos de equipamento actualizado quer de equipamento de valor museológico.
Todos estes valores explicam o bom desempenho da Escola na formação de gerações, formação que inclui os aspectos científico, humanístico, artístico e axiológico.
Talvez por isso, ainda recentemente a divulgação dos rankings (EXPRESSO, de 2 de Outubro último) mostra que a Escola Secundária Carolina Michaëlis se encontra em 38º lugar a nível nacional, é a 3ª escola pública, no Porto, e encontra-se entre as 10 melhores classificadas na disciplina de Física (média - 14,3 PÚBLICO, de 2 de Outubro), resultados estes, e nomeadamente a Física, a que não serão alheias as referências anteriores, quanto a equipamentos.
Mas o bom desempenho da Escola não se mede apenas pelos rankings nacionais.
Há outros indicadores, porventura mais importantes, nomeadamente a boa imagem que a Comunidade tem da Escola a tal ponto que, mesmo após o anúncio da fusão, e contrariando todas as expectativas de que a escola corria o risco de perder alunos, pode contar com mais de 1000 (mil) alunos, mantendo praticamente o mesmo nível de frequência do ano anterior.
Acresce ainda que a Escola tem uma excelente localização, reforçada com a recente estação do Metropolitano (que curiosamente tem o seu nome) e que vem facilitar o acesso de populações limítrofes, que desde sempre procuraram esta instituição e que, por certo, gostariam de poder continuar a usufruir das situações de ensino/aprendizagem que nela se têm desenvolvido com a eficácia inerente à tradição pedagógica que a caracteriza.
"
(...)

Porto e E. S. Carolina Michaëlis, 15 de Outubro de 2004.

Pela Comunidade Educativa, / O Presidente Da Assembleia de Escola
Luís Miranda




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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS / UM VULCÃO QUE CUMPRE O SEU DEVER





A Terra é um planeta, logo os "novos descobrimentos" também olham para cá, de cima claro. A fotografia combinando luz, a que vemos e a que não vemos (infravermelho) mas está lá, é da NASA e tirada por um "mestre", o "MODIS/ASTER Airborne Simulator (MASTER)". O vulcão que cumpre o seu dever é o Monte S. Helena. As cores são falsas, mas o vulcão é verdadeiro.

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SCRITTI VENETI: AMOR VENDICATO / BIBLIOFILIA



Ele há dias de sorte, como hoje, em que encontrei e comprei esta pequena maravilha goldoniana, o Amor Vendicato. Poemetto in Lingua Veneziana del Dottor Carlo Goldoni, editado em Veneza em 1761.

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COISAS SIMPLES


T. Warrender

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: OS RIDÍCULOS EM 1916


"Comentário censurado disponível na colecção do jornal Os Ridículos depositada na Hemeroteca Municipal de Lisboa. A edição original saiu com uma “bexiga” neste local da página.
“Com uma imprensa d'estas, aonde jornaes aconselham aos exaltados politicos a liquidação dos directores de outros jornaes, n'uma imprensa cheia de intruzos que d'ella só fazem biombo para arranjos politicos, n'uma desgraçada situação d'esta ordem... é fechar os olhos e deixar ir para o fundo !
Resignação e esperança de que melhores dias surjam para a nossa querida terra ! "


Os Ridículos, 5/Jul/1916, p. 2


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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: PRINCÍPIO DA INTELIGÊNCIA DO MERCADO

"Se perguntarmos a cada indivíduo de um grupo de mais de 20 pessoas quantos rebuçados há num frasco de rebuçados e se depois calcularmos a média das 20 respostas, encontramos invariavelmente um valor a não mais de três por cento da quantidade exacta de rebuçados que há no frasco.

Com um grupo de 20 indivíduos já existem condições para que o palpite colectivo funcione, ainda que muitos dos intervenientes sejam idiotas compulsivos. É o princípio da inteligência do mercado.Ou seja, um grupo a funcionar com regras e um objectivo claro, o lucro por exemplo, leva a uma resposta mais acertada.

