| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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26.6.04
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES
"Constituição Europeia Dizem os jornais que o Presidente da República, no referendo sobre a Constituição Europeia, tomará partido e fará campanha pelo “sim”. Ainda não li/ouvi críticas. Será que há neste caso unanimidade? Eu, pessoalmente e independentemente da minha posição sobre a CE, não estou de acordo com a tomada de posição do PR." (Joana) * "Saiba mais sobre a vida e a obra da grande violoncelista GUILHERMINA SUGGIA. Pretendemos reunir o máximo de documentos e testemunhos possíveis acerca de uma das mais importantes figuras da música no seu tempo. Ajude-nos. Leia. Comente. Divulgue. Comunique-nos tudo o que souber sobre Suggia." (Virgílio Marques) * "Permito-me recomendar: Final Freedom: The Civil War, the Abolition of Slavery, and the Thirteenth Amendment, de Michael Vorenberg, da Brown University, 2001 Cambridge U.P. Comprei-o na altura por causa dos meus estudos sobre os antecedentes da Lei Seca, que no plano político se cruzam com com o problema da escravatura: os republicanos eram maioritáriamente anit-esclavagistas e anti-proibicionistas, os democratas eram permeáveis à influência de evangelistas, quakers e demais puritanos. O livro é muito bom." (Filipe Nunes Vicente) (url)
MANIFESTAÇÃO
Circula para aí a convocatória de uma manifestação. Sei bem quem agradece a amabilidade, porque é difícil fazer melhor para obter os resultados exactamente contrários aos pretendidos. Menosprezem o populismo, menosprezem ... (url)
POBRE PAÍS
o nosso. Onde é vital, hoje, que não se confunda silêncio com consenso, silêncio com apatia, silêncio com ambiguidade. Está na altura de falar e falar claro, antes que seja tarde de mais. O que está em jogo é grave. É aquilo a que uma noção antiga chamava “bom governo”, a que nos dedicamos por gosto pelo nosso país, gosto pela nossa comunidade antiga, que é a única coisa que dá sentido à política. (url)
CONGRESSO
Se houver um Congresso extraordinário do PSD, deve ser prévio a qualquer escolha para Primeiro-ministro, para não colocar os congressistas sob a chantagem do derrube do governo do seu próprio partido. A objecção de que isso significaria um governo quase de gestão não colhe, porque o PR, em boa prática institucional, também não deixaria um Primeiro-ministro que está a prazo até à realização do Congresso tomar medidas de fundo. As coisas seriam assim mais limpas e politicamente legitimadas. E o governo de gestão só pode ser dirigido por quem tem legitimidade na orgânica governamental: o número dois do governo. (url)
POBRE PAÍS
o nosso. Para o qual eu quero um governo que pense em Portugal em primeiro lugar, que não se importe de perder as eleições, se estiver convicto que políticas difíceis são vitalmente necessárias. Não quero uma comissão eleitoral uninominal (ou binominal) que fará tudo apenas com um fito: ganhar as próximas eleições. Porque esse será o seu programa não escrito. (url)
POBRE PAÍS
o nosso. Em plena Futebolândia, com os noticiários da televisão a despachar à pressa as notícias sobre Portugal, pedindo desculpa por interromperem o Euro. (url)
POBRE PAÍS
o nosso. Lá vamos desperdiçar de novo o que penosamente adquirimos. Lá vamos ter que começar tudo de novo. (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 235
Sale mi blanca aurora... Sale mi blanca aurora, y en saliendo coge a la obscura noche el negro manto; mas yo, que sin dormir en tierno llanto lo más de ella pasé triste y muriendo, en viéndola salir blanca y riendo, dejando el lloro, torno alegre al canto y el verla tan hermosa puede tanto que a rienda suelta torno al bien corriendo. "¡Ay blanca y amorosa aurora -digo- y cuánto puede en mí tu alegre vista! y cuánto el verte tal y tan hermosa! El bien que siento en verte es buen testigo, que vuelve el fiero mal no siendo vista tu clara luz en noche tenebrosa". (Francisco de Figueroa) * Bom dia! Se forem capazes... (url) 25.6.04
(url) (url) 24.6.04
OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: A VERDADEIRA FORMA
