ABRUPTO

21.5.05


A VER / LER

A Cidade Surpreendente, um blogue surpreendente com as cores do Porto e só lá no Alto se sabe como são difíceis de ver e mostrar.

Uma serpente negra na Astronomy Picture of the Day.

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MORREU PAUL RICOEUR

para que se recorde, agora que entrou para a "memória" que tão bem compreendeu.

A ler o artigo sobre Ricoeur na Stanford Encyclopedia of Philosophy.

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AFINAL HÁ LENDAS URBANAS QUE SÃO VERDADEIRAS 13


SINAIS DA POLÍTICA EM ERAS VIOLENTAS


Polícia Portuguesa era a revista oficial da PSP e, como a capa com os velhos sinaleiros de cabeça de giz (tempus edax rerum, mais uma vez) mostra, uma típica revista corporativa do Estado Novo. Este número tem no entanto um reclame da Mercedes que me recordou um velho conhecido meu e de muitos manifestantes antes do 25 de Abril, o carro de água. Antes do 25 de Abril, o carro de água era a menos assustadora realidade do vendaval repressivo que era atirado para cima dos manifestantes. As manifestações duravam meia dúzia de minutos e pouco mais eram do que ajuntamentos breves. Logo a seguir, vinha a polícia de choque a bater, nalguns casos com cães, depois a PIDE fazia prisões selectivas, e por fim o carro da água varria o que sobrava nos passeios. Os passeios eram um elemento fundamental nas manifestações porque era o engrossar dos ajuntamentos nos passeios que era preliminar ao breve acto de ir para o meio da rua. Para além disso, muita gente que não queria arriscar-se a manifestar, mas entendia que lá devia estar, andava lentamente pelos passeios. Uma última nota sobre o carro de água: eu e mais gente íamos para as manifestações com o "traje" apropriado, ou seja, roupa que se podia estragar. A polícia misturava tinta azul ou azul de metileno na água do carro com o duplo objectivo punitivo de sujar a roupa com uma tinta resistente à lavagem e identificar os manifestantes.


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EARLY MORNING BLOGS 499

EL ESCUCHADOR (GUSTAVO ADOLFO BÉCQUER)


Mueve el viento.
Mueve el velo
quedo.

Mueve el aire.
Mueve el arce.
Vase.

Luz sin habla.
Voz callada.
Clara.

Sombra justa.
Suena muda.
Luna.

Y él la escucha.


(Vicente Aleixandre)

*

Bom dia!

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20.5.05


OS LIVROS DA SÁBADO

GOSTAR DE PORTUGAL

Gostar de Portugal de uma forma escorreita, escrever sobre Portugal de muito próximo, ter de Portugal uma intimidade feita de andar a pé pelas suas terras, observar, desenhar, anotar foi o que fez durante a sua vida Fernando Galhano. O livro Páginas de Cultura e Arte, antologia dos artigos e desenhos publicados no Comércio do Porto nos anos sessenta e editados pela Caixotim, é um excelente retrato desse gosto, tão raro entre nós. O que impressiona nos textos e desenhos de Fernando Galhano é a sua elegância e leveza estética, o fluir do olhar com rigor sobre coisas que já não iremos mais ver: uma rapariga a moer o cereal para preparar umas papas numa aldeia serrana, uma cozinha rural, uma trovoada no rio Douro, um rio que quem o conhece tem medo dele, fragmentos de um Portugal que é hoje o “país estrangeiro” do nosso passado.

Galhano fazia parte de um pequeno grupo de portugueses que transformaram esse gosto em estudo, em literatura e arte, e que sem eles, não existiria para nós. O salazarismo pretendeu apropriar-se desta movimento de recolha das coisas pátrias para o elevar a uma apologia do mundo rural e marítimo, que pouco mais era do que uma apologia da pobreza. Mas esta geração de homens – Ernesto Veiga de Oliveira, Benjamim Pereira, Jorge Dias, Orlando Ribeiro, a equipa de Keil do Amaral coligiu a Arquitectura Popular Portuguesa, Lopes Graça e Giacometti, e alguns outros - sobreviveu a essa apropriação ideológica do seu trabalho.