Acredito que mais depressa as pessoas na América vão votar na clareza do Sr. Bush do que nas boas promessas do Sr. Kerry."


(Manuel Pais)


*

"Em relação ao texto do Vital Moreira acho contudo que o mapa eleitoral não engana: a classe média urbana vota Kerry e os cristãos fundamentalistas do campo votam Bush, juntamente com os 1% da América que ganham mais de 200.000 dólares por ano e que têm muito a ganhar com a “flat tax” dos neo-cons.

No mês passado fui a Lisboa e a senhora do check-inn aqui no aeroporto perguntou-me se os europeus odiavam os Americanos. Eu disse-lhe que não, mas que uma grande parte dos europeus odiavam o Bush por ele ser tão violento, tão arrogante e tão ganancioso, e perguntei-lhe se ela não preferia os tempos do Clinton, quando havia menos crimes, os salários subiam mais depressa que a inflação, a segurança no trabalho era uma prioridade, era ilegal mandar mercúrio para os rios, etc. Ela desatou aos berros, a dizer que o Bush era “a good man,” e eu insisti: “Mas o seu poder de compra desceu, não desceu? Deixe-me adivinhar: o seu cheque da redução dos impostos deve ter sido para aí 200 dólares e a subida do seu seguro de saúde deve andar na ordem dos 1.000, não é?” Era. “E os seus netos? Ainda têm programas à borla a seguir à escola? Não?! Agora você tem de pagar, não é?” Ela interrompeu-me aos berros “Isso não interessa nada! Eu estou mais pobre e está tudo mais caro, sim senhor, mas isso é por causa da Economia! O que interessa é que os homossexuais se querem casar e anda para aí tudo a fazer abortos!”

Além da Mossad, da Christian Coalition e dos bilionários a quem ele perdoa os impostos, este é que é o eleitorado do Bush. E eu acho que o Vital Moreira tem toda a razão quando diz que esta gente é bronca e ignorante! Como eram broncos e ignorantes os que votaram no Hitler."


(Filipe Castro)

*

berry kush, besh kurry
Eu sou inteligente e, não votando bush, tenho dúvidas se votaria kerry
A não ser que eu seja do partido socialista, onde se pratica o voto útil.


(E.M.)

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EARLY MORNING BLOGS 335

A Drink With Something In It


There is something about a Martini,
A tingle remarkably pleasant;
A yellow, a mellow Martini;
I wish I had one at present.
There is something about a Martini,
Ere the dining and dancing begin,
And to tell you the truth,
It is not the vermouth--
I think that perhaps it's the gin.


(Ogden Nash)

*

Sem nos levarmos demasiado a sério, bom dia!

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14.10.04


A LER / INTENDÊNCIA

A nota de João Miranda A regulação reduz o pluralismo no Blasfémias.

Em complemento da questão público / privado na comunicação social coloquei no VERITAS FILIA TEMPORIS um dos vários artigos que publiquei (desde 1987 pelo menos) defendendo que o estado não seja dono de meios de comunicação social. Nem poucos, nem muitos, nenhuns.

A FRONDA (Maio 2002)

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ELE HÁ MOMENTOS

em que não se deve escrever sem pensar duas vezes. Vital Moreira fê-lo na seguinte nota no Causa Nossa:
“Dos três debates públicos entre Kerry e Bush, este não ganhou nenhum e perdeu inequivocamente dois deles (o primeiro, sobre política externa, e o terceiro, realizado ontem, sobre política interna), em que Kerry triunfou em toda a linha. Perante a patente superioridade do candidato democrata, os eleitores norte-americanos serão estúpidos?”

A pergunta final não tem qualquer sentido numa democracia.

