ABRUPTO

31.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Clicar na foto para aumentar.

Um nevoeiro bizarro no Funchal, há momentos.

(Bart Bernardes)

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EARLY MORNING BLOGS
1076 -Not marble nor the guilded monuments (Sonnet 55)

Not marble nor the gilded monuments
Of princes shall outlive this powerful rhyme;
But you shall shine more bright in these contents
Than unswept stone, besmear'd with sluttish time.
When wasteful war shall statues overturn,
And broils root out the work of masonry,
Nor Mars his sword nor war's quick fire shall burn
The living record of your memory.
'Gainst death and all-oblivious enmity
Shall you pace forth; your praise shall still find room,
Even in the eyes of all posterity
That wear this world out to the ending doom.
So, till the judgment that yourself arise,
You live in this, and dwell in lovers' eyes.


(William Shakespeare)

*

Bom dia!

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30.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.





Hoje, ao fim da tarde, no Portal do Inferno (Serra de S. Macário). (José Manuel de Figueiredo)





Hoje, ao início da noite, na Serra da Coelheira (São Pedro do Sul). (José Manuel de Figueiredo)



Decorre neste momento o Debate Sobre o Estado da Nação em Cabo Verde. Muitas palavras e apenas palavras (ainda bem), algumas incompreensíveis, outras bem pronunciadas, outras bem "caçadas", outras decisivas sobremaneira. Não existe outro regime mais criativo, funcional e limpo do que a Democracia Parlamentar. É realmente uma das melhores invenções humanas.

(Sérgio Alves)


Rio Ponsul - Idanha a Velha. (Isaac Carrêlo)





Casa de Mateus. (António Ruivo )

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NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (22) - o dia a dia do PSD de dentro.

O PSD E A CRISE DOS PARTIDOS NA DEMOCRACIA PORTUGUESA (2) - "ismos" dentro do PSD.

NUNCA É TARDE PARA APRENDER: O LINEU DAS NUVENS - olhar para as nuvens de outra maneira.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Capela restaurada do Senhor do Bonfim em Setúbal. (Angelo Ochôa)



Praia da Amália [Rodrigues], Brejão.

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RETRATOS DO TRABALHO EM MOÇAMBIQUE



Venda de castanha de cajú (Xai-Xai), Moçambique. (Ferreira Mendes)

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EARLY MORNING BLOGS
1075 - Cuentan de un sabio, que un día

Cuentan de un sabio, que un día
tan pobre y mísero estaba,
que sólo se sustentaba
de unas yerbas que cogía.
«¿Habrá otro», entre sí decía,
«más pobre y triste que yo?»
Y cuando el rostro volvió,
halló la respuesta, viendo
que iba otro sabio cogiendo
las hojas que él arrojó.

(Pedro Calderón de la Barca)


*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



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29.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Chuvisca agora mesmo no Plateau, Praia, Cabo Verde. Baixou a temperatura. (Sérgio Alves)



A lua no mar do Funchal. (Carlos Oliveira)





Entardecer no Alentejo litoral. (RM)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Clicar nas fotos para aumentar.

Estas são uma pequena parte das fotos enviadas pelos leitores do Abrupto na última semana. São fotos de Portugal, de Norte a Sul, Espanha, Grécia, Alemanha, EUA, Canadá. Moçambique, Angola, etc. Retratam paisagens, temperaturas, eventos, horas do dia, luzes, em tempo quase real. É isso que as une - se se for àquela praia, àquela rua, as coisas estarão quase assim. Quase. São um olhar que tanto pode ser trivial (é apenas o que estou a ver porque estou a ver), ou "monumental", "típico" ou "turístico". Têm todas as convenções da fotografia amadora, a começar pela de querer ser mais do que amadora. Pouco importa. Em conjunto e publicadas logo a seguir a serem tiradas, são outra coisa que só há na Rede. Mil olhares, mil sítios, mil tempos, ao mesmo tempo.

Obrigada a todos. Daqui a pouco há mais.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Palmela: Assistência a Teatro de Rua. ( Ângelo Ochôa)



Imbondeiro (estrada Chokué - Massingir -Moçambique). Hoje. (Ferreira Mendes)



Estranho sinal. (RM)





Capela restaurada do Senhor do Bonfim em Setúbal, na manhã de hoje domingo.

(Angelo Ochôa)

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (22)

Hoje os jornais estão cheios de pérolas para estes escritos em Rongorongo. Por exemplo, uma entrevista com Helena Lopes da Costa no Diário de Notícias. Tema: uma matéria com um longo historial, sobre a qual se poderia escrever um tratado de quinhentas páginas, a secção de Algés.
"O semanário Sol referia existir pagamento de quotas em massa na secção do PSD de Algés, de que é presidente. Quer comentar?

HLC - O Sol transformou-se no Povo Livre da secretaria-geral do PSD. É um jornal que me recuso a comprar.

Mas confirma ter pago a quota de 29 militantes?

HLC - O que posso dizer é que o partido me fez cair numa esparrela, pois foi por sugestão de Maria do Rosário Ferro, da tesouraria do PSD , que paguei por transferência bancária as quotas de alguns militantes que não o conseguiam fazer pois o código que receberam em casa dava o aviso de dados inválidos no multibanco.

Mas foram os militantes que se queixaram dessa dificuldade de pagamento?

HLC - Naturalmente as pessoas quando têm estes problemas e não conseguem pagar quotas dirigem-se à sua secção. Aliás, o PSD é o único partido em que o pagamento de quotas se transformou numa espécie de drama. Por isso contactei a sede nacional para saber de que forma se podia ultrapassar a situação. Creio que a funcionária do PSD agiu de boa-fé e que me deu uma indicação que deve ser a usual nestes casos."
No Público, há um artigo de "opinião" de Pedro de Abreu Peixoto, membro da secção concelhia de Vila Real do PSD, pressuposto apoiante de Menezes, intitulado "Carta aberta aos barões do PSD". Seria difícil encontrar melhor ilustração para o que escrevi no mesmo jornal (e está no Abrupto): a versão nua e crua da luta de classes dentro do PSD.
"No mistério insondável dos vossos interesses, que têm vindo claramente à luz do dia desde a altura em que decidiram trair o companheiro Santana Lopes e, mais proximamente, quando fizeram com que Marques Mendes ficasse sozinho na liderança, para queimar os últimos resquícios do poder do aparelho (...) Tenho a certeza de que estão felizes. Os vossos patéticos almoços onde vão tentando passear a classe que não têm surtiram resultado. Está aberto o caminho para tentarem um dos vossos.

É claro que ainda vos falta eliminar o companheiro Luís Filipe Menezes, mas aí fia mais fino. É que o homem, para além de não ser burro, tem mais de 40 por cento do partido. E, meus caros companheiros barões, confessem que têm medo. Com tanta percentagem, não sabem se podem dar-se ao luxo dos joguinhos de bastidores num qualquer restaurantezeco da moda.

(...) Os barões do PPD/PSD fizeram o partido sair do poder a nível nacional e esvaziaram-no em Lisboa. Corroem de forma lenta as estruturas legítimas do partido e tentam com golpes de teatro comandar o maior partido português na senda de uma estratégia consecutivamente mal explicada. Basta! As bases estão fartas da vossa incapacidade, mediocridade e mesquinhez. Vamos lutar pelo ressurgimento do nosso partido, livre das sentinelas dos poderes instituídos que se auto-alimentam em regime rotativo. Sempre as mesmas caras, sempre os mesmos discursos, sempre as mesmas lamúrias, sempre os mesmos inimigos, que são inexoravelmente de dentro do partido e nunca de fora dele. (...) Por mim atingi o limite de olhar para as vossas cinzentas figuras e apelo às bases para que vos atirem borda fora, elegendo nas próximas directas um social-democrata de sempre."
A continuar assim ainda vão haver feridos e mortos, mas não se pense que tudo isto é irrelevante. Não o é, bem pelo contrário. É o retrato da situação do nosso sistema político-partidário e, para o mudar, há que conhecê-lo. Não bastam grandes abstracções e nojo nefelibata. Mais vale estudar bem estas peripécias, não as olhar como minudências. Não são.
A crise no PSD e a disputa entre Marques Mendes e Luís Filipe Menezes fazem-me pensar nesta citação de Woody Allen: «Há dois caminhos na vida. O primeiro leva ao desespero, ao sofrimento e à angústia; o segundo leva à morte. Sabedoria consiste em saber escolher qual tomar...»

(José Carlos Santos)

É evidente que não preciso de apelar a quaisquer minudências relativas a direitos de resposta (morais entenda-se porque o espaço é privado…), em relação às linhas que o companheiro decidiu dedicar no seu blogue ABRUPTO a uma Carta Aberta aos Barões do PPD/PSD da minha autoria e publicada no Jornal "Público".

Tenho a certeza que o companheiro, a quem reconheço uma finura reconfortante do conceito de democracia, me dará algum espaço do seu. Prometo que é o último em relação a esta questão.

Tenho reflectido nas suas ideias sobre a luta de classes no interior do PPD/PSD, quando alertado para uma forma diferente de olhar para o estado calamitoso em que se encontra a capacidade de reacção política deste partido e a sua organização interna.

Devo confessar que a sua teoria me intriga.

Sei que no que respeita às lutas de classes, suas teorias, propósitos e acções, não teríamos um diálogo igual, já que os seus conhecimentos na matéria suplantam largamente os meus.

Uma coisa eu não sei! Mas outra coisa eu sei!

A primeira – que eu não sei!- diz respeito em qual classe o Dr. Pacheco Pereira me coloca dentro do PPD/PSD. Na realidade, apesar do meu esforço de adaptação da teoria de Ranganathan, não descortino a forma de proceder à classificação – portanto criação de classes - de companheiros de um mesmo partido. Talvez por não saber onde me encaixar. Ou terei que ir para a varia contrariando toda a teoria da classificação?

A segunda – que eu sei! – é que dar uma opinião é um acto de liberdade, seja aqui seja na pequena localidade de Sirkazhi e que me assiste o direito de ser idealista ou de andar nas nuvens, bem como me assiste o direito de ser um apoiante, não pressuposto, mas assumido de Luis Filipe Menezes e que, afortunadamente, o meu voto vale tanto como o seu.

Pedro de Abreu Peixoto

(Vila Real, 31 de Julho de 2007)

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O PSD E A CRISE DOS PARTIDOS NA DEMOCRACIA PORTUGUESA (2)

(Primeiro artigo desta série aqui.)

A história recente intrapartidária no PSD começou com o conflito entre os "loureiristas" e os "nogueiristas" nos anos de Cavaco Silva. Na verdade, esta fractura não apareceu do nada, tinha profundas raízes na história do partido, algumas das quais genéticas, mas só então ganhou a expressão que ainda hoje podemos identificar como actual na crise do partido. Em ambos os casos, os termos estão muito para além dos homens que lhe deram o nome.

O PSD fora feito, em 1974, por um grupo de políticos que tinham tido um papel na primavera marcelista, que tinham acreditado na liberalização prometida por Marcelo Caetano. O facto de a sua ruptura ter sido efectiva e pública, com o afastamento da maioria da chamada "ala liberal" dos lugares políticos na Assembleia Nacional, e de se ter realizado com base em fracturas associadas à democracia, liberdade, direitos e garantias dos cidadãos, com preocupações sociais muito fundadas na doutrina da Igreja, tudo isso permitiu que a legitimidade política de homens como Sá Carneiro permanecesse incontestável no pós-25 de Abril.

Estes políticos da "ala liberal" vinham das profissões tradicionais da política antes do 25 de Abril e dos meios sociais certos, mas a eles juntaram-se depois do 25 de Abril algumas estruturas locais quer da oposição moderada anticomunista, quer oriundas do regime ditatorial. Enquanto o PS e o CDS recebiam alguns dos altos quadros do regime de Salazar e Caetano, reciclados em particular pela Maçonaria, o PSD viu facilitada a sua implantação regional pela adesão de algumas "forças vivas" locais que tinham estado, mais por necessidade do que por ideologia, ligadas à Acção Nacional Popular. Esta situação, consolidada pela luta anticomunista (juntamente com o PS) e com a luta pela democratização política e económica (aqui já mais o PSD do que o PS), manteve a lógica intrapartidária em termos próximos dos iniciais. O facto de o partido não ter estado no poder a não ser no breve período da Aliança Democrática, até à experiência ambígua do Bloco Central, impediu que os fenómenos de clientelismo e da consolidação oligárquica do aparelho, que já existiam, ganhassem expressão dominante e destruíssem tudo o que vive dentro do partido como acontece hoje.

A classificação de "loureiristas" e "nogueiristas" teve origem na comunicação social e retratava uma realidade desigual nos seus termos. Na verdade, enquanto o "nogueirismo" existia de facto, o "loureirismo" era mais uma corrente do que um grupo, alicerçava-se mais numa linha política tendencial do que num controlo partidário de pessoas e bens. Grosso modo, o "loureirismo" era a expressão de uma elite partidária mais voltada para uma liberalização da economia e da sociedade, mais voltada para o mundo dos negócios, para o Portugal que emergia depois da revisão constitucional que permitia as privatizações. Esta elite detinha mais influência social do que partidária e tendia a agregar de forma solta personalidades cuja militância partidária era pequena, mas cujas relações sociais e profissionais a colocavam numa situação de "prestígio" e poder. Contrastava com o "nogueirismo", que tinha uma expressão política mais anónima, mais cinzenta, mas que coincidia em consolidar no partido as tradições clientelares das "forças vivas", os mecanismos assistenciais do Estado-providência, uma política paternalista dum Estado forte, detentor de meios de comunicação, da hegemonia do espaço público e dador de emprego. Era mais social-democrata do que liberal, menos reformista e mais conservadora, remetia mais para um Portugal antigo, provinciano, universitário-coimbrão, e menos empresarial, menos yuppie, menos universitário-Nova, menos desenvolto comunicacionalmente. Foi este PSD "nogueirista" que o Independente de Portas atacou violentamente, usando as fugas de informação para moldar as "condições do exercício da política", protegendo por outro lado aquilo que achava ser o "velho dinheiro" dos Mellos, Espírito Santos, etc.

O "nogueirismo" era naturalmente forte entre os autarcas do partido e nas estruturas partidárias locais, cujos interesses clientelares levava ao topo do Estado. Era um eficaz distribuidor de poder e benesses, que a rigidez de outros mecanismos sociais impedia e por isso, num certo sentido, serviu para democratizar a acção política, levando-a onde não havia força nem votos para chegar, mas havia apenas o PSD. Só que, com o tempo, os interesses particulares da clientela e das carreiras profissionais dentro do partido sobrepuseram-se ao papel de justiça social que a acção partidária levava a um Portugal profundo e de outro modo marginalizado. Aliás, um mecanismo semelhante ao "nogueirismo", mas mais rudimentar, existe também no PS.

O "loureirismo", não sendo um grupo, foi tomando diferentes incarnações, no "marcelismo", no "barrosismo", e numa parte do "cavaquismo" pós-Cavaco (outra parte permanece mais próxima do "nogueirismo"), e nesse híbrido fugaz que foi o "santana-barrosismo". O "santanismo" tem neste processo um papel menor como corrente partidária de per se, mas o movimento que gera o populismo nos partidos políticos, e que "fez" Santana Lopes e a saga do "menino-guerreiro", permanece vivo e perigoso. O "santanismo" foi uma realidade gerada pelo cinzentismo do "nogueirismo" e pela nonchalance partidária do "loureirismo" e que se alimentou dos dois, antes e durante o seu breve exercício do poder. Fora disso, Santana Lopes é o odd man out, que nunca conseguiu ter mais do que um escasso número de fiéis assente num culto de personalidade, nunca ganhou um congresso do partido em circunstâncias de normalidade. Luís Filipe Menezes é um seu herdeiro e continuador, associando uma prática "nogueirista" de controlo do aparelho com uma expressão pública populista.
Os termos em ismo são facilitantes da comunicação social e tanto identificam ismos verdadeiros (o "nogueirismo"ou o "santanismo", que remetem para classificações políticas como o populismo e o aparelhismo clientelar), como pseudo-ismos que pouco mais são do que grupos de amizade, afinidade e "destino", que se esgotam num círculo de confiança. O "barrosismo", por exemplo, é uma inexistência partidária.
Mas a verdade, convém sempre lembrá-lo, é que o "barrosismo", o "loureirismo" e mesmo uma parte do "cavaquismo", conviveram melhor com Santana Lopes do que o "nogueirismo", que lhe percebeu o curso suicidário e, num certo sentido, ajudou imperfeitamente a ultrapassar. Este é um factor relevante para o entendimento da crise actual, em que a capacidade de se ir mais fundo na análise e na compreensão depende muito de se perceber que a crise que se vive no PSD não se deve a Marques Mendes em primeiro lugar, mas a Barroso e Santana Lopes. Daí que, por exemplo, Aguiar Branco pode ter mais prestígio social nas elites, e Marques Mendes menos, mas a realidade é que Aguiar Branco nunca viu mal nenhum no "menino-guerreiro" e Marques Mendes demarcou-se dele.

Com tempo, e num processo que vem dos governos de Cavaco Silva, evoluiu-se dos "nogueiristas" e "loureiristas" para dois partidos que comunicam pouco e quase sempre por mal-entendidos, o "de cima", constituído por um conjunto de personalidades que se comportam como donos do partido, muitas vezes como os latifundiários absentistas eram donos das herdades lá no fundo do Alentejo e vinham gastar o dinheiro no Casino Estoril, e o "povo trabalhador", cada vez mais dependente das posições que detinha e detém na estrutura partidária, vivendo um sonho de uma burocracia assistida e assistencial.

Esta fractura é uma fractura sociológica, de modus vivendi e de modus operandi e de "necessidade" do partido. Os dois grupos necessitam do partido de modo distinto e exercem o seu poder de forma muito diferente. Quando "os de cima" governam, deixam o aparelho partidário entregue a si próprio, quando os "de baixo" ficam sozinhos, digladiam-se ferozmente pelos pequenos poderes que sobram. Vivemos um típico ciclo dos "de baixo", muito dominado pelos poderes de dentro, logo muito mais tumultuoso e "plebeu".
Veja-se o artigo de de Pedro de Abreu Peixoto, membro da secção concelhia de Vila Real do PSD, "Carta aberta aos barões do PSD", no Público.
Mas convém não ter nojos aristocratas (que a história mostra serem mais burgueses do que aristocratas...) face a esses tumultos. A razão por que não aparecem candidaturas nas actuais eleições vindas "de cima" tem a ver com o facto de não se prever uma chegada do PSD ao poder a curto prazo e porque o jogo dos interesses instalados favorece uma complacência com Sócrates. É esta a grande fragilidade dos "de cima", em particular para um partido que está na oposição. É inclusive por isto, mas não só, e por estranho que possa parecer (fica para outro artigo), que é mais fácil mudar o PSD a partir de baixo do que "de cima".

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: O LINEU DAS NUVENS


A rainha das nuvens, a única nuvem verdadeiramente perigosa, a nuvem que mata, o cumuloninbus, coroada com o seu incus, o martelo de Thor, ameaçando tudo e todos, com trovões, raios, granizo, chuva poderosa, perturbações várias.

E há a mesma nuvem em várias versões, calvus ou capillatus, mais a sua família de traços distintivos, virga, pannus, mamma, pileus, arcus, tuba, mil nomes de uma nomenclatura latina que parece servir sempre melhor do que qualquer outra para classificar. A plasticidade classificativa do latim, instituindo, na sua declinação, relações de ordem e hierarquia, torna-o a língua morta mais viva que há.