Isto é todos os dias sem descanso. Pela manhã, finalmente as formas certas de Febe, lá para as bandas de Saturno. Cuidado com ela, uma das titãs originais, filha de Urano e Gaea, senhora da Lua, senhora da Lua brilhante. Casou com um irmão, Coeus, a Inteligência. Não se pode dizer que casou mal. A sua filha Leto seguiu-lhe a tradição lunar, e teve como descendência o par de gémeos sublimes, Artemisia e Apolo. Estamos de novo entre os grandes. O pai? O segundo pai universal: Zeus, seguindo Hesíodo. Como de costume, Hera, a legítima de Zeus, perseguiu-a tentando impedir que alguma vez pousasse na terra para que Zeus não pudesse… Como de costume, não resultou. Complicado, não é? Hoje é mais. (url) (url)
EARLY MORNING BLOGS 234
A mis soledades voy... A mis soledades voy, de mis soledades vengo, porque para andar conmigo me bastan mis pensamientos. ¡No sé qué tiene la aldea donde vivo y donde muero, que con venir de mí mismo no puedo venir más lejos! Ni estoy bien ni mal conmigo; mas dice mi entendimiento que un hombre que todo es alma está cautivo en su cuerpo. Entiendo lo que me basta, y solamente no entiendo cómo se sufre a sí mismo un ignorante soberbio. De cuantas cosas me cansan, fácimente me defiendo; pero no puedo guardarme de los peligros de un necio. El dirá que yo lo soy, pero con falso argumento, que humildad y necedad no caben en un sujeto. La diferencia conozco, porque en él y en mí contemplo, su locura en su arrogancia, mi humildad en su desprecio. O sabe naturaleza más que supo en otro tiempo, o tantos que nacen sabios es porque lo dicen ellos. Sólo sé que no sé nada, dixo un filósofo, haciendo la cuenta con su humildad, adonde lo más es menos. No me precio de entendido, de desdichado me precio, que los que no son dichosos, ¿cómo pueden ser discretos? No puede durar el mundo, porque dicen, y lo creo, que suena a vidrio quebrado y que ha de romperse presto. Señales son del jüicio ver que todos le perdemos, unos por carta de más otros por cartas de menos. Dijeron que antiguamente se fue la verdad al cielo; tal la pusieron los hombres que desde entonces no ha vuelto. En dos edades vivimos los propios y los ajenos: la de plata los extraños y la de cobre los nuestros. ¿A quién no dará cuidado, si es español verdadero, ver los hombres a lo antiguo y el valor a lo moderno? Dixo Dios que comería su pan el hombre primero con el sudor de su cara por quebrar su mandamiento, y algunos inobedientes a la vergüenza y al miedo, con las prendas de su honor han trocado los efectos. Virtud y filosofía peregrina como ciegos; el uno se lleva al otro, llorando van y pidiendo. Dos polos tiene la tierra, universal movimiento; la mejor vida el favor, la mejor sangre el dinero. Oigo tañer las campanas, y no me espanto, aunque puedo, que en lugar de tantas cruces haya tantos hombres muertos. Mirando estoy los sepulcros cuyos mármoles eternos están diciendo sin lengua que no lo fueron sus dueños. ¡Oh, bien haya quien los hizo, porque solamente en ellos de los poderosos grandes se vengaron los pequeños! Fea pintan a la envidia, yo confieso que la tengo de unos hombres que no saben quién vive pared en medio. Sin libros y sin papeles, sin tratos, cuentas ni cuentos, cuando quieren escribir piden prestado el tintero. Sin ser pobres ni ser ricos, tienen chimenea y huerto; no los despiertan cuidados, ni pretensiones, ni pleitos. Ni muemuraron del grande, ni ofendieron al pequeño; nunca, como yo, afirmaron parabién, ni pascua dieron. Con esta envidia que digo y lo que paso en silencio, a mis soledades voy, de mis soledades vengo. (Lope de Vega) * Bom dia! (url) 23.6.04
FALTA DE CORAGEM
foi a minha hoje de manhã ao não ter colocado este poema de e.e. cummings no Abrupto. Faz pensar e necessita de imaginação verbal, mas depois é a descoberta. Roeu-me o dia todo e aqui está ele, na sua glória, como agradecimento ao Causa Nossa pelo prémio ao Abrupto. !blac... (1) !blac k agains t (whi) te sky ?t rees whic h fr om droppe d , le af a:;go e s wh IrlI n .g (url)
PORQUE RAZÃO