Primeiro, porque a performance nos debates não é o único critério para uma escolha eleitoral. Há elementos intangíveis – para o bem e para o mal - na relação entre eleitos e eleitores que incluem a percepção de outras qualidades e defeitos para além da argumentação racional. A confiança, por exemplo. Depois, porque os eleitores em democracia são sempre mais “inteligentes” do que a sobranceria da frase de Vital Moreira que os divide entre “inteligentes” (que votam Kerry) e “estúpidos” (que votam Bush). Mesmo quando votam em Chavez.

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COISAS SIMPLES


N. G. Wentzel

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EARLY MORNING BLOGS 334

Siren Song


This is the one song everyone
would like to learn: the song
that is irresistible:

the song that forces men
to leap overboard in squadrons
even though they see the beached skulls

the song nobody knows
because anyone who has heard it
is dead, and the others can't remember.

Shall I tell you the secret
and if I do, will you get me
out of this bird suit?

I don'y enjoy it here
squatting on this island
looking picturesque and mythical

with these two faethery maniacs,
I don't enjoy singing
this trio, fatal and valuable.

I will tell the secret to you,
to you, only to you.
Come closer. This song

is a cry for help: Help me!
Only you, only you can,
you are unique

at last. Alas
it is a boring song
but it works every time.


(Margaret Atwood)

*

Bom dia!

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13.10.04


UM VULCÃO QUE CUMPRE O SEU DEVER


Monte S. Helena, um vulcão muito perigoso. Hoje de manhã, uma erupção de lava, na foto só visível pela coluna de fumo.

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A LER

Um grande poema "químico" de Ruy Belo, "Ácidos e óxidos", colocado no Porto de Abrigo. Uma amostra:

"Simples questão de tempo és e a certas circunstâncias de lugar
circunscreves o corpo. Sentas-te, levantas-te
e o sol bate por vezes nessa fronte aonde o pensamento
- que ao dominar-te deixa que domines - mora
Estás e nunca estás e o vento vem e vergas
e há também a chuva e por vezes molhas-te,
aceitas servidões quotidianas, vais de aqui para ali,
animas-te, esmoreces, há os outros, morres
Mas quando foi? Aonde te doía? Dividias-te
entre o fim do verão e a renda da casa
Que fica dos teus passos dados e perdidos?
Horário de trabalho, uma família, o telefone, a carta,
o riso que resulta de seres vítima de olhares
Que resto dás? Ou porventura deixas algum rasto?
E assim e assado sofro tanto tempo gasto"

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INTENDÊNCIA

Actualizado O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DERRIDA.

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CORREIO

Neste momento 5152 mensagens de correio para este blogue esperam por ser respondidas. Sei que é impossível fazê-lo e muitas, a esmagadora maioria, ficarão sem resposta. São 5152 mensagens lidas, todas lidas com atenção, e as suas múltiplas vozes têm feito muito pelo Abrupto e muito do Abrupto. Algumas, daquelas a que mais obrigação tinha de dar resposta, são às vezes as mais atrasadas, porque precisam de mais do que uma resposta. O correio dos leitores e dos amigos dá força ao Abrupto, é parte do meu tempo mais útil, e espero que esta nota não desencoraje ninguém de escrever. Continuarei a fazer todos os esforços para responder ao maior número de mensagens, mas a cortesia obriga-me a dar esta explicação para as faltas de resposta.

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SCRITTI VENETI

Em breve, mais do mesmo.

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AR PURO

F. G. Waldmüller

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EARLY MORNING BLOGS 333

Before Dawn


Life! Austere arbiter of each man's fate,
By whom he learns that Nature's steadfast laws
Are as decrees immutable; O pause
Your even forward march! Not yet too late
Teach me the needed lesson, when to wait
Inactive as a ship when no wind draws
To stretch the loosened cordage. One implores
Thy clemency, whose wilfulness innate
Has gone uncurbed and roughshod while the years
Have lengthened into decades; now distressed
He knows no rule by which to move or stay,
And teased with restlessness and desperate fears
He dares not watch in silence thy wise way
Bringing about results none could have guessed.