Politicamente eram muito diferentes, havia comunistas e gente próxima do regime salazarista, mas olhavam para Portugal de uma forma que podemos reconhecer não só como nossa, mas também como nos fazendo falta hoje, quando a destruição acelerada da paisagem e do habitat já está em grande parte consumada. Um Portugal que já estava a acabar no seu tempo foi assim salvo in extremis para a nossa memória. Eles ouviram por nós os últimos velhos que ainda cantavam uma última canção tradicional antes da rádio e televisão impregnarem os ouvidos, fotografaram as velhas casas, palheiros e espigueiros, os utensílios de trabalho, recolheram as lendas, os provérbios, as práticas culturais e de trabalho de lavradores, pastores e pescadores, caminharam por caminhos que nós, criminosamente, estamos a fazer com que vão dar a parte nenhuma.

*

Escrevo-lhe para retificar um nome saído neste seu post, a saber, Benjamim Pereira era e é, por que está vivo e de boa saúde, um etnógrafo do famigerado e brilhante grupo de Jorge Dias, e não Benjamim Ribeiro, como consta.[corrigido] Recomendo o livro Etnografias Portuguesas (1870-1970). Cultura Popular e Identidade Nacional de João Leal publicado na colecção da Dom Quixote, Portugal de Perto, que aborda o trabalho deste grupo de etnógrafos bem como o tema da arquitectura desde Raul Lino ao trabalho de Keil do Amaral, entre outros assuntos.

(Sérgio Alves)

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INTENDÊNCIA

Em actualização os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO.

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AFINAL HÁ LENDAS URBANAS QUE SÃO VERDADEIRAS 12

QUANDO O MUNDO TINHA ORDEM E OS MAUS ERAM MESMO MAUS






Numa altura em que mais umas toneladas chegam (uma e meia presumo), estas capas de livros de "maus".

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EARLY MORNING BLOGS 498

Why It Often Rains in the Movies


Because so much consequential thinking
happens in the rain. A steady mist
to recall departures, a bitter downpour
for betrayal. As if the first thing
a man wants to do when he learns his wife
is sleeping with his best friend, and has been
for years, the very first thing
is not to make a drink, and drink it,
and make another, but to walk outside
into bad weather. It's true
that the way we look doesn't always
reveal our feelings. Which is a problem
for the movies. And why somebody has to smash
a mirror, for example, to show he's angry
and full of self-hate, whereas actual people
rarely do this. And rarely sit on benches
in the pouring rain to weep. Is he wondering
why he didn't see it long ago? Is he wondering
if in fact he did, and lied to himself?
And perhaps she also saw the many ways
he'd allowed himself to be deceived. In this city
it will rain all night. So the three of them
return to their houses, and the wife
and her lover go upstairs to bed
while the husband takes a small black pistol
from a drawer, turns it over in his hands,
then puts it back. Thus demonstrating
his inability to respond to passion
with passion. But we don't want him
to shoot his wife, or his friend, or himself.
And we've begun to suspect
that none of this is going to work out,
that we'll leave the theater feeling
vaguely cheated, just as the movie,
turning away from the husband's sorrow,
leaves him to be a man who must continue,
day after day, to walk outside into the rain,
outside and back again, since now there can be
nowhere in this world for him to rest.


(Lawrence Raab)

*

Bom dia!

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19.5.05


COISAS SIMPLES



(Kuzma Petrov-Vodkin)

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CONTRA O VOTO "BOM" E O VOTO "MAU"

Os votos num referendo, no caso que agora nos interessa no referendo europeu, são necessariamente transversais. Admito que as decisões partidárias a favor do “sim” afectem muitos militantes e eleitores e que estes votem em concordância. É aliás para potenciar este efeito que se escolheu fazer o referendo europeu acoplado às eleições autárquicas que desfavorecem o debate, e não nas presidenciais que o potenciavam. Mas há muito voto solto e livre e muita gente votará apenas pelas razões do “sim” e do “não”.

Os partidários do “sim” têm sistematicamente desvalorizado aquilo que consideram só existir do lado do “não”: uma convergência de votações por motivos muito diversos, alguns que parecem pouco recomendáveis. Mas esta chantagem política que atribui ao “sim” uma limpidez política e moral superior ao “não” tem que ser liminarmente recusada. O voto “sim” como o voto “não” tem clarezas e ambiguidades, mas depois do debate, se houver debate contra o falso consenso, os votos valem o mesmo.

O meu voto “não” misturar-se-á com outros “nãos” diferentes dos meus, alguns dos quais são por razões que recuso. Eu pessoalmente não me reconheço nas razões do PCP e do BE para votarem não, nem nas de grupos nacionalistas da direita radical para votarem no mesmo sentido. Entendo que o debate deve ter outras componentes e outros intervenientes e não ficar preso aos dilemas da visão “social” de comunistas e bloquistas e do soberanismo extremado dos nacionalistas. Mas isso não me condiciona, nem me impede de discutir todas as razões com todos, desde que sejam dados argumentos e não imprecações. Se desejo que um número significativo de “nãos” se expresse eu aceito o princípio básico que em democracia e nas urnas os votos são exactamente iguais e exactamente oriundos do mesmo acto de liberdade.

