| ABRUPTO |
semper idem Ano XIII ...M'ESPANTO ÀS VEZES , OUTRAS M'AVERGONHO ... (Sá de Miranda) _________________ correio para jppereira@gmail.com _________________
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21.3.09
HOJE NO ![]() Este emblema é um raríssimo exemplo de propaganda deste tipo anterior ao 25 de Abril, pela simples razão de que não podia ser usado. Foi realizado para comemorar o 50ª aniversário do PCP (1921-1971) e era vendido (como todos os exemplares aqui reproduzidos) para obter fundos. Este emblema foi “comprado” por mim a um velho militante operário do PCP em Riba d’Ave , que mo entregou às escondidas no quarto de banho do café central da terra em 1971, junto com o número especial do Avante! que comemorava o aniversário. Paguei 50$00 e ele perguntou-me com que nome queria “entrar” na lista (o Avante! publicava periodicamente longas listas de donativos para o PCP, com pseudónimos escolhidos pelo dador para existir um controlo de que o dinheiro chegava ao partido). Recordo-me que lhe disse qualquer coisa do género “viva a luta armada” ou outra palavra de ordem esquerdista qualquer. Nunca verifiquei se saiu mas dado o teor esquerdista da frase, é provável que não. Ele bem me preveniu “ó camarada isso não pode ser…” (url) EARLY MORNING BLOGS 1514 - To Spring O thou with dewy locks, who lookest down
Thro' the clear windows of the morning, turn Thine angel eyes upon our western isle, Which in full choir hails thy approach, O Spring! The hills tell each other, and the listening Valleys hear; all our longing eyes are turned Up to thy bright pavilions: issue forth, And let thy holy feet visit our clime. Come o'er the eastern hills, and let our winds Kiss thy perfumed garments; let us taste Thy morn and evening breath; scatter thy pearls Upon our love-sick land that mourns for thee. O deck her forth with thy fair fingers; pour Thy soft kisses on her bosom; and put Thy golden crown upon her languished head, Whose modest tresses were bound up for thee. (William Blake) (url) 20.3.09
ESSA É QUE É ESSA
![]() O Papa deu uma bofetada de luva branca, branquíssima, em todos os silêncios sobre o poder em Angola, a miséria, a força bruta, as enormes diferenças sociais entre uma elite que nós bajulamos e os angolanos comuns a quem continuamos a trair. * A verdadeira bofetada, foi dada por Mário Crespo, ao entrevistar hoje na SICN o jornalista angolano Rafael Marques, o qual referiu a bajulação que é feita ao governo angolano por parte do universo politico e empresarial português. (url) COISAS DA SÁBADO: PCP E BLOCO DE ESQUERDA Por isso, a manifestação da CGTP mostra uma diferença abissal entre o BE e o PCP que muitos jornalistas “amigos” do BE (e são muitos) preferem ignorar, e que as sondagens muitas vezes escondem por sub-representação do PCP: aquela manifestação mostra o grau de eficácia do PCP, como estrutura nacional, como capacidade de mobilização e organização. Ao pé daquilo, Louçã e um infante. (url) HOJE NO
(url) COISAS DA SÁBADO: SÓCRATES E A CGTP (É por isso que o anúncio da Antena 1 é um típico produto dos tempos que correm e do "socratismo".) Na verdade, a manifestação é o que é, mais uma manifestação de força da CGTP e do PCP, de alguma maneira “aquecida” pelos tempos de crise, mas nada de diferente das anteriores, com as mesmas vantagens e inconvenientes para os seus organizadores. Ela acrescenta a uma estratégia quantitativa de pressão eleitoral, não muda qualitativamente a situação política do país. Se Sócrates estivesse calado e não emitisse uns soundbites acintosos, ficava melhor. Devia seguir o exemplo do seu ministro Vieira da Silva que disse que o problema é não haver “alternativa” à política do governo. Haver há, o que não é é a da CGTP e a do PCP, está no espectro político oposto. A da CGTP e do PCP só com revolução, economia planificada e repressão, mas isso é o não-dito de muitas declarações inflamadas do PCP e do BE. (url) (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (73): UMA "ESTRATÉGIA DE COMUNICAÇÃO" NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS - FERREIRA LEITE - 1308 VERSUS PASSOS COELHO - 2826 ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. A propósito do tratamento dado pelo DN a Passos Coelho por comparação a Manuela Ferreira Leite, lembrei-me de fazer um pequeno exercício: executar uma pesquisa no motor de busca da edição online do referido jornal, de modo a perceber qual o destaque dado a uma e outra personalidade. Neste aspecto, a informática por definição não mente: é feita uma procura com base em palavras-chave. Deparei-me então com o resultado que envio em anexo. Isto vale o que vale. Não faço comentários, apenas coloco os PrintScreens dos resultados. (Ricardo Carvalho) * Não viria grande mal ao mundo se o seu post se limitasse a albergar a opinião de um seu leitor. No entanto, nem a opinião é apresentada como tal - pretende passar-se a ideia que se trata de um facto - nem o autor do blog se exime à corresponsabilidade editorial, titulando o post de maneira a corroborar o seu conteúdo.Fica aqui publicada a carta, mas continuo a afirmar e a validar a nota do leitor Ricardo de Carvalho. Antes de a publicar fiz eu próprio uma verificação e o essencial permanece válido: existe um número de referências a Passos Coelho, em detrimento de Manuela Ferreira Leite, no Diário de Notícias, ímpar na imprensa portuguesa. Muitas vezes, sem sequer se justificar por qualquer relevância jornalística, o jornal promove Passos Coelho como seja publicando a sua agenda, mesmo pequenos encontros de secção, facto que não tem paralelo com qualquer outro "conselheiro nacional" do PSD, como o jornal o titula. Do mesmo modo, há uma sistemática igualização da Presidente do PSD com um seu "conselheiro nacional" no tratamento de actividades de muito diferente dimensão e relevância. Por exemplo, em titulações como esta:" Manuela Ferreira Leite e Passos Coelho foram ontem para o terreno" (14 de Março). Existem também entradas em tudo o que é secção social e um uso abundante de fotografias promocionais. O argumento de José Manuel da Silva não invalida esta factualidade, quando por exemplo cita a correlação com a palavra PSD, porque muitas das referência são feitas em secções do jornal em que a relação com o PSD não está explicitada, como seja as de tipo "gente" e as que cobrem o "social", onde Passos Coelho é presença habitual e muitas vezes forçada. O resultado em bruto pode não explicar tudo e exagerar na desproporção, mas a desproporção é evidente para todos os leitores do jornal, quer quantitativa (a medida pelo motor de busca) quer qualitativa. Se se experimentar no motor de busca as correlações entre cada um dos nomes com palavras "positivas" e "negativas" ainda se percebe melhor a diferença. (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (72): O DIABO QUE ESTÁ NOS DETALHES ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. Na mesma linha dos anúncios pró-governamentais, acho ainda mais preocupante e grave o anúncio feito a mando do Ministério da Economia e Inovação e divulgado pelo menos na RTP1. Nesse anúncio, sobre as energias renováveis, a voz off dizia mais ou menos o seguinte: «O sol quando nasce é para todos, por isso o governo permitiu aos portugueses a aquisição de painéis solares mais baratos(...)». Não tenho a certeza absoluta se a minha transcrição daquele anúncio está totalmente correcta, mas aquilo tenho a certeza e que continuamente ressoa na minha cabeça é a frase "o Governo permitiu". Pura propaganda, portanto. Só estranho ninguém ter dito absolutamente nada sobre esse anúncio, terei sido eu o único a vê-lo? (José Miguel Nunes Pereira) (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (71): MAIS UMA MANIFESTAÇÃO? CONTRA QUEM? CONTRA SI, CLARO, QUE QUER CHEGAR A HORAS ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. Mais rádio de "serviço público", contra a liberdade de manifestação, na Antena 1. Puro reaccionarismo pago com os