ABRUPTO

23.4.04


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: PARA CIMA



Sobe, sobe, pequeno "Espírito", para as montanhas altas. Não são altas? São, são. Tão longe que são sempre altas.

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Degas, Le bureau de coton

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EARLY MORNING BLOGS 191

Dr. Sigmund Freud Discovers the Sea Shell


Science, that simple saint, cannot be bothered
Figuring what anything is for:
Enough for her devotions that things are
And can be contemplated soon as gathered.

She knows how every living thing was fathered,
She calculates the climate of each star,
She counts the fish at sea, but cannot care
Why any one of them exists, fish, fire or feathered.

Why should she? Her religion is to tell
By rote her rosary of perfect answers.
Metaphysics she can leave to man:
She never wakes at night in heaven or hell

Staring at darkness. In her holy cell
There is no darkness ever: the pure candle
Burns, the beads drop briskly from her hand.

Who dares to offer Her the curled sea shell!
She will not touch it!--knows the world she sees
Is all the world there is! Her faith is perfect!

And still he offers the sea shell . . .

What surf
Of what far sea upon what unknown ground
Troubles forever with that asking sound?
What surge is this whose question never ceases?


(Archibald MacLeish)

*

Bom dia!

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22.4.04


POEIRA DE 22 DE ABRIL

Hoje , há oitenta e nove anos, duas divisões coloniais francesas na frente de Ypres notaram que as granadas lançadas pelos alemães espalhavam um fumo diferente. Os soldados começaram a cair no chão, com um enjoo intenso seguido de desmaio. Muitos morreram. O Tribune de Nova Iorque chamava-lhe gases “asfixiantes”. Era um composto de cloro. O primeiro ataque generalizado com gases da guerra tinha sido realizado. A mãe de todas as armas do nosso século, nosso, do XXI, começara a sua tenebrosa função.

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DE REPENTE

e quase em silêncio, muda quase tudo. Isto será votado hoje por uma maioria PSD-PP-PS, no âmbito de uma revisão constitucional que abre o caminho à Constituição europeia.

• Os tratados da União Europeia e as normas das suas instituições são aplicáveis na ordem interna portuguesa.
• Portugal pode exercer "em comum, em cooperação ou pelas instituições da União, os poderes necessários à construção e aprofundamento da União Europeia".


Verdadeira votação de “sistema”, de establishment. O PSD e o PS evitam fazer barulho, do PP nem um sussurro. Como se não fosse importante.

Agora é ainda mais vital a luta pelo referendo, logo que haja o texto definitivo da Constituição, com os arranjos finais dos governos no Conselho. Se houver coragem de levar o texto da Constituição a todos os votos possíveis, referendos, parlamentos, etc., na maioria dos países europeus – e deste ponto de vista a decisão de Blair é muito positiva - a UE ganha um acrescento de legitimidade democrática, de que bem precisa há muito tempo. Mas duvido que o texto, de génese duvidosa numa Convenção que se arrogou poderes que não tinha, e fruto de todas as ambiguidades da Europa de hoje, passe esse escrutínio.


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OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: MAIS UM NOVO OLHAR



em algo que nunca nenhum mortal tinha visto. O mundo cresce. Um pouco mais de esforço, senhor Malthus, que ainda não é desta.

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1500

Hoje prevê-se a ida a plenário, no Parlamento Europeu, de um documento que exige, só ele, mil e quinhentas votações. Fazem-se esforços de bom senso para as diminuir, mas ninguém quer prescindir da sua emenda sobre a divisão do artigo X ou Y.

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Albrecht Dürer

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EARLY MORNING BLOGS 190

Everyday she takes her morning bath, she wets her hair
Wraps a towel around her as she's heading for the bedroom chair
Slipping into stockings, stepping into shoes,
Dipping in her pocket of her rain coat...

It's just another day...

At the office where the papers grow, she takes a break
Drinks another coffee and she finds it hard to stay awake

It's just another day...