E mais: darão um sinal político mais inequívoco do que as razões que os justificaram a montante e a jusante – e esse sinal é que assim, com esta Constituição, toda a agenda que gravita à sua volta, e as suas consequências, não se constrói uma Europa de paz, progresso material e liberdade. O “sim” não garante que assim seja, o “não” ajuda a que se volte para trás da insensatez imprudente dos últimos anos e se faça melhor e diferente.

(Nota colocada também no SÍTIO DO NÃO.)

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EARLY MORNING BLOGS 497

WHEN HALF THE TIME THEY DON'T KNOW THEMSELVES...


Old cathedrals, old markets, good and firm things
And old streets, one always feels intercepted
As they walk quickly past, no nonsense, cabbages
And turnips, the way they get put into songs:

One needn't feel offended
Or shut out just because the slow purpose
Under it is evident,
Because someone is simply there.

Yet it's a relief to look up
To the moist, imprecise sky,
Thrashing about in loneliness,
Inconsolable...

There has to be a heart to this.
The words are there already.
Just because the river looks like it's flowing backwards
Doesn't mean that motion doesn't mean something,
That it's incorrect as a metaphor.

And the way stones sink,
So gracefully,
Doesn't rob them of the dignity
Of their cantankerous gravity.

They are what they are and what they seem.
Maybe our not getting closer to them
Puts some kind of shine on us
We didn't consent to,
As though we were someone's car:
Large, animated, calm.

(John Ashbery)

*

Bom dia!

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INTENDÊNCIA

Actualizados os ESTUDOS SOBRE O COMUNISMO , incluindo a bibliografia.

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18.5.05


ESTÁ NA HORA DE ORGANIZAR O MOVIMENTO DO “NÃO” 2

Há um conjunto de blogues e de co-autores de blogues que são a favor do “não” à Constituição Europeia. Não têm as mesmas razões, nem os mesmos argumentos, mas o movimento do “não” tem que ser agregador, não sectário e ter fronteiras largas. A sugestão que faço é criar-se um blogue do “não” para que todos contribuam começando um debate organizado, mesmo que o façam duplicando aí as notas que originalmente publicam nos seus sítios. Para facilitar criei um blogue SÍTIO DO NÃO como sugestão. Não posso, no entanto, garantir aí mais do que colaboração, nunca a gestão solitária do sítio para que não tenho disponibilidade de tempo. Entregarei a casa e as chaves a quem queira seriamente tratar do assunto, ou encerrá-lo-ei caso apareça melhor iniciativa com o mesmo fim.

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COISAS COMPLICADAS



Larry Rivers, John Ashbery working

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ESTÁ NA HORA DE ORGANIZAR O MOVIMENTO DO “NÃO”

Todos aqueles que querem votar “não” e não se revêem no “não” do PCP e do BE à Constituição Europeia, de que estão à espera para organizar um movimento que explique as suas razões aos portugueses? Ou o derrotismo face à gigantesca coligação do “sim”, com todos os partidos e todos os meios, já impera? Os partidários do “sim” usam toda a sua força institucional. O Presidente da República já anda em campanha pelo “sim” nas escolas, mostrando que nesta matéria não se importa de ser presidente só de uma parte dos portugueses. Sócrates, Vitorino, Cavaco, Marcelo, Marques Mendes e Portas virão defender o “sim”. O dinheiro da Comissão e do Parlamento Europeu já flui para encartes, artigos, panfletos e colóquios com os pódios ou as audiências cuidadosamente equilibrados para se parecer que se debate, quando não se debate, ou, quando se debate, não haver exposição pública dos argumentos do “não”. Está na hora de se exigir à rádio e à televisão públicas um acesso igual aos defensores do "sim" e do "não", como é suposto numa democracia.

Senão tudo será, como já é, prudente, sottovoce, regrado e controlado para que o “sim” ganhe pela porta de trás, sub-reptício, a reboque de umas eleições autárquicas em que, está-se mesmo a ver, a questão europeia vai ser muito discutida. Está pois na altura de criar um movimento, um fórum de debate público, um ajuntamento, seja lá o que for, para explicar porque razão se deve pensar duas vezes antes de assinar de cruz um tratado cujas implicações podem ser trágicas para quem deseja uma Europa unida mas uma Europa de nações e não uma híbrida construção transnacional, pouco democrática, subordinada a um directório franco-alemão e a uma burocracia internacional que funciona, como todas as burocracias, para aumentar o seu poder.