nossos impostos, ao serviço de um Portugal submisso ao poder. Estou à espera do clamor de escândalo do nosso jornalismo de causas... à esquerda. .SITUACIONISMO +5 * Quanto ao clamor de escândalo do jornalismo de causas, gostaria de saber o que é que esses mesmos jornalistas diriam se o mesmo anúncio fosse divulgado quando Cavaco Silva era primeiro-ministro. (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (70): CÓDIGO DEONTOLÓGICO? QUERO LÁ SABER! No Público de hoje:![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. ![]() ![]() Edição "de bolso" do Código Deontológico para os jornalistas trazerem na carteira. Outros sociais-democratas ouvidos pelo Público, mais próximos do círculo de Pedro Passos Coelho e que não quiseram ser identificados, lêem a convicção da líder do PSD como uma questão de crença que não possui sustentação nas sondagens públicas.Não se identificam porquê? Estão em risco de vida? (url) (url) EARLY MORNING BLOGS 1513 - The Trees
The trees are coming into leaf Like something almost being said; The recent buds relax and spread, Their greenness is a kind of grief. Is it that they are born again And we grow old? No, they die too, Their yearly trick of looking new Is written down in rings of grain. Yet still the unresting castles thresh In fullgrown thickness every May. Last year is dead, they seem to say, Begin afresh, afresh, afresh. (Philip Larkin) (url) 19.3.09
(url) 18.3.09
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(url) EARLY MORNING BLOGS 1512 - To Various Persons Talked To All At Once You have helped hold me together. I'd like you to be still. Stop talking or doing anything else for a minute. No. Please. For three minutes, maybe five minutes. Tell me which walk to take over the hill. Is there a bridge there? Will I want company? Tell me about the old people who built the bridge. What is "the Japanese economy"? Where did you hide the doctor's bills? How much I admire you! Can you help me to take this off? May I help you to take that off? Are you finished with this item? Who is the car salesman? The canopy we had made for the dog. I need some endless embracing. The ocean's not really very far. Did you come west in this weather? I've been sitting at home with my shoes off. You're wearing a cross! That bench, look! Under it are some puppies! Could I have just one little shot of Scotch? I suppose I wanted to impress you. It's snowing. The Revlon Man has come from across the sea. This racket is annoying. We didn't want the baby to come here because of the hawk. What are you reading? In what style would you like the humidity to explain? I care, but not much. You can smoke a cigar. Genuineness isn't a word I'd ever use. Say, what a short skirt! Do you have a camera? The moon is a shellfish. I can't talk to most people. They eat me alive. Who are you, anyway? I want to look at you all day long, because you are mine. Might you crave a little visit to the Pizza Hut? Thank you for telling me your sign. I'm filled with joy by this sun! The turtle is advancing but the lobster stays behind. Silence has won the game! Well, just damn you and the thermometer! I don't want to ask the doctor. I didn't know what you meant when you said that to me. It's getting cold, but I am feeling awfully lazy. If you want to we can go over there Where there's a little more light. (Kenneth Koch) (url) 17.3.09
(url) (url) Se há coisa vital nestes dias para o poder socialista é manter o controlo, “capturar” o que puder ser capturado, subjugar o que puder ser subjugado e isolar com veemência como se fosse a peste, o que não é passível de controlo. Usando do imenso peso do estado, fortalecido pela crise actual, os espaços de liberdade e de contestação são deixados para as fronteiras exteriores do império. O controlo acentua-se na comunicação social pública, e estende-se a pressões de todo o tipo sobre a comunicação social privada. O caso Freeport mostrou como funciona o abafador, tornando incidental um caso que em qualquer democracia seria central na informação e na exigência de esclarecimento. Este controlo estendeu-se agora à economia privada, como nunca aconteceu, a pretexto da crise. Num país em que não há quase nada que se possa fazer sem o beneplácito governamental, a liberdade tem que necessariamente escassear. E o controlo aumenta. (url) EARLY MORNING BLOGS 1511