So sad, so sad... Sometimes she feels so sad
Alone in her apartment she'd dwell
Till the man of her dreams comes to break the spell

Ah... Stay... Don't stand around
And he comes and he stays but he leaves the next day
So sad... Sometimes she feels so sad

As she posts another letter to the sound of five,
People gather round her and she finds it hard to stay alive

It's just another day...


(Paul Mc Cartney e os Wings, cortesia de A.)

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21.4.04


BIBLIOFILIA: MUT ZUR ANGST VOR DEM NICHTS / "A CORAGEM DE DEFRONTAR O TERROR DO NADA" (HEIDEGGER)

Joachim Fest, Inside Hitler´s Bunker. The Last Days of the Third Reich, Londres, Macmillan, 2004.

Não sei quantas vezes li descrições dos últimos momentos de Hitler no seu bunker berlinense, mas o próprio facto de ter acabado de ler mais uma mostra o fascínio que esses momentos têm. Não sou só eu, é uma multidão de pessoas que esgota e torna em best sellers tudo o que diga respeito a estes dias de Abril de 1945. Em bom rigor, sabe-se muito, e o que não se sabe dificilmente se irá saber. Não é sequer o mistério das versões contraditórias sobre os momentos finais de Hitler que explicam, nos dias de hoje, o interesse pelo fim do Reich. É o pathos da personagem Hitler e da sua corte final, e a tentativa de explicação de algo muito difícil de explicar: a pulsão destrutiva, o Gotterdamerung macabro desses dias. Pode também ser que procuremos encontrar uma racionalidade para algo intrinsecamente irracional e inexplicável, e o nosso fascínio seja afinal o traço de uma recusa psicológica face ao que não tem explicação, ao que de todo não controlamos.

O livro de Joachim Fest é magnífico porque combina uma descrição narrativa depurada dos últimos dias do bunker , incluindo o que se sabe das fontes soviéticas entretanto tornadas disponíveis, com uma interpretação sobre Hitler e os seus companheiros dos últimos dias, em particular Goebbels. A sua tese - Hitler nunca "construiu", só destruiu, era movido por uma vontade de destruição que nos últimos dias da guerra se voltou também contra os alemães - salienta a singularidade da personagem. Sem Hitler tudo seria diferente, mas Hitler é uma excepção histórica, nunca quis deixar qualquer "obra" que não fosse a terra queimada, onde povos e nações sucumbiram. Pouco a pouco, a força da sua personalidade, a sua vontade inquebrável, seleccionou uns poucos seguidores que espelhavam a mesma vontade de destruir, hipnotizou muitos outros numa obediência cega, e depois, pela corrupção do dinheiro e do poder, alargou essa base dos fanáticos para os oportunistas. Estes deixaram-no no fim , os outros acabaram com ele ou como ele. E não foi só Goebbels e a mulher, que se suicidaram depois de matarem os seis filhos, mas muitos outros oficiais das SS, motoristas, secretárias, que ficaram até ao fim, quase cem pessoas nos últimos dias de Abril.

Fest retrata bem essa comunidade alucinada, que tentou continuar a guerra até ao último berlinense, até ao último alemão, uma guerra já perdida. Uma das perplexidades nesta atitude é o seu carácter pouco "moderno", numa época em que as guerras terminam quase de forma burocrática, algo para que o regime nazi tinha também apetência. Veja-se Eichmann revisto por Hanna Arendt.

Mas não. Hitler queria levar tudo e todos consigo, num acto de imolação que incluía uma suprema vingança contra todos os que o tinham "traído", inclusive o povo alemão, e, de certo modo, contra si próprio, porque tinha mostrado "fraqueza", tinha-se enredado em compromissos a que agora atribuía a derrota.