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EARLY MORNING BLOGS 496

anyone lived in a pretty how town

anyone lived in a pretty how town
(with up so floating many bells down)
spring summer autumn winter
he sang his didn't he danced his did

Women and men(both little and small)
cared for anyone not at all
they sowed their isn't they reaped their same
sun moon stars rain

children guessed(but only a few
and down they forgot as up they grew
autumn winter spring summer)
that noone loved him more by more

when by now and tree by leaf
she laughed his joy she cried his grief
bird by snow and stir by still
anyone's any was all to her

someones married their everyones
laughed their cryings and did their dance
(sleep wake hope and then)they
said their nevers they slept their dream

stars rain sun moon
(and only the snow can begin to explain
how children are apt to forget to remember
with up so floating many bells down)

one day anyone died i guess
(and noone stooped to kiss his face)
busy folk buried them side by side
little by little and was by was

all by all and deep by deep
and more by more they dream their sleep
noone and anyone earth by april
wish by spirit and if by yes.

Women and men(both dong and ding)
summer autumn winter spring
reaped their sowing and went their came
sun moon stars rain


(e.e.cummings)

*

Bom dia!

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POBRE PAÍS , O NOSSO
COMEÇOU A FESTA

Já se começou a perceber como o governo Sócrates vai actuar: está em curso uma operação de propaganda e condicionamento a propósito do número do défice, destinada a abrir caminho a medidas que não tocam no essencial da despesa pública aumentando mais uma vez a carga fiscal; tomou-se mais uma medida típica do nosso mundo de redomas proteccionistas selectivas, a inspecção às lojas chinesas (quantos restaurantes portugueses ficariam abertos se houvesse uma massiva inspecção sanitária?); e avançou-se com uma medida perigosa, a nacionalização de parte de uma empresa estrangeira, oferecendo ao estado uma fábrica de comboios, enviando um preocupante sinal aos investidores estrangeiros e abrindo uma nova frente de despesismo. Começou a festa, o mau governo.

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17.5.05


AR PURO


Galáxia M51 fotografada pelo telescópio espacial Hubble.
Para perder a respiração, mesmo com o ar puro, ver aqui em todo o ESPLENDOR,

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EARLY MORNING BLOGS 495

Meaningful Love


What the bad news was
became apparent too late
for us to do anything good about it.

I was offered no urgent dreaming,
didn't need a name or anything.
Everything was taken care of.

In the medium-size city of my awareness
voles are building colossi.
The blue room is over there.

He put out no feelers.
The day was all as one to him.
Some days he never leaves his room
and those are the best days,
by far.

There were morose gardens farther down the slope,
anthills that looked like they belonged there.
The sausages were undercooked,
the wine too cold, the bread molten.
Who said to bring sweaters?
The climate's not that dependable.

The Atlantic crawled slowly to the left
pinning a message on the unbound golden hair of sleeping maidens,
a ruse for next time,

where fire and water are rampant in the streets,
the gate closed—no visitors today
or any evident heartbeat.

I got rid of the book of fairy tales,
pawned my old car, bought a ticket to the funhouse,
found myself back here at six o'clock,
pondering "possible side effects."

There was no harm in loving then,
no certain good either. But love was loving servants
or bosses. No straight road issuing from it.
Leaves around the door are penciled losses.
Twenty years to fix it.
Asters bloom one way or another.


(John Ashbery)

*

Bom dia!

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AFINAL HÁ LENDAS URBANAS QUE SÃO VERDADEIRAS 11


AVENTURAS
(Para o Almocreve das Petas.)


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16.5.05


OS LIVROS DA SÁBADO

O CAMINHO DA “CAMINHO”

Quem gosta de livros sabe que a Caminho é uma das melhores editoras portuguesas. Ligada ao PCP, funcionando no seu início como braço civil das Edições Avante!, publicando para os agnósticos e os incréus mais daquilo que a casa mãe publicava para os fiéis, a Caminho nem por isso deixou de “caminhar” para aquilo que é hoje: não apenas uma boa editora, mas uma excelente editora. Dominante em muitas áreas da edição, como o livro infantil e juvenil, a Caminho iniciou uma variante portuguesa de livros de arte muito semelhante no formato e ilustração a uma idêntica colecção da Taschen, numa série dirigida por Bernardo Pinto de Almeida e Armando Alves.
Na colecção saíram já três volumes, sobre Almada, António Carneiro e Alvarez, e como os dois últimos são menos conhecidos do grande público, podem e devem funcionar como descobertas para um Portugal desconhecido. Veja-se, como aperitivo ao mundo genial de Alvarez, o moinho da capa do seu livro. É verdade que Alvarez era meio galego e que aquela paisagem não é portuguesa, mas basta para se perceber como o mundo icónico da pintura fica mais complexo se lhe somarmos coisas como este moinho ou o “Nocturno de Leça” de António Carneiro. Vale a pena.