numa Europa sem fronteiras, os bilhetes de futebol são vendidos por nacionalidades e por quotas nacionais? Para comprar bilhetes para um espectáculo desportivo tem que se ter passaporte? Então os "cidadãos europeus", a que se dirige a Constituição, ficam à porta dos estádios? Ninguém acha isto estranho... * "Compreendo a sua consternação, mas existem razões de ordem pública que justificam esta "discriminação". Não vá um solitário português ficar na claque inglesa no jogo de hoje à noite!" (Sofia) * "Em relação aos bilhetes do jogo Portugal - Inglaterra, o que aconteceria e quais seriam os comentários na horrível imprensa britânica se num Europeu de Futebol disputado em Inglaterra e num jogo dos quartos-de-final com as mesmas equipas 60% da assistência fosse lusa ?" (Pedro Andrade) * "Respeitando a sua opinião permita-me que dela discorde uma vez que, tratando-se o Campeonato da Europa de uma competição entre nações, julgo fazer todo o sentido que a venda de bilhetes para os jogos se proceda atribuindo quotas a cada um dos países em causa. Se quiser uma analogia, também nos jogos de futebol dos diversos campeonatos nacionais a venda dos bilhetes para os mesmos é precedida da atribuição de quotas dos ingressos aos clubes participantes, independentemente da nacionalidade destes ser a mesma. Aliás o seu raciocínio levado ao extremo implicaria, no limite, a dissolução do actual modelo competitivo dos campeonatos entre nações a partir da substituição das diversas selecções nacionais dos países da UE por uma única representante da União à semelhança do que sucede por exemplo com os EUA. Óptimo argumento para os anti-federalistas digo eu..." (Pedro Martins) (url)
ANDAR COM A CABEÇA NO AR 2 - NUMA GALÁXIA PRÓXIMA
está um planeta que visto de cima tem destas "vistas":
Na Via Láctea. No Sistema Solar. O Terceiro. No continente negro. No deserto grande. Na terra dos mouros. Na Mauritânia. A estrutura de Richat. Vista por um dos meus olhos: o do NASA/National Geospatial-Intelligence Agency Shuttle Radar Topography Mission. (url)
ANDAR COM A CABEÇA NO AR
Leio o Público em linha; “early morning” já tinha lido o Diário de Notícias (que me deixa sempre insatisfeito porque falta qualquer coisa naquele jornal); depois vou aqui saber das sondas marcianas (boa saúde na meia idade, nos sítios certos, olhando), depois vou aqui ver como está a Cassini-Huygens (há novas fotografias de Iapetus , o planeta Yin-Yang diz o texto do Jet Propulsion Laboratory), depois vou aqui ver como é que está a Stardust (recomenda-se) e salto para trás e para a frente aqui. Depois, volto à humilde condição de humano, não vão os “men in black” dar pelos meus vinte olhos e desligo. (url)
EARLY MORNING BLOGS 233
'Tis Sunrise—Little Maid—Hast Thou 'Tis Sunrise—Little Maid—Hast Thou No Station in the Day? 'Twas not thy wont, to hinder so— Retrieve thine industry— 'Tis Noon—My little Maid— Alas—and art thou sleeping yet? The Lily—waiting to be Wed— The Bee—Hast thou forgot? My little Maid—'Tis Night—Alas That Night should be to thee Instead of Morning—Had'st thou broached Thy little Plan to Die— Dissuade thee, if I could not, Sweet, I might have aided—thee— (Emily Dickinson) * Bom dia! (url) 22.6.04
A MELHOR LIVRARIA DE PORTUGAL
continua a ser a Leitura, no Porto. Excepcionalmente organizada, com um número significativo de livros estrangeiros, ingleses e franceses, acabo sempre por lá encontrar dezenas de livros que nunca vi em mais lado nenhum. A Leitura ajuda a combater o carácter cada vez mais caótico da distribuição livreira. É a melhor livraria, de longe. * "Quanto ao que escreveu sobre a Leitura, devo dizer que embora, racionalmente, concorde com os seus comentários, não deixo de ter uma nítida preferência pela Lello. E embora seja uma livraria mais previsível, menos dada a surpreender os seus clientes, aquele ambiente é único e incomparável. Para além de ser, provavelmente, a mais bela livraria do mundo." (José Carlos Santos) (url) (url)
AMERICANA : JAZZ, DE KEN BURNS