Manhã. O monge bebe chá, nada mexe, os crisântemos florescem. (Matsuo Basho 松尾芭蕉) (url) ÍNDICE DO SITUACIONISMO (69): RESPEITINHO COM ANGOLA ![]() A questão do situacionismo não é de conspiração, é de respiração. E, nalguns casos, de respiração assistida. Este Prós e Contras parece uma espécie de longo tempo de antena dos negócios angolano-portugueses e, por extensão, da política governamental em relação a Angola (como à Venezuela e como à Líbia, a triste trilogia dos nossos negócios externos). É um excelente exemplo de como o dinheiro solto, nu e cru mata a política, mata o pensamento e mata o jornalismo. Os despojos estão ali todos na RTP a falar. Há coisas destas em França (mais) no Reino Unido (menos), mas nenhuma se compara a esta subserviência institucionalizada, a este desprezo pela democracia, a este cínico fechar de olhos perante uma realidade que ninguém ali desconhece e ninguém ali nomeia. O título absurdo deste programa é "o que é que Angola tem?". Devem ter passado horas a discutir como é que iam chamar a um programa que não tem contraditório e não podia ofender os irritáveis angolanos. "O que é que Angola tem?". Dinheiro, claro, nas mãos de uma classe dirigente que se reciclou do comunismo soviético, na sua mais cruel versão africana, para uma cleptocracia sem vergonha. Mas a pergunta certa, é "o que é que Portugal tem?", porque Portugal é que está doente na sua democracia, sem fôlego nem espírito de liberdade, a um canto, de chapéu na mão, atento, venerador e obrigado. .SITUACIONISMO +5 (url) 16.3.09
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(url) (url) EARLY MORNING BLOGS 1510 - In a Dark Time In a dark time, the eye begins to see, I meet my shadow in the deepening shade; I hear my echo in the echoing wood-- A lord of nature weeping to a tree, I live between the heron and the wren, Beasts of the hill and serpents of the den. What's madness but nobility of soul At odds with circumstance? The day's on fire! I know the purity of pure despair, My shadow pinned against a sweating wall, That place among the rocks--is it a cave, Or winding path? The edge is what I have. A steady storm of correspondences! A night flowing with birds, a ragged moon, And in broad day the midnight come again! A man goes far to find out what he is-- Death of the self in a long, tearless night, All natural shapes blazing unnatural light. Dark,dark my light, and darker my desire. My soul, like some heat-maddened summer fly, Keeps buzzing at the sill. Which I is I? A fallen man, I climb out of my fear. The mind enters itself, and God the mind, And one is One, free in the tearing wind. (Theodore Roethke) (url) 15.3.09
(url) UMA COLIGAÇÃO DO PS-1 (SÓCRATES) COM UM PS-2 (ALEGRE) No debate da última Quadratura do Círculo, António Costa sugeriu que o "problema Alegre" para a direcção do PS (leia-se para Sócrates) se poderia resolver através de uma espécie de "coligação". Admito que a palavra "coligação" tenha sido dita como um lapsus linguae, mais como aquilo que António Costa pensa que é do que aquilo que realmente se anunciará como sendo. No fundo, presumo que queria dizer um "acordo político", entre Alegre e Sócrates, com a constituição de um minigrupo parlamentar com apoiantes indicados por Alegre e uma espécie de contrato político pelo qual esses apoiantes (o minigrupo) votariam com o outro grupo parlamentar do PS (o maxigrupo) os documentos fundamentais, como seria o caso do Orçamento do Estado, e teriam liberdade de voto noutras matérias. A não ser que se trate de um exercício cínico de Realpolitik, destinado a resolver o problema imediato do PS