(Entretanto saíram mais volumes.)

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FORMAS DE SENSIBILIDADE ANTIGAS

AMOR FILIAL


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AFINAL HÁ LENDAS URBANAS QUE SÃO VERDADEIRAS 10


DO CAOS PARA A ORDEM O PROGRESSO AVANÇA!

Ordem e progresso.

Livros deitados para se acamarem, amansarem, disciplinarem. Depois serão colocados em pé, pressionados uns contra os outros, numa gaiola em forma de estante, para se socializarem pelo convívio próximo. Estes ainda não se socializam vendo televisão, embora haja lá uma Escrava Isaura, e várias Gabrielas, 007s , E Tudo o Vento Levou. Quem é que disse que uma biblioteca (pública, a Widener acho eu ) respirava de dia e inspirava de noite, com os livros a sairem da estante e a serem devolvidos como o moléculas de ar? Não sei. Esta para já só respira pó.

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EARLY MORNING BLOGS 494

UNE TÊTE SORT DU MUR


J'ai l'habitude, le soir, bien avant d'y être poussé par la fatigue, d'éteindre la lumière.

Après quelques minutes d'hésitation et de surprise, pendant lesquelles J'espère peut-être pouvoir m'adresser à un être, ou qu'un être viendra à moi, je vois une tête énorme de près de deux mètres de surface qui, aussitôt formée, fonce sur les obstacles qui la séparent du grand air.

D'entre les débris du mur troué par sa force, elle apparaît à l'extérieur (je la sens plus que je ne la vois) toute blessée elle-même et portant les traces d'un douloureux effort.

Elle vient avec l'obscurité, régulièrement depuis des mois.

Si je comprends bien, c'est ma solitude qui à présent me pèse, dont j'aspire subconsciemment à sortir, sans savoir encore comment, et que J'exprime de la sorte, y trouvant, surtout au plus fort des coups, une grande satisfaction.

Cette tête vit, naturellement. Elle possède sa vie.

Elle se jette ainsi des milliers de fois à travers plafonds et fenêtres, à toute vitesse et avec l'obstination d'une bielle.

Pauvre tête !

Mais pour sortir vraiment de la solitude on doit être moins violent, moins énervé, et ne pas avoir une âme à se contenter d'un spectacle.

Parfois, non seulement elle, mais moi-même, avec un corps fluide et dur que je me sens, bien différent du mien, infiniment plus mobile, souple et inattaquable, je fonce à mon tour avec impétuosité et sans répit, sur portes et murs. J'adore me lancer de plein fouet sur l'armoire à glace. Je frappe, je frappe, je frappe, j'éventre, j'ai des satisfactions surhumaines, je dépasse sans effort la rage et l'élan des grands carnivores et des oiseaux de proie, J'ai un emportement audelà des comparaisons. Ensuite, pourtant, à la réflexion, je suis bien surpris, je suis de plus en plus surpris qu'après tant de coups, l'armoire à glace ne se soit pas encore fêlée, que le bois n'ait pas eu même un grincement.


(Henri Michaux)

*

Bom dia!

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15.5.05


MAIS CAPAS DE TRIER PARA LIVROS DE KASTNER
(O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS LEITORES)



(Enviadas por monika kietzmann.)

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EARLY MORNING BLOGS 493

Porch Swing in September


The porch swing hangs fixed in a morning sun
that bleaches its gray slats, its flowered cushion
whose flowers have faded, like those of summer,
and a small brown spider has hung out her web
on a line between porch post and chain
so that no one may swing without breaking it.
She is saying it’s time that the swinging were done with,
time that the creaking and pinging and popping
that sang through the ceiling were past,
time now for the soft vibrations of moths,
the wasp tapping each board for an entrance,
the cool dewdrops to brush from her work
every morning, one world at a time.


(Ted Koose)

*

Bom dia!

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© José Pacheco Pereira
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