Tudo isto em Gavin Pretor-Pinney, The Cloudspotter's Guide, cortesia da Cloud Appreciation Society (grande nome), editado em paperback pela Sceptre este ano, um livro antiquado, com humildes fotografias a preto e branco e apenas um encarte a cores, mas cheio de amor pelas nuvens, de histórias de nuvens (como a do aviador que se ejectou para dentro de um cumuloninbus e sobreviveu para contar) e "sentimentos" das e à volta das nuvens. O autor aparece numa fotografia do livro sentado em cima de uma nuvem (feita com uma toalha felpuda?) como Deus Nosso Senhor nos santinhos. Vale tudo a pena.

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EARLY MORNING BLOGS
1074 - Autobiography At An Air-Station

Delay, well, travellers must expect
Delay. For how long? No one seems to know.
With all the luggage weighed, the tickets checked,
It can't be long... We amble too and fro,
Sit in steel chairs, buy cigarettes and sweets
And tea, unfold the papers. Ought we to smile,
Perhaps make friends? No: in the race for seats
You're best alone. Friendship is not worth while.

Six hours pass: if I'd gone by boat last night
I'd be there now. Well, it's too late for that.
The kiosk girl is yawning. I fell stale,
Stupified, by inaction - and, as light
Begins to ebb outside, by fear, I set
So much on this Assumption. Now it's failed.

(Philip Larkin)

*

Bom dia!

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28.7.07


NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

LENDO / VENDO / OUVINDO / ÁTOMOS E BITS de 28 de Julho de 2007 - sobre o Prémio Libertador ao Pensamento Crítico" atribuído por Chávez a Boaventura Santos; sobre as listas de "sex offenders" nos EUA, e outras coisas.

LENDO / VENDO / OUVINDO / ÁTOMOS E BITS de 27 de Julho de 2007 - sobre a jornalista Márcia Rodrigues da RTP a entrevistar o embaixador do Irão em Portugal, de véu, fato dos pés à cabeça e luvas pretas de cabedal. + Comentários.

DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (21) - Júdice, o seu antigo partido, e a abjuração de Pedro.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



A Lua, hoje.

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O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES: UM OUTRO ALGARVE



Hoje após ver o nosso ministro a vir ao Algarve a apregoar alto e bom som os hotéis 10 estrelas, onde alguns não tem nem uma espécie daqui, lembrei-me de uma viagem realizada esta semana por motivos profissionais, pelo o outro Algarve, ou seja aquele que vive do outro lado da Via do Infante.

Eu, embora trabalhe a plantar eucaliptos dá-me um nó na alma, cada vez que ando por aquela Serra de Monchique, tão despejada de gente e que levou a última porrada, após os incêndios de 2003. Até essa data contam-me as pessoas, que eles iam vivendo, duma cortiça, eucalipto e do seu medronho. E é sobre esta espécie e nomeadamente, sobre ilegalização da mesma, que gostaria dedicar algum artigo ou um agitar nas forças vivas do Algarve (independentemente da cor partidária), que não é ou não deveria ser só PINs. Caso não saiba, há sensivelmente 3-4 meses, após uma visita da ASAE a um senhor de idade em Alferce o homem após a saída dos mesmos de sua casa, enforcou-se com uma corda. A maior parte das pessoas que lá moram, como por exemplo, o meu encarregado estão a pensar vir viver para Portimão, bem como, outros que foram viver para fora de Monchique afirmam que se ainda pudessem apanhar medronho ainda iam à Serra tomar conta da propriedade, que está cheia de material queimado, etc. Eu próprio, transportei um garrafão de 5L de medronho à pouco tempo e estava cheio de medo, até parecia que tinha droga ou bombas, para o caso de ser parado pela policia.

O medronho é por agora, porque os eucaliptos, embora de crescimento rápido, ainda demoram 10-12 anos a crescer e a cortiça é melhor nem falar, o medronho é a última linha para parar a erosão demográfica das serras do Algarve que foram extremamente afectadas. Porque o Algarve não é só resorts e hotéis de 6 estrelas (...) O medronho têm especifidades que a Comunidade Europeia e o nosso governo devia ter em atenção, como devem ter outros produtos noutras zonas da mesma e não proibir, ou colocar em valores tão altos os impostos, que sobre ele recaem, levando a esta clima que se vive em Monchique.

(Paulo Maio)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Aldeia abandonada do Massagoso (São Pedro do Sul), hoje de tarde . (José Manuel de Figueiredo)






Golfinhos no Sado, hoje de manhã. (Angelo Ochôa)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Cabos junto ao Tejo. (Fernando Correia de Oliveira )



Amarante hoje, ponte românica sobre o rio Tâmega. (Helder Barros)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 28 de Julho de 2007


Prémios políticos para a nossa academia: "Prémio Libertador ao Pensamento Crítico" -2006 Boaventura Sousa Santos recebe menção honrosa em 24 de Julho de 2007:
Boaventura Sousa Santos recebe menção honrosa do "Prémio Libertador ao Pensamento Crítico -2006" pelo Presidente da República, Hugo Chávez Frías, pela obra "Conhecer desde o Sul". O diploma da "menção honrosa" foi entregue pelo Presidente Hugo Chávez ao embaixador de Portugal em Caracas, João Caetano da Silva, durante um acto que ocorreu na noite da segunda-feira (manhã de hoje em Lisboa), na Sala Rios Reina, do Teatro Teresa Carreño.

*

Há qualquer coisa de sinistro em listas como esta (as três primeiras entradas do Sex Offender Registry do Estado de Maryland), uma entre muitas existentes aqui . Não são listas pequenas, mas contêm milhares e milhares de nomes, fotos, moradas. É uma espécie de versão moderna de pelourinho, a que não se escapa fugindo da aldeia, porque hoje a aldeia é "global".

1
Name: AALDERS, DONALD NEWTON
Address: 4270 SUNSET DR BIVALVE, MD 21814
Address Change Date: 02/28/2007
Charge: SEX OFFENSE 4TH DEGREE (3-308)
Category: Child Sexual Offenders
Information Contact: Wicomico County Sheriff's Office
Date of Birth: 04/12/1933
Age: 74
Status: COMPLIANT
Notify me if the status changes
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2
Name: ABBOTT, DANIEL MAURICE
Address: 500 OVERCREST RD BALTIMORE, MD 21286
Address Change Date: 06/21/2007
Charge: ATTEMPTED RAPE 2ND DEGREE (3-310)
Category: Sexually Violent Predators
Information Contact: Baltimore County Police Department
Date of Birth: 12/28/1985
Age: 21
Status: COMPLIANT
Notify me if the status changes
Picture Unavailable
3
Name: ABBOTT, JAMES GORDON
Address: 102 VANDIVER CT HAVRE DE GRACE, MD 21078
Address Change Date: 04/11/2007
Charge: RAPE 2ND DEGREE (3-304)
Category: Sexually Violent Offenders
Information Contact: Harford County Sheriff's Office
Date of Birth: 06/14/1964
Age: 43
Status: COMPLIANT
Notify me if the status changes
Picture Unavailable

A existência destas listas e a sua divulgação pública pode até ter algum papel em garantir maior segurança a potenciais vítimas (terá? está estudado?), mas retrata um mundo que não sei muito bem caracterizar (claustrofóbico? pegajoso? vigiado? sanitário? higiénico? esterilizado?) mas no qual não me reconheço. De todo. Até reproduzi-la aqui me incomoda, mas seja a favor do argumento...

*

Ficção científica e realidade: Robert Heinlein e o "espaço".

*

Não há só bombas no Iraque. O que está a mudar para melhor visto pelo insuspeito Guardian.

*

As sortes da Alexandria de Durrell.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Hoje pela manhã, no Rio Vouga (Termas de São Pedro do Sul). (José Manuel de Figueiredo)



Cata-ventos no Montijo à procura de melhor vento. (António Cabral)



Museu da Ciência em Sintra. (MJ)



Estatua do descobridor Fagundes e o novo porto sem qualquer barco junto ao cais vistos do convés do Gil Eannes que está ancorado no antigo porto de Viana do Castelo.

(josé rego)

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EARLY MORNING BLOGS
1073 - Rouxinol repica o canti

Rouxinol repica o canti
e ao passar à passadeira
nunca mais voltes a Beja
o-aiii
sem passar à Vidigueira

Sem passar à Vidigueira
sem ir beber ao Falcante
e ao passar à passadeira
o-aiii
rouxinol repica o canti

Eu gosto muito de ouvir
cantar a quem aprendeu
se houvera quem me ensinara
o-aiii
quem aprendia era eu

(Canção popular alentejana)

*

Bom dia!

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27.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL / RETRATOS DO TRABALHO EM PORTUGAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Regando ao fim da tarde.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 27 de Julho de 2007


Será que estou a ver bem, uma jornalista da RTP a entrevistar o embaixador do Irão em Lisboa, com véu, vestida até à nuca de escuro e com luvas pretas? Em Lisboa? Uma coisa é vestir-se de forma recatada dadas as sensibilidades, outra é vestir como uma iraniana em Lisboa. Se no tempo dos taliban também houvesse uma embaixada do Afeganistão em Lisboa, iria a senhora jornalista de burka? O problema é que já não nos respeitamos a nós próprios.
Parece impossivel que ja’ chegamos a este ponto. Talvez alguem pudesse fazer um historial de como se chegou a este estado de coisas. Sera’ que o polticamente correcto/ odio a Bush e’ mais forte que direitos basicos das mulheres? Uma coisa e’ respeitar a casa dos outros, outra bem diferente e’ nao se ter respeito por si proprio(a). So’ gostava de saber onde esta’ o BE e as outras forcas que se dizem defensoras dos direitos das mulheres? Sera’ que Francisco Louça vai condenar esta entrevista? Sera’ que o PCP o vai fazer?

Eu sinceramente nao me lembro de alguma vez ter visto uma entrevista com o embaixador dos EUA, onde a entrevistadora estava vestida com uma burka. Mas segundo se diz por essa Europa fora, o grande inimigo da paz e da liberdade e’ mesmo a America de George Bush. Esta entrevista demonstra bem isso.

(Carlos Carvalho)

Partilho a sua indignação e a expressa pelo leitor Carlos Carvalho relativamente ao modo como a jornalista Márcia Rodrigues se vestiu para entrevistar o embaixador do Irão em Lisboa. No entanto, há que ter em atenção uma coisa importante. À luz da Convenção de Viena que rege as relações diplomáticas entre Estados, os espaços dos edifícios diplomáticos são para todos os efeitos territórios dos respectivos países. Ou seja, ainda que a embaixada iraniana estivesse sediada num T1, a partir do momento em que a porta fosse franquiada pela jornalista, ela encontrar-se-ia em território iraniano, logo sujeita ao respectivo ordenamento jurídico. Sendo assim, não lhe restaria fazer mais nada senão subordinar-se ao código de vestuário que esse país impõe.

Isto contudo também não afasta o meu desconforto e até revolta pela maneira como nós sacrificamos os nossos valores fundamentais em nome da convivência pacífica entre povos. O Irão é conhecido internacionalmente pelas suas posições reaccionárias relativamente aos direitos das mulheres e aos direitos fundamentais em geral.

E, tal como o leitor Carlos Carvalho, também eu me pergunto por onde andarão nestas alturas o PCP e os demagogos do Bloco de Esquerda. Esta gente tão pura nos seus ideais e tão rápida a moralizar sobre as convicções alheias quando são opostas ao seu mundo tão arrumado adora condenar a violência do “Grande Satã Americano” e a sua hipocrisia, mas cala-se perante as violações e negações dos direitos fundamentais no Irão, apoia a ditadura de Chavez e o seu cortejo de atropelos aos direitos fundamentais, olha para o lado perante a campanha racista conduzida pelas milícias janjaweed no Darfur e até convida “lutadores de libertação” iraquianos que têm como passatempo lançar camiões cheios de explosivos para esquadras de polícia ou supermercados em Bagdade. De certa forma, esta gente é mais fundamentalista e ameaçadora do que o mais fanático e louco dos mullhahs.

(João Paulo Brito)
*

A silly season já está em pleno e é muito parecida com o resto da season: os noticiários de hoje abrem e abrem e abrem com uma história de um jogador de futebol que foi para outro clube. Feliz país que tem estes profundos problemas nacionais!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Albufeira da Venda Nova, concelho de Montalegre, Parque Nacional da Penêda-Gerês.

(Isabel Cristina)



Escada de praia. (RM)



Perigo em Sintra. (MJ)



O que resta das minas de vieiros em Rebordelo Amarante, vistas do lado de Canadelo Amarante. Com a saída dos mineiros, a mata do Marão, estranhamente invadidada por Austrálias que nunca foram daqui, encarregam-se de lentamente, até que o fogo queime tudo, de encobrir um pedaço da história deste local.

(Helder Barros)



Rio Olo. (Helder Barros)

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RETRATOS DO TRABALHO NAS MINAS DO LOUSAL, PORTUGAL



Armário com instrumentos de trabalho usados pelos mineiros.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (21)

Leio José Miguel Júdice com crescente incomodidade. O que é que o move para escolher este tema - a síntese do artigo de hoje no Público está nesta frase: "o PSD está moribundo, e apenas vai fazendo - numa espécie de espasmos cadavéricos - movimentos que, de longe, parecem sinais de vida" - , e não outro? Que "necessidade" intelectual e cívica o leva ao exorcismo da casa onde esteve tantos anos e de que disse ter saído mais por cansaço e desinteresse do que por ruptura? Por que razão não aplicou a si próprio a receita regeneradora que critica outros por não tomarem? Por que razão não ficou num partido que está na sua "área" ideológica, e nele tentou mudar o que estava mal?

Talvez nessa altura percebesse as enormes dificuldades para fazer oposição em Portugal, do território devastado, desértico, inóspito que é a oposição, feita não só contra o partido adversário que está no governo, mas contra os costumes "consensuais" do país, e a enorme dependência de tudo e de todos do poder e das suas benesses. Se Júdice o fizesse perceberia como essas dificuldades são potenciadas pela atracção que o poder exerce, benévola que seja, levando pessoas como ele "para o outro lado", na maioria dos casos em silêncio, no seu caso, com "escândalo" público.

Ele dir-me-á que é livre para falar do que entender, para fazer o que entender. Também eu. Mas na sua posição actual essa "liberdade" não o deveria preocupar muito mais com o facto de que o PS, partido que apoiou em Lisboa e que está no governo, nem "espasmos cadavéricos" tenha, com excepção de Alegre e Roseta, e esteja morto, lock, stock and barrel?

O seu artigo de hoje no Público parece Pedro a abjurar:

Depois de terem cantado o hino, foram para o monte das Oliveiras. Então Jesus disse aos discípulos: "Todos vós ficareis desorientados, pois está escrito: 'Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão'. Mas, depois de ressuscitar, eu vos precederei na Galileia". Pedro, porém, lhe disse: "Mesmo que todos fiquem desorientados, eu não ficarei". Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade te digo: ainda hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás". Mas Pedro repetiu com veemência: "Ainda que tenha de morrer contigo, eu não te negarei". E todos diziam o mesmo.

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EARLY MORNING BLOGS
1072 - Unsaid

So much of what we live goes on inside–
The diaries of grief, the tongue-tied aches
Of unacknowledged love are no less real
For having passed unsaid. What we conceal
Is always more than what we dare confide.
Think of the letters that we write our dead.

(Dana Gioia)

*

Bom dia!

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26.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



O mar, na noite de hoje.



O Dr. Fausto numa praia. (RM)



Hoje, ao fim da tarde, na Serra de S. Macário. (José Manuel de Figueiredo)



Fim da tarde numa praia vazia. (A.)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: A ORIGEM E A VIDA DA ORIGEM DAS ESPÉCIES

Janet Browne, Darwin's Origin of Species - A Biography, Londres, Atlantic Books, 2006

Esta história de um livro maior da ciência de sempre faz uma justiça sóbria e sólida a uma das obras do saber humano quase única na conjugação entre um trabalho científico cuidadosamente documentado até à exaustão com um fôlego explicativo que se estendia muito para além da evidência empírica. A Origem das Espécies fornecia uma explicação consistente, coerente e capaz de servir para uma miríade de desenvolvimentos e investigações num vasto conjunto de fenómenos, processos, estranhezas, perplexidades, e dúvidas. Nenhuma disciplina, da teologia à biologia, da sociologia à botânica, ficou na mesma depois da sua publicação. A Origem da Espécies marcou em todos esses saberes um antes e um depois.

Janet Browne mostra a génese do livro na longa viagem do jovem Darwin no navio Beagle, assim como o papel que o ambiente intelectual vitoriano, dinâmico, competitivo, aberto ao debate e à controvérsia, feito por amadores, muitos dos quais à margem das universidades, teve na maturação do evolucionismo. Darwin com a sua activa correspondência, sabia das implicações políticas, religiosas e sociais, da sua tese, mas evitou a controvérsia, sem por isso deixar de dizer exactamente o que precisava de ser dito. Os primeiros darwinistas, muitos dos quais homens intelectualmente poderosos, grandes cientistas, académicos, escritores, filósofos, fizeram esse papel de polemistas dedicados das teorias evolucionistas, profundamente impressionados pela obra de Darwin e pelas suas implicações.

O ambiente dos primeiros anos da polémica à volta da Origem das Espécies vem também retratado no livro, assim como o destino complexo da teoria da selecção natural depois do enorme impacto inicial, seguido da crise de influência no início do século XX, até à segunda revolução que resultou da fusão da genética com o evolucionismo, fornecendo às teorias de Darwin, o mecanismo explicativo que lhe faltava.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.















Ruínas das Minas do Lousal com o Sol a pique e 35º à sombra.

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25.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Pôr do sol no Alentejo , hoje em Cabrela. (David Pedro)


Caminho de Canadelo (Amarante) para as minas de Vieiros em Rebordelo... caminhos muito movimentos no tempo do "volfro" e agora desertos... (Helder Barros)



Vista do Alqueva tirada das muralhas do castelo de Mourão. (António Cabral)



Início da Regata Vasco da Gama (Maputo-Durban). Há minutos. (Ferreira Mendes)


Um momento de pausa em Konstanz, sul da Alemanha, fronteira com a Suiça.

(Marcelo Correia)


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24.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Um estrada que dá para uma ilha.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (20)


O Diário de Notícias dá-nos menos recados e mais informações, o que permite suscitar uma questão relevante: o custo das campanhas eleitorais internas e a transparência dos seus financiamentos. Esta questão é relevante porque não tenho dúvidas sobre os montantes elevados que já estão em causa, da ordem de dezenas, senão de centenas de milhares de euros. Ora, quer Marques Mendes, quer Menezes, que são de há muitos anos políticos profissionais, não podem ter meios de fortuna para pagarem tudo do seu bolso, nem se espera que o façam.