através de uma táctica dilatória destinada a manietar Alegre e impedi-lo de, a tempo, se preparar para uma eventual ida às urnas, uma "coligação" seria um desastre para o PS e para um eventual governo do PS. Uma solução deste tipo teria para um Sócrates imediatista e pragmático a vantagem de evitar o risco de uma cisão no PS que teria a saída de Alegre, seguida eventualmente pela criação de um movimento, grupo, ou seja lá o que for, que ou apoie outro partido nas eleições (o Bloco de Esquerda, por exemplo), ou, pior ainda, concorra às eleições com um novo partido. Mas, uma solução de "coligação", se resolveria as tensões do presente, seria mais um problema para o futuro. Seria inédita, bizarra e perversa na democracia portuguesa, não traria transparência ao eleitor e não garantiria qualquer estabilidade futura. Alegre e os seus apoiantes não são o grupo de senhoras católicas que vota com a Igreja na bancada do PS. É outra coisa. Um governo que viesse, em hipótese académica, a ser constituído com uma base parlamentar deste tipo, dois partidos em um, seria ainda mais instável do que um governo de coligação. Vamos por partes. Qualquer acordo na base de orientações programáticas entre aquilo que o PS de Sócrates e o PS de Alegre defendem seria incoerente e traria muitos conflitos. A "esquerdização" estatista que se vive nos dias de hoje na retórica do PS como reacção à crise financeira e económica pode unir na aparência Sócrates e Alegre, mas não resistiria à prova da governação. Hoje um governo PS não pensará em privatizar a TAP ou a EDP, mas quererá fazê-lo no futuro. Hoje, um governo PS, em vésperas de eleições, deitará dinheiro por cima de tudo o que mexe e o que não mexe. Depois das eleições, um eventual governo PS terá que dar um aperto enorme no controlo orçamental, com perda de regalias sociais, aumento dos impostos, despedimentos na função pública. Hoje Sócrates pretende ter as vestes de Robin Hood, amanhã quererá ser "estadista" e namorar à direita. Como actuarão, nesse contexto de amanhã, os dois PS "coligados"? Cada um para o seu lado. Ora, na hipótese de o PS ganhar as eleições, não será previsível que, mesmo com o PS de Alegre no seu interior, o faça com maioria absoluta; ou na ainda mais académica hipótese de ter maioria absoluta, os votos do grupo parlamentar "alegrista" serão os decisivos em qualquer votação. Se Sócrates fizer uma "coligação", fica refém de Alegre, no mais que provável cenário de uma redução do número de parlamentares, em que cada um de Alegre será decisivo. Por isso, qualquer futura governação do PS será profundamente instável, mesmo com maioria absoluta. Na prática, seria também um enfraquecimento quase institucionalizado da autoridade de José Sócrates, que defraudaria as votações unanimistas do último congresso, fazendo com que vá às urnas numa posição em que a sua autoridade está muito fragilizada e em que não pode, face ao eleitorado, apresentar-se como estando à frente de um partido, mas apenas de uma parte. E, por último, a questão da clareza do voto. Em quem vota quem vota no PS? Em Sócrates ou em Alegre? Presumo que basta esta dúvida para perceber que mesmo em termos eleitorais é uma péssima solução para o PS. Nem os eleitores tradicionais do PS se sentirão à vontade e desconfiarão, nem muito menos os presumíveis eleitores de Alegre entenderão esta "coligação" e, ou se absterão, ou votarão BE ou PCP. O "problema Alegre" no PS é apenas uma das faces da crise mais geral que os dois partidos centrais do sistema político português atravessam e que vai mais fundo do que os epifenómenos que a revelam. Quer o PS quer o PSD têm graves problemas de unidade interior no seu seio, embora eles se manifestem de formas diferentes, tenham causas diferentes e consequências distintas. O PSD pode desagregar-se em grupos de poeira cada vez mais finos e frágeis e ficar apenas um grupo maior com pouco mais do que a marca, mas o PS pode cindir-se. Há uma diferença. No PSD há uma captura dos aparelhos locais pelos interesses e poderes locais, em particular autárquicos, com um processo de grande fragilização da componente nacional, logo de qualquer direcção política nacional. Há também hoje uma constituição de um partido paralelo à volta de Passos Coelho, com apoios exteriores, mas o seu objectivo é a captura da direcção nacional numa lógica de crise eleitoral, não é a de actuar face ao eleitorado. Passos Coelho quer receber o partido de bandeja depois de uma derrota eleitoral, não quer testar-se eleitoralmente em nenhuma circunstância, a não ser como deputado numa lista de Ferreira Leite, tendo as vantagens do lugar e sem se responsabilizar nos resultados. Alegre, pelo contrário, não quer ser dirigente do PS, quer usar a influência junto do eleitorado de esquerda (que associa aos seus votos presidenciais) para moldar políticas e não exclui, daí a crise actual, cindir o PS e ir a votos. A estratégica de Alegre passa pelo voto, a de Passos Coelho pela crise interna. No caso do PS, a fractura é mais ideológica do que orgânica. Na organização interior do PS, Manuel Alegre quase nada conta. Não dispõe de estruturas, secções ou federações, mas de movimentos de simpatia entre militantes e eleitores (mais provavelmente entre os eleitores do que entre os militantes mais ligados ao aparelho). Os seus simpatizantes estendem-se não só ao eleitorado do PS, mas também ao eleitorado mais vasto da esquerda entre o BE e o PCP e os vários movimentos cívicos como o que anima Helena Roseta. É por isso que, se Alegre desse um passo para organizar os seus apoiantes num movimento que fosse às urnas, quer o BE, quer o PCP o atacariam de imediato, como aliás já o fizeram, quando pensaram que esse risco estava mais próximo. O PS de Sócrates pode tentar manter Alegre no seu interior com uma absurda "coligação", mas a clarificação conflitual que os grandes partidos querem evitar fica apenas adiada. Por outro lado, se Alegre for às urnas, verificar-se-á uma reorganização geral da esquerda portuguesa, envolvendo outras personagens que estão num limbo actual, como Carvalho da Silva, e isso terá consequências em todo o espectro político português. E não será só no PS, será também no PSD. (Versão do Público de 14 de Março de 2009.) (url)
(url) (url) EARLY MORNING BLOGS 1509 - Coming Close Take this quiet woman, she has been standing before a polishing wheel for over three hours, and she lacks twenty minutes before she can take a lunch break. Is she a woman? Consider the arms as they press the long brass tube against the buffer, they are striated along the triceps, the three heads of which clearly show. Consider the fine dusting of dark down above the upper lip, and the beads of sweat that run from under the red kerchief across the brow and are wiped away with a blackening wrist band in one odd motion a child might make to say No! No! You must come closer to find out, you must hang your tie and jacket in one of the lockers in favor of a black smock, you must be prepared to spend shift after shift hauling off the metal trays of stock, bowing first, knees bent for a purchase, then lifting with a gasp, the first word of tenderness between the two of you, then you must bring new trays of dull unpolished tubes. You must feed her, as they say in the language of the place. Make no mistake, the place has a language, and if by some luck the power were cut, the wheel slowed to a stop so that you suddenly saw it was not a solid object but so many separate bristles forming in motion a perfect circle, she would turn to you and say, "Why?" Not the old why of why must I spend five nights a week? Just, "Why?" Even if by some magic you knew, you wouldn't dare speak for fear of her laughter, which now you have anyway as she places the five tapering fingers of her filthy hand on the arm of your white shirt to mark you for your own, now and forever. (Philip Levine) (url)
© José Pacheco Pereira
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