(Amy Lowell)

*

Bom dia!

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12.10.04


UM ABSURDO, MAS UM ABSURDO TÍPICO 4

Uma notícia antiga que vale a pena ler.

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UM ABSURDO, MAS UM ABSURDO TÍPICO 3

As autoridades nacionais esperavam pelos 21.10 para verem o tempo de antena e não foram informadas da mudança. Tiveram a surpresa de ver a hora mudada. Pelo contrário, militantes do PSD tiveram mais sorte e foram informados previamente da mudança de horário por SMS enviado do partido.

Qual é a verdadeira natureza da intervenção de ontem? Se foi tempo de antena, seguiu os trâmites habituais? Por que razão não houve uma normal comunicação ao país do Primeiro-ministro? Para ser obrigatória a passagem nas televisões? Foram usados os meios do estado e da televisão pública? Se não foi tempo de antena, o que foi? Como é que o filme da RTP foi parar à SIC antes de ser emitido pela RTP? Como é que se sente a televisão pública no meio disto tudo?

Porque é que tudo isto é relevante? Porque os procedimentos estão na essência da saúde da democracia.


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O CONTRADITÓRIO

A minha proposta do absoluto, completo, total, genial, contraditório ao tempo de antena de ontem é o episódio da série "Sim Senhor Primeiro-Ministro" intitulado “A emissão ministerial”. Poucas vezes se fez uma sátira política tão certeira para as circunstâncias presentes como esse episódio. Está lá tudo. Corram para os DVD e vejam o episódio, e, como hoje nos noticiários vale tudo, ponham-no lá em horário nobre. Garanto-vos que o Primeiro-ministro pedirá a Marcelo Rebelo de Sousa que volte de imediato. Tudo, tudo , menos isto. Quadros modernos, fato escuro, mão nos óculos, penteado, as "coisas que o partido gosta", olhar de frente ou de lado, sondagens, tudo, tudo está lá. Falta Strawinsky, mas ouvindo bem , não há uma música ao fundo...

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AR PURO


J. Weissenbruch

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EARLY MORNING BLOGS 332

Musée des Beaux Arts


About suffering they were never wrong,
The Old Masters; how well, they understood
Its human position; how it takes place
While someone else is eating or opening a window or just walking dully along;
How, when the aged are reverently, passionately waiting
For the miraculous birth, there always must be
Children who did not specially want it to happen, skating
On a pond at the edge of the wood:
They never forgot
That even the dreadful martyrdom must run its course
Anyhow in a corner, some untidy spot
Where the dogs go on with their doggy life and the torturer's horse
Scratches its innocent behind on a tree.

In Breughel's Icarus, for instance: how everything turns away
Quite leisurely from the disaster; the ploughman may
Have heard the splash, the forsaken cry,
But for him it was not an important failure; the sun shone
As it had to on the white legs disappearing into the green
Water; and the expensive delicate ship that must have seen
Something amazing, a boy falling out of the sky,
had somewhere to get to and sailed calmly on.


(Auden)

*

Bom dia!

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FALTA DE DIGNIDADE

É o que se mostra neste parágrafo que Luis Delgado escreve contra Eduardo Cintra Torres:

"Um vendedor de antenas parabólicas, que se acha crítico de televisão, e da Imprensa em geral, passou aos insultos pessoais. Diz tudo do seu carácter e estatura mental. Trate-se, ECT. Interne-se, num hospital psiquiátrico."

Se fosse na URSS seria sem dúvida assim. Em Portugal, este tipo de palavras, tem também uma velha tradição. No Agora, antes do 25 de Abril, os mais velhos sabem o que era. O problema é que este homem manda no Diário de Notícias, no Jornal de Notícias, na TSF, no 24 Horas, etc., etc.