(Continua)


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EARLY MORNING BLOGS 189

La synagogue


Ottomar Scholem et Abraham Loeweren
Coiffés de feutres verts le matin du sabbat
Vont à la synagogue en longeant le Rhin
Et les coteaux où les vignes rougissent là-bas

Ils se disputent et crient des choses qu'on ose à peine traduire
Bâtard conçu pendant les règles ou Que le diable entre dans ton père
Le vieux Rhin soulève sa face ruisselante et se détourne pour sourire
Ottomar Scholem et Abraham Loeweren sont en colère

Parce que pendant le sabbat on ne doit pas fumer
Tandis que les chrétiens passent avec des cigares allumés
Et parce qu'Ottomar et Abraham aiment tous deux
Lia aux yeux de brebis et dont le ventre avance un peu

Pourtant tout à l'heure dans la synagogue l'un après l'autre
Ils baiseront la thora en soulevant leur beau chapeau
Parmi les feuillards de la fête des cabanes
Ottomar en chantant sourira à Abraham

Ils déchanteront sans mesure et les voix graves des hommes
Feront gémir un Léviathan au fond du Rhin comme une voix d'automne
Et dans la synagogue pleine de chapeaux on agitera les loulabim
Hanoten ne Kamoth bagoim tholahoth baleoumim


(Guillaume Apollinaire)

*

Bom dia!

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20.4.04


BIBLIOFILIA: PORQUE É QUE OS INTELECTUAIS NÃO GOSTAM DO LIBERALISMO?



Vale a pena, vale mesmo a pena, porque as respostas à pergunta dizem muito sobre os intelectuais, mais do que sobre o liberalismo.


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NO PARLAMENTO EUROPEU 2

Que votações são estas? Um pouco de tudo, muita matéria ambiental, muita regulamentação. Um dos núcleos mais importante da votação de hoje foi um "relatório sobre a proposta de directiva do PE e do Conselho relativa às pilhas e acumuladores assim como às pilhas e acumuladores usados". Porquê tão elevado número de emendas e tão grande afã dos deputados sobre estes textos? Em grande parte, devido à movimentação dos grupos de interesse europeus ligados às indústrias respectivas e, num outro sentido, às cada vez mais poderosas e fortemente subsidiadas indústrias ambientais. Cada grupo de interesses encontra, nos partidos políticos, diferentes "ecologias", umas mais próximas da "indústria", outras mais próximas do "ambiente" (e também da "indústria" do ambiente). O conflito entre estes interesses traduz-se numa chuva de emendas, pró ou contra a "indústria", com os deputados a actuar em função de grupos de interesse. Se isto, na cultura política portuguesa, é visto como vergonhoso, nos países mais industrializados, em particular do norte da Europa, é tido como normal.

Um exemplo da forte pressão dos interesses é uma banda desenhada feita com um grafismo muito semelhante ao de uma outra editada pelo PE. Nessa banda desenhada, intitulada Powerless for once, editada pelo grupo de interesse European Portable Battery Association, uma jovem deputada europeia tem um sonho em que nada funciona. Não toca o despertador, não há luz na garagem, não há comando para abrir o carro, etc., etc. Um pesadelo, sem pilhas. Acorda estremunhada e diz "Sem electricidade! Sem baterias! Que pesadelo! TENHO que ir ao meu Grupo e votar contra as emendas." A imagem final é o Plenário de Bruxelas (por acaso o voto foi em Estrasburgo hoje), em que o Presidente diz:" A posição do PE é clara: as emendas ao relatório sobre as pilhas foram rejeitadas pela maioria dos membros!"

É por essas e por outras que há quase cem emendas ao relatório das pilhas.

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CORREIO

Desde ontem que a Telepac resolveu avariar-me a caixa do correio, e, numa fabulosa demonstração de como as questões dos bits se podem tratar como as dos átomos, apesar de avisada, ainda não conseguiu resolver o problema. Por isso, amigos que enviaram correio verdadeiro, vírus que dizem "hi" e "hello" , e vendedores de Vicodin e Xanax, têm que esperar mais um pouco, não se sabe bem porquê.

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NO PARLAMENTO EUROPEU

hoje, votou-se, em duas horas, seiscentos e vinte artigos, emendas, resoluções, etc. Seiscentas e vinte e duas votações.