No Diário de Notícias descreve-se o profissionalismo da campanha de Menezes:
"Foi tudo meticulosamente escolhido (...) O autarca de Gaia falou em simultâneo, cerca das 20.15, para os três canais televisivos. Passou pela maquilhadora para retocar a imagem e cinco minutos antes da hora de arranque dos telediários avançou sozinho, no primeiro andar de um hotel situado no Parque das Nações, em Lisboa, (...) Momentos antes, António Cunha Vaz - cuja agência de comunicação foi já contratada por Menezes após ter sido responsável pela campanha de Carmona Rodrigues na recente eleição de Lisboa - ultimava os pormenores logísticos na sala onde decorreu a conferência de imprensa. (...) Não havia um só "notável" na sala, que Menezes abandonou em passo acelerado. Minutos depois, entrava num Mercedes prateado que o conduziu à SIC, onde seria entrevistado
Só aqui, hotel, arranjos, carro, agência de comunicação, estão milhares de euros.

O caso de Marques Mendes é igualmente complicado, porque a partir do momento em que é candidato não pode, nem deve usar os meios do partido numa situação de favorecimento e desigualdade, o que certamente já aconteceu nem que seja na conta telefónica do PSD. Ele terá que ter o máximo cuidado em separar as suas funções institucionais, com a campanha eleitoral e da sede do partido não deve vir nada que gere uma desigualdade. Aliás, a partir do momento em que há candidaturas, o secretário-geral do partido deve velar de imediato por uma utilização equitativa dos meios do partido. É uma matéria em que se deve ser muito exigente, até porque Menezes já pode ter aqui razões de queixa justas.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (19)


Voltemos aos recados vindos anonimamente do lado de Aguiar Branco no Público. Consistem eles

- numa teoria do "adiamento" como solução para alargar o "espaço": "O nome foi considerado plausível, Aguiar Branco ganhou espaço, o adiamento pode ter ficado no ar."
Foi uma aplicação deste método de "adiamento" que tornou inúteis dois anos de governação PSD-PP, embora tenha sido instrumental em levar Barroso ao governo. Ser-se "plausível", o que é o mínimo dos mínimos, "adiar" e "ganhar espaço". Esta do "ganhar espaço" é interessante de analisar porque é uma das teorias que Marcelo trouxe ao discurso jornalisto-politiquês, de que é o mais importante e criativo praticante. Significa espaço comunicacional, tempo de antena, obtido pela pura presença, de preferência pela presença sussurrante, porque, na verdade, nada se sabe do que pensa Aguiar Branco sobre o partido e os seus problemas que justifique "espaço".
- a teoria das falsas dificuldades: "A marcação das directas para 28 de Setembro não dava margem de manobra ao lançamento de uma candidatura de última hora. (...) Marcar as eleições de sopetão, com o mês de Agosto pelo meio, é tornar impossível qualquer candidatura que não estivesse já no terreno"
Traduzido significa: não encontrei apoios significativos, nem qualquer entusiasmo. De há muito Aguiar Branco estava a preparar a sua candidatura, e não é preciso ser um génio da previsão política para se perceber que depois das eleições de Lisboa iria haver uma crise no PSD. Esta é aliás uma grande diferença com Menezes, que se toma a sério e trabalha para obter os resultados que pretende. Ele não acredita que exista um "cheguei, vi e venci" e isso é mérito.

Quanto à data da crise, se Marques Mendes não a tivesse provocado a seguir aos resultados de Lisboa, estaria agora sob fogo intenso para que se demitisse e houvesse eleições no partido.
- a teoria de "não concorro agora para não prejudicar Rui Rio": "terá pesado o argumento, esgrimido por Marcelo Rebelo de Sousa, de que uma candidatura de Aguiar Branco poderia dividir de tal forma o partido que se corria o risco de entregar a presidência a Luís Filipe Menezes. "Esse cenário seria catastrófico para outras pessoas" que agora apoiariam Aguiar Branco, mas são vistas como candidatos putativos para o futuro."

- por fim uma teoria da fraqueza: "se 2007 era o timing certo para esta candidatura, vista como uma oportunidade única na medida em que outros candidatos mais fortes não estariam disponíveis para avançar, o calendário de Marques Mendes acabou por fazê-la abortar. Ou será apenas adiar?"
Esta é uma variante da teoria do adiamento e também foi típica do "barrosismo".

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Cabo de S. Vicente. (RM)



Fachada exterior do Hotel da Calçada em Amarante. (Helder Barros)



Macaco protegendo-se do sol no Zoo de Lisboa. (Carlos Oliveira)

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (18)


Dito isto, o que lá vem (no Público) é muito interessante como retrato do fazer política que se costuma ligar ao "barrosismo" e cuja aplicação governamental deu os resultados que deu e que pagamos sob a forma do PS de José Sócrates. Na verdade, é mais do "barrosismo-santanismo", uma espécie mutante e extinta, que se manifestou na forma institucional do "santanismo". O "santanismo" institucional, uma contradição nos seus termos, durou o frágil momento do governo Santana Lopes, a que Aguiar Branco e muitos dos "barrosistas" que hoje o apoiaram nos bastidores, pertenceram. Estes "barrosistas" nunca deram por ela do desastroso curso que as coisas levavam. Pelo contrário. Para eles o PSD está mal com Marques Mendes, mas estava bem com Santana Lopes. (Continua).

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (17)


No Público de hoje uma série de recados autojustificativos vindos de Aguiar Branco, via as habituais fontes anónimas. Continuo sem perceber porque razão uma coisa tão simples como seja explicar-se de viva voz, sem intermediário e sem anonimato é assim tão difícil, para além de continuar a não perceber por que razão os jornalistas continuam a aceitar este tipo de discurso pro domo suo , que continua a passar sem uma qualquer "edição" ou sequer "trabalho jornalístico" que lhe dê contexto e distância. (Continua).

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Mykonos, hoje de manhã.

(João Almeida)

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EARLY MORNING BLOGS
1071 - C'était alors que le présent des dieux

C'était alors que le présent des dieux
Plus doucement s'écoule aux yeux de l'homme,
Faisant noyer dedans l'oubli du somme
Tout le souci du jour laborieux;

Quand un démon apparut à mes yeux
Dessus le bord du grand fleuve de Rome,
Qui, m'appelant du nom dont je me nomme,
Me commanda regarder vers les cieux :

Puis m'écria : Vois, dit-il, et contemple
Tout ce qui est compris sous ce grand temple,
Vois comme tout n'est rien que vanité.

Lors, connaissant la mondaine inconstance,
Puisque Dieu seul au temps fait résistance,
N'espère rien qu'en la divinité.

(Joachim du Bellay)

*

Bom dia!

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23.7.07


DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (16)

Quod erat demonstrandum.... Era escusado ver os jornais no fim de semana a dar-nos uma não-notícia, a de que "Marques Mendes concorria sozinho", uma verdadeira impossibilidade no actual momento do PSD. Até agora tudo previsível, concorrem Menezes e Marques Mendes, desistiu Aguiar Branco. A partir de agora é que começam as surpresas.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Allgarve, hoje.



Uma vaca, hoje.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 23 de Julho de 2007 (2)


O Bloguitica faz bem em continuar a lembrar o óbvio, citando Cavaco Silva a pedir o "rápido esclarecimento" do caso da DREN: "Não sei o que é «rapidamente esclarecido» na opinião do Presidente da República. O que sei é que estas palavras foram proferidas há dois meses. Sim, leu bem, já passaram dois meses." Este é o tipo de coisas em que não se pode desistir, nem deixar no silêncio. A directora da DREN, que devia ter sido demitida no primeiro dia, continua em funções, o professor continua punido, enquanto o complexíssimo inquérito disciplinar contiua sem resultados.

*

A história das "condições em que se exerce a actividade política em Portugal", que Paulo Portas levantou como um útil desvio de atenção para os resultados do PP em Lisboa, merece atenção de per si. Provavelmente, a que ele não desejaria, mas merece. É verdade que pela utilização cirúrgica das fugas de informação se pode perturbar o processo político de forma pouco transparente. Isso faz-se há muitos anos, e tem uma origem e uma escola, a do Independente de Paulo Portas, que viveu os seus tempos de glória em conúbio com as fontes da Procuradoria Geral da República para exactamente moldar as " condições em que se exerce a actividade política em Portugal". O Independente foi o iniciador, o melhor praticante, e o principal responsável pela utilização de fugas de informação para perseguir pessoas por razões políticas. Que me recorde, Paulo Portas nunca disse uma palavra distanciando-se dessa actividade de uso de fugas de informação com que preparou e iniciou a sua carreira política.

*

Ah! e de passagem, Paulo Portas sabe melhor que ninguém que esta sua proposta de que
"o Ministério da Defesa abra completamente à opinião pública e aos jornalistas o processo relativo a esse concurso [dos submarinos] para as que as pessoas possam avaliar"
é completamente inexequível dada a natureza classificada e confidencial destes processos.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (15)


Recados no Diário de Notícias vindos do lado de Menezes para "preparar" a opinião para a sua decisão de hoje (sublinhados meus):

Um, "depois de ter praticamente fechado a porta a um duelo com Marques Mendes, (...) o autarca de Gaia passou a receber palavras de apoio de vários dos seus aliados internos que procuram convencê-lo a não virar a cara à luta por motivos de natureza administrativa."

Dois, "o facto de Manuela Ferreira Leite (...) ter acabado por votar ao lado da oposição interna, (...) deu novo fôlego às hostes de Menezes"

Três, "o autarca de Gaia ouviu novas declarações de incentivo à mesa do restaurante lisboeta onde jantou no sábado com apoiantes. Um deles, dirigente de uma das principais estruturas distritais do partido, resumiu a situação em declarações ao DN: "Há oportunidades que não se repetem e há responsabilidades que exigem consequências."

Gosto em particular desta última, um primor jornalístico em que fica por se perceber a natureza do jantar, quatro, dez, duzentos convivas?, relevante para avaliar o valor da informação. Fico também sem saber se são "novas" porque são ditas outra vez, ou se são "novas" porque vieram de novos apoiantes. Fico também sem saber, qual foi o "dirigente de uma das principais estruturas distritais do partido", sem haver nenhuma razão jornalística para o anonimato.

O problema deste "jornalismo" é estar tão colado à "fonte" que nem sequer faz o esforço de pensar em quem vai ler o jornal e espera mais do que uma colecção de "recados" avulsos.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 23 de Julho de 2007


Em matéria europeia justificava-se que o Público dissesse formalmente aos seus leitores que tem uma determinada orientação editorial pró-europeísta, no sentido de defender o caminho para uma União Europeia como uma entidade política que se sobrepõe cada vez mais à soberania dos estados nacionais, um proto-estado a caminhar para um estado. Ou seja, assumir que o jornal tem uma orientação específica e que isso condiciona o seu conteúdo opinativo e acima de tudo noticioso, e que, em consequência, não é plural nesta matéria. Depois podia continuar como está, empenhado e pouco plural em matérias europeias, só que sem os seus leitores merecerem a transparência de serem informados.

O jornal de hoje é mais um exemplo típico do que estou a dizer: em quatro páginas de destaque, com a habitual partilha entre Isabel Arriaga e Cunha e Teresa de Sousa, apresenta-se o "novo tratado" sem um átomo de dúvida, como um facto consumado, um processo em curso sem apelo nem agravo, sempre em termos laudatórios, sempre baseado num argumento de "necessidade" que a ninguém é permitido discutir. Nas páginas de Isabel Arriaga e Cunha, há dois pequenos artigos de opinião colocados na parte nobre do jornal, onde a opinião se apresenta como sendo mais do que opinião, como sendo autoridade, um de Carlos Gaspar e outro de Vitor Martins. São, por coincidência, coincidentes na coincidência de pontos de vista quanto à coincidente "necessidade" do "novo tratado". É muita coincidência.

Por seu lado, Teresa de Sousa entrevista mais uma vez um responsável governativo, o Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, numa tradição de entrevistas que quase nunca inclui alguém que seja verdadeiramente céptico sobre este caminho da Europa seguido nos últimos anos. Podem alguns entrevistados ter dúvidas e nuances de pensamento, mas estão sempre no mainstream. Valia a pena Teresa de Sousa voltar a reler o mesmo tipo de entrevistas que fez, ou que o Público publicou, nos tempos felizes da Convenção ou da semi-vida da Constituição Europeia, para se perceber o enorme irrealismo e o voluntarismo vanguardista nelas patente. Na época também foi tudo apresentado como sendo indubitável, feliz, pacífico e "necessário".

O que se passa hoje é um remake, mas, quando se está empenhado, pouco se aprende. Hoje tudo isto se esqueceu no eufemismo de um "novo tratado", de que não se discute o conteúdo e consequências, mas apenas a "necessidade". Se o Público assumisse esse empenho, poder-se-ia aprender porque era claro o "lado", assim ficamos menos informados e mais desinformados.

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EARLY MORNING BLOGS
1070 - Above Pate Valley

We finished clearing the last
Section of trail by noon,
High on the ridge-side
Two thousand feet above the creek
Reached the pass, went on
Beyond the white pine groves,
Granite shoulders, to a small
Green meadow watered by the snow,
Edged with Aspen—sun
Straight high and blazing
But the air was cool.
Ate a cold fried trout in the
Trembling shadows. I spied
A glitter, and found a flake
Black volcanic glass—obsidian—
By a flower. Hands and knees
Pushing the Bear grass, thousands
Of arrowhead leavings over a
Hundred yards. Not one good
Head, just razor flakes
On a hill snowed all but summer,
A land of fat summer deer,
They came to camp. On their
Own trails. I followed my own
Trail here. Picked up the cold-drill,
Pick, singlejack, and sack
Of dynamite.
Ten thousand years.

(Gary Snyder)

*

Bom dia!

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22.7.07


NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

COISAS DA SÁBADO: SILLY SEASON E ÁGUA MORNA - a transumância para o Algarve.

NUNCA É TARDE PARA APRENDER: OUVIR OS MORTOS - sobre o achamento das línguas perdidas.

O PSD E A CRISE DOS PARTIDOS NA DEMOCRACIA PORTUGUESA (1) -
sobre a crise dos partidos e do PSD em particular
DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO
- que já vai em 14 e está ainda nos preliminares.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.







Cabo Sardão há meia hora atrás. (RM)





Hoje à tarde, junto a Magude no Rio Incomati. Moçambique. Mulheres a lavarem a roupa enquanto os seus filhos jogam futebol. (Ferreira Mendes)



Estação de caminho de ferro de Sabóia. (RM)



Igreja de S. Gonçalo de Amarante. (Helder Barros)

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COISAS DA SÁBADO: SILLY SEASON E ÁGUA MORNA



A transumância para o Algarve marca o início formal da silly season, a estação pateta. Se há altura da nossa vida nacional em que valia a pena não se ser muito pateta, é esta. Tudo está a ficar pior e o que está a ficar melhor pouco mais é do que reflexos da coisa alheia, pequenas melhorias que folgam apenas o corpo, não o tornam mais sadio. Se calhar estamos condenados, os adultos portugueses que estão vivos, a viver os nossos dias nesta mediania triste, neste sentimento de claustrofobia, de liberdadezinhas consentidas, de fazer pela vida desde que não seja fazer muito.

Mas, pelos vistos, os portugueses acham que o melhor meio que têm para fugir disto tudo é ter uma temperatura da água do mar um pouco acima do costume no resto do país. Porque, em bom rigor, o que é que procuram no Algarve em Agosto que não seja isso? A silly season acaba por ser ter água tépida, em vez de fria ou quente. É no verão que o espelho nos é mais verdadeiro e menos silly. É como somos, mornos.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Santorini, hoje de manhã. (João Almeida)



Canadelo é uma terra perto das Minas de Vieiros no Marão, em Rebordelo, Amarante,. A aldeia (Freguesia) mineira dos tempos do Volfrâneo foi vitima de forte emigração, quandos as mesmas fecharam.



Rio Olo (Canidelo, Amarante).

(Helder Barros)

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NUNCA É TARDE PARA APRENDER: OUVIR OS MORTOS

Andrew Robinson, Lost Languages: The Enigma of the World's Undeciphered Scripts

Quando comprei o livro foi apenas por pura curiosidade para a estante do "por ler". Folheei-o na livraria (na Leitura no Porto) e vi que tinha um capítulo sobre o etrusco. Mais curiosidade: sabia que o etrusco não tinha sido decifrado e isso intrigava-me. Era uma língua "moderna", e havia suficiente continuidade com os romanos para não perceber porque razão se tinha "perdido". Sabia também que ainda hoje "falavamos" etrusco por via das palavras que tinham emigrado para o latim como "átrio". Comecei pois a lê-lo "de passagem", o meio caminho entre ler e folhear, no capítulo do etrusco, e, duas páginas depois, estava no princípio e depois foi sempre até acabar.

O livro é excelente, e é pena não estar traduzido. Sendo uma obra para amadores e não para linguistas profissionais, os seus capítulos são bastante desenvolvidos para se perceberem bem não só as fontes das línguas "perdidas" e "achadas", como a mecânica da sua decifração. Os capítulos sobre a escrita hieroglífica egípcia, o Linear B, o Maia, entre as escritas decifradas e o etrusco, o Linear A, o Zapotec, o Rongorongo, e a "linguagem" da civilização do Indus, são muito bons exemplos de síntese informada sobre o estado actual dos conhecimentos. E são todo um mundo em que mais do "falar com os mortos", como diz Robinson, se "ouvem os mortos". E os mortos falam dos deuses, da teogonia e do génesis, mas também de listas de mercearia, de pagamento de salários, de genealogia e história dos reis, uma fala que vem desde o princípio da história. Tão longe como a escrita da civilização do Indus (por decifrar) que já tinha desaparecido quando Alexandre chegou àquelas paragens.



Depois há toda a voz dos mortos. Como por exemplo, o que se pôde, pela primeira vez, "ler" no Maia e que escorre mais sangue do qualquer massacre de motoserra no Texas. Ou a obsessão pelo tempo dos maias. E as placas do Rongorongo aparecidas na Ilha da Páscoa e só lá, a milhares de quilómetros de tudo. O Rongorongo permanece indecifrável, mesmo apesar das tentativas de encontrar, ainda no século XIX, uns octogenários que supostamente as sabiam ler e que, depois de embebedados para ultrapassarem o seu medo de revelarem o que consideravam sagrado, desatavam a cantar: " o deus X copulou com a deusa Y e deu origem aos tubarões; o deus Z copulou com a deusa W e deu origem ao fogo", ou seja uma teogonia polinésia não muito diferente da de Hesíodo.

E, por fim, o fabuloso mundo dos decifradores, um dos ramos da ciência em que amadores dedicados e profissionais se misturam com charlatães, partidários das mais bizarras teses esotéricas, puros loucos, etc., etc,. numa saga de inteligência e intuição, mas também de golpes e contra-golpes, de invejas académicas, de rivalidades de mestres e discípulos. Não há tanto sangue como nos textos maias, mas há matéria para filmes de Hollywood entre variantes do Indiana Jones, professores alemães vetustos e agentes dos serviços secretos, unidos numa confraria internacional da curiosidade. Percebo-os bem.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (14)


Há um pequeno problema com os números que tem sido avançados na polémica sobre as datas do pagamento de quotas: é que o PSD não tem 120000 militantes. Como ficção não está mal. Eu também tenho cinco castelos na Escócia e falo Rongorongo.