Depois do documentário sobre a guerra civil americana, comprei o que pude de Ken Burns. Consegui comprar o Jazz e a série sobre a América, mas somente vi o Jazz. À primeira vista, tudo o que Burns já tinha feito nos filmes sobre a guerra também aqui aparece: uma predilecção da imagem fotográfica sobre o filme – o que é estranho num documentário de televisão – do preto e branco sobre a cor, uma utilização muito cuidada do texto, que acaba por ter um papel não somente narrativo, mas também estético. A meio da série, nos anos do swing, o resultado parecia-me mais frouxo do que na história da guerra. Havia qualquer coisa que não resultava, as palavras pareciam demasiado repetidas, caracterizando épocas e autores com frases muito semelhantes. Se tivesse parado por aí, teria uma certa desilusão, mesmo que a série documental continuasse a ser de grande qualidade. No entanto, como muitas vezes acontece, é a empatia do autor que o trai. Quando começa a retratar a história do jazz dos anos do pós-guerra e a defrontar personagens como Charlie Parker, Miles Davis, John Coltrane, o filme ganha uma outra força. A estranha intensidade criativa do jazz e o modo como consumia / destruía os que se lhe dedicavam era patente num círculo que ia da música para as vidas. A entrada das drogas no mundo do jazz, potenciando o papel que já o álcool tinha, aparece como símbolo desse comportamento autodestrutivo. A solidão de uma música que assenta no solo aparece iniludível numa das raras filmagens: Dexter Gordon, solitário, num quarto acima do clube onde vai tocar em Copenhaga, e depois solitário em palco. O pathos da liberdade, da liberdade criativa levada até aos limites, é muito bem retratado em Charlie Parker, assim como a associação dessa procura de liberdade com a condição do negro americano. No último episódio, curiosamente terminado um pouco à pressa com a cacofonia de músicas e músicos do início dos anos setenta, quase trinta anos antes da série ser feita, sugere-se de forma indirecta que o jazz, como forma de expressão criativa, pode estar morto. A ideia, que Ken Burns enuncia mas não aceita, de que uma forma de linguagem criativa possa atingir os seus limites, possa esgotar-se, é muito interessante e pode lançar uma luz, que psicologicamente não desejamos, sobre a “morte da arte”. E se morreu mesmo e nós ainda não demos por isso? (url) 21.6.04
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EARLY MORNING BLOGS 232
Liberté Le vent impur des étables Vient d'ouest, d'est, du sud, du nord. On ne s'assied plus aux tables Des heureux, puisqu'on est mort. Les princesses aux beaux râbles Offrent leurs plus doux trésors. Mais on s'en va dans les sables Oublié, méprisé, fort. On peut regarder la lune Tranquille dans le ciel noir. Et quelle morale ?... aucune. Je me console à vous voir, A vous étreindre ce soir Amie éclatante et brune. (Charles Cros) * Bom dia! (url)
TRAIDORA NOITE
Estava magnífica para montar o telescópio. Pitch dark, com uma lua em D, finíssima. Depois distraí-me uma hora e, quando regresso, uma miserável névoa tapa-me metade do céu. (url) 20.6.04
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EARLY MORNING BLOGS 231
«Para tudo há um momento e um tempo para tudo o que se deseja debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar plantas, tempo de matar e tempo de curar, tempo de destruir e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de lamentar e tempo de dançar, tempo de atirar pedras, e tempo de as ajuntar, tempo de abraçar e tempo de evitar o abraço, tempo de procurar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de atirar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz. Que proveito tira das suas fadigas aquele que trabalha? Eu vi a tarefa que Deus impôs aos filhos dos homens para que dela se ocupem. Todas as coisas que Deus fez, são boas a seu tempo. Até a eternidade colocou no coração deles, sem que nenhum ser humano possa compreender a obra divina do princípio ao fim. Eu concluí que nada é melhor para o homem do que folgar e procurar a felicidade durante a sua vida. Todo o homem que come e bebe e encontra felicidade no seu trabalho, tem aí um dom de Deus.» (Eclesiastes 3, 1-8) * Bom dia! (url)
© José Pacheco Pereira
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