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PAPEL DOS TROTSQUISTAS EM FRANÇA

Um filme muito interessante sobre os trotsquistas passou na televisão francesa. Ou melhor, apenas sobre um grupo trotsquista, a ex-OCI / Parti des Travailleurs, os "lambertistas", e ficaram de fora os trotsquistas do grupo de Krivine, a que está ligado o PSR de Francisco Louçã, na IV Internacional.

Os "lambertistas" têm uma fama muito própria e uma "cultura" de partido que lhes vem da conjugação de serem um grupa ultra-conspirativo, muito fechado e sectário, com uma prática de "entrismo" nos sindicatos e partidos "burgueses", sem revelarem as suas reais convicções ideológicas. Os "lambertistas" tiveram a sua hora de glória quando se soube que Leonel Jospin, então primeiro ministro, tinha mentido sobre a sua pertença ao grupo e, já secretário geral do PS, reunia clandestinamente com Lambert para lhe passar informações e receber instruções.

A reportagem da televisão mostrava as extensas relações, pactadas ou escondidas, entre o PSF, o sindicato Force Ouvriére, e o grupo de Lambert, e o modo como este actuava fornecendo serviços de segurança, "limpando" as salas de opositores, organizando grupos para vaias, etc., etc. Não em 1968, mas hoje. O Parti des Travailleurs tem uma face menos simpática do que a LCR de Krivine, mas os métodos e as tradições não variam muito. Em Portugal, ninguém faria uma reportagem deste género sobre o amável Bloco.

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COMO DE COSTUME

Ontem, a TSF passava uma peça da sua correspondente italiana sobre as reacções em Itália à decisão de Zapatero de retirada das tropas espanholas do Iraque. A peça, informativa e rigorosa, referia que, "por um lado", havia "alguns analistas" que entendiam que a Itália devia seguir o caminho da Espanha, sem citar nomes, e, "por outro", a maioria dos editorialistas da imprensa italiana, incluindo os jornais hostis a Berlusconi, criticavam Zapatero. Seguia-se uma lista dos argumentos desses editoriais, incluindo o "parecer" que se cedia aos grupos terroristas, até à quebra de uma posição comum europeia por Zapatero, numa altura decisiva para a negociação com os EUA, coisas de que se fala pouco em Portugal, dominados que estamos pelo noticiário prosélito sobre o Iraque.

Até aqui tudo bem. Só que, nos noticiários seguintes da TSF, esta peça passa a ser introduzida apenas pelo primeiro "lado", aquele que notoriamente quase não tem papel na economia informativa da correspondente, ou seja, tudo se resume aos italianos quererem seguir o exemplo de Zapatero. Bem sei que isto é uma gota de água numa chuva contínua, mas era tão clara a manipulação da própria peça jornalística, que merece ser registada.

*

No Mar Salgado outros exemplos do "costume" sobre Bush e Kerry.

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ABRUPTO

Fim do grosso dos trabalhos manuais, princípio do fino. O Abrupto volta hoje à normalidade, se é isso que se lhe pode chamar.

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EARLY MORNING BLOGS 188

Ali Não Havia

Ali não havia eletricidade.
Por isso foi à luz de uma vela mortiça
Que li, inserto na cama,
O que estava à mão para ler —
A Bíblia, em português (coisa curiosa), feita para protestantes.
E reli a "Primeira Epístola aos Coríntios".
Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província
Fazia um grande barulho ao contrário,
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
A "Primeira Epístola aos Coríntios" ...
Relia-a à luz de uma vela subitamente antiqüíssima,
E um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
Sou nada...
Sou uma ficção...
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo?
"Se eu não tivesse a caridade."
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos,
A grande mensagem com que a alma é livre...
"Se eu não tivesse a caridade..."
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade! ...


(Álvaro de Campos)

*

Bom dia!

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19.4.04


EARLY MORNING BLOGS 187

Drum


In the early morning before the shop
opens, men standing out in the yard
on pine planks over the umber mud.
The oil drum, squat, brooding, brimmed
with metal scraps, three-armed crosses,
silver shavings whitened with milky oil,
drill bits bitten off. The light diamonds
last night's rain; inside a buzzer purrs.
The overhead door stammers upward
to reveal the scene of our day.Philip Levine
We sit
for lunch on crates before the open door.
Bobeck, the boss's nephew, squats to hug
the overflowing drum, gasps and lifts. Rain
comes down in sheets staining his gun-metal
covert suit. A stake truck sloshes off
as the sun returns through a low sky.
By four the office help has driven off. We
sweep, wash up, punch out, collect outside
for a final smoke. The great door crashes
down at last.
In the darkness the scents
of mint, apples, asters. In the darkness
this could be a Carthaginian outpost sent
to guard the waters of the West, those mounds.
could be elephants at rest, the acrid half light
the haze of stars striking armor if stars were out.
On the galvanized tin roof the tunes of sudden rain.
The slow light of Friday morning in Michigan,
the one we waited for, shows seven hills
of scraped earth topped with crab grass,
weeds, a black oil drum empty, glistening
at the exact center of the modern world.


(Philip Levine)

*

Bom dia!

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18.4.04


OS NOVOS DESCOBRIMENTOS: ENDURANCE



Com novas cabeças, embora o corpo esteja já na meia idade, o “Espírito” e a “Oportunidade” correm mais depressa. Depois não digam que não é a cabeça que manda. Pittura é cosa mentale. Este é o caminho para a cratera Endurance, e “Oportunidade”, boa sonda americana, aprendeu as suas lições de história. Recordou-se da marcha dos mórmons para o lago salgado. "Também eu lá chegarei". Ao outro lado.

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EARLY MORNING BLOGS 186

A Joana Pereira de Castro devo esta lembrança de “ uma das mais belas “early morning” jamais escritas.” Tem toda a razão: “De tão óbvia, sempre pensei que já tivesse sido incluída no Abrupto e na altura nem a sugeri. Qual não foi o meu espanto quando, na minha leitura integral, não a vi. Como é possível ainda não ter sido incluída? Anda alguém distraído? “. Eu, que ainda há pouco a tinha lido como "never ending story".



Juliet.
Wilt thou be gone? it is not yet near day:
It was the nightingale, and not the lark,
That pierc'd the fearful hollow of thine ear;
Nightly she sings on yond pomegranate tree:
Believe me, love, it was the nightingale.

Romeo.
It was the lark, the herald of the morn,
No nightingale: look, love, what envious streaks
Do lace the severing clouds in yonder east:
Night's candles are burnt out, and jocund day
Stands tiptoe on the misty mountain tops.
I must be gone and live, or stay and die.

Juliet.
Yond light is not daylight, I know it, I:
It is some meteor that the sun exhales
To be to thee this night a torch-bearer
And light thee on the way to Mantua:
Therefore stay yet, thou need'st not to be gone.

Romeo.
Let me be ta'en, let me be put to death;
I am content, so thou wilt have it so.
I'll say yon gray is not the morning's eye,
'Tis but the pale reflex of Cynthia's brow;
Nor that is not the lark whose notes do beat
The vaulty heaven so high above our heads:
I have more care to stay than will to go.--
Come, death, and welcome! Juliet wills it so.--
How is't, my soul? let's talk,--it is not day.

Juliet.
It is, it is!--hie hence, be gone, away!
It is the lark that sings so out of tune,
Straining harsh discords and unpleasing sharps.
Some say the lark makes sweet division;
This doth not so, for she divideth us:
Some say the lark and loathed toad change eyes;
O, now I would they had chang'd voices too!
Since arm from arm that voice doth us affray,
Hunting thee hence with hunt's-up to the day.
O, now be gone; more light and light it grows.


(Shakespeare)

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ESTUDOS SOBRE COMUNISMO

Em actualização.

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© José Pacheco Pereira
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