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11.10.04


UM ABSURDO, MAS UM ABSURDO TÍPICO 2

O truque é fazer com que, durante uma hora, em sucessivas televisões, em horas desfasadas, passe o tempo de antena, em vez de ser simultâneo como devia. O método é fazer combinações contraditórias, em segredo, com diferentes canais. É uma falta de lealdade com os que são enganados, e imagino como é que se deverá sentir a “televisão pública”, ludibriada. Convém dizer aos aprendizes de feiticeiros que passam por cima de tudo, - regras, normas, leis, bons costumes, educação, - que não vai dar resultado. É essa a lição do "ruído" nas tentativas anteriores. No actual momento, todas estas habilidades vão continuar a gerar mais ruído do que a passar a mensagem. E ainda bem, porque os procedimentos são cruciais em democracia.


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UM ABSURDO, MAS UM ABSURDO TÍPICO

Como é possível fazer uma comunicação como Primeiro-ministro ao país, anunciar a sua hora de transmissão, e depois negociar a sua divulgação como exclusivo antes dessa hora com uma estação de televisão? Ou, não sendo bem assim, permitir a divulgação casuística de um "tempo de antena"? É falta de respeito pelos portugueses. Puro e simples. Mas é típico de um estilo de enorme arrogância para com todos nós. Mandamos, podemos fazer o que entendemos desde que dê resultados. Sem contraditório.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: QUOTAS EM ATRASO

"É espantoso os péssimos sinais que temos dado na Europa a respeito dos nossos compromissos internacionais no Observatório Europeu do Sul (ESO) e no laboratório de partículas do CERN. Estamos a dois meses de ser expulsos do primeiro por falta de pagamento de quotas, uma situação lamentável e que nunca se tinha visto na Europa. Portugal deve actualmente ao ESO cerca de quatro milhões de euros e se não pagar tudo até à próxima reunião do Conselho do ESO, em 7 e 8 de Dezembro, será expulso desta organização, com a consequente proibição do acesso aos telescópios do ESO. E já agora se formos expulsos não temos direito a reivindicar qualquer devolução do dinheiro pago em quotas anuais e jóia no passado. Nos 42 anos de vida do ESO, não há memória de uma situação destas. Nem no ESO nem no CERN onde também temos quotas em atraso. Esta situação já se arrasta desde o tempo do governo de Durão Barroso e está a dar uma péssima imagem do país junto dos nossos parceiros europeus. É este o Portugal que queremos? Um país que nem sequer paga as quotas das organizações a que pertence? "

(José Matos)

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INTENDÊNCIA

Colocado no VERITAS FILIA TEMPORIS , a Lagartixa e o Jacaré 7.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: DERRIDA

"Morreu Jacques Derrida. No longínquo ano de 1980 colaborei numa das primeiríssimas traduções integrais (registe-se hoje: imperfeita) que ele conheceu em Português. Não ganhei, por isso, inscrição em qualquer galeria; na verdade, nunca o conheci nem vi pessoalmente e muito do que fiz ou pensei depois seguiu por caminhos e linguagens bem diferentes. Mas a obrigação de respeito pelo dizer e pelo pensar de outrém em que aquela tradução me instituía, deixou em mim um vínculo compreensível que a notícia da morte me torna dolorosamente claro.

Na conjuntura geocultural das décadas que se seguiram, tornou-se impossível pronunciar o nome de Derrida sem activar de imediato um sistema de oposições binárias que (prolongando no plano da cultura outras guerras menos “florais”) opõem a deliquescência do “francesismo” à sólida tradição anglo-americana, o desconstrucionismo (entendido sem mais especificações como sinónimo de relativismo) ao racionalismo epistemológico e ético, o “pensamento de 68” à tradição liberal, etc., etc.

Pessoalmente, não poderei dizer que essas oposições sejam em absoluto infundadas (e que o “derridaísmo” internacionalizado não tenha mesmo sido mesmo um dos seus pilares). Para o José Pacheco Pereira, no entanto, considerados muitos dos seus textos, tais oposições parecem muitas vezes matéria de facto.

Sabe-se como estes sistemas classificação para consumo alargado, uma vez instituídos no espaço intelectual e mediático, facilmente funcionam por si mesmos (tanto para os epígonos como para os adversários), para além de qualquer escuta efectiva e de qualquer desejo de pensar. Talvez, por isso ao ler hoje esta entrevista impressionante ao Le Monde de um homem e de um pensador que (sabemo-lo nós agora) sabia então que morreria em breve, dei comigo a pensar que o José Pacheco Pereira não desdenharia (nem pelo tom nem pelo conteúdo) afixá-la nesse espaço singular de comunicação pública que é o seu “blog”.
"

(Joaquim Torres Costa)

*

"Diz Joaquim Torres Costa que a entrevista de Derrida é impressionante. Também achei, como acho impressionante quase tudo o que leio de Derrida. Acho deveras impressionante a vacuidade filosófica e o pedantismo intelectual de Derrida, de que a entrevista ao Le Monde é um bom testemunho. Trivialidades embrulhadas num discurso oracular como « La survivance, c'est la vie au-delà de la vie, la vie plus que la vie» ou a conversa sobre aprender a viver e a ideia de que viver é sobreviver, insinuando que é preciso ser tranquilamente pessimista e pesaroso para se ser profundo. Aliás o que afirma tem tanto de trivial e desinteressante que nem sequer se dá ao incómodo de oferecer qualquer vestígio de argumento (quem sabe se para exemplificar a desconstrução a que o discurso lógico e racional deve ser submetido). Talvez por isso abundem associações vagas de ideias no lugar dos argumentos. Será por isso que sugere não haver mais do que umas dezenas de leitores competentes dos seus livros em todo o mundo?

Tudo indica que Derrida almeja a irrefutabilidade: se alguém mostrar que o que afirma é contraditório, inconsistente, ou simplesmente falso, ele pode sempre responder que não foi compreendido; pode até acrescentar, como o tem feito, que a ideia de contradição e de inconsistência precisam de ser desconstruídas (será que a ideia de desconstrução também tem de ser desconstruída e também ela não passa de mais uma narrativa como outra qualquer?) Nada do que se possa objectar atinge o alvo, até porque o discurso não tem «centro». Assim, Derrida consegue colocar-se olimpicamente acima da crítica e tornar-se irrefutável. Daí o estatuto divino, imune à crítica, que adquiriu na área de influência da cultura filosófica francesa, a qual, como sublinha Jacques Bouveresse, mais parece uma comunidade de crentes do que uma comunidade filosófica. Sim, porque fora daí, Derrida quase só é exportável para os departamentos de literaturas e de estudos femininos. Afinal de que serve discutir um filósofo irrefutável? Felizmente a esmagadora maioria da actividade filosófica mundial não perde grande tempo com vacas sagradas como Derrida, Deleuze, Lyotard e companhia. Bem pode Derrida apelidar-se de filósofo «intransigente» e «incorruptível» como, de forma insultuosamente pedante, afirma nesta entrevista."


(Aires Almeida)

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O PORTO DEBAIXO DO IMENSO VENTO

Recordação recente, memória antiga. Vendo de noite as árvores do Palácio, as grandes tileiras batendo umas contra as outras, sob uma chuva de folhas. Não se via o chão, tantas as folhas. Um ruído que passeava surdo, de árvore em árvore, no meio das ruas interiores, às escuras. Ameaçador, mas familiar. Não sei quando, há muitos anos, mas já devo ter visto este vento por aqui. Uma trovoada súbita nestas mesmas árvores, toda a gente a fugir dos restaurantes que havia na rua. Rua? Se a memória me não falha “avenida”, talvez “Avenida das Tílias”. Lojas de farturas? As emissões experimentais da televisão num barracão? E de repente chuva e vento e uma ameaça. Lembro-me hoje para trás, será que nesse tempo me lembrava para a frente? Suspeito que sim, suspeito que sabia já deste momento, num Palácio de absoluta ficção, sem farturas, sem restaurantes, sem televisão a preto e branco, sem inocência. Sabia que ia ser assim.

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SCRITTI VENETI: RELENDO “MORTE EM VENEZA”

A precisão da língua alemã, que tão apropriada a torna para a filosofia, em todo o seu esplendor: Thomas Mann no início da novela fala do “desejo da viagem”, usando a palavra Reiselust, em vez do termo mais comum Wanderlust. Wanderlust era para Mann insuficiente: “espírito”, “vontade”, “predisposição” para viajar parecia-lhe pouco. Por isso, seco e duro, preciso, usa Reiselust porque Aschenbach tinha uma pulsão para viajar, uma intimação interior para viajar. Na mesma frase, esta Reiselust é associada a uma “febre”, a uma “intensidade próxima da paixão”, uma “avidez”. Ele não foi a Veneza porque lhe apeteceu, mas porque tinha que ir, tinha que ir morrer em Veneza.

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AR PURO


Edward W. Waite

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EARLY MORNING BLOGS 331

Sailing To Byzantium


I
That is no country for old men. The young
In one another's arms, birds in the trees
--Those dying generations--at their song,
The salmon-falls, the mackerel-crowded seas,
Fish, flesh, or fowl commend all summer long
Whatever is begotten, born, and dies.
Caught in that sensual music all neglect
Monuments of unaging intellect.

II
An aged man is but a paltry thing,
A tattered coat upon a stick, unless
Soul clap its hands and sing, and louder sing
For every tatter in its mortal dress,
Nor is there singing school but studying
Monuments of its own magnificence;
And therefore I have sailed the seas and come
To the holy city of Byzantium.

III
O sages standing in God's holy fire
As in the gold mosaic of a wall,
Come from the holy fire, perne in a gyre,
And be the singing-masters of my soul.
Consume my heart away; sick with desire
And fastened to a dying animal
It knows not what it is; and gather me
Into the artifice of eternity.

IV
Once out of nature I shall never take
My bodily form from any natural thing,
But such a form as Grecian goldsmiths make
Of hammered gold and gold enamelling
To keep a drowsy Emperor awake;
Or set upon a golden bough to sing
To lords and ladies of Byzantium
Of what is past, or passing, or to come.


(Yeats)

*

Bom dia!

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10.10.04


SCRITTI VENETI

Em breve, mais do mesmo.

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COISAS SIMPLES


W. de Zwart

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EARLY MORNING BLOGS 330

Columbus


Once upon a time there was an Italian,
And some people thought he was a rapscallion,
But he wasn't offended,
Because other people thought he was splendid,
And he said the world was round,
And everybody made an uncomplimentary sound,
But he went and tried to borrow some money from Ferdinand
But Ferdinand said America was a bird in the bush and he'd rather have a berdinand,
But Columbus' brain was fertile, it wasn't arid,
And he remembered that Ferdinand was married,
And he thought, there is no wife like a misunderstood one,
Because if her husband thinks something is a terrible idea she is bound to think it a good one,
So he perfumed his handkerchief with bay rum and citronella,
And he went to see Isabella,
And he looked wonderful but he had never felt sillier,
And she said, I can't place the face but the aroma is familiar,
And Columbus didn't say a word,
All he said was, I am Columbus, the fifteenth-century Admiral Byrd,
And, just as he thought, her disposition was very malleable,
And she said, Here are my jewels, and she wasn't penurious like Cornelia the mother of the Gracchi, she wasn't referring to her children, no, she was referring to her jewels, which were very very valuable,
So Columbus said, Somebody show me the sunset and somebody did and he set sail for it,
And he discovered America and they put him in jail for it,
And the fetters gave him welts,
And they named America after somebody else,
So the sad fate of Columbus ought to be pointed out to every child and every voter,
Because it has a very important moral, which is, Don't be a discoverer, be a promoter.


(Ogden Nash)

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Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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