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O PSD E A CRISE DOS PARTIDOS NA DEMOCRACIA PORTUGUESA (1)

Os problemas do PSD são estruturais, como aliás os do PS, mas revelam-se pela conjuntura mais nitidamente do que os do PS, porque o PSD está na oposição e na oposição pobre, sem grandes expectativas nem esperanças. Estivesse ele no poder e pareceria pujante, como parece o PS. Parece, mas não seria, porque provavelmente estaria tão morto como o PS hoje está.
Na oposição pobre tudo se revela, a fragmentação sectária no aparelho, o afastamento das elites, a fuga de personalidades para o lado do poder socialista, o cansaço das "bases", a competição quase mortal pelos fragmentos de poder que sobram (o grupo parlamentar para começar), a sensação de inutilidade, irrelevância e impotência. Antes de se andar no jogo das personalidades em cima e das "espingardas" em baixo, a crise de direcção é propícia, para se discutir esses factores estruturais e os momentos conjunturais que a revelam. E, se não é, deveria ser.

Esses factores estruturais compreendem três processos destrutivos de diferente amplitude, mas todos contribuindo para a crise de partidos como o PSD e o PS, embora com formas e tempos diferentes. O primeiro desses processos é comum a todas as democracias modernas e consiste na erosão dos mecanismos representativos e de mediação sem os quais não é possível a democracia. Essa erosão, que atinge parlamentos, partidos, sindicatos, escolas, etc., tem a ver com o duplo processo de acesso das grandes massas aos consumos materiais e "espirituais", logo ao exercício de poder em áreas onde nunca tinham tido papel, e a subsequente pulsão para a demagogia que as novas tecnologias potenciam. As democracias estão a tornar-se demagogias e, num mundo "participativo", "interactivo", em "tempo real" e com votações instantâneas na Rede ou por telefone, as instituições de mediação não são necessárias, nem nada que "limite" o povo, como a lei. A lei é o "povo" que a faz a cada momento. Nem parlamentos, nem partidos, nem o controlo dos "pares" para os artigos da Wikipédia, mas sim tudo em directo, sem edição (como os blogues), aberto ao "povo" (como as caixas de comentários sem moderação ou o Fórum da TSF), apenas o pão garantido pelo Estado e acima de tudo entretenimento, circo, felicidade embalada. Que sentido tem votar, dar poder a alguém, se "nós" o podemos exercer "em directo"?

O segundo processo já é especificamente português e tem a ver com o facto de os partidos democráticos, o PS, o PSD e o CDS, terem sido "auxiliados" pelos construtores do nosso Estado democrático para crescerem depressa e se consolidarem, para contrariar o poder do único partido verdadeiramente existente à data do 25 de Abril, o PCP. Por estas razões, os partidos políticos receberam constitucionalmente uma hegemonia completa do espaço público, detendo o monopólio quase perfeito da participação eleitoral, com excepção das eleições presidenciais. Só com muita dificuldade aceitaram a concorrência de independentes nas eleições autárquicas e continuam a manter o monopólio nas eleições para deputados, o último reduto do poder interno das direcções partidárias. O crescente papel dos independentes, mesmo imperfeitos, mostra que esta hegemonia está a rebentar pelas costuras.

O terceiro processo é o resultado da conjugação dos dois anteriores com a nossa história política pós-25 de Abril, que envolve a dinâmica política entre o PSD e o PS, e, em menor grau, mas também presente, entre o PSD e o CDS e agora o PP. Esta dinâmica política tem duas componentes, uma de carácter político e ideológico, e outra do modus operandi e do modus vivendi. Deixarei, para já, de lado as questões políticas e ideológicas, para olhar para os factores de crise propriamente partidários.

Para começar, existe a ideia de que se pode em democracia, ou melhor, se deve, prescindir dos partidos ou pelo menos minimizá-los, quando há coisas sérias para fazer, como seja governar. Nessa altura, convém pôr os partidos a milhas, e essa foi uma doutrina que com Ramalho Eanes na presidência e Cavaco Silva como primeiro-ministro ganhou foros de prática. É uma ideia que em Portugal tem um pano de fundo muito poderoso, o esconjurar da "porca da política", numa tradição que já vem do século XIX e que ganhou fortes raízes na mentalidade popular e das elites com os 48 anos de política de "união nacional", baseada na conjunção do autoritarismo com o ódio ao conflito. Este pano de fundo encontrou expressão nalgumas ideias do PREC, mostrando a mesma rejeição do confronto democrático e dos partidos a favor de unanimismos salvíficos num MFA suprapartidário em que se votava em branco. Nos dias de hoje manifesta-se em concepções tecnocráticas do exercício do poder, que se apresentam como resultado da eficácia empresarial e do saber técnico acima da "partidarite" e das "divisões entre portugueses", a favor dos "consensos", com predominância da linguagem yuppie dos gestores modernos e da imprensa económica.

Neste contexto, várias coisas começaram a correr mal no PSD desde que no tempo de Cavaco Silva se começou a acentuar a separação entre o exercício do Governo, assente em núcleos políticos muito restritos de confiança pessoal, deixando o partido para a gestão corrente e as tarefas menores. Esse divórcio agravou-se pela falta de fiabilidade dos órgãos partidários para actuarem com a reserva e a discrição que o processo de decisão implicava. Sob pressão da comunicação social, num momento de grande agressividade antigovernamental e de competição entre os jornalistas entre si por oportunidades de carreira, prestígio e salário na altura muito razoáveis, os órgãos partidários, conselhos nacionais, comissões políticas começaram a transformar-se em "fontes com pernas". Nada se podia decidir que não aparecesse antes, durante e depois nos jornais, interpretado pela "fonte" e pelos jornalistas em função das suas simpatias pessoais e políticas. A qualidade decisória e de aconselhamento desses órgãos, que necessita sempre de uma certa reserva e de um tempo diferido de divulgação, foi-se degradando e correlativamente aumentaram os órgãos informais, que não respondiam a não ser na base da confiança pessoal. Esses "núcleos duros", task forces, começaram a proliferar ao lado dos órgãos formais, afastando a política e as decisões políticas de órgãos eleitos. Essa evolução para a concentração no Governo e em órgãos informais no tempo de Cavaco Silva foi patente, aliás, nas escolhas de secretários-gerais para o partido, em que depois de uma direcção política (Dias Loureiro) se caminhou para uma gestão técnica (Falcão e Cunha). Acentuou-se assim a divisão entre os que controlavam as decisões políticas e se acantonavam no Governo e os que eram barrados desse controlo e eram deixados apenas à gestão corrente dos seus interesses, a quem foi deixado o partido.

Não foi um processo pacífico, porque o PSD estava então muito mais vivo do que o PS está hoje no poder, mas levou rapidamente à ascensão e rigidificação de uma burocracia partidária oligárquica que se instalou nos seus pequenos poderes nas secções, fechando o partido a qualquer competição, acentuou a tendência para os sindicatos de voto, instalou a JSD e os TSD como "partidos paralelos" com quotas de poder interno, instituiu "carreiras" que viviam apenas e só do controlo interno. O partido começou a ter mais "vida interna" do que influência externa e a perder a relação com os sectores mais dinâmicos da sociedade, os self-made man que tinham sido a causa do seu sucesso no passado e que agora não queriam ter nada a ver com o PSD.
Estas tensões estavam patentes na conflitualidade entre "loureiristas" e "nogueiristas", a origem próxima de muitas fracturas dos dias de hoje.

(Continua)

(No Público de 21 de Julho de 2007)

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EARLY MORNING BLOGS
1069 - The Terrible People

People who have what they want are very fond of telling people who haven't what they want that they really don't want it,
And I wish I could afford to gather all such people into a gloomy castle on the Danube and hire half a dozen capable Draculas to haunt it.
I dont' mind their having a lot of money, and I don't care how they employ it,
But I do think that they damn well ought to admit they enjoy it.
But no, they insist on being stealthy
About the pleasures of being wealthy,
And the possession of a handsome annuity
Makes them think that to say how hard it is to make both ends meet is their bounden duity.
You cannot conceive of an occasion
Which will find them without some suitable evasion.
Yes indeed, with argumetsn they are very fecund;
Their first point is that money isn't everything, and that they have no money anyhow is their second.
Some people's money is merited,
And other people's is inherited,
But wherever it comes from,
They talk about it as if it were something you got pink gums from.
Perhaps indeed the possession of wealth is constantly distressing,
But I should be quite willing to assume every curse of wealth if I could at the same time assume every blessing.
The only incurable troubles of the rich are the troubles that money can't cure,
Which is a kind of trouble that is even more troublesome if you are poor.
Certainly there are lots of things in life that money won't buy, but it's very funny --
Have you ever tried to buy them without money?

(Ogden Nash)

*

Bom dia!

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21.7.07


DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (13)


Haverá candidatos, haverá mais candidatos para além de Marques Mendes, podem estar certos, sejam quais forem as coreografias do momento. É que, com directas em finais de 2007, a direcção que for eleita vai poder escolher as listas dos deputados para as eleições de 2009. Do ponto de vista do poder partidário interno, esta é a questão fundamental, que movimenta montanhas.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.





Rios de Amarante, hoje. O Olo (Canidelo) e o Tâmega, atravessando Amarante.

(Helder Barros)



Barragem de St. Clara.



Estrada no Alentejo. (RM)

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HOJE - ESCOLHAS DO ABRUPTO NO

Home

Uma das mais notáveis classificações da imprensa que jamais vi, feita por um Primeiro-ministro em exercício. Também se podia aplicar aos blogues, quase todos entre o Guardian, o Daily Telegraph e o Sun.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (12)


Vai estar na moda mais uma "refundação da direita", problema que é geneticamente do PP, mas não o é do PSD. (O reverso à esquerda está no BE para quem "refundar a esquerda" é também uma retórica e um programa político). Considerar que esse é um problema, ou um programa para o PSD, e pressionar para que tal faça parte da sua agenda, é instrumental para o PS e para o PP, mas não para o PSD. Na sua identidade genética (dada por Sá Carneiro), e no seu "programa não escrito", a sua história, o PSD é outra coisa no sistema político português e a sua força, não a sua fraqueza, vem daí. Sempre que o acantonam à "direita" perde, o que se verificou mais uma vez nos anos recentes de governo PSD-PP, o período que tem mais interesse analisar para se perceber a crise actual.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (11)


Santana Lopes tem toda a razão: "Candidatos em relação aos quais não se conhecem programas, propostas, ideias e diferenças é a mesma coisa que manequins numa passerelle". E fala com autoridade porque conhece bem essa passerelle.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (10)


Desatenção ou ignorância? A comunicação social, cujo reporting do PSD é hoje muito pobre e estereotipado, não prestou atenção ao violento ataque que Ângelo Correia fez na SICN à chamada "terceira via". A outra parte das declarações de Angelo Correia são mais previsíveis, embora igualmente interessantes: disse ter um béguin (sic) por Portas, que sempre ajudou politicamente. Portas disse há muitos anos que "o PSD em que se reconhecia era o do eng. Ângelo Correia". A frase também está esquecida, mas, nestas alturas, convém lembrar certas correntes invisíveis porque há águas muito profundas e antigas em movimento.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (9)


Num partido como o PSD suspeitem sempre dos que querem que as quotas dos militantes sejam pagas em massa antes dos actos eleitorais.
NOTA: Escrevo quotas em vez de cotas, o que é o mesmo, mas como parece haver um maior uso corrente da palavra, passa a ser assim.

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EARLY MORNING BLOGS
1068 - L'âge d'or de l'avenir

Le rideau s'est levé devant mes yeux débiles,
La lumière s'est faite et j'ai vu ses splendeurs ;
J'ai compris nos destins par ces ombres mobiles
Qui se peignaient en noir sur de vives couleurs.
Ces feux, de ta pensée étaient les lueurs pures,
Ces ombres, du passé les magiques figures,
J'ai tressailli de joie en voyant nos grandeurs.

Il est donc vrai que l'homme est monté par lui-même
Jusqu'aux sommets glacés de sa vaste raison,
Qu'il y peut vivre en paix sans plainte et sans blasphème,
Et mesurer le monde et sonder l'horizon.
Il sait que l'univers l'écrase et le dévore ;
Plus grand que l'univers qu'il juge et qui l'ignore,
Le Berger a lui-même éclairé sa maison.

(Alfred de Vigny)

*

Bom dia!

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20.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Fim do dia sobre a Lagoa de Óbidos. (A,)



O horizonte português visto de Espanha (Zamora) ao fim do dia. (António Gonçalves)



Pôr do Sol visto do Porto. (José Carlos Santos)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Estrada no Sul da Califórnia, perto de Riverside.

(Luís Reino)

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (8)


sabe-se que concorre. E concorre de certeza. Mas será que também virá depois daquele jantar? E se, de repente , resolve também andar por aqui?

*
Esta é a beleza do Rongorongo. Nenhuma língua tem esta flexibilidade indecifrável e, ao mesmo tempo, esta clareza absoluta. Foi pena Heidegger não saber Rongorongo porque acharia a famosa plasticidade filosófica do alemão uma habilidade rudimentar em relação a estas subtilezas da expressão.

(E já agora acrescentem às premières e recordes do Abrupto o ser o primeiro blogue no mundo escrito em Rongorongo, depois de ter tido uma nota escrita em Morse. Já há tanta silly season por todo o lado, que não se resiste.)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 20 de Julho de 2007


Sixty years difference "Me in 1943 and Me in 2003". Como a blogosfera é um terreno muito habitado por tardo-adolescentes é raro ver uma desanda tão bem dada como a que Patrícia McGowan Pinheiro (também conhecida como Patrícia Lança) dá, da altura dos seus 82 anos e da sua vida (e que vida!, a biografia oficial no blogue diz muito pouco...):
Então ficaram surpresos que uma pessoa da minha idade soubesse lidar com ‘a moderna tecnologia’? (...) A única razão de aparecer tão tarde (2006) na blogosfera foi a falta da banda larga na zona da minha residência (outro atraso nacional!). Os jovens, menos instruídos, sempre pensam que foram os primeiros a descobrir o mundo. Como o ensino da Aritmética e também da História é tão deficiente nos nossos dias, talvez fosse relevante recordar-lhes que os meus mais de 60 anos de vida adulta, representam mais 60 do que tem hoje uma pessoa com vinte anos; e três vezes mais do que têm de vida adulta uma pessoa com quarenta. Proporcionalmente mais, também, de livros lidos, de filmes vistos, de música ouvida e de pessoas conhecidas, etc. Portanto, era bom não tentarem ‘ensinar rezar o padre-nosso ao vigário’ ou, como dizem grosseiramente os americanos: ‘Don’t try to teach your grandmother to suck eggs!’

Para os idosos que viveram cortados do mundo real e da ‘seamy side of life’ talvez os anos não contam em matéria de experiência. Não foi o meu caso. (...) Conto estes pormenores do meu currículo para elucidar esses idiotas e malcriados que pensavam chocar uma qualquer senhora dondoca com as grosserias de costume. O propósito não foi atingido. Linguagem ordinária não é o monopólio dos portugueses. E as gargalhadas porcinas de adolescentes imbecis também encontrei em outras paragens."
Vale a pena ler tudo. De facto, ter vida ou não ter vida, faz uma diferença. Muita.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (7)


Em breve, haverá mais, porque o dia promete ser animado. Os profissionais sabem muito bem quais são os dias mais profícuos para falar, ou melhor, segredar.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Primeira luz da manhã. (RM)



Neste momento no centro de Luanda, Angola.

(Manuel Silva Reis)

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EARLY MORNING BLOGS
1067 -Theories of Time and Space

You can get there from here, though
there’s no going home.

Everywhere you go will be somewhere
you’ve never been. Try this:

head south on Mississippi 49, one-
by-one mile markers ticking off

another minute of your life. Follow this
to its natural conclusion – dead end

at the coast, the pier at Gulfport where
riggings of shrimp boats are loose stitches

in a sky threatening rain. Cross over
the man-made beach, 26 miles of sand

dumped on a mangrove swamp – buried
terrain of the past. Bring only

what you must carry – tome of memory
its random blank pages. On the dock

where you board the boat for Ship Island,
someone will take your picture:

the photograph – who you were –
will be waiting when you return

(Natasha Trethewey)


*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Anoitecer em Amarante, virado para o parque eólico da serra do Marão.

(Helder Barros)

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19.7.07


DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (6)

Todos os dias de debate parlamentar (hoje também) o PSD e o PP levam uma bofetada com mão aberta do PS e calam-se. Essas bofetadas, que mesmo os mais politicamente inábeis dos ministros e secretários do PS já aprenderam a dar, são variantes da frase "os senhores quando estiveram no governo não fizeram nada sobre esta matéria embora estivessem sempre a dizer que era necessário fazer..." Silêncio. É por essas e por outras do mesmo tipo que nenhum debate no interior do PSD que não coloque a questão da governação PSD-PP com Durão Barroso e Santana Lopes, com maioria absoluta, não chega sequer à superfície de nada.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.





Final da tarde na cidade de Beja . (Ricardo Cataluna)



Outra estrada.



Mais vento. (RM)

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (5)


Era uma vez...os "loureiristas" e os "nogueiristas". Foi assim que tudo começou.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (4)


A crise no PP não é da mesma natureza da do PSD. A crise do PP é grupuscular, atinge um pequeno partido assente hoje num grupo homogéneo, após a operação de defenestração do velho CDS. Esse grupo é, num certo sentido, estável, e agita-se apenas pela instabilidade da sua liderança unipessoal. No PSD, a crise é de desagregação, menos grave no sentido em que o partido tem dimensão suficiente para lhe sobreviver, mas muito mais instável e explosiva no seu modus operandi.

Nada nesta crise tem a ver com a ideia feita circulante de um "crise da direita", uma construção comunicacional desatenta ao facto de, caso se tratasse duma crise de natureza ideológica e política, então afectaria também o PS. O PS na sua versão actual partilha muito do universo político da "direita" em Portugal, o centralismo, o autoritarismo, o estatismo, etc. Não, a crise é de outra natureza e é um aspecto da crise política mais geral dos partidos portugueses criados depois do 25 de Abril (e nesse sentido existe também no PS com manifestações distintas), que é mais nua e crua à "direita" porque o PSD e o PP são sensíveis à perda do poder.

Partidos feitos para o poder, quando não têm poder estão sempre em crise.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (3)


Aspectos da crise no PSD: há duas sedes nacionais do partido, uma na Rua de S. Caetano, outra na Câmara Municipal de Gaia. Para já.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Vento, hoje.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (2)



Os "recados" para os jornais são mais que muitos, e ainda vão ser muitos mais. E pelos vistos resultam em pleno, o que é uma clara demonstração da debilidade do nosso jornalismo político.

Por exemplo, ontem, no Público escrevia-se em título: "Sectores cavaquistas do PSD deixam cair Marques Mendes da liderança do partido" (recado hostil a Mendes). Todo o artigo é feito a partir de fontes anónimas como se vê por este exemplo
"O Público sabe que figuras políticas que integram os sectores cavaquistas consideram que o tempo de Marques Mendes já passou e que o país não pode viver sem uma oposição activa e actuante por parte do PSD. Houve mesmo quem afirmasse: "O PSD tem que decidir, o país precisa do PSD mais do que se imagina." (sublinhadas as atribuições às "fontes")
No mesmo dia, no Diário de Notícias, o mesmo uso de fontes anónimas (recado favorável a Mendes):
"Manuela Ferreira Leite, a carismática ministra das Finanças e amiga pessoal de Cavaco Silva, "não reúne condições políticas que lhe permitam correr o risco de se apresentar na corrida à sucessão de Marques Mendes na liderança do PSD" - garantiram ao DN várias fontes do universo social-democrata. Muito respeitada pela ala mais cavaquista do PSD e pelas bases do partido, Ferreira Leite não é actualmente deputada, nem tem nenhum lugar que lhe assegure um "palco político", pelo que a actual conselheira de Estado "não tem condições para um cargo em que se é sempre um candidato natural à chefia do Governo".
E por aí adiante. Alguém me explica por que razão este tipo de opiniões devem ser cobertas pelo anonimato? Têm medo de serem presos, despedidos?

Para baralhar as coisas, no mesmo dia em que o Público titula que "sectores cavaquistas do PSD deixam cair Marques Mendes", Alexandre Relvas, o “Mourinho”de Cavaco Silva como explica o jornal, diz ao Diário Económico: “Apoio Marques Mendes e acho que deve ser o líder do PSD até às legislativas de 2009, sendo só nessa altura avaliado pelo resultado que obtiver”. No mercado da credibilidade, esta notícia, com cara e atribuição, vale mais.

Hoje continua a saga, desta vez com recados favoráveis a Mendes, em clara resposta ao Público de ontem:
"Silva Peneda, Valente de Oliveira, Eduardo Catroga, Carlos Pimenta e Teresa Patrício Gouveia são alguns dos ex-membros de governos de Cavaco Silva que aceitaram integrar a comissão de honra de apoio à recandidatura de Marques Mendes à liderança do PSD nas directas previstas para o final do Verão."
diz o Público, por uma vez factual, sem se importar com a contradição entre o que escreveu ontem e hoje. O Diário de Notícias diz o mesmo, mostrando a fonte comum, embora haja uma diferença :
"Fonte afecta à actual liderança revelou ontem ao DN alguns apoios já recolhidos por Marques Mendes e faz questão de frisar que alguns nomes grandes do cavaquismo já tomaram posição na disputa eleitoral que se avizinha.Entre os apoiantes da recandidatura do actual líder estão nomes como os de Nogueira Leite, ex-secretário de Estado de Sousa Franco, mas igualmente várias figuras conotadas com a ala mais cavaquista do PSD. Como Valente de Oliveira, Silva Peneda, Carlos Pimenta, Eduardo Catroga e Teresa Patrício Gouveia, destacados barões sociais-democratas que integraram executivos liderados pelo actual Presidente da República."
Confusos? Esperem pela batalha do fim de semana e dos semanários...

O Rongorongo percebe-se melhor.

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DIÁRIO DA CRISE NO PSD ESCRITO EM RONGORONGO (1)



Marques Mendes diz que não há "crise" no PSD, mas há. Não começou com ele, já vem de há muito tempo, mas há e não é pequena. E não se mede apenas pelos resultados eleitorais de Lisboa.

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 19 de Julho de 2007


Na edição em linha do Público, que reproduz a edição em papel, num artigo sobre o aniversário da descoberta da Pedra de Roseta esta está reproduzida de forma invertida (e quando se clica na imagem fica outra vez na posição correcta). O autor da nota repete o erro: "só a passagem inicial, em grego arcaico, era compreensível. Os hieróglifos egípcios que preenchiam o resto da pedra eram ainda um mistério para os historiadores de então." Nem a passagem inicial é em grego, mas sim com hieróglifos, nem há apenas dois scripts na pedra, mas sim três. Mais abaixo há outro erro: "os três textos, em línguas diversas, significavam o mesmo". Ora o demótico neste caso não é uma"língua diversa" mas uma forma diferente, vulgar, de escrever o antigo egípcio. Por isso na pedra há três scripts e duas línguas e o egipcío escrito em hieróglifos está em cima.

Isto é o que dá andar a ler coisas sobre as linguas antigas decifradas e não decifradas. Agora vou no Rongorongo, mas é pouco provável ter que comentar o Público sobre isso.

*

Já que estou nas línguas, anoto, em relação a chamadas de atenção dos meus leitores, que "cota" é o mesmo que "quota", segundo o Dicionário de Houaiss que uso para estas dúvidas.

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EARLY MORNING BLOGS
1066 - Choose

The single clenched fist lifted and ready,
Or the open asking hand held out and waiting.
-------------Choose:
For we meet by one or the other.

(Carl Sandburg)

*

Bom dia!

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Lua e Venús em Maputo. (Ferreira Mendes)



Lua e Venus no Alentejo litoral.



Ontem - Lua e Venús em Valadares. (Helena Mota)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Estrada no fim do dia. (RM)



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18.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Trois-Rivières, Quebec, Canada. (Bruno Correia)



Estátua de Churchill, Quebec, Canada. (Bruno Correia)

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17.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



A Lua em quarto crescente e Vénus em quarto minguante vistas de Valadares.

(Helena Mota)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Hoje, Rocky Mountain National Park, a 3,000 metros de altitude.
Colorado USA (Manuela Mage)



Estradas do Sul.



Varanda em Belém, Cisjordânia. (Joaquim Leandro Nobre Grenho )



Serra de Sicó, vista da Redinha (Concelho de Pombal) (Vitor Xavier)

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BIBLIOFILIA - GRANDES CAPAS



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IDEIAS FEITAS QUE CIRCULAM:
PODE ANTÓNIO COSTA GOVERNAR A CÂMARA SEM UM ENTENDIMENTO COM OUTRAS FORÇAS POLÍTICAS?

Não pode. A não ser que faça a mais corrente das gestões, que em nada combate os problemas estruturais de Lisboa. Que é essa a tentação parece evidente no anúncio da noite eleitoral: fazer grandes acções de espavento, – ainda vamos ver Costa a acompanhar os carros do lixo -, e olhar para o lado à espera que passem dois anos. O governo ajudará a Câmara como nunca esteve disposto a fazê-lo. Mas, mesmo assim, não chega.

Claro que uma coligação pode não ser formalizada, mas um acordo político sólido é condição sine qua non para governar a Câmara, ainda por cima com o grupo de vereadores pouco amável que lá está, com a provável excepção dos eleitos pela lista de Carmona Rodrigues. Vai-se começar a ver quando da distribuição de pelouros. Por isso, convém não nos deixarmos embalar na retórica: ou há um entendimento, mesmo que por baixo da mesa, e pode haver governo, ou não há, e tudo será espectáculo. Só que aquela vereação não é muito dada a ficar a ver na plateia variantes do burro e do Ferrari.

*
O que diz vai precisamente ao encontro do que eu sempre pensei ao analisar estas eleições: o que interessa não são estes dois anos que aí vêm, mas sim os outros quatro. Se tivesse ganho qualquer outro candidato, o caso estaria muito mal parado, porque são evidentes a falta de condições para governar a câmara, sendo que qualquer dos outros, senão Costa, não teria o mínimo indispensável para o fazer: orçamento, entendimento com as restantes forças partidárias, apoio (e portanto também legitimidade) popular e, last but not least, apoio do Governo (indispensável de acordo com a nova Lei das Finanças Locais).

Porém com Costa, mantendo-se embora tudo o resto, a última questão está por si só resolvida. O Governo facilitará, mesmo que dê a ideia de que vai ser duro e objectivo na aplicação dos novos critérios financeiros. Só isso permitirá a Costa não fazer má figura – a figura que qualquer dos outros potenciais candidatos forçosamente faria – e preparar-se (ou ao PS) para uma posterior candidatura de quatro anos, essa sim, em condições totalmente distintas.

(Rui Esperança)

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IDEIAS FEITAS QUE CIRCULAM:

NÃO HOUVE VOTO DE PROTESTO CONTRA O GOVERNO

Olhe que sim, olhe que houve. Não está na votação dos partidos da oposição, mas está na abstenção, no elevado número de votos brancos – nulos, uma especificidade lisboeta. Não é só contra o governo, é também contra o sistema político-partidário, mas é um voto de protesto. Claríssimo.

*
Olhe que não: Não em parece correcto que se tirem grandes ilações a partir dos números da abstenção (e faz-se isso muitas vezes...). Parece-me que quem não vota é porque não pode ou porque simplesmente não quer saber. O desinteresse pode ser preocupante mas está longe de ser um protesto. Existirão excepções, pessoas que não votam mesmo por "protesto", mas não me parece muito racional, logo acho que serão uma minoria. Quem quer protestar vota em branco ou faz uns rabiscos, não se conforma em ir parar ao bolo da abstenção, onde está tudo misturado. O que terá acontecido é que muitas pessoas não puderam votar porque estavam de férias. E não é só uma questão de "Algarve & praia", muitas pessoas planeiam férias e pagam bilhetes de avião e "pacotes" de férias com muita antecedência. Nas low-cost, por exemplo, os bilhetes só compensam se forem comprados com muita antecedência.

Já os votos brancos e nulos, esses sim, são números interessantes e "protestantes".

(Ana Mouta)

*

Não me parece que seja adequado tirar conclusões válidas com base no "parece-me que". Não me parece que seja adequado classificar as pessoas que protestam através da abstenção como irracionais. Não me parece que quem conhecer verdadeiramente a cidade de Lisboa, os seus bairros e as suas gentes, possa afirmar que cerca de 350 mil lisboetas (abstencionistas e familias), de um universo de 524 mil eleitores, tenham todos ido para férias no estrangeiro, para destinos longínquos e aerotransportados. Não me parece que os números das eleições possam iludir alguém. Tanta gente em casa, em dia de eleições autárquicas (que são usualmente as mais participadas) tem de querer dizer qualquer coisa. E decerto não quererá dizer que existem mais de 30 mil pessoas irracionais em Lisboa.

Naturalmente que eu coloco alguma hipóteses, mas não avanço palpites antes de estudar melhor o terreno. As ciências sociais, como a medicina, por exemplo, não podem fazer diagnósticos sem analisarem bem o paciente. Tudo o resto é "palpitismo" - um mau hábito português, cada vez mais em uso, em que cada um se acha no direito de proferir as mais prolixas teses sobre qualquer assunto, desde a massa do pastel de bacalhau até a teoria dos quasares, passando - necessariamente - pela táctica futebolística e pelas artes adivinhatórias.

(Carlos Robalo)

*

A propósito do comentário da sua leitora Ana Mouta, devo dizer que eu sou um dos eleitores que deixou de votar (abstencionista) porque, depois de vários votos brancos em eleições consecutivas, vim a saber que o efeito voto branco é literalmente ignorado pelo nosso sistema político. De que me vale assim ir votar em protesto, se o meu voto é considerado lixo? Voltarei a votar, quando os responsáveis políticos resolverem dar expressividade aos votos brancos, pela presença de cadeiras vazias (lugares não eleitos) nas assembleias, nacional ou regionais, correspondentes ao número de votos brancos das respectivas eleições. Saberemos assim, com rigor, qual a representatividade político-partidária existente, no sistema político do país. Até lá, serei um voto de protesto diluído na abstenção.

(Vítor Martins)

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PORQUE É QUE NÃO ME SURPREENDE

o modo como arrancam as proto-candidaturas no PSD? Candidatos de aparelho, preocupações de aparelho. Cotas pagas ou não pagas, métodos de pagamento, prazos, ficheiros, cadernos, etc., etc. Nestas alturas percebe-se que todos olham a vida interna partidária como uma constante série de falcatruas dos outros, e vice-versa. Eles sabem muito bem os hábitos da casa, da deles e da dos outros. Por aqui não se vai a lado nenhum.

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BIBLIOFILIA - GRANDES CAPAS



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EARLY MORNING BLOGS
1065 - As árvores e a machada

Um machado de aço bem forjado, faltando-lhe o cabo, sem ele não podia cortar. Disseram as Árvores ao Zambujeiro, que lhe desse o cabo. E como o machado esteve encavado, um homem com ele começou a fazer madeira, e destruir o arvoredo. Disse então o Sobreiro ao Freixo: - Nós temos a culpa, que demos cabo ao Machado para nosso mal; porque a não lho darmos, seguras pudéramos estar dele.

(Esopo, Fábulas, vertidas do grego por Manuel Mendes)

*

Bom dia!

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16.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.


07.07.15 – A. 13:38 / B. 14:28

07.07.15 – C. 18:54 / D. 19:32

07.07.15 – E. 20:05 / F. 20:47

07.07.16 - G. 7:14 / H. 7:27

07.07.16 – I. 7:43 / J. 7:54

07.07.16 – K. 9:04 / L. 9:45

A caminho - no tempo.

(LR)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Verão molhado, hoje, na Folgosa, Douro.

(Gil Regueiro)

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MAIS COMENTÁRIOS DIVERSOS



(Continuação de ontem, e com o meu obrigado pela colaboração com o Abrupto na noite eleitoral de Lisboa em directo da SIC e pelos milhares de leitores que por cá passaram.)
Um grande amigo meu e meu colega de Faculdade ( o Chico), nascido em 48, tido por toda a gente como alentejano de Vila Viçosa, portador de todos os sinais evidentes de tal origem, o cerradíssimo sotaque, os modos e até, a "étnica" maneira de vestir, quis, quando veio para Lisboa, em finais dos anos 60, tornar-se sócio da Casa do Alentejo e, para tal, preencheu a ficha de inscrição. Qual não foi o seu espanto quando, quinze dias depois, recebeu um postal pelo correio em que a Direcção da Casa do Alentejo lhe negava tal pretensão, alegando a sua não naturalidade alentejana; ele, espantadíssimo, protestou em vão pois os homens insistiam que ele não tinha nascido no Alentejo e os estatutos da Casa reservavam a admissão apenas a nascidos no Alentejo.

De facto, o Chico filho de gente abastada, tinha vivido os nove meses da sua vida intra-uterina em Vila Viçosa, mas os pais por precaução e porque podiam fazê-lo (nessa altura era feio ir ter os filhos a Badajoz ) vieram para Lisboa, no fim do tempo e ele acabou por nascer em Lisboa e voltar, apenas com dias, a Vila Viçosa onde sempre viveu, até vir para a Faculdade; e sabem os muitos que o conhecem que é um "castiço" alentejano, além de uma alma imensamente generosa.

Parece que se fosse hoje isso não seria problema, pois pelo que se viu nas televisões na mitigada aclamação de António Costa como Presidente eleito da Câmara de Lisboa, estava muita gente do Alandroal que como se sabe, é bastante perto de Vila Viçosa, o que pelos critérios actuais indicia que os eleitores do Alandroal poderão votar em Lisboa; consequentemente se pode inferir, que o Chico e até o Dr. António Costa , não terão no presente, qualquer problema em tornar-se sócios da Casa do Alentejo uma vez que o Alandroal já se tornou a 54.ª Freguesia de Lisboa.

(António José Ferreira )

*

Está toda a gente (i.e., 2 comentadores) a perguntar se os pequenos partidos tiverem menos votos que o necessários para apresentar uma candidatura.

Isso não faz sentido nenhum - um partido precisa de 5.000 assinaturas para se registar nacionalmente, não para concorrer a uma eleição local. Por essa ordem de ideias, também poderiamos dizer que o PS e o PSD não chegaram aos 5.000 votos (nas eleições para a Assembleia de Freguesia da Mexilhoeira Grande - Portimão).

Esse ca´lculo só faria sentido se tivessemos a falar de eleições nacionais (e, aí, efectivamente, nas últimas legislativas o PDA não chegou ao 5.000 votos)

(Miguel Madeira)

*

Li o seu blog e chamou-me à atenção o facto de os partidos terem menos votos que o número de assinaturas necessárias para formalizarem as suas candidaturas. Eu sou estudante do Instituto Superior Técnico e na altura das presidenciais andavam na faculdade alguns apoiantes do Garcia Pereira a pedir assinaturas. Pode parecer absurdo, mas andaram várias vezes dentro dos terrenos da faculdade, inclusive na cantina, a "chatear" os alunos enquanto comiam para assinar os papéis. Pediam para assinar, mesmo que o candidato não lhe agradasse. Assim tem uma ideia de como a grande parte das pessoas que assinam, nem apoiam o candidato. Queixavam-se que os orgãos de comunicação não lhes prestava atenção.

(Ricardo Pestana)

*

Os números da abstenção são esmagadores, mas os partidos decidiram não
entendê-los - ao menos em público - e ninguém faz a contagem dos votos, não
das percentagens, aquela sim, clamorosa.
É uma péssima indicação para o futuro, sobretudo quando vem do partido do
governo, ao qual, a reter as declarações tonitruantes de vitória histórica,
interessa acima de tudo obter o cargo e depois distribuir as zonas de
influência pelos interesses em troca de apoios e alianças - o poder para
decidir sobre os terrenos do aeroporto da Portela, o poder para decidir
sobre a zona ribeirinha, o poder do urbanismo ...

Lisboa parece, de facto, na mais triste das acepções, o retrato do país: o
mercado estrangulado em burocracia e reservas estatais, os empresários
enredados em concursos e autorizações, a classe média sufocada sob impostos
e ameaça (a falar mal só «na esquina do café e em casa»), e o poder
negociando excepções, oportunidades, amigos.

Compreendo bem que os socialistas passem em branco a abstenção, porque
lê-la os contraria. O que compreendo mal é que nenhum partido de direita ou
centro-direita comece a interrogar-se se, como em França, não valeria a
pena partir a forma e fazer oposição com mensagens realmente diferentes e
... opostas.

(José Cruz)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.


Rio Anços, Redinha (Pombal) depois da chuva. (Vitor Xavier)


Belém, Cisjordânia. (Joaquim Leandro Nobre Grenho )



Formas de equilíbrio instável. (MJ)

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EARLY MORNING BLOGS
1064 - L'Homme et l'Idole de bois

Certain Païen chez lui gardait un Dieu de bois,
De ces Dieux qui sont sourds, bien qu'ayants des oreilles.
Le païen cependant s'en promettait merveilles.
Il lui coûtait autant que trois.
Ce n'étaient que voeux et qu'offrandes,
Sacrifices de boeufs couronnés de guirlandes.
Jamais Idole, quel qu'il fût,
N'avait eu cuisine si grasse,
Sans que pour tout ce culte à son hôte il échût
Succession, trésor, gain au jeu, nulle grâce.
Bien plus, si pour un sou d'orage en quelque endroit
S'amassait d'une ou d'autre sorte,
L'homme en avait sa part, et sa bourse en souffrait.
La pitance du Dieu n'en était pas moins forte.
A la fin, se fâchant de n'en obtenir rien,
Il vous prend un levier, met en pièces l'Idole,
Le trouve rempli d'or : Quand je t'ai fait du bien,
M'as-tu valu, dit-il, seulement une obole ?
Va, sors de mon logis : cherche d'autres autels.
Tu ressembles aux naturels
Malheureux, grossiers et stupides :
On n'en peut rien tirer qu'avecque le bâton.
Plus je te remplissais, plus mes mains étaient vides :
J'ai bien fait de changer de ton.

(La Fontaine)

*

Bom dia!

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COMENTÁRIOS DIVERSOS
(Actualizados)



Até a mim admira a total falta de interesse que estas eleições em Lisboa despertaram -- em mim e toda a gente que conheço, já para não falar nos eleitores. Não me lembro de ter falado do assunto uma única vez.
Resolvi actualizar-me no Abrupto, enquanto vou vendo alguma televisão.
O que retive destas eleições...
As excursões!
O verdadeiramente notável Dr. Júdice. Tão poucos dias e já é um histórico do PS.
O discurso de Paulo Portas numa não-espécie de politiquês.
O número verdadeiramente miserável de votos que elege um executivo para Lisboa.
A continuar assim, a genialidade estatística do Dr. Coelho um dia vai concluir que o dobro de zero é muito pouco.

A confusão entre o PCTP/MRPP e o PCP é fácil de entender, mas a explicação para mim é outra: O PCP criou uma pseudo-coligação que para mim lhes retira todo o terreno na postura de moralização da vida política onde frequentemente se querem posicionar. Se há partido a aproveitar-se do que o sistema tem para oferecer, é o PCP -- e ainda dão mau nome à ecologia. Não sei o que é isso dos "verdes". Alguma vez existiram sem ser na imaginação fértil dos comunistas? Agora perdem votos para Garcia Pereira? Deviam perder mais!

(José Rui Fernandes)

*

O ainda muito mal explicado caso das camionetas encerra em si vários problemas graves, que vão desde possíveis organizações por juntas de freguesia (segundo testemunho de “viajante”, segundo SOL) até à desfaçatez de envolver pessoas que nem sequer sabiam ao que vinham, alterando-se percursos de viagens e manipulando as gentes sem um pingo de vergonha. O que isto prova é uma coisa muito simples: o “jogo” tem uma só regra, chamada “vale tudo”. (...)

(Paulo Loureiro)

*

Lendo os comentários dos seus leitores parece que a vitória do candidato António Costa foi coisa pequena. “Nunca foi tão fácil meter uma pessoa na câmara” diz alguém. Bom então porque não o fez o PSD? Às vezes sinto-me cansado deste futebolismo politico que só vê os penalties não marcados na equipa adversária.

Assinado:Óscar Carvalho, Eleitor não filiado nem simpatizante do PS mas que votou hoje António Costa.

*

Afinal, quem são os vencedores e os derrotados da eleição de Lisboa, quando comparamos os resultados com as votações de 2005? Haverá algum comentador que se lembre de olhar para estes resultados, contando os votos, sem ficar cego apenas com o nº de vereadores? Essas cegueiras - plenas de partidarite - pagam-se caro, mais tarde e mais cedo.


Votos 2005- 2007 - % aprox.

PS - 75.022 - 57.907 -22%

PPD/PSD - 119.837 - 30.855 -74%

PCP-PEV - 32.254 - 18.681 -42%

B.E. - 22.342 - 13.348 -40%

CDS-PP - 16.723 - 7.258 -54%

PCTP/MRPP - 2.689 - 3.122 +16%

P.N.R. - 798 - 1.501 + 88%



FONTE: STAPE

COMPARATIVO: LISBOA
Freguesias apuradas 53
Freguesias por apurar 0
Total de mandatos a atribuir em 2007 17
Total de mandatos a atribuir em 2005 17

Ano 2007 2005
Inscritos 524248 536450
Votantes 196041 37.39% 282443 52.65%
Em Branco 4549 2.32% 7538 2.67%
Nulos 3096 1.58% 4733 1.68%
2007
Votos % Mandatos
PS 57907 29.54 6
I 32734 16.70 3
PPD/PSD 30855 15.74 3
II 20006 10.21 2
PCP-PEV 18681 9.53 2
B.E. 13348 6.81 1
CDS-PP 7258 3.70 -
PCTP/MRPP 3122 1.59 -
P.N.R. 1501 0.77 -
PND 1187 0.61 -
MPT 1052 0.54 -
PPM 745 0.38 -

2005
Votos % Mandatos
PPD/PSD 119837 42.43 8
PS 75022 26.56 5
PCP-PEV 32254 11.42 2
B.E. 22342 7.91 1
CDS-PP 16723 5.92 1
PCTP/MRPP 2689 0.95 -
P.N.R. 798 0.28 -
P.H. 507

(Carlos Robalo)

*

Há anos me questiono porque será que os votos em branco não são contabilizados da mesma forma que os restantes "válidos". Se ficassem lugares vagos proporcionais a estes votos...

Rui Gonçalves

*

O triste espectáculo da excursão de Cabeceiras de Basto define definitivamente o PS como um partido do terceiro mundo a relembrar outros tempos.

Azevedo Brandão

*

O socratismo no seu melhor: micro-acções atrás de micro-acções - a passadeira, o buraco tapado, aquela viela arrumada – tudo flare a camuflar as acções de fundo.

O Case-study: como é que Carmona aparece como o verdadeiro grande vencedor da noite? Afinal este homem é que parece o sr. presidente. Virá algum dia a lutar pela liderança do PSD ?

Nuno M. M. Martins

*

Pelo que estou a ver, as televisões deram, nos directos simultâneos, mais tempo ao CDS/PP, que não elegeu nenhum vereador, do que às candidaturas de Helena Roseta, Ruben de Carvalho, ou até de Fernando Negrão, que elegeram, e nem sequer têm dado voz aos outros partidos que não elegeram ninguém. É certo que é um partido histórico, mas há aqui qualquer critério que não consigo compreender.

Sérgio Ganges

*

O discurso de Costa fez-me lembrar os discursos de vitória das "misses": cheio de banalidades e lugares comuns e um imenso vazio de ideias. Não admira a dimensão da abstenção dos lisboetas.

João Mourato


*

O candidato do PPM, Gonçalo Maria Pacheco da Câmara Pereira, não foi eleito, isto quer dizer que Lisboa vai deixar de ter as tradicionais bifanas e sardinhas?

Bruno Vermelho

*

E, já agora, Manuel Monteiro que acorde para vida e que abandone a política activa. É que ficar atrás do PNR e da figura sinistra de Pinto Coelho, só pode nisso resultar. Parece que até a personagem caricatural que acompanhava MM na campanha teria feito melhor resultado.

João Marques

*

Afinal a vitória de António Costa não foi, como o próprio procurou fazer passar, e também o seu correligionário Jorge Coelho durante toda a emissão televisiva tentou transmitir, tão retumbante como isso.

Para quem deixou o lugar no Governo como todo-poderoso Ministro da Administração Interna, com o peso de segunda figura do actual Partido Socialista, com a mobilização de toda a estrutura de meios ligados a ambos, e o apoio da comunicação social afecta, apostando na maioria absoluta, o resultado final ficou muito aquém do que a conjuntura favorável da queda do anterior executivo camarário poderia prenunciar...

Parabéns ao 1.º Ministro pela magistral jogada, em que para além do afastamento de um potencial rival, fica claramente beneficiado no foto-finish comparativo!

(Filipe Rebelo)

*

Em resposta ao seu colaborador Paulo Pedro:

De acordo com os dados oficiosos do STAPE todos os pequenos partidos obtiveram menos do que os 5000 votos correspondentes às assinaturas necessárias para formalizarem as suas candidaturas: PCTP/MRPP 3122, PNR 1501, PND 1187, MPT 1052 e PPM 745. Dá que pensar. E mesmo o CDS PP ficou pouco além, com 7258 votos.


(Eduardo Tomé)

*

Dá vontade de rir a festa histórica que parece que não acontecia há 31 anos... parece que 55 mil pessoas votaram em António Costa, 10% dos votantes em Lisboa. Ridículo. Só pessoas medíocres se dão a esta festa, mas desta gente que segue o sr. primeiro ministro não se espera mais... deviam receber os resultados, agradecer aos votantes, sentirem-se tristes por 35% das pessoas terem votado e por dessas 35%, 30% terem votado neles, e irem-se embora.

Nunca foi tão fácil meter uma pessoa na câmara como vereador, bastava arranjar 7 mil pessoas que se tinha lugar na câmara de Lisboa... brrrrr.... assustador...

(...)

Por fim, o lobby Manuel Monteiro, como é possível a atenção mediática que Manuel Monteiro recebe (todas as semanas num frente a frente na SIC Notícias e outros...) quando tem menos votos que o PNR... quanto a Garcia Pereira, continua a ser o maior dos pequenos, mas só tem voz quando há eleições...

Tristeza de gente que podendo, não vota...

Hugo Filipe

*

As práticas arcaicas - TRANSVERSAIS A TODO AS FORÇAS PARTIDÁRIAS NACIONAIS - de transporte maciço de militantes (quando o são), de cacique, etc, estão na base de:
- um número de voto nulos e brancos superior ao números de votos obtidos pelo CDS
- uma abstenção de 62,61%
Os resultados traduzem uma profunda crise estrutural do sistema político, e não somente um reflexo conjuntural.

Mais: não creio que os 32734 eleitores que votaram em Carmona se revejam nas políticas levadas a cabo por ele em Lisboa. Traduzem, isso sim, do meu ponto de vista, um voto de protesto face à posição adoptada pelo PSD, na pessoa do seu líder nacional, que ao decretar, em horário nobre, a queda do Presidente da Câmara, assumiu a partidocracia como elemento central do nosso sistema democrático.
Retirar a confiança política é algo que assiste às estruturas nacionais ou locais dos partidos. Tudo o mais é contribuir para a deformação das bases do sistema democrático.

Quanto a Helena Roseta, liderou um projecto ideologicamente desprovido de uma linha condutora, estruturante sob o ponto de vista ideológico: considero que a gestão da res publica não é compatível com "melting pots" ideológicos. Toda a praxis não alicerçada numa orientação política de fundo sólida e coerente acaba por se deformar. Espero que não se transforme num Zé - Parte II. Tem potencial para mais.

Rui Amaral Mendes

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15.7.07


REGRAS NÃO ESCRITAS

Uma das regras nao escritas e' que o vencedor faz o discurso de vitoria em
ultimo lugar. A ansia de Antonio Costa de interromper a declaracao de
Helena Roseta, fez com que Carmona acabasse por ser o ultimo a falar.

Se calhar Carmona ate' acabou por ser o cerdadeiro vencedor, mas a
ma'-impressao causada por Socrates na interrupcao do discurso de Manuel
Alegra devida ter levado Costa a ter mais cuidado.

Rui Gustavo Crespo

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VOTAR NO PP

Talvez fosse altura de Paulo Portas pensar nas razões pelas quais as pessoas não votam PP. Telmo Correia até era um candidato decente, mas nunca me passaria pela cabeça dar-lhe o meu voto. Acho que muita gente de direita, quando chega a altura de botar a cruzinha, revê mentalmente algumas posições medievais assumidas pelo partido, como a posição sobre o aborto, as células estaminais, as "salas de chuto" para aquietar os "drogados" e por aí fora e, pura e simplesmente, não conseguem engolir a tese do discurso "moderno", passando para o candidato imediatamente ao lado, em princípio o mais ao centro, o um cadito-nada mais liberal, mais arejado. Paulo Portas precisa de entender que a frontalidade e o defender daquilo em que acreditamos, é muito bonito, mas tem os seus custos, designadamente, políticos. E que Portugal ainda não tem um excesso de emigrantes tal que justifique o ódio do povo e o consequente baldear para a direita do sentido geral de voto.

Sofia Vieira

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PEQUENOS PARTIDOS

Será que algum dos pequenos partidos obteve menos votos do que o número de
assinaturas necessárias para a apresentação da candidatura?

Paulo Pedro

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DISCURSO DE COSTA

para não discutir como é que vai governar Lisboa, fala das passsadeiras e da recolha do lixo. Típico.

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A CRISE

Que a elevada abstenção e o número de votos nulos/brancos são nesta como noutras
eleições um sinal de degradação rápida do sistema político parece que toda a
gente já percebeu. Não só um sinal de que os eleitores estão descontentes com o
desempenho do sistema politico/partidário no passado mas sobretudo de que não
acreditam nele para o futuro. Não acreditam que os partidos sejam capazes de dar
resposta aos seu problemas, tornando o seu voto inútil e inconsequente.

Mas estas eleições mostram que a solução também não está na abertura do
sistema aos independentes. Se estivesse, estes consquistariam votos à abstenção
e não é isso que se vê. As candidaturas independentes não constituem, pelo menos
para já, um novo paradigma. Nascem do interior dos partidos em situação de
conflito com os poderes instalados. Não têm novas motivações nem novas soluções,
apenas novas caras que servem para dividir os votos de quem ainda está disposto
a votar, mas incapazes de gerar nova participação democrática.

Ricardo Ferreira

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CHAVISMO?

Ouvir as declarações dos candidatos independentes, da sua ácida critica ao “sistema” e contínua afirmação da necessidade de uma renovação da política sem os partidos, o querer dar voz directa ao povo, faz-me pensar em proto-“Chavismo” e variantes. Ou então é outra coisa que ainda não sei o que é.

Nuno M. M. Martins

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CAROS E CARAS AMIGAS

começa Costa. Na verdade não podia dizer "caros e caras lisboetas", devido ao activo excursionismo na sede.

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COSTA REPETE A MESMA CENA DAS PRESIDENCIAIS

com Sócrates. Interrompe Roseta para falar, como ele interrompeu Manuel Alegre.

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O BOLETIM DE VOTO

era complicado e obscuro. Roseta deve ter sido prejudicada mais do que todos os outros.

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UM VELHO PROBLEMA

Há uma coisa que nunca ninguém refere: a confusão que muitos eleitores comunistas, especialmente os mais idosos, fazem entre o PCTP-MRPP e a CDU.
Inúmeras vezes, quando presidi a mesas de voto, fui questionado por eleitores no sentido da mesa poder esclarecer se a CDU era ou não o PCP. Em 2005, o PCTP-MRPP teve mais votação em Setúbal que o CDS. Sendo um concelho maioritariamente votante no PCP, não terá sido essa a causa? E em Lisboa não acontecerá a mesma confusão que possibilitou a Garcia Pereira um bom resultado?

Simão dos Reis Agostinho

Da confusão entre PCTP/MRPP e o PCP, é fácil entender e explicar. É conveniente ao partido de Garcia Pereira que a confusão aconteça. Sabem-no muito bem e por isso andam a reboque destes “enganos” desde há muito. É uma estratégia perfeitamente intencional.

Ivo Rafael Silva

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EXCURSÕES?

Excursões?
Talvez seja melhor patentear o termo «turismo eleitoral»

Paulo Pedro

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É DE PERGUNTAR A SALDANHA SANCHES

se estas excursões para a sede do PS estão na contabilidade da campanha? Do Alandroal, Cabeceiras, Arco de Baúlhe, etc., etc.

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ABSTENÇÃO E TECNOLOGIA

Com tanto Choque Tecnológico e tanto Simplex, como é que se pode achar natural que a abstenção técnica (em boa parte devida ao facto de os cadernos eleitorais estarem bem providos de mortos!) atinja valores entre 5 e 10%?

E como é que, eleição após eleição, não há sequer uma palavra acerca do voto electrónico - muito menos acerca do trabalho feito pela UMIC que, pelos vistos, foi para o lixo com a chegada do PS ao governo?

C. Medina Ribeiro

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VOTOS BRANCOS E NULOS

muito elevados em Lisboa. A recusa política no voto.

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YES!!!

E eis o primeiro "Yes" de Ribeiro e Castro, de alguns meses para cá...

Márcio Oliveira

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EXCURSÕES

Levar povo do Arco do Baúlhe até Lisboa para envergar uma bandeira socialista e gritar "António Costa" é verdadeirmente desolador: são tiques característicos de um sistema político-partidário atrasado e terceiro-mundista; são expressões de um provincianismo que envergonha.

(Pedro Morgado)

Na SIC e na TVI, pelo menos, em algumas das entrevistas a apoiantes de António Costa, surgiram pessoas que dizia vir de várias freguesias de Cabeceiras de Basto. Uma senhora idosa desse concelho minhoto disse na SIC que não sabia ao que viera. Estava ali sem saber a fazer o quê porque tinha sido convidada para ir a Lisboa.
Não é lamentável expor, assim, ao ridículo uma pessoa? Já agora, quem terá promovido e pago a viagem?

(Teresa Alberta Batalha )


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COLIGAÇÕES

Depois de ouvir Sá Fernandes dizer que quer defender a frente ribeirinha e o plano verde do arqº Ribeiro Teles; Ruben de Carvalho afirmar que se opõe ao despedimento de funcionários e quer a reorganização das empresas municipais; e Helena Roseta insistir na partilha do pelouro do urbanismo, ainda haverá alguém que imagine uma coligação de Costa sem ser com os vereadores da direita? O que é que mudará na política do PS/Costa?

F.Santos

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NO CDS

o discurso é redondíssimo. Para modernidade não está mal...

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O PS

está a descer. O PSD a subir, igual a Carmona.

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NO CDS UMA COISA MUITO HABITUAL

Telmo compara os resultados com a pior das sondagens.

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COLIGAÇÕES

Ruben falou de um dos interditos da campanha: o PS representa uma "coligação de interesses".

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COLIGAÇÕES

... eu diria que a melhor estratégia para o PS seria o de tentar negociar uma "frente" de esquerda, de modo a minimizar riscos. Tenho para mim que será um pouco arriscado António Costa fazer uma coligação apenas com Roseta (dando sempre por certo Sá Fernandes). Com o PC igualmente a mesma análise. Dado que irá se deforntar com uma maioria na Assembleia Municipal do PSD, uma coligação alargada dar-lhe-ia mais peso político para as inevitáveis negociações.

Manuel João Orey

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ABSTENÇÃO

Ainda bem que choveu...É que desta forma, a ida á praia deixa de ser desculpa para a elevada abstenção. Jamais os nossos políticos assumiriam que as pessoas os penalizam por folclores. Ponham-se os olhos no Porto e veja-se que Rui Rio nem precisou de cartazes para uma maioria absoluta.Questiono-me se algum candidato em Lisboa se poderia dar a tal nobreza de postura?

Márcio Oliveira

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PERPLEXIDADES

Eu sou militante do Partido Socialista, mas fiquei estupefacto ao observar a quantidade de pessoas que a máquina do partido trouxe de fora de Lisboa. Continuam com os mesmos esquemas, com as mesmas fórmulas do antigamente, já gastas, e que só descredibilizam o partido.

E diz também outra coisa. Que não conseguiram mobilizar militantes do partido em Lisboa, para o simples gesto de ir acenar uma bandeirinha no discurso de vitória... Não por acaso, Helena Roseta tem de 10% dos votos...

(Manuel João Orey)

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NO PSD

viveu-se toda a campanha num ambiente de guerra civil em Lisboa. As secções e sua nomenklatura estavam todas envolvidas na guerra civil, a favor e contra Negrão, ou seja, a favor e contra Marques Mendes. Este ambiente levou à recusa de secções em participar na campanha e muitos "permanentes" da estrutura a apelar ao voto em Carmona, (e mesmo em Costa. em Roseta e até Ruben) não porque gostassem dele (na maioria dos casos este "apoio" vem dos mesmos que combateram Carmona quando Carmona era o candidato de Marques Mendes), mas porque desejavam a crise da direcção de Marques Mendes. O ambiente era de cortar à faca, quase de confronto físico. Não admira o que aconteceu.

Etiquetas:


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O QUE É QUE FOI RECUSADO?

Louçã repete que os resultados implicam a recusa da anterior gestão da Câmara. Engana-se porque o que foi recusado não foi a gestão anterior, porque senão Carmona não teria o resultado que teve, mas sim a intervenção do PSD.

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AS EXCURSÕES

Alguém me consegue fazer o favor de explicar o triste espectáculo das excursões de apoio a António Costa de «apoiantes» não votantes, presentes no Altis?

Paulo Pedro

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COLIGAÇÕES BARATAS OU CARAS

Pode António Costa dar-se ao luxo de atribuir pelouros a Carmona Rodrigues com o risco de que este se torne arguído a meio do mandato? Suspeito que Carmona não poderá nunca fazer parte da solução, apesar do seu baixo custo. Parece-me que a economia em termos de declarações das várias candidaturas só se pode dever a intensas negociações envolvendo uma solução a 3, a única possível a confirmar-se o resultado de Carmona e excluíndo este. A minha aposta vai para PS+ Ruben de Carvalho + Helena Roseta.

Ricardo Ferreira

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O QUE ESTÁ A ACONTECER

é a crise crescente da hegemonia dos partidos políticos sobre a representação pública. Sobram apenas as eleições legislativas onde os partidos ainda controlam as candidaturas. Nas presidenciais e nas autárquicas o poder dos partidos está a diminuir.

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OS PARTIDOS - GRUPÚSCULOS

Tirando o eterno candidato do MRPP Garcia Pereira que mantém o seu eleitorado fiel, a votação do PNR, o maior dos mais pequenos, merece uma reflexão mais atenta. Dentro dos 2%.

Nuno Nogueira

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O PAPEL DOS APARELHOS PARTIDÁRIOS

Estou a achar curioso a forma como são analisados os resultados, ou talvez
não... Ou seja, além da habitual visão do "copo meio-cheio/meio-vazio"
niguém parece querer questionar se, na realidade, esta não será uma derrota dos
aparelhos partidários.

A ideia de que "ganhou com o dobro dos votos do segundo" é divertida e estatisticamente interessante. Mas mais interessante, do ponto de vista político e estatístico são os cerca de 30% de votação em listas independentes. Por isso, questiono-me: será vitória do PS (seja ele de Costa o Sócrates) ou derrota dos partidos?

Paulo Matos

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SALDANHA SANCHES

menos integrado que Júdice, fez questão de prevenir contra a aliança com Carmona. Interessante.

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O GOVERNO NÃO PODE ESTAR MUITO CONTENTE

porque os resultados são frouxos. Se o PSD teve péssimos resultados, o que é indesmentível, a esquerda do PS, Roseta, o PCP e o BE tem bons resultados.

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SOBRE A ABSTENÇÃO

Palpita-me que depois destas intercalares Lisboa continuará ingovernável...tudo dependerá das coligações que se fizerem e da longevidade das vontades políticas convergentes no essencial na gestão da capital.

Também me parece que nestas eleições a abstenção foi a grande "ganhadora" traduzindo o alheamento já esperado do eleitorado face à continua desresponsabilização política consubstanciada em pactos por Lisboa pouco sólidos que sofrem uma derrocada súbita induzida pelas lutas intestinas que se servem de Lisboa em vez de servir Lisboa. E atenção este grau de abstenção parece ser extrapolável para 2009 nas legislativas...oxalá me engane...

António Ruivo


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O "ZÉ" AVANÇA COM PROPOSTAS



que são completamente em contra-ciclo da política governamental. Interessante, o "Zé" parece não querer coligar-se. Vamos ver.

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A COLIGAÇÃO MAIS BARATA PARA O PS



mas apenas porque é a menos má. Carmona e os seus vereadores precisam de poder. E o que ganharam com o excelente resultado pode dissipar-se sem pelouros.

O que é barato, diz o povo que sai caro.
No caso em apreço, não sendo votante em Lisboa nem votante socialista, espero que Costa opte por essa solução barata. Talvez a prazo sirva para varrer o lixo "socialaite", que usa a retórica da modernização e da qualidade para dar corpo a políticas, que se limitam a replicar o que se apresenta como "as boas práticas", deitando no caixote do lixo (ou para o fundo da gaveta) as preocupações sociais.

F.Santos

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CORREIO

Houve um problema com o correio, mas já está corrigido. Penso eu de que.

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OS PORTÁTEIS
Esses portáteis Vaio que tanto o Sr. está a utilizar
como o Jorge Coelho são propriedade privada, publicidade SONY, oferta da SIC, ou
uma simples coincidência?

(Nuno Nogueira)


São os que estão cá.

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COLIGAÇÕES DO PS

são todas forçadas, e pouco simpáticas para com o governo. Mais: os que se vão coligar estão todos numa posição de força. Menos um: Carmona.

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ALGUMA SURPRESA

Por que razão Júdice começa a sua declaração festejando uma vitória do PS (de que não deveria cuidar) em vez de ser a de Costa (que apoiava pessoalmente)?

*
Temos a vitória de A. Costa em Lisboa, anunciada pelo mandatário Júdice.
Não tendo a maioria absoluta, tem na retaguarda o partido do governo. Cá
estaremos em 2009 para sabermos que ventos levaram os destinos da
Capital.

(Leonor Rodrigues)

Etiquetas:


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ATÉ AGORA SEM GRANDES SURPRESAS

[1.7.07+(3).jpg]imaginem o que o grupo de Paulo Portas diria de Ribeiro Castro se estes resultados fossem de sua responsabilidade. O PSD tinha a sombra de Carmona, mas o PP tinha a de Maria José Nogueira Pinto e a de Ribeiro e Castro. Ambas as sombras cumpriram o seu papel, assombraram.

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ABSTENÇÃO

não é apenas o Verão, nem as férias, nem nada. Há uma clara rejeição, um cansaço. Claro que isto é uma mera impressão, mas duvido que os estudos apontem noutra direcção.

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ATÉ AGORA SEM GRANDES SURPRESAS

mas com novidade, se se considerar o resultado provável de Carmona. O facto de um candidato independente nestas circunstâncias ter tido este resultado mostra a grande fragilidade do PSD em Lisboa. Fragilidade política, de condução política e fragilidade partidária, o que não é a mesma coisa. Uma explica umas coisas a outra, outras.

Enquanto a estrutura do PSD da capital aguarda pelo aparecimento de
insignificantes décimas e sente, politicamente, os primeiros abalos sísmicos, o
restante país “laranja” aguarda pelas consequências do Terramoto no resto do
país. A começar pelo seu “D. José”.

(Ivo Rafael)

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ATÉ AGORA SEM GRANDES SURPRESAS

[1.7.07.jpg]o PS ganha, mas ainda falta saber que PS ganha, se o de Sócrates, ou o de Costa. Vai depender dos números finais e dos resultados dos putativos coligantes, porque nem todas as coligações têm o mesmo valor político para o PS. Algumas enfraquecem a vitória.

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O MAU TEMPO

adensa-se.

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COMO DE COSTUME

são bem-vindos os comentários.

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NA SIC E EM LINHA

Alguns tumultos localizados a caminho. Tipo mau tempo, sem ser no canal.

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AS ELEIÇÕES DE LISBOA



podem ser das mais interessantes para compreender as mudanças de fundo na nossa política. O corpo eleitoral de Lisboa é um microcosmos do país, imperfeito mas revelador. Logo, nestas eleições poderemos (talvez) perceber o que se está a passar com o "cansaço do eleitorado" em geral; com a fragmentação do eleitorado partidário; com a cada vez maior fragilidade dos partidos (ou não) face à competição de "independentes" próximos do seu eleitorado; do voto com a carteira e do voto com o coração; do papel dos aparelhos partidários na mobilização eleitoral, da abstenção por "cansaço" ou recusa; do peso do "nacional" no local, embora o local seja aqui muito próximo do "nacional"; do papel da militância nos pequenos partidos na sua hierarquia no voto; do modo como os resultados do PS (versus Roseta), do PSD (versus Carmona), do CDS (versus o passado de Ribeiro e Castro e as promessas de Portas); do PCP versus BE e vice-versa, vão gerar crises internas; do modo como essas crises "sobem" do aparelho para cima e atingem as lideranças, de Sócrates no PS e de Marques Mendes no PSD, etc., etc. A multiplicidade de vozes que, de certeza, se vão ouvir na noite eleitoral, em particular no PSD, seja Santana Lopes, seja Luis Filipe Menezes, seja Aguiar Branco, sejam muitas outras prováveis, vai ser também interessante de ouvir. Haverá coisas sensatas e cacofonia, nas proporções habituais, ou seja a favor da cacofonia, mas a política em democracia é assim mesmo.

Se tal for possível, o Abrupto estará logo em directo da SIC a partir das 18.30, até porque serão eleições, como diriam os psicólogos, "pregnantes", para quase tudo. Já não estou certo que o sejam para Lisboa.

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O QUE FIZEMOS POR CÁ NESTES ÚLTIMOS MILHARES DE ANOS

Pouco. Bastante pouco. Bastante mal distribuído no tempo. Bastante frágil. Nem sempre muito bonito, nem sempre muito impressionante, nem sempre durável, nem sempre bem feito. O concurso, com pseudovotações, mas, mesmo assim, concurso, das nossas Sete Maravilhas nacionais revelou como escasseiam entre nós as maravilhas, como temos muitas vezes uma exagerada noção da nossa própria história e capacidade de realização e, mesmo assim, como os portugueses não foram sempre os mesmos em todos os tempos. Nalguns fizeram muito mais, noutros fizeram muito pouco e na maioria dos tempos não deixaram nada que valesse ser lembrado, muito menos "maravilhado". Quando se pensa que os turistas estrangeiros podem, devem, vir admirar a nossa terra, cometemos muitas vezes o pecado da soberba de pensar que ela pode ombrear com muitas outras terras europeias em maravilhas ímpares, com Londres, Paris, Viena, Roma, Veneza, Praga, São Petersburgo, ou mesmo muitas outras pequenas cidades europeias.

Sobram, é verdade, recantos naturais de grande beleza, bom clima, águas temperadas, fina areia, mas esses foram feitos pelo Supremo Arquitecto e não pelos portugueses, que se têm encarregado de os destruir activamente com furor. Sim, sobra alguma coisa no Alentejo profundo, em Trás-os-Montes, nos Açores, mas em proporção inversa à proximidade ao Algarve, a Lisboa e à antiga Estrada Nacional n.º 1.

Nesta questão do concurso das maravilhas há dois tempos diferentes: o da nomeação e o da escolha. Ambos têm regras muito distintas e funcionam com mecânicas diversas. As nomeações, dado o seu número elevado, retratam mais ou menos o que há, as escolhas revelam os lobbies e os movimentos de gosto popular. Trataremos de cada um por seu lado.

Que maravilhas temos? O concurso registou 77, que estão enumeradas numa página oficial do concurso na Rede que, à boa tradição nacional, deixou de ser actualizado um dia antes da eleição, ao ponto de não ter sequer em linha os resultados do concurso. Fez-se a festa, foram-se todos embora. Dos 77 monumentos nomeados, 27 são de carácter religioso (Capela de São Frutuoso de Montélios, Convento de Cristo e Convento e Basílica de Mafra, Igrejas de Santo Agostinho da Graça, da Flor da Rosa, da Madre de Deus, da Sé Velha de Coimbra, de Bravães, de Castro de Avelãs, de São Francisco, de São Martinho da Cedofeita, do Antigo Mosteiro de Jesus, do Convento do Carmo, Igreja e Torre dos Clérigos, Igreja Matriz de Mértola, mosteiros da Batalha, de Alcobaça, de Leça do Bailio, de Santa Cruz, de Santa Maria de Belém, Misericórdia de Viana do Castelo e as Sés da Guarda, de Braga, de Évora, de Lisboa, de Silves, do Porto). Depois da igreja, os mais numerosos monumentos são de carácter militar, incluindo os castelos da Feira, de Almourol, de Beja, de Guimarães, de Leiria, de Marvão, de Monsanto, de Óbidos, de Palmela, de Porto de Mós, de São Filipe, de São Jorge, de Silves, de Viana do Alentejo e a fortaleza de Sagres e as fortificações de Monsaraz. Registe-se que a esmagadora maioria dos monumentos militares são medievais e muitos dos castelos foram obra dos mouros e não dos cristãos.

Em seguida, avulta a arquitectura palacial régia, incluindo os Paços dos Duques de Bragança, o Paço Ducal de Vila Viçosa e os Palácios Nacionais da Ajuda, da Pena, de Queluz e de Sintra, a que se somam algumas escassas casas nobres palaciais como as da Brejoeira, de Mateus e o Palácio e Quinta da Bacalhoa. Arquitectura civil, grandes obras púbicas, são ainda mais escassas: dois aquedutos, o das Amoreiras e o das Águas Livres, um chafariz, a Praça do Comércio. Edifícios de cultura, arte e saber são raríssimos: os Paços da Universidade de Coimbra e o Teatro Nacional de São Carlos.

A distribuição pelo tempo é também muito desigual, embora se tenha que ter em conta que não é possível tirar conclusões de uma cronologia simples, porque o grau de destruição, a monumentalidade, o tipo de edifícios, a sua necessidade de conservação e perenidade variam muito com as épocas. Mas algumas conclusões podem ser tiradas. Anteriores à nacionalidade, se deixarmos de lado alguma arquitectura religiosa, ou construções militares árabes, que também o são, mas entroncam com o fio da nossa história nacional, sobram as pinturas rupestres da Gruta do Escoural, os monumentos megalíticos de Alcalar, os Sítios Arqueológicos do Vale do Côa, as Ruínas de Conímbriga, o conjunto arqueológico de Idanha-a-Velha, o Templo Romano de Évora e a ponte sobre o Lima em Ponte de Lima. Os romanos ficam pois entre os nossos grandes construtores, em conjunto com os nossos crentes cristãos que fizeram igrejas e mosteiros e os engenheiros militares árabes, tornando a Idade Média numa grande produtora de maravilhas.

Depois, a coisa começa a escassear, com o Portugal das Descobertas a construir mais lá fora do que cá dentro, e cá dentro a apenas dar a conhecer a mão férrea dos nossos monarcas despóticos. E depois quase que acaba. Monumentos que possam ser associados à revolução industrial são quase inexistentes, incluindo-se apenas aqui dois exemplos de arquitectura de ferro, o elevador do Carmo e a Ponte de D. Maria Pia, a que podemos somar o Palácio da Bolsa no Porto, que também é subsidiário de um gosto de pastiche típico da mesma época. Há o pequeno esboço romântico da Pena e acabaram-se as maravilhas.

De que país falam estas maravilhas? De uma terra de povoamento antigo, mas isso é mérito do tempo e da terra, mas que logo que a história se forjou como civilização foi periférica e quando não o foi, nos séculos XV e XVI, cuidou mais de outras alfaias e menos do espavento. Se calhar também aí há uma lição a tirar. De uma terra pobre, na maioria do seu tempo e para a maioria dos seus habitantes, muito pobre mesmo. Depois, a história mais propriamente portuguesa é feita pela igreja e pela guerra e pelo poder político quando é forte. Ponto final. Se bem que a nossa ideia moderna de Estado não possa ser extrapolada para o passado, a verdade é que poucas maravilhas nos deixou o Estado se comparado com a igreja, e a paz comparada com a guerra.

http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/fotos/braga/macro/gcastelo02.jpgAs escolhas finais foram o que foram e, para além dos lobbies de promoção e votação, correspondem a um modelo do Portugal monumental que poderia ter sido escolhido pelo SNI da Salazar: o "berço da nacionalidade", o Castelo de Guimarães, arquitectonicamente pouco interessante (o Castelo de Óbidos é muito mais interessante, mas a votação aí é muito turística), o local de batalha de Aljubarrota, o local mítico da derrota dos espanhóis, associado à Batalha, os Mosteiros de Alcobaça, dos Jerónimos (Lisboa) e Batalha que têm dimensão monumental, a Torre de Belém (Lisboa), imagem identitária, e o gosto romântico ficou-se pelo Palácio da Pena (Sintra), em nome do Luís da Baviera que não tivemos e da Disneylândia. A gramática do gosto moderno, explicou-o o esquecido Barthes, privilegia os monumentos que estão no cimo dos montes (Pena e Óbidos), e uma centralidade ou espacial (Alcobaça) ou cultural (Jerónimos e Belém) ou icónica (Torre de Belém).

Tudo isto é estimável e, para quem gosta da sua terra, é a nossa face, o nosso espelho. Sem elas não somos nós. Mas gostar da sua terra não precisa de nos tirar lucidez sobre o que fizemos e deixar de sentir a obrigação de se ser mais cosmopolita e menos provinciano. Estas maravilhas sabem a pouco.
Tenho de há muito a opinião que a Pátria é muito melhor a escrever do que a construir ou a pintar ou a pensar. De longe. Gil Vicente, Camões, Vieira, Camilo, Eça, Cesário e Pessoa, são "monumentos" mundiais que podem ser colocados em qualquer lista mais restrita de "maravilhas". E não estão sós: geniais autores de um, dois , três e quatro poemas, existem bastantes em Português, exactamente como muitos poetas e escritores que admiramos em espanhol, francês ou inglês o são também. No resto, é que escasseiam as "maravilhas".
(No Público de 14 de Julho de 2007)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL /
RETRATOS DO TRABALHO EM LISBOA

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.




Trabalhos de domingo: amolador de tesouras, facas e navalhas, arranjador de guarda chuvas e sabe-se lá que mais. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS
1063 - Dirge in Woods

A wind sways the pines,
-------------And below
Not a breath of wild air;
Still as the mosses that glow
On the flooring and over the lines
Of the roots here and there.
The pine-tree drops its dead;
They are quiet, as under the sea.
Overhead, overhead
Rushes life in a race,
As the clouds the clouds chase;
---------- ----And we go,
And we drop like the fruits of the tree,
---------------Even we,
---------------Even so.

(George Meredith)

*

Bom dia!

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14.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



A última luz de hoje.



Belém, ao fim da tarde.



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. Fim da tarde. (RM)

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NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

COISAS DA SÁBADO:
ELEIÇÕES PARA LISBOA: A MODA DAS “SOLUÇÕES” NO DISCURSO MEDIÁTICO

MOMENTOS EM TEMPO REAL - em Lisboa, em Cascais, em Palma de Maiorca e em Estocolmo.



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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Bancada nas corridas do circuito da Boavista, Porto. (A)



Calor na estrada. (RM)

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HOJE - ESCOLHAS DO ABRUPTO NO

Home

Cortesia da "ultimate driving machine", o BMW, Ken Robinson explica como a escola mata a criatividade.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. Manhã. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS
1062 - There was a Young Lady whose bonnet

There was a Young Lady whose bonnet,
Came untied when the birds sate upon it;
But she said: 'I don't care!
All the birds in the air
Are welcome to sit on my bonnet!'

(Edward Lear)

*

Bom dia!


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13.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



A longa caminhada para a noite em Estocolmo. (Jorge Gomes)



Ex - Museu de Arte Popular. Julho 2007. (Maria Ribeiro)



À espera do barco de apoio, na baía de Cascais, nas regatas da Classe 49, nos Campeonatos do Mundo de Vela 2007. (Fernando Correia de Oliveira)



Palma de Maiorca: escultura de Henry Moore. (Pedro Cirne)

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COISAS DA SÁBADO:

1

ELEIÇÕES PARA LISBOA: A MODA DAS “SOLUÇÕES” NO DISCURSO MEDIÁTICO



Quando já se viu muitas modas, quando já se esteve e já se passou de moda, quando o gosto se começa a misturar com a memória do gosto, deve-se ganhar aquilo que se chama vulgarmente “experiência”, ou seja, entre outras coisas, uma certa resistência à moda. Mas, a moda estará sempre na moda e entre os jornalistas (e por via do jornalismo entre os políticos mediáticos) ela traz imensas vantagens nas quais avulta a preguiça do pensar e a aparente criação ex-nihil de novidade, a pedra de toque do jornalismo-espectáculo.

Estas eleições para Lisboa, realizadas debaixo de uma enorme sombra de aborrecimento, forma como é percebida pelo “povo” a impotência, sua e deles (dos políticos, para tudo que não seja “servirem-se” do prato orçamental), foram subordinadas a uma moda que ultimamente domina as entrevistas para os cargos executivos: a ideia peregrina que os candidatos devem saber de cor e salteado os dossiers sobre a cidade e ter “soluções” prontas para todos os problemas. Esta moda já dominou as últimas legislativas, mas revelou-se em toda pujança no último Prós e Contras com os 12 candidatos a Lisboa, com a apresentadora a cortar de uma forma muitas vezes arrogante e opinativa qualquer intervenção em que se fizessem “diagnósticos”, “tricas partidárias”, ou qualquer outra coisa que não fossem “soluções”. “Soluções”, “soluções”, “soluções” é o que o coro mediático, que se apresenta como ungido das presocupações “populares” agora exige no tribunal espectacular que são estes debates circenses.

Esta moda das “soluções” é o resultado do desgaste do discurso generalista ideológico, do discurso dominado pelo posicionamento partidário, vencido não só pelos seus defeitos, mas também pela apatia ideológica, pela despolitização, e pelo modelo yuppie da “eficácia” empresarial associado ao fascínio tecnocrático, o menos adequado para se perceber sequer o que está em causa na crise de cidades como Lisboa. Não se passou do mau para melhor, substituiu-se um mau por outro mau, em ambos os casos um pseudo-écrã que nos tapa a percepção quer dos problemas quer das diferenças e alternativas no defrontar os problemas, aliás na própria identificação dos problemas tarefa profundamente ideológica.

É um discurso que apaga as alternativas acentuando a ideia errada e demagógica de que há sobre todas as questões uma solução técnica ideal, fora da ideologia e da política, e que como solução técnica exige técnicos para a aplicar. Como as “soluções” assim obtidas parecem neutras, técnicas, eficientes, insisto no “parecem”, não é por acaso que todos “parecem” dizer o mesmo, apresentar as mesmas soluções, apenas impossíveis de compatibilizar pelas “tricas partidárias”. É por isso que num debate anterior se pode falar de Duarte Pacheco como um exemplo para a cidade de Lisboa num país democrático, assente na representação de interesses, no voto e na lei. Só porque o comunismo tem má fama é que não se falou do “grande projecto” para Bucareste do Conducator Ceausescu, ele também passando com o seu urbanismo imperial por cima de todos os “interesses mesquinhos” da velha cidade.

Como os políticos não são técnicos, exige-se-lhes que se comportem como tal e entende-se que apenas tem mérito para chegar aos lugares quem “conheça muito bem os dossiers”, ou seja que não fale de política mas de técnicas. Ora o que falta ao debate de Lisboa é em primeiro lugar política, muita política, boa política, que se existisse (e fosse permitida pelos organizadores do espectáculo mediático) levasse ao cerne dos problemas de governabilidade de Lisboa, muito mais importantes do que todas as “soluções” técnicas que encalham mesmo quando tem mérito, exactamente porque um poder político frágil ou comprometido as bloqueia por inércia ou dolo.

Ora falar dos problemas de governabilidade no seu sentido lato significaria falar de corrupção, real ou percebida, clientelismo partidário, interesses corporativos, tudo coisas que estão mais próximas da crise actual da Câmara de Lisboa do que a falta de “soluções” técnicas, mas também falar de interditos como seja a legislação do arrendamento, o factor singular mais gravoso na crise das cidades portuguesas, que por nunca serem discutidos tornam artificiais todos os programas salvíficos para “repovoar” a cidade.

2

ELEIÇÕES PARA LISBOA: AS ENTREVISTAS E DEBATES COMO EXAMES ESCOLARES

Neste contexto da moda mediática, as entrevistas e debates funcionam como exames escolares onde o professor é o jornalista ou o outro candidato. Foi assim que Negrão chumbou porque não tinha decorado as siglas, e todos os candidatos tem que ter o cuidado de estudar o preço dos bilheres de metro e do passe social, mesmo que nunca andem nos transportes públicos, para não cairem no alçapão onde caiu uma vez Vasco Pulido Valente ao não saber o valor do salário mínimo. Ainda estou para ver o candidato que tenha a coragem de dizer logo à cabeça qualquer coisa como, “olhe eu não sou especialistas em finanças, mas terei ao meu lado quem saiba e muito de finanças, mas o que lhe posso dizer é que encontrarei soluções financeiras para este modo de entender a cidade, assim, assim, e assim, onde as pessoas possam viver de acordo com este modo de vida urbana que tem estas vantagens e inconvenientes”.

Os candidatos supõe-se que sejam aptos em matérias tão dispares como urbanismo, gestão orçamental, redes de transportes, reabilitação urbana, sociologia, demografia, estatísticas diversas, obras públicas, prazos e empreitadas, etc., etc. Não se lhes pede que conheçam a cidade por viverem nela, uma mais sensata exigência, mas que conheçam a “cidade” dos planeadores de transportes, dos urbanistas, dos arquitectos, dos animadores culturais, dos assistentes sociais, dos sociólogos, dos engenheiros de transportes, dos construtores civis, a habitual fauna “técnica” das cidades modernas. Por singular coincidência é esse mesmo grupo de profissões e actividades que depende de forma crucial de Câmaras como a de Lisboa, que dominam o discurso “técnico” e o tornam numa variante da Lei de Parkinson.

*
Escreveu que há agora uma moda jornalística que consiste em desvalorizar a política em detrimento das (pretensas) soluções concretas dos problemas e avançou mesmo com uma explicação para este facto. Venho propor uma outra explicação que também pode ajudar a explicar o mesmo fenómeno. Tenho vindo a ter ao longo dos anos a impressão de haver uma nítida degradação na capacidade de argumentação abstracta na população em geral, bem como nos jornalistas e nos políticos em particular. Isto leva naturalmente a um aumento na dificuldade em falar em questões de política e, consequentemente, numa maior apetência em abordar problemas concretos. Naturalmente, a classe política não pode ser formada por pessoas como Lenine, de quem alguém disse que só pensava em termos de «massas, movimentos e classes», mas que parecia ficar confuso quando lhe vinham pedir ajuda para um problema concreto de uma pessoa concreta. Só que, como diria Aristóteles, no meio é que está a virtude. E, parafraseando o mesmo Aristóteles, é marca de uma mente educada ser-se capaz de abordar cada assunto com o grau de abstracção que este exige (a frase original tem «precisão» no lugar de «abstracção»).

(José Carlos Santos)

*

O seu texto e o comentário do leitor s/ falta de capacidade de abstracção da população faz-me lembrar um texto c/ muitos ano do Miguel Esteves Cardoso em que ele falava do “só saber”. Este verbo era usado quando se perguntava a alguém na rua “o que pensa da entrada de Portugal na CEE?” (por aqui se vê os anos do texto) e a resposta era “disso não percebo nada, só sei que a comida está cada vez mais cara e qualquer dia o que a gente ganha não chega para comer”. Assim tínhamos o “saber” – abstracto e que só interessava a mentes mais elevadas e o “só saber” – reservado ao povo que se ligava com as questões práticas do dia-a-dia e das dificuldades da vida.

Como vemos o problema tem mais de 20 anos e cada vez mais as pessoas “só sabem” e os políticos resolveram ir pelo mesmo caminho (como sabemos qualquer fluído líquido tende deslocar-se pelo caminho que lhe oferece menos resistência. Modéstia à parte aqui está uma frase que combina política com técnica) para poderem conquistar votos e porque muitas vezes eles também “só sabem”, quando não é o caso que não sabem mesmo nada, pois não só não têm capacidade intelectual para saber como muitos deles nunca tiveram necessidade de “só saber” para assegurar a sua subsistência. Ou melhor “só sabem” servir interesses, lamber botas, fazer tricas, dizer “sound bites”, falar politicamente correcto, mudar de posição quando tal lhes é conveniente, etc.

(Miguel Sebastião)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Palma de Maiorca escultura de Andreu Alfaro, Linhas ao Vento, (Pedro Cirne)



Manhã numa rua de Lisboa.



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. Manhã. (RM)

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12.7.07


HOJE - ESCOLHAS DO ABRUPTO NO

Home

A grande Um Kalsum au grand complet.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Anoitecer em Armação de Pera. (Luís Louro Vasco)





Anoitecer em Montreal, Canadá. (Bruno Correia)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 12 de Julho de 2007

Em mais uma vistosa demonstração de que o «serviço público» deve ser dispensado com benefício geral, a RTP inventou ontem, através do seu correspondente em Bruxelas, António Esteves Martins, que o presidente francês Sarkozy não conseguira da UE autorização para adiar o objectivo de défice zero em mais dois anos; e que, dizia a RTP, Sarkozy se conformou; mas que depois, dizia a RTP, o seu primeiro-ministro «voltou com a palavra atrás». Além desta má informação, má simplesmente, julgo que Sarkozy vai motivar muita desinformação. Muitos jornalistas portugueses, ainda sem terem assimilado este estranho caso de um político que foi eleito com um programa, aplica o programa que defendeu, e o defende e aplica com vigor e competência, continuam a atirar aqueles epítetos que atira quem percebe pouco do que se passa: «hiperactivo», «energético», etc. Apanhados distraídos, dirão ainda muitos disparates.

(José Cruz)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Interiores. (A)



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. Manhã. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS
1061 - To the Harbormaster

I wanted to be sure to reach you;
though my ship was on the way it got caught
in some moorings. I am always tying up
and then deciding to depart. In storms and
at sunset, with the metallic coils of the tide
around my fathomless arms, I am unable
to understand the forms of my vanity
or I am hard alee with my Polish rudder
in my hand and the sun sinking. To
you I offer my hull and the tattered cordage
of my will. The terrible channels where
the wind drives me against the brown lips
of the reeds are not all behind me. Yet
I trust the sanity of my vessel; and
if it sinks, it may well be in answer
to the reasoning of the eternal voices,
the waves which have kept me from reaching you.

(Frank O’Hara)

*

Bom dia!

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11.7.07


MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Uma estrada. (RM)






Romaria da Sra. da Agonia, Viana do Castelo. (João Rocha)







Uma escultura do Calatrava e a Catedral de Palma de Maiorca. (Pedro Cirne)



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. Manhã. (RM)

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Hoje no sopé das Montanhas Rochosas, Colorado USA (Manuela Mage)



E em Brasília. (Edgar Canelas)

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10.7.07


NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

POLÍTICA DO UPSTAIRS / DOWNSTAIRS
- as razões para diversas transumâncias nas eleições de Lisboa.

UM PROBLEMA PARA AS ELEIÇÕES EM LISBOA: A SEGURANÇA ELEITORAL - as dúvidas sobre o que aconteceu com a contagem dos votos nas autárquicas de Lisboa em 2001.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Anoitecer em Lisboa.



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. Noite. (RM)







Festa dos tabuleiros em Tomar. (João Henriques Simões)



Jardins da Gulbenkian. (MJ)

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RETRATOS DO TRABALHO EM CASTELÕES, TONDELA



Tem 90 anos, esta senhora fiadeira em Castelões, freguesia do concelho de Tondela.

(Sofia Bernardo)

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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 10 de Julho de 2007

Neste momento lá está, no telejornal da RTP, o Momento-Chávez do dia: Sócrates no "Por ti 2007" no habitual discurso sem contradição, sem edição, e puramente propagandístico. Tempo de antena puro.

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POLÍTICA DO UPSTAIRS / DOWNSTAIRS

Nos partidos também há um upstairs e um downstairs cuidadosamente separados, mas servindo-se mutuamente. Uma regra não-escrita que existe na política portuguesa é que quando alguém aparece como ganhador antecipado, como depositário "natural" do poder, arrasta atrás de si uma espécie de "união nacional" constituída pelos habitantes do upstairs. Os upstairs não têm problemas em "comprometer-se", mesmo em participar nas listas, o que recusariam em qualquer outro caso, e em permitir que os seus subordinados e empregados apareçam "a dar a cara" pelas listas de "prestígio", ou seja aquelas que estão ou no poder, ou na antecâmara do poder. Noutras ocasiões, proíbem-no liminarmente, ameaçando que o "seu futuro na empresa pode ser prejudicado pela exposição política que nos traz, a si e à empresa, que tem que negociar com o governo" (palavras verdadeiras). Esta é uma das razões, não a única claro, porque é muito difícil a um partido na oposição ter membros do upstairs, ou do meio das escadas, como seus porta-vozes, em particular, em áreas como a economia, e as finanças. Ficam-se apenas pelos pequenos empresários e pelos comerciantes, os downstairs da hierarquia vitoriana das mansões da economia fina e do brilho social.

Quando não está em causa o poder de cima, ou seja quando pouco mais está em causa do que o emprego nos quartos das criadas e nos jardins, e no máximo o de governanta ou de mordomo, é o downstairs que se move furiosamente. Eles sabem que não tem lugar nos andares de cima, mas no pacto implícito da casa são eles que "mandam" nos de baixo, desde que não interrompam o serviço aos de cima. Só que às vezes há perturbações, patrões fracos, vazios no poder, crises de sucessão, mortes, heranças. Então o downstairs sobe as escadas.

O caso interessante, e relativamente anómalo, da última gestão camarária de Carmona Rodrigues foi o de, sendo uma candidatura vitoriosa, ter arrastado consigo apenas o downstairs, ainda por cima em plena guerra civil, que já lavrava em baixo. Carmona viu-se na situação de estar nos quartos de cima com a tribo de baixo, lutando quarto a quarto, sala a sala, pelo armário das bebidas, pelas poltronas, pelo piano, pelo guarda-vestidos da senhora e da menina. O resultado foi o que se viu, a casa veio abaixo com todas as histórias habituais: assessores, clientelas diversas, partidarização, ou seja, fome pura e simples.

O upstairs em 2005 ligou-se a Carrilho, e depois arrependeu-se, mas já era tarde. Agora corre para António Costa, repondo a regra e acabando com a excepção. Costa é o poder, o poder no governo e na secção de Lisboa do governo, que é o que vai ser a Câmara de Lisboa, cuja única "independência" será a que vem da agenda própria de Costa. Por isso, Costa ajudará a consolidar todos os interesses do upstairs de Lisboa, como já se vê com completo despudor. Noutra candidatura, que não a do upstairs, já teria havido grosso escândalo. Aqui não, respeitinho é o que domina. Beneficiando do silêncio, hoje apanágio dos poderosos, Costa já está a fazer a sua comissão de candidatura a Primeiro-ministro, até porque ele conhece, melhor do que ninguém, as fragilidades do edifício de Sócrates.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



Lisboa matinal. (MJ)



Jardins da Gulbenkian. (MJ)



Montreal, Canadá. (Bruno Correia)



Passagem do tempo por um banco do jardim de S. Amaro. De manhã. (RM)

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EARLY MORNING BLOGS
1060 - The Tourist From Syracuse

One of those men who can be a car salesman or a tourist from Syracuse or a hired assassin. (John D. MacDonald)

You would not recognize me.
Mine is the face which blooms in
The dank mirrors of washrooms
As you grope for the light switch.

My eyes have the expression
Of the cold eyes of statues
Watching their pigeons return
From the feed you have scattered,

And I stand on my corner
With the same marble patience.
If I move at all, it is
At the same pace precisely

As the shade of the awning
Under which I stand waiting
And with whose blackness it seems
I am already blended.

I speak seldom, and always
In a murmur as quiet
As that of crowds which surround
The victims of accidents.

Shall I confess who I am?
My name is all names and none.
I am the used-car salesman,
The tourist from Syracuse,

The hired assassin, waiting.
I will stand here forever
Like one who has missed his bus—
Familiar, anonymous—

On my usual corner,
The corner at which you turn
To approach that place where now
You must not hope to arrive.

(Donald Justice)

*

Bom dia!

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9.7.07


LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 9 de Julho de 2007 (2)

Será possível ter ouvido várias horas de debate sobre Lisboa sem se ter pronunciado a palavra arrendamento, sem ninguém falar na legislação do arrendamento, uma das situações singulares que mais contribuiu para degradar as cidades portuguesas?

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HOJE - ESCOLHAS DO ABRUPTO NO

Home

Dean Martin, James Stewart e Orson Welles divertindo-se.

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MOMENTOS EM TEMPO REAL

Hoje, um pouco por todo o lado. Usando o Abrupto como janela.



O vento de hoje.

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NUM BLOGUE PERTO DE SI, NUMA GALÁXIA MUITO LONGE



NESTES DIAS

UM PROBLEMA PARA AS ELEIÇÕES EM LISBOA: A SEGURANÇA ELEITORAL - as dúvidas sobre o que aconteceu com a contagem dos votos nas autárquicas de Lisboa em 2001.

MOMENTOS EM TEMPO REAL - olhares do dia de ontem em Lisboa, no Ribatejo, no Porto, em Leiria, em S. Martinho, e em Santo Amaro de Oeiras. O banco do jardim de S. Amaro, os campos de Julho, as corridas do Circuito da Boavista, o molhe da Foz, o Pinhal de Leiria, e um incêndio.



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BIBLIOFILIA: GRANDES CAPAS



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LENDO
VENDO
OUVINDO

ÁTOMOS E BITS

de 9 de Julho de 2007


Vidas na Rede. Jason Kottke tem um blogue (Kottke.org) e foi o orgulhoso pai de Ollie Kottke sobre o qual escreveu uma nota, com fotografia junta, do novo terrestre com 48 horas. A mãe, Meg Hourian, tem um blogue (megnut) e colocou a mesma fotografia de Ollie. Nele regista o habitual raio mortífero, KABOOM!!!!, que cai sobre os pais - All of the sudden, nothing in the whole world seems as exciting as watching Ollie as he sleeps. Restaurants? Farmers markets? Food? Blogs? The web? The entire outside world? Nope, not as wonderful as our new little boy. - e, para que ninguém perca o instante mágico do "new little boy", coloca as respectivas fotos no Flickr. Ollie vai poder ter, como a sua geração, pela primeira vez, a memória do instante KABOOM!!! na vida dos pais através desta forma especial de memória que é a Rede. Não é novidade absoluta, no mundo anglo-saxónico, austero e protestante, era comum haver uma espécie de diário familiar, mas onde o registo não passaria de um "today, at 8.30 in the morning, a boy, Ollie was born, to my lovely wife Meg. Both the boy and the mother are healthy and strong. Praise the Lord!". Depois anotava quando muito o peso, porque os tempos não eram de abundância, e o Ollie juntar-se-ia aos outros nove filhos do casal com uma "casa na pradaria".

*
De facto é curioso esse fenómeno de "colocar" os bebés nos blogs! Antes, penduram os desejos, as angústias, as ecografias. Depois, as fotos do recém nascido, os primeiros e os futuros brinquedos, ...

Um arquivo na blogosfera, do actual bebé para a futura pessoa... Basta escrever no Google: "bebés blogs" e ver a imensidão de links. Alguns têm, digamos, o bom senso de ser Blogs restritos e acessíveis apenas com palavra-passe. E em o que é que este fenómeno irá a dar?

(Amilcar)

Acho interessante esta contemplação da internet aqui no Abrupto. Mas o Kottke não é um blogue qualquer. Está no Top100 do Technorati (49º. hoje, mas já o vi mais acima), é um dos primeiros, é individual (embora já tenha tido editores convidados nas férias do autor), "early bird" de tudo internet (como recentemente o Twitter), talvez a primeira pessoa a profissionalizar-se como blogger (foi